Os inícios dos contactos entre Portugal e as Terras da Boémia


Depois da entrada na União europeia à actualidade



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5. 4. Depois da entrada na União europeia à actualidade

Em 1 de Maio de 2004 a República Checa tornou-se país-membro da União Europeia.

Essa nova era na história da República Checa reflectiu-se também nas relações bilaterais com Portugal.

Além de os contactos políticos activos, alargam-se lentamente as relações noutras áreas da vida da sociedade. A economia checa tornou-se uma economia de transição do sistema de planificação socialista à economia de mercado livre, aberta ao mundo. Mesmo nesse período difícil para a economia checa foram estabelecidos os primeiros laços económicos que se desenvolveram até ao nível de hoje. A balança comercial depois da nossa entrada na U.E. cresceu em dezenas de por cento. Já no fim do mês de Setembro de 2005 atingimos números do ano 2004 que, segundo as estatísticas checas, alcançaram nas exportações para Portugal 202 milhões de euros e nas importações 165 milhões de euros. Os checos exportam os bem conhecidos carros Škoda, mas também peças metalúrgicas e outras mercadorias. Os portugueses fornecem-nos componentes para a produção de televisores, têxtil, sapatos, produtos electrotécnicos, cortiça e outros. Ainda mais importante que as trocas comerciais é o facto de no mercado checo começarem a operar empresas portuguesas, especialmente de construção civil e de cartografia.

O interesse turístico mantem-se e a criação da linha aérea directa de TAP entre Lisboa e Praga é certamente um dos impulsos que ajudaram à sua intensificação.

A riqueza das relações não se limita porém apenas à política, economia e turismo. O conhecimento e a apresentação das nossas culturas são as formas muito desejadas por ambas as partes. Nos últimos anos visitaram Portugal conjuntos musicais desde música clássica até ao rock. Foram organizadas várias apresentações de teatro de marionetas e outros eventos culturais. O centro de estudos Ibero-Americanos da Universidade Carolina, fundado em 1965, traz-nos cada ano contributos de nossos e estrangeiros especialistas de história, literatura, arte e cultura relativas a Portugal no seu anuário “Ibero-Americana Praguensia”.

A exposição com o nome de Formas e Ambientes, maior na história bilateral de Portugal e Republica Checa, realizou-se este ano na sede da Fundação Ricardo do Espírito Santo em colaboração com o Museu de Artes Decorativas de Praga. Apresentaram-se peças de várias épocas do Renascimento até à Arte Nova. No mês de Abril de 2006 deveriam ter lugar os dias da cozinha checa em Lisboa.

Recente fenómeno das relações com Portugal é o intercâmbio dos estudantes, sobretudo de medicina, economia e tecnologias de computadores. Entre estas formas activas de conhecer a cultura dos dois países entre si pertence também sem dúvida a troca de estudantes na União Europeia Erasmus que já funciona muito bem.

Essas formas da cooperação ajudam ao conhecimento mútuo e contribuiem em grande parte ao aprofundamento da amizade entre Republica Checa e Portugal.

6. Conclusão

Pelo que foi dito podemos concluír que as relações luso-checas desenvolveram-se quase como episódicas devido ao facto de se tratar de duas nações com uma diferente cultura e interesses. A nova situação das últimas décadas trouxe-lhes uma nova qualidade. A revolução na rede de informações e nas vias de comunicação aproxima hoje ambos os países. O balanço dos últimos anos confirma, que a democratização em ambos os países enriquece os dois lados e a frequência dos contactos mútuos tende a intensificar-se.

O oeste da Península Ibérica foi sempre ofuscado por toda a série das Potências Europeias. A história da Península Ibérica foi frequentemente encarada pelos checos como um todo, porém o interesse e os contactos dirigiram-se mais intenssamente para a Espanha. Contudo, a partir do século XV, com as descobertas, Portugal começa também a despertar o interesse dos checos.

Como vimos, alguns importantes pontos de contactos destes países aqui referidos, datam desta altura. As primeiras referências sobre Portugal contém o diário de Venceslau Šašek de Bířkov de 1496. Desde 1526 dominaram na Europa Central e Sudoeste os membros da mesma dinastia Habsburga e com este facto ligam-se outros contactos mútuos.

Nos séculos XVII e XVIII Lisboa impressionou sobretudo os comerciantes checos de vidro que visitaram esta cidade. Os nossos antepassados tornaram-se inteiramente bem-sucedidos parceiros de Portugal tanto no comércio mútuo, como na penetração nos mercados transatlânticos.

No século XX após a Primeira Guerra Mundial, abre-se o espaço para as relações diplomáticas entre a Checoslováquia e Portugal. Nas seguintes quase duas décadas desenvolvem-se numerosos contactos no campo das ciências humanitárias, naturais e exactas, nos domínios de técnica etc. Porém, este desenvolvimento nas relações mútuas é interrompido com a ocupação alemã da Checoslováquia em Março de 1939. Após a 2ª Guerra Mundial, a república restaurada foi integrada na esfera do poder soviético. Um curto período de democracia "limitada" termina, devido à tomada do poder pelo Partido Comunista em Fevereiro de 1948.

Podemos dizer que cada totalitarismo causa uma grande isolação do país e dos seus habitantes. Assim, também Portugal ficou numa certa isolação durante a ditadura de Salazar, isto é nos anos 1933-1974.

No período de 1948-1974 os contactos foram esporádicos e mantidos quase exclusivamente por visitas de oponentes ao governo salazarista(como por exemplo por Humberto Delgado, Álvaro Cunhal, Mário Soares etc.).

Finalmente, com a queda do regime da ditadura de Salazar em 1974 e com a queda do regime comunista na Checoslováquia, em 1989, nada impedia que as relações mútuas se desenvolvessem.

A partir de 1989 ao presente é de registar uma grande evolução nestas relações e é de crer que estes contactos mútuos continuam a se alargar e a aprofundar no futuro.




7. Fontes usadas

1. Bibliografia

BINKOVÁ, Simona: Stručná historie států – Portugalsko, Nakladatelství Libri, 2004 Praha

BINKOVÁ, Simona; Polišenský Josef: Česká touha cestovatelská(Cestopisy, deníky a listy ze 17.století), Odeon 1989

DAČICKÝ, Mikuláš z Heslova: Paměti, Nakladatelství Akropolis Praha 1996

FERREIRA LIMA, Henrique de Campos: Relações entre Portugal e a Tchecoeslováquia, Vila Nova de Pamalição, Tip.Minerva, de Gaspar Pinto de Sousa & Irmão, 1936

JANDA, Jan: Portugalsko, Nakladatelství politické literatury, Praha 1964

KLÍMA, Jan: Dějiny Portugalska, Nakladatelství Lidové Noviny 1996

KLÍMA,Jan: Salazar, tichý diktátor, nakladatelství Aleš Skřivan, Praha 2005

KUNDRÁTOVÁ, Linda: Kontakty portugalské antisalazaristické opozice s Československem v letech 1934 – 1947, diplomová práce FF UK 2002

POLIŠENSKÝ, Josef: Úvod do studia dějin a kultury Španělska a Portugalska(do přelomu 19. a 20. století), FF Ostrava 1994

PUBLIKACE ZPRÁVA O ZAHRANIČNÍ POLITICE ČR za období od července 98 – prosinec 2004

SLAVÍČEK, Karel: Listy z Číny do vlasti a jiná korespondence s evropskými hvězdáři(1716-1735), Vyšehrad Praha 1995

ŠAŠEK, Václav z Bířkova: Deník o jízdě a putování pana Lva z Rožmitálu a z Blatné z Čech až na konec světa, Československý spisovatel v Praze roku 1974

TADRA, Ferdinand: Kulturní styky Čech s cizinou až do válek husitských, Jubilejní Fond král.České společenství nauk 1897

TICHÁ, Zdeňka: Jak staří Čechové poznávali svět(výbor ze starších českých cestopisů 14.-17.století, Praha Vyšehrad 1984
VLACH, Roman: Kde země končí a moře začíná, Mladá fronta 1962

ZEMĚ O KTERÉ SE MLUVÍ... PORTUGALSKO, Okresní knihovna ve Znojmě 1975


2. Artigos publicados nos anuários Ibero-Americana Praguensia

BINKOVÁ, Simona: Os países checos e a zona lusitana(Contactos e testemunhos dos séculos XV-XVIII), anuário XXI, 1987

KLÍMA, Jan: A repercussão da crise de Munique na Diplomacia e imprensa portuguesa, anuário XXXV, 2001

KOZICKÁ, Kateřina: Um manual portugûes para os navegadores da segunda metade do século XVI da Biblioteca de Dobrovský(outrora Nostitz) em Praga, anuário XXI, 1987

KOZICKÁ, Kateřina: O sebastianismo na literatura checa dos séculos XVI-XVII, anuário XXVI, 1992

POLIŠENSKÝ, Josef: A Boémia e o terramoto de Lisboa de 1755, anuário XXXI, 1997

POLIŠENSKÝ, Josef: Uma desconhecida descrição de Praga e da universidade de Praga do ano de 1707, anuário XII, 1978

POLIŠENSKÝ, Josef; RATKOŠ Peter: Codex Bratislavensis e as suas notícias sobre as viagens portuguesas para a Índia nos anos de 1502 a 1517, anuário XII, 1978

POLIŠENSKÝ, Josef: Centro da Europa, Portugal e a América que leva o nome do Brasil, anuário XII, 1978

ŠTĚPÁNEK, Pavel: Josef Mánes e os Silva Tarouca, anuário XXXI, 1997


3. Internet

www.mzv.cz

www.czechembassy.pt



www.coldwar.cz

www.romanistika.upol.cz

www.listy.cz/archiv/Zavesicky

http://www.pitoresco.com.br/laudelino/krumholz/krumholtz.htm



www.lusofonia.cuni.cz

www.lifebook.cz/Prazdninova_kniha/Portugalsko

www.icep.pt







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