Oferta turística e relação Turismo ambiente Na Região Autónoma da Madeira



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3.3. Ambiente Socio-Cultural


Durante o séc. XX assistiu-se a um extraordinário desenvolvimento dos meios de transportes que facilitou e generalizou as viagens das diversas populações, promovendo a interacção entre as diferentes sociedades e culturas, interacção também promovida pelo desenvolvimento sofrido, nas últimas décadas, pelas tecnologias da informação e da comunicação.

Os modos de vida característicos de cada país ou região, ao interagirem uns com os outros, acabaram por se influenciar mutuamente, resultando uma certa homogeneização das formas de vida dos povos dos países ocidentais, apesar de serem mantidas vivas algumas tradições de cada local.

Crê-se que não faz sentido numa análise do ambiente socio-cultural da RAM estar a descrever a forma como vive a sociedade regional, dadas as suas semelhanças com as restantes sociedades ocidentais, principalmente as do espaço europeu comunitário. Assim, limita-se esta análise a alguns aspectos tradicionais ainda hoje mantidos da cultura regional e uma breve descrição da oferta cultural actualmente disponibilizada à população residente na Região.

No que se refere aos elementos tradicionais culturais da Região, apresenta-se o enquadramento religioso da população, as festas e romarias tradicionais ainda hoje celebradas, as músicas e as danças tradicionais, o artesanato típico da Região que ainda é actualmente produzido segundo as técnicas originais, a gastronomia típica da Madeira que ainda delicia quem visita a Região e as casas típicas de Santana, elemento mais conhecido da arquitectura regional.

Em relação à oferta cultural de que dispõem os habitantes da Região, bem como quem a ela se desloca, traça-se uma panorâmica geral sobre o acesso ás artes e literatura e apresentam-se as infra-estruturas que permitem o acesso generalizado à cultura, nomeadamente bibliotecas e arquivos, museus e galerias de arte e salas de espectáculos e conferências. Sempre que possível são apresentados dados estatísticos da adesão do público às várias demonstrações de cultura.

3.3.1. Religião e Monumentos Religiosos


O povo português sempre foi um povo de fortes convicções religiosas, levando consigo as suas crenças na época dos descobrimentos e colonizações, os quais tiveram origem na vontade do Infante D. Henrique em alargar o reino e a fé. A Madeira, o primeiro dos descobrimentos portugueses, não foi excepção, continuando hoje a ser uma Região com uma população predominantemente Católica, condição que condiciona todo o seu meio de vida, tanto ao nível social como ao nível cultural.

Relatam os historiadores que quando, em 1419, João Gonçalves Zarco desembarcou pela primeira vez na Madeira, no Vale de Machico, tomou posse da terra em nome do Rei e de imediato procedeu à sua sagração com uma missa celebrada pelos dois franciscanos que o acompanhavam. Posteriormente, quando os portugueses regressaram à Região para proceder ao seu povoamento, as primeiras construções a serem erigidas foram igrejas ou ermidas, que serviram como pontos de convergência para a fixação dos colonos, surgindo as primeiras habitações nas suas proximidades (Pereira, 1989b: 421; Vieira, 2001: 72).

Durante a fase da distribuição de terras, ao abrigo da lei de Sesmarias, os sesmeiros que tivessem uma fazenda povoada rapidamente mandavam lá erigir um templo, “por força de convicção própria, dos deveres religiosos dos colonos e da conversão dos infiéis ao seu serviço” (Pereira, 1989b: 423). Com o avanço da colonização e a dispersão das populações, o número de templos construídos foi aumentando, espalhando-se estes um pouco por toda a Região. Um mapa da Madeira elaborado em 1771, pelo Sargento-Mor Francisco d’Alincourt e seu ajudante Faustino Salustiano da Costa, apresenta algumas anotações informativas, entre as quais a indicação “de todas as igrejas e capelas particulares do arquipélago, existentes nestas ilhas, em número de 145 e respectivas localizações” (Pereira, 1989b: 424).

Ainda hoje se podem encontrar muitas das igrejas e capelas originais em funcionamento, apesar de alguns destes templos terem entretanto sido destruídos, nomeadamente por incêndios, sismos ou aluviões, como foi o caso da Igreja de Nossa Senhora do Calhau, considerada por alguns como tendo sido a primeira igreja edificada na Região, a qual foi várias vezes parcialmente destruída pelas aluviões da ribeira de João Gomes, acabando por ser demolida pela Câmara em 1835 (Vieira, 2001: 72). A construção de novos templos na Região permanece até à actualidade, geralmente construídos de forma a permitir o culto da população continuou a crescer e a expandir-se geograficamente.

Segundo as informações disponibilizadas pela Diocese do Funchal, há hoje na Região cerca de 94 templos onde são celebrizadas missas todos os fins-de-semana, distribuídas por sete Arciprestados e cerca de 95 paróquias. A este número juntam-se inúmeras de capelas, muitas delas de natureza privada, remanescentes das antigas quintas senhoriais madeirenses. Uma listagem das igrejas e capelas da Região consta do Anexo 11.

Dado o seu elevado número, não cabe neste estudo uma apresentação exaustiva de todas as igrejas e capelas existentes na Região, pelo que se apresenta apenas uma breve descrição da Sé do Funchal, por ser um dos mais antigos e dos mais importantes templos actualmente existentes na região, como exemplo da importância histórico-cultural das igrejas e capelas da Região.

A Sé do Funchal, principal templo católico da Região, foi mandada construir por D. Manuel I, havendo alguma discórdia, entre os historiadores, sobre as datas em que decorreram as suas obras de edificação. De acordo com Silva e Meneses (1984, Vol. III: 297-298) as obras de construção do edifício deverão ter começado por volta do ano de 1493, tendo terminado a edificação principal por volta do ano de 1516, ano em que se realizou a sagração do templo. Os trabalhos de decoração interior e construção das dependências da Sé prosseguiram lentamente, vindo a terminar apenas no início do séc. XIX, com a construção dos altares das naves laterais. Desde o início da sua construção, o edifício da Sé foi alvo de duas grandes reparações, uma no séc. XVI, após estragos causados por corsários franceses e outra no séc. XIX, após os estragos causados pelo terramoto de 1748.

A Sé do Funchal está classificada como monumento nacional desde 1910 e continua nos dias de hoje a ser considerada uma referência artística, onde se misturam vários estilos.

O edifício da Sé é uma igreja gótica de três naves, sendo as laterais servidas de diversas capelas de decoração barroca. Na majestosa capela do altar-mor destaca-se um políptico com doze painéis flamengos e o cadeiral, com duas ordens de cadeiras, considerado uma obra-prima da escultura quinhentista (Vieira, 2001: 103).

Um dos elementos de enorme valor é o tecto do templo, em madeira de cedro com incrustações de marfim num precioso trabalho de estilo hispano-árabe. Outro elemento de valor é o órgão de tubos, que não sendo o original mas um construído em 1884, ainda hoje se encontra em funcionamento.

A fachada, onde se nota o contraste da cal branca com a cantaria vermelha da Região, é dominada por um portal em ogiva sobre o qual se pode ver uma coroa real e rosácea lavrada (Vieira, 2001: 103). O actual relógio da torre foi montado no ano de 1989, tomando o lugar do que tinha sido colocado em 1921 para substituir o relógio original, colocado em 1775 (Silva e Meneses, 1984, Vol. III: 301; Vieira, 2001: 103).

Para além das igrejas e capelas, outro contributo físico cultural da religião Católica é a arte sacra, nomeadamente ao nível da escultura, pintura, ourivesaria e paramentos litúrgicos. O espólio regional de arte sacra é muito vasto, constituído por peças com origem entre o séc. XV e o séc. XX, principalmente do período entre os séc. XVI e XIII. Do conjunto de peças de arte sacra, a grande maioria encontra-se espalhada pelas igrejas e capelas, havendo um conjunto considerável de peças que se encontra à guarda do Museu Diocesano de Arte Sacra, no Funchal. De entre as peças existentes no Museu de Arte Sacra, merecem destaque as diversas pinturas e esculturas flamengas, nomeadamente alguns trípticos de impressionante dimensão e qualidade, numerosas peças de ourivesaria, das quais se salienta a cruz processional oferecida por D. Manuel à Sé do Funchal, no séc. XVI, e alguns exemplares de paramentos litúrgicos, que se supõe que tenham sido bordados durante os séc. XVII e XVIII, nos vários conventos existentes na Região.

A acção da Igreja não passa apenas pela celebração do culto religioso, abrangendo outras áreas de carácter social e caritativo como são exemplo, de acordo com as informações da Diocese do Funchal, as actividades de duas Casas de Saúde e de um Centro de Reabilitação Psicopedagógica, dos cerca de 17 Centros Sociais Paroquiais, dos oito Lares para Idosos, dos cerca de seis Centros para a Tutela da Infância, das quatro misericórdias e da Caritas Diocesana. A diocese do Funchal apresenta também um conjunto de cerca de 27 associações e movimentos, de que é exemplo a delegação regional do Corpo Nacional de Escutas, com um papel importante na educação e formação social de inúmeros jovens. Na área do ensino, são de referir as cerca de 21 Escolas Católicas, que abrangem, em conjunto, todos os níveis de ensino como, por exemplo, o Colégio de Santa Teresinha, dedicado ao ensino básico, a Escola Complementar do Til, vocacionada para o ensino secundário e a Escola Superior de Enfermagem de São José de Cluny, na área do ensino superior. É ainda de referir a existência de cerca de três bibliotecas e um arquivo histórico, bem como de alguns meios de comunicação social regionais, sob direcção diocesana, nomeadamente um jornal diário e duas estações de rádio regionais.

Apesar da religião Católica ter sido sempre a religião dominante na RAM, dada a variedade de diferentes origens dos seus habitantes, houve sempre a presença de crentes de outras religiões.

Como refere Pereira (1989b: 485), a presença de escravos oriundos de países africanos levou à prática do maometismo na Região, tendo sido escavada uma pequena mesquita no Norte da Madeira, com uma entrada disfarçada, onde os crentes se reuniam ocultamente. Actualmente não existe nenhuma mesquita na Região.

De acordo com os historiadores, durante o séc. XV houve uma relevante comunidade de judeus a residir na Região. Apesar da conversão de muitos judeus em cristãos durante a época da Inquisição, a sua presença na Região manteve-se, acabando por ser construído um cemitério judaico no ano de 1851, no Funchal (Pereira, 1989b: 485; Silva e Meneses, 1984, Vol. II: 192; Vol. I: 266).

A presença de uma grande comunidade britânica na Região desde a sua colonização levou à construção, no Funchal, de um templo anglicano, no ano de 1822 (Pereira, 1989b: 484-485; Silva e Meneses, 1984, Vol. II: 136-137). Tendo sido o primeiro templo não católico a ser erigido na Região e por forma a minorar conflitos entre as comunidades, a igreja Inglesa no Funchal apresenta uma fachada clássica, com 4 colunas, encimada por uma cúpula elegantemente pintada, não tendo o aspecto tradicional de templo religioso. O actual cemitério britânico encontra-se no terreno contíguo à igreja Inglesa, tendo estado originalmente localizado no actual Largo do Conde do Ribeiro Leal, também no Funchal, tendo sido os corpos aí enterrados trasladados para o novo local (Silva e Meneses, 1984, Vol. I: 266).

Para os escoceses e presbiterianos em geral, também existe um templo para o culto na Região, localizado na Rua do Conselheiro, junto ao Jardim Municipal do Funchal. A igreja Escocesa terá sido inaugurada em 1842 (Pereira, 1989b: 485; Silva e Meneses, 1984, Vol. II: 136-137).

É aqui de referir que, antes da construção dos cemitérios hebraico e inglês na Região, os corpos dos estrangeiros não católicos que nela faleciam eram atirados ao mar, excepto se algum familiar tivesse posses suficientes para o transporte do corpo para o seu país de origem.

3.3.2. Elementos Tradicionais



3.3.2.1. Festas e romarias


Segundo nos relata Pereira (1989b: 487), as festas mais típicas e populares da Região são as festas religiosas que deverão ser tão antigas como a população das ilhas. Mais nos diz o autor que as festas tiveram origem na necessidade da Igreja em dar maior grandeza e brilho ao culto divino, de instruir e atrair os fiéis aos templos, revestindo certas cerimónias de carácter festivo e criando manifestações públicas para a exteriorização da fé.

Tradicionalmente, as festas populares eram geridas por um festeiro ou por uma comissão de festeiros, os quais utilizavam o seu próprio dinheiro para a promoção das festas. Por excessos dos festeiros nas suas atribuições, os quais muitas vezes utilizavam as festas que promoviam como forma de ostentação de dinheiro, passou a responsabilidade das festas religiosas para as respectivas paróquias (Pereira, 1989b: 487-489).

Associados às festas tradicionais aparecem os arraiais, tradicionalmente realizados nos adros das igrejas e nas ruas das imediações, onde o povo se juntava para comer, beber e se divertir, nomeadamente através de cantares e danças tradicionais.

As romarias, peregrinações religiosas a um templo por devoção, geralmente para agradecer o poder milagroso de um Santo e cumprir promessas feitas, estão também associadas a festas, realizadas geralmente junto ao templo religioso em questão.

Actualmente, as principais festas religiosas da Região são as festas em honra dos Santos padroeiros ou oragos de cada paróquia, a Festa do Espírito Santo, a Festa do Santíssimo Sacramento, a Semana Santa e o Natal. A Festa de Nossa Senhora do Monte tornou-se a principal romaria da Região, atraindo fieis de toda a região.

Para além das festividades religiosas, surgem outras de carácter mais profano, como as festas associadas às actividades tradicionais do sector primário, de que são exemplo a Festa das Tosquias, a Festa do Peixe-espada Preto e a Festa da Cereja, ou alguns festivais como o Festival de Folclore ou o Festival de Colombo.

Do Anexo 11 consta uma listagem dos principais eventos realizados na RAM, na qual se pode verificar que os eventos religiosos perderam a sua preponderância, sem no entanto terem desaparecido, havendo hoje a predominâncias de eventos não religiosos.

3.3.2.2. Música e dança tradicionais


Devido às fortes convicções religiosas do povo madeirense, parte da música tocada e cantada na Região era música sacra, tendo inclusivamente havido diversos autores madeirenses, essencialmente membros do clero. De acordo com Pereira (1989b: 605), os cânticos religiosos aprendidos dentro dos templos, eram repetidos fora deles “como expansão de fé viva ou como estímulo de trabalho (...) mas não em todas as ocupações da vida”, sendo cantados essencialmente pelas mulheres, durante as lides domésticas ou o trabalho “à porta dos casais”. Em situações não religiosas, sobretudo em festas e arraiais, havia na Região um conjunto significativo de músicas e cantares tradicionais, de origem essencialmente portuguesa mas com influência de outros povos como os italianos, franceses e espanhóis, sendo sobretudo notada a influência trazida pelos escravos mouros (Pereira, 1989b: 589, 593; Silva e Meneses, 1984, Vol. II: 415; Vol. III: 218).

Os principais instrumentos utilizados na música tradicional madeirense são instrumentos de corda, nomeadamente a viola de arame, o rajão, a braguinha e a rabeca ou violino (Pereira, 1989b: 617; Silva e Meneses, 1984, Vol. II: 415; Vol. III: 218), aparecendo muitas vezes outros instrumentos como o acordeão, o reco-reco, as castanholas e o brinquinho. O brinquinho é reconhecido vulgarmente como o instrumento regional típico da Madeira, servindo para marcar o ritmo do famoso Bailinho da Madeira. No entanto, Pereira (1989b: 627) é da opinião que o aparecimento do brinquinho, durante o final do séc. XIII, é o resultado da adaptação regional da Charola ou Cana de Bonecos, instrumento típico do folclore continental, particularmente das Regiões do Minho e do Douro. O brinquinho tradicional é composto por uma cana de roca à volta da qual se dispõem sete bonecos de pano, trajando os fatos regionais e exibindo castanholas e atilhos, agrupados em duas séries circulares, uma com três e outra com quatro bonecos. Os movimentos verticais do brinquinho, imprimidos pela mão do tocador, produzem os sons que marcam o ritmo da dança.

A acompanhar a música popular, sobretudo nas festas e arraiais, surgem as danças tradicionais, as quais, tal como a música, parecem ter origem numa mescla de influências dos diferentes povos de origem da população madeirense. As danças tradicionais mais conhecidas são o Bailinho da Madeira ou Bailinho das Camacheiras, o Baile da Meia-Volta, do Porto Santo e a Dança das Espadas, da Ribeira Brava. O Bailinho da Madeira é geralmente dançado por grupos usando os trajes típicos da Região, o mesmo não acontecendo no Baile da Meia-volta, já que os seus dançarinos surgem voluntariamente de entre os presentes no local da festa. A Dança das Espadas é executada no arraial de São Pedro, por um grupo constituído apenas por homens trajando tradicionalmente de branco e vermelho, usando uma mitra, supostamente por ter a sua origem na dança hebraica do Rei David (Pereira, 1989a: 629) e empunhando espadas.

Contribuindo para a manutenção da tradição musical, surgiram algumas publicações com compilações de algumas das composições tocadas e cantadas na Região, de que são exemplo o “Romanceiro do Arquipélago da Madeira”, da autoria de Álvaro Rodrigues de Azevedo, publicado no Funchal em 1880, a obra “Tocares e cantares da Ilha”, da autoria de Carlos M. Santos, publicado em 1938 (Pereira, 1989b: 610-611; Silva e Meneses, 1984, Vol. III: 217-219) e o livro "Danças e Bailados no Folclore Madeirense - Origens e Mitos", da autoria de Danilo José Fernandes, editado pelo Grupo de Folclore e Etnográfico da Boa Nova em 2001.

Actualmente as músicas e danças tradicionais são mantidas, essencialmente, pelos grupos musicais e folclóricos existentes na Região, os quais estão geralmente ligados às Casas do Povo, Juntas de Freguesia ou Câmara Municipais, como se pode verificar no Anexo 11.

3.3.2.3. Artesanato


Do vasto artesanato regional, a forma mais conhecida é o Bordado da Madeira, o qual deverá ter a sua origem na tradição portuguesa, trazida para a Região pelos primeiros colonos e mantida pelas diversas famílias ao longo das gerações. O Bordado da Madeira seria originalmente feito com linha azul sobre morim ou cambraia, sendo previamente alinhavados sobre desenhos próprios e cuidadosamente urdidos (Silva e Meneses, 1984, Vol. I: 164). Inicialmente bordava-se apenas para consumo familiar.

Em 1854, uma inglesa, Miss Phelps, reconhecendo a qualidade e valor do Bordado Madeira, começa a divulgá-lo pelos seus conhecidos, sendo a grande responsável pela divulgação deste produto no mercado inglês (Silva e Meneses, 1984, Vol. I: 162; Vieira, 2001: 202). Posteriormente, outros mercados se juntaram ao inglês, provocando um aumento na produção do Bordado da Madeira e o aparecimento de diversas casas específicas de produção em grande escala.

Com o aparecimento das casas alemãs de produção do bordado, surgem as primeiras alterações a este produto, passando a ser elaborado com linha branca, directamente sobre os tecidos, desaparecendo quase por completo o urdido (Silva e Meneses, 1984, Vol. I: 164). Durante o início do séc. XX, novas alterações são introduzidas ao nível da matéria-prima, passando a dominar o bordado a linha castanha sobre tecido de linho cru (Vieira, 2001: 202).

Actualmente o Bordado da Madeira é elaborado sobre diferentes tecidos, principalmente o linho, o algodão, a seda e o organdy, sendo utilizada linha de diferentes cores consoante o mercado a que se destina. Assim, é hoje possível observar o tradicional bordado a azul sobre branco, a castanho sobre cru, e uma multiplicidade de conjugações, incluindo bordados multicolores.

Apesar de todas as alterações que se verificaram na produção do Bordado da Madeira, o factor da qualidade mantém-se presente, sendo a mesma garantida pela aposição de um selo, pelo Instituto do Bordado, Tapeçarias e Artesanato da Madeira.

O Bordado da Madeira aparece geralmente em peças de roupa de casa, como as toalhas de mesa ou toalhas de mãos e em peças de vestuário, como camisas, saias e vestidos. Numa tentativa de recuperação do mercado, tem-se apostado, nos últimos anos, na diversificação da utilização do bordado.

Geralmente associada ao Bordado da Madeira, aparece a produção regional de tapeçarias em lãs e linhas de algodão coloridas. Utilizando o meio-ponto, o ponto “gobelin” e o “petit-point”, as artesãs criam autenticas obras de arte, recriando essencialmente paisagens, flores, rostos e reproduções de pinturas, com uma elevada perfeição. A tapeçaria aparece não só em telas emolduradas mas também em forros de cadeiras, almofadas, tapetes e numa diversidade de pequenos objectos como marcadores de livros, estojos para óculos e porta-moedas, entre muitos outros.

Para além do Bordado da Madeira, outro produto artesanal regional bastante conhecido é o artesanato em vimes. Vieira (2001: 204) localiza a origem da produção regional de cestos de vimes no séc. XVI, enquanto Silva e Meneses (1984, Vol. III: 405) indicam o ano de 1850 para o início da produção de artigos em vimes como indústria. A produção de artesanato em vimes está muito associada à freguesia da Camacha, seu principal centro de produção. Os artigos produzidos a partir dos vimes são muito variados, sendo os mais apreciados os cestos e as peças de mobiliário. Nos últimos anos a produção regional tem-se encontrado numa situação desfavorável, face à concorrência de produtos semelhantes com preços muito inferiores, principalmente produzidos em países orientais. Note-se no entanto que a superioridade no preço é acompanhada por uma elevada qualidade e originalidade das peças produzidas, nomeadamente no que diz respeito à solidez e durabilidade das peças de mobiliário.

A lã proveniente da tosquia dos ovinos é utilizada na Região para a produção artesanal de peças de vestuário, tais como camisolas, barretes e meias, ou para a tecelagem de roupa de casa, nomeadamente tapetes, mantas e cobertores, entre outros. Ao nível da tecelagem, outra matéria-prima usada na Região é o linho. A tecelagem de lãs e linho é tradicionalmente efectuada em teares manuais, feitos de madeira.

Os teares usados na tecelagem, não eram os únicos artefactos de madeira produzidos na Região. De facto, o artesanato em madeira abrangia vários tipos de produtos, os quais estão actualmente em perigo de desaparecer, dada a falta de interesse das camadas mais jovens em aprender os ofícios. Dos ofícios ligados ao trabalho de madeiras, são de salientar os tanoeiros, os carpinteiros e marceneiros e os embutidores.

Dos tanoeiros, produtores dos tonéis, pipas e barris em madeira de carvalho, nos quais se armazenava o vinho, ficou memória numa rua da cidade do Funchal, a Rua dos Tanoeiros. Os carpinteiros e marceneiros trabalhavam uma variedade de madeiras, tanto indígenas como importadas, produzindo um inúmero conjunto de artefactos como as portas, janelas e tapa-sóis dos alojamentos, peças de mobiliário e peças decorativas. Os embutidores trabalhavam junto aos carpinteiros e marceneiros, tendo a tarefa de conferir um carácter artístico às peças por eles produzidas. Os trabalhos de embutido realizados na Região foram sempre executados manualmente, sendo cada peça de madeira cortada individual e propositadamente para cada obra. O embutido regional tem a característica de utilizar diferentes tipos de madeira, apoiando-se nas suas cores naturais para a criação dos diferentes motivos. Uma curiosidade referida por Pereira (1989b: 787) e por Silva e Meneses (1984, Vol. I: 391) é o facto de a madeira de perado ser por vezes corada, não recorrendo a corantes artificiais mas mergulhando-a em urina, o que lhe conferia uma tonalidade azul.

3.3.2.4. Gastronomia


A gastronomia típica da RAM, à semelhança de todas as suas restantes tradições, tem origem na gastronomia tradicional portuguesa, trazida pelos primeiros colonizadores da Região, tendo sofrido a influência das tradições culinárias de outros países de onde eram originários os colonos madeirenses não portugueses. A gastronomia praticada originalmente na Região, sofreu também alterações com a introdução de novas especiarias, trazidas do oriente a partir da segunda metade do séc. XV (Cardoso, 1994: 14).

Os pratos típicos regionais eram produzidos com os alimentos mais acessíveis, sendo visível uma diferença entre a alimentação, à base de peixe, das populações do litoral e a alimentação, à base de legumes e cereais, das populações rurais. A carne era geralmente consumida aos Domingos e dias de festividade. O pão, nas mais diversas variedades, era um alimento comum na alimentação de toda a população, facto que se deve à elevada produção cerealífera da Região. A doçaria regional, à semelhança da doçaria nacional, teve a sua origem nos conventos, nomeadamente nos conventos de Santa Clara e da Encarnação.

Não cabe no âmbito deste trabalho fazer uma descrição exaustiva de toda a gastronomia regional madeirense, pelo que se apresenta apenas, no Anexo 11, uma listagem exemplificativa dos elementos que a compõem.

Associadas à doçaria regional, surgem as tradicionais bonecas de massa, cuja produção está associada aos arraiais. Tratam-se de bonecas, normalmente com a forma de homens e mulheres mas podendo ter a forma de animais, como galos e pombas, feitas com massa de farinha de trigo corada de amarelo e que são enfeitadas com penugens ou pedaços de papel colorido, geralmente azuis e vermelhos. As bonecas eram vendidas nos arraiais, podendo algumas ser comidas.

Não se pode deixar de mencionar algumas das bebidas típicas da Região, nomeadamente: Vinho Madeira; diversos licores, como o licor de banana, o licor de maracujá, o licor de pitanga, o licor de mel de cana, o licor de anis, o licor de ginja, o licor de castanha ou o licor de tangerina, entre outros; Sidra - sumo de pêro “vime” fermentado em cascos de madeira, tradicionalmente produzida nas freguesias da Camacha, Santo da Serra e Ponta do Pargo; Aguardente de cana; Poncha - bebida à base de aguardente de cana, mel e sumo de limão; Nikita - bebida à base de vinho branco e cerveja, com gelado de baunilha e um pedaço de ananás; e Pé de cabra - bebida à base de vinho seco, cerveja preta, açúcar, casca de limão e um pouco de chocolate em pó.

Como forma de promover a manutenção da gastronomia regional, bem como de a dar a conhecer à população e aos turistas, têm extrema importância alguns eventos regionais, nomeadamente a “semana gastronómica”, realizada em Machico, a “festa do peixe-espada preto”, em Câmara de Lobos ou a “festa da castanha”, no Curral das Freiras, durante os quais se podem experimentar algumas das iguarias tradicionais da Região.


3.3.2.5. Património construído


Do vasto património construído existente na Região, apresentam-se aqui apenas alguns elementos com valor histórico e cultural e com potencial interesse turístico, nomeadamente as levadas, serras de água, moinhos, engenhos e lagares, fontanários e as casas típicas de Santana. Uma listagem mais completa do património construído é apresentada no Anexo 11.



Levadas - As levadas são consideradas a grande obra da engenharia popular madeirense. Desde o início do povoamento da Madeira que se tornou necessária a captação das águas nas suas fontes, geralmente a elevadas altitudes e na vertente Norte da ilha e seu transporte para as povoações e terrenos agrícolas, localizadas principalmente nas zonas litorais e na vertente Sul da ilha. Para suprir esta necessidade, foi construída uma complexa rede de aquedutos, as levadas, a qual constitui ainda hoje a base da rede de fornecimento de água da ilha. O processo de construção das primeiras levadas teve início no séc. XV, sendo a construção das levadas mais recentes datada do séc. XX, mantendo-se a forma de construção inalterada durante estes cinco séculos.

As levadas são canais abertos no solo, em forma de U com a base horizontal, com uma largura que normalmente não excede um metro e uma profundidade média de cerca de 50 a 80 centímetros, tradicionalmente forrados com resistente alvenaria, sendo os mais recentes cimentados. Estes canais eram abertos no solo, geralmente de rocha basáltica, “exclusivamente à força de braços, empregando-se nesses trabalhos instrumentos simples e primitivos como picões, barras, alviões, marrões e enxadas” (Pereira, 1989a: 682). Algumas levadas têm várias dezenas de quilómetros de extensão, contornando as abruptas montanhas ou atravessando-as em túneis nelas escavados, alguns com centenas de metros de comprimento. Nas escarpas de maior declive, os trabalhadores eram muitas vezes suspensos a elevadas alturas por cordas ou em cestos de vime, não sendo de estranhar o facto de muitos assim terem perdido a vida.

Ao longo das levadas há muitas vezes um carreiro ou vereda, que toma o nome de esplanada. É por estas esplanadas ou, quando estas não existem, sobre as paredes das levadas, que se realizam os famosos passeios nas levadas. Estes passeios são uma excelente forma de observação das paisagens da ilha, permitindo muitos deles a passagem por algumas das zonas mais preservadas da floresta indígena da Região.

Actualmente existem mais de 200 levadas, estando a sua extensão estimada em de cerca de 1400 quilómetros, abrangendo a quase totalidade da ilha, como se pode verificar no Anexo 8.

Sendo estruturas a céu aberto, as levadas necessitam de permanente manutenção, tarefa que tradicionalmente cabia aos levadeiros, homens que percorriam as levadas tratando da sua limpeza e manutenção e distribuindo as águas pelas populações. Actualmente ainda existem levadeiros mas apenas para a distribuição das águas, pelo que algumas levadas se encontram sem manutenção e um pouco degradadas, nomeadamente no que diz respeito ás suas esplanadas. É de salientar a recente aprovação de um projecto da responsabilidade do Governo Regional e da Agência de Desenvolvimento da Região Autónoma da Madeira, o qual visa a recuperação de algumas destas levadas, juntamente com algumas das tradicionais veredas, bem como a melhoria da sinalética existente.

Serras de água, moinhos, engenhos e lagares - A Ilha da Madeira tem o seu nome devido à abundância de árvores aquando do seu descobrimento. Esta abundância foi naturalmente aproveitada, não só para consumo regional mas também para exportação de madeira, sendo para isso necessário o abate de árvores e sua transformação em tábuas. Para a serração das madeiras e aproveitando a força das águas que correm nas levadas, foram construídas as serras de água. Apesar de terem existido numerosas serras de água, espalhadas um pouco por toda a ilha, mantém-se actualmente apenas uma, no Pico da Achadinha, em São Jorge.

Os primeiros moinhos para a transformação dos abundantes cereais, produzidos na Região, em farinha terão aparecido ainda no séc. XV e eram construídos junto às ribeiras e levadas, aproveitando a força motriz das suas águas. Apesar de se crer terem sido em grande número, hoje são poucos os que ainda funcionam, encontrando-se vários na forma de ruínas. No Porto Santo, dada a escassez de água, os moinhos são movidos pelo vento. Alguns destes moinhos têm a particularidade de serem construídos em madeira e poderem girar sobre si mesmos, permitindo o posicionamento das velas consoante a direcção do vento. Ainda hoje podem ser vistos alguns exemplares de moinhos no Porto Santo.

A importância da indústria associada à produção de cana sacarina conduziu à construção de diversos engenhos na Madeira, a qual remonta ao séc. XV. Os engenhos mais antigos são movidos pela força das águas das ribeiras e levadas, tendo posteriormente surgido engenhos movidos a vapor e havendo também engenhos movidos por tracção animal. Nos dias de hoje há apenas três engenhos em funcionamento, nomeadamente o engenho do Porto da Cruz, o engenho da Calheta e o engenho do Ribeiro Seco, no Funchal, apesar de haver ainda vestígios de um vasto número de engenhos antigos. O engenho do Ribeiro Seco apenas produz mel de cana, enquanto que os engenhos da Calheta e do Porto da Cruz produzem aguardente e mel de cana, não havendo nenhum engenho a produzir açúcar na Região.

Os lagares tradicionais da Região têm uma estrutura igual aos tradicionais lagares de vara portugueses mas têm a particularidade de serem totalmente construídos em madeira de espécies indígenas, sobre apoios de alvenaria. Ainda hoje se podem ver alguns lagares em funcionamento em toda a Região.



Fontanários - Antes de haver um sistema de fornecimento de água canalizada, eram construídos nas povoações os fontanários públicos, onde a população se abastecia de água para consumo doméstico. Actualmente ainda são muitos os fontanários que se podem observar em toda a Região, alguns em excelente estado de conservação ou recuperados e fornecendo água potável.

Casas típicas de Santana - A arquitectura tradicional madeirense apresenta diversos tipos de construção, sendo o mais conhecido o das casas típicas de Santana, assim denominadas por aparecerem essencialmente na freguesia de Santana. De acordo com Mestre (2002: 109), estas construções enquadram-se na categoria de casas elementares com cobertura de palha e paredes de madeira.

Estas casas são totalmente construídas em madeira e tinham tradicionalmente as traves longitudinais, de suporte do telhado, apoiadas directamente no chão, aparecendo a elevação da armação da cobertura, em todo o seu perímetro e a cerca de 90 centímetros do chão, já durante o séc. XX (Mestre, 2002: 109-110).

O telhado é totalmente feito de colmo, sobre uma armação de madeira, o qual é cosido com varas de vime à armação, utilizando uma agulha a que se dá o nome de abafadoura. Estes telhados necessitam de uma constante manutenção, sendo totalmente substituídos a cada período de, aproximadamente, quatro anos, denominando-se esta operação “abafar a casa” ou “restolhar” (Mestre, 2002: 111).

O telhado é de três águas, pelo que a casa apresenta apenas uma fachada, na qual se localizam a porta e as pequenas janelas, únicos pontos de entrada de luz natural para o interior. Estas casas têm geralmente um só andar mas as mais recentes podem apresentar um sótão, cujo acesso se faz pelo exterior, através de uma pequena janela, sobre a porta, utilizando uma pequena escada móvel para o acesso à janela. Actualmente a fachada é geralmente pintada de várias cores, não se sabendo se as casas mais antigas teriam alguma pintura.


3.3.4. Oferta Cultural


Apesar da sua dimensão e condição de região insular, a Madeira apresenta hoje uma vasta oferta ao nível de infra-estruturas para actividades culturais, nomeadamente no que diz respeito a exposições de diferentes naturezas e diversos espectáculos.

Em relação ao acesso à literatura, a Região apresenta, principalmente na cidade do Funchal, um pequeno número de livrarias, nas quais se pode adquirir os mais variados livros, sendo dada a possibilidade de encomendar as obras que não estejam disponíveis na Região.

Paralelamente à possibilidade de aquisição das obras, a Região possui uma rede de bibliotecas públicas, a qual, segundo os dados da DRE para o ano de 2003, é constituída por cerca de 66 bibliotecas, das quais 32 pertencem a estabelecimentos de ensino não superior. No Anexo 11, é apresentada uma listagem das bibliotecas existentes na RAM, na qual não estão incluídas as bibliotecas pertencentes a estabelecimentos de ensino por estas não serem geralmente frequentadas pelo público em geral.

Todos os anos se realizam algumas feiras de livros, sendo as principais a do Funchal e a de Machico. Nestas feiras, para além da venda de livros por parte de livrarias e editoras, há também a possibilidade de comprar ou vender livros em segunda mão e de assistir a diversas actividades relacionadas com a literatura, nomeadamente o lançamento de obras de autores regionais, debates e conferências.

No que diz respeito a exposições, a RAM dispõe de um conjunto significativo de museus e galerias de arte, a que se juntam diversas iniciativas privadas, de que são exemplo algumas exposições de pintura realizadas em restaurantes. Segundo os dados fornecidos pela DRE, existiam no ano de 2003 cerca de 13 museus e 18 galerias de arte e espaços de exposições temporárias. Chama-se a atenção para o facto de os museus contabilizados pela DRE não corresponder à totalidade dos existentes, tendo sido considerados apenas os que respondiam a uma série de requisitos pré-definidos. Há também alguns museus de construção recente que ainda não estavam em funcionamento no ano para o qual existem dados disponíveis, pelo que o número de estruturas é hoje garantidamente mais elevado que o número aqui apresentado. No Anexo 11 são apresentadas as principais salas de exposições existentes na RAM.

Para além do acesso a exposições de várias naturezas, a Região permite a observação de um rico património arquitectónico, entre o qual se destacam os cerca de 147 imóveis protegidos, referenciados pela DRE, no ano de 2003. Destes imóveis, sete estavam classificados como monumentos nacionais, 49 como imóveis de interesse público e 91 como valores concelhios ou valores culturais locais.

Relativamente a espectáculos culturais, são realizados na Região essencialmente concertos de música clássica, concertos de música moderna diversa e peças de teatro, bem como alguns espectáculos de música e dança tradicionais. Estes espectáculos tanto são realizados por grupos e artistas regionais como por artistas vindos de fora da Região, podendo aparecer em conjunto no mesmo espectáculo. De acordo com a informação fornecida pela DRE, foram realizados cerca de 575 espectáculos durante o ano de 2004, aos quais assistiram cerca de 156.000 pessoas.

No que respeita a espaços para espectáculos, que há poucos anos atrás se resumiam quase exclusivamente ao Teatro Municipal Baltazar Dias e ao actualmente denominado Centro de Congressos da Madeira, ambos no Funchal, a Região dispõe hoje de um conjunto de modernas instalações, muitas delas polivalentes nas suas possibilidades de utilização. Numa tentativa de descentralização, parte das infra-estruturas construídas localizam-se fora do Funchal, como são os casos do Centro Cultural e de Congressos do Porto Santo, o Centro de Artes “Casa das Mudas”, na Calheta ou o Fórum Machico, em Machico. É de salientar que, dadas as excepcionais condições climatéricas da Região, muitos espectáculos, sobretudo os espectáculos musicais, são realizados ao ar livre, havendo inclusivamente alguns anfiteatros próprios para esse fim, nomeadamente os anfiteatros do Jardim Municipal e do Jardim Botânico, ambos no Funchal.

Em termos de cinema, a Região dispõe actualmente de 19 salas, onde são apresentados os filmes denominados comerciais. Destas salas, 14 localizam-se no Funchal, duas na Camacha, duas em Machico e uma no Porto Santo, como se pode verificar no Anexo 11. Os dados mais recentes disponibilizados pela DRE , relativamente às salas de cinema da Região, referem-se ao ano de 2005, indicando a realização global de cerca de 14.229 sessões às quais assistiram cerca de 340.000 pessoas, resultando uma receita de cerca de 1,36 milhões de euros. É de referir que estes números revelam um aumento de cerca de 33,8% no número de sessões realizadas face ao ano de 2004 mas o qual não é acompanhado pelo número de espectadores, que diminuiu cerca de 11,7% nem, consequentemente, pela receita gerada, a qual teve uma quebra de cerca de 13,3%.

Para além da exibição de filmes nas salas de cinema, realiza-se anualmente, no Teatro Municipal Baltazar Dias, um ciclo de cinema “Sete dias, sete filmes”, bem como um Festival de Cinema do Funchal, durante os quais são exibidos filmes considerados não comerciais.


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