Os recursos mais preciosos das sociedades contemporâneas são a informação e o conhecimento



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Não será incorrecto referir que, de acordo com estes princípios, a maior parte dos serviços existentes não estão ainda adequados às necessidades das pessoas idosas.

A falta de coordenação e a tendência para trabalharem independentemente uns dos outros originam dificuldades acrescidas, na maior parte dos casos intransponíveis, para os idosos.

Também os serviços privados, cada vez em maior número, com as suas estratégias próprias, não se articulam com os serviços de saúde oficias ou somente o fazem no que concerne ao usufruto dos benefícios provenientes de direitos universais e de acordos estabelecidos.

É nos serviços de saúde que as pessoas idosas depositam muitas das suas esperanças, que têm a ver com os seus medos, as suas dificuldades, os seus projectos ou a falta destes, os apoios que têm ou a solidão em que vivem.

A prevenção primária, secundária e terciária são um imperativo de actuação, como para qualquer outro grupo etário.

É fundamental fazer um correcto levantamento das necessidades e, prioritariamente, definir um plano de cuidados no quadro do apoio domiciliário.

A solução institucional, residencial ou hospitalar só deveria ser considerada quando estivessem esgotadas as possibilidades de lhes prestar apoio e cuidados no seu contexto social normal, sob pena de desregular um habitualmente ténue equilíbrio psicológico dos idosos para situações novas, sempre potencialmente ansiogénicas.

Por isso, um eventual internamento deve ser rodeado dos melhores cuidados, sem qualquer discriminação e, inclusive, com algumas particularidades como a duração, que deve ser apenas a indispensável para diagnóstico ou tratamento.

A organização dos cuidados após a alta hospitalar tem aqui particular importância, nomeadamente no que se refere aos idosos em risco de perda de autonomia, aos muito idosos e aos doentes e/ou dependentes.

CUIDADOS DE SAÚDE NOS CENTROS DE SAÚDE E NOS HOSPITAIS

Os Médicos de Família e os Centros de Saúde são muitas vezes os primeiros, ou os únicos, recursos e interlocutores possíveis para a organização das respostas a esta complexidade de problemas.

As questões que se colocam, bem como as respostas correspondentes, também não devem esquecer a individualidade e têm de ser reflectidas ao longo do tempo, adequando-as às necessidades reais.

A prestação de cuidados pluridisciplinares integrados e continuados constitui a forma correcta de responder aos problemas de saúde das pessoas idosas, tendo em conta a complexidade e multiplicidade dos sistemas envolvidos, com o objectivo de promover a saúde, autonomia, dignidade e segurança das pessoas idosas.

As Unidades de Saúde têm, neste contexto, um papel importantíssimo, permitindo a efectiva articulação entre os diversos serviços de saúde e os parceiros da comunidade.

O Quadro VIII reflecte as taxas de consultas a adultos nos Centros de Saúde, em 1995, nas regiões do Continente, por grupos etários a partir dos 15 anos, por 1000 habitantes.

Quadro VIII - Consultas a Adultos (Clínica Geral) nos Centros de Saúde em 1995. Ratios por 1000 habitantes. (Fonte: DGS, Divisão de Epidemiologia; INE, Estimativas da população residente, 1995).



GRUPO ETÁRIO

NORTE *

CENTRO

LISBOA E VALE DO TEJO

ALENTEJO

ALGARVE

CONTINENTE

15 - 44

1429,9

1683,4

1149,7

1320,3

1103,8

1376,7

45 - 64

3056,7

3648,6

2394,5

3440,4

2405,2

2932,6

65 e +

4115,4

5503,7

4635,5

5539,8

4064,3

4812,4

Total

2277,8

2981,5

2139,0

2990,6

2121,8

2445,7

* Não inclui Braga

Estes dados evidenciam:



  • As regiões Centro e Alentejo apresentam valores inferiores ao do Continente.

  • As taxas relativas ao grupo de 65 e mais anos são largamente superiores às das Regiões e Continente.

Quanto aos internamentos hospitalares, no que se refere às cinco mais importantes patologias geradoras de internamento, o panorama é exposto no Quadro IX.

Quadro IX - Internamentos Hospitalares. Ratios por 1000 habitantes. (Fonte: IGIF, 1995; INE, Estimativas da população residentes, 1995).



Patologias

Grupo etário

HM

H

M

Doenças aparelho circulatório

0 - 64
65 - 84
85 e +

4,7
38,4
72,0

5,7
46,6
83,8

3,7
32,4
66,8




Total

10,0

11,1

9,0

Doenças aparelho respiratório

0 - 64
65 - 84
85 e +

4,5
12,3
32,6

5,4
17,3
49,0

3,6
8,6
25,5




Total

5,9

7,1

4,7

Lesões traumáticas

0 - 64
65 - 84
85 e +

6,0
9,6
30,9

8,8
9,1
24,2

3,4
9,9
33,9




Total

6,8

8,9

4,8

Neoplasias

0 - 64
65 - 84
85 e +

5,0
19,5
20,9

3,7
25,5
32,0

6,2
15,1
16,2




Total

7,1

6,5

7,8

Doenças aparelho genito-urinário

0 - 64
65 - 84
85 e +

4,6
9,3
11,3

3,0
11,5
18,6

6,2
7,7
8,2




Total

5,3

4,1

6,5

É de realçar que:

  • os idosos em qualquer das patologias são os maiores utilizadores;

  • com excepção das lesões traumáticas, os maiores ratios de internamento são os dos idosos do sexo masculino;

  • o subgrupo de 85 e mais anos apresenta os valores mais elevados.

Neste subgrupo etário, as patologias causadoras de maior número de internamentos hospitalares, por 1000 habitantes, são apresentadas, por ordem decrescente de frequência, no Quadro X.

Quadro X - Internamentos hospitalares de pessoas  a 85 anos. (Fonte: IGIF, 1995; INE, Estimativas da população residente, 1995).



Patologias

Ratio p/1000 habitantes

Doenças do aparelho circulatório

72,0

Doenças do aparelho respiratório

32,6

Lesões traumáticas

30,9

Neoplasias

20,9

Doenças do aparelho genito-urinário

11,3

CUIDADOS DE SAÚDE CONTINUADOS E ARTICULAÇÃO COM AS ESTRUTURAS DE APOIO SOCIAL

O Estado, a sociedade civil e as instituições de solidariedade social estão necessariamente comprometidos neste processo, já que o conceito de saúde é cada vez mais abrangente, entendendo-se como um bem-estar físico, psíquico, económico e social e não apenas como a ausência de doença.



Criando serviços inovadores, consubstanciados numa formação adequada de toda a população e dos profissionais para a prestação de cuidados continuados, para a reabilitação e manutenção de um diálogo solidário e competente, podemos contribuir para prevenir e contrariar a marginalização social ou a omissão de cuidados aos doentes e às famílias. É o caso do Programa de Apoio Integrado a Idosos (PAII).

P A I I  Programa de Apoio Integrado a Idosos

Os seus objectivos são, nomeadamente, os seguintes:

  • Assegurar a oferta de cuidados, com carácter urgente e permanente, que visam primordialmente manter a autonomia do idoso no domicílio e no seu ambiente habitual de vida;

  • Estabelecer medidas destinadas a assegurar a mobilidade dos idosos e a acessibilidade a benefícios e serviços;

  • Implementar respostas de apoio às famílias que tenham de assegurar cuidados e acompanhamento adequados a membros que se encontrem em situação de dependência, nomeadamente idosos;

  • Promover e apoiar iniciativas destinadas à formação, inicial e em exercício, de profissionais, voluntários, familiares e outras pessoas da comunidade;

  • Promover atitudes e medidas preventivas do isolamento, da exclusão e da dependência e contribuir para a solidariedade inter gerações, bem como para a criação de postos de trabalho.

É gerido por uma Comissão de Gestão, composta por dois elementos da Direcção Geral da Acção Social (um dos quais coordena) e por dois elementos da Direcção Geral da Saúde, sendo financiado pela Santa Casa da Misericórdia de Lisboa através das verbas do "Joker" (25% dos resultados líquidos da sua exploração).

Este programa promove projectos inovadores em que estejam implicados os serviços da saúde e de apoio social, estabelecendo redes e parcerias, entre si e com a comunidade, para a melhoria da qualidade dos cuidados que se prestam à população idosa.

Estes projectos constituem medidas inovadoras, complementares e coordenadas, envolvendo vários parceiros para a prestação de cuidados integrados e continuados à população idosa.

Por serem iniciativas recentes tem-se procurado desenvolvê-las com segurança, pelo que atingem ainda um número diminuto de utentes.

Projectos de Promoção Local

Projectos de Promoção Central

Serviço de Apoio Domiciliário (SAD)

Serviço de Telealarme (STA)

Centro de Apoio a Dependentes (CAD)

Saúde e Termalismo Sénior

Formação de Recursos Humanos (FORHUM)

Passes Terceira Idade

Serviço de Apoio Domiciliário (SAD)

Reconhece a importância e o papel fundamental dos prestadores de cuidados informais  família, vizinhos e voluntários  como suportes indispensáveis do apoio às pessoas idosas no contexto sociofamiliar habitual.

Os projectos que se desenvolvem nesta área conjugam recursos existentes, contribuindo nomeadamente para:


  • alargar a cobertura

  • melhorar a qualidade dos serviços prestados

  • estender o apoio à totalidade das 24 horas, fins-de-semana e feriados

  • adequar o ambiente domiciliário, para a manutenção da autonomia da pessoa dentro do espaço habitacional.

Centro de Apoio a Dependentes (CAD)

Procura dar respostas adequadas às problemáticas das pessoas idosas mais dependentes, que têm necessidade de cuidados globais, em articulação principal com os serviços da Saúde e da Acção Social.

São serviços pluridisciplinares de prestação de cuidados integrados, abertos à comunidade, que se desenvolvem prioritariamente a partir de outros já existentes e que se constituem como centros de recursos e centros de apoio temporário, por exemplo, após um internamento hospitalar, com fortes componentes nas áreas da prevenção, reabilitação e reinserção social.

São essencialmente desenvolvidos como centros de promoção da autonomia, modelares na prestação de cuidados humanizados aos idosos e dependentes, envolvendo os familiares e funcionando em estreita ligação com o SAD e com a formação dos prestadores de cuidados.



Formação de Recursos Humanos (FORHUM)

Destina-se prioritariamente aos prestadores de cuidados informais, bem como a profissionais, nomeadamente das áreas social e da saúde.

Insere-se num quadro de sensibilização e preparação para a melhoria dos cuidados e do acompanhamento das pessoas com problemas de saúde ou com dependência, contribuindo para a sua qualidade de vida, bem como para a dos próprios prestadores de cuidados.

Este projecto está intimamente ligado ao desenvolvimento dos projectos SAD, CAD e Serviço de Telealarme.



Serviço de Telealarme (STA)

É uma nova resposta na área das telecomunicações, que visa complementar o apoio e a prestação de cuidados integrados no domicílio e constituir um elemento fácil de ligação às redes sociais de apoio.

O STA consta essencialmente de um equipamento central, que funciona na sede da Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) e de unidades telefónicas que são instaladas no domicílio, pela Portugal Telecom. Pode ser accionado com a simples pressão de um botão, cujo alarme será identificado pela operadora de Telealarme na CVP. Esta estabelecerá rapidamente os contactos necessários para o encaminhamento da situação, em função dos dados constantes da ficha preenchida pelo assinante e que, automaticamente, fica visível no ecrã do sistema computorizado ligado à central, quando se dá o sinal de alarme.

Saúde e Termalismo Sénior

Destina-se a pessoas com 65 ou mais anos, com rendimentos mensais iguais ou inferiores ao salário mínimo nacional, a quem o Médico de Família tenha aconselhado tratamentos termais por motivos de saúde. O PAII comparticipa nas despesas de alojamento, com uma verba correspondente à estada nas termas.



Passes Terceira Idade

Este projecto consiste na eliminação das restrições horárias existentes anteriormente nas áreas urbanas de Lisboa e Porto, aos Passes Terceira Idade. É comparticipado financeiramente pelo PAII.



Cooperação no Programa Turismo Sénior

Promovido pelo Ministério da Solidariedade e Segurança Social, é gerido pelo INATEL, com comparticipação do PAII.



Ajudantes de Saúde

A Direcção-Geral da Saúde considerou que existe um hiato entre os cuidados especializados, médicos e de enfermagem, nos meios hospitalares e nos Centros de Saúde e os cuidados informais prestados pela família e pela comunidade e que há necessidade urgente no desenvolvimento de actividades que promovam a manutenção, o mais tempo possível, no contexto sociofamiliar, das pessoas idosas com problemas de saúde que não careçam de internamento.

Assim, coordena e dinamiza o processo de criação de uma nova actividade/função – Ajudante de Saúde – destinada a colaborar na prestação de cuidados de saúde às citadas pessoas idosas, promovendo uma maior autonomia de vida no seu domicílio.

Em consequência, definiu o quadro de actividade e funções do Ajudante de Saúde, bem como os conteúdos do plano de formação, estando o projecto em fase de implementação e desenvolvimento das acções de formação.

O Ajudante de Saúde visa, assim, constituir um elemento de ligação a partir dos Centros de Saúde, entre o diagnóstico e os planos de prevenção estabelecidos e a referenciação necessária aos médicos e enfermeiros responsáveis pelo seguimento dos doentes.

A preparação do Ajudante de Saúde (para o exercício eficiente das tarefas que normalmente já são executadas por familiares, vizinhos e voluntários, que nunca receberam preparação para esse efeito) poderá potenciar de forma mais adequada a melhoria dos cuidados prestados, concorrendo para a prevenção de internamentos indevidos.

O enquadramento destes prestadores de cuidados informais tem como objectivo contribuir para responder, de forma adequada, às necessidades específicas da população idosa e dependente com problemas de saúde, complementando as respostas existentes e promovendo, de forma integrada, a continuidade de cuidados, em articulação com os profissionais médicos e de enfermagem dos Centros de Saúde.

O Ajudante de Saúde deve ser capaz de colaborar na Promoção da saúde, na Prevenção da doença e no Acompanhamento das pessoas idosas doentes, no seu domicílio.

A necessidade crescente em cuidados continuados a pessoas em situação de dependência decorre, em particular, de fenómenos de desertificação, envelhecimento da população e alteração dos valores e da estrutura familiar.

O conhecimento e desenvolvimento tecnológicos têm vindo a revolucionar os conceitos de hospital e os de outras respostas de saúde, de solidariedade e de segurança social.

A prestação de cuidados no ambulatório e no domicílio aparece, hoje, como a forma mais humanizada de resposta, exigindo o estabelecimento de redes sociais de apoio integrado, que garantam a efectiva continuidade dos cuidados necessários, que se pretendem globais.

A articulação para a "construção progressiva de uma rede social, que se pretende regional e local," tendo em conta as áreas de intervenção conjunta em que "persistem, em estudo, diversas problemáticas específicas," e "face à diversidade e complexidade das matérias em causa," torna necessário "proceder ao seu equacionamento e perspectivar as hipóteses de resolução conducentes à tomada de adequadas medidas legislativas."

Para o efeito, foi constituído um grupo de trabalho com o objectivo de:



  1. Proceder ao levantamento das situações que se enquadram nas áreas da saúde, solidariedade e segurança social e que devam ser objecto de análise e solução conjunta de ambos os Ministérios;

  2. Definir o nível de intervenção no âmbito das competências de cada um dos departamentos;

  3. Apresentar propostas e projectos de diplomas para concretização das medidas preconizadas.

O grupo de trabalho tem vindo a definir, nomeadamente, os grupos-alvo, os tipos prioritários de intervenção, os princípios que devem orientar as acções, as entidades mais vocacionadas para desenvolver as respostas, as formas de articulação e cooperação, bem como os critérios de acompanhamento e avaliação e as estratégias de gestão e financiamento.

Tendo em conta o conhecimento actual da realidade portuguesa e das situações prioritárias, reconhece-se que é premente abranger as pessoas em situação de dependência física, mental ou social, transitória ou permanente, resultante ou agravada por razões de isolamento ou de doença crónica, nomeadamente psiquiátrica, vascular cerebral e suas sequelas, pulmonar obstrutiva, oncológica, insuficiência cardíaca, diabetes e deficiência física ou mental.

Esta descrição não é exaustiva, mas cabe ainda realçar a particular preocupação com as pessoas internadas indevidamente, por inexistência ou insuficiência de respostas mais adequadas, as altas hospitalares com necessidade de cuidados continuados e a inexistência ou insuficiência de apoio domiciliário diurno e/ou nocturno.

É indispensável ter em conta a heterogeneidade da população idosa, as necessidades com o evoluir das sociedades, as próprias respostas institucionais e a formação dos prestadores de cuidados.

Há, pois, que criar condições efectivas para que os diferentes parceiros desenvolvam formas inovadoras, humanizadas, adequadas e flexíveis para responder, em particular, às necessidades das pessoas com dependência, garantindo-lhes a liberdade e a dignidade de se manterem apoiadas nas suas casas, se essa for a melhor opção, bem como ajudar a família, de acordo com as necessidades encontradas.














DE QUE ADOECEM OS PORTUGUESES?

PADRÕES DE OCORRÊNCIA E ASSIMETRIAS REGIONAIS

Pré-requisitos para a saúde



A saúde e o bem estar estão fortemente associados às condições gerais de vida. Os pré-requisitos para uma boa saúde e vida saudável incluem a protecção contra as maiores ameaças e agressões potenciais e, ainda, o desempenho de actividades e funções relevantes na sociedade, educação adequada, uma habitação condigna e um rendimento capaz de assegurar a satisfação destas necessidades básicas. Estes factores têm vindo a exercer uma influência crescente em toda a Europa e em Portugal, particularmente após o lançamento da estratégia "Saúde para todos no ano 2000" por parte da Organização Mundial da Saúde.
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