Oséias 1-3: Um chamado ao compromisso com o meio ambiente— Roseli a de Oliveira



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5 Números que assustam


Apesar de todos os esforços empreendidos, ainda há muito que se fazer por aqui também. Nos debates mundiais sobre a preservação da natureza e a sobrevivência da humanidade na terra, o Brasil tem se destacado, devido aos prejuízos provocados à natureza, o desmatamento e as queimadas no Cerrado e na região amazônica.111 A Mata Atlântica brasileira ocupa o segundo lugar dos ecossistemas que mais sofrem ameaças no mundo.112

O consumo de água em nosso país aumenta a cada ano, onde a média por pessoa passou de 143 litros para 145 litros por dia, embora muitas cidades ainda não possuam redes de distribuição de água tratada. Metade destas cidades também não possui redes de esgotos, o que acaba se tornando um alto poluente de rios e represas.113

Das 400 espécies de animais em extinção no mundo, o Brasil é um dos países onde o número destes animais em perigo é maior. Estatísticas apontam que “a população desses animais deve diminuir de 20% a 80% nos dez próximos anos, e algumas dessas espécies desaparecerão pura e simplesmente”.114

No Brasil, a região Nordeste e o norte de Minas Gerais são os estados que mais sofrem com o avanço da desertificação, um processo ocasionado tanto por ações naturais como humanas e que faz com a vegetação enfraqueça e água se torne uma raridade.115

Nosso país é responsável por 93% do desmatamento da Mata Atlântica, 17% da Floresta Amazônica e 57% do Cerrado.116

O Brasil, juntamente com a Indonésia, compõe os países que mais emitem gases de efeito estufa e que podem fazer a temperatura da atmosfera subir, provocando assim, um aquecimento climático. Este aquecimento produz conseqüências desastrosas, tais como:

Os desertos e as regiões áridas se tornarão maiores, a desertificação se estenderá. A água dos mares e dos oceanos subirá de 20 centímetros a 1 metro, e as orlas ficarão submersas. As tempestades, os furacões e os ciclones serão mais numerosos. As geleiras das montanhas derreterão.117

6 Responsabilidade ambiental: Um dever de todos


Os problemas ambientais avançaram e alcançaram dimensões assustadoras, tornando-se assim, uma preocupação mundial. Diante das ameaças e conseqüências que esses avanços trazem para o mundo, tal problema deixou de ser apenas uma preocupação e se tornou uma responsabilidade de todos.

Empenhados em encontrar soluções que amenizem os atuais efeitos ambientais e no desejo de retroagir a tal ação, muitas conferências internacionais são realizadas anualmente, no intuito de promover também um diálogo sobre temas necessários, tais como a camada de ozônio, a água, a preservação das espécies em extinção, a poluição dos oceanos, o aquecimento do planeta, a preservação das florestas, entre outros.

Este último assunto, aliás, se tornou a preocupação da ONU em 2011, que declarou este ano como o Ano Internacional das Florestas118, procurando com isto, despertar a conscientização da importância das florestas para a população e impedir a constante exploração sofrida por causa da sua madeira ou o desmatamento, que tem a finalidade de transformar estas áreas em pastagens.119

As florestas tropicais abrigam mais da metade das espécies animais e vegetais do mundo, e a maioria delas não consegue sobreviver em outros tipos de ambientes. Essas espécies desaparecem das regiões onde a floresta é destruída. São estabilizadoras do solo, porque limitam a lixiviação e a erosão provocadas pelas chuvas. As florestas previnem as inundações fazendo o papel de esponjas e ajudam na regulação do clima. (...). Se as grandes florestas equatoriais e tropicais desaparecessem, o clima da terra alteraria.120

Na Declaração do Milênio encontramos algumas manifestações referentes aos “Valores e Princípios” defendidos por seus líderes, dos quais destaco o item 2:

Reconhecemos que, para além das responsabilidades que todos temos perante as nossas sociedades, temos a responsabilidade coletiva de respeitar e defender os princípios da dignidade humana, da igualdade e da equidade, a nível mundial. Como dirigentes, temos, pois, um dever para com todos os habitantes do planeta, em especial para com os mais desfavorecidos e, em particular, as crianças do mundo, a quem pertence o futuro.121

E sobre a “Proteção do Nosso Ambiente Comum”, o item 21 declara:

Não devemos poupar esforços para libertar toda a humanidade, acima de tudo os nossos filhos e netos, da ameaça de viver num planeta irremediavelmente destruído pelas atividades do homem (sic) e cujos recursos não serão suficientes já para satisfazer as suas necessidades.122

Além das conferências internacionais, outras soluções são tomadas a fim de reverter esta situação. Empresas, escolas, e outras organizações são desafiadas a pensarem sobre o tema da responsabilidade socioambiental, promovendo ações favoráveis a toda população e agindo de forma responsável junto à sociedade, garantindo com isso, a sustentabilidade de seus serviços e daquilo que produz.123 Além disso, existe o trabalho voluntariado de muitas ONGs (organizações não-governamentais) que procuram despertar a mesma consciência, com relação às necessidades do nosso planeta.

Muitas mudanças são necessárias, e uma delas é a modificação de algumas atitudes que temos e que compromete o meio ambiente. Mudanças práticas e extremamente indispensáveis que começam na nossa própria casa. Não desperdiçar água, não jogar lixo na rua, diminuir o uso de sacolas plásticas e materiais descartáveis, não eliminar o óleo de cozinha no esgoto ou quintal da casa, apagar as lâmpadas que não estiverem em uso. Estas são algumas das inúmeras mudanças de atitudes sugeridas atualmente, e que podem se transformar em qualidade de vida, para nós e para o mundo em que vivemos.

Aliás, vale à pena lembrar que nossa saúde e bem-estar também dependem do ambiente em que estamos inseridos. “O meio ambiente exerce uma influência significativa sobre a saúde dos indivíduos. (...) A saúde do planeta interfere na saúde humana. Basta observar, por exemplo, os efeitos da poluição do ar sobre a saúde humana e sobre o humor das pessoas”.124

Quem não se lembra, por exemplo, do maior acidente nuclear da história, ocorrido na Ucrânia, em 1986, quando um dos reatores da central nuclear de Chernobyl explodiu, liberando na atmosfera um elemento químico altamente radioativo, o Césio-137, contaminando assim, um grande espaço da região atmosférica.125 As conseqüências deste acidente foram 31 trabalhadores mortos, em questão de semanas e milhares de pessoas que apresentaram algum tipo de câncer.126

No Brasil, o uso indevido de um aparelho odontológico abandonado liberou o mesmo elemento químico, o Césio-137, em Goiânia (Goiás), em 1987, provocando a morte de quatro pessoas e mais de 200 contaminadas.127

Percebemos assim, que o ser humano vive em desarmonia com o seu ambiente.

Infelizmente, nos dias de hoje, o meio ambiente em países grandes ou pequenos, ricos ou pobres, não é mais aquele de alguns anos atrás, com árvores centenárias e até milenares, florestas exuberantes, lindas e perfumadas flores por toda parte, pássaros voando e cantando em grandes revoadas; córregos, rios e mares limpos e abundantes em peixes, corais, golfinhos, e uma infinidade de seres e, conseqüentemente, toda a natureza em paz e harmonia. A degradação do meio ambiente está aumentando a cada dia! O homem (sic) depreda tudo o que o cerca, das mais diferentes maneiras, em nome da comodidade, do conforto, do lucro, por esporte, por ignorância.128

Novas propostas vão sendo apontadas a cada dia, na expectativa de mobilizar cada vez mais pessoas a se engajarem neste ideal.

O Ministério do Meio Ambiente, cumprindo as exigências do Protocolo de Montreal, assinado em 1987 por 196 países para eliminar substâncias que destroem a camada de ozônio,129 está propondo um plano para a eliminação, até 2015, do uso dos HCFCs (hidroclorofluorcarbonos), “gases que destroem a camada de ozônio, agravam as mudanças climáticas e que são usados em geladeiras, aparelhos de ar condicionado, extintores e na fabricação de espumas”. De acordo com o Ministério do Meio Ambiente “impedir a liberação de gases de aparelhos antigos é uma das soluções centrais para evitar futuras contribuições ao aquecimento global. A maior parte das emissões que podem ser evitadas entre hoje e 2015 tem foco em equipamentos de refrigeração”.130

No início dos anos 1980, os cientistas perceberam que os gases usados nas geladeiras, nos condicionadores de ar e nas bombas aerossóis e até o cultivo de arroz e a fermentação dos alimentos no estômago dos ruminantes (isto é, o arroto das vacas!), são responsáveis pelo desaparecimento dessa camada de ozônio que protege a vida.131

Por enquanto, é apenas uma proposta, mas a partir da conclusão final do plano e de um relatório, o mesmo será encaminhado ao Prozon (Comitê Interministerial para a Proteção da Camada de Ozônio) e ao Fundo Multilateral, órgão internacional responsável pela liberação de amparo para a implementação de programas desse tipo (espera-se é que isso ocorra em abril de 2011).132

Outra sugestão para promover a sustentabilidade ambiental, é a nova proposta de Olav Kjorven, diretor da PNUD (Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento), tema já tratado no início deste capítulo. Preocupado com o desempenho atual de alguns países com relação ao que está sendo feito para o cumprimento das Metas do Milênio e no anseio de asseverar condições habitáveis ao grande aumento da população mundial, Kjorven sugere novos ODMs, a serem promovidos até o ano de 2030. Dos oito novos ODMs sugeridos, seis deles dizem respeito ao tema da Sustentabilidade Ambiental.

A primeira delas seria o corte de emissões de gases de efeito estufa em 50%. Já a segunda inclui uma série de medidas para aumentar a produtividade e a resistência dos ecossistemas críticos: expandir as áreas protegidas em terra e mar em, respectivamente, 17% e 10%, e aumentar em 20% as áreas agrícolas cultivadas de acordo com critérios de sustentabilidade. O terceiro ODM seria reduzir o consumo de proteína animal per capita em 20%, pois a substituição da carne por verduras, grãos e frutas diminuiria a pressão sobre os sistemas de criação de animais. O quarto compromisso diz respeito ao combate à pesca desenfreada, garantindo a capacidade de renovação dos ecossistemas marinhos. Implementar políticas para impulsionar a produção industrial, reduzindo os desperdícios e minimizando a liberação de produtos tóxicos em solos, águas e ar consiste no quinto objetivo. O ODM número 6, por sua vez, seria alterar a carga fiscal para reduzir a geração de resíduos e impedir o esgotamento do capital natural.133

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