Olga Kharitidi Tradução de pedro ribeiro



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Epílogo
O céu noturno tinha voltado ao normal, mas o vento e o ar úmido ainda eram tão refrescantes que continuei na minha sacada durante muito tempo, relembrando o círculo de dançarinos e os olhos de Umai no final da visão, olhando para as estrelas e refletindo sobre os eventos em Altai que tinham mudado minha vida de tantas maneiras.

Mais de um ano tinha se passado desde que eu encontrara pela primeira vez Umai na vila de Kubia, e passara muito do meu tempo viajando pela Ásia Central em busca de conhecimento, encontrando novos mestres no processo. Apesar disso, minhas memórias de Umai ainda estavam vivas, e sempre me traziam alegria e excitação. Talvez isso acontecesse porque elas eram mais do que simplesmente os retratos mentais indistintos e distantes que geralmente carregamos pela vida como registro de nossas experiências. Essas memórias tinham formado o fundamento da transformação que ocorrera dentro de mim.

Embora eu ainda estivesse absorvendo e integrando na minha vida tudo que acontecera em Altai e nas minhas experiências subseqüentes no laboratório de Dmitriev; eu já tinha começado a fazer outras jornadas para a Ásia Central em busca de conhecimentos adicionais.

Quando estava começando a escrever o manuscrito deste livro, decidi visitar Altai para pedir a permissão e o conselho de Umai. No final do encontro, Umai me abraçou pela primeira vez. Então ela me deu um pouco de tabaco de presente e observou que o nome altaico para o Grande Espírito era Ulgen, que derivava de Ulkar, a palavra de Altai para a constelação conhecida por nós como as Plêiades. Quando perguntei a ela por que tinha me dito isso, ela me respondeu que não me daria uma explicação. "Pense sobre isso você mesma", foi tudo que ela disse.

O próximo passo necessário antes de publicar o livro foi visitar meus novos mestres no Usbequistão e no Casaquistão. Um deles, que era conhecido como o Mestre dos Sonhos Lúcidos, estava me esperando na pequena casa onde já tínhamos nos encontrado.

O chão da sala em que sentamos era coberto com macios tapetes de lã com desenhos usbeques vermelhos e brancos. Sentia-me confortável nessa sala, portanto quando ele mandou me preparar para uma viagem, sentei calmamente perto da parede na pose especial que ele me ensinara e fechei os olhos.


Esta viagem é curta, começando com sua voz profunda e hipnótica dizendo: "Vou lhe ensinar uma coisa importante sobre seu livro."

Imediatamente senti que ele tinha colocado um objeto desagradavelmente frio, liso e fino se contorcendo na minha mão direita. Começo a abrir minha mão para atirá-lo longe, mas ele me impede.

"Segure-a!", diz ele. "Não abra os seus olhos! É uma serpente que está segurando na sua mão."

Seja lá o que for que está em minha mão, está se contorcendo furiosamente. Estou quase paralisada de medo e mal consigo me impedir de gritar. Ainda quero soltá-la, mas tenho medo que seja venenosa e que me morda se o fizer.

"Sinta a serpente na sua mão", diz ele. "Ela é um poder. Sinta-a e lembre-se da sensação de segurá-la. Você precisa encontrar o equilíbrio entre você e o poder que segura. Se apertar demais, você vai ferir a cobra e ela pode mordê-la. Se você não segurá-la apertado o bastante, ela vai escapar e você vai perdê-la. Você precisa encontrar o equilíbrio correto e mantê-lo."
Tentei me lembrar dessa lição e usá-la ao escrever este livro. Muitas pessoas estão procurando poder, buscando novas qualidades para desenvolver em si mesmas, procurando se abrir para sua mágica interior. Algumas vão aprender a contatar esse poder interior, às vezes de maneira muito bem-sucedida. Mas, sem o fundamento para administrá-lo e controlá-lo, elas segurarão com força demais e ele as morderá. A sua força vai vencê-las, e em vez de usá-lo elas se tornarão seus servos.

As pessoas que estão desequilibradas da maneira oposta podem ser capazes de usar seu poder durante algum tempo, mas não serão capazes de controlá-lo e ele irá embora. Se eu for capaz de transferir uma compreensão do entendimento apropriado para aqueles que lerem este livro, então uma das minhas tarefas terá sido cumprida.

Em breve, irei embarcar na minha nova jornada. Ela irá de Altai até a Ásia Central, e então para a América do Norte. Ela irá pelo mesmo caminho que foi trilhado por seres humanos que levaram o fogo da verdade e da luz para onde quer que tenham ido. É a mesma verdade e luz que está voltando agora às mentes e memórias das pessoas do nosso tempo.

OLGA KHARITIDI nasceu na Sibéria e viajou pelo Usbequistão e Casaquistão, seguindo as antigas trilhas de sabedoria que se espraiam da Sibéria até a Ásia Central, Tibete e os Himalaias. Vive em Albuquerque, Novo México, nos EUA.



Orelha do livro:
Dedicada jovem psiquiatra de um hospital público na União Soviética, Olga Kharitidi lutava com os limites da ciência médica num esforço quase impossível para amenizar os sofrimentos de seus pacientes.

Acompanhando uma amiga doente numa viagem impulsiva para as remotas montanhas Altai da Sibéria, Kharitidi inicia uma trajetória inesperada de revelações. Depara, então, com uma enigmática xamã e curandeira, que unge a jovem médica como sua sucessora.

Entre as eternas montanhas nevadas e as vilas de uma terra antiga, Olga engaja-se numa louca aventura que muda sua concepção de cura, da ciência, da consciência - e da própria vida humana - para sempre.

Guiada através de experiências bizarras, mágicas, e às vezes apavorantes, pela sua mestra xamã Umai, e por um físico soviético radical, cujos estudos desafiavam a própria natureza da realidade, a médica desvela um tesouro de sabedoria espiri­tual, oculto na inacessível Sibéria durante séculos.

Este livro foi composto pela

Art Line Produções Gráficas Ltda.

Rua Visconde de Inhaúma, 64- centro - RJ

e impresso na Editora JPA Ltda.

Av. Brasil, 10.600 - Rio de Janeiro - RJ

em abril de 2001,



para a Editora Rocco Ltda.

FIM


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