Oficina de técnicas de estudo



Baixar 49.75 Kb.
Encontro27.07.2016
Tamanho49.75 Kb.



Acção de formação:



OFICINA DE TÉCNICAS DE ESTUDO


DESENVOLVIMENTO DE TÉCNICAS DE ESTUDO

Formadora: Dra Teresa Diniz



tema:


sobre a disposição dos saberes no Quadro da sala de aula

George Ferreira Vicente

1º grupo

Escola Secundária de Gil Vicente


23 de Abril de 2003



introdução

Toda a história tem um princípio.

No princípio eu era um menino de calções sentado numa carteira do Liceu Nacional de Gil Vicente. O professor de Física entrava na sala de aula e perorava o sumário. E logo se dispunha, enquanto passeava entre a secretária e a porta da sala, a espalhar pelo quadro os sucessivos passos de uma demonstração importante. Mas não os registava numa sequência espacial lógica que possibilitasse em qualquer momento a reconstrução do raciocínio exposto. Antes, semeava cada um pelo quadro no exacto sítio onde o percurso dos seus passos o tinha levado, enviesando mesmo uma equação estranha entre dois enunciados incoerentes.

Quem entrasse na sala de aula cinco minutos depois de ter começado a exposição, quem ficasse dois minutos a olhar pela janela a beleza arquitectónica da cobertura da Igreja de São Vicente de Fora, quem demorasse vinte segundos a copiar uma expressão… era certo e sabido que, quando voltasse a olhar o quadro, estava perdido entre a floresta de símbolos e incapaz de encontrar o enunciado iniciador ou de reproduzir o percurso demonstrativo.

Mais tarde o menino de calções fez-se professor (talvez ainda lhe zaragateasse no espírito a exposição desordenada do professor de Física). E muito mais tarde participou numa acção de formação. Onde contou uma história que começava assim:

«Toda a história tem um princípio.»





índice





introdução ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

3




índice ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

5




sobre a disposição dos saberes no Quadro da sala de aula ... ... ... ..

6




1. o Quadro como suporte de apontamentos ... ... ... ... ... ... ... ... ...

6




2. os apontamentos do quadro e a sua função ... ... ... ... ... ... ... ... ..

7




3. a identificação entre os campos do quadro e a função/período de carência dos apontamentos neles registados ... ... ... ... ... ... ... ...

8





4. as vantagens dos campos para a tomada de apontamentos ... ... ..

9




síntese ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ..

11




bibliografia ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ... ...

12


sobre a disposição dos saberes no Quadro da sala de aula



  1. o Quadro como suporte de apontamentos

Em todas as disciplinas o Quadro é um veículo da transmissão dos saberes. Mas é verdade que umas requerem-no mais do que outras.

Para a Matemática ou para a Física, o Quadro é imprescindível. Como equacionar um problema sem recorrer ao Quadro? Como ensinar a resolver uma equação sem mostrar os sucessivos passos em que ela se vai transformando até nos oferecer a solução?

É verdade que as máquinas de calcular e as calculadoras gráficas vieram sugerir outros processos de resolução. Mas «aprender» não é só saber teclar os botões de uma máquina. E «saber» não é chegar a ou adivinhar um resultado. «Saber» é poder acompanhar a resolução e subscrevê-la, acompanhar a resolução é entender o processo utilizado, é medir o resultado, é participar criticamente na construção da solução. Para este trabalho de debate entre os elementos da turma, professor e todos os alunos, o Quadro é um meio eficaz e económico, na nossa Sociedade ainda imprescindível.

E para o Português?, para o Inglês?, para a História ou para a Filosofia? Como ensinar todos os alunos da turma a escrever correctamente um vocábulo? Como ensiná-los a dispor os elementos de uma frase? Como ensaiar um esquema sobre os passos sucessivos de uma ocorrência histórica ou efabular os tipos clássicos da divisão da Filosofia, de Xenócrates ou de Aristóteles, sem o expediente do Quadro?

Na realidade todas as disciplinas se servem do Quadro, porque ele é um elemento absolutamente indispensável no processo ensino-aprendizagem. Mesmo quando o Quadro se mascara de retroprojector, de TV ou de vídeo, é ele quem lá está, adornado com os trajes que o evoluir das técnicas lhe proporcionaram.



2. os apontamentos do Quadro e a sua função

Os apontamentos que são registados no Quadro pelo professor e pelos alunos têm funções e períodos de carência diferentes (chamaremos período de carência de um registo ao intervalo de tempo durante o qual o saber anotado deve permanecer visível para futura utilização).

Há apontamentos que têm como função a construção de outro saber: são os apontamentos (A). Estes apontamentos vão ser necessários enquanto o objectivo programático que eles desencadearam e estruturaram estiver em estudo; mas após a passagem a outro conteúdo o seu período de carência fica consumido e eles podem ser destruídos para ceder o seu espaço.

Os apontamentos (B), gerados pelos apontamentos (A), valem por si e dispensam todo o trabalho de construção que os gerou, mas ainda vão ser motivo de estudo, de análise e de aplicação em actividades futuras. Eles são saberes importantes no fio condutor do programa da aula e podem ser mesmo o objectivo final. Por isso, o seu período de carência vai durar até ao fim da aula.

As actividades de aplicação dos saberes (B), exemplos ou exercícios, constituem um novo grupo de apontamentos: os apontamentos (C). Uma vez resolvidos e obtida a solução ou conclusão podem ser destruídos e libertar espaço. O seu período de carência reduz-se ao intervalo de tempo da sua resolução.

O quarto grupo de apontamentos — apontamentos (D) — é constituído por notas informativas que veiculam dois tipos de comunicações:

a) encaminhar os alunos para os suportes onde os objectivos programáticos leccionados podem ser consultados ou estudados com maior profundidade;

b) sugerir actividades para testar o grau de aquisição dos saberes e para consolidar o seu domínio.

Estes apontamentos vão sendo registados ao longo da aula. Tal como os apontamentos (B), eles vão-se constituindo numa súmula, agora numa perspectiva de trabalho pós-aula, e o seu registo só termina quando a aula terminar. O seu período de carência dura enquanto a aula durar.

3. a identificação entre os campos do Quadro e a função/período de carência dos apontamentos neles registados

O professor tem de gerir o espaço do Quadro e deve saber fazê-lo.

O professor pode dividir o Quadro em campos. Então, ao registar cada apontamento num campo determinado, o professor está a garantir-lhe o espaço adequado ao tempo em que o apontamento tem de permanecer disponível.

A disposição dos saberes no Quadro requer um trabalho de congeminação. Talvez seja apropriado o professor simular uma matriz que tenha em atenção as especificidades da disciplina, as particularidades dos conteúdos programáticos, as disponibilidades para a aprendizagem dos seus alunos e a sua própria predisposição para o acto de ensinar. Talvez seja conveniente dividir o Quadro em campos, imaginar onde vai dispor os apontamentos, prever os seus movimentos e reajustar os espaços concedidos.

Os apontamentos (B) e (D) têm períodos de carência que vão durar toda a aula. Eles necessitam de um campo sólido e bem demarcado — as margens do Quadro são uma fronteira segura que assegura a inviolabilidade do seu espaço.

Os apontamentos (A) e (C) são apontamentos de carência temporária. Os (C) são mesmo efémeros — o seu espaço é inquestionável e indispensável, mas pode ser negociado com o espaço dos apontamentos (A), tendo em conta as conveniências de ambos.

A grelha que se sugere é uma possível solução.

Os campos do Quadro e a ordenação do seu registo



4. as vantagens dos campos para a tomada de apontamentos

Após algumas aulas, os alunos vão dominar a importância e o significado dos saberes registados em cada um dos espaços do Quadro. A partição do Quadro em campos já não é dispicienda, e os alunos percebem o grau de urgência com que têm de tomar os seus apontamentos.

Os apontamentos do canto superior esquerdo vão durar toda a aula. O mesmo acontece com os apontamentos registados na metade inferior do lado esquerdo do Quadro, mas estes suportam a ligação entre aqueles que, no centro do Quadro, se lhes encostam e aqueloutros que ocupam o lado direito: podem não ser copiados já, mas devem estar compreendidos. Os apontamentos da direita, acabada a resolução do exemplo ou do exercício, serão apagados; os do meio cederão o seu espaço quando o professor mudar de assunto.




síntese

É tempo de fechar o texto, de arredondar o ponto final e de acenar o último adeus.

É importante levar o aluno a pensar que estudar não é só um intervalo de tempo entre o período de brincar e o estádio de trabalhar, mas que, cada vez mais, estudar é também um estádio onde se concebe um projecto que só com disponibilidade, vontade e perseverança é possível realizar, afinal como em qualquer profissão.

Uma boa tomada de apontamentos é, então, um bom investimento: aumenta a concentração e ajuda a memorizar, impõe organização ao conjunto dos saberes e auxilia a destrinçar os saberes fundamentais dos acessórios, constitui um depósito de saberes de fácil acesso e facilita a aprendizagem, reduz o tempo de estudo necessário e liberta energias para outras actividades.

Mas para que os apontamentos possibilitem todas estas vantagens é necessário que a sua tomada seja rápida e esquemática, sintética mas compreensível, legível e ordenada, e que, tão cedo quão possível, uma sua leitura permita que a memória estabeleça as ligações entre os saberes que ficaram escondidas.

Em todo este processo, o professor pode ser um ajudante precioso se conseguir adoptar uma estratégia de disposição dos saberes no Quadro que auxilie os alunos numa primeira organização dos apontamentos. A partição do Quadro em campos oferece-se como uma ajuda importante.

As palavras ficaram ditas. A história acabou.
Adeus.

bibliografia

P’ O’ Meara, D. Shirley e R. D. Walshe, Como estudar melhor, Editorial Presença, Lisboa, 1993;



Ana Carita, Ana Cristina Silva, Ana Filipa Monteiro e Teresa Paula Diniz, Como ensinar a estudar, Editorial Presença, Lisboa, 1998;

Maria Teresa Serafini, Saber estudar e aprender, Editorial Presença, Lisboa, 2001.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal