Os trabalhadores nada tem a perder com a Revolução Comunista



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Encontro29.07.2016
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"Os trabalhadores nada tem a perder

com a Revolução Comunista"
(Karl Marx)

 
Heitor Reis (*)


 

Eilzo Matos veiculou mensagem na lista de discussão da Paraiba (Parayba_PB), com este texto, motivando-me a algumas modestas considerações, na esperança de que nos ajudar a construir uma visão mais aprimorada da realidade, coletivamente.

 

"Que as classes dominantes tremam ante a idéia de uma Revolução Comunista! Os proletários não têm nada a perder com ela, além das suas cadeias. Têm, em troca, um mundo a ganhar”.  (Karl Marx)

 

Dentro do Processo Dialético da História, temos o dever de avançar além do ponto até onde Marx chegou, século e meio atrás e rever esta síntese. Se a coisa fosse simples assim, a Revolução Comunista teria acontecido em todo o mundo, décadas atrás! Afinal, é tido como patente que a síntese já traz em si a semente da antítese. Segue a minha...

 

Os proletários têm muito a perder, além de sua escravidão, nesta história... Talvez até Marx soubesse disto, mas julgou melhor motivá-los, não se aprofundando nos aspectos negativos do custo de perder "suas cadeias", como faz a grande maioria dos seres humanos, em situação análoga.

 

Tal procedimento pode ser percebido facilmente, caso examinemos os publicitários e mercadólogos capitalistas atuais ou a propaganda dos regimes catalogados como tentativas socialistas, no passado, ou mesmo atualmente. O fator humano, tema polêmico que merece, também melhor análise...

 

A mesma tática é praticada pelos crentes que insistem não haver nada a perder se a gente aceitar Jesus como nosso único e suficiente salvador, a não ser a escravidão do pecado...

 

Todos podem estar querendo realçar a relação custo-benefício vantajosa em cada caso, usando de uma certa dose de liberdade poética. Mas, sinceramente, não há coisa algum de graça neste universo. Até mesmo no suposto paraíso, para comer, Adão e Eva tinham de colher. Nada lhes caía na boca, por milagre. E se caísse, ainda teria de mastigar o alimento...

 

Por exemplo, já notaste que nenhum anúncio de automóvel menciona as  30.000 mortes por ano, no trânsito, apenas no Brasil! Caso isto fosse feito, haveria uma natural redução nos lucros, né? Não deveria ter algo como "O Ministério da Saúde informa..."? Isto, se o Estado não fosse privatizado pelos vampiros do lucro.

 

O trabalhador geralmente não gosta de assumir responsabilidades, mas de fazer apenas o que lhe é mandado. Bater o ponto e ir para casa, para o futebol, para o boteco, para a frente da TV, para a igreja, namorar, etc. E comprar um carrinho para ir à praia de vez em quando, ficando alguns arrebentados ou mortos pela estrada. Raros são os que enfrentam a luta sindica ou uma associação comunitária.

 

Enquanto isto, o capitalista grande ou pequeno, fica se remoendo sobre o peso da responsabilidade total de manter o negócio funcionando, com elevado lucro, graças à passividade do operário, que prefere ser explorado a lutar por uma condição mais digna. O patrão fica 24 horas no ar, até que fique bem rico, o suficiente para ter alguns momentos (ou muitos) de lazer... Ou, se for passivo, também, como os trabalhadores, jamais ficará rico!

 

A Trilogia Analítica enfoca tal voracidade pelo lucro como uma patologia. Vale a pena conhecer esta doutrina!

 

Afinal, o trabalhador foi condicionado para ser assim, pelo sistema, e se enquadrar nesta função. Castrado, como dizem os psicólogos, dando ao termo um sentido mais abstrato que o tradicionalmente físico.

 

Então, o proletariado tem que perder seu comodismo, sua limitação, sua alienação, seu conforto, sua passividade, sua dependência do patrão, etc., para assumir o protagonismo da História. Ou seja, ter a mesma disposição de luta que os capitalistas de sucesso. E como isto dói!... Mas é o preço da mudança para melhor.

 

Ele sabe que perderá oportunidades no trabalho ou o próprio emprego, entrando também para uma lista negra dos patrões, não conseguindo outro faiclmente. Durante a Ditadura pseudo-Militar de 1964 (os civis que puxavam a cordinha do general de plantão), ele foi condicionado a pensar que será perseguido, seqüestrado, preso, torturado e morto, com requintes de crueldade, conforme manual da CIA, KGB, DINA e cia. limitada, caso resolva pensar por si mesmo.


Ainda que a Redentora tenha terminado oficialmente, na prática o entulho autoritário formal e informal ainda existe e poderá ressuscitar a qualquer momento, segundo alguns grupos mais radicais advertem: "Estamos vivos!"
O trabalhador sabe que usar a cabeça é a primeiro passo para perdê-la...

 

Este é o motivo pelo qual defendo a revolução pacífica, com base na revolução conceitual ou cultural como dizia Mao Tzé-Tung (Zedong), mas sem a carnificina de sempre, com elevado custo para a Sociedade, ainda que reduza o excesso populacional. O método de Mahatma Gandhi é o ideal.

 

O excesso populacional é uma das grandes causas da destruição da natureza e do processo suicida da espécie humana, sócio da voracidade pelo lucro empresarial, fornecendo abundante mão-de-obra barata para a linha de produção, com a natural redução dos salários, em função da lei da oferta e procura.

 

Muitos defendem que chegamos ao fim da História e que nada mais vai ocorrer, em termos de sistema econômico, tendo o capitalista ganho definitivamente esta parada. Eles têm certa razão, ainda que não possamos afirmar tal coisa com segurança. Os meios de comunicação são mantidos rigorosamente dentro do processo de manipulação e alienação das mentes analfabetas e semianalfabetas de 3/4 da população, cujos analfabetos políticos vão além desta fração. E os chamados revolucionários ou esquerdistas ainda não estão dispostos a combater esta lavagem cerebral, criando um sistema de comunicação sob o controle dos trabalhadores.

 

Cumpre aos trabalhadores provar, na prática, que os defensores do fim da História estão errados!

 

Teoria sem ação nas bases, como dizia Antonio Gramsci, é mero diletantismo filosófico...

 

Quando cada membro da classe operária estará disposto a correr o risco, sair do galinheiro e voar como as águias?

 

Quando seus líderes conseguirão libertá-los da escravidão do patrão, da mídia e do capitalismo como um todo?

 

Quando haverá um sistema de comunicação capaz de neutralizar a doutrinação da mídia mercenária, a serviço da opressão?
Quando os pais desligarão a TV e ensinarão a seus filhos em casa, como se libertar desta escravidão ensinada pela escola tradicional, a serviço do Estado e este, a serviço dos capitalistas, meramente produzindo mão de obra para a engrenagem do lucro de uma minoria?

 

Quando será decretado o fim do fim da História?



 

Neste ano? Nesta década? Neste século? Neste milênio?...

 


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