Origem do mundo e da humanidade a criaçÃo gênesis 1 a humanidade, ponto alto da criaçÃO


Exaltado por breve tempo, ele deixa de existir. Cai como a erva que se colhe, e murcha como as espigas. 25



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24. Exaltado por breve tempo, ele deixa de existir. Cai como a erva que se colhe, e murcha como as espigas.
25. As coisas não são assim? Quem me poderá desmentir, ou reduzir a nada os meus argumentos?"

[Jó 25]INTERVENÇÃO DE BALDAD



Jó 25

O HOMEM É UM VERME
1. Baldad de Suás tomou a palavra e disse:
2. "Deus tem poder terrível e mantém a paz no alto do céu.
3. Pode-se, por acaso, contar o número de suas tropas? Sobre quem não se levanta a sua luz?
4. Pode o homem ter razão diante de Deus? Como pode ser puro quem nasceu de mulher?
5. Se nem mesmo a lua é brilhante, nem as estrelas são puras, aos olhos dele,
6. quanto menos o homem, esse verme; o ser humano, essa larva!"

[Jó 26]RESPOSTA DE JÓ



Jó 26

CONVERSA INÚTIL
1. Então Jó respondeu:
2. "Como você sabe sustentar o fraco e socorrer um braço sem força!
3. Como você sabe aconselhar o ignorante e dar mostras de profundo conhecimento!
4. A quem você dirigiu a palavra? De onde vem a inspiração que sai de você?"

INTERVENÇÃO DE BALDAD

A GRANDEZA DE DEUS
5. Os mortos estremecem debaixo do mar e seus habitantes.
6. A morada dos mortos está nua aos olhos dele, e o reino da morte está sem véu.
7. Deus estendeu o céu sobre o vazio e suspendeu a terra sobre o nada.
8. Ele prende as águas nas nuvens, sem que estas se rasguem com o peso.
9. Ele encobre a face da lua cheia, estendendo sua nuvem sobre ela.
10. Traçou um círculo sobre a superfície do mar, onde a luz faz fronteira com as trevas.
11. As colunas do céu se abalam, assustadas com a ameaça dele.
12. Com seu poder, ele acalmou o mar e, com sua destreza, domou Raab.
13. O seu sopro clareou os céus, e a sua mão transpassou a serpente fugitiva.
14. Tudo isso não é mais do que a margem de suas obras! Delas, nós só percebemos um eco frágil! Quem poderia compreender o estrondo do seu poder?"

[Jó 27]RESPOSTA DE JÓ



Jó 27

VOU ME AGARRAR À MINHA JUSTIÇA
1. Jó continuou a dizer:
2. "Pelo Deus vivo, que me nega justiça, pelo Todo-poderoso, que me enche de amargura,
3. enquanto eu puder respirar e o sopro de Deus estiver nas minhas narinas,
4. os meus lábios não dirão falsidades e a minha língua não pronunciará mentiras.
5. Longe de mim dar razões a vocês! Vou me declarar inocente até o meu último suspiro.
6. Vou me agarrar à minha justiça, e não vou ceder. Minha consciência não reprova nenhum dos meus dias.
7. Que meu inimigo seja tratado como injusto, e o meu adversário como malfeitor.
8. Vocês dizem: Que esperança pode ter o injusto, se Deus vai lhe tirar a vida?
9. Será que Deus vai ouvir o grito dele, quando sobre ele cair a desgraça?
10. Se ele se tivesse alegrado com o Todo-poderoso, será que poderia invocar a Deus a qualquer momento?
11. Vou explicar para vocês o poder de Deus, e não lhes esconderei os projetos do Todo-poderoso.
12. Se todos vocês já observaram, por que ainda se perdem em banalidades?"

INTERVENÇÃO DE SOFAR

O DESTINO DO INJUSTO
13. "Esta é a sorte que Deus reserva ao injusto, a herança que os opressores recebem do Todo-poderoso:
14. se tiverem muitos filhos, todos morrerão pela espada, e seus descendentes não terão o que comer.
15. Os sobreviventes serão sepultados pela peste, e suas viúvas não chorarão por eles.
16. O injusto acumula prata como terra e amontoa roupas como barro.
17. Pode amontoar! É o justo quem as vestirá, e a prata é o inocente quem a herdará.
18. A casa por ele construída será como teia de aranha, como a choupana de um guarda.
19. Ele se deita rico, mas é pela última vez, pois ao abrir os olhos não terá mais nada.
20. De dia, os terrores o assaltam, e de noite, o furacão o arrebata.
21. O vento leste o arrasta para longe, arrancando-o de sua residência;
22. o vento o arrasta sem piedade, e ele tenta fugir do seu poder.
23. Todos aplaudem sua ruína, e por onde ele vai todos assobiam".

[Jó 28]O MISTÉRIO INSONDÁVEL DA SABEDORIA



Jó 28

O LIMITE DA TECNOLOGIA
1. A prata tem suas minas, e o ouro tem o lugar onde é refinado.
2. O ferro é extraído da terra, e ao fundir-se a pedra, dela sai o bronze.
3. O homem põe limite às trevas, e explora até o extremo limite as grutas mais sombrias.
4. Perfura poços em lugares inacessíveis, sem apoio para os pés, balançando suspenso longe dos homens.
5. A terra que dá o pão, por baixo é devorada pelo fogo;
6. suas pedras são jazidas de safiras, e seus torrões contêm pepitas de ouro.
7. O abutre não conhece esse caminho, e o olho do falcão não consegue enxergá-lo;
8. as feras não o trilham, nem o leão o atravessa.
9. O homem estende a mão contra a rocha, e revira as montanhas pela raiz;
10. abre galerias na pedra, atento a tudo o que é precioso;
11. explora as nascentes dos rios, e traz à luz o que está escondido.
12. A sabedoria, porém, de onde é tirada? Onde está a jazida da inteligência?
13. O homem não conhece o caminho para ela, pois ela não se encontra na terra dos vivos.

COMO COMPRAR A SABEDORIA?
14. O abismo diz: "Ela não está em mim". E o mar responde: "Ela não está comigo".
15. Ela não pode ser comprada com o ouro mais fino, nem adquirida a peso de prata;
16. não pode ser paga com ouro de Ofir, nem com ônix precioso ou safira.
17. O ouro e o cristal não se igualam a ela, que não pode ser paga com vasos de ouro fino.
18. Os corais e as pérolas, então, nem se fala; é melhor pescar a sabedoria do que as pérolas.
19. O topázio de Cuch não se iguala a ela, nem pode ser comprada com o ouro mais puro.
20. De onde vem a sabedoria? Onde está a jazida da inteligência?
21. Ela está oculta aos olhos dos seres vivos, e escondida para as aves do céu.
22. O abismo e a morte confessam: "Sua fama chegou aos nossos ouvidos".

SOMENTE DEUS TEM ACESSO À SABEDORIA
23. Só Deus conhece o caminho para a sabedoria, somente ele sabe onde ela se encontra,
24. pois ele contempla os confins do universo e vê tudo o que existe debaixo do céu.
25. Quando fixou um peso para o vento e definiu a medida das águas,
26. quando deu uma lei para a chuva e uma rota para o relâmpago e o trovão,
27. então ele a observou e avaliou, e sondou e estabeleceu.
28. E disse ao homem: "A sabedoria consiste em temer ao Senhor, e a inteligência está em afastar-se do mal".

[Jó 29]JÓ APELA PARA DEUS



Jó 29

UMA VIDA DIGNA DE RECOMPENSA
1. Jó continuou a dizer:
2. "Quem me dera voltar aos tempos de outrora, aos dias em que Deus me protegia,
3. quando a sua lâmpada brilhava sobre a minha cabeça, e com a sua luz eu caminhava no meio das trevas!
4. Pudesse eu reviver os dias do meu outono, quando Deus era íntimo na minha tenda,
5. quando o Todo-poderoso estava comigo, e os meus filhos me rodeavam!
6. Nesse tempo, eu banhava os pés no leite, e a rocha me dava rios de azeite.
7. Quando eu me dirigia à porta da cidade, e me sentava na praça,
8. ao ver-me, os jovens se escondiam, os anciãos se levantavam e ficavam de pé,
9. os chefes paravam de falar e tapavam a boca com a mão,
10. os políticos emudeciam, e a língua deles ficava colada ao céu da boca.
11. Todos os que ouviam, me elogiavam, e com os olhos me aprovavam,
12. porque eu libertava o pobre que pedia socorro e o órfão indefeso.
13. Eu recebia a bênção do moribundo, e alegrava o coração da viúva.
14. Eu vestia a justiça como túnica, e o direito era o meu manto e o meu turbante.
15. Eu era os olhos do cego e os pés do coxo.
16. Eu era o pai dos pobres, e me empenhava pela causa de um desconhecido.
17. Eu quebrava o queixo do injusto e arrancava a presa dos seus dentes.
18. Eu imaginava então: 'Morrerei dentro do meu ninho, e como a fênix multiplicarei os meus dias.
19. As minhas raízes chegarão até a água, e o orvalho pousará nos meus ramos.
20. A minha honra sempre se renovará, e o meu arco se reforçará em minha mão'.
21. Todos me ouviam com atenção e, em silêncio, esperavam meus conselhos.
22. Depois que eu falava, ninguém me replicava. As minhas palavras gotejavam sobre eles,
23. que esperavam por elas como chuvisco, e as bebiam como chuva da primavera.
24. Se eu brincava, não acreditavam, e não perdiam nenhuma expressão do meu rosto.
25. Sentado como chefe, eu lhes indicava o caminho, como rei entronizado em meio à sua escolta. Eu os guiava, e eles se deixavam conduzir.

[Jó 30]Jó 30



JUSTIÇA PREMIADA COM MISÉRIA
1. Agora, porém, zombam de mim pessoas mais jovens que eu, cujos pais eu não deixaria entre os cães do meu rebanho.
2. Para que me serviriam os braços deles, sem forças como estavam?
3. Consumidos pela fome e miséria, eles ruminavam as raízes do deserto, em sombria e desolada solidão.
4. Colhiam ervas amargas entre os arbustos, alimentando-se com raízes de plantas.
5. Expulsos da sociedade a gritos, como se fossem ladrões,
6. moravam em barrancos escarpados, em cavernas e grutas do rochedo,
7. rugindo entre as moitas, agachados debaixo dos espinheiros.
8. Gente vil, homens sem nome, expulsos do país!
9. Pois bem! Agora eu me tornei alvo de suas zombarias e tema de suas piadas!
10. Eles me desprezam e se afastam, e até se atrevem a me cuspir no rosto.
11. Deus soltou a corda do meu arco e humilhou-me e eles se desenfreiam contra mim.
12. À minha direita, os canalhas se levantam, olham se estou tranqüilo e me preparam o caminho da destruição.
13. Desfazem a minha trilha, e trabalham juntos para a minha ruína, e ninguém os detém.
14. Irrompem por uma larga brecha em avalanche, como tempestade.
15. Os terrores caem sobre mim, a minha dignidade se dissipa como vento, e a minha felicidade se desfaz como nuvem.

DEUS SE TRANSFORMOU EM ADVERSÁRIO
16. Agora quero desafogar-me. Os dias de tristeza me oprimem.
17. De noite, um mal penetra nos meus ossos, pois as chagas que me corroem não me deixam dormir.
18. Deus me agarra com violência pela roupa e me segura pela gola da túnica,
19. me atira no meio da lama, e eu fico misturado com o pó e a cinza.
20. Clamo para ti, e tu não me respondes. Eu insisto, e tu não te importas comigo.
21. Tu te transformaste em meu carrasco, e me atacas com o teu braço musculoso.
22. Tu me levantas e me fazes cavalgar o vento, sacudindo-me no furacão.
23. Eu sei muito bem que tu me conduzes para a morte, para o lugar onde todos os seres vivos se encontram.

E TUDO SEM MOTIVO
24. Quem não estende os braços quando afunda? No desastre, quem não grita por socorro?
25. Não chorei junto com o oprimido? Não tive compaixão do indigente?
26. Eu esperava a felicidade, mas veio a desgraça; eu esperava a luz, mas veio a escuridão.
27. As minhas entranhas fervem e não se acalmam, dias de aflição me assaltam.
28. Eu caminho no luto, longe do sol, e me levanto na assembléia para pedir auxílio.
29. Tornei-me irmão dos chacais e companheiro dos avestruzes.
30. Minha pele escurece e cai, meus ossos queimam de febre.
31. Minha cítara acompanha o luto, e minha flauta acompanha o pranto.

[Jó 31]Jó 31



PROTESTO DE INTEGRIDADE PESSOAL
1. Eu tinha feito um pacto com os meus olhos: jamais fixar o olhar nas jovens.
2. E, em troca, que sorte Deus me reserva lá do alto? Que herança o Todo-poderoso me destina lá do céu?
3. Será que a desgraça não é para o criminoso, e o fracasso para o malfeitor?
4. Por acaso Deus não vê os meus caminhos e não conta todos os meus passos?
5. Por acaso caminhei junto com a mentira? Será que os meus pés correram atrás da fraude?
6. Deus pode pesar-me na balança da justiça, e então reconhecerá a minha integridade.
7. Se os meus passos se desviaram do caminho, se o meu coração seguiu o capricho dos olhos, e se qualquer mancha se apegou às minhas mãos,
8. então que outro coma o que semeei e arranquem tudo o que plantei.
9. Se o meu coração se deixou seduzir por mulher e se espiei pela porta do meu vizinho,
10. que minha mulher gire o moinho para um estranho e que outros se deitem com ela.
11. Isso, de fato, seria um escândalo, um crime digno de castigo.
12. Seria um fogo que devora e consome, destruindo todos os meus bens.

PROTESTO DE INTEGRIDADE SOCIAL
13. Se violei o direito do meu empregado ou da minha empregada, quando moviam processo contra mim,
14. o que farei, quando Deus se levantar? O que responderei, quando ele me interrogar?
15. Quem me formou no ventre materno, não formou também a eles? Foi o mesmo Deus que nos formou no seio materno.
16. Por acaso neguei o que o fraco desejava, ou deixei a viúva consumir-se em pranto?
17. Comi sozinho o meu pedaço de pão, sem reparti-lo com o órfão?
18. Desde a minha infância ele me criou como pai, e desde o seio materno me guiou.
19. Por acaso vi um miserável sem roupa e algum indigente sem cobertor,
20. sem que suas costas me agradecessem, aquecidas com a lã das minhas ovelhas?
21. Se levantei a mão contra o órfão, quando eu tinha influência no tribunal,
22. que o meu ombro se desprenda do corpo e o meu braço se quebre no cotovelo.
23. Porque o terror de Deus cairia sobre mim, e eu não agüentaria diante da majestade dele.

PROTESTO DE INTEGRIDADE RELIGIOSA
24. Por acaso coloquei a minha confiança no ouro, ou a minha segurança no metal precioso?
25. Por acaso me alegrei com as minhas grandes riquezas ou com a fortuna acumulada por minhas mãos?
26. Por acaso vendo o sol resplandecente e a lua clara caminhar,
27. meu coração se deixou secretamente seduzir e lhes enviei um beijo com a mão?
28. Isso seria um crime digno de castigo, pois eu teria renegado o Deus do alto.
29. Por acaso me alegrei com a desgraça do meu inimigo e exultei com a sua infelicidade?
30. Ou permiti que a minha boca pecasse, desejando com maldições a morte para ele?
31. As pessoas da minha tenda disseram: 'Quem não se fartou na mesa dele?'
32. O imigrante nunca teve que dormir na rua, porque eu abria minhas portas ao viajante.
33. Não ocultei o meu delito como fazem outros homens, nem escondi no peito a minha culpa,
34. por temor dos comentários da multidão ou por temer o desprezo dos parentes, a ponto de me manter calado e fechado dentro de casa.

DESAFIO: QUE DEUS ME RESPONDA!
35. Oxalá houvesse alguém para me escutar! Esta é a minha última palavra. Que o Todo-poderoso me responda. Que o meu adversário escreva a acusação.
36. Eu a levarei sobre os meus ombros e a usarei como se fosse coroa.
37. Eu lhe prestaria contas de todos os meus passos e me apresentaria a ele como um príncipe.
38. Se a minha terra gritou contra mim e os seus sulcos choraram com ela;
39. se eu comi o seu produto sem ter pago por ele, reduzindo à fome aqueles que a cultivaram,
40. que nasçam espinhos ao invés de trigo e urtigas ao invés de cevada". Fim do protesto de Jó.

[Jó 32]III. DEUS EDUCA ATRAVÉS DO SOFRIMENTO



INTERVENÇÃO DE ELIÚ

1. DEUS FALA ATRAVÉS DO SOFRIMENTO

Jó 32

É PRECISO DAR UMA RESPOSTA NOVA
1. Os três homens não disseram mais nada a Jó, porque ele se considerava inocente.
2. Todavia, Eliú, filho de Baraquel, natural de Buz, da família de Ram, ficou indignado contra Jó, porque este pretendia ter razão contra Deus.
3. Também se indignou contra os três amigos, porque não acharam resposta e deixaram Deus em situação de culpado.
4. Eliú tinha ficado esperando, enquanto eles falavam com Jó, porque eram mais velhos.
5. Vendo, porém, que nenhum dos três tinha mais respostas, ficou indignado.
6. Então Eliú, filho de Baraquel, natural de Buz, começou a falar: "Eu sou jovem, e vocês são anciãos. Por isso, eu estava intimidado e não me atrevia a expor a vocês o meu conhecimento.
7. Eu fiquei pensando: 'Que falem os anos, e a idade madura ensine a sabedoria'.
8. Mas quem dá inteligência é um espírito no homem, o sopro do Todo-poderoso.
9. Não é a idade avançada que dá sabedoria, nem é a velhice que produz o discernimento do que é justo.
10. Por isso, peço que vocês me escutem, e eu também vou mostrar o que sei.
11. Enquanto vocês falavam, eu esperei, e enquanto conversavam prestei atenção nos argumentos de vocês.
12. Contudo, por mais que eu prestasse atenção, percebi que nenhum de vocês conseguiu refutar Jó e responder aos argumentos dele.
13. Não digam que encontraram uma sabedoria que, além de Deus, ninguém pode refutar.
14. Jó ainda não discutiu comigo, e eu não vou responder a ele com os argumentos de vocês.
15. Aí estão eles, desconcertados, e nada respondem porque lhes faltam argumentos.
16. Será que devo ficar esperando, já que eles não falam mais e não sabem o que responder?
17. Pois bem! Quero tomar parte na discussão. Também eu vou mostrar o que sei,
18. porque tenho muitas coisas a dizer, e elas me pressionam por dentro.
19. Minhas entranhas estão como barris novos que o vinho arrebenta ao fermentar.
20. Vou falar e me desafogar, abrindo os lábios para responder.
21. Não vou tomar partido, nem bajular ninguém,
22. porque não sei bajular e porque o meu Criador me eliminaria.

[Jó 33]Jó 33



DEUS É MAIOR DO QUE O HOMEM
1. E agora, Jó, ouça as minhas palavras, preste atenção ao que vou dizer.
2. Vou abrir a minha boca, e a minha língua formará palavras com o céu da boca.
3. Falo de coração sincero, e os meus lábios falarão claramente.
4. Foi o sopro de Deus que me criou, o alento do Todo-poderoso me deu vida.
5. Se você puder, responda-me; prepare-se, e argumente contra mim.
6. Veja! Diante de Deus, eu sou igual a você: também eu fui tirado do barro.
7. Não tenha medo de mim, pois a minha autoridade não o inibirá.
8. Você disse e repetiu aos meus ouvidos, e ainda escuto o som de suas palavras:
9. 'Eu sou puro, e não tenho culpa! Sou inocente e não cometi nenhum pecado!
10. Deus, porém, inventa pretextos contra mim e me trata como inimigo.
11. Ele coloca meus pés no cepo e vigia todos os meus passos'.
12. Nisso eu digo que você não tem razão, pois Deus é maior do que o homem.

DEUS FALA DE VÁRIOS MODOS
13. Como você se atreve a levantar um processo contra ele, dizendo que ele não responde a nenhuma de suas acusações?
14. Deus fala, ora de um modo, ora de outro, mas as pessoas não prestam atenção.
15. Ele fala em sonhos ou em visões noturnas, quando o torpor cai sobre o homem adormecido no leito.
16. Então ele abre o ouvido do ser humano, segredando-lhe suas advertências,
17. para afastar o homem do mal e evitar que se encha de orgulho.
18. Dessa forma, ele impede que o homem desça ao túmulo e cruze a fronteira da morte.
19. Às vezes, Deus corrige o homem também com o sofrimento na cama, quando o corpo treme sem parar,
20. e a pessoa recusa comer, com nojo até do seu alimento preferido;
21. quando a pessoa emagrece a olhos vistos e seus ossos começam a aparecer.
22. Então ela se aproxima do túmulo, e sua vida é entregue à morada dos mortos.
23. Contudo, se a pessoa encontra um anjo favorável, um intercessor, entre outros mil, que lhe mostre o seu dever,
24. que tenha compaixão dele e diga a Deus: 'Livra-o de baixar à sepultura, pois encontrei um resgate para ele',
25. então o seu corpo de novo se tornará jovem, e ele voltará aos dias de sua mocidade.
26. Então suplicará a Deus, que o atenderá. Deus lhe mostrará alegremente a sua face, fazendo com que o homem se torne justo.
27. Esse homem contará então diante dos outros, dizendo: 'Eu tinha pecado e violado o direito. Deus, porém, não me castigou como eu merecia.
28. Livrou-me de cair na sepultura, e agora a minha vida pode contemplar a luz'.
29. Veja! Deus faz tudo isso duas e até três vezes em favor do homem,
30. a fim de tirá-lo vivo do túmulo e iluminá-lo com a luz da vida.
31. Preste atenção, Jó, escute-me, fique em silêncio enquanto eu falo.
32. Se você tem algo a dizer, me responda. Pode falar, estou disposto a dar-lhe razão.
33. Se você não tem nada para falar, então escute-me, cale-se, e eu lhe ensinarei a sabedoria".

[Jó 34]2. DEUS É JUSTO



Jó 34

1. Eliú continuou dizendo:
2. "Sábios, escutem as minhas palavras, e vocês, doutores, prestem atenção.
3. Assim como o ouvido distingue as palavras e o paladar saboreia os alimentos,
4. também nós podemos discernir o que é justo e reconhecer o que é bom.
5. Jó afirmou: 'Sou inocente, mas Deus se nega a fazer-me justiça.
6. Embora esteja no meu direito, passo por mentiroso e, embora não tenha pecado, uma flecha me feriu mortalmente'.
7. Quem é grande como Jó? Ele bebe sarcasmo como água,
8. junta-se aos malfeitores e anda na companhia dos injustos.
9. Ele afirma: 'O homem não ganha nada em satisfazer a Deus'.
10. Escutem-me, homens sensatos. Longe de Deus praticar o mal, longe do Todo-poderoso praticar a injustiça!
11. Deus paga ao homem conforme as suas obras e retribui a cada um conforme a sua conduta.
12. Deus, na verdade, não age de modo injusto. O Todo-poderoso nunca viola o direito.
13. Quem confiou a ele o governo da terra? Quem lhe entregou o mundo inteiro?
14. Se ele pensasse apenas em si mesmo e retirasse o seu espírito e o seu sopro,


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