Origem do mundo e da humanidade a criaçÃo gênesis 1 a humanidade, ponto alto da criaçÃO


Ninguém ligava mais para as tradições nacionais e achavam muito mais importantes as glórias gregas. 16



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15. Ninguém ligava mais para as tradições nacionais e achavam muito mais importantes as glórias gregas.
16. Por causa da própria cultura grega acabaram se colocando numa situação crítica: aqueles mesmos, cujos costumes eles procuravam promover e a quem procuravam em tudo se assemelhar, tornaram-se seus inimigos e carrascos.
17. Porque desrespeitar as leis divinas não é coisa sem importância, como se verá no episódio seguinte.
18. Realizavam-se em Tiro os jogos qüinqüenais, com a presença do rei.
19. O abominável Jasão mandou alguns espectadores antioquenos de Jerusalém, encarregando-os de levar trezentas moedas de prata para o sacrifício em honra de Hércules. Os encarregados, porém, acharam melhor não usar esse dinheiro para o sacrifício, coisa inconveniente, mas empregá-lo em outras despesas.
20. Assim, o dinheiro que fora enviado para o sacrifício em honra de Hércules, por iniciativa dos portadores, foi usado para a construção de navios a remo.
21. Quando Apolônio, filho de Menesteu, foi enviado ao Egito para a festa de casamento do rei Filométor, Antíoco soube que esse rei estava fazendo projetos contrários aos seus interesses. Por isso, ele passou por Jope e chegou a Jerusalém.
22. Aí foi recebido com toda a pompa por Jasão e pela cidade, à luz de tochas e sob aclamações. Em seguida, partiu com o seu exército para a Fenícia.
23. Três anos depois, Jasão mandou Menelau, irmão do já mencionado Simão, levar o dinheiro para o rei e apresentar o relatório sobre alguns assuntos importantes.
24. Menelau, porém, apresentou-se ao rei dando mostra de ser homem poderoso e, com adulações, conseguiu para si o posto de sumo sacerdote, oferecendo dez toneladas de prata a mais do que Jasão.
25. Depois de receber a nomeação do rei, ele voltou, sem levar consigo coisa alguma que fosse digna de sumo sacerdote. Pelo contrário, levava em si o furor de um tirano cruel e a fúria de animal selvagem.
26. E Jasão, que tinha suplantado seu próprio irmão, foi por sua vez suplantado por outro, e teve que fugir para a região dos amonitas.
27. Menelau assumiu o poder, mas não tomou qualquer providência com relação ao dinheiro que tinha prometido ao rei,
28. apesar das cobranças feitas por Sóstrato, comandante da Acrópole, a quem cabia a questão dos tributos. Por essa razão, os dois foram convocados pelo rei.
29. Menelau deixou seu irmão Lisímaco como substituto no sumo sacerdócio, enquanto Sóstrato deixou em seu lugar Crates, comandante dos soldados cipriotas.
30. Enquanto isso, as cidades de Tarso e de Malos estavam em plena rebelião, por terem sido dadas de presente a Antioquide, concubina do rei.
31. Então o rei partiu rapidamente com o intuito de normalizar a situação. No seu lugar, deixou Andrônico, um de seus altos ministros.
32. Achando que era boa oportunidade para tanto, Menelau tirou do Templo alguns objetos de ouro e os deu de presente a Andrônico. Além disso, vendeu outra parte em Tiro e nas cidades vizinhas.
33. Onias tinha se abrigado num lugar de refúgio em Dafne, perto de Antioquia. Ao saber com certeza do que Menelau tinha feito, Onias o desaprovou.
34. Por causa disso, Menelau sugeriu secretamente a Andrônico que desse fim a Onias. Então Andrônico procurou Onias e tentou convencê-lo com mentiras, dando-lhe até a mão direita como juramento. Embora Onias tivesse suspeitas, foi convencido por Andrônico a sair do refúgio. Este o matou imediatamente, sem respeito algum pela justiça.
35. Por isso, não somente os judeus, mas também muitos de outras nações ficaram indignados e condenaram totalmente o assassínio desse homem.
36. Quando o rei voltou dos citados lugares da Cilícia, os judeus da capital se reuniram em torno dele, junto com os gregos, para denunciar o crime cometido contra Onias.
37. Antíoco ficou profundamente amargurado e, tocado de compaixão, chorou por causa do equilíbrio e moderação do falecido.
38. Inflamado em ira, mandou imediatamente tirar de Andrônico o manto de púrpura, rasgar-lhe as roupas, conduzi-lo por toda a cidade, levá-lo para o mesmo local onde tinha cometido o crime contra Onias, e aí executar o assassino. O Senhor estava assim aplicando a Andrônico o merecido castigo.
39. Nesse meio tempo, muitos furtos de objetos sagrados foram cometidos por Lisímaco em Jerusalém, sob a conivência de Menelau. Quando a notícia se espalhou, muitos objetos de ouro já tinham sido desviados, e o povo se revoltou contra Lisímaco.
40. Realmente o povo estava revoltado e enfurecido. Então Lisímaco armou cerca de três mil homens e começou uma violenta repressão, dirigida por tal Aurano, homem avançado em idade e muito mais em loucura.
41. Quando perceberam o ataque de Lisímaco, alguns pegaram pedras, outros se armaram de porretes, outros ainda recolhiam punhados de terra do lugar e avançaram contra os homens de Lisímaco.
42. Dessa forma, feriram a muitos, mataram alguns e puseram todos a correr. Quanto ao ladrão dos objetos sagrados, conseguiram matá-lo ao lado da sala do tesouro.
43. A propósito desses fatos, foi aberto processo contra Menelau.
44. Quando o rei estava em Tiro, três emissários do conselho dos anciãos foram defender, junto ao rei, a causa do povo.
45. Menelau, sentindo-se perdido, prometeu grande soma de dinheiro a Ptolomeu, filho de Dorimeno, para que ele convencesse o rei a seu favor.
46. Ptolomeu levou o rei para a sacada, como se fosse para tomar um pouco de ar, e conseguiu fazê-lo mudar de idéia.
47. Foi assim que o rei absolveu Menelau, o causador de toda essa desgraça, e condenou à morte os três infelizes, que teriam sido absolvidos como inocentes, até diante de um tribunal bárbaro.
48. A injusta condenação foi imediatamente executada contra aqueles que estavam apenas defendendo a cidade, o povo e os objetos sagrados.
49. Por isso, alguns de Tiro, revoltados, providenciaram generosamente tudo o que era preciso para a sepultura deles.
50. Enquanto isso, Menelau, graças à ganância dos poderosos, continuou no poder, aumentando sempre mais a sua própria crueldade e tornando-se o maior inimigo dos seus compatriotas.

[II Macabeus 5]II Macabeus 5



MASSACRADO ENTRE DOIS DOMINADORES
1. Nesse tempo, Antíoco preparava sua segunda expedição contra o Egito.
2. Aconteceu então que, durante quase quarenta dias, começaram a aparecer no ar, pela cidade inteira, cavaleiros vestidos de ouro, armados de lanças, organizados em pelotões e empunhando espadas.
3. Viam-se brigadas de cavalaria em linha cerrada, ataques e contra-ataques de um lado e do outro, movimento de escudos, multidões de lanças, lançamento de projéteis, faiscar de adornos dourados e todo tipo de couraças.
4. Todos pediam para que essa aparição fosse de bom agouro.
5. Correu então um falso boato que Antíoco tinha morrido. Jasão reuniu mais de mil homens e atacou a cidade de surpresa. Ao serem derrotados aqueles que estavam na muralha e consumando-se a tomada da cidade, Menelau refugiou-se na Acrópole.
6. Enquanto isso, Jasão promovia impiedosamente a matança dos seus próprios concidadãos, sem compreender que uma vitória sobre seus irmãos era a sua maior derrota. Ele pensava estar triunfando sobre inimigos e não sobre compatriotas.
7. Contudo, não conseguiu tomar o poder. O resultado foi a humilhação que lhe veio por causa do seu motim, e teve de fugir novamente para a região dos amonitas.
8. Seu comportamento perverso teve triste fim: denunciado a Aretas, rei dos árabes, foi perseguido e teve de ficar fugindo de cidade em cidade, detestado por todos como traidor das suas leis, repelido como inimigo da própria nação e dos próprios compatriotas e, por isso, enxotado para o Egito.
9. Dessa forma, Jasão, que tinha exilado tantos de sua pátria, também foi morrer no exílio, já que se refugiou na terra dos lacedemônios, com a esperança de receber proteção devido aos laços de parentesco.
10. Ele que havia deixado muitos mortos sem sepultura, morreu sem que alguém chorasse por ele, não teve nenhum tipo de funeral, nem foi sepultado junto aos seus antepassados.
11. Quando chegou ao rei a notícia desses acontecimentos, ele pensou que a Judéia tivesse se revoltado. Voltando furioso do Egito, ocupou militarmente a cidade.
12. Mandou os soldados matar sem piedade quantos encontrassem, e trucidar os que procurassem refúgio nas casas.
13. Houve grande matança de jovens e velhos, massacre de homens, mulheres e crianças, carnificina de moças e bebês.
14. Em três dias, pereceram oitenta mil pessoas: quarenta mil foram assassinadas, e os vendidos como escravos não foram menos do que os mortos.
15. Não satisfeito com isso tudo, Antíoco ainda teve a ousadia de entrar no Templo mais sagrado do mundo, tendo por guia Menelau, traidor das leis e da pátria.
16. Com suas mãos impuras, Antíoco pegou as vasilhas sagradas e, com suas mãos sacrílegas, levou embora os donativos aí depositados por outros reis para engrandecimento, glória e honra do lugar santo.
17. Antíoco foi arrogante, sem perceber que o Senhor se havia irritado durante breve tempo, por causa dos pecados dos habitantes da cidade. Era por isso que o Senhor se descuidava do lugar santo.
18. De fato, se eles não se tivessem envolvido em tantos pecados, Antíoco seria imediatamente barrado no seu atrevimento a poder de chicotadas, logo que chegasse, como aconteceu com Heliodoro, enviado pelo rei Seleuco para fiscalizar o tesouro.
19. Contudo, o Senhor não escolheu o povo para o lugar santo, mas o lugar santo para o povo.
20. Por isso, é que o lugar santo, havendo participado das desgraças que ocorreram ao povo, depois participou também da felicidade dele. Ficou abandonado no momento de ira do Todo-poderoso, mas foi restaurado em toda a sua glória, quando o Senhor novamente se reconciliou.
21. Depois de ter roubado sessenta e duas toneladas de ouro do Templo, Antíoco voltou imediatamente para Antioquia. Em seu orgulho e insolência, ele acreditava que poderia navegar em terra firme e andar a pé dentro do mar.
22. No entanto, ele deixou alguns superintendentes, para continuarem a maltratar o povo. Em Jerusalém colocou Filipe, de origem frígia, de caráter mais bárbaro do que aquele que o havia nomeado para o cargo.
23. No Garizim, deixou Andrônico. Além desses, deixou também Menelau, que era pior que os outros na opressão contra seus próprios compatriotas. Cheio de ódio profundo contra os cidadãos judeus,
24. o rei enviou o comandante Apolônio com vinte e dois mil soldados e com ordens para matar todos os adultos e vender as mulheres e os mais jovens.
25. Ao chegar a Jerusalém, Apolônio, simulando atitude pacífica, aguardou o dia santificado do sábado. Surpreendeu os judeus em repouso, mandando os soldados fazer um desfile militar.
26. Ordenou então que matassem todos os que saíam para ver o desfile. Depois, percorrendo a cidade com armas, provocou terrível massacre.
27. Então Judas, chamado Macabeu, reuniu cerca de dez homens, retirou-se para o deserto e, como os animais selvagens, passou a viver nas montanhas com os seus companheiros. Para não se contaminarem com alimentos impuros, comiam ervas apenas.

[II Macabeus 6]II Macabeus 6



PROFANAÇÃO DA ALMA DE UM POVO
1. Não muito tempo depois, o rei mandou um ancião ateniense convencer os judeus a que abandonassem as leis dos antepassados e deixassem de se governar segundo as leis de Deus.
2. Mandou também profanar o Templo de Jerusalém e dedicá-lo a Júpiter Olímpico, e também a Júpiter Hospitaleiro, dedicar o templo do monte Garizim, conforme o desejo dos moradores do lugar.
3. Até para a massa do povo, era difícil e insuportável o crescimento dessa maldade.
4. De fato, o Templo ficou cheio de libertinagem e orgias de pagãos, que aí se divertiam com prostitutas e mantinham relações com mulheres no recinto sagrado do Templo, além de levarem para dentro objetos proibidos.
5. O próprio altar estava repleto de ofertas proibidas pela Lei.
6. Não se podia celebrar o sábado, nem as festas tradicionais, nem mesmo se declarar judeu.
7. Todo mês eram forçados a participar do banquete sacrifical, que se realizava no dia do aniversário do rei. Quando chegavam as festas de Dionísio, eram obrigados a participar da procissão em honra a Dionísio, com ramos de hera na cabeça.
8. Por sugestão dos habitantes de Ptolemaida, foi decretado que as cidades gregas vizinhas também seguissem as mesmas disposições contra os judeus, obrigando-os a comer a carne dos sacrifícios,
9. e matassem os que não quisessem aceitar os costumes gregos. Podia-se perceber a calamidade que estava para chegar.
10. Duas mulheres foram presas por terem circuncidado seus filhos. Depois de fazê-las percorrer publicamente a cidade com os filhos pendurados ao seio, as jogaram muralha abaixo.
11. Outros, que tinham saído juntos para os arredores da cidade, para as cavernas, a fim de aí celebrar às escondidas o sábado, após serem denunciados a Filipe, foram queimados juntos, pois ficaram com escrúpulo de reagir, por respeito à santidade do dia.

A PERSEGUIÇÃO É OPORTUNIDADE PARA A CONVERSÃO
12. Recomendo àqueles que lerem este livro, que não fiquem perturbados por causa de tais calamidades. Ao contrário, pensem que esses castigos não vieram para destruir, mas apenas para corrigir a nossa gente.
13. É sinal de grande bondade não deixar por muito tempo sem castigo aqueles que cometem injustiça, mas aplicar-lhes logo a merecida punição.
14. O Senhor não age conosco como faz com os outros povos, esperando pacientemente o tempo de castigá-los, até que os pecados deles cheguem ao máximo. Ele quis agir dessa forma conosco,
15. para não chegarmos primeiro ao extremo dos nossos pecados, e só então nos castigar.
16. Significa que ele nunca retira de nós a sua misericórdia. Mesmo quando nos corrige com desgraças, não está abandonando o seu povo.
17. O que acabamos de dizer fique apenas como aviso. Agora vamos passar logo para a narrativa.

É MELHOR MORRER DO QUE TRAIR AS PRÓPRIAS CONVICÇÕES
18. Eleazar era um dos principais doutores da Lei, homem de idade avançada, mas com rosto de traços ainda belos. Queriam obrigá-lo a comer carne de porco, enfiando-a boca adentro.
19. Ele, porém, que preferia morte honrada a viver envergonhado, dirigiu-se espontaneamente para a tortura do tímpano,
20. tendo antes cuspido fora o que lhe estava na boca. Assim é que devem fazer os que corajosamente querem resistir ao que não é permitido comer, nem mesmo por amor à própria vida.
21. Os que dirigiam esse sacrifício proibido, velhos amigos de Eleazar, o chamaram de lado e lhe propuseram que pegasse carne permitida, por ele mesmo preparada, fingindo que comia a carne do sacrifício ordenado pelo rei.
22. Se ele assim fizesse, estaria livre da morte e, pela antiga amizade que havia entre eles, o tratariam com benevolência.
23. Ele, porém, tomou uma nobre decisão, coerente com a sua idade e com o respeito da velhice, coerente com a dignidade dos seus cabelos brancos e com a vida correta que levava desde a infância; acima de tudo, coerente com as santas leis dadas pelo próprio Deus. Ele respondeu prontamente: "Podem mandar-me para a mansão dos mortos.
24. Em minha idade não fica bem fingir, senão muitos dos mais moços pensarão que um velho de noventa anos chamado Eleazar passou para os costumes estrangeiros.
25. Com o seu fingimento, por causa de um pequeno resto de vida, eles seriam enganados, e eu só ganharia mancha e desprezo para a minha velhice.
26. Ainda que no presente eu me livrasse do castigo humano, nem vivo nem morto conseguiria escapar das mãos do Todo-poderoso.
27. É por isso que, se eu passar corajosamente para a outra vida, me mostrarei digno da minha idade.
28. Para os mais moços posso deixar um exemplo honrado, mostrando como se deve morrer corajosa e dignamente pelas veneráveis e santas leis". Dito isso, foi imediatamente para o suplício.
29. Os seus torturadores, que pouco antes queriam ser amáveis com ele, então se tornaram cruéis por causa do que ele dissera, ao considerar tudo aquilo uma loucura.
30. Já quase morto, em meio às torturas, Eleazar ainda falou entre gemidos: "O Senhor, que possui a santa sabedoria, sabe que eu, podendo escapar da morte, suporto em meu corpo as dores cruéis da tortura, mas em minha alma estou alegre, porque sofro por causa do temor a ele".
31. E assim terminou sua vida. Sua morte deixou, não só para os jovens, mas também para todo o restante do povo, exemplo memorável de heroísmo e virtude.

[II Macabeus 7]II Macabeus 7



O TESTEMUNHO DOS MÁRTIRES
1. Aconteceu também que sete irmãos foram presos junto com sua mãe. Espancando-os com relhos e chicotes, o rei pretendia obrigá-los a comer carne de porco, que era proibida.
2. Um deles, falando em nome dos outros, disse: "O que você quer perguntar ou saber de nós? Estamos prontos a morrer, antes que desobedecer às leis de nossos antepassados".
3. Enfurecido, o rei mandou esquentar assadeiras e caldeirões.
4. Logo que ficaram quentes, mandou cortar a língua, arrancar o couro cabeludo e decepar as extremidades daquele que tinha falado pelos outros, e tudo diante dos irmãos e da mãe.
5. Já mutilado de todos os membros e enquanto ainda vivia, o rei mandou que o pusessem no fogo para assar. Da assadeira subia grande volume de fumaça. E os seus irmãos com a mãe se animavam entre si para enfrentarem corajosamente a morte, dizendo:
6. "O Senhor Deus nos observa e certamente terá compaixão de nós, conforme afirmou claramente Moisés no seu cântico: 'Ele terá compaixão de seus servos' ".
7. Depois que o primeiro morreu, levaram o segundo para a tortura. Após lhe arrancarem o couro cabeludo, perguntaram: "Você gostaria de comer, antes que seu corpo seja torturado membro por membro?"
8. Ele, porém, respondeu na sua língua materna: "Não". Por isso, foi submetido às mesmas torturas do primeiro.
9. Antes de dar o último suspiro, ainda falou: "Você, bandido, nos tira desta vida presente, mas o rei do mundo nos fará ressuscitar para uma ressurreição eterna de vida, a nós que agora morremos pelas leis dele".
10. Depois desse, também o terceiro foi levado para a tortura. Intimado, colocou imediatamente a língua para fora e apresentou corajosamente as mãos,
11. dizendo com dignidade: "De Deus eu recebi esses membros, e agora, por causa das leis dele, eu os desprezo, pois espero que ele os devolva para mim".
12. O rei e aqueles que o rodeavam ficaram admirados da coragem com que o rapaz enfrentava os sofrimentos, como se nada fossem.
13. Logo que esse morreu, começaram a torturar da mesma forma o quarto irmão.
14. Estando para morrer, ele falou: "Vale a pena morrer pela mão dos homens, quando se espera que o próprio Deus nos ressuscite. Para você, porém, não haverá ressurreição para a vida".
15. Imediatamente apresentaram o quinto e passaram a torturá-lo.
16. Olhando bem para o rei, ele afirmou: "Mesmo sendo simples mortal, você faz o que quer, porque tem poder sobre os homens. Mas não pense que o nosso povo foi abandonado por Deus.
17. Espere um pouco, e verá como o grande poder dele vai torturar você e sua descendência".
18. Depois desse, trouxeram também o sexto. Quando estava morrendo, ele ainda falou: "Não se iluda! Nós estamos sofrendo tudo isso por nossa culpa, porque pecamos contra o nosso Deus. Por isso nos acontecem essas coisas espantosas.
19. Quanto a você, que se atreveu a lutar contra Deus, não pense que ficará sem castigo".
20. Extraordinariamente admirável, porém, e digna da mais respeitável lembrança, foi a mãe. Ela, vendo morrer seus sete filhos num só dia, suportou tudo corajosamente, esperando no Senhor.
21. Ela encorajava cada um dos filhos, na língua dos seus antepassados. Com atitude nobre, e animando sua ternura feminina com força viril, assim falava com os filhos:
22. "Não sei como vocês apareceram no meu ventre. Não fui eu que dei a vocês o espírito e a vida, nem fui eu que dei forma aos membros de cada um de vocês.
23. Foi o Criador do mundo, que modela a humanidade e determina a origem de tudo. Ele, na sua misericórdia, lhes devolverá o espírito e a vida, se vocês agora se sacrificarem pelas leis dele".
24. Antíoco pensou que a mulher o enganava e desconfiou que ela o estava insultando. Restava, porém, o filho mais novo. E o rei tentava convencê-lo, e até lhe garantiu, sob juramento, que, se renegasse as tradições dos antepassados, ele o tornaria rico e feliz, o teria como amigo e lhe daria cargos importantes.
25. Entretanto, o menino não lhe deu a menor atenção. Por isso, o rei chamou a mãe e pedia que ela aconselhasse o menino para o próprio bem dele.
26. Depois de muita insistência do rei, ela aceitou falar com o filho.
27. Abaixou-se e, enganando esse rei cruel, usou a língua dos antepassados e falou assim: "Meu filho, tenha dó de mim. Eu carreguei você no meu ventre durante nove meses. Eu amamentei você por três anos. Eduquei, criei e tratei você até esta idade!
28. Meu filho, eu lhe imploro: olhe o céu e a terra, e observe tudo o que neles existe. Deus criou tudo isso do nada, e a humanidade teve a mesma origem.
29. Não fique com medo desse carrasco. Ao contrário, seja digno de seus irmãos e enfrente a morte. Desse modo, eu recuperarei você junto com seus irmãos, no tempo da misericórdia".
30. Apenas ela acabou de falar, o rapazinho disse: "O que vocês estão esperando? Eu não obedeço às ordens do rei. Obedeço às determinações da Lei que foi dada a nossos antepassados através de Moisés.
31. Quanto a você, que está procurando fazer tudo o que há de mau aos hebreus, você não vai conseguir escapar das mãos de Deus.
32. Nós estamos sofrendo por causa de nossos pecados.
33. Por um pouco de tempo, o Senhor vivo está irado conosco e nos castiga e nos corrige, mas ele voltará a se reconciliar com os seus servos.
34. Quanto a você, ímpio e pior criminoso do mundo, não fique se exaltando à-toa ou gritando esperanças que não têm fundamento, enquanto ergue as mãos contra os servos do Céu.
35. Você ainda não escapou do julgamento do Deus todo-poderoso, que tudo vê.
36. Depois de suportar um sofrimento passageiro, os meus irmãos já estão participando da vida eterna, na aliança com Deus. Em troca, no julgamento de Deus, você receberá o castigo justo por sua soberba.
37. Quanto a mim, da mesma forma que meus irmãos, entrego o meu corpo e a minha vida em favor das leis de meus antepassados, suplicando que Deus se compadeça logo do meu povo. Enquanto isso, você, à custa de castigos e flagelos, terá de reconhecer que ele é o único Deus.
38. Suplico que a ira do Todo-poderoso, que se abateu com toda a justiça contra o seu povo, se detenha em mim e em meus irmãos".
39. O rei, sentindo-se envenenado pelo sarcasmo, ficou furioso, e tratou o menino com crueldade ainda mais feroz do que fizera com os outros.



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