Oferta turística e relação Turismo ambiente Na Região Autónoma da Madeira



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2.2. Os Impactos do Turismo


Apesar da importância do sector, os impactos do turismo nem sempre são positivos. Especialmente quando não existe uma planificação atempada e correcta para o desenvolvimento do turismo, os seus impactos económicos, ambientais e socio-culturais podem ser negativos, podendo atingir proporções muito importantes.

De forma a facilitar a sua análise, os principais impactos do desenvolvimento do turismo foram agrupados em impactos políticos e tecnológicos, impactos económicos, impactos socio-culturais e impactos ambientais, referindo-se estes últimos aos impactos causados no ambiente natural.


2.2.1. Impactos Políticos e Tecnológicos do Desenvolvimento do Turismo


Apesar de não serem mencionados pela grande maioria dos autores consultados, o desenvolvimento do turismo pode causar impactos políticos e tecnológicos, como refere Sarmento (2003: 28, 29).

O poder político instituído tem como dever a planificação geral e regulamentação legal do sector do turismo. Tendo em conta a importância que o sector tem nos diversos países, principalmente se se pensar no seu efeito multiplicador pelos restantes sectores económicos, torna-se óbvio que este irá ter impactos no delineamento das políticas a adoptar por cada país.



Como refere Sarmento (2003: 28, 29), os impactos tecnológicos são notórios, nomeadamente no que se refere aos transportes e tecnologias de informação e comunicação. No que se refere aos transportes, é de mencionar o advento da aviação comercial a jacto, bem como as constantes modificações tecnológicas que têm sido introduzidas no sector, nomeadamente as que dizem respeito à segurança e conforto dos passageiros. Quanto às tecnologias de informação e comunicação, é inegável o impacto das telereservas, da informatização da gestão das empresas turísticas, incluindo os sistemas informatizados de gestão de clientes ou da promoção através da internet.

2.2.2. Impactos Económicos do Desenvolvimento do Turismo


Impactos positivos:

  • Contribuição para o equilíbrio da balança de pagamentos - a actividade turística representa uma oportunidade para a obtenção, de forma rápida, das divisas necessárias para o equilíbrio da balança nacional de pagamentos.

  • Aumento das receitas do Governo - através dos vários tipos de taxas sobre o turismo, as quais podem ser usadas para o desenvolvimento dos equipamentos e serviços comunitários e infra-estruturas, bem como para o desenvolvimento económico geral.

  • Aumento de emprego - o desenvolvimento da actividade turística representa um aumento do número de empregos, particularmente importante para a mão-de-obra não qualificada e sub-qualificada. Em áreas com depressão económica, o emprego e receitas resultantes do turismo, especialmente para os jovens, pode ajudar a prevenir a emigração dessas áreas.

Apesar de muito dependente das políticas de desenvolvimento económico e cultural locais, o turismo pode ser visto pelo país ou região receptora como sendo vantajoso para o ensino de capacidades técnicas e de gestão a segmentos da sua população, alguns dos quais podem ser transferidos para outros sectores e, mais genericamente, encorajando as pessoas a adoptar hábitos regulares de emprego e a trabalhar pelas coisas que desejam. O turismo pode empregar uma grande percentagem de mulheres e, em algumas sociedades tradicionais, pode fornecer a oportunidade para a emancipação das mulheres através da formação e do emprego.

  • Desenvolvimento da economia local - um importante benefício económico indirecto do turismo é o servir de catalizador para o desenvolvimento ou expansão de outros sectores económicos, tais como a agricultura, pescas, construção civil, certos tipos de manufactura e artesanato, através do fornecimento de bens e serviços usados no turismo.

  • Melhoria de vida da comunidade local - o turismo contribui, não só para o aumento de rendimentos, mas também para a melhoria da sua distribuição pela população local, melhorando o seu nível de vida. Outro benefício socio-económico indirecto são os melhoramentos feitos nos transportes e outros equipamentos, infra-estruturas e serviços para o turismo que também servem as necessidades nacionais, regionais e comunitárias gerais.

Estes benefícios económicos directos e indirectos são geralmente as principais razões para o desenvolvimento do turismo numa dada área.

Impactos negativos:



    • Dependência do turismo - uma elevada dependência do turismo torna os destinos turísticos muito vulneráveis a mudanças no meio envolvente externo, nomeadamente instabilidade política nos países emissores de turistas, desastres ou guerras, factores estes que saem fora do controlo dos destinos.

  • Perda de potenciais benefícios económicos - a perda de potenciais benefícios económicos para a área local pode ocorrer e o ressentimento local pode ser gerado se muitos equipamentos turísticos forem possuídos e geridos por estrangeiros. Também podem ser criadas elites locais se os equipamentos e serviços turísticos forem possuídos e geridos por apenas algumas pessoas locais, com a maioria da comunidade a receber benefícios mínimos. Pode, no entanto, haver poucas alternativas à posse por estrangeiros durante as primeiras fases do desenvolvimento, se o capital local for muito limitado. Ganhos potenciais de divisas estrangeiras podem ser diminuídos quando são usados, no turismo, bens e serviços importados. Nalguns locais, como pequenas economias insulares, poderá não haver alternativa a uma elevada importação para o turismo, com os ganhos líquidos e receitas a serem ainda considerados merecedores do investimento no turismo.

  • Custos de oportunidade - sabendo que os recursos naturais, sociais, culturais ou financeiros são limitados, o facto de os aplicar na actividade turística e não noutras alternativas, acarreta custos de oportunidade, os quais são difíceis de medir mas são reais.

  • Inflação - as necessidades do turismo podem causar inflação dos preços locais de terrenos e determinados bens e serviços, colocando dificuldades financeiras aos residentes.

  • Distorções económicas - distorções económicas podem ocorrer geograficamente, se o turismo estiver concentrado em apenas uma ou poucas áreas de um país ou região, sem o correspondente desenvolvimento nos restantes locais. Esta situação pode causar ressentimento nos residentes nas áreas não desenvolvidas. Mesmo dentro das áreas turísticas, pode haver ressentimento das pessoas com boas receitas do turismo, por parte dos que estão desempregados ou que têm empregos com baixos rendimentos.

  • Distorções no emprego - estas distorções podem ser criadas se o turismo atrair demasiados empregados de outros sectores económicos, tais como a agricultura e as pescas, devido aos seus ordenados mais elevados e, talvez, condições de trabalho mais desejáveis.

  • Ressentimentos e conflitos - pode haver ressentimento pelos residentes se forem trazidos trabalhadores migrantes para trabalhar no turismo, especialmente se estes ficarem mesmo depois de desnecessários, e podem ocorrer conflitos culturais entre os residentes e os trabalhadores migrantes, caso tenham diferentes passados culturais. Se forem empregados no turismo gestores e pessoal técnico expatriados, muitas vezes com ordenados muito superiores aos da escala local, pode haver ressentimento por parte dos trabalhadores locais, com menos conhecimentos, a juntar à já mencionada perda de potenciais benefícios económicos.

Podem surgir conflitos no interior de famílias se o turismo fornecer novos e mais elevados ordenados a certos membros da família, especialmente mulheres e jovens, em relação ao rendimentos que os chefes de família recebem de actividades tradicionais, como a agricultura e as pescas.

Pode haver ressentimento por parte dos residentes em relação aos apercebidos ou reais níveis mais elevados de tempo de lazer dos turistas, especialmente se houver substancial diferença socio-económica entre turistas e residentes. Há por vezes a falta de compreensão pelos residentes de que a maioria dos turistas terão trabalhado muito, durante grande parte do ano, para obter dinheiro suficiente para as suas férias, já que os residentes são expostos à sua presença apenas quando estão em lazer e a gastar dinheiro livremente.


2.2.3. Impactos Socio-Culturais do Desenvolvimento do Turismo


“Apesar do turismo poder gerar impactos socio-culturais, deve-se ter em conta que qualquer tipo de desenvolvimento novo implica alterações. O turismo é apenas uma das fontes de alterações numa sociedade” (WTO, 1994a: 35).

Impactos positivos:



  • Conservação da herança cultural - o turismo pode ser um dos principais estímulos para a conservação de elementos importantes da herança cultural de uma área pois a sua conservação pode ser justificada, no todo ou em parte, como atracções turísticas. Estes elementos incluem:

  • conservação de sítios arqueológicos e históricos e de estilos arquitectónicos de interesse;

  • conservação e, por vezes, revitalização de artes tradicionais, produtos artesanais, dança, música, teatro, costumes e cerimónias, vestuário, e certos aspectos dos estilos de vida tradicionais;

  • apoio financeiro para a manutenção de museus, teatros, e outros equipamentos e actividades culturais estes são importantes atracções para os turistas, sendo também utilizados pelos residentes.

  • Renovação do orgulho cultural - um sentimento de orgulho dos residentes pela sua cultura pode ser reforçado ou até renovado através da observação da sua apreciação por parte dos turistas. Isto é especialmente verdade em certas culturas tradicionais que estão a sofrer alterações, como resultado do desenvolvimento económico geral e estão a perder o seu sentido de autoconfiança cultural.

Em países multiculturais, o turismo regional pode ajudar a manter a identidade cultural dos grupos culturais menos numerosos, os quais, de outra forma, poderiam ser submergidos pela cultura dominante da nação.

  • Trocas inter-culturais - o turismo pode promover a trocas inter-culturais entre residentes e turistas, os quais aprendem mais sobre as suas culturas. Destas trocas resultará um maior entendimento e respeito mútuo, ou, pelo menos, tolerância dos diferentes sistemas de valores e tradições, através da compreensão das suas bases culturais. Num país ou região multi-étnico, tais como a Índia e a Indonésia, o turismo interno pode idealmente ajudar a atingir a compreensão inter-cultural e construir um sentimento de unidade nacional nos diversos grupos de habitantes. Este é muitas vezes referido como sendo um importante objectivo do desenvolvimento do turismo doméstico, em países em desenvolvimento e culturalmente diversos.

  • Melhoria das condições de vida local - os turistas dão grande prioridade a todos os aspectos relacionados com a sua saúde, pelo que a actividade turística implica, muitas vezes, a melhoria das condições de saneamento básico da região em que se desenvolve. Esta melhoria estende-se, geralmente, a outros equipamentos e serviços, tais como o fornecimento de energia eléctrica, os sistema de recolha de resíduos sólidos e os sistemas de comunicação.

Impactos negativos

  • Excesso de pessoas e perda de conforto pelos residentes - se houver excesso de pessoas a frequentar os elementos de lazer, lojas e equipamentos comunitários, bem como congestionamento dos sistemas de transporte pelos turistas, os residentes não poderão utilizá-los convenientemente e irão ficar irritados e ressentidos com o turismo. Os turistas domésticos também podem sentir ressentimento pelos turistas internacionais, se as suas próprias atracções estiverem congestionadas pelos turistas estrangeiros. Se elementos locais, como praias, parques ou ginásios, forem fechados à população local e mantidos em exclusivo para os turistas, os residentes perdem as suas próprias amenidades e podem-se tornar hostis para com o turismo.

  • Perda de autenticidade - o excesso de comercialização e perda de autenticidade das artes e artesanato tradicionais, costumes, e cerimónias pode surgir se estes forem demasiado modificados para ir de encontro às expectativas dos turistas. Temos por exemplo, peças do artesanato tradicional, de elevada qualidade, que passam a ser produzidas em massa, para venda como souvenirs, perdendo as suas características de peças únicas manufacturadas. Esta situação resulta muitas vezes da insensibilidade ou falta de compreensão dos operadores turísticos ou responsáveis pelo artesanato, sejam locais ou estrangeiros, que não estão preocupados com a integridade ou autenticidade cultural mas apenas com o lucro que podem obter a curto prazo.

  • Perda de valores culturais - em casos extremos, pode haver perda do carácter cultural, respeito próprio e identidade social geral, devido ao submergir da sociedade local pelos padrões culturais externos de turistas, os quais aparentam maior sucesso. A deterioração de monumentos culturais e perda de artefactos culturais pode resultar do uso turístico não controlado ou mau uso dado pelos turistas.

O efeito de demonstração dos turistas de diferentes passados culturais e socio-económicos nos residentes, especialmente nos jovens, pode ocorrer. Este efeito envolve a observação e imitação por parte dos residentes dos padrões de comportamento, vestuário e estilo de vida dos turistas, sem compreender a sua base cultural e, por vezes, sem ser capaz de financeiramente poder adoptar o estilo de vida dos turistas.

  • Conflitos entre residentes e turistas - conflitos e equívocos podem aparecer entre residentes e turistas por causa de diferenças de língua, costumes, valores religiosos e padrões comportamentais. Violação dos códigos de vestuário pelos turistas podem ser ressentidos pelos residentes e podem mesmo levar a conflitos, caso estejam a ser transgredidos valores religiosos.

A questão que por vezes surge com respeito aos impactos culturais é se o turismo internacional pode ser desenvolvido em países com valores religiosos muito diferentes daqueles existentes nos historicamente predominantes mercados de turismo ocidentais. No caso do islamismo, por exemplo, enquanto certos regulamentos proíbem a prostituição, o jogo, e o consumo de bebidas alcoólicas, a religião não exerce necessariamente qualquer influência significativa nas operações de actividades relacionadas com os turistas, se forem adoptadas as medidas apropriadas.

  • Problemas sociais - problemas de drogas, alcoolismo, crime e prostituição podem ser exacerbados pelo turismo, apesar do turismo raramente ser a causa básica destes problemas.

  • Problemas de saúde (Inskeep, 1991: 445) - Com o aumento das viagens, principalmente de longo-curso, bem como com o desenvolvimento de novos destinos a nível mundial, a saúde dos viajantes está, justificadamente, a receber mais atenção nos últimos anos. Quando os turistas viajam para ambientes muito diferentes dos seus habituais, ficam expostos a novas bactérias, vírus e parasitas. Alguns destinos não têm capacidade de manter elevados níveis de higiene e padrões de saneamento locais, aos quais muitos turistas estão habituados. Se os turistas sofrerem problemas de saúde como resultado das suas viagens, apresenta-se um problema óbvio para os próprios turistas e diminui o poder atractivo e reputação do destino para outros turistas. Algumas doenças que os turistas podem contrair durante as suas viagens, tais como intoxicações alimentares, malária, hepatite B, tifo, cólera, certo tipos de disenteria, e sida, podem ser particularmente devastadoras.


2.2.4. Impactos Ambientais do Desenvolvimento do Turismo


O ambiente, enquanto bem global, sofre impactos de toda e qualquer actividade humana, os quais se sobrepõem e acumulam, tornando-se muito difícil identificar as fontes de cada problema. Tendo em conta este facto, Buhalis e Fletcher (1998: 12) referem que os impactos ambientais, supostamente provocados pelo sector do turismo, devem ser analisados tendo em conta o espectro de relações económicas que apoiam a actividade turística, tentando identificar a fonte específica de cada problema.

Impactos ambientais positivos:



  • Melhoria da qualidade ambiental - o turismo pode ajudar a fornecer o incentivo para ‘limpar’ o ambiente, através do controlo da poluição, da produção de lixo e outros problemas ambientais; e para melhorar a estética ambiental, através de programas de jardinagem, desenho apropriado de edifícios, controlo da sinalética, e melhor manutenção dos edifícios.

  • Conservação de áreas naturais importantes - o turismo pode ajudar a justificar e a pagar a conservação de áreas naturais importantes e o desenvolvimento de parques e reservas, incluindo o estabelecimento de parques nacionais e regionais, dado que estes são atracções para os turistas.

  • Conservação de sítios arqueológicos e históricos e do carácter arquitectónico - o turismo fornece o incentivo e ajuda a pagar a conservação de sítios arqueológicos e históricos, como atracções para turistas, que de outra forma poderiam ser votados à deterioração ou ao desaparecimento, daqui resultando uma perda na herança cultural das áreas.

  • Melhoria do ambiente - apesar de ser um benefício subjectivo, o desenvolvimento de estruturas turísticas bem desenhadas pode melhorar a paisagem rural ou urbana, que de outra forma seria monótona e desinteressante.

  • Melhoria das infra-estruturas - como benefício económico mas também ambiental, as infra-estruturas e equipamentos locais de aeroportos, estradas e sistemas de saneamento básico, entre outros, podem ser melhoradas através do desenvolvimento do turismo. A actividade turística usa e ajuda a pagar as infra-estruturas e equipamentos, levando a uma redução geral dos problemas de poluição e a uma melhoria da qualidade ambiental das áreas. A gestão da água como recurso também pode ser melhorada através do desenvolvimento do turismo por causa da sua necessidade de fornecimento adicional de água.

  • Aumento da sensibilização ambiental local - em locais onde os residentes têm um interesse e preocupação limitados pelo ambiente natural e sua conservação, o facto de observarem o interesse dos turistas pela natureza e de se aperceberem da importância da conservação para o sucesso económico do turismo, pode encorajar o interesse local por este assunto.

Impactos ambientais negativos:

  • Poluição das águas - se não tiver sido instalado um sistema de recolha e tratamento de esgotos apropriado para os hotéis, resorts e outras estruturas turísticas, pode haver poluição das águas subterrâneas pelos esgotos. No caso da saída dos esgotos ter sido construída para um rio, lago ou mar costeiro, e se os esgotos não forem adequadamente tratados, o efluente irá poluir as águas da área. Esta não é uma situação invulgar em resorts de praia onde o hotel constrói a saída do esgoto para as águas adjacentes, as quais são também usadas pelos turistas para nadar. A poluição das águas superficiais de rios, lagos e costas marinhas também pode resultar do derrame de óleo ou da limpeza dos cascos dos barcos a motor usados para recreação ou transporte dos turistas, especialmente em portos fechados e lugares onde a circulação natural das águas é lenta.

  • Poluição do ar - a poluição do ar pelo desenvolvimento do turismo pode resultar do uso excessivo de veículos com motor de combustão interna, tais como, carros, autocarros e motocicletas, utilizados pelos e para os turistas. Por vezes, a aumentar este problema está a manutenção inapropriada dos sistemas de escape destes veículos. A poluição, na forma de poeiras e sujidade no ar, também pode ser gerada em áreas abertas sem vegetação, caso o desenvolvimento do turismo não seja planeado e desenvolvido convenientemente, não ocorra o devido acompanhamento paisagístico ou esteja numa fase temporária de construção.

  • Poluição sonora - o barulho causado pela concentração de turistas, pelos veículos motorizados em estrada ou fora de estrada, pelos aviões, pelos barcos a motor e, por vezes, por certas atracções turísticas, como parques de diversão ou pistas de corrida de carros, pode atingir níveis desconfortáveis e irritantes para os residentes e para os outros turistas. É de referir que uma situação de barulho muito elevado pode provocar danos nos ouvidos e stress psicológico.

  • Poluição visual - a poluição visual pode surgir de várias fontes:

  • mau desenho de hotéis e outros edifícios turísticos, os quais não são compatíveis com o estilo arquitectónico e escala locais ou não estão bem integrados no ambiente natural;

  • uso de materiais de construção ou superfícies externas não apropriados;

  • desenho mal planeado das estruturas turísticas;

  • paisagismo inadequado ou inapropriado;

  • uso de grandes e feios painéis publicitários;

  • postes e linhas utilitárias, de telefone e electricidade, à superfície;

  • obstrução de vistas paisagísticas pelo desenvolvimento de imóveis;

  • deficiente manutenção de edifícios e paisagens;

  • sinalética desproporcionada, feia e degradada.

  • Problemas de eliminação de resíduos sólidos - lixo ou entulho colocado nas paisagens é um problema comum nas áreas turísticas, dado o elevado número de pessoas a usar a área e o tipo de actividades aí exercidas, como piqueniques. A incorrecta eliminação de resíduos sólidos dos hotéis, restaurantes e resorts pode gerar não só lixo mas também problemas de saúde ambiental provocados pelos animais e insectos nocivos, doenças e poluição, para além de ser muito pouco atractivo.

  • Problemas no fornecimento de água - nalgumas regiões, a água constitui um recurso escasso. As necessidades de água para atender a actividade turística, quer sejam as necessidades dos turistas propriamente ditos, quer de estruturas como os campos de golfe, podem afectar o desenvolvimento agrícola e o equilíbrio ecológico da região. Em casos mais extremos, dada a escassez de água, o fornecimento deste bem pode ser limitado aos habitantes locais, por forma a se poder satisfazer as necessidades da actividade turística.

  • Danos em sítios arqueológicos e históricos - o excesso de uso ou mau uso dos ambientalmente frágeis sítios arqueológicos e históricos pode originar danos destes elementos, mediante o desgaste pelo uso excessivo, aumento da humidade, vibrações e vandalismo.

  • Problemas de utilização do solo - se não for bem planeado e de acordo com sólidos princípios de uso do solo, o desenvolvimento do turismo pode resultar em problemas de utilização do solo. As estruturas turísticas podem ocupar terrenos que seriam mais valiosos para outros tipos de utilização, tais como a agricultura e jardinagem, ou que deveriam ficar sob controlo restrito de conservação. O desenvolvimento de residências de férias pode originar problemas de alargamento urbano. Os hotéis podem ser construídos muito próximo de praias e outros elementos de atracção, destruindo o interesse desses mesmos elementos. Sem um integrado sistema de planeamento de infra-estruturas e uso do solo, as estruturas podem ficar sobrecarregadas, criando congestão de tráfego e insuficiência dos sistemas de fornecimento de água e eliminação de esgotos.

  • Acidentes ambientais - o deficiente planeamento do uso do solo, localização e desenho das estruturas turísticas, bem como de qualquer tipo de desenvolvimento, pode causar erosão, deslizamentos, cheias, e outros problemas. Um deficiente desenho e ruptura ambiental pode resultar na destruição ou dano das facilidades turísticas por sismos, ventos fortes, cheias, deslizamentos de terras e avalanches. Nalguns casos, um bom planeamento não pode prevenir os danos causados pelos desastres naturais mas pode reduzir em muito a sua extensão.

  • Ruptura ecológica - vários tipos de problemas ecológicos podem resultar do desenvolvimento e uso turístico descontrolado. O uso excessivo dos frágeis ambientes naturais pelos turistas pode levar a danos ecológicos, como por exemplo, a morte ou a paragem de crescimento da vegetação em parques e áreas de conservação, provocada pelos muitos turistas a andar sobre a vegetação e compactando o solo à sua volta; o corte de árvores pelos campistas para servir de combustível para fazer fogueiras; e a erosão resultante do excesso de uso dos trilhos para andar a pé, de bicicletas ou a cavalo, especialmente em zonas de inclinação acentuada.

Os padrões de comportamento dos animais podem ser perturbados pela prática de fotografia não controlada ou pela sua alimentação por parte dos turistas e os seus habitats podem ser interrompidos ou reduzidos pela invasão do desenvolvimento do turismo. Também pode acontecer a interferência dos padrões normais de migração dos animais, pelo desenvolvimento de estradas.

As ecologias das grutas podem ser alteradas pelo excesso de visitas de turistas e pelo uso de sistemas de iluminação, que leva a aumentos de temperatura.

A desflorestação das encostas para a prática de esqui podem levar à erosão, deslizamentos, e avalanches. Os veículos para andar na neve podem desregular os padrões comportamentais de Inverno dos animais.

Os frágeis ecossistemas dos desertos podem ser perturbados pelo uso de veículos de recreio todo-o-terreno, os quais não só destroem os sistemas dunares, como podem alterar os padrões de comportamento dos animais.

Os ambientes marinho e costeiro são particularmente vulneráveis ao excesso de uso e desenvolvimento inadequado. A colheita excessiva ou, para espécies em perigo, qualquer colheita de conchas vivas, corais, carapaças de tartaruga e outros itens semelhantes pelos turistas, ou pelos habitantes locais para venda aos turistas como souvenirs, podem eliminar essas espécies. A quebra de corais e o ferimento ou morte de animais pelágicos, pelas âncoras de barcos e navios tornou-se um enorme problema em algumas áreas, e a morte de animais ou algas por sedimentação ou poluentes resultantes do desenvolvimento costeiro, seja desenvolvimento ligado ao turismo ou em geral, tornou-se um problema em muitas regiões. O desenho e localização não apropriados de pontões, cais e estruturas semelhantes em águas costeiras pode alterar os processos locais de formação de praias, levando à erosão e deposição.

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