Origem do mundo e da humanidade a criaçÃo gênesis 1 a humanidade, ponto alto da criaçÃO


A sabedoria é exalação do poder de Deus, emanação puríssima da glória do Onipotente e, por isso, nada de contaminado nela se infiltra. 26



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25. A sabedoria é exalação do poder de Deus, emanação puríssima da glória do Onipotente e, por isso, nada de contaminado nela se infiltra.
26. Ela é reflexo da luz eterna, espelho nítido da atividade de Deus e imagem da sua bondade.
27. Embora seja única, ela tudo pode. Permanece sempre a mesma, mas renova tudo, e entrando nas almas santas, através das gerações, forma os amigos de Deus e os profetas.
28. De fato, Deus ama somente aqueles que convivem com a sabedoria.
29. Ela é mais bela que o sol e supera todas as constelações de astros. Comparada à luz do dia, ela sai ganhando,
30. pois a luz cede lugar à noite, mas contra a sabedoria o mal não prevalece.

[Sabedoria 8]Sabedoria 8



1. Ela se estende vigorosamente de um extremo a outro, e governa retamente o universo.

A COMPANHEIRA IDEAL
2. Amei a sabedoria e a busquei desde a minha juventude, e procurei tomá-la como esposa, pois fiquei enamorado de sua formosura.
3. A união com Deus manifesta a nobre origem dela, porque o Senhor do universo amou-a.
4. De fato, ela é iniciada na ciência de Deus e seleciona as obras dele.
5. Se na vida a riqueza é um bem desejável, que riqueza é maior do que a sabedoria, que tudo produz?
6. E se é a inteligência quem opera, quem mais do que ela é artífice do que existe?
7. Se alguém ama a justiça, as virtudes são os seus frutos, pois é ela quem ensina a temperança e a prudência, a justiça e a fortaleza, que são na vida os bens mais úteis aos homens.
8. Se alguém deseja também uma rica experiência, ela conhece as coisas passadas e entrevê as futuras, conhece a sutileza das máximas e a solução dos enigmas. Prevê sinais e prodígios, e o desenrolar das épocas e tempos.
9. Decidi, portanto, tomá-la por companheira de minha vida, sabendo que ela será boa conselheira e me trará conforto nas preocupações e no sofrimento.
10. Por causa dela, serei elogiado pelas assembléias e, ainda jovem, os anciãos me honrarão.
11. No julgamento, terei agudeza e serei admirado pelos poderosos.
12. Se eu me calar, ficarão na expectativa; se eu falar, me prestarão atenção; se eu prolongar o discurso, todos colocarão a mão na boca.
13. Por meio dela alcançarei a imortalidade, e deixarei aos meus sucessores uma lembrança eterna.
14. Governarei os povos e dominarei as nações.
15. Tiranos terríveis ficarão assustados quando me ouvirem, mas serei bom para o povo e corajoso no momento da guerra.
16. Ao voltar para casa, repousarei ao lado dela, porque a sua companhia não provoca amargura, e a convivência com ela não traz nenhuma dor, mas contentamento e alegria.

ORAÇÃO DA AUTORIDADE
17. Refleti sobre essas coisas e meditei no meu íntimo: a imortalidade está na união com a sabedoria,
18. e na sua amizade existe alegria perfeita; na obra de suas mãos existe riqueza inesgotável, na relação assídua com ela se adquire a prudência, e na participação de suas palavras se encontra a fama. Assim sendo, eu ia por toda a parte procurando os meios de conquistá-la para mim.
19. Eu era um jovem de boas qualidades e tive a sorte de ter uma boa alma,
20. ou melhor, sendo bom, vim a um corpo sem mancha.
21. Sabendo que jamais teria conquistado a sabedoria, se Deus não a tivesse concedido a mim - e já era sinal de inteligência saber de quem vinha o dom - voltei-me então para o Senhor e lhe supliquei, dizendo com todo o meu coração:

[Sabedoria 9]Sabedoria 9



1. "Deus dos pais e Senhor de misericórdia, tudo criaste com a tua palavra!
2. Com a tua sabedoria formaste o homem para dominar as criaturas que fizeste,
3. para governar o mundo com santidade e justiça, e exercer o julgamento com retidão de alma.
4. Concede-me a sabedoria, que está entronizada ao teu lado, e não me excluas do número de teus filhos.
5. Eu sou teu servo, filho de tua serva, homem fraco e de vida breve, incapaz de compreender a justiça e as leis.
6. Mesmo que alguém fosse o mais perfeito dos homens, se lhe faltasse a sabedoria que provém de ti, ele de nada valeria.
7. Tu me escolheste como rei do teu povo e juiz dos teus filhos e filhas.
8. Tu me mandaste construir um templo sobre o teu santo monte, um altar na cidade onde fixaste a tua tenda, cópia da tenda santa que tinhas preparado desde o princípio.
9. Contigo está a sabedoria, que conhece as tuas obras e que estava presente quando criaste o mundo. Ela sabe o que é agradável aos teus olhos e o que é conforme aos teus mandamentos.
10. Manda a sabedoria desde o céu santo e a envia desde o teu trono glorioso, para que ela me acompanhe e participe dos meus trabalhos, e me ensine o que é agradável a ti.
11. Porque ela tudo sabe e tudo compreende. Ela me guiará prudentemente em minhas ações e me protegerá com a glória dela.
12. Assim, as minhas obras serão agradáveis a ti, eu poderei governar com justiça o teu povo, e serei digno do trono de meu pai.
13. Quem pode conhecer a vontade de Deus? Quem pode imaginar o que o Senhor deseja?
14. Os pensamentos dos mortais são tímidos e nossos raciocínios são falíveis,
15. porque um corpo corruptível torna pesada a alma, e a tenda de terra oprime a mente pensativa.
16. Com muito custo, podemos conhecer o que está na terra e com dificuldade encontramos o que está ao alcance da mão. Mas quem poderá investigar o que está no céu?
17. Quem poderá conhecer o teu projeto, se tu não lhe deres sabedoria, enviando do alto o teu espírito santo?
18. Somente assim foram endireitados todos os caminhos de quem vive sobre a terra. Somente assim os homens aprenderam aquilo que te agrada. Eles foram salvos por meio da sabedoria".

[Sabedoria 10]III. A SABEDORIA DIRIGE A HISTÓRIA



1. A SABEDORIA NAS RAÍZES DO POVO

Sabedoria 10

1. A sabedoria protegeu o pai do mundo, o primeiro homem formado por Deus e que foi criado sozinho. Ela o libertou de sua própria queda,
2. e lhe deu força para dominar todas as coisas,
3. mas um injusto se afastou dela com sua cólera e pereceu na sua própria ira fratricida.
4. Por causa dele, a terra foi inundada, mas a sabedoria de novo o salvou, conduzindo o justo numa frágil embarcação.
5. Quando as nações aderiram à maldade e foram confundidas, ela reconheceu o justo e o conservou sem mancha diante de Deus e o manteve forte, apesar da sua ternura pelo filho.
6. E enquanto os ímpios pereciam, ela salvou um justo em fuga diante do fogo que caía sobre cinco cidades.
7. Como testemunho dessa gente perversa, resta ainda uma terra deserta e fumegante, junto com árvores de frutos que não amadurecem, e a estátua de sal que se ergue como lembrança de uma alma incrédula.
8. Porque, desprezando a sabedoria, não só se prejudicaram ignorando o bem, mas deixaram para os insensatos uma lembrança de sua insensatez, para que suas faltas não ficassem escondidas.
9. A sabedoria, porém, libertou dos sofrimentos os seus fiéis.
10. Por caminhos planos, ela guiou o justo, que fugia da ira do irmão, mostrou-lhe o reino de Deus e lhe revelou as coisas santas. Deu-lhe sucesso em suas fadigas e multiplicou os frutos do seu trabalho.
11. Ela o protegeu contra a cobiça de seus adversários e o tornou rico.
12. Ela o guardou de seus inimigos e o defendeu de todos os que lhe armavam ciladas. Deu-lhe a vitória numa dura luta, para lhe mostrar que a piedade é mais forte do que tudo.
13. A sabedoria não abandonou o justo que tinha sido vendido, e o preservou do pecado.
14. Ela desceu com ele à cisterna, e não o abandonou na prisão, até conseguir para ele o cetro real e o poder sobre seus próprios adversários. Desmascarou os que o caluniavam e lhe deu fama perene.

2. A SABEDORIA CONSTRÓI A LIBERTAÇÃO

DA ESCRAVIDÃO PARA A LIBERDADE
15. A sabedoria libertou de uma nação de opressores um povo santo, uma raça irrepreensível.
16. Ela entrou na alma de um servo do Senhor e, com prodígios e sinais, enfrentou reis temíveis.
17. Deu aos santos a recompensa pelos sofrimentos que tinham passado, e os guiou por um caminho maravilhoso. Tornou-se para eles abrigo durante o dia e esplendor de estrelas durante a noite.
18. Ela os fez atravessar o mar Vermelho e os guiou através de águas impetuosas.
19. Fez com que seus inimigos se afogassem, e depois vomitou-os das profundezas do mar.
20. Desse modo, os justos despojaram os injustos, e celebraram o teu santo nome, Senhor, louvando juntos o teu braço protetor.
21. Porque a sabedoria abriu a boca dos mudos e soltou a língua dos pequeninos.

[Sabedoria 11]Sabedoria 11



1. A sabedoria levou a bom termo os empreendimentos do povo por meio de um santo profeta.
2. Eles atravessaram um deserto desabitado, armaram as tendas em lugares inacessíveis,
3. resistiram aos adversários e repeliram os inimigos.
4. Quando tiveram sede, eles te invocaram, e uma rocha escarpada lhes deu água, uma pedra dura lhes matou a sede.
5. Aquilo que tinha servido como castigo para seus inimigos, tornou-se para eles benefício na necessidade.
6. Em lugar da água corrente de um rio, turvado de sangue podre,
7. como castigo pelo decreto infanticida, tu lhes deste inesperadamente água abundante.
8. Pela sede que estavam sentindo, tu lhes mostraste como havias castigado seus inimigos.
9. De fato, quando sentiam provações, embora fossem corrigidos com misericórdia, compreendiam os tormentos dos injustos, que eram julgados com ira.
10. Porque tu os provaste como pai que corrige, e castigaste os outros como rei severo que condena.
11. Longe ou perto, foram atingidos do mesmo modo,
12. porque dupla aflição os oprimiu. E choraram, lembrando-se do que lhes acontecera.
13. De fato, quando ficaram sabendo que o castigo era fonte de benefício para os outros, sentiram a presença do Senhor.
14. Pois aquele que outrora fora rejeitado, exposto e desprezado com zombarias, no fim dos acontecimentos foi admirado por eles, quando estavam sofrendo uma sede diferente da sede dos justos.

CONSEQÜÊNCIAS DA IDOLATRIA
15. Por causa dos raciocínios insensatos da injustiça deles, erraram e adoraram répteis privados de razão e animais desprezíveis. Como castigo, enviaste a eles multidões de animais irracionais,
16. para aprenderem que cada um é castigado através daquilo mesmo com que peca.
17. Para a tua mão onipotente, que da matéria informe criou o mundo, não teria sido difícil mandar contra eles bandos de ursos e leões ferozes,
18. ou feras desconhecidas e recém-criadas, cheias de furor, espirando hálito de fogo e expelindo turbilhões de vapor pestilento, e lançando pelos olhos relâmpagos terríveis.
19. Animais que não só poderiam exterminá-los com o seu furor, mas aniquilá-los somente com seu aspecto apavorante.
20. Mesmo sem nada disso, poderiam sucumbir com um sopro apenas, perseguidos pela justiça e espalhados pelo sopro do teu poder. Mas tudo dispuseste com medida, número e peso.
21. Prevalecer com a força é sempre possível para ti. Quem poderia opor-se ao poder do teu braço?
22. O mundo inteiro diante de ti é como grão de areia na balança, como gota de orvalho matutino caindo sobre a terra.
23. Todavia, tu tens compaixão de todos, porque podes tudo, e não levas em conta os pecados dos homens, para que eles se arrependam.
24. Tu amas tudo o que existe, e não desprezas nada do que criaste. Se odiasses alguma coisa, não a terias criado.
25. De que modo poderia alguma coisa subsistir, se tu não a quisesses? Como se poderia conservar alguma coisa se tu não a tivesses chamado à existência?
26. Tu, porém, poupas todas as coisas, porque todas pertencem a ti, Senhor, o amigo da vida.

[Sabedoria 12]Sabedoria 12



1. O teu espírito incorruptível está em todas as coisas.
2. Por isso, castigas com brandura os que erram. Tu os admoestas, fazendo-os lembrar os pecados que cometeram, para que, afastando-se da maldade, acreditem em ti, Senhor.

UM PROJETO VOLTADO PARA A VIDA
3. Tu odiavas os antigos habitantes da tua terra santa,
4. porque faziam coisas detestáveis, praticavam magia e ritos sacrílegos.
5. Assassinavam impiedosamente seus próprios filhos, realizavam banquetes em que devoravam entranhas, carne humana e sangue. A esses iniciados em orgias,
6. pais assassinos de seres indefesos, tu os quiseste destruir pela mão de nossos antepassados.
7. Tudo isso, para que esta terra, mais estimada por ti do que qualquer outra, recebesse uma população digna, formada por filhos de Deus.
8. Mas também com eles, porque eram homens, tu os trataste com indulgência, mandando vespas contra eles, como precursores do teu exército, a fim de os destruir pouco a pouco.
9. Tu bem podias ter entregue os injustos na mão dos justos durante uma batalha, ou destruí-los com animais ferozes, ou ainda com uma ordem repentina e sem apelação.
10. Mas tu os castigaste pouco a pouco, dando-lhes oportunidade de se arrependerem, embora não ignorasses que vinham de uma raça perversa, que a maldade deles era inata e que nunca mudariam de mentalidade,
11. porque desde a origem vinham de uma raça maldita. Certamente não era por medo de ninguém que tu não castigaste a culpa deles.
12. De fato, quem poderia perguntar a ti: O que foi que fizeste? Quem ousaria opor-se à tua decisão? Quem te acusaria por destruir nações que criaste? Quem se apresentaria contra ti para defender homens injustos?
13. Por outro lado, além de ti, não há outro Deus que cuide de todas as coisas, e diante de quem devas defender-te da acusação de ser juiz injusto.
14. Nenhum rei ou soberano pode confrontar-se contigo para defender aqueles que tu castigaste.
15. Tu, porém, és justo, e governas todas as coisas com justiça. Consideras incompatível com o teu poder condenar alguém que não mereça castigo.
16. De fato, a tua força é princípio de justiça, e o teu domínio universal faz que sejas indulgente para com todos.
17. Tu mostras tua força para quem não acredita na perfeição do teu poder, e confundes a insolência daqueles que o conhecem.
18. Apesar de tudo, dominas a tua própria força e julgas com brandura. Tu nos governas com muita indulgência, porque tu podes exercer o poder quando queres.

JUSTIÇA, MISERICÓRDIA E VIDA
19. Com tal modo de agir, tu ensinaste ao teu povo que o justo deve amar os homens, e infundiste em teus filhos a esperança, porque concedes aos homens a possibilidade de se converterem depois de pecar.
20. Puniste os inimigos de teus filhos com grande brandura e indulgência, dando-lhes tempo e ocasião para se converterem de sua maldade, quando na verdade eram réus de morte.
21. Com quanto maior cuidado julgas os teus filhos, a cujos pais concedeste com juramento a tua aliança, garantia de tão boas promessas!
22. Assim, para nos educar, tu castigas os nossos inimigos com moderação, para que nós, quando julgarmos, lembremos sempre a tua bondade; e, quando formos julgados, contemos sempre com a tua misericórdia.
23. Atormentaste os insensatos que viveram vida injusta, castigando-os com as suas próprias abominações.
24. Eles se haviam extraviado muito longe pelo caminho do erro, considerando como deuses os mais desprezíveis e repugnantes animais, deixando-se enganar como crianças que não têm o uso da razão.
25. Por isso, como crianças que ainda não refletem, tu os submeteste a um julgamento de zombaria.
26. Os que não se corrigissem com o julgamento de zombaria teriam que sofrer um castigo digno, mandado por Deus.
27. De fato, ficaram exasperados com os sofrimentos causados por esses animais, porque foram castigados pelos mesmos seres que eles consideravam como deuses. Então viram claramente e reconheceram o Deus verdadeiro, que antes recusavam reconhecer. Por isso sobre eles recaiu a maior das condenações.

[Sabedoria 13]3. O JULGAMENTO DA IDOLATRIA



Sabedoria 13

AS CRIATURAS TESTEMUNHAM O CRIADOR
1. São naturalmente insensatos todos os homens que ignoram a Deus e que, através dos bens visíveis, não chegam a reconhecer Aquele que existe. Consideram as obras, mas não reconhecem o seu Artífice.
2. E acabam considerando, como deuses e governadores do mundo, o fogo, ou o vento, ou a brisa fugaz, ou o firmamento estrelado, ou a água impetuosa, ou ainda os luzeiros do céu.
3. Se ficam fascinados com a beleza dessas coisas, a ponto de tomá-las como deuses, reconheçam o quanto está acima delas o Senhor, pois foi o autor da beleza quem as criou.
4. Se ficam maravilhados com o poder e atividade dessas coisas, pensem então quanto mais poderoso é Aquele que as formou.
5. Sim, porque a grandeza e a beleza das criaturas fazem, por comparação, contemplar o Autor delas.
6. Esses, porém, merecem repreensão menor, porque talvez se tenham extraviado procurando a Deus e querendo encontrá-lo.
7. Vivendo no meio das obras dele, procuram pesquisá-las, e a aparência delas os fascina, tanta é a beleza do que se vê.
8. Contudo, mesmo esses não têm desculpa,
9. porque, se foram capazes de conhecer tanto, a ponto de pesquisar o universo, como não encontraram mais depressa o Senhor do universo?

INUTILIDADE DOS ÍDOLOS
10. Infelizes também são aqueles que depositam sua esperança em coisas mortas, e que invocam como deuses as obras de mãos humanas: coisas de ouro e prata, trabalhadas com arte, figuras de animais, ou uma pedra sem valor, obra de mão antiga.
11. Um carpinteiro, por exemplo, serra uma árvore fácil de manejar. Depois lhe tira cuidadosamente toda a casca, trabalha a madeira com habilidade e fabrica um móvel, útil para as necessidades da vida.
12. Terminado o trabalho, ele recolhe as sobras da madeira, as emprega para preparar a comida, e se farta.
13. Da sobra de tudo, que não serve para nada, madeira retorcida e cheia de nós, ele a pega e a esculpe nos momentos de lazer. Para se distrair, modela a madeira com capricho, e lhe dá o formato de um homem,
14. ou então a forma de algum animal desprezível. Depois pinta o ídolo de vermelho e cobre de massa todos os seus defeitos.
15. A seguir, prepara-lhe um nicho digno dele, e o coloca na parede, prendendo-o com um prego.
16. Toma esses cuidados para que não caia, sabendo que o ídolo não pode cuidar de si mesmo: é apenas uma imagem, e precisa de ajuda.
17. Entretanto, logo em seguida lhe dirige orações por seus bens, casamento e filhos, sem se envergonhar de ficar falando com uma coisa sem vida. Para a saúde, invoca o que é frágil.
18. Para a vida, faz súplicas àquilo que é morto. Para um auxílio, pede ajuda àquilo que não tem experiência. Para uma viagem, dirige-se a quem não pode dar um passo.
19. Para seus negócios, trabalhos e sucesso nos empreendimentos, pede forças a quem não tem força nenhuma nas mãos.

[Sabedoria 14]Sabedoria 14



1. Outro, lançando-se ao mar para navegar sobre ondas increspadas, invoca um ídolo de madeira, mais frágil do que o barco que o transporta.
2. Ora, o barco foi criado pela ânsia de lucro, e foi a perícia técnica que o construiu.
3. Mas é a tua providência, ó Pai, que o pilota, pois também no mar abriste um caminho, uma rota segura entre as ondas.
4. Isso fizeste para mostrar que tu podes salvar de tudo, e assim, mesmo sem experiência, qualquer pessoa possa embarcar.
5. Tu não queres que as obras da tua sabedoria não sirvam para nada. Por isso os homens confiam suas próprias vidas a um pequeno pedaço de madeira, atravessam as ondas numa frágil embarcação, e chegam a salvo no destino.
6. De fato, no princípio, quando pereciam os orgulhosos gigantes de outrora, a esperança do mundo se refugiou num pequeno barco que, pilotado por tua mão, transmitiu para o mundo a semente da vida.
7. Bendita seja a madeira pela qual vem a justiça!
8. Contudo, maldito seja o ídolo feito por mãos humanas e aquele que o fabricou. Este, por tê-lo feito; e o ídolo, porque, sendo corruptível, foi considerado como deus.
9. Sim, porque Deus odeia tanto o idólatra como a idolatria.
10. A obra será castigada com o seu autor.
11. Por isso, o julgamento atingirá também os ídolos das nações. Porque, entre as criaturas de Deus, eles se tornaram abomináveis, escândalo para as almas dos homens, e armadilha para os pés dos insensatos.

ORIGEM DO CULTO AOS ÍDOLOS
12. A invenção dos ídolos foi o começo da prostituição e a descoberta deles introduziu a corrupção na vida.
13. Eles não existiam no princípio, e não existirão para sempre.
14. Entraram no mundo por causa da vaidade dos homens, e por isso o seu fim rápido já está decretado.
15. Um pai, atormentado por um luto prematuro, manda fazer uma imagem do filho tão cedo arrebatado. Agora honra como deus aquele que antes era apenas um homem morto, e transmite para as pessoas de sua casa ritos secretos e cerimônias.
16. Com o tempo, esse costume ímpio se vai arraigando, e é observado como lei.
17. Era ainda por ordem dos soberanos que se prestava culto às estátuas. Como os súditos que viviam longe não podiam honrá-los pessoalmente, reproduziram sua figura distante, fazendo uma imagem visível do rei que veneravam. Desse modo, adulavam o ausente, como se estivesse presente.
18. A ambição do artista promoveu esse culto, mesmo entre aqueles que não conheciam o soberano.
19. De fato, querendo talvez agradar ao soberano, o artista se esforçou, com sua arte, para torná-lo ainda mais atraente do que na realidade era.
20. A multidão, atraída pelo encanto da obra, considera agora objeto de adoração aquele a quem antes honravam apenas como homem.
21. Isso tornou-se cilada para o mundo: homens, escravizados pela desgraça ou pelo poder, impuseram à pedra e à madeira o Nome incomunicável.

A IDOLATRIA É A FONTE DA CORRUPÇÃO
22. Não bastou a esses homens errar no conhecimento de Deus. Eles vivem também na grande guerra da ignorância, e dão ainda a esses males o nome de paz.
23. Celebram iniciações onde matam crianças ou realizam mistérios ocultos, ou ainda fazem banquetes orgiásticos com rituais estranhos.
24. Não conservam pura nem a vida, nem o casamento, e cada um elimina o outro por traição ou aflige-o com adultério.
25. Por toda parte há uma grande confusão, sangue e crime, roubo e fraude, corrupção e deslealdade, revolta e perjúrio,
26. perseguição contra os bons e esquecimento da gratidão, impureza das almas e perversão sexual, desordens no casamento, adultério e libertinagem.


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