Oferta turística e relação Turismo ambiente Na Região Autónoma da Madeira



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2.3. Turismo e Ambiente


Apesar de há muito se reconhecer que o turismo produz impactos sobre o ambiente, a complexa relação entre turismo e ambiente continua ainda pouco conhecida. O seu carácter multidimensional e pluridisciplinar, bem como a complexidade dos processos envolvidos são factores que têm contribuído para a demora da sua compreensão. É ainda de salientar o facto de, até há pouco tempo, a conservação do ambiente ser considerada como um entrave ao desenvolvimento, incluindo o desenvolvimento do turismo. Só recentemente se reconheceu a relação fundamental entre a sustentabilidade dos recursos naturais e a sustentabilidade da economia, tendo sido esta ideia generalizada após a da publicação do relatório de Brundtland, em 1987, e da realização da Conferência Mundial das Nações Unidas para o Ambiente e Desenvolvimento, decorrida em 1992 no Rio de Janeiro.

A indústria do turismo está intimamente relacionada com o ambiente. Como refere Salgado (1988: 938), “podem ser várias as razões da atractividade duma região para o turismo, mas todas elas estão ligadas ao ambiente”. De facto, é universalmente aceite que o ambiente é um dos principais recursos do turismo, o qual é dele extremamente dependente. Ou seja, para que um país ou região se possa desenvolver e ser sustentável como destino turístico deve, antes de mais, apresentar um ambiente de qualidade.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo (WTO, 1994a: 21), muitas das formas de turismo, especialmente as relacionadas com actividades de interesse especial e observação da paisagem, dependem fortemente dos recursos naturais e culturais da área turística. Consequentemente, a conservação e interpretação da herança ambiental e cultural é um dos principais elementos do desenvolvimento turístico contemporâneo.

Importa aqui ressalvar que o termo “ambiente” não se refere apenas ao ambiente ecológico, mas sim ao “conjunto dos sistemas físicos, químicos, biológicos e suas relações e dos factores económicos, sociais e culturais com efeito directo ou indirecto, mediato ou imediato, sobre os seres vivos e a qualidade de vida do homem” (Assembleia da República, 1987). Isto é, a definição de “ambiente” toma em consideração o ambiente ecológico, o ambiente económico, o ambiente social e o ambiente cultural, bem como as suas relações com a qualidade de vida humana.

Sendo o ambiente um dos principais recursos da indústria do turismo e, consequentemente, por ela consumido, é fácil perceber que o turismo tem forçosamente impactos sobre o ambiente.

“É necessário não esquecer que o ambiente é um bem perecível, difícil de reconstituir e é oferecido em quantidades limitadas, enquanto que o turismo que o ‘consome’ é, pelo contrário, uma actividade dinâmica e em plena expansão” (OCDE, 1980: 24).

No entanto, para a actividade turística, o ambiente não é apenas um recurso a explorar mas também um valioso bem a preservar e melhorar. O ambiente é um importante trunfo para o turismo pelo que manter um ambiente saudável é essencial para o crescimento turístico, principalmente tendo em conta que já aconteceu o declínio da actividade turística em determinadas regiões por causa da degradação do ambiente. Os mesmos autores referem, por outro lado, a existência de locais em que o turismo contribuiu para uma melhoria do ambiente (OCDE, 1980: 7, 8).

Neste sentido, quando bem planeado e gerido, o turismo contribui para a preservação do ambiente local, podendo mesmo contribuir para recuperar ou melhorar as condições ambientais das regiões receptoras. A evolução desta relação entre turismo e ambiente está intimamente ligada à evolução da sensibilização ambiental dos próprios turistas.

De acordo com Buhalis e Fletcher (1998: 16), acredita-se que está a surgir no mercado um novo turista experiente, sofisticado, exigente e ambientalmente consciente, apesar do turismo de massas continuar a crescer. Estes autores referem que os segmentos de baixos rendimentos do mercado irão aumentar a busca por ofertas especiais mas serão direccionados para os destinos turísticos bem estabelecidos e saturados, os quais não conseguem atrair facilmente outro tipo de turismo.

A Organização Mundial de Turismo refere que destinos turísticos que apresentam problemas ambientais e sociais, por não terem sido planeados e terem sido mal geridos, estão já a ser preteridos pelos turistas a favor dos destinos mais bem planeados e geridos (WTO, 1993: 21).


2.4. Qualidade no Turismo e no Ambiente


Actualmente cada vez mais se fala em qualidade e se exige qualidade a todos os níveis. O turismo não é excepção e por isso se ouve falar de turismo de qualidade e qualidade do turismo. Qualquer pessoa, sem excepção, exige qualidade nas suas experiências enquanto turista. No entanto, é difícil definir qualidade do turismo. A qualidade de uma experiência turística está dependente de um enorme conjunto de factores, sendo o produto turístico um misto de elementos públicos e privados, tangíveis e intangíveis.

De acordo com a Organização Mundial de Turismo (WTO, 1994a: 8), turismo de qualidade não significa necessariamente turismo de preços elevados, mas refere-se antes às atracções, facilidades e serviços turísticos que oferecem good value for money, que protegem os recursos turísticos, e que atraem os tipos de turistas que respeitam o ambiente e a sociedade locais.

Para que uma região possa ter turismo de qualidade, deve tentar atrair turistas com elevado poder de compra, de forma a obter um elevado lucro, actuando ao nível das receitas, sem que seja necessário atrair um grande número de turistas, já que a ideia de turismo de massas está associada a uma diminuição da qualidade do turismo.

Esta associação de turismo de qualidade e de baixa densidade é também referida por Partidário (2003: 117), que menciona que se tem visto a consolidação de um novo segmento de turistas na procura de um conceito de turismo diferente, associado à proximidade aos recursos naturais, à cultura intrínseca das comunidades e das regiões e às actividades próximas dos espaços naturais.

No entanto, uma das conclusões do seminário sobre qualidade – um desafio para o turismo, organizado pela Organização Mundial de Turismo (OMT) em Madrid, em Abril de 1994, é que a Europa, enquanto destino turístico, não pode competir com as restantes regiões em termos de preços, o que é mesmo considerado como uma desvantagem. Por outro lado, a Europa tem também grandes vantagens, sendo um dos seus maiores bens a antiguidade e qualidade das suas tradições turísticas, pelo que o deverá tornar-se competitiva através da qualidade (WTO, 1994b: 1, 5).

Segundo a OMT (WTO, 1994a: 239), está actualmente a ser dada grande ênfase ao desenvolvimento de turismo de qualidade, conceito este que implica proteger o ambiente, manter a identidade e a integridade cultural e obter um elevado nível de satisfação dos turistas, enquanto ainda são gerados substanciais benefícios económicos.

Apesar de ser difícil definir a qualidade do turismo, é fácil perceber que para se ter um turismo de qualidade é essencial ter um ambiente de qualidade. No entanto, também a noção de qualidade ambiental se torna subjectiva, não havendo consenso quanto à sua definição. Uma das definições propostas é a da OMT, para quem a qualidade ambiental é o nível ao qual uma área tem ar e água limpos, níveis mínimos de ruído e congestão de tráfego, edifícios e paisagens com desenho atractivo e boa manutenção, estradas e passeios, parques e espaços de lazer ao ar livre limpos, sinalética controlada e qualquer outro aspecto desejável dos caracteres do ambiente (WTO, 1993: 58).

De qualquer forma, qualidade ambiental e turismo de qualidade são dois conceitos interligados e interdependentes, para os quais há cada vez maior sensibilização, estando dependentes de uma boa gestão e planificação do desenvolvimento económico e, consequentemente, do desenvolvimento do turismo.


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