Organização seqüencial de conteúdos



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Organização seqüencial de conteúdos
Uma vez selecionados os conteúdos, é necessário organizá-los. A organização‚ representativa de um esquema conceitual que e caracteriza por inter-relações. A função principal da organização seqüencial é simplificar a compreensão dos conteúdos. Visa economizar esforço intelectual nas aprendizagens que são propostas em diferentes níveis de relacionamento e complexidade, favorecendo o progresso da aprendizagem, no menor espaço de tempo possível.
A organização seqüencial se resume em ordenação, onde na seqüência, se faz uma ordenação vertical, e, no relacionamento, uma ordenação horizontal. Portanto, existem duas formas de ordenação:
• vertical, que leva de um nível de complexidade a outro mais elevado;
• horizontal, que relaciona os diferentes campos do conhecimento humano. as formas de ordenação dos conteúdos devem estar intimamente vinculadas a critérios lógicos e a critérios psicológicos.
Os critérios lógicos referem-se à dinamicidade do conteúdo. Regidos por alguns princípios, favorecem a determinação de normas e indicadores para o estabelecimento da melhor ordenação e progressão do conteúdo a ser trabalhado.
Os critérios psicológicos focalizam o alunado. Dizem respeito às condições pessoais

do aluno, ou do grupo de alunos, no que concerne a aspectos cognitivos, afetivos e

psicomotores. Envolvem as habilidades específicas a serem desenvolvidas e a previsão das condições internas sob as quais estas ocorrerão. Não existe uma norma única que sistematize a ordenação. Diferentes ordenações podem ser organizadas, satisfatoriamente, com um mesmo material, a partir de diferentes princípios de organização.
Aspectos básicos
Existem aspectos que devem ser considerados na organização seqüencial de conteúdos. Entre outros, citamos:


  • Logicidade

A logicidade corresponde à seqüência lógica em que devem ser organizados os conteúdos. A seqüência deve ser coerente com a estrutura e os objetivos da disciplina.


Vai do simples ao complexo, procurando estabelecer, além de uma ordenação, uma seqüência de idéias.
A seqüência não está relacionada exclusivamente aos conteúdos mas também aos desempenhos desejados. Os comportamentos esperados estarão clara e inequivocamente evidenciados nos resultados das situações de aprendizagem, demonstrando, em última análise, o crescimento cumulativo do aluno em relação a

conhecimentos, atitudes e habilidades.




  • Gradualidade

A gradualidade relaciona-se, basicamente ao processo das pequenas etapas. Diz respeito à distribuição adequada, em quantidade e qualidade, dos conhecimentos.


Visa a atender as possibilidades de realização daqueles que estão envolvidos no trabalho. Uma primeira noção pode ser apresentada a partir das experiências anteriores dos alunos. Por exemplo, durante o processo de aprendizagem, uma nova aquisição‚ efetuada por comparação imediata com a noção anterior da qual deve diferenciar-se em grau de complexidade. [...]
Caso não tomemos este pequeno cuidado pode surgir uma certa confusão, para o aluno, entre as duas noções, o que‚ amplamente é verificável quando uma das duas tem de ser aplicada em uma nova situação, ou então o aluno imita-se a memorizar e repetir o que foi apresentado durante o trabalho. Por exemplo, o caso de certas definições que, apesar de serem completa e corretamente enunciadas, para o aluno não são mais que algumas palavras juntas, desprovidas de maior significado. Se, entretanto, estas se diferenciam e se articulam progressivamente em sistema de conjunto, irão favorecer a ocorrência de uma apreensão mais duradoura e uma utilização mais segura, além de propiciar uma base adequada ao surgimento de novas aprendizagens.
A organização dos conteúdos deve, portanto, obedecer a etapas contínuas e sistemáticas, dispostas de tal forma que ofereçam, a quem aprende, o razoável desafio que leva a crescer em conhecimentos e habilidades.

Continuidade

A continuidade, intimamente relacionada à logicidade e gradualidade, propicia a articulação entre os conteúdos, de tal forma que estes irão se completar e integrar na medida em que desenvolvemos o trabalho. A continuidade deve atender ao crescimento, à maturidade e aos interesses do aluno. Só assim ser assegurada a necessária organização longitudinal do conhecimento: um conteúdo essencial, desenvolvido de maneira gradativa e sistematizada, resulta numa aprendizagem fundamental.


A continuidade dos conteúdos pode ser comparada a uma cadeia, na qual cada elo vai se encaixando e ajustando aos anteriores.
Como vemos, a organização seqüencial‚ fator determinante no fenômeno aprendizagem. Dispor-se a ensinar uma disciplina sem organizá-la sem dispensar-lhe um tratamento adequado, para pôr em evidência sua estrutura ou considerar um tema sem oferecer um esboço da ordem e harmonia que lhe são atributos essenciais‚ desperdiçar uma importante oportunidade de ensinar algo maior e mais fundamental que qualquer grupo de fatos. É desanimar os alunos e falsear a própria e autêntica configuração do conteúdo envolvido.

Integração

Sabemos que o mundo do conhecimento se caracteriza por sua natureza variada, seu permanente aumento e, também, pelas inter-relações entre seus diferentes campos. Isto, portanto, deixa evidente que o conhecimento se caracteriza pela diversidade na unidade. Segundo Taba, “a aprendizagem resulta mais eficaz quando os fatos e princípios assimilados em um campo podem ser relacionados com o outro especialmente se este conhecimento‚ aplicado”.


Na situação ensino-aprendizagem, a INTEGRAÇÃO pode ser vista de formas diferentes. Se a considerarmos em relação ao conhecimento, vemos que pode constituir “a relação horizontal das diversas disciplinas do currículo, entre si”. É o caso, por exemplo, de relacionar o que aprendemos em Matemática com o que aprendemos em Ciências Físicas e Biológicas.
A análise criteriosa de uma disciplina possibilita identificar idéias relevantes, comuns a outras disciplinas do currículo. Estas idéias, devidamente exploradas, oportunizam o inter-relacionamento desta disciplina com as demais.
Conforme Tyler (1950) esta ‚ a forma de integração que se menciona, com maior freqüência, na literatura especializada.
“A integração também pode ser definida como algo que acontece no indivíduo, esteja ou não o currículo organizado para tal fim”. Isto significa que o homem, ao vivificar uma situação de ensino-aprendizagem, esforça-se para organizar significativamente as suas experiências, surgindo, então, a integração como produto da assimilação realizada pelo indivíduo ao estudar o conteúdo de um determinado conjunto de disciplinas.
Como vemos, “o problema, então, consiste em produzir modos de ajuda aos indivíduos, neste processo de criar uma unidade de conhecimentos”.
Para tanto, é necessário encontrar um elemento que constitua denominador comum de todas as abordagens realizadas. Este elemento comum pode ser um tema, como, por exemplo, uma festa nacional, ou uma atividade, como, por exemplo, a observação.
Ambos os casos oportunizam interessantes situações de trabalho; através deles temos oportunidade de orientar o aluno na integração do seu conhecimento. Isto‚ possível pelo fato do estudante poder construir um sistema coerente de referência a partir dos estudos realizados, onde as diversas partes devem estar agrupadas de tal forma que proporcione a idéia do todo. Assim, o aluno tem chance de ter ampla perspectiva do seu cabedal cognitivo e da realidade que o cerca.
A organização do conteúdo deve auxiliar este processo. As relações estabelecidas devem ser naturais e não forçadas – devem funcionar como fios integradores selecionados inteligentemente. A integração proporciona enfoques originais ao estudo das disciplinas, estabelece conexões entre diferentes ângulos da realidade e economiza tempo.
Constitui, por sua natureza, a maneira ordenada e eficiente de dispor do conhecimento no futuro. Resumindo, podemos considerar a aprendizagem num determinado campo do conhecimento como o resultado de uma interação entre processos mentais e elementos cognitivos selecionados sobre a base de certos princípios. 0 aluno poder atingir bom nível de rendimento, quando possuir as compreensões e os conhecimentos básicos da estrutura da disciplina e um domínio funcional de seus princípios e generalizações.
O professo é quem seleciona, organiza e apresenta o conteúdo ao aluno, de acordo com um plano que atenda interesses e necessidades de sua classe. Neste sentido, sua preocupação básica de uma situação para outra deve ser: manter o que foi bom e positivo; melhorar o que não foi totalmente satisfatório; suprimir o que não foi produtivo e adequado, e idear novas maneiras de tratar sua disciplina com vistas a torná-la mais agradável, acessível e interessante para seus alunos.
É conveniente provocar a reação do aluno para obter dados sobre as informações que ele já tem e colher sugestões a respeito das que ele procura. 0 objetivo, no caso é‚ encorajar o interesse dos alunos pelo conteúdo e estímulos a desenvolver uma variedade de processos mentais.
O tratamento do conteúdo, no planejamento de ensino, exige, cada vez mais, originalidade, criatividade e imaginação por parte do professor. Assim ele poder oferecer novas formas de tratar os mesmos assuntos e atender o aumento de informações na atualidade. Neste momento estar auxiliando o aluno a crescer e a desvendar novas perspectivas em relação ao mundo e à vida.
Fonte

FIDELES, Eduardo. Organização seqüencial de conteúdos. In:______. Plano Estadual de Música. Disponível em: . Acesso em: 02 mar. 2006.





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