Origem do mundo e da humanidade a criaçÃo gênesis 1 a humanidade, ponto alto da criaçÃO


E o menino morreu sem mancha, confiando totalmente no Senhor. 41



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40. E o menino morreu sem mancha, confiando totalmente no Senhor.
41. A mãe morreu por último, depois dos filhos.
42. Por ora, basta o que contei sobre as refeições sacrificais e as incríveis crueldades.

[II Macabeus 8]V. VITÓRIA SOBRE O OPRESSOR



II Macabeus 8

ORGANIZANDO A LUTA
1. Nesse meio tempo, Judas, chamado Macabeu, com seus companheiros, se infiltravam nas aldeias. Convocando os compatriotas e recrutando os que continuavam fiéis ao judaísmo, reuniram cerca de seis mil pessoas.
2. Suplicaram ao Senhor que olhasse para o povo, pisoteado por todos, e tivesse compaixão do Templo, profanado por ímpios;
3. que tivesse misericórdia da cidade de Jerusalém já destruída e em vias de ser nivelada ao solo; que escutasse o clamor do sangue que subia até ele;
4. que se lembrasse do criminoso massacre de crianças inocentes e das blasfêmias contra o seu Nome, e pusesse em ação a sua vingança.
5. Quando conseguiu organizar o pessoal, o Macabeu tornou-se invencível para os pagãos. Dessa forma, a ira do Senhor transformou-se em misericórdia.
6. Judas chegava de surpresa e incendiava cidades e povoados, tomava os pontos estratégicos e afugentava muitos inimigos.
7. Para esses ataques, escolhia de preferência a noite como sua aliada. E a fama de sua valentia se espalhava por toda a parte.

DEUS SE ALIA À LUTA DO POVO
8. Quando viu que Judas ia pouco a pouco chegando ao sucesso, e subindo firmemente de vitória em vitória, Filipe escreveu a Ptolomeu, comandante da Celessíria e da Fenícia, pedindo que fosse socorrer os interesses do rei.
9. Ele imediatamente escolheu Nicanor, filho de Pátroclo, um dos principais amigos do rei, e colocou sob o comando dele mais de vinte mil homens pagãos de todas as nações, com ordem de liquidar com a raça dos judeus. Junto com ele, mandou o comandante Górgias, homem experiente em questões de guerra.
10. Nicanor planejou vender escravos judeus, para levantar a quantia de setenta toneladas de prata para o tributo que o rei devia aos romanos.
11. Por isso, antes de mais nada, mandou alguém às cidades do litoral oferecer escravos judeus, propondo o preço de noventa escravos por trinta e cinco quilos de prata. Ele não imaginava o castigo que o Todo-poderoso lhe reservava.
12. A notícia da vinda de Nicanor chegou até Judas, que preveniu os companheiros sobre a aproximação do inimigo.
13. Os medrosos e aqueles que não confiavam na justiça de Deus abandonavam suas posições e fugiam para se salvar.
14. Os outros venderam tudo o que possuíam, e juntos suplicaram ao Senhor que os libertasse, pois já tinham sido vendidos como escravos pelo ímpio Nicanor.
15. Pediam que Deus os atendesse, se não por causa deles próprios, pelo menos em vista da aliança feita com os seus antepassados e também por causa do próprio Nome sagrado e grandioso que estava sendo invocado.
16. O Macabeu reuniu os seus companheiros em número de seis mil. Procurou animá-los, dizendo para não se apavorarem, nem se sentirem inferiorizados pela grande quantidade de pagãos que vinham fazer guerra injusta contra eles, mas que lutassem com bravura.
17. Que tivessem diante dos olhos o desrespeito criminoso com que os inimigos trataram o nosso lugar santo, a vergonha da cidade humilhada e também a abolição das tradições dos nossos antepassados.
18. Judas falou: "Os inimigos confiam nas armas e nos seus atos de bravura. Nós, porém, confiamos no Deus Todo-poderoso. Ele, com um simples gesto, é capaz de derrubar nossos inimigos e até o mundo inteiro".
19. Lembrou-lhes também o socorro que tinha vindo de Deus para os antepassados, como no caso de Senaquerib, quando morreram cento e oitenta e cinco mil.
20. Lembrou-lhes também a batalha contra os gálatas na Babilônia, quando todos os que estavam em combate eram oito mil, além de quatro mil macedônios. Como os macedônios estivessem em dificuldade, os oito mil mataram cento e vinte mil com a ajuda que lhes veio do céu, e ainda recolheram muitos despojos.
21. Depois de encorajá-los com essas palavras e tornando-os prontos para morrer pelas leis e pela pátria, Judas repartiu o exército em quatro divisões aproximadamente iguais.
22. Como comandantes de cada uma das divisões nomeou seus irmãos Simão, José e Jônatas, ficando cada um com cerca de mil e quinhentos homens,
23. e também Eleazar. Lido o livro sagrado e dada a palavra de ordem: "Ajuda de Deus", Judas partiu contra Nicanor, comandando a primeira divisão.
24. Como o Todo-poderoso se tornou seu aliado, eles liquidaram mais de nove mil, enquanto feriram e mutilaram mais da metade do exército de Nicanor, obrigando todos os outros a fugir.
25. Tomaram o dinheiro dos que tinham vindo com a intenção de comprá-los. Perseguiram os fugitivos por longo tempo, mas desistiram por estar ficando tarde,
26. pois era véspera de sábado. Por isso, não continuaram a persegui-los.
27. Após terem tomado as armas deles e despojado os cadáveres dos inimigos, celebraram o sábado de maneira extraordinária, louvando e agradecendo ao Senhor que nesse dia os libertou, marcando assim o início da sua misericórdia para com eles.
28. Passado o sábado, repartiram os despojos dos inimigos entre os mutilados, viúvas e órfãos. Repartiram entre si e seus filhos tudo o que sobrou.
29. Depois disso, fizeram uma súplica coletiva, pedindo ao Senhor misericordioso que se reconciliasse totalmente com seus servos.
30. Em seguida, atacaram o pessoal de Timóteo e de Báquides. Mataram mais de vinte mil deles e, com muita facilidade, tomaram algumas fortalezas em pontos elevados. Dividiram então muitos despojos em partes iguais, entre si e com os mutilados, órfãos,

viúvas e velhos.


31. Recolheram cuidadosamente as armas dos inimigos, colocaram todas em lugares convenientes e levaram para Jerusalém o resto dos despojos que tinham recolhido.
32. Conseguiram matar o comandante da guarda pessoal de Timóteo, homem sangüinário que tinha feito os judeus sofrerem muito.
33. Quando estavam celebrando na pátria a festa da vitória, queimaram vivos aqueles que tinham incendiado os portais sagrados e também o tal de Calístenes, que se havia refugiado numa casa. Assim eles receberam o castigo merecido pela profanação que tinham cometido.
34. O bandido Nicanor, que tinha trazido mil negociantes para a venda de judeus,
35. foi humilhado, com a ajuda do Senhor, por aqueles mesmos que ele considerava os últimos. Teve que abandonar suas roupas suntuosas, e fugiu pelo campo como escravo, chegando a Antioquia sem nada, em situação mais feliz que o seu exército derrotado.
36. Assim, aquele que se havia responsabilizado em saldar o tributo devido aos romanos, mediante a venda de prisioneiros de Jerusalém, passou a proclamar que os judeus têm um Defensor e que, por essa razão, são invulneráveis, porque seguem as leis determinadas por ele.

[II Macabeus 9]II Macabeus 9



O FIM DO OPRESSOR
1. Por essa mesma ocasião, Antíoco foi forçado a voltar desordenadamente das regiões da Pérsia.
2. Entrou em Persépolis, tentou despojar o templo e tomar a cidade. Diante disso, o povo se revoltou e recorreu às armas. Foi quando Antíoco, derrotado e perseguido pelos habitantes, teve que bater em vergonhosa retirada.
3. Quando estava perto de Ecbátana, chegou-lhe a notícia do que tinha acontecido a Nicanor e ao pessoal de Timóteo.
4. Então, furioso, pensava em cobrar dos judeus a injúria sofrida diante daqueles que o tinham posto em fuga. Por isso, mandou seu cocheiro tocar a carruagem, seguindo em frente sem parar. Entretanto, o julgamento do céu já o estava alcançando. De fato, na sua arrogância, ele tinha dito: "Vou transformar Jerusalém num cemitério de judeus. Basta eu chegar lá!"
5. O Senhor Deus de Israel, porém, que tudo vê, mandou-lhe uma doença incurável e invisível. Pois logo que acabou de dizer essas palavras, lhe veio uma forte dor de barriga, uma terrível cólica de intestinos.
6. Era uma coisa justa, porque ele havia torturado as entranhas de outros com muitas e refinadas torturas.
7. Nem assim diminuiu a sua arrogância. Ao contrário, ficou ainda mais exaltado e, furioso de raiva contra os judeus, mandou tocar mais depressa. Aconteceu então cair da carruagem que corria precipitadamente e, por causa da queda violenta, todos os seus membros se quebraram.
8. Aquele que, pouco antes, com insolência até desumana, se achava com poderes de dar ordens para as ondas do mar, e que se imaginava pesando em balança as altas montanhas, ficou estendido no chão, e teve de ser carregado numa padiola. Assim, para todos ele dava mostras evidentes do poder de Deus.
9. A coisa foi tal, que do corpo desse renegado brotavam vermes. Ainda vivo, em meio a sofrimentos e dores, suas carnes se soltavam do corpo. Por todo o acampamento não se agüentava o mau cheiro da sua podridão.
10. Aquele que pouco antes parecia capaz de tocar as estrelas do céu, agora ninguém era capaz de o carregar, por causa do mau cheiro insuportável.
11. Em tal situação, prostrado por sua doença, Antíoco começou a ceder em sua arrogância. Atormentado cada vez mais pelas dores, chegou a reconhecer o castigo divino,
12. e já não podendo suportar seu próprio cheiro, disse: "É justo que o mortal se submeta a Deus e não queira igualar-se à divindade".
13. Mas esse criminoso rezava ao Soberano, que já não se compadecia dele. Então jurou
14. que proclamaria livre a cidade santa, contra a qual antes caminhava apressadamente, a fim de arrasá-la e transformá-la em cemitério.
15. Jurou que daria os mesmos direitos dos atenienses a todos os judeus, sobre quem havia decretado que não mereciam sepultura, mas que fossem jogados com seus filhos para servir de comida às feras e aves de rapina.
16. Jurou que enfeitaria, com os mais belos donativos, o Templo santo, que ele mesmo tinha despojado. Jurou que devolveria, em número maior, todos os objetos sagrados. Jurou que manteria, com suas rendas pessoais, todas as despesas necessárias para os sacrifícios.
17. Além de tudo isso, jurou que se tornaria judeu e percorreria todos os lugares habitados do mundo, anunciando o poder de Deus.
18. Como as dores não passassem, pois a justa condenação de Deus o tinha atingido, e perdendo as esperanças de cura, Antíoco escreveu aos judeus, em tom de súplica, a seguinte carta:
19. "Aos ilustríssimos cidadãos judeus. O rei e governador Antíoco lhes manda muitas saudações e deseja saúde e bem-estar.
20. Espero, graças ao Céu, que vocês e seus filhos estejam bem, e seus negócios corram segundo seus desejos.
21. Lembro com carinho o respeito e os bons sentimentos de vocês. Ao voltar da Pérsia, contraí uma grave doença e julguei necessário pensar na segurança pública.
22. No meu caso, não perdi a esperança. Ao contrário, espero escapar dessa doença.
23. Eu me lembro que meu pai, toda vez que partia em campanha para a região do planalto, indicava o seu futuro sucessor.
24. Desse modo, se acontecesse algo inesperado ou se chegasse alguma notícia má, o pessoal que estava no país não iria agitar-se, pois já saberia a quem fora confiado o governo.
25. Além disso, considerando que os soberanos próximos e vizinhos do nosso reino estão à espera de uma oportunidade e observando o que acontece, nomeio como rei o meu filho Antíoco. É ele que tantas vezes tenho recomendado a muitos de vocês, ao me ausentar para as províncias do norte. A ele escrevi a carta que segue abaixo.
26. Assim, pois, eu os exorto e lhes peço que conservem para com o meu filho a mesma boa vontade demonstrada para comigo, lembrados de tudo de bom que fiz por vocês, seja em comum para todos, seja em particular para cada um.
27. Estou plenamente convencido de que meu filho, seguindo a minha decisão, os tratará com muita compreensão e cordialidade".
28. E assim, esse assassino e blasfemo, entre dores atrozes, morreu nas montanhas, em terra estrangeira. Seu final foi desastroso, da mesma forma como ele havia tratado a outros.
29. Filipe, seu companheiro de infância, transportou seus restos. Mas, com medo do filho de Antíoco, Filipe foi para o Egito, para junto de Ptolomeu Filométor.

[II Macabeus 10]II Macabeus 10



COMEMORAÇÃO DA VITÓRIA
1. O Macabeu com seus companheiros, guiados pelo Senhor, reconquistaram o Templo e a cidade de Jerusalém.
2. Demoliram os altares construídos pelos estrangeiros na praça pública e seus templos.
3. Depois de purificar o santuário, construíram novo altar para os holocaustos. Tiraram fogo das pedras e ofereceram sacrifícios, após uma interrupção de dois anos. Acenderam também o fogo do altar de incenso e as lâmpadas, e apresentaram os pães.
4. Em seguida se prostraram por terra e suplicaram ao Senhor que nunca mais os deixasse cair em tais desgraças. Caso voltassem a pecar, que ele os corrigisse com moderação, sem que fossem entregues em mãos de bárbaros e blasfemadores.
5. A purificação do Templo aconteceu na mesma data em que tinha sido profanado pelos estrangeiros, isto é, no dia vinte e cinco do mês de Casleu.
6. Durante oito dias, fizeram uma comemoração semelhante à das Tendas, para lembrar que pouco tempo antes, durante a festa das Tendas, eles tiveram de andar pelos montes e cavernas, vivendo como animais selvagens.
7. Por isso, carregando folhagens, ramos novos e folhas de palmeira, cantaram hinos ao Deus que lhes tinha dado a graça de purificar o seu lugar sagrado.
8. Na ocasião, editaram um decreto público, confirmado por votação e aprovação geral, mandando que todo o povo judeu celebrasse essa data todos os anos.

VI. AMPLIANDO AS FRONTEIRAS

A LUTA CONTINUA
9. Esse foi o fim de Antíoco, chamado Epífanes.
10. Vamos relatar agora os fatos ligados a Antíoco Eupátor, filho desse ímpio, procurando resumir os males causados pelas guerras.
11. Logo que tomou posse do reino, Eupátor nomeou como encarregado da administração um tal de Lísias, até então governador e comandante da Celessíria e da Fenícia.
12. Entretanto, Ptolomeu, chamado Macron, que tinha tomado a iniciativa de tratar com justiça os judeus, a fim de reparar a injustiça contra eles cometida, projetava conduzir tranqüilamente todos os assuntos que se referiam a eles.
13. Por isso, Ptolomeu foi acusado diante de Eupátor pelos amigos deste rei. Ele era a todo momento chamado de traidor, por ter abandonado Chipre, que lhe fora confiada por Filométor, e por ter passado para o lado de Epífanes. Não conseguindo exercer o poder com toda a dignidade, ele se suicidou, tomando veneno.

O PERIGO DA CORRUPÇÃO
14. Nesse meio tempo, Górgias tornou-se comandante dessas regiões. Ele mantinha um exército mercenário e estava continuamente provocando guerras contra os judeus.
15. Da mesma forma os idumeus, que ocupavam fortalezas bem situadas, viviam provocando os judeus, e atiçavam o clima de guerra, acolhendo refugiados de Jerusalém.
16. Os companheiros do Macabeu, depois de fazer preces públicas e suplicar a Deus que se aliasse a eles, atacaram as fortalezas dos idumeus.
17. Assaltaram vigorosamente as fortalezas e conseguiram tomar essas posições, vencendo os inimigos que lutavam de cima da muralha. Mataram a quantos estavam sob seu alcance e eliminaram pelo menos vinte mil.
18. Entretanto, pelo menos nove mil conseguiram escapar para duas torres solidamente fortificadas e que tinham tudo para agüentar cerco prolongado.
19. O Macabeu deixou aí Simão e José, e também Zaqueu com seus companheiros, o suficiente para manter o cerco, enquanto ele foi para outros lugares, onde sua presença era mais necessária.
20. Os companheiros de Simão, porém, cheios de ganância por dinheiro, foram subornados por alguns que estavam nas torres: receberam setenta mil dracmas e os deixaram fugir.
21. Denunciaram ao Macabeu o que tinha acontecido. Então ele reuniu os chefes do exército e os acusou de ter vendido seus irmãos por dinheiro, deixando sair livres os inimigos que combatiam contra eles.
22. Mandou matar os traidores e, sem mais, ocupou as duas torres.
23. O Macabeu tinha sucesso em todas as lutas armadas, e só nessas duas fortalezas eliminou mais de vinte mil homens.

DEUS ESTÁ PRESENTE NA LUTA
24. Já antes derrotado pelos judeus, Timóteo reuniu numeroso e variado exército estrangeiro, recrutou numerosa cavalaria da Ásia e apareceu para ocupar militarmente a Judéia.
25. Os companheiros do Macabeu se reuniram com ele para rezar a Deus. Cobriram de pó a cabeça, vestiram-se com panos de saco
26. e, prostrados no degrau que fica em frente do altar, suplicaram que Deus fosse favorável a eles, que se tornasse inimigo de seus inimigos e adversário de seus adversários, como a Lei diz claramente.
27. Terminada a oração, pegaram em armas e se afastaram bastante da cidade. Entretanto, ao chegarem perto dos que vinham combater contra eles, pararam.
28. Mal raiou a madrugada, uns e outros se lançaram à luta. Uns, além da boa disposição, tinham como garantia de êxito e de vitória a proteção do Senhor. Os outros lutaram guiados pelo seu próprio furor.
29. No auge do combate, os inimigos viram no céu cinco homens resplandecentes, montados em cavalos com rédeas de ouro e que se puseram como comandantes dos judeus.
30. Colocaram o Macabeu no meio deles e o protegeram com seus escudos, tornando-o invulnerável, enquanto atiravam setas e raios contra os adversários. Desorientados por não poderem enxergar, os inimigos dos judeus se dispersaram totalmente confusos.
31. Dessa forma, foram eliminados vinte mil e quinhentos homens, além de seiscentos cavaleiros.
32. Timóteo, porém, conseguiu refugiar-se na fortaleza chamada Gazara, que era muito bem fortificada e cujo comandante era Quéreas.
33. Os companheiros do Macabeu, cheios de entusiasmo, cercaram a fortaleza durante quatro dias.
34. Os que estavam dentro, confiando na segurança que o lugar oferecia, multiplicavam as blasfêmias, dizendo palavras ímpias.
35. Ao amanhecer do quinto dia, porém, vinte jovens dos companheiros do Macabeu, inflamados por causa dessas blasfêmias e cheios de coragem, atacaram a muralha e, com furor selvagem, matavam quem chegasse ao seu alcance.
36. Os demais subiram por outro lado, e, surpreendendo os de dentro, incendiaram as torres, provocando fogueiras e queimando vivos os que blasfemavam. Enquanto isso, os primeiros arrebentaram as portas, abrindo caminho para o restante do exército. E conquistaram então a fortaleza.
37. Mataram a Timóteo, que se havia escondido numa cisterna, e também seu irmão Quéreas e Apolófanes.
38. Depois de tudo isso, com hinos e ação de graças louvaram ao Senhor, que tinha feito tão grande benefício em favor de Israel, concedendo a eles essa vitória.

[II Macabeus 11]II Macabeus 11



AMBIGÜIDADE DOS ACORDOS
1. Pouco tempo depois, Lísias, tutor e parente do rei, além de encarregado dos negócios, não suportou o que tinha acontecido.
2. Reuniu oitenta mil soldados com toda a cavalaria, e partiu para enfrentar os judeus. Sua intenção era transformar Jerusalém em morada de gregos,
3. submeter o Templo a pagar tributo como os outros santuários das nações e, todos os anos, pôr à venda o cargo de sumo sacerdote.
4. Confiando somente nas dezenas de milhares de seus soldados de infantaria, em seus milhares de cavaleiros e em seus oitenta elefantes, nem lhe ocorria pensar no poder de Deus.
5. Logo que entrou na Judéia, aproximou-se da fortaleza de Betsur, a umas cinco léguas de Jerusalém, e a cercou.
6. Quando os companheiros do Macabeu souberam que Lísias estava cercando as fortalezas, suplicavam ao Senhor entre gemidos e lágrimas, junto com o povo, que mandasse um anjo bom para salvar Israel.
7. O próprio Macabeu foi o primeiro a pegar em armas e pôr-se à frente de todos. Assim convenceu os outros a enfrentar junto com ele o perigo, a fim de levar ajuda aos irmãos. Unidos e cheios de coragem, puseram-se em marcha.
8. Estavam ainda perto de Jerusalém, quando apareceu, marchando à frente deles, um cavaleiro vestido de branco e empunhando armas de ouro.
9. Todos juntos agradeceram ao Deus misericordioso, e ficaram tão animados e corajosos que iam dispostos a atacar não somente homens, mas até as feras mais selvagens e as muralhas de ferro.
10. Iam de armas em punho e com um aliado vindo do céu, pois o Senhor se havia compadecido deles.
11. Como leões, atacaram o inimigo e deixaram mortos onze mil soldados de infantaria e mil e seiscentos da cavalaria. Os outros foram obrigados a fugir.
12. Muitos deles, depois de feridos, abandonavam as armas e escapavam. O próprio Lísias, para sair com vida, teve de fugir vergonhosamente.
13. Como não era tolo, Lísias refletiu sobre a humilhação que sofrera, e percebeu que os hebreus eram invencíveis, porque o Deus Todo-poderoso lutava ao lado deles.
14. Então mandou representantes, propondo acordo em termos justos, e prometendo convencer o rei a tornar-se amigo deles.
15. O Macabeu, pensando no bem comum, concordou com o que Lísias propunha. E o rei concedeu tudo o que o Macabeu pediu por escrito a Lísias em favor dos judeus.
16. A carta enviada por Lísias aos judeus dizia o seguinte: "De Lísias ao povo judeu. Saudações!
17. João e Absalão, mensageiros de vocês, me entregaram o documento, solicitando o que aí é proposto.
18. Expliquei ao rei tudo o que era preciso ser explicado. Ele aprovou tudo o que se podia aceitar.
19. Se vocês conservarem boa vontade para com a administração pública, eu também me esforçarei, de ora em diante, para ser advogado dos seus interesses.
20. Ordenei aos seus mensageiros e aos meus, que tratem com vocês as questões em pormenores.
21. Passar bem! Dia vinte e quatro de Dióscoro do ano cento e quarenta e oito".
22. A carta do rei dizia o seguinte: "Do rei Antíoco ao seu irmão Lísias. Saudações!
23. Depois que o nosso pai se mudou para junto dos deuses, decidimos que os habitantes do nosso reino podem cuidar dos seus interesses sem sofrerem a menor perturbação.
24. Ouvimos falar que os judeus não concordaram com a mudança para os costumes gregos, querida por meu pai, mas que preferem sua própria maneira de viver. E eles estão pedindo autorização para seguir o que é conforme à sua própria Lei.
25. Desejando também que esse povo viva sem temores, decidimos que o Templo seja devolvido a eles e que possam governar-se de acordo com os costumes de seus antepassados.
26. Por isso, você fará muito bem, se mandar alguém até eles para fazer as pazes, a fim de que eles, tomando conhecimento dessas nossas disposições, se sintam satisfeitos e alegres, e cuidem apenas de seus assuntos particulares".
27. A carta do rei ao povo dizia o seguinte: "Do rei Antíoco ao conselho dos anciãos dos judeus e a todos os judeus. Saudações!
28. Esperamos que vocês estejam passando bem. Nós também vamos indo bem.
29. Menelau nos fez ver que vocês desejam voltar para cuidar de suas coisas.
30. Garantimos a imunidade para todos os que voltarem para casa até o dia trinta do mês de Xântico. Dou permissão
31. para que esses judeus façam uso de seus alimentos próprios e também de suas leis, como faziam antigamente. E que nenhum deles seja molestado por causa de faltas cometidas por ignorância.
32. Menelau é o meu mensageiro para levar a vocês a minha aprovação.
33. Passar bem! Dia quinze do mês de Xântico do ano cento e quarenta e oito".
34. Os romanos também enviaram aos judeus uma carta que dizia: "De Quinto Mêmio, Tito Manílio e Mânio Sérgio, legados romanos, ao povo dos judeus. Saudações!
35. Nós concordamos com o que Lísias, parente do rei, lhes concedeu.
36. Agora, quanto aos pontos que ele determinou levar ao conhecimento do rei, mandem logo alguém, depois de tudo bem analisado por vocês, para nos falar sobre isso, a fim de que possamos apresentar as coisas conforme convêm a vocês, pois nós estamos indo para Antioquia.
37. Por isso, andem depressa e mandem alguém para tomarmos conhecimento de suas propostas.
38. Passar bem! Dia quinze do mês de Xântico do ano cento e quarenta e oito".

[II Macabeus 12]II Macabeus 12



É PRECISO ESTAR ATENTO
1. Feitos esses acordos, Lísias voltou para junto do rei, e os judeus voltaram para seus trabalhos no campo.
2. Os governadores locais, como Timóteo e Apolônio, filho de Geneu, e também Jerônimo e Demofonte, como também Nicanor, governador de Chipre, não os deixavam tranqüilos, nem viver em paz.
3. Além disso, os habitantes de Jope chegaram ao extremo da maldade: sem apresentar a menor intenção hostil, convidaram os judeus que viviam com eles a entrarem com suas mulheres e filhos em barcos que eles mesmos tinham preparado.
4. Como se tratava de decreto oficial da cidade, e já que os judeus desejavam viver em paz e não tinham nenhuma suspeita, estes aceitaram o convite. Quando, porém, o barco chegou em alto mar, aqueles o afundaram. E eram pelo menos duzentas pessoas.
5. Quando soube da crueldade praticada contra seus compatriotas, Judas mandou que seus companheiros se preparassem.
6. Depois de invocar a Deus, o justo juiz, foi atacar os assassinos de seus irmãos. À noite incendiou o porto, queimou as barcas, depois de ter passado a fio de espada os que aí se haviam refugiado.
7. Como a cidade estava fechada, Judas foi embora, com planos de voltar e eliminar toda a população de Jope.
8. Entretanto, foi informado que os habitantes de Jâmnia queriam fazer o mesmo com os judeus que moravam na cidade.
9. Então ele atacou Jâmnia de surpresa, também à noite, incendiou o porto e as embarcações, de modo que o clarão do incêndio foi visto até em Jerusalém, a quarenta e cinco quilômetros de distância.

AMPLIANDO FRONTEIRAS
10. Judas se havia afastado dois quilômetros daí para enfrentar Timóteo, quando pelo menos cinco mil árabes com quinhentos cavaleiros o atacaram.
11. Aconteceu então uma luta violenta, e os companheiros de Judas, com a ajuda de Deus, ainda que menos numerosos, venceram. Os nômades pediram a paz a Judas. E prometeram dar-lhe gado e ajudá-lo em tudo o mais.
12. Judas, percebendo que eles seriam realmente úteis em muitas coisas, achou conveniente fazer as pazes com eles. Assim, depois de darem as mãos, eles foram embora para as suas tendas.
13. Judas tomou uma cidade, chamada Caspin, que era protegida por vales, rodeada de muralhas e habitada por gente de todas as raças.
14. Os que estavam dentro da cidade, confiando na firmeza das muralhas e nos alimentos que tinham de reserva, foram ficando cada vez mais provocadores para com os companheiros de Judas: caçoavam, blasfemavam e diziam palavrões.
15. O pessoal de Judas, porém, depois de invocar o grande Soberano do universo, que sem aríetes ou máquinas de guerra derrubou os muros de Jericó no tempo de Josué, avançaram como feras contra a muralha.
16. Após tomar a cidade por vontade de Deus, fizeram indescritível matança. Um lago vizinho, com mais de quatrocentos metros de largura, parecia cheio de sangue que havia escorrido.
17. Distanciando-se uns cento e quarenta quilômetros daí, chegaram a Cáraca, onde viviam os judeus chamados tubianos.
18. Não encontraram Timóteo nessa região, porque este, não havendo conseguido nada até então, tinha partido, deixando no lugar apenas uma guarnição bem munida.
19. Dositeu e Sosípatro, oficiais do exército do Macabeu, desviaram-se para esse lugar e mataram o pessoal deixado por Timóteo na fortaleza. E eliminaram mais de dez mil homens.
20. O Macabeu dividiu o seu exército em grupos e colocou os dois na chefia desses grupos. Em seguida, partiu para atacar Timóteo, que tinha sob seu comando cento e vinte mil soldados de infantaria e dois mil e quinhentos cavaleiros.
21. Ao saber que Judas vinha atacá-lo, Timóteo mandou, na frente, para o lugar chamado Cárnion, as mulheres e as crianças com as bagagens. A posição era impossível de conquistar, e o local inacessível por causa dos muitos desfiladeiros que havia por aí.
22. Logo que apareceu o primeiro grupo do exército de Judas, os inimigos ficaram tomados de medo e apoderou-se deles o pânico, causado pela manifestação daquele que tudo vê. Fugiram então desabaladamente, uns tropeçando nos outros, muitas vezes atrapalhando os próprios companheiros e ferindo-se gravemente com suas próprias espadas.
23. Judas perseguiu-os com toda a energia, fustigou esses criminosos e eliminou cerca de trinta mil homens.
24. O próprio Timóteo caiu nas mãos dos soldados de Dositeu e Sosípatro. Com esperteza, Timóteo pediu que o deixassem partir com vida, afirmando que tinha em seu poder pais e irmãos de muitos deles, e poderia acontecer que eles fossem mortos.
25. Conseguiu convencer os soldados com muitas palavras, prometendo que devolveria os prisioneiros sãos e salvos. Então lhe deram a liberdade em troca da libertação dos irmãos.
26. Em seguida, Judas marchou contra Cárnion e o santuário de Atargates, e matou aí vinte e cinco mil homens.

VOLTA PARA JERUSALÉM
27. Depois dessa reviravolta e matança, Judas dirigiu-se para o lado de Efron, cidade fortificada, onde moravam Lisânias e uma população de todas as raças. Jovens bem fortes ficavam na frente da muralha para lutar com bravura. Dentro havia máquinas de guerra e muitos projéteis.
28. Após invocarem o Soberano, que com seu poder esmaga as forças inimigas, tomaram a cidade e mataram vinte e cinco mil dos que aí moravam.
29. Afastando-se daí, foram atacar Citópolis, a mais de cem quilômetros de Jerusalém.
30. Contudo, os judeus que moravam nessa cidade disseram que os cidadãos do lugar demonstravam grande simpatia para com eles e sempre os ajudavam nos momentos difíceis.
31. Então Judas e seus companheiros agradeceram a eles e pediram que continuassem tendo para o futuro a mesma consideração para com seus irmãos de raça. Depois, voltaram para Jerusalém, bem próximo da festa das Semanas.

MORTE E RESSURREIÇÃO DOS FIÉIS
32. Após a festa denominada Pentecostes, atacaram Górgias, governador da Iduméia.
33. Este saiu para enfrentá-los, comandando três mil soldados de infantaria e quatrocentos cavaleiros.
34. Começaram a luta, e alguns judeus caíram mortos.
35. Um tal de Dositeu, dos tubianos, fortíssimo soldado de cavalaria, enfrentou Górgias, agarrou-o pelo manto e o foi arrastando com força, querendo pegar vivo o amaldiçoado. Um cavaleiro trácio, porém, atacou Dositeu e lhe cortou o ombro. Dessa forma, Górgias pôde fugir para Marisa.
36. Os soldados de Esdrin já estavam exaustos de tanto lutar. Então Judas invocou o Senhor, suplicando-lhe que se mostrasse aliado e comandante dessa batalha.
37. Em seguida, lançou o grito de guerra na língua materna e, cantando hinos, lançou-se de surpresa contra os soldados de Górgias, obrigando-os a fugir.
38. Após reunir o seu exército, Judas chegou até a cidade de Odolam. No sétimo dia, depois de se purificarem conforme o costume, celebraram o sábado.
39. No dia seguinte, como a tarefa era urgente, os homens de Judas foram recolher os corpos daqueles que tinham morrido na batalha, a fim de sepultá-los ao lado dos parentes, nos túmulos de seus antepassados.
40. Foi então que encontraram, por baixo das roupas de cada um dos mortos, objetos consagrados aos ídolos de Jâmnia, coisa que a Lei proibia aos judeus. Então ficou claro para todos o motivo da morte deles.
41. E todos louvaram a maneira de agir do Senhor, que julga com justiça e coloca às claras as coisas escondidas.
42. Puseram-se em oração, suplicando que o pecado cometido fosse totalmente cancelado. O nobre Judas pediu ao povo para ficar longe do pecado, pois acabava de ver, com seus próprios olhos, o que tinha acontecido por causa do pecado daqueles que tinham morrido na batalha.
43. Então fizeram uma coleta individual, reuniram duas mil moedas de prata e mandaram a Jerusalém, a fim de que fosse oferecido um sacrifício pelo pecado. Ele agiu com grande retidão e nobreza, pensando na ressurreição.
44. Se não tivesse esperança na ressurreição dos que tinham morrido na batalha, seria coisa inútil e tola rezar pelos mortos.
45. Mas, considerando que existe uma bela recompensa guardada para aqueles que são fiéis até à morte, então esse é um pensamento santo e piedoso. Por isso, mandou oferecer um sacrifício pelo pecado dos que tinham morrido, para que fossem libertados do pecado.

[II Macabeus 13]II Macabeus 13



MORTE DO ÍMPIO
1. No ano cento e quarenta e nove, chegou até ao pessoal de Judas a notícia de que Antíoco Eupátor estava se aproximando com grande exército para lutar contra a Judéia.
2. Com ele vinha Lísias, que era o seu tutor e primeiro ministro. Os dois comandavam um exército grego de cento e dez mil soldados de infantaria, cinco mil e trezentos cavaleiros, vinte e dois elefantes e trezentos carros armados de foices.
3. Menelau se ajuntou a eles e, com muita bajulação, encorajava Antíoco. Ele não estava pensando na pátria, mas em recuperar o poder.
4. O Rei dos reis, porém, provocou o ódio de Antíoco contra esse criminoso, quando Lísias mostrou que era Menelau o causador de todas essas desgraças. Então o rei mandou levá-lo para a Beréia e aí matá-lo, segundo o costume do lugar.
5. Aí existe uma torre de vinte e cinco metros de altura, cheia de cinzas, provida de máquina giratória inclinada de todos os lados em direção à cinza.
6. Aí são jogados para a morte os condenados por roubo de coisas sagradas ou por outros crimes maiores.
7. Foi dessa forma que Menelau encontrou a morte, sem merecer nem mesmo a terra da sepultura.
8. E isso com plena justiça, pois ele tinha cometido muitos pecados contra o altar, onde não só o fogo, mas até a cinza é pura. E na cinza ele encontrou a morte.

HEROÍSMO CONTRA A OPRESSÃO
9. O rei vinha com fúria de bárbaro, querendo mostrar aos judeus coisas ainda piores que as acontecidas no tempo de seu pai.
10. Sabendo disso, Judas mandou que o povo invocasse dia e noite ao Senhor, para que, agora também como em outras vezes, ele socorresse os que estavam para ser privados da Lei, da pátria e do Templo sagrado;
11. e não permitisse que pagãos blasfemos submetessem o povo, que mal estava começando a respirar.
12. Todos juntos fizeram isso, suplicando ao Senhor misericordioso com lágrimas, jejuns e prostrados no chão, por três dias sem parar. Depois, Judas disse que eles deviam preparar-se.
13. Privadamente, ele se reuniu com os anciãos e decidiu que iria sair para a luta, a fim de decidir a questão com a ajuda de Deus, em vez de esperar que o rei invadisse a Judéia com seu exército e tomasse a cidade.
14. Confiando o êxito ao Criador do mundo, animou seus companheiros a lutarem nobremente até a morte, pela Lei, pelo Templo, pela cidade, pela pátria e pelos seus direitos de cidadãos. Em seguida, acampou perto de Modin.
15. Deu a seus comandados a palavra de ordem: "Vitória de Deus!" À noite, acompanhado de alguns jovens escolhidos entre os mais valentes, atacou a tenda do rei no seu próprio acampamento. Matou cerca de dois mil homens e também o maior dos elefantes, juntamente com o soldado que ficava na torrinha em cima do elefante.
16. Em resumo, encheram de terror e confusão o acampamento deles. E saíram bem sucedidos,
17. quando o dia já começava a raiar. Isso aconteceu por causa da proteção do Senhor, que auxiliou Judas.

ACORDOS PROVISÓRIOS
18. Depois de perceber uma amostra da ousadia dos judeus, o rei tentou apoderar-se de posições deles, valendo-se de astúcia.
19. Marchou contra Betsur, uma segura e bem armada fortaleza dos judeus. Mas foi diversas vezes rechaçado, derrotado e vencido.
20. Judas conseguia mandar, para os que estavam dentro da fortaleza, tudo aquilo de que precisavam.
21. Entretanto, um tal de Rôdoco, das fileiras judaicas, estava passando os segredos de guerra para os inimigos. Ele foi procurado, preso e executado.
22. Pela segunda vez, o rei conferenciou com os que estavam em Betsur. Ofereceu a paz, aliou-se com eles e se retirou. Atacou os companheiros de Judas, mas foi derrotado.
23. O rei ficou sabendo que Filipe, deixado na administração do governo em Antioquia, tinha se revoltado. Desolado, entrou em negociação com os judeus, aliou-se com eles e jurou respeitar todas as condições justas. Feito o acordo, ofereceu um sacrifício, honrou o Templo e teve consideração para com o lugar sagrado.
24. Acolheu o Macabeu e deixou Hegemônida como comandante da região que vai desde Ptolemaida até o país dos gerrênios.
25. Em seguida, foi para Ptolemaida. Os cidadãos do lugar andavam descontentes com os acordos, pois estavam irritados com aqueles que queriam abolir os privilégios deles.
26. Lísias subiu ao palanque, defendeu-se o melhor que pôde, os convenceu, os acalmou, conseguiu a adesão deles, e partiu para Antioquia. Assim terminou a expedição e a volta do rei.

[II Macabeus 14]VII. VITÓRIA DO POVO CONTRA O INIMIGO DE DEUS



II Macabeus 14

TRAINDO A CAUSA DO POVO
1. Três anos depois, os companheiros de Judas souberam que Demétrio, filho de Seleuco, tinha desembarcado no porto de Trípoli com grande exército e uma frota de navios,
2. e que tinha tomado o país, depois de eliminar Antíoco e seu tutor Lísias.
3. Tal Alcimo, que tinha sido sumo sacerdote e se contaminara voluntariamente por ocasião da revolta, percebeu que para ele não haveria mais salvação, e que não lhe seria jamais permitido aproximar-se do altar sagrado.
4. Por volta do ano cento e cinqüenta e um, procurou o rei Demétrio, levando-lhe uma coroa de ouro, um ramo de palmeira e alguns dos ramos de oliveira que é costume oferecer no Templo. E nesse dia não pediu nada.
5. Encontrou, porém, uma oportunidade favorável para a sua loucura, quando Demétrio o chamou diante do conselho. Interrogado sobre a disposição e intenções dos judeus, ele respondeu:
6. "Os judeus chamados assideus, dirigidos por Judas Macabeu, fomentam a guerra e provocam revoltas, impedindo que o reino alcance sua desejada estabilidade.
7. Por isso, depois de ter perdido o cargo que recebi dos meus pais, isto é, o cargo de sumo sacerdote, aqui me apresento agora.
8. Estou sinceramente querendo, em primeiro lugar, os interesses do rei e, em segundo, os interesses de meus concidadãos, porque é pela falta de bom senso dos mencionados homens que o nosso povo está sofrendo muito.
9. Desejo que o senhor rei se informe de tudo isso em pormenores e, segundo sua bondade compreensiva para com todos, assuma o cuidado do país e do nosso povo, que está rodeado de perigos.
10. Enquanto Judas viver, será impossível alcançar a paz".
11. Dito isso, logo os outros amigos do rei, irritados com os sucessos de Judas, começaram a inflamar Demétrio.
12. Então ele escolheu Nicanor, comandante do batalhão dos elefantes, o nomeou governador da Judéia e para aí o mandou.
13. Deu-lhe ordens para matar Judas, dispersar seus companheiros, e colocar Alcimo como sumo sacerdote do Templo máximo.
14. Os pagãos da Judéia, que tinham fugido de Judas, se ajuntaram em torno de Nicanor, imaginando que o malogro e a desgraça dos judeus reverteriam em felicidade para eles.

RECONHECENDO O PODER DA RESISTÊNCIA
15. Logo que ouviram falar da expedição de Nicanor e que os pagãos estavam também contra eles, os judeus cobriram a cabeça de terra, começaram a rezar a Deus, que tinha feito deles o seu povo para sempre, e que sempre se manifestava em socorro daqueles que eram a sua herança.
16. Em seguida, a uma ordem do comandante, saíram imediatamente daí e foram enfrentar os homens de Nicanor no povoado de Dessau.
17. Simão, irmão de Judas, enfrentou Nicanor. Contudo, foi obrigado a ceder por causa do aparecimento inesperado do inimigo.
18. Apesar disso, ouvindo falar da coragem que os companheiros de Judas tinham e da disponibilidade que demonstravam em lutar pela pátria, Nicanor ficou receoso de resolver a questão com derramamento de sangue.
19. Por isso, mandou Posidônio, Teódoto e Matatias para negociar a paz com os judeus.
20. Depois de amplo debate sobre as condições, cada chefe as comunicou à sua tropa, e todos concordaram com o tratado de paz.
21. Marcaram a data para uma entrevista privada dos chefes num lugar determinado. De ambos os lados se adiantou uma liteira, e dispuseram cadeiras de honra.
22. Judas, entretanto, tinha distribuído homens armados em lugares estratégicos, prontos para intervir, se o inimigo cometesse alguma traição. A entrevista se realizou normalmente.
23. Nicanor passou a viver em Jerusalém, mas nada fez de inconveniente. Ao contrário, licenciou as tropas que, em massa, se haviam juntado a ele.
24. Judas comparecia todos os dias à presença de Nicanor que era interiormente muito favorável a Judas.
25. Nicanor chegou a aconselhar Judas a se casar e ter filhos. E Judas se casou e viveu feliz como cidadão comum.

É NECESSÁRIO TOMAR PARTIDO
26. Alcimo, vendo a amizade entre os dois, pegou uma cópia do acordo que tinham feito e foi procurar Demétrio, para lhe dizer que Nicanor estava com intenções contrárias ao seu governo, pois até havia nomeado como seu sucessor a Judas, o agitador do reino.
27. O rei ficou furioso e, provocado pelas acusações desse perverso, escreveu uma carta a Nicanor, condenando o acordo feito e dizendo que mandasse imediatamente o Macabeu preso para Antioquia.
28. Ao receber essas ordens, Nicanor ficou inteiramente perdido. Era muito difícil para ele desfazer um acordo realizado com uma pessoa que nada tinha praticado de injusto.
29. Contudo, como não podia contrariar as ordens do rei, ficou esperando uma ocasião para cumprir a ordem através de estratagema.
30. Judas, porém, percebeu que Nicanor o estava tratando com mais frieza, e que as relações normais se haviam tornado difíceis. Desconfiando que esse comportamento ríspido não era sinal de boa coisa, reuniu bom número de companheiros e escapou de Nicanor secretamente.
31. Nicanor, ao perceber que tinha sido habilmente enganado por Judas, dirigiu-se imediatamente ao grandioso e santo Templo, e deu ordem aos que estavam apresentando os sacrifícios de praxe, que entregassem Judas.
32. Eles disseram e juraram que não sabiam onde se poderia encontrar o homem que ele procurava.
33. Então, erguendo a mão na direção do santuário, Nicanor jurou: "Se vocês não me entregarem Judas preso, eu destruirei esta morada de Deus, demolirei o altar e erguerei aqui um belo templo para Dionísio".
34. Dito isso, retirou-se. Os sacerdotes, então, ergueram as mãos para o céu e invocaram a Deus, que sempre luta em favor da nossa nação, dizendo:
35. "Tu, Senhor, que de nada necessitas no mundo, julgaste bom colocar no meio de nós o Templo onde moras.
36. Agora, Senhor santo e fonte de toda a santidade, conserva sempre sem contaminação esta casa que acaba de ser purificada".

TESTEMUNHO HERÓICO
37. Razias, membro do conselho de anciãos em Jerusalém, foi denunciado a Nicanor. Ele era defensor de seus concidadãos, homem de muito boa fama e, por causa da sua bondade, era chamado "pai dos judeus".
38. Já fazia algum tempo, na época da revolta, que ele também tinha sido acusado de praticar o judaísmo e se havia entregue ao judaísmo de corpo e alma, sem reservas.
39. Nicanor, querendo mostrar hostilidade contra os judeus, mandou mais de quinhentos soldados para prender esse homem.
40. Calculava que estaria dando um duro golpe nos judeus com a prisão dele.
41. Quando as tropas estavam quase tomando a torre e já forçavam a porta do pátio, foi dada a ordem de trazer fogo para incendiar as portas. Então Razias, sentindo-se cercado por todos os lados, atirou-se sobre a própria espada.
42. Cheio de brio, ele preferiu morrer do que cair nas mãos desses criminosos e ter a sua dignidade insultada da maneira mais baixa.
43. Mas, como o ferimento não foi tão certeiro por causa da precipitação da luta, e como o batalhão já entrava pelos pórticos, ele correu corajosamente até a muralha e valentemente se jogou contra o pelotão de soldados.
44. Todos recuaram rapidamente, abrindo um espaço, onde ele caiu.
45. Capaz ainda de respirar, e com o ânimo inflamado, ele se levantou, perdendo sangue aos borbotões e, por mais agudas que fossem as dores, correu pelo meio do batalhão. Depois, subindo a uma pedra íngreme,
46. já completamente sem sangue, arrancou os próprios intestinos e com as duas mãos os atirou no pelotão de soldados. Suplicou ao Senhor da vida e do espírito que os devolvesse a ele novamente. E morreu.

[II Macabeus 15]II Macabeus 15



A FÉ, FORÇA DOS QUE LUTAM
1. Nicanor soube que os homens de Judas estavam na Samaria. Então planejou atacá-los de modo seguro no dia do repouso.
2. Alguns judeus, que estavam sendo forçados a acompanhá-lo, disseram: "Não os mate de maneira tão bárbara e selvagem! Respeite esse dia, que foi honrado com o nome de santo por aquele que olha por todas as coisas".
3. Mas o bandido perguntou se existe alguém poderoso no céu, que tenha determinado celebrar o dia de sábado!
4. Eles responderam sem vacilar: "Sim. É o Senhor vivo, o Soberano do céu. Ele mandou celebrar o dia do sábado".
5. O outro continuou: "Eu sou o soberano da terra. E ordeno pegar em armas e defender os interesses do rei". Apesar de tudo, ele não conseguiu levar o seu projeto maligno até o fim.
6. Nicanor, cheio de arrogância, pretendia fazer um troféu coletivo com as coisas que tomaria dos homens de Judas.
7. Enquanto isso, o Macabeu não perdia a confiança, esperando receber do Senhor o socorro.
8. Procurou animar seus companheiros, para que não tivessem medo do ataque dos pagãos, mas que lembrassem os auxílios que o Céu lhes tinha concedido, e esperassem também agora a vitória que o Todo-poderoso lhes ia conceder.
9. Em seguida, animou-os com textos da Lei e dos Profetas, e, recordando também as lutas pelas quais já tinham passado, os tornou ainda mais entusiasmados.
10. Depois de os animar, deu-lhes instruções, chamando a atenção deles para a falta de palavra dos pagãos que tinham violado os acordos.
11. Tendo armado cada um dos seus soldados, não tanto com a segurança oferecida pelos escudos e lanças, mas principalmente com a força das boas palavras, Judas ainda lhes contou um sonho digno de fé, uma espécie de visão, que muito os alegrou.
12. No sonho, ele viu o seguinte: Onias, o antigo sumo sacerdote, homem correto e bom, respeitoso no encontro com as pessoas, manso no comportamento, precavido e delicado no falar, e bem educado desde criança em todo o seu comportamento virtuoso, esse homem, de mãos erguidas, rezava em favor de toda a comunidade judaica.
13. Da mesma forma, apareceu outra personagem extraordinária pela sua velhice e dignidade, envolta num clarão de majestade maravilhosa.
14. Então Onias disse: "Este é o amigo dos seus irmãos, que está sempre rezando muito pelo povo e pela cidade santa. É Jeremias, o profeta de Deus".
15. Então Jeremias estendeu a mão direita e entregou a Judas uma espada de ouro, dizendo:
16. "Receba a espada santa, que é dom de Deus. Com ela, você destruirá os inimigos".
17. Animados com as palavras de Judas, realmente belas e capazes de encorajar e encher de valentia o ânimo dos jovens, os judeus resolveram não continuar acampados, mas tomar ousadamente a ofensiva. Assim, lutando com toda a valentia, resolveram decidir a questão através das armas, pois tanto a cidade como a religião e o Templo corriam perigo.
18. A preocupação deles não era tanto suas mulheres e crianças, irmãos e parentes. Eles se preocupavam sobretudo com o Templo consagrado.
19. Entretanto, não era menor a preocupação dos que tinham ficado na cidade, com medo da batalha em campo aberto.
20. Enquanto todos estavam esperando o desfecho iminente, o inimigo se concentrava, alinhando o exército para a batalha, colocando os elefantes em pontos estratégicos e distribuindo a cavalaria pelas alas.
21. Ao ver as divisões do exército se apresentando, os vários tipos de armas e o aspecto selvagem dos elefantes, o Macabeu elevou as mãos para o céu e suplicou ao Senhor que faz prodígios, certo de que ele concede a vitória aos que dela são dignos, não pelas armas, mas pelo meio que ele mesmo deseja.
22. Em sua oração, Judas disse: "Senhor, tu mandaste, em favor do rei Ezequias de Judá, o teu mensageiro que eliminou do acampamento de Senaquerib cento e oitenta e cinco mil homens.
23. Agora, Soberano do céu, envia um anjo bom à nossa frente para provocar terror e tremor.
24. Que a grandeza do teu braço quebre aqueles que blasfemaram contra o teu povo santo". E assim terminou a sua oração.
25. Os homens de Nicanor marchavam ao som das trombetas e gritos de guerra.
26. Os de Judas, ao contrário, foram se infiltrando no meio dos inimigos, fazendo invocações e preces.
27. Combatiam com as mãos e rezavam com o coração, deixando mais de trinta e cinco mil homens estendidos por terra. E transbordaram de alegria pela clara manifestação de Deus.
28. Terminada a batalha, quando já se retiravam cheios de alegria, reconheceram Nicanor caído, com a sua armadura.
29. Em meio a gritarias e alvoroço, louvavam o Senhor na língua materna.
30. Judas que sempre fora, de corpo e alma, o primeiro na luta por seus concidadãos e que nunca perdera sua afeição juvenil para com seus compatriotas, mandou cortar a cabeça e o braço inteiro de Nicanor, levando-os para Jerusalém.
31. Chegando a Jerusalém, convocou os concidadãos e sacerdotes. E de pé, diante do altar, mandou chamar os que ocupavam a fortaleza.
32. Então mostrou a cabeça do imundo Nicanor e a mão que o blasfemador tinha erguido, com toda a arrogância, contra a morada santa do Todo-poderoso.
33. Arrancou a língua do desalmado Nicanor e mandou cortá-la em pedaços para os passarinhos. O braço, símbolo da sua loucura, mandou pendurar na frente do Templo.
34. Todos elevaram os olhos ao céu, louvando o Senhor glorioso e dizendo: "Bendito seja aquele que conservou sem contaminação o seu lugar sagrado".
35. Judas mandou pendurar na fortaleza a cabeça de Nicanor, como prova visível e clara da ajuda do Senhor.
36. Então todos decidiram, de comum acordo, que esse dia nunca mais passaria despercebido, mas que seria sempre comemorado no dia treze do mês doze, em aramaico o mês de Adar, ou seja, na véspera do dia de Mardoqueu.

CONCLUSÃO
37. Assim terminou a história de Nicanor. A partir desse tempo, a cidade passou a ser governada pelos hebreus. Por isso, aqui encerro a minha narrativa.
38. Se ficou boa e literariamente agradável, era o que eu queria. Se está fraca e medíocre, é o que fui capaz de fazer.
39. É desagradável beber só vinho ou só água, ao passo que vinho misturado com água é agradável e gostoso. O mesmo acontece numa obra literária, onde o tempero do estilo é um prazer para o ouvido do leitor. E assim termino.
EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS

Mateus 1
PRÓLOGO: A NOVA HISTÓRIA

JESUS, O MESSIAS, REALIZA AS PROMESSAS DE DEUS
1. Livro da origem de Jesus Cristo, filho de Davi, filho de Abraão.
2. Abraão foi o pai de Isaac; Isaac foi o pai de Jacó;
3. Jacó foi o pai de Judá e de seus irmãos. Judá, com Tamar, foi o pai de Farés e Zara; Farés foi o pai de Esrom; Esrom foi o pai de Aram.
4. Aram foi o pai de Aminadab; Aminadab foi o pai de Naasson; Naasson foi o pai de Salmon.
5. Salmon, com Raab, foi o pai de Booz; Booz, com Rute, foi o pai de Jobed; Jobed foi o pai de Jessé;
6. Jessé foi o pai de Davi. Davi, com aquela que foi mulher de Urias, foi o pai de Salomão.
7. Salomão foi o pai de Roboão; Roboão foi o pai de Abias; Abias foi o pai de Asa.
8. Asa foi o pai de Josafá; Josafá foi o pai de Jorão; Jorão foi o pai de Ozias.
9. Ozias foi o pai de Joatão; Joatão foi o pai de Acaz; Acaz foi o pai de Ezequias.
10. Ezequias foi o pai de Manassés; Manassés foi o pai de Amon; Amon foi o pai de Josias.
11. Josias foi o pai de Jeconias e de seus irmãos, no tempo do exílio na Babilônia.
12. Depois do exílio na Babilônia, Jeconias foi o pai de Salatiel; Salatiel foi o pai de Zorobabel.
13. Zorobabel foi o pai de Abiud; Abiud foi o pai de Eliaquim; Eliaquim foi o pai de Azor.
14. Azor foi o pai de Sadoc; Sadoc foi o pai de Aquim; Aquim foi o pai de Eliud.
15. Eliud foi o pai de Eleazar; Eleazar foi o pai de Matã; Matã foi o pai de Jacó.
16. Jacó foi o pai de José, o esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado o Messias.
17. Assim, as gerações desde Abraão até Davi são catorze; de Davi até o exílio na Babilônia, catorze gerações; e do exílio na Babilônia até o Messias, catorze gerações.

O COMEÇO DE UMA NOVA HISTÓRIA
18. A origem de Jesus, o Messias, foi assim: Maria, sua mãe, estava prometida em casamento a José, e, antes de viverem juntos, ela ficou grávida pela ação do Espírito Santo.
19. José, seu marido, era justo. Não queria denunciar Maria, e pensava em deixá-la, sem ninguém saber.
20. Enquanto José pensava nisso, o Anjo do Senhor lhe apareceu em sonho, e disse: "José, filho de Davi, não tenha medo de receber Maria como esposa, porque ela concebeu pela ação do Espírito Santo.
21. Ela dará à luz um filho, e você lhe dará o nome de Jesus, pois ele vai salvar o seu povo dos seus pecados."
22. Tudo isso aconteceu para se cumprir o que o Senhor havia dito pelo profeta:
23. "Vejam: a virgem conceberá, e dará à luz um filho. Ele será chamado pelo nome de Emanuel, que quer dizer: Deus está conosco."
24. Quando acordou, José fez conforme o Anjo do Senhor havia mandado: levou Maria para casa,
25. e, sem ter relações com ela, Maria deu à luz um filho. E José deu a ele o nome de Jesus.

[Mateus 2]Mateus 2



JESUS, PERIGO OU SALVAÇÃO?
1. Tendo nascido Jesus na cidade de Belém, na Judéia, no tempo do rei Herodes, alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém,
2. e perguntaram: "Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem."
3. Ao saber disso, o rei Herodes ficou alarmado, assim como toda a cidade de Jerusalém.
4. Herodes reuniu todos os chefes dos sacerdotes e os doutores da Lei, e lhes perguntou onde o Messias deveria nascer.
5. Eles responderam: "Em Belém, na Judéia, porque assim está escrito por meio do profeta:
6. 'E você, Belém, terra de Judá, não é de modo algum a menor entre as principais cidades de Judá, porque de você sairá um Chefe, que vai apascentar Israel, meu povo.' "
7. Então Herodes chamou secretamente os magos, e investigou junto a eles sobre o tempo exato em que a estrela havia aparecido.
8. Depois, mandou-os a Belém, dizendo: "Vão, e procurem obter informações exatas sobre o menino. E me avisem quando o encontrarem, para que também eu vá prestar-lhe homenagem."
9. Depois que ouviram o rei, eles partiram. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino.
10. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria.
11. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe. Ajoelharam-se diante dele, e lhe prestaram homenagem. Depois, abriram seus cofres, e ofereceram presentes ao menino: ouro, incenso e mirra.
12. Avisados em sonho para não voltarem a Herodes, partiram para a região deles, seguindo por outro caminho.

A NOVA HISTÓRIA É UM NOVO ÊXODO
13. Depois que os magos partiram, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, e lhe disse: "Levante-se, pegue o menino e a mãe dele, e fuja para o Egito! Fique lá até que eu avise. Porque Herodes vai procurar o menino para matá-lo."
14. José levantou-se de noite, pegou o menino e a mãe dele, e partiu para o Egito.
15. Aí ficou até a morte de Herodes, para se cumprir o que o Senhor havia dito por meio do profeta: "Do Egito chamei o meu filho."
16. Quando Herodes percebeu que os magos o haviam enganado, ficou furioso. Mandou matar todos os meninos de Belém e de todo o território ao redor, de dois anos para baixo, calculando a idade pelo que tinha averiguado dos magos.
17. Então se cumpriu o que fora dito pelo profeta Jeremias:
18. "Ouviu-se um grito em Ramá, choro e grande lamento: é Raquel que chora seus filhos, e não quer ser consolada, porque eles não existem mais."
19. Quando Herodes morreu, o Anjo do Senhor apareceu em sonho a José, no Egito,
20. e lhe disse: "Levante-se, pegue o menino e a mãe dele, e volte para a terra de Israel, pois já estão mortos aqueles que procuravam matar o menino."
21. José levantou-se, pegou o menino e a mãe dele, e voltou para a terra de Israel.
22. Mas, quando soube que Arquelau reinava na Judéia, como sucessor do seu pai Herodes, teve medo de ir para lá. Por isso, depois de receber aviso em sonho, José partiu para a região da Galiléia,
23. e foi morar numa cidade chamada Nazaré. Isso aconteceu para se cumprir o que foi dito pelos profetas: "Ele será chamado Nazareno."

[Mateus 3]PRIMEIRO LIVRINHO: A JUSTIÇA DO REINO






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