Origem do mundo e da humanidade a criaçÃo gênesis 1 a humanidade, ponto alto da criaçÃO



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3. Agora, porém, estou ficando velho, enquanto vocês, pela misericórdia de Deus, estão em idade madura. Ocupem o meu lugar e do meu irmão, e saiam para combater em favor da nossa nação. Que Deus os ajude!"
4. João escolheu no país vinte mil homens de infantaria e cavalaria, e foi com eles enfrentar Cendebeu. Pernoitaram em Modin,
5. levantaram-se de madrugada, saíram para a planície e viram o enorme exército de infantaria e cavalaria pronto para enfrentá-los. Entre os dois exércitos que estavam para se enfrentar havia um rio.
6. João acampou com o seu exército bem na frente do inimigo. Percebendo que seus soldados estavam com medo de atravessar o rio, ele atravessou primeiro. Vendo isso, os soldados também atravessaram.
7. Então ele organizou o exército, colocando a cavalaria no meio da infantaria, porque a cavalaria do inimigo era numerosa demais.
8. Tocaram, então, as trombetas. Cendebeu e seu exército foram derrotados, caíram muitos feridos entre eles, e os que conseguiram escapar, fugiram para a fortaleza.
9. Nessa ocasião Judas, irmão de João, ficou ferido. João perseguiu o exército de Cendebeu até chegar a Quedron, que fora reconstruída por Cendebeu.
10. Alguns fugiram para as terras que existem ao redor de Azoto. João incendiou a cidade, causando duas mil baixas para o inimigo. Depois João retornou em paz para a Judéia.

AMBIGÜIDADE DO PODER
11. Ptolomeu, filho de Abubo, tinha sido nomeado comandante da planície de Jericó, e possuía muita prata e muito ouro,
12. pois era genro do sumo sacerdote.
13. Enchendo-se com idéias de grandeza, quis tomar posse do país e começou a tramar a morte de Simão e seus filhos.
14. Simão estava inspecionando as cidades no interior do país, ocupado com os problemas administrativos delas. Chegou a Jericó acompanhado dos filhos Matatias e Judas, no ano cento e setenta e sete, no décimo primeiro mês, chamado Sabat.
15. O filho de Abubo, que planejava uma traição, os recebeu na fortaleza chamada Doc, que ele próprio tinha construído. Ofereceu-lhes um grande banquete, colocando aí alguns homens de emboscada.
16. Quando Simão e seus filhos já estavam embriagados, Ptolomeu e seus companheiros se levantaram, puxaram de suas armas, atacaram Simão na sala do banquete e o mataram, juntamente com seus dois filhos e alguns da sua comitiva.
17. Assim, Ptolomeu praticou um grande crime, pagando o bem com o mal.
18. Em seguida, Ptolomeu escreveu ao rei, contando o acontecido e pedindo que lhe mandasse tropas, a fim de ajudá-lo a tomar o país e suas cidades.
19. Mandou outros a Gazara para eliminar João. Enviou cartas aos generais, convidando-os a passarem para o seu lado, com a promessa de lhes dar prata, ouro e presentes.
20. Mandou outros, enfim, tomar Jerusalém e a montanha do Templo.
21. No entanto, alguém foi correndo contar a João em Gazara que seu pai e seus irmãos tinham sido mortos, e que Ptolomeu tinha mandado matá-lo também.
22. Ao ouvir isso, João ficou muito perturbado, prendeu os homens que foram para matá-lo e mandou executá-los, pois ele sabia que estavam atentando contra sua vida.
23. Os outros atos de João, suas guerras e as proezas que praticou, a reforma das muralhas que executou, tudo o que ele fez,
24. está escrito no livro das atas do seu sumo sacerdócio, a partir de quando ele se tornou sumo sacerdote no lugar do seu pai.
[II Macabeus 1]I. COMUNICAÇÃO ENTRE AS COMUNIDADES

II Macabeus 1

CONVITE À SOLIDARIEDADE
1. Aos irmãos judeus que estão no Egito. Saudações! Os irmãos judeus que moram em Jerusalém e na Judéia desejam paz e prosperidade.
2. Deus conceda suas graças a vocês e se lembre da aliança que fez com Abraão, Isaac e Jacó, seus servos fiéis.
3. Que ele dê a todos vocês coração capaz de honrá-lo e de praticar a sua vontade, coração generoso e espírito decidido.
4. Que lhes abra o coração para a sua lei e seus mandamentos, e lhes conceda a paz.
5. Que ele escute suas orações, se reconcilie com vocês e não os abandone no tempo da desgraça.
6. Nós estamos rezando por vocês, aqui e agora.
7. Durante o reinado de Demétrio, no ano cento e sessenta e nove, nós, judeus, tínhamos escrito a vocês o seguinte: "No meio da grande tribulação que caiu sobre nós, nesses anos em que Jasão e seus companheiros traíram a terra santa e o reino,
8. quando incendiaram o portal do Templo e mataram inocentes, nós oramos ao Senhor, e ele nos ouviu. Então oferecemos um sacrifício e uma oblação de flor de farinha, acendemos as lâmpadas e apresentamos os pães".
9. Portanto, celebrem a festa das Tendas do mês de Casleu.
10. Ano cento e oitenta e oito.

UNIDOS NO CULTO E NA TRADIÇÃO Os judeus que moram em Jerusalém e na Judéia, o conselho dos Anciãos e Judas, para Aristóbulo, mestre do rei Ptolomeu e membro da família dos sacerdotes ungidos, e também para todos os judeus que vivem no Egito. Saudações e prosperidade.
11. Libertados por Deus dos maiores perigos, nós agradecemos muito a ele, como a alguém que lutou junto conosco contra o rei,
12. pois Deus expulsou os que se haviam entrincheirado contra a cidade santa.
13. De fato, o chefe deles foi para a Pérsia acompanhado de um exército que parecia invencível, mas que acabou destroçado no templo de Nanéia, através de uma cilada armada pelos sacerdotes da deusa.
14. Antíoco foi para esse lugar, junto com os amigos que o acompanhavam, pretendendo casar-se com a deusa, a fim de pegar as grandes riquezas que havia nesse lugar, a título de dote.
15. Os sacerdotes do templo de Nanéia lhe mostraram as riquezas, e ele entrou no recinto sagrado com alguns poucos companheiros. Logo que Antíoco entrou, os sacerdotes fecharam o templo,
16. abriram a porta secreta do forro e mataram o rei a pedradas. Esquartejaram o rei e jogaram a cabeça dele para os que estavam do lado de fora.
17. Por tudo isso, bendito seja o nosso Deus, que entregou esses ímpios à morte.
18. Estando para celebrar a purificação do Templo, no dia vinte e cinco de Casleu, achamos que seria bom comunicar-lhes isso, para que vocês também a comemorem de maneira semelhante à festa das Tendas e à festa do Fogo, que apareceu quando Neemias ofereceu os sacrifícios, depois da reconstrução do Templo e do altar.
19. De fato, quando os nossos antepassados foram levados para a Pérsia, alguns sacerdotes piedosos pegaram fogo do altar e secretamente o esconderam num poço seco. Deixaram a coisa tão segura, que ninguém ficou sabendo onde era esse lugar.
20. Passados muitos anos, quando Deus achou conveniente, Neemias, o enviado do rei da Pérsia, mandou os descendentes dos sacerdotes procurar o fogo que tinham escondido. Segundo nos contam, eles não encontraram o fogo, mas somente um líquido grosso. Neemias mandou que tirassem e trouxessem o tal líquido.
21. Depois de colocarem em cima do altar tudo o que fazia parte do sacrifício, Neemias ordenou aos sacerdotes que molhassem com esse líquido a lenha e tudo o que estava em cima.
22. Feito isso e passado algum tempo, o sol, até então encoberto pelas nuvens, começou a brilhar, e um fogo forte logo se acendeu, de tal maneira que todos ficaram admirados.
23. Enquanto o sacrifício era queimado, os sacerdotes rezavam com todo o povo presente. Jônatas entoava e todos os outros respondiam junto com Neemias.
24. A oração era assim: "Senhor, Senhor Deus, Criador de todas as coisas, terrível, forte, justo, misericordioso, único rei, único bom,
25. único generoso, único justo, todo-poderoso e eterno, tu que salvas Israel de todo o mal, tu que tornaste escolhidos os nossos antepassados e os santificaste,
26. aceita o sacrifício em favor de todo o teu povo Israel. Guarda e santifica a tua herança.
27. Reúne os nossos dispersos. Liberta os que são escravos no meio das nações. Olha para os que são marginalizados e desprezados. Assim as outras nações ficarão sabendo que tu és o nosso Deus.
28. Castiga aqueles que nos oprimem, que nos humilham com soberba.
29. Planta o teu povo em teu lugar santo, conforme disse Moisés".
30. Enquanto isso, os sacerdotes entoavam os hinos.
31. Logo que o sacrifício foi consumado, Neemias mandou jogar o resto do líquido em cima de grandes pedras.
32. Feito isso, brilhou uma chama, que logo se apagou, enquanto o fogo sobre o altar continuava aceso.
33. Logo que o fato se tornou conhecido, contaram ao rei dos persas que, no lugar onde os sacerdotes exilados tinham escondido o fogo, aparecera uma água, com a qual os companheiros de Neemias purificaram as oferendas do sacrifício.
34. Confirmado o fato, o rei mandou cercar o lugar e o declarou sagrado.
35. Daí se tiravam muitos lucros, que eram repartidos entre os favorecidos do rei.
36. Os companheiros de Neemias deram então a esse líquido o nome de "neftar", que significa purificação. Muitos, porém, o chamam de "nafta".

[II Macabeus 2]II Macabeus 2



1. Nos documentos se lê que o profeta Jeremias mandou que os deportados levassem o fogo, conforme foi explicado acima.
2. Dando-lhes a Lei, Jeremias mandou que não esquecessem os mandamentos do Senhor, nem deixassem o próprio pensamento se desviar, ao verem as imagens de ouro ou de prata, ou seus enfeites.
3. Dizendo muitas coisas desse tipo, recomendou que não afastassem do coração a Lei.
4. Nesse documento também se encontra que o profeta, avisado por oráculo, mandou que a Tenda e a Arca o acompanhassem, quando ele foi à montanha, sobre a qual Moisés subiu para contemplar a herança de Deus.
5. Ao chegar, Jeremias encontrou uma espécie de gruta, onde colocou a Tenda, a Arca e o altar do incenso. Em seguida, tapou a entrada.
6. Mais tarde, alguns dos que tinham acompanhado Jeremias, foram até aí para indicar o caminho, mas não conseguiram encontrar a gruta.
7. Quando soube, Jeremias repreendeu-os dizendo: "O lugar ficará desconhecido, até que Deus se mostre misericordioso e reúna novamente toda a comunidade do povo.
8. Então o Senhor mostrará esses objetos. A glória do Senhor e a nuvem também vão aparecer, como apareceram no tempo de Moisés e quando Salomão pediu que Deus santificasse grandiosamente o lugar".
9. Contava-se que Salomão, com toda a sua sabedoria, ofereceu o sacrifício de consagração e inauguração do Templo.
10. Da mesma forma que Moisés rezou ao Senhor e desceu um fogo do céu para queimar o sacrifício, assim também Salomão rezou, e o fogo desceu do alto e queimou os holocaustos.
11. Moisés disse também: "O sacrifício oferecido pelo pecado foi devorado pelo fogo, porque não foi comido".
12. Da mesma forma, também Salomão ofereceu os oito dias de festa.
13. Além dessas coisas, também se conta, nos escritos e memórias de Neemias, como ele fundou uma biblioteca, e reuniu os Anais dos Reis, os escritos dos profetas e de Davi, e também as cartas dos reis sobre as oferendas consagradas.
14. Também Judas reuniu os escritos, que estavam espalhados por causa da guerra que sofremos. Agora está tudo conosco.
15. Se precisarem de alguma coisa, mandem alguém buscar.
16. Nós estamos escrevendo a vocês, porque queremos celebrar a purificação do Templo. Vocês farão bem se celebrarem esses dias.
17. Deus é quem salva todo o seu povo e dá a todos a herança, o reino, o sacerdócio e a santificação,
18. como ele mesmo prometeu através da Lei. Por isso, esperamos que Deus em breve tenha misericórdia de nós e nos reúna, de todas as partes da terra, no lugar santo. Ele nos livrou dos maiores males e purificou o lugar santo.

II. AVISO AO LEITOR
19. Vou falar sobre o que aconteceu com Judas Macabeu e seus irmãos, sobre a purificação do Templo grandioso e a consagração do altar.
20. Falarei também das guerras contra Antíoco Epífanes e seu filho Eupátor.
21. Contarei as aparições celestes que tiveram aqueles que corajosamente realizaram as maiores proezas em favor do judaísmo. Eles eram poucos, no entanto, conseguiram recuperar o país inteiro, perseguiram multidões de inimigos violentos,
22. retomaram o Templo, que é famoso no mundo inteiro, libertaram a cidade de Jerusalém e colocaram novamente em vigor as leis que estavam sendo abolidas. É que o Senhor, com toda a consideração, foi muito misericordioso para com eles.
23. Tudo isso é contado por Jasão de Cirene em cinco livros, mas nós tentaremos resumir tudo num livro só.
24. São muitos os números, e também a matéria é muito vasta. Por isso, quem deseja embrenhar-se numa narrativa desses fatos encontra dificuldades.
25. Nossa preocupação foi proporcionar prazer aos que buscam leitura agradável, facilitar o trabalho aos que a querem guardar na memória, e trazer enfim algum proveito para todos os que tiverem esta obra nas mãos.
26. A nós, porém, que nos dedicamos ao sacrifício de fazer este resumo, o trabalho não foi leve. Ao contrário, custou suores e noites em claro.
27. Não é fácil preparar um banquete; quem o faz, procura agradar a todos. Assim também, foi com prazer que nos dedicamos a essa tarefa, esperando o reconhecimento de grande número de pessoas.
28. Para o historiador deixamos o julgamento sobre cada pormenor. Nós nos demos a esse trabalho, buscando seguir as normas de resumo.
29. É como o construtor de casa nova, que zela pelo conjunto da estrutura, enquanto o encarregado da pintura e dos arremates procura cuidar do material certo para o acabamento. É esse, penso eu, o nosso caso.
30. Aprofundar e percorrer os fatos, discutindo os pormenores de cada parte, é coisa própria do historiador.
31. Quem faz resumo tem o direito de procurar a síntese de tudo o que se conta, deixando de lado o desenvolvimento de cada fato.
32. Agora, pois, vamos dar início à nossa narrativa, só ajuntando o seguinte ao que já foi dito: seria tolice a gente se prolongar em considerações sobre a narrativa, e depois resumir a própria narrativa.

[II Macabeus 3]III. DEUS IMPEDE A TRAIÇÃO



II Macabeus 3

1. A cidade santa vivia na mais completa paz, e os mandamentos eram observados da melhor maneira possível, por causa da santidade do sumo sacerdote Onias, e de sua firme oposição a tudo o que havia de mal.
2. Os próprios reis respeitavam o lugar santo, e homenageavam o Templo com os mais belos donativos.
3. Até Seleuco, rei da Ásia, com seus próprios recursos sustentava todas as despesas necessárias para as funções dos sacrifícios.
4. Um tal de Simão, porém, da tribo de Belga, e que era administrador do Templo, desentendeu-se com o sumo sacerdote a propósito da administração da cidade.
5. Como não foi capaz de derrotar Onias, ele foi então procurar Apolônio de Tarso que, nessa ocasião, era o comandante da Celessíria e da Fenícia.
6. Contou-lhe que o tesouro do Templo em Jerusalém estava cheio de riquezas, tantas que nem dava para falar, e que a quantidade de dinheiro era incalculável. Disse-lhe também que isso não era necessário para os sacrifícios e poderia muito bem cair em poder do rei.
7. Apolônio, ao ter uma audiência com o rei, contou-lhe tudo o que lhe tinha sido relatado. Então o rei destacou Heliodoro, encarregado da administração, e deu-lhe ordem para ir e retirar as tão faladas riquezas.
8. Heliodoro partiu imediatamente. Dava a entender que estava apenas percorrendo as cidades da Celessíria e da Fenícia, mas o que ia mesmo executar era a tarefa que o rei lhe tinha confiado.
9. Chegando a Jerusalém, foi recebido amigavelmente pelo sumo sacerdote da cidade. Falou a este da informação recebida, explicou o motivo de sua presença, e perguntou-lhe se as coisas eram realmente assim.
10. O sumo sacerdote, de sua parte, explicou que as coisas aí depositadas eram de viúvas e órfãos,
11. e que algumas coisas pertenciam a Hircano, filho de Tobias, homem poderoso e de alta posição. Diversamente do que estava sendo espalhado pelo irreverente Simão, disse também que havia um total de catorze toneladas de prata e sete de ouro.
12. Disse ainda ser inconcebível que se cometesse tal injustiça contra os que confiaram no lugar santo, na sagrada inviolabilidade do Templo, venerado no mundo inteiro.
13. Heliodoro, porém, seguindo as ordens recebidas do rei, afirmou resolutamente que tudo isso devia ser transferido para o tesouro real.
14. Marcou uma data e se apresentou para fazer um inventário das riquezas. Isso provocou enorme agitação em toda a cidade.
15. Os sacerdotes, com suas vestes sagradas e prostrados no chão diante do altar, invocavam o Céu, cuja lei tinha determinado esses donativos e segundo a qual se deviam conservar intatos os bens em favor daqueles que os tinham depositado.
16. Quem olhasse para o sumo sacerdote ficava de coração partido, pois o olhar e a palidez do seu rosto mostravam a agonia que lhe ia na alma.
17. Ele estava tomado de pavor, e o tremor do seu corpo mostrava a todos os que o viam o sofrimento que levava no coração.
18. Aos bandos, vinham as pessoas correndo de suas casas para as rogações públicas, por causa do ultraje que ameaçava o lugar santo.
19. Com saias de pano grosseiro, as mulheres se amontoavam pelas ruas. As moças, que costumavam ficar fechadas em casa, saíam para as portas de casa, ou subiam ao muro, ou se debruçavam na janela.
20. Todas, porém, erguiam as mãos para o céu e faziam suas preces.
21. Era comovente a apreensão do povo em geral e a ansiedade do sumo sacerdote, tomado de profunda angústia.
22. Pediam ao Senhor Todo-poderoso para guardar intatos e em segurança os depósitos em favor daqueles que os tinham depositado.
23. Heliodoro, porém, procurava executar o que havia decidido.
24. Acompanhado de seus guardas, Heliodoro já estava junto à sala do tesouro, quando o Senhor dos Espíritos e do Poder manifestou-se com tal esplendor, que todos os que se arriscaram a entrar aí, ficaram desfalecidos e em pânico, atingidos pela força de Deus.
25. Apareceu-lhes um cavalo ensilhado com belíssimo arreio e montado por terrível cavaleiro. Ele avançou bruscamente, e o cavalo começou a dar patadas em Heliodoro. O cavaleiro parecia ter armadura de ouro.
26. Apareceram também para Heliodoro outros dois jovens extraordinariamente fortes, muito belos e com roupas magníficas. Puseram-se aos lados de Heliodoro e começaram a chicoteá-lo, dando-lhe muitos golpes.
27. Heliodoro caiu logo no chão. Envolto em densa escuridão, tiveram de levantá-lo e colocá-lo na maca.
28. Foi assim que retiraram daí, inteiramente sem ação, aquele mesmo que tinha entrado até a sala do tesouro com todo o acompanhamento e toda a sua guarda pessoal. Foram obrigados a reconhecer que o poder de Deus se havia manifestado com toda a clareza.
29. Heliodoro, prostrado pelo poder de Deus, estava sem fala e sem qualquer esperança de salvação.
30. Enquanto isso os judeus davam louvores a Deus, que tinha glorificado o seu lugar santo. Até há pouco o Templo estava cheio de pavor e preocupação. Agora, por causa da manifestação do Senhor Todo-poderoso, estava repleto de alegria e ações de graças.
31. Alguns da comitiva de Heliodoro pediram que Onias invocasse o Altíssimo, suplicando pela vida de quem já estava, sem dúvida, agonizando.
32. Preocupado e com medo de que o rei fosse imaginar que os judeus tinham armado algum ato criminoso contra Heliodoro, o sumo sacerdote ofereceu um sacrifício pela saúde do homem.
33. No momento em que o sacerdote oferecia o sacrifício de expiação, os mesmos jovens apareceram de novo a Heliodoro, vestidos com o mesmo traje. De pé, eles lhe disseram: "Você deve agradecer muito ao sumo sacerdote Onias, porque é em consideração a ele que o Senhor lhe concede a vida.
34. Você foi chicoteado pelo Céu. Agora anuncie a todos o grandioso poder de Deus". E ao dizerem isso, desapareceram.
35. Heliodoro ofereceu um sacrifício ao Senhor, fez grandes promessas ao Deus que lhe devolvera a vida, despediu-se de Onias, e voltou com seu exército para junto do rei.
36. A todos ia dando testemunho das obras do Deus supremo, que ele tinha visto com os próprios olhos.
37. Quando o rei lhe perguntou quem seria a pessoa mais indicada para ser mandada outra vez a Jerusalém, ele respondeu:
38. "Se Vossa Majestade tem algum inimigo, alguém que se opõe aos seus atos de governo, mande-o para lá, e vai recebê-lo de volta devidamente castigado, caso consiga escapar. Naquele lugar existe realmente uma força divina.
39. Aquele que mora no céu é o guarda e protetor daquele lugar. Ele fere e mata quem se aproxima do Templo com más intenções".
40. Foi o que aconteceu com Heliodoro e com a conservação do tesouro do Templo.

[II Macabeus 4]II Macabeus 4


IV. PERSEGUIÇÃO E TESTEMUNHO

LUTA PELO PODER
1. O mesmo Simão, que foi traidor das riquezas e da pátria, começou a difamar Onias, como se fosse este quem tinha ferido e causado males a Heliodoro.
2. Ele teve coragem de chamar de agitador da ordem pública ao benfeitor da cidade, ao protetor da sua gente e fervoroso cumpridor das leis.
3. O clima de inimizade foi crescendo tanto, que alguns agentes de Simão acabaram cometendo assassínios.
4. Onias percebeu o perigo dessa rivalidade. Vendo que Apolônio, filho de Menesteu e comandante da Celessíria e da Fenícia apoiava as más intenções de Simão,
5. foi procurar o rei. Não foi denunciar cidadão nenhum, mas batalhar pelo bem comum e privado de todo o povo.
6. Ele percebeu que, se o rei não tomasse providência, seria impossível alcançar a paz na vida pública, e que Simão não pararia com suas loucuras.
7. Depois que Seleuco morreu, subiu ao trono o rei Antíoco, chamado Epífanes. Foi quando Jasão, irmão de Onias, conseguiu, com suborno, o cargo de sumo sacerdote.
8. Numa audiência com o rei, Jasão lhe prometeu treze toneladas de prata, mais três toneladas de outros rendimentos.
9. Além disso, daria mais cinco toneladas, se o rei lhe desse permissão para construir uma praça de esportes e uma escola para jovens, além de fazer o recenseamento dos cidadãos antioquenos em Jerusalém.
10. Com o consentimento do rei e após tomar posse do cargo, Jasão passou imediatamente a fazer os seus irmãos de raça adotarem o estilo de vida dos gregos.
11. Anulou os favores que o rei concedera aos judeus, graças à intervenção de João, pai de Eupolemo. Este Eupolemo é o mesmo que negociou o pacto de amizade e mútua defesa com os romanos. Jasão também aboliu as leis da constituição e procurava introduzir práticas contrárias à Lei.
12. Foi com satisfação que construiu uma praça de esportes abaixo da Acrópole, e levou os melhores jovens a usar o chapéu chamado pétaso.
13. Era o auge do helenismo, a exaltação do modo de viver dos estrangeiros. Tudo por causa da corrupção do ímpio e falso sumo sacerdote Jasão.
14. A coisa chegou a tal ponto, que os sacerdotes já não se interessavam pelas funções do altar. Deixavam de lado o Templo e, sem se preocupar com os sacrifícios, logo que era anunciado o lançamento de discos, corriam para a praça de esportes, a fim de participar dos jogos contrários à Lei.


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