Os pré-socráticos



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Os pré-socráticos
Os filósofos pré-socráticos (filósofos da physis) são os pensadores anteriores a Sócrates (470/469 a.C–399 a.C). Esses filósofos são considerados os pioneiros da Filosofia ocidental. Em suas lucubrações, buscavam um entendimento para o primeiro princípio – arché – princípio esse que deveria estar presente em todos os momentos da existência de todas as coisas manifestas. Essa arché deveria estar no início, no desenvolvimento e no fim de tudo.

De certa forma, parece que a Humanidade não avançou muito nessa matéria – na realidade retrocedeu – pois continua a buscar esse primeiro princípio – Deus – nas mais diversas pirotecnias que nascem, caducam e desaparecem. Se o homem parasse um instantinho só para refletir no que disse Xenófanes — mas, se mãos tivessem os bois, os cavalos e os leões, e pudessem com as mãos desenhar e criar obras como os homens, os cavalos pintariam figuras de deuses semelhantes a cavalos e os bois semelhantes a bois, tais quais eles próprios — talvez não achasse engraçada essa reflexão. Mas, poucos praticam a dialética e muito poucos meditam ou discorrem sobre questões e problemas filosóficos. Ir às compras e dissipar é mais prazeroso!




TALES DE MILETO

[(624 a. C. (?) - 547 a. C. (?)]
O Cosmos é um.

Essa é uma questão recorrente no âmbito da Filosofia. Não há um único filósofo que não tenha meditado sobre o Universo, e, na realidade, tanto faz que se admita o Universo como sendo um ou vários, isto é, que se pense em ilimitados universos, pois se prevalecer o segundo entendimento a soma ilimitada de todos os ilimitados universos dará como resultado um Universo-Mãe ilimitado.

De qualquer forma, apesar de Tales (filósofo naturalista considerado o pai da Filosofia grega e um dos sete sábios da Grécia, pensador, político, matemático, engenheiro e astrônomo) ter pensado que todas as coisas estão cheias de deuses e que o Universo é animado e cheio de deuses, admitiu que a inteligência cósmica é o próprio Deus — o espírito do Mundo é Deus e a totalidade das coisas é dotada de alma cheia de 'dáimones'. Tales entendia a alma como algo cinético misturada ao

Universo, e admitiu que a própria pedra de magnésia (pedra de ímã) possui uma alma pelo fato de deslocar limalhas de ferro. Para Tales, tudo provém da Água e a Inteligência Divina tudo faz a partir da Água — a Terra flutua na Água (este conceito não é absolutamente original, pois já fora mencionado anteriormente na própria Grécia em precedentes mitológicos, ainda que Tales tenha abandonado a formulação mítica; mas Aristóteles admitiu que Tales considerava a Água em um sentido peripatético permanente). Na Metafísica, escreveu Aristóteles: Tales diz que o princípio é a Água, extraindo esta convicção da constatação de que o alimento de todas as coisas é úmido e que até o quente se gera do úmido e vive no úmido. Ora, aquilo de que todas as coisas se geram é, exatamente, o princípio de tudo. Ele tira, pois, esta convicção desse fato e do fato de que todas as sementes de todas as coisas têm uma natureza úmida, e a Água é o princípio da natureza das coisas úmidas.

Pode-se, enfim, inferir do pensamento deste Filósofo que se tudo provém da Água; à Água tudo haverá de retornar. A grande especulação que fica em aberto é se Tales considerava esse primeiro princípio como H2O ou se reconhecia algo anterior que produziria a própria H2O! Estou inclinado a ficar com a segunda hipótese. Ora, se o Cosmos é um, como disse Tales, como ele poderia ter pensado que uma coisa material (H2O) pudesse dar origem a coisas imateriais? Como poderiam os deuses, a inteligência cósmica e instâncias mais elevadas provirem da H2O física, molecular (ainda que o conceito de molécula não fosse conhecido publicamente)? Este raciocínio, que não repetirei, vale para todas as especulações metafísicas dos Iniciados Pré-socráticos. Se hoje ainda não é possível dizer tudo, que dirá há mais de dois milênios! Daí os mitos gregos, por exemplo, que não diziam nada e diziam tudo.


ANAXIMANDRO DE MILETO

[(547 a. C. (?) - 610 a. C. (?)]



O Ilimitado é eterno, imortal e indissolúvel.
Percebendo que tudo o que é gerado chega a um fim e é dissolvido, Anaximandro (parente, discípulo e sucessor de Tales) admitiu que todo e qualquer princípio deriva de um Princípio Indefinido Ilimitado e Eterno que não envelhece e é responsável pela gênese e pela dissolução do Universo, repetindo-se desde um tempo ilimitado. Segundo Teofrasto, Anaximandro afirmou que o princípio de todas as coisas existentes não é nenhum dos denominados elementos (Água, Ar, Terra e Fogo), mas o Ápeiron (sem limites) uma outra natureza 'Ápeiron', de que provêm todos os céus e mundos nele contidos... E a fonte de geração das coisas que existem é aquela em que se verifica também a destruição 'segundo a necessidade'; pois pagam castigo e retribuição uns aos outros pela sua injustiça, de acordo como o decreto do Tempo...

A pluralidade dos mundos, segundo o Filósofo, seria derivada de uma ruptura na unidade do Ápeiron, e a sucessão ilimitada de mundos pode ser entendida de duas maneiras: como continuidade cósmica ou como hiatos acósmicos, nos quais, entre mundo(s) e mundo(s) existiriam hiatos extracósmicos (Ápeiron). O 'Ápeiron' se nos apresenta – segundo José Manuel Fernández – como a fonte inesgotável de energia [em perpétuo movimento] que garante a transformação [evolução ou perene reintegração] e a unidade do cosmos [em si mesmo].



ANAXÍMENES DE MILETO

[(585 a. C. (?) - 528/525 a. C. (?)]

Como nossa alma, que é Ar, nos governa e sustém, assim também o sopro e o Ar abraçam todo o cosmos. (Este é o único fragmento conhecido de Anaxímenes, embora, segundo Gerd Bornhe im, não haja certeza de que seja autêntico.)

Segundo Simplício, Anaxímenes admitia que o princípio de todas as coisas existentes é o Ar. Ao se fazer mais sutil se converte em Fogo; ao se condensar, converte-se em vento, depois em nuvem; mais condensado ainda transforma-se em Água, Terra e pedra. Todas as demais coisas são produzidas a partir destas. Disse também que o movimento é eterno e gerador das mudanças. Mas, em sua cosmogonia, é do Ar que nascem todas as coisas existentes, as que foram e as que serão, os deuses e as coisas divinas. Para este pré-socrático o Ar tem caráter divino; dizia que o Ar é o próprio Deus. O Ar, portanto, substitui a Água de Tales, mas incorpora algumas propriedades do Ápeiron de Anaximandro. Para Anaxímenes o Ar é um Ápeiron infinito, porém determinado. Hipólito justifica essa escolha explicando que o Ar é mais abstrato aos sentidos do que a Água de Tales, ao mesmo tempo em que é invisível como o Ápeiron de Anaximandro.

Heráclito (c. 540-480 a.C.)


Heráclito, o Obscuro, geralmente considerado o maior dos pré-socráticos, teve uma imagem da natureza que poderíamos chamar mais "pessimista", ou, talvez, mais realista. Para ele, o fundamento de tudo não era a vida como ser vivo, o viver relativamente tranqüilo e estável sugerido pela água ou pelo ar, mas o processo de nascer, lutar, amar e morrer. Tranqüilidade e estabilidade são próprios dos mortos. Tudo flui, ninguém se banha duas vezes no mesmo rio, tudo é gerado por uma luta de contrários. O fogo (hoje diríamos melhor "energia"), permanentemente em movimento, foi a melhor imagem dessa inquietação e luta cósmicas que Heráclito pôde encontrar na natureza. Não tanto pela escolha do elemento, mas sim pela substituição do ser pelo processo (dialético, quer dizer, de luta-antítese e amor-síntese de contrários) que esse elemento simboliza, seu pensamento foi o mais inovador desde Tales.


Demócrito de Abdera

460 AC a 370 AC em Abdera (Grécia)
é certamente mais conhecido por sua teoria atômica, mas ele também foi um excelente geômetra. Pouco sabe-se de sua vida, mas sabemos que ele foi discípulo de Leucipo.

Demócrito foi um homem viajado. Historiadores apontam sua presença no Egito, Pérsia, Babilônia e talvez mesmo Índia e Etiópia.

O próprio Demócrito escreveu:

De todos os meus contemporâneos, fui eu quem cobriu a maior extensão em minhas viagens, fazendo as mais exaustivas pesquisas; eu vi a maioria dos climas e países e ouvi o maior número de homens sábios.


Conta-se que certa vez, tendo indo a Atenas, Demócrito desapontou-se porque ninguém na cidade o conhecia. Qual não seria sua surpresa hoje ao descobrir que o acesso principal da cidade passa pelo Laboratório Demócrito de Pesquisa Nuclear!

Muito de Demócrito é conhecido por meio de sua física e filosofia. Apesar de não ter sido o primeiro a propor uma teoria atômica, sua visão do mundo físico foi muito mais elaborada e sistemática do que a de seus predecessores. Do ponto de vista filosófico, sua teoria atômica deu origem a uma teoria ética, baseada em um sistema puramente determinístico, eliminando assim qualquer liberdade de escolha individual. Para Demócrito, liberdade de escolha era uma ilusão, já que não podemos alcançar todas as causas que levam a uma decisão.

Já sua matemática é pouco conhecida. Sabemos que ele escreveu sobre geometria, tangentes, aplicações e números irracionais, mas nenhum desses trabalhos chegou ao nosso tempo.

O que podemos afirmar com certeza é que ele foi o primeiro a propor que o volume de um cone é um terço do volume de um cilindro de mesmas base e altura, e que o volume de uma pirâmide é um terço do volume de um prisma de mesmas base e altura.

Outro fato curioso proposto por Demócrito (como relatado por Plutarco) é o seguinte dilema geométrico:

Se cortarmos um cone por um plano paralelo a base, como serão as superfícies que formam essas seções? São elas regulares ou não? Se forem irregulares, farão o cone irregular, com reentrâncias e degraus; mas, se são regulares, as seções serão todas iguais, e o cone terá a mesma propriedade do cilindro, de ser feito de círculos similares, o que é um absurdo.


Parmênides de Eléia

530 a.C. Eléia . 460 a.C.

É o primeiro pensador a discutir questões relativas ao Ser, e a partir do seu poema intitulado Sobre a Natureza, ele nos traz as possibilidades de conhecê-lo, tendo em relação a ele um conhecimento verdadeiro e universal, e para chegarmos a este conhecimento, torna-se necessário o desvencilhamento dos sentidos, pois o verdadeiro não pode ser percebido pelo nosso campo sensorial e sim pensado, inteligido por nossa razão. 

O Eleata nos apresenta, então, que a nossa frente encontramos dois caminhos: o primeiro que é a via da verdade e o segundo, a via da opinião. O segundo caminho, nos diz Parmênides, temos que nos afastar , pois é o caminho do não-ser, do nada, do que não existe, do inominável, do impensado e do indizível.

O não ser, é o que captamos pelo nosso campo sensorial, e os sentidos só nos traz o ilusório, o que não existe; a percepção, é o campo da doxa, a opinião é o não-ser, o nada.

A alétheia, é o Ser, o Ser é o verdadeiro, e é na vida da verdade que nós temos que caminhar, e pela razão atingirmos o Ser que é Uno, indivisível, imutável, intemporal. O ser é pensado, se ele é pensado, ele existe, pois só podemos pensar sobre algo que tem existência, portanto, ele pode ser nominado, pois só podemos dar nomes a coisas existentes; tendo nome ele pode ser dito, sendo tido podemos utilizar a persuasão para afastar os homens mortais do falso, da segunda via, da opinião.
"O Ser é e o não ser não é"
É na máxima elaborado por Parmênides: O Ser é e o não-ser não é, norteará todas as discussões ulteriores sobre o Ser, e respostas variadas serão dadas para defender ou refutar a tese parmenediana do Ser Uno e imutável.

ZENÃO DE ELEIA
Natural de Eleia, cidade grega no sul de Itália, filho de Teleutágoras, conterrâneo e discípulo de Parménides, Zenão nasceu por volta de 496-488 antes de Cristo e morreu por volta de 435-425 antes de Cristo, tendo-se notabilizado pela metodologia a que recorreu em defesa das ideias do seu mestre: em lugar de tentar provar as teses que este professava, procurou deduzir as consequências contraditórias das hipóteses dos adversários, recorrendo a uma técnica lógica similar à que viria a ser conhecida como "redução ao absurdo".

A obra pela qual ele ficou conhecido foi escrita na sua juventude e publicada contra a sua vontade (Epicheiremata). Nesta obra, defendeu o ser uno, contínuo e indivisível de Parménides contra o ser múltiplo, descontínuo e divisível dos pitagóricos (Zenão escreveu a sua obra na sua juventude, portanto ainda na Eleia, na actual Itália, e aí os únicos que poderiam criticar o seu mestre Parménides seriam os pitagóricos, contudo estes não eram os únicos a defenderem a hipótese da pluralidade em oposição à hipótese do Uno, defendida pela Escola da Eleia, pelo que, esta obra poderia não pretender criticar especificamente os pitagóricos). Supõe-se que esta obra tenha sido escrita antes de 460 antes de Cristo, e é possível que tenha escrito obras posteriormente.

A grande fama de Zenão proveio dos seus paradoxos, explanados no seu livro. Apenas 200 palavras sobreviveram da sua obra, pelo que a maioria dos registos dos seus ensinamentos chegaram aos dias de hoje por vias secundárias, nomeadamente através de Aristóteles e Simplicius. Estes paradoxos tinham o objectivo de defender a teoria do seu mestre Parménides de que a realidade era única, imutável e imóvel, pelo que mudança, movimento, tempo e pluralidade não passariam de ilusões. A teoria de Parménides apresentava conclusões que contradiziam o que transmitiam os sentidos, o objectivo de Zenão não era apresentar provas que reforçassem a teoria em si, mas sim mostrar que as teorias opostas também levavam a contradições.
Por volta de 450 a.C. Zenão acompanhou o seu professor e amigo, o filósofo Parménides numa viagem a Atenas, onde conheceu Sócrates e causou impressão suficiente para aparecer num dos livros de Platão, o diálogo Parménides, no qual Zenão tem uma discussão filosófica com Sócrates, nessa altura ainda jovem. É aliás deste diálogo que provem a maior fonte de conhecimento sobre Zenão. Segundo Platão, nesta altura, Zenão teria por volta de 40 anos, era alto e de aparência elegante

Ensinou em Atenas por diversos anos antes de regressar a Eleia. Há quem diga que durante a sua estadia em Atenas, terá revelado as suas doutrinas a pessoas como Péricles e Callias por 100 minae (antiga moeda).

Zenão não só era muito respeitado no seu Estado, como também era em geral célebre e muito respeitado enquanto professor, chegando até a existir homens que percorriam muitos quilómetros para poder aprender com ele.

Relativamente à parte final da sua vida, diz-se que terá conspirado contra um tirano pela libertação de um Estado, contudo, não se tem certeza sobre o local (se na Eleia ou talvez na Sicília) nem sobre quem seria o tirano (é por alguns apontado que seria Nearco o nome do tirano), nem sobre as circunstâncias e razão da conspiração. A conjuração terá sido traída e Zenão capturado e torturado até à morte diante do povo da cidade. Os relatos desta tortura pública assumem contornos de lenda, sendo discutível até que ponto se terão de facto passado. É dito que quando lhe perguntaram os nomes dos outros conjuradores, e ao perguntar pelos inimigos do Estado, Zenão indicou todos os amigos do tirano como participantes da conjuração. Diz-se ainda que ele fingiu querer dizer ainda algo aos ouvidos do tirano, mordendo-lhe, no entanto, a orelha e cerrando os dentes até ter sido trucidado pelos outros. Outros narram que ele teria ferrado os dentes em seu nariz, segurando-o assim. Outros ainda dizem que, tendo suas respostas sido seguidas de enormes torturas, ele cortou a língua com os próprios dentes e a cuspiu no rosto do tirano, para lhe mostrar que dele nada arrancaria. Deste modo, as poderosas repreensões ou também as torturas horríveis e a morte de Zenão mobilizaram os cidadãos e levantaram-lhes o ânimo, para caírem sobre o tirano, matá-lo e assim libertar-se.

Não tendo concebido nenhum sistema próprio, a importância de Zenão deriva de ter sido o primeiro a propor um método de refutação estritamente formal com valor universal. A sua preocupação crítica aliada à argúcia que exibiu como polemista, valeu-lhe o ter sido considerado por Aristóteles como fundador da dialéctica.

Zenão era sobretudo filósofo e lógico e não tanto matemático, mas os seus paradoxos contribuíram para o desenvolvimento do rigor lógico e matemático e foram insolúveis até ao desenvolvimento dos conceitos de continuidade e infinito. Ele foi o primeiro grande questionador na história da matemática, os seus paradoxos espantaram matemáticos durante séculos e a tentativa de resolvê-los conduziu a numerosas descobertas.


Movimento. Zenão especializou-se em defender os pensamentos de Parmênides, basicamente negar o que dizem os nossos sentidos. Não existe o movimento, entendido como a passagem de um corpo da situação de “estar em um lugar” para a de “não-estar-mais naquele lugar”, assim como não existem o tempo, a velocidade e o espaço.

Respondia aos críticos com argumentos que mostravam as contradições do pensamento objetivo, mediante aporias (becos sem saída) e paradoxos. A seguir, dois argumentos de Zenão contra o movimento:

 Suponhamos que um móvel, saindo do ponto A, se destine a atingir o ponto B. Tarefa impossível! Pois, antes de atingir B, o móvel deve atingir a metade da distância entre A e B, o ponto C; antes de atingir C, o móvel deve atingir a metade do caminho entre A e C; e assim sucessivamente, até o infinito. Ou seja, o móvel não pode cumprir o depois, que é chegar ao ponto B, porque tem infinitas tarefas a cumprir. Infinitas!

Um objeto está em repouso quando ocupa um espaço igual às suas dimensões. Logo, uma flecha que voa está em repouso, porque, no vôo, a flecha ocupa em qualquer instante um espaço igual às suas dimensões.


A origem do termo "Sofista"

As palavras gregas sophos e sophia habitualmente traduzidas por sábio e sabedoria foram utilizadas desde os tempos mais remotos tendo-lhes sido sucessivamente atribuídos vários significados.

No início, foram utilizadas para realçar uma capacidade ou arte especial num determinado assunto. refere que um construtor naval, um cocheiro, um navegador, um adivinho ou um escultor são sábios nas suas profissões. Também Apolo é sophos com a sua lira. Nesta altura, sophos era atribuído a alguém que desempenhava uma determinada tarefa ou ocupação com um rigor e perfeição melhores que qualquer outra pessoa.

No início do séc. V a.C. o termo "sofista" passa a ser utilizado com o sentido de "homem sábio". É atribuído a poetas, como Homero e, a músicos e rapsodos, a deuses e mestres, aos Sete Sábios, aos filósofos pré-socráticos e a figuras com poderes superiores, como Prometeu. Pelo final do século, o termo "sofista" era aplicado a quem escrevia ou ensinava e que era visto como tendo uma especial capacidade ou conhecimento a transmitir. A sophia era fundamentalmente prática e sobretudo direccionada para a política ou para a arte.

No entanto, depois dos sofistas terem aparecido na Grécia, os ódios e invejas que geraram por entre a multidão fez com que a palavra "sofista" começasse a ser utilizada em sentido depreciativo. A palavra passa então a ser utilizada no sentido de ladrão, charlatão ou mentiroso, significado que acaba por ir ao encontro do seu sentido actual.

Os Sofistas como Professores Pagos

Como temos vindo a referir, os sofistas surgiram em resposta às novas exigências que se colocavam à educação. De facto, quando os primeiros sofistas surgiram, não havia, mestres para ensinar a discursar e a convencer as multidões e a sociedade não os reconhecia como uma possível resolução dos seus problemas. Desta forma, não é difícil imaginarmos que os primeiros sofistas devem ter sido recebidos de modo bastante frio e sarcástico. Se, por um lado, os sofistas não tiveram dificuldades em encontrar discípulos que lhes pagassem os seus serviços, por outro lado, enfrentaram severas críticas dos mais idosos e conservadores que viam neles uma ameaça à estabilidade da Paidéia.

No entanto, a pouco e pouco, os sofistas foram sendo cada vez mais ouvidos e procurados. Eram estudiosos profissionais que tinham recolhido muitos conhecimentos sobre os mais variados assuntos, dos fenómenos naturais à vida política, às instituições sociais e às questões populares do dia-a-dia.

Os sofistas raramente eram filhos de Atenas e, no entanto, a sua condição de "estrangeiros" não os impedia de oferecerem aos jovens da cidade a educação pela qual todos ansiavam e que os preparava para uma carreira de engrandecimento pessoal na vida política e social da época. Geralmente não se fixavam em nenhuma cidade. Viajavam de terra em terra angariando discípulos que passavam alguns anos (habitualmente três ou quatro) estudando com eles.

Mas o maior desejo de qualquer sofista era ser bem recebido em Atenas. Era aqui, no centro da cultura helénica, que eles tinham maiores probabilidades de enriquecer, aumentar a sua fama, e adquirir prestígio.


Qual era a "clientela" dos sofistas, ou seja, quem eram os seus alunos?

Os sofistas destinavam o seu ensino a todos os que desejassem "adquirir a superioridade necessária ao triunfo na arena política" (Marrou, 1966: pág.84). No entanto, os seus alunos provinham habitualmente das classes mais abastadas, onde se podiam encontrar novos ricos em busca de poder. Platão, no seu diálogo "Protágoras", testemunha uma outra situação ao revelar que possuía dois tipos de alunos, os que eram oriundos de famílias abastadas e que procuravaOs sofistas se compunham de grupos de mestres que não eram gregos, pois não podiam participar da democracia ateniense] que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação. O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada


Os sofistas se compunham de grupos de mestres que não eram gregos, pois não podiam participar da democracia ateniense] que viajavam de cidade em cidade realizando aparições públicas (discursos, etc) para atrair estudantes, de quem cobravam taxas para oferecer-lhes educação.

O foco central de seus ensinamentos concentrava-se no logos ou discurso, com foco em estratégias de argumentação. Os mestres sofistas alegavam que podiam “melhorar” seus discípulos, ou, em outras palavras, que a “virtude” seria passível de ser ensinada


Protágoras (481 a.C.-420 a.C.), Górgias (483 a.C.-376 a.C.), e Isócrates (436 a.C.-338 a.C.) estão entre os primeiros sofistas conhecidos.
A conhecida frase “o homem é a medida de todas as coisas” surgiu dos ensinamentos sofistas. Uma das mais famosas doutrinas sofistas é a teoria do contra-argumento.

Eles ensinavam que todo e qualquer argumento poderia ser contraposto por outro argumento, e que a efetividade de um dado argumento residiria na verossimilhança (aparência de verdadeiro, mas não necessariamente verdadeiro) perante uma dada platéia.


Os Sofistas foram os primeiros advogados do mundo, ao cobrar de seus clientes para efetuar suas defesas, dada sua alta capacidade de argumentação. São também considerados por muitos os guardiões da democracia na antiguidade, na medida em aceitavam a relatividade da verdade. Hoje, a aceitação do "ponto de vista alheio" é a pedra fundamental da democracia moderna.
Sofística era originalmente o termo dado às técnicas ensinadas por um grupo altamente respeitado de professores retóricos na Grécia antiga. O uso moderno da palavra, sugestionando um argumento inválido composto de raciocínio especioso, não é necessariamente o representante das convicções do sofistas originais, a não ser daquele que geralmente ensinaram retórica.

Os sofistas só são conhecidos hoje pelas escritas de seus oponentes (mais especificamente, Platão e Aristóteles) que dificulta formular uma visão completa das convicções dos sofistas.


Os sofistas são os primeiros a romperem com a busca pré-socrática por uma unidade originária (a physis) iniciada com Tales de Mileto e finalizada em Demócrito de Abdera (que embora tenha falecido pouco tempo depois de Sócrates tem seu pensamento inserido dentro da filosofia pré-socrática).A principal doutrina sofística consiste, em uma visão relativa de mundo (o que os contrapõe a Sócrates que, sem negar a existência de coisas relativas buscava verdades universais e necessárias). A principal doutrina sofística pode ser expressa pela máxima de Protágoras: "O homem é a medida de todas as coisas".
Tal máxima expressa o sentido de que não é o ser humano quem tem de se moldar a padrões externos a si, que sejam impostos por qualquer coisa que não seja o próprio ser humano, e sim o próprio ser humano deve moldar-se segundo a sua liberdade. Outro sofista famoso foi Górgias de Leontini, que afirmava que o 'ser' não existia. Segundo Górgias, mesmo que se admitisse que o 'ser' exista, é impossível captá-lo. Mesmo que isso fosse possível, não seria possível enunciá-lo de modo verdadeiro e, portanto, seria sempre impossível qualquer conhecimento sobre o 'ser'.
Estas visões contrastantes com a de Sócrates (que foram adotadas também por Platão e Aristóteles, bem como sua "luta" anti-sofista) somada ao fato de serem estrangeiros - o que lhes conferia um menor grau de credibilidade entre os atenienses - contribuiu para que seu pensamento fosse subvalorizado até tempos recentes.


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