Os riscos da Democracia capitalista na América Latina



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Encontro30.07.2016
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Os riscos da Democracia capitalista na América Latina
A década de 80 foi marcada por um período de redemocratização das instituições. A passagem de governos autoritários em diversos países latino-americanos - como Brasil, Argentina e Chile, citando apenas os mais conhecidos – para governos eleitos pela maioria foi uma grande conquista das lutas populares que se desenvolviam nos países da “Pátria Grande”.
Quando discutimos democracia entramos em um vasto leque de conceitos a respeito do tema. Mostesquieu afirma sabiamente, “Quando o governo é governado por todos, podemos chamar isto de democracia. Quando o governo é governado por poucos, chamamos de aristocracia”.
Não podemos resumir o conceito de democracia apenas aliada a uma concepção de método e forma de organização dos indivíduos. A democracia que sonhamos não pode está dissociada de valores e princípios fraternos, coletivos e igualitários. A democracia verdadeira, utópica e ideal é aquela que culminará no socialismo.
O que vemos nesse início de século é a mesma disputa de hegemonia que ocorreu no início do séc. XX, quando a I Guerra Mundial, a revolução russa e a Depressão de 1929 definiram os rumos da história. A política imperialista e intervencionista norte-americana na última década, apenas, reafirma os seus interesses econômicos na região, na perspectiva de submeter os países emergentes ainda mais ao domínio imperialista, sob as duas óticas: econômica e militar.
A contra-partida ao processo de redemocratização no início da década de 80 nos países da América Latina, foi o endividamento dos mesmos, ou seja, a famosa dívida externa. A quantidade de volumosos recursos que foram enviados aos centros metropolitanos neste período de redemocratização, não foi brincadeira.
Na argentina, por exemplo, entre o período de julho de 1989 e dezembro de 1991, o governo de Carlos Menen, pagou ao FMI a quantia de 14 bilhões e 504 milhões de dólares, sendo que, mais da metade desse valor foi pago com as privatizações das principais estatais do país, ou seja, toda a riqueza produzida pelo país ao longo do ano foi para pagar aos credores e, agora, toda ou quase toda cadeia produtiva do país está nas mãos da propriedade privada.
Atílio Boron, sociólogo argentino, alerta para uma crise sem precedentes a respeito da democracia. Com a resistência das democracias na América Latina nas últimas décadas e as constantes mobilizações populares, através da organização e do controle popular, pode resultar em uma reação violenta por parte da direita, através de golpes militares, como já, anteriormente aconteceu na história, nem precisamos ir muito longe, aqui no Brasil, em 64, o Presidente João Goulart foi a bola da vez e no Chile o Presidente Salvador Allende foi também derrubado e cruelmente assassinado.
Uma das reflexões que devemos fazer com serenidade e maturidade é a constatação da liberdade econômica no modelo de desenvolvimento capitalista. Por isso, não é exagero pensar que por mais forte que esteja a economia brasileira, a direita brasileira por receio da perda de poder, para se manter no poder, compactue de todas as praticas e formas ilegais.
Devemos radicalizar na democracia e também estarmos preparados para as reações violentas, através de golpes políticos e intervenções militares que parecem estar distantes, muito distantes de nós..
Pedro Siqueira

Movimento Mudança

Dir. de Relações Internacionais da UNE


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