Oséias 1-3: Um chamado ao compromisso com o meio ambiente— Roseli a de Oliveira



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4 Adquirindo uma consciência ecológica


Quando pensamos em atitudes que mudem o mundo, precisamos entender que as mudanças começam primeiramente em nós, em nossas próprias atitudes e isso exige de cada um, uma nova maneira de pensar, uma nova reflexão. Usando de palavras atuais, precisamos ter uma nova consciência, uma consciência que seja ecológica, que se mostre preocupada com a situação atual do mundo e que se proponha a colaborar para as possíveis mudanças.

Guillermo Kerber explica que o termo “ecologia da mente” foi utilizado por Gregory Bateson em um de seus trabalhos mais destacados, intitulado “Passos em prol de uma ecologia da mente”, onde o mesmo agrega contribuições e aproximações entre teologia e ecologia.152

De acordo com Kerber, “ecologia da mente é, então, uma nova maneira de pensar, uma nova compreensão do mundo, uma ciência”, que “implicará mudanças radicais na vida e no comportamento dos seres humanos”.153

Esta nova maneira de pensar, esta nova ciência, é a resposta àquilo que para ele são As raízes da crise ecológica. Para o autor, as causas básicas da crise ecológica estão na ação combinada de três elementos: o avanço tecnológico, o crescimento da população e a concepção corrente, porém equivocada, da natureza do homem (sic) e de seu relacionamento com o ambiente. (...) Mas não apenas estes três fatores fundamentais são fatores decisivos para a destruição do nosso mundo, mas, pelo contrário, o autor acredita, reconhecendo tratar-se de posição otimista, que a correção de qualquer uma dessas causas nos salvará.154

Sobre estes elementos que contribuem para a crise ecológica, Vilmar Berna explica que é preciso uma indução mais aplicada ao discurso de sustentabilidade apresentado pelos governantes do Primeiro Mundo. Em geral, por traz dessa atitude, se esconde uma “falsa ideologia”, pois:

(...) Enquanto transmitem a imagem de que estão avançados no cuidado ambiental, aumentam seus lucros com a exportação de produtos para despoluição, controle e monitoramento ambiental; usam a questão ambiental como barreira comercial para sobretaxar produtos industrializados do Segundo e Terceito Mundos e lucram ao desviarem a atenção da humanidade da base principal do problema; ou seja, um modelo de desenvolvimento “vendido” como o único possível, baseado na esploração ilimitada de recursos naturais e na superexploração da mão-de-obra humana.155

Este modelo de desenvolvimento procura transmitir a falsa impressão de que tal atitude levará o meio ambiente a se reabastecer e a disponibilizar matérias-primas e outros recursos para suprir o alto padrão de consumo dos países chamados de “Primeiro Mundo”. Berna chama isto, de “progresso insustentável”, porque contribui para acelerar o depauperamento do planeta, e cita:

(...) Como exemplos, há a maciça extinção de espécies e ecossistemas, o efeito estufa, os buracos na camada de ozônio, as mortes prematuras nas cidades resultantes da poluição do ar, água, solo etc. A terra está sendo destruída em cada um desses lugares, onde o desenvolvimento sem controle deixa desertos, muita miséria e fome. (...) Não temos todas as respostas, muito menos a solução para os problemas, mas somos capazes de dizer não ao progresso ilimitado e sim ao progresso com responsabilidade ambiental, ainda que, às vezes, não saibamos discernir quais são os melhores caminhos para nos conduzir a esse novo desafio.156

Com certeza, não temos as respostas prontas, mas é sabido que a sociedade atual encontra-se mais aberta ao diálogo e a reflexão, por achar-se mais consciente e crítica.157

Desta forma, compreendemos que disciplinar nossa mente para pensar de forma correta e buscar responder às antigas práticas (as erradas) com novas atitudes, já se torna um passo importante para alcançarmos as modificações que almejamos em nosso ambiente. Assim, um recurso importante para favorecer esta reflexão é a informação, que já vem acontecendo em ampla escala. “É necessário sensibilizar e mobilizar a sociedade em direção a esse mundo melhor; por isso, é fundamental que aqueles que se comunicam com o público utilizem uma linguagem que seja compreendida por todos”.158


5 Investindo em educação ambiental


Para que a humanidade possa caminhar para o futuro de forma segura é importante que ela seja orientada sobre os meios corretos de preservar o meio ambiente.

O meio natural corresponde a todos os lugares onde a vida se desenvolveu sem intervenção humana: ar, água, terra. Desde cerca de 3,8 bilhões de anos, a vida dominou os mares e a terra. (...) Os ambientes naturais evoluíram com o clima, permitindo que novas espécies surgissem, mas também que outras, menos adaptadas, desaparecessem.159

Nem todo recurso natural é renovável. Água doce, madeira, petróleo, alguns metais e minerais são recursos naturais que, apesar de serem oferecidos à nós pela mãe natureza, são esgotáveis. O uso demasiado destas reservas pode acarretar em sua finitude e com isso, alguns novos hábitos deverão ser adquiridos, como por exemplo, a redução do seu consumo.160

Por esta razão, é fundamental que as pessoas sejam orientadas a utilizar tais recursos de forma consciente, a fim de não prejudicar as futuras gerações.161

Vilmar Berna explica que as ações humanas efetuadas contra o meio ambiente, não são inconscientes, mas atitudes resultantes de uma concepção errônea adquirida ao longo da vida, que na verdade revela as “relações sociais e tecnógicas de uma sociedade”.

(...) Seres humanos explorados, injustiçados e desprovidos de seus direitos de cidadãos têm dificuldade em compreender que é anti-ético fazer o mesmo com animais e plantas, considerados inferiores. (...) Vivemos sendo explorados, por isso consideramos justo e legítimo explorar.162

Por isso, investir na educação ambiental como forma de conscientização possibilitará a oportunidade de uma nova visão de mundo.

Esta orientação quanto a educação ambiental deve começar a ser formada em pessoas que sejam capacitadas para transmitir estas orientações. Pessoas que que não tenham em suas mãos apenas instruções de um plano de aula a seguir, mas que carreguem em si, este mesmo desejo em promover a conscientização e conquistar mudanças.


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