Ouro Preto, cidade de interior, todos, no mínimo, já ouviram falar, o município que possui mais de 70 mil habitantes, está entre 900 e 1100m de altitude numa extensão de 1200km²



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Encontro04.08.2016
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Senhor Presidente, Senhoras e Senhores Deputados, hoje me reporto aos anos de 1698, quando um Grupo de bandeirantes, chefiados pelo então bandeirante Antônio Dias, descobriram o Pico do Itacolomi, montanha famosa pelo achado de ouro puro nos rios que a rodeiam, descoberta que entre os anos de 1700 a 1770 elevou a produção do ouro no Brasil para praticamente igual a toda a produção do resto da América, alcançando cerca de 50% do que o resto do mundo produziu nos séculos XVI, XVII e XVIII.
Ora, tal descoberta, desencadeou um dos piores males que herdamos de nossos antecessores, isto é, a ambição e o desejo pela riqueza fácil, que, infelizmente, alguns dos homens de hoje não conseguem dominá-la, pois já naquele tempo, os homens começaram a abandonar o campo e as indústrias pela falsa busca da riqueza fácil, à época, titulada pela “corrida do ouro no Brasil”.
O excesso na busca da “pedra negra” imigrou inúmeros mineiros, multiplicando a escravidão e dando origem a uma vila que hoje é denominada cidade de Ouro Preto, cidade que é reconhecida como maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca do Brasil, posto que, no auge do ciclo do ouro, foi totalmente construída por artistas e escravos, que dos modelos europeus criaram um estilo próprio, o nacional.
Ouro Preto, cidade de interior, todos, no mínimo, já ouviram falar, o município que possui mais de 70 mil habitantes, está entre 900 e 1100m de altitude numa extensão de 1200km².
Senhores Parlamentares, em 1938, face ao seu belo estilo cultural a cidade foi tombada como Patrimônio Nacional, isto devido a um movimento nacional de proteção à memória cultural, iniciado na década de 1920, e que culminou, no ano de 1937, na criação do SPHAN – Serviço do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional.
Já no ano de 1980, veio o reconhecimento internacional, ou seja, a cidade foi declarada pela UNESCO como Patrimônio Cultural da Humanidade. Reconhecimento que, infelizmente, se vê ameaçado nos dias de hoje, isto em virtude do crescimento desordenado, das reformas sem autorização em imóveis tombados, das ocupações nos sítios históricos e encostas da cidade, desafiando de forma incontestável a cidade barroca e o órgão responsável por sua preservação, o IPHAN, que tem como sua principal iniciativa o projeto Monumenta, financiado pelo Ministério da Cultura e Prefeitura Municipal com ajuda da Unesco e BID – Banco Interamericano de Desenvolvimento.
Nobres Parlamentares, não venho a esta tribuna somente para sintetizar e descrever a cidade de Ouro Preto e sua história, venho sim lhes falar para juntar minha voz e angustia à de tantos ouropretanos e cidadãos brasileiros que buscam socorro em nome daquela cidade, a qual se encontra ameaçada por todos os prismas.
Seus museus e casarios que guardam a história de exploração e lutas por liberdade estão ameaçados de perder o título de Patrimônio Histórico da Humanidade, devido a multiplicação dos sinistros, da violência, do desemprego, da exploração e o que é pior, pelo próprio poder político que ameaça sua história de liberdade e lutas com opressões, denúncias de desmandos econômicos, políticos e mal versação da coisa pública, que incansavelmente têm sido objetos de demandas judiciais perdidas ao longo do tempo pela morosidade do Judiciário, o que, caros companheiros, cumpre a nós corrigirmos.
Muitos dirão que isto acontece em todo o Brasil. Mas é diferente, senhores, é diferente porque Ouro Preto é vitrine do País e o que estamos mostrando ali é o pior: a poluição, o medo, a chuva ácida, a doença e os doentes, as denúncias não apuradas de corrupção, o abuso tradicional do poder.
Manuel Bandeira já nos conclamava há muito a salvar Ouro Preto. Agora eu o plagio e peço ao meus companheiros de bancada que não abandonemos os companheiros da base ouropretana que lutam por sanar esta situação que não vale relatar aqui.; peço a todos os parlamentares mineiros que olhem por Ouro Preto, não com olhos eleitoreiros, mas com a visão cidadã de combate ao coronelismo, de combate à corrupção, de combate aos desmandos que são denunciados e nunca apurados.
Não queremos aqui acusar ou lançar suspeitas sobre nenhuma facção, queremos sim pedir apuração dos fatos e agilidade das autoridades judiciárias para que Ouro Preto posa vivenciar a paz que não vivencia há séculos.
Sim, desde que Antônio Dias de Oliveira, ainda em 1691 avistou o Pico que se chamou Ita-curumi ( que quer dizer pedra criança) e que hoje é chamado de Itacolomi, desde então aquele povo viveu os tristes açoites da escravidão, a exploração coronelista que ainda persiste como uma cultura da obediência e do medo. Ninguém pode esquecer Tiradentes. A diferença é que hoje o esquartejamento é moral. Rasgam-se documentos , queimam-se papéis importantes, escondem-se denúncias.
Caros colegas, peço socorro em nome da cidade, propondo a interferência imediata nas questões ouropretanas no que se refere ao papel fiscalizatório desta Casa. Ouro Preto não é um Município qualquer, é patrimônio da humanidade e vamos perdê-lo se o deixarmos sozinho à mercê dos mercenários que exploram seu turismo, suas últimas riquezas, que sujam seus casarios e depredam seus museus.
Denúncias que visualizam os desmandos já as tenho em meu gabinete. Outras, façamos nosso papel fiscalizador e vamos juntos salvar Ouro Preto das garras da ganância do poder político hereditário naquela cidade, berço da liberdade. Não é tarde, mas precisamos nos apressar.
Por oportuno, Sr. Presidente, gostaria de anunciar ao povo daquela terra que já estive em audiência com o Exmo. Sr. Ministro da Educação – Cristovam Buarque – encaminhando-lhe as denúncias apresentadas contra a atual direção do CEFET para que sejam tomadas as devidas providências.

Obrigado, senhor presidente.


Dep. César Medeiros


PT/MG


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