Oséias 1-3: Um chamado ao compromisso com o meio ambiente— Roseli a de Oliveira



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3 A importância de pensarmos em desenvolvimento sustentável


Desenvolvimento sustentável “é a tradução da expressão inglesa sustainable development, que foi formulada pela primeira vez por ocasião da Conferência da Terra no Rio de Janeiro, em 1992”,95 e trata-se de uma proposta que agrega o desenvolvimento social, um bom desenvolvimento econômico e a proteção do meio ambiente. Entende-se por desenvolvimento sustentável “aquele que satisfaz as necessidades presentes, sem comprometer a capacidade das gerações futuras de suprir suas próprias necessidades”.96

Durante muito tempo o ser humano usufruiu e se fartou dos recursos naturais oferecidos pelo meio ambiente e seu ecossistema. Por ecossistema entende-se: “um conjunto formado por um ambiente natural ou artificial, isto é, um biótipo (por exemplo, uma represa, um pasto, um jardim, uma floresta, uma plantação de milho) e os organismos vivos que o habitam (a biocenose, ou biota)”.97 Ao enxergar o mundo como provedor de imensos recursos a nós disponíveis, não nos demos conta de que muitos desses recursos eram esgotáveis. Assim, ao nos beneficiarmos destes meios, de forma não sustentável, provocamos alguns malefícios em nosso planeta, e ao permanecermos em nossos propósitos incitamos um processo destrutivo, que a cada dia tem crescido em ritmo acelerado.

Segundo a professora Waverli Maia Matarazzo-Neuberger98, “a maioria das cidades cresceu e prosperou retirando produtos e alimentos dos ecossistemas que as rodeavam e, pouco a pouco, ceifando sua fertilidade e alterando suas características”. Ela ainda cita que essas alterações provocadas no meio ambiente são conseqüências da “falta de importância que a ela atribuímos, invariavelmente por pura ignorância”.99

A ecóloga Martha Argel100 comenta que as pessoas já perceberam a necessidade de uma tomada de consciência, no sentido de promover um desenvolvimento que responda a algumas de nossas urgências.

Durante muito tempo, as pessoas administraram o planeta sem prestar atenção ao seu frágil equilíbrio. Nós poluímos (ar, água, solo), exploramos excessivamente os recursos (florestas, matérias-primas, energias fósseis) e extinguimos muitas espécies de plantas e de animais. Agora sabemos que esse comportamento é perigoso para a sobrevivência do ser humano no planeta.101

Por estas e outras razões, governantes de todo o mundo estão preocupados com o avanço da degradação que se alastra sobre o planeta, por isto estão se mobilizando para promover ações que viabilizem mudanças, enquanto ainda temos tempo para fazê-las, ao mesmo tempo em que tencionam promover cada vez mais uma consciência ecológica e responsável em toda população mundial.

A ONU nomeou o ano de 2008 como o Ano Internacional do Planeta Terra, com a finalidade de estimular a população mundial, seus governantes e cientistas a pensarem e atuarem em direção a este tema, a investirem em estudos concernentes ao nosso planeta e a propor a união do conhecimento científico ao exercício da forma como o mundo é governado. “Com isso espera-se fazer avançar o desenvolvimento sustentável e promover uma sociedade melhor”.102

O jornalista socioambiental Antônio Coquito103 explica:

Atentar para o planeta que temos, e o que queremos com ele; nossa co-responsabilidade para deixá-lo em condições saudáveis. Esse alerta foi dado pelo conjunto de estudos científicos e programas da Organização das Nações Unidas - ONU.  Cito; "Nosso Futuro", "Agenda 21", "Objetivos do Milênio", "Protocolo de Quioto" e "Painel Internacional de Mudanças Climáticas - IPCC". Neste último, o IPCC adverte no relatório III que todos (entidades, empresas, governos e pessoas) somos chamados a fazer nossa parte por uma nova terra.104

4 Caminhos percorridos


Embora as propostas estabelecidas pelos ODMs sejam a promoção da dignidade humana, a manutenção da vida e o combate à desigualdade social, os esforços empreendidos para alcançá-los nem sempre são suficientes. Talvez por esta razão o especialista Olav Kjorven, diretor do escritório internacional do PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), defende a criação de um conjunto de oito novas metas, como próximo passo a ser dado, após o término do prazo para o cumprimento dos ODMs atuais, que se extingue em 2015.

De acordo com Kjorven, os caminhos percorridos até aqui, apontam para um desequilíbrio entre ricos e pobres, pois como as metas apontam muito mais para a necessidade dos países em desenvolvimento, a impressão transmitida é que os países desenvolvidos não necessitam empreender seus esforços a fim de obter alguma mudança.105 Para ele,

Nosso consumo é insustentável e cada vez mais vai contribuir para tensões, conflitos e injustiças. E os países que estão engajados no sétimo ODM [garantir a sustentabilidade ambiental] são os que causam o menor dano, enquanto os mais ricos, que consumem muito mais por pessoa, têm escapado das metas. 106

Sabe-se que “O mundo já possui a tecnologia e o conhecimento para resolver a maioria dos problemas enfrentados pelos países pobres. Até então, no entanto, tais soluções não foram implementados na escala necessária”.107 O Centro Internacional de Políticas para o Crescimento Inclusivo (CPI-CI) publicou um estudo onde alega que a maioria dos países não fez nenhum progresso para alcançar as Metas do Milênio. Estes estudos mostraram que a maioria dos países não conseguiu avançar em direção às melhores condições depois dos ODMs em quase todos os indicadores e que na verdade, muitos destes acabaram retrocedendo em muitos indicadores.

Os especialistas analisaram 24 indicadores dos Objetivos do Milênio para os quais há dados do início da década de 90, do início da década de 2000 e de um ano mais recente. Assim, puderam calcular a variação nos anos 90, a variação nos anos 2000, e comparar o desempenho dos dois períodos. Em apenas cinco indicadores mais da metade das nações aumentou o ritmo das melhorias: pagamento da dívida como porcentagem das exportações, parcela da população vivendo em favelas, mulheres eleitas para o parlamento nacional, proporção da população vivendo com menos de um dólar por dia e porcentagem da população empregada. 108

O Brasil tem se empenhado para cumprir todos os oito Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODMs). De acordo com o Itamaraty109, o Brasil alcançou alguns ótimos resultados em todos os oito objetivos propostos. Com relação ao objetivo de Garantir a Sustentabilidade Ambiental,

O Brasil tem conseguido diminuir as taxas de desmatamento na Amazônia, além de inaugurar sistema de monitoramento da perda florestal no Cerrado. O desmatamento na Amazônia Legal Brasileira apresentou tendência de queda a partir de 2005, atingindo o menor valor já registrado desde o inicio da série histórica em 2008/2009 (7.008 km2). O Brasil possui uma matriz energética limpa, com cerca de 45% da oferta interna de energia originadas de fontes renováveis. Os índices de emissões de CO2 derivadas de combustíveis fósseis são de 1,88 tons por habitante, menos da metade da média mundial (4,38). O Brasil já alcançou a meta de reduzir pela metade a proporção da população sem acesso à água potável em áreas urbanas, com o percentual da população servida por água de rede geral com canalização interna em 2008 girando em torno de 91,6%, um aumento de quase 10 pontos percentuais em relação a 1992. Outro dado importante indica que 80,5% da população urbana conta com esgotamento sanitário por rede geral ou fossa séptica, um crescimento de 14 pontos percentuais desde 1992. O país experimentou melhora substancial nas condições habitacionais de sua população. A proporção de pessoas residentes em domicílios urbanos com condições de moradia adequadas passou de 50,7% em 1992 para 65,7% em 2008. O Brasil deve alcançar as metas do ODM 7, ainda que a questão do esgotamento sanitário continue a exigir um esforço maior. 110

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