Os paulistas em s. João d’ el-rei bernardo guimarãES



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CAPÍTULO XX

O anjo do lar e o anjo das selvas

No dia seguinte ao primeiro alvorecer da manhã, seis emboabas bem armados de escopetas, pistolas e zagaias, quatro a cavalo e dois a pé, acompanharam Irabussu, que saía da casa do capitão-mor para ir mostrar a mina oculta de espantosa riqueza, que era o pesadelo de toda aquela gente. Os dois peões iam nos lados do bugre segurando as extremidades de uma grossa corda, que arrochava-lhe os pulsos. Os cavaleiros iam dois adiantes e dois atrás. Para um velho bugre velhaco e feiticeiro como Irabussu tais precauções não eram excessivas.

Fernando havia escolhido os mais resolutos e destemidos, os mais fiéis e dedicados de entre seus patrícios para aquela arriscada e melindrosa empresa. Bem vontade tinha ele de ir em pessoa a ser o primeiro a pôr a mão naquele Eldorado, que tanto lhe cativara a imaginação; mas teve receio e vergonha; receio, porque bem sabia que por aqueles arredores cruzavam hordas selvagens, e temia que Irabussu não os quisesse envolver em alguma cilada; vergonha, porque desejara passar por desinteressado e não queria por modo nenhum que se atribuíssem os seus procedimentos à ganância de ouro. Entretanto não deixou de dar ordem e recomendações mui terminantes e apertadas aos seus homens debaixo de severas comunicações.

-Cuidado com o bugre!... Não facilitem!... Repetia-lhes uma e muitas vezes. -Se o deixarem escapar, terão de sofrer por ele o castigo... Depois que mostrar a mina, tragam-me provas, e marquem bem o lugar e o caminho. Mas antes de tudo não mostrem nada senão a mim. Havemos de lá ir apanhar todo o ouro, que estiver à superfície, e a vocês um bom quinhão; percebem?...

Algumas pessoas, que já estavam despertas e viram passar o bugre, com aquele sinistro acompanhamento diziam entre si:

-Que quer dizer isto?... Irão enforcar o pobre diabo?... Anda, bruxo de mil diabos!... Vai para o inferno pagar teus malefícios!...

As mulheres benziam-se, e os meninos assustados e chorando corriam para junto das mães.

Gil se achava em casa de Maurício, onde havia passado a noite, e estavam ambos naquele quarto muito nosso conhecido, e dali espreitavam com ansiosa curiosidade a saída do bugre.

-Não posso negar, -dizia Gil, -que estou com bastante cuidado a respeito do meu velho bugre. Entretanto, lembro-me que ele é fino e matreiro como raposa velha, e quer me parecer, que longe de ir mostrar ouro àqueles famintos emboabas, vai lhes pregar ainda alguma furiosa peça.

-Pior será isso; se ele escapa-se sem cumprir a palavra, então ai da pobre Judaíba!...

-Isso é verdade!... Irabussu não é capaz de desamparar a filha, nem que o façam em postas...

-Nesse caso que remédio terá senão mostrar a mina?

-Eu sei lá!... Aquele bugre é manhoso e astuto, como ninguém faz idéia; às vezes eu mesmo quase acredito que deveras ele é feiticeiro, ou tem pacto com o diabo. Oh!... Se pudéssemos acompanhá-los de longe!...

-Isso nunca!... Iríamos nos comprometer; Deus sabe o que sucederá!... Todo o mau resultado nos será atribuído. Fiquemos por aqui, e esperemos; é melhor partido, que por agora podemos tomar.

-Tem toda razão, Maurício; mas entretanto lá se vão assenhorear de uma fortuna, que era minha, e que eu comprei, sem o saber, por um ato de caridade cristã, livrando das garras da morte aquele pobre velho!... Que importa!... Fiquem esses miseráveis atolados em ouro, mas respeitem o meu velho amigo, o meu pobre bugre... Senão... Não me poderia mais vingar deles por meio desse ouro, que me roubam. Mas ferro e fogo por toda parte existem, e ninguém mais me impedirá que...

Os sentimentos generosos de Gil transbordavam no acento apaixonado e na expressão dos olhos, que se banhavam em lágrimas, que não queria derramar.

Maurício o interrompeu:

-Tem razão, meu Gil... Eu mesmo não sei o que faça, mas peço-te... Espera...

-Irabussu lá foi para o mato, de mãos amarradas, escoltado por seis emboabas... Que foram fazer dele?... Onde ficou Judaíba? ... Eim!... Meus brancos?...

Esta rápida e brusca interrupção à conversa dos dois paulistas foi feita por Antônio, que desde a véspera não pensava senão na sorte dos dois índios, e entrara no quarto ofegante, com as narinas dilatadas e os olhos chamejantes.

Os dois moços compreenderam logo o que se passava naquela alma inquieta e ardente.

-Irabussu foi mostrar a mina aos emboabas, -respondeu, tranqüilamente Maurício; -não te inquietes, Antônio; Judaíba está em casa de teu senhor velho.

-Ah!... Muito bem!... Muito bem! -Exclamou Antônio batendo palmas. -Vou lá ver Judaíba, ... e de lá vou acompanhar aquela gente... Eu é que hei de descobrir a mina...

-Tu, Antônio!... Exclamaram ao mesmo tempo os dois moços.

-Sim, eu mesmo.

-Mas como!?...

-Ora! Eu cá sei!... Conheço aos palmos tudo isto aqui em roda. Deixem-me fazer o que entender.

-Tiveste ótima lembrança, Antônio; -disse Gil; -tu és esperto, e demais ninguém desconfia de ti... Vai espiar o que eles fazem... Aqueles malditos são capazes de matar o pobre bugre; e por seu lado o bugre pode ainda usar de alguma artimanha, pregar-lhes algum logro, e só tu serás capaz de ficar senhor do negócio... Vai Antônio; vai já.

Antônio olhou para Maurício, como quem lhe pedia o assentimento.

-Vai, -disse-lhe também este.

-Vou já; mas primeiro vou ver Judaíba.

E partiu.

Ao entrar no pátio do capitão-mor o primeiro som que Antônio ouviu foi a voz argentina e suave de Leonor.

-Vai depressa à casa do Sr. Maurício, -dizia ela da varanda a um dos fâmulos, -e chama por cá por ordem de meu pai o índio Antônio. Que venha depressa, ouviste?...

-Antônio aqui está, minha senhora! -Gritou Antônio; -o que quer dele?...

-Ah!... Melhor! Melhor! -Exclamou a moça alegremente. -Parece que adivinhas, Antônio. Vem cá.

Antônio acudiu galgando aos três degraus da escada da varanda.

Leonor, como vimos, desde a véspera tinha tomado vivo interesse e compaixão pelo velho bugre e principalmente por sua inocente filha. Repugnava-lhe ao coração sensível e benfazejo o bárbaro tratamento a que queriam sujeitar os dois míseros selbagens. Sabia muito bem que o principal autor daquelas crueldades era Fernando, e que se o capitão-mor lhes dava algum assenso era de muito mau grado. Depois que fora recolhida amorosamente por seu pai ao interior da casa, conversara largamente com ele, intercedendo pelos pobres selvagens, e rogando com as lágrimas nos olhos que em caso nenhum consentisse em pô-los a trato.

-Não te aflijas, querida filha; -dizia-lhe o bom e carinhoso pai; -tudo isto não passará de meras ameaças, e nem creias que Fernando será capaz de pô-las em prática, e nem eu o consentirei. Entretanto, é preciso que o bugre nos descubra essa mina de incalculável riqueza!... Em honra ao nome que tenho, e à posição que ocupo, não terei remédio senão empregar os últimos meios para fazer esse grande serviço ao meu soberano, a quem é meu dever servir e honrar!...

-Triste honra e triste serviço!... Então para servir e honrar a esse seu soberano, meu pai, é preciso azorragar, estonar, matar a essa pobre gente do mato?!...

-És muito inocente, minha filha, -replicou o pai sorrindo. -Não lhes queremos a vida, não; o que queremos é somente o ouro desta terra, do qual não conhecem o valor, e nem sabem aproveitar-se.

-Não é assim, meu pai; não sabiam, mas agora já sabem. Por que é que Irabussu esconde teimosamente a sua mina?... A seus irmãos ele esconderia?... Não, não de certo!... Esconde-a, porque percebeu que nós damos ao ouro um valor extraordinário, maior do que ele merece. Eles bem pouco se importam com ouro. Deixem-lhes a liberdade, deixem-lhes essas matas, e esses rochedos, em que nasceram, e eles estarão prontos a mostrarem todas as minas deste país, que conhecem melhor que ninguém.

A gentil filha do Ipiranga parecia agitada por um espírito profético, e era como um eco precoce da independência da América portuguesa proclamada nas campinas de sua terra natal.

As singelas e entusiásticas palavras da moça dizeram cismar por um momento a seu velho pai.

-Anda cá, minha filha, -disse ele acordando de seu cismar, e lançando o braço ao colo da menina; -e se eu conseguir mandar para Portugal galeões atopetados de ouro?!... Minha casa erá em breve uma das mais nobres do reino, e mais um brasão, mais um título heráldico virá adornar as armas de nossa família. Já com este meu braço concorri para escorar o trono de Sua Majestade Real; agora quero também contribuir para encher-lhe o erário.

-É justo, meu pai; mas não se poderá conseguir isso sem maltratar tanto esses pobres selvagens?...

-Pode-se, minha filha, e tanto assim que lá se vai nos mostrar um riquíssimo tesouro, sem que seja preciso vexá-los. Mas, se forem precisos meios mais enérgicos, que remédio senão empregá-los!...

-Ah! Permite Deus que isso não seja preciso... Maltratar a uma pobre caboclinha, que de nada sabe, de nada tem culpa!... Oh! Perdoa-me, meu pai, eu não quero mais ser sua filha, se vossemecê consentir nisso!...

-Sossega teu coração, minha filha. Já te disse; são puras ameaças; isso não terá lugar. Pelo contrário, verás que as honras e as riquezas nos entrarão pela casa adentro sem fazermos mal a ninguém.

-Mas, meu pai, pelo menos não fazemos mal a esse Gil...

-Mal a ele, minha filha?!... Ele é quem nos ia fazendo mal, esbulhando-nos de um direito que é nosso, tirando ou fazendo tirar ouro às escondidas. Ah!... Se eu quisesse usar contra ele o rigor das leis!... Mas não desejo exacerbar os ânimos mais do que já estão, e nem reavivar esses ódios, que não sei por que fatalidade, existem entre nós os portugueses e os filhos desta terra... Enfim, Gil não continuará a enriquecer-se por esse modo ilícito, e é quanto basta... Ele por certo não esgotou a mina, que, se Deus for servido, há de ser explorada mais vantajosamente em benefício de El-Rei, de nós todos, e não só dele, como ele esperava, e como eu não posso consentir. Tranqüiliza-te, minha filha, e esperemos até amahã.

Ditas estas palavras, Diogo Mendes beijou ternamente sua filha na fronte, e recolheu-se ao seu aposento.

Leonor esperou com impaciência o alvorecer do dia seguinte. Ansiava por ver de perto com mais atenção a pobre indiana, e falar com ela alguma coisa, fosse o que fosse. Curiosidade infantil, comiseração e nobreza d’ alma, tudo influía, para que ela desse aquele passo. Mas a figura esquálida e monstruosa do velho bugre lhe metia medo. Apenas porém na manhã seguinte Irabussu saiu escoltado pelos emboabas, Leonor correu a pedir a seu pai que lhe deixasse ir ver a caboclinha.

-Que vais lá fazer, minha filha?... Ela não te entenderá, nem tu a ela. Bem viste, como ainda está brutinha e arisca, que nem uma corça...

-Não importa, meu pai; quero ir vê-la de perto, e domesticá-la, essa corça... Coitadinha!... Tão menina ainda!... Quase nua!... Tão desgraçada!... Não faz dó, meu pai?...

-Pois vai, minha filha, -disse Diogo Mendes sorrindo-se bondosamente.

-Mandarei abrir-te a porta da prisão, e poder soltá-la, que não há necessidade alguma de ficar presa aquela probrezinha, que nenhum mal pode fazer. Entretanto, é bom não deixá-la sozinha.

Leonor, acompanhada por uma escrava levando uma trouxa, entrou na prisão. Era esta uma sala espaçosa toda entulhada de troncos, correntes, pegas e instrumentos de suplício, e escassamente alumiada por uma pequena fresta aberta no alto da parede. A este salão meio subterrâneo e soalhada de lajedos, descia-se por uma estreita escada de pedra.

Judaíba estava sentada a um canto da sala sobre um cepo mui baixo, toda encolhida, com a cabeça metida entre os braços enrolados sobre os joelhos. Os cabelos bastos, corridos e mui compridos se lhe entornavam em redor do corpo encobrindo-o quase todo, e lambiam o pavimento, à maneira dos ramos desgrenahados do salgueiro chorão. Estava domritando, ou absorta em profunda mágoa?...

Leonor abriu de manso a porta da prisão, encaminhou-se para a índia, e bateu-lhe de leve no ombro. Judaíba acordou de seu letargo e levantou-se acelerada, murmurando palavras guturais e ininteligíveis com ar ameaçador. Leonor não se assustou; tomou a mão da jovem indígena, afagou-a, abraçou-a, e em poucos momentos fê-la sorrir.

Mandou a escrava colocar perto dela o embrulho de roupas, que lhe trazia, desatou-o e tirou alguns vestidos e enfeites de pouco valor, com que queria brindá-la.

Judaíba mostrou-se muito satisfeita e manifestou por gestos e monossílabos o seu contentamento e gratidão; mas depois, pondo-se de joelhos e agachando-se sobre os calcanhares, cruzou os braços sobre o peito e apontando para a porta, por onde Irabussu se partira, como quem perguntava -que é feito de meu pai? -desatou a chorar.

Leonor compreendeu a mímica com a inteligência do coração.

-Ah!... murmurou ela com os olhos úmidos dirigindo-se à escrava; -que pena eu não poder conversar com ela! Se aqui estivessem ao menos Maurício ou Gil, que entendem tanto a língua desta gente?...

Leonor ficou um momento pensativa, enquanto Judaíba chorava. Depois fazendo um brusco movimento, e batendo na testa:

-Ah! -exclamou; -achei!... E eu que não me lembrava de Antônio!... vou mandar chamá-lo...

Dito isso a moça saiu aceleradamente, deixando a escrava perto de Judaíba, dirigiu-se à varanda, e enquanto dava ordem para chamar Antônio, teve a fortuna de encontrá-lo entrando no pátio, como já vimos.

Leonor conduziu o índio à prisão, onde se achava Judaíba.

-Judaíba! -exclamou Antônio, correndo para junto da cabocla.

-Antônio! gritou esta com um sotaque singular, entreabrindo não um sorriso, mas uma risada alegre, ingênua e desabafada como o trinar de um passarinho.

-Conheço muito Judaíba, sinhá, é minha irmã do mato... Coitadinha!... tem pena dela... ela é muito boazinha...

-Tenho muita pena, Antônio; por isso é que te mandei chamar... e tu também queres muito bem a ela?...

-Sinhá quer saber, se eu quero bem a Judaíba?... eu vou perguntar também ao senhor Maurício se ele quer bem a sinhá Leonor!...

Aquela indiscreta mas ingênua alusão do selvagem fez Leonor enrubecer até os olhos.

-Está bom!... está bom!... disse ela procurando disfarçar o seu enleio. -Eu te chamei, porque quero conversar com tua irmã, e ela não entende a mim, e nem eu a ela...

-Pois fala, sinhá; eu vou dizer tudo tal e qual sem tirar nem pôr uma palavra.

Começou então entre as duas o seguinte diálogo, que era transmitido de uma a outra por intermédio de Antônio.

-Como te chamas?...

-Judaíba.

-Judaíba! ... é nome bem suave!... Quer morar comigo?

-Morarei onde estiver meu pai.

-Queres bem a Antônio?...

-Muito.

-Pois bem!... eu quero que fiques comigo para te casar com Antônio; queres?...



-Sim; mas junto com meu pai...

-É isso mesmo que eu quero; teu pai volta hoje, e ficarão todos três aqui. Eu serei tua irmã, e te hei de tratar muito bem; não consentirei que ninguém faça mal nem a ti, nem a teu pai. Queres ser minha irmã?...morar comigo, com teu pai, com Antônio, nós todos juntos?...

-Falta ainda uma coisa, sinhá, -considerou Antônio.

-O quê? -perguntou Leonor.

-Para tudo ficar direito falta aí o patrão...

-Qual patrão?... replicou a moça, fingindo-se desentendida.

-Ora! o patrão moço, o senhor Maurício...

-Cala-te, Antônio; não se trata agora disso. Querem, ou não querem, o que eu propus?... É o que desejo saber.

-Ora! pois precisa perguntar?... Eu respondo também por Judaíba... Queremos, queremos...

Falando assim, Antônio agarrou na alva e delicada mão de Leonor, beijou-a com frenesi, e mandou a Judaíba que fizesse o mesmo. Leonor não consentiu, e enlaçou-lhe o colo dizendo:

-Abraça tua irmã!

-Vou-me embora, -disse Antônio, -tenho hoje muito que fazer. Quando sinhá precisar de Antônio para conversar com a menina, manda chamá-lo, que de um pulo ele aí está.

Dito isto, trocou com Judaíba algumas palavras em língua indígena, e em dois saltos ponde-se fora da prisão, lá se foi correndo no encalço da escolta que acompanhava Irabussu.

Fernando e o capitão-mor, encerrados no gabinete deste, procuravam passar as longas horas daquele dia de inquieta expectação tratando de diversos negócios; mas o velho bugre, e sua prodigiosa mina de ouro, por mais que disso procurassem esquecer-se, voltavam teimosamente à tela da conversação. Era uma preocupação tenaz, que se lhes agarrava ao espírito como ostra ao rochedo. Tal é a fascinação que o ouro, ainda mesmo sonhado, exerce sobre as imaginações!... A cada momento pensavam estar vendo os seus emboabas voltarem vergados com o peso das sacas de ouro, que já não se pesava, media-se às quartas e aos alqueires.

Também de sua parte Maurício e Gil aguardavam com não menos impaciência o resultado daquela singular pesquisa. Gil deixaria passar para as mãos dos emboabas todo o ouro do mundo, uma vez que o velho bugre, que por ele tanto se sacrificava, nada sofresse. Mas por outro lado estimaria bastante que o ardiloso índio ainda uma vez lhes malograsse as tentativas, e os deixasse completamente burlados morrendo dessa sede fatal, que a perspectiva de imensos tesouros lhes havia ateado no peito.

Maurício também desejaria ver os emboabas nadando em ouro, contanto que com isso se esquecessem de perseguir os seus patrícios, e fazia votos ao céu, para que o bugre, mostrando essa mina fatal, que ameaçava pôr tudo em conflagração, fizesse desaparecer de entre eles mais esse pomo de discórdia.



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