Oferta turística e relação Turismo ambiente Na Região Autónoma da Madeira



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4. A oferta turística na Região Autónoma da Madeira

Neste capítulo começa-se por se traçar uma panorâmica geral da importância do sector do turismo na RAM, através de uma pequena introdução sobre a evolução histórica deste sector na Região, que termina na sua situação actual.

Na segunda parte faz-se uma análise da oferta turística da RAM, mediante o levantamento dos seus principais elementos. Esta análise não tem pretensões de ser um completo inventário dos recursos turísticos da Região, mas pretende-se que seja uma boa base para um levantamento desse tipo, já que se tenta abranger os principais grupos de recursos turísticos, quantificando-os sempre que possível. No final apresenta-se uma análise dos pontos fortes, pontos fracos, oportunidades e ameaças (análise SWOT) do sector do turismo na RAM.

4.1. A Região Autónoma da Madeira como Destino Turístico


Está ainda por fazer o estudo completo da história do turismo na RAM, apesar do considerável espólio documental existente, nomeadamente o que está à guarda do Arquivo Regional da Madeira e da Biblioteca Municipal do Funchal.

Tudo indica que o turismo na Região deverá ter surgido ainda durante o séc. XV, já que há relatos de viagens à Madeira realizadas durante esse século, de que são exemplo as crónicas do famoso navegador veneziano Cadamosto. Esperança (1975: 120) indica-nos que, no final do séc. XV, os militares britânicos e suas famílias permaneciam algum tempo na Madeira, na ida ou regresso das suas missões em África, Índia e América do Sul, por acreditarem ser necessária uma gradual adaptação às diferenças climatéricas dos países de origem e destino das suas viagens, facto que alguns autores situam no séc. XVIII.

Durante os séculos seguintes, a Madeira passou a ser um importante porto de escala, para fornecimento das embarcações das descobertas portuguesas, bem como para as rotas marítimas do açúcar e do vinho. Terá sido por esta altura que a Madeira ganhou as denominações de “Pérola do Atlântico”, “Flor do Oceano”, “Recanto do Paraíso”, Ilha Maravilhosa” e “Ilha dos Amores”, entre outras, em princípio originadas pela sua beleza paisagística, agradável clima e exuberante vegetação.

A partir do séc. XVIII, a Madeira tornou-se conhecida pelas qualidades do seu clima e seus efeitos terapêuticos, tornando-se um destino de turismo terapêutico muito apreciado. Nesta época, muitos foram os médicos que escreveram sobre os benefícios do clima da Madeira, sendo de referenciar o famoso Dr. Barral, médico português assistente da princesa D. Amélia, que escreve na sua obra “Notícia sobre o clima do Funchal e a sua influência no tratamento da phthisica polmunar”, publicada em 1854,

“em geral uma temperatura quasi uniforme e sempre moderada durante o dia, pouco vento que não encomoda, as horas de calor modificadas por algumas nuvens que abrandam os raios do sol, e pela viração do mar; nunca frio notavel; chuvas ás vezes abundantes, mas passageiras, e deixando logo o terreno em estado de se poder passear; uma atmosphera em que não se sente humidade, nem poeira ou efluvios encomodos. Tudo isto dá logo a medida de um clima excepcional e proprio para o tratamento de padecimentos chronicos em constituições delicadas (...)” (in Silva & Meneses, Vol. I: 128,274).

Já no séc. XIX, a Madeira ganhou grande destaque como destino terapêutico, para o que muito concorreu o bloqueio dos famosos destinos de Itália e Sul de França, devido às guerras liberais europeias. Outro factor muito importante para o turismo da Madeira foi a publicidade ganha pela sua inclusão nos guias médicos internacionais, como clínica de cura da tísica pulmonar.

Com a publicidade internacional ao clima da Madeira, aliado à beleza paradisíaca da ilha e à amistosidade da sua população, muitos foram aqueles que visitaram a ilha, quer na esperança da cura para as suas doenças, quer para passar o Inverno longe dos climas frios dos seus países, pelo que terá sido nesta altura que surgiram os primeiros hotéis da Região. Antes do aparecimento dos hotéis na Madeira, o principal meio de alojamento de quem visitava a Região deveriam ser as famosas quintas madeirenses, algumas das quais alugavam quartos, os albergues e as casas de abrigo, estas últimas construídas nas serras para apoio dos caminhantes.

Devido ao interesse turístico da Região e ao elevado número de visitantes, sobretudo de origem britânica, foi nesta altura que terão surgiram os primeiros guias turísticos, com o intuito de dar conselhos sobre a viagem, bem como sobre o que fazer e que locais visitar durante a estadia na ilha. Muito rapidamente estes guias passaram a incluir informações diversas sobre a Região, tais como informações sobre o seu clima, geologia, fauna e flora, entre outras.

De entre os muitos visitantes da madeira, durante os séculos XVIII, XIX e início do séc. XX, destacam-se algumas ilustres personalidades e escritores nacionais e internacionais, o quais também contribuíram grandemente para a promoção da Região como destino turístico. São de nomear alguns, de entre muitos outros, como Afonso Lopes Vieira, Agustina Bessa Luís, Anatole France, Antero de Quental, António Feliciano de Castilho, António Nobre, Bulhão Pato, George Bernard Shaw, Júlio Dantas, Júlio Diniz, Reiner Marie Rilke, Visconde de Meireles, John Byron, Príncipe Alexandre do Países Baixos, Rainha Adelaide de Inglaterra, Imperatriz Elizabeth da Áustria, mais conhecida por Sissi, Imperatriz D. Amélia do Brasil e sua filha Princesa Maria Amélia, Winston Churchill, James Cook, Capitão Scott, em escala na sua viagem para o Antárctico e os famosos actores de cinema John Houston e Gregory Peck, durante as filmagens do filme “Moby Dick”, lançado em 1956. É também de referir que, com a proclamação da República na Áustria, Carlos I da Áustria veio exilado para a Madeira, onde faleceu em 1922, encontrando-se o seu túmulo na Igreja de Nossa Senhora do Monte.

O desenvolvimento da máquina a vapor, no início do séc. XX, constituiu uma ameaça para o turismo na Madeira, já que as embarcações passarem a ter um movimento independente dos ventos alísios e das correntes marítimas (Silva, 1985: 7). Por outro lado, a invenção da máquina a vapor permitiu o estabelecimento do caminho de ferro do Monte, linha inaugurada em 1912 e que muito serviu para o transporte de turistas entre o Funchal e o Monte.

Durante o período da Segunda Guerra Mundial, o turismo na Madeira decaiu fortemente, levando ao encerramento da grande maioria dos hotéis da Região, bem como do caminho de ferro do Monte pois os poucos turistas que visitavam a Madeira não eram o suficiente para justificar a sua manutenção. Após o fim da Segunda Guerra Mundial o turismo da Madeira pouco recuperou pois os grandes transatlânticos que costumavam aportar no Funchal, passaram a preferir outros portos melhor apetrechados, como os existentes nas Ilhas Canárias (Silva, 1985: 8). O cais do Funchal viria a sofrer obras entre 1931 e 1933, ocorrendo o alargamento e prolongamento do molhe da Pontinha durante os anos de 1955 e 1962.

Com o aparecimento das ligações aéreas para a Região, dá-se início a um novo ciclo do turismo na Região, voltando a aumentar o número de turistas. Depois de um voo experimental de Gago Coutinho e Sacadura Cabral, em 1921, estabelecem-se, a partir de 1949, as ligações aéreas com recurso a hidroaviões, com uma carreira regular entre Inglaterra, Lisboa e Funchal (Pereira, 1989b: 167). A inauguração do aeroporto do Porto Santo, em 1960 e do aeroporto de Santa Catarina, em 1964, vieram impulsionar a ligação aérea à Região, responsável pelo grande desenvolvimento que se verificou no turismo nas décadas seguintes.

Paralelamente ao incremento do número de turistas a entrar anualmente na Região, verificou-se um crescimento das estruturas de apoio ao turismo, nomeadamente nas áreas do alojamento, restauração e lazer, ao mesmo tempo que se desenvolviam as infra-estruturas básicas, tais como a rede rodoviária, o fornecimento de água e electricidade, o saneamento básico e as telecomunicações.

Dada a importância de que o turismo se revestiu para a economia regional, bem como o seu rápido incremento, foi criada, em 1930, a Comissão de Turismo, a qual deu origem, em 1936, à Delegação de Turismo da Madeira, precursora da actual Secretaria Regional de Turismo e Cultura, criada em 1978, após a institucionalização da autonomia pela Constituição da República de 1976 (Vieira, 2001: 246). A esta instituição compete, essencialmente, coordenar, disciplinar, fiscalizar e promover o destino Madeira.

A RAM caracteriza-se actualmente por ser um destino turístico com fortes perspectivas de crescimento sustentado, onde se pretende que impere a qualidade dos serviços. É actualmente aceite que um crescimento sustentado, bem como a manutenção da qualidade, de um destino turístico só se torna possível mediante um cuidadoso planeamento e gestão do mesmo.

No âmbito do planeamento do sector do turismo na Região, foi aprovado, no ano de 2002, o POT, plano de ordenamento sectorial com uma vigência máxima prevista de dez anos, ou seja, até ao ano de 2012, altura em que deverá ser revisto (Assembleia Legislativa Regional, 2002: 6161, 6162). O POT é constituído por duas partes principais. A primeira refere-se à oferta de alojamento, estabelecendo limites ao seu crescimento, visando a sua descentralização, contendo e requalificando a oferta de alojamento no Funchal e no Caniço e apresentando novos critérios de aprovação para os futuros projectos. A segunda parte do POT diz respeito à estratégia de desenvolvimento do turismo na Região e o modelo territorial a adoptar, assentando em três eixos estratégicos:



  • Consolidação do produto dominante;

  • Desenvolvimento da segmentação turística, através do reforço de produtos turísticos;

  • Desenvolvimento da formatação da rede de oferta complementar, explorando a diversidade dos recursos e requalificando a oferta existente.

No âmbito da promoção do destino turístico regional, surgiu recentemente a Associação de Promoção da Madeira, resultado da união de elementos público e privados, como forma de concentrar sinergias e, assim, maximizar o investimento e os resultados da promoção da Região como destino turístico.
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