Palavras-chave: História da imprensa – jornalismo cidade Belo Horizonte



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A experiência da cidade


Belo Horizonte é o palco e cenário da construção de identidades dos intelectuais, luta empreendida desde a sua inauguração.(61) Planejada para se tornar centro de unificação política, indutor de desenvolvimento econômico e irradiador de cultura, a capital ainda se mostrava profundamente provinciana nos twenties. Até então, a intelectualidade da capital ainda "sofria do insulamento, do isolamento do 'cosmos'. A atividade intelectual se alimenta do mundo, dos grandes centros, do acesso à informação, do diálogo, do convívio estreito com a produção universal. Ser intelectual na Belo Horizonte pequena, interiorana e distante era estar condenado ao isolamento da 'corte' que interessava. O Rio de Janeiro e São Paulo, mais do que exercer fascínio, lembravam aos mineiros aquilo a que estavam condenados: ao provincianismo tão distante de tudo que as obras universais traziam aos olhos e sentidos do homem de letras. Condenados estavam ainda à convivência com o limite que a formação interiorana impõe, e ao drama de, sendo provincianos, sentirem e pulsarem intelectualmente pelo mundo".(62)

A tensão entre o isolamento e o impulso ao cosmopolitismo é caminho inescapável para explicação de como é produzido o mundo da "Rua da Bahia". Pedacinho de metrópole, fragmento de vida cosmopolita, ponto nevrálgico da cidade, a rua metaforiza o coração e cérebro de Belo Horizonte. Reproduzia para a intelectualidade, como forma de amenizar o isolamento, a sensação cosmopolita negada por aquele meio urbano. Assim, não passaria de uma espécie de miragem a idéia de que Belo Horizonte era capaz de garantir a emergência da individualidade do cidadão urbano, no sentido proposto por Simmel, ou mesmo das formas culturais urbanas, pensadas pela Escola de Chicago. A lógica do "mundo rural", com tudo que tem de personalismo, tradicional na conformação das relações sociais, transfere-se para relações que permeiam o espaço urbano da capital. Para esse segmento social existia, na realidade, a convivência entre o universo urbano como valor face a uma situação ainda com a marca do provinciano, numa polaridade que é própria ao fenômeno urbano em suas variantes latino-americanas.(63)

Por esse caminho, talvez possamos ver na imprensa um dos mecanismos acionados para diluir a realidade de isolamento que a capital impunha à vida intelectual. Um artifício, uma forma de ampliar uma experiência que, a rigor, se chocava com os limites sociais, culturais e institucionais impostos pela cidade. A imprensa tornava-se uma das formas de pulsar intelectualmente o mundo.

Ocorre, todavia, que a visão da Belo Horizonte provinciana carrega também suas convenções. Na impossibilidade de significar desenvolvimento, progresso, a cidade pode não ser percebida somente como obstáculo a formas modernas de experiência. A Belo Horizonte que falta, a metrópole que poderia desenvolver um tipo de imprensa "moderna" não é, necessariamente, mais desejada do que a cidade vivida pelos "homens de imprensa".

O escritor Cyro dos Anjos, expoente do periodismo local, parece nos alertar para tal questão. Quando de sua mudança para Belo Horizonte, em 1923, vindo do interior após concluir o colegial, ele constata que "embasbacado não fiquei, mas entusiasmo sentia. Uma coisa era ter estado em Belo Horizonte passageiramente, e outra, habitá-la, gozá-la".(64) E sentir a cidade é experimentá-la em toda a ambigüidade que promove na sensibilidade dos indivíduos.

"Largas e vazias eram as ruas de Belo Horizonte em 1923, mas tudo me parecia trepidação, formigamento, em contraste com o paradeiro que Santana me deixara na retina. (...) Desapontamentos viriam. O mundo que me esperava não conferia com o imaginado".(65)

Vendo Santana no contraluz, não duvida: Belo Horizonte servia-lhe como metrópole. Ansioso pelo footing na Praça da Liberdade, gozando imaginariamente as sessões possíveis no cinema da capital, apossando-se, enfim, de um status de cidadão metropolitano, o protagonista perceberia, em seguida, outra face da cidade. A Belo Horizonte com a qual se deparava produzia também um distanciamento nas relações afetivas com os amigos, que na capital não mantinham o mesmo entusiasmo da amizade cultivada no interior. Além disso, a capital parecia perpetrar uma sensação de impotência e estranhamento ante a lógica de funcionamento das relações nessa sociedade. Vazios também pareciam os contatos naquela cidade em face do espaço coletivamente apropriado da comunidade perdida.



"A pequena metrópole crescia, avolumava-se, esmagava-me. (...) Imersos no seu mundo novo, que nada tinha de comum com o meu, os amigos deixavam-me outra vez tão solitário como dois anos antes, ao partirem de Santana."

"Em Santana, o Largo de Cima, o de Baixo, a Rua do Bispo - velha estrutura emoldurada pelo hábito - infundia-me confiança, apaziguava-me. Penduravam-se das coisas o mormaço e o tédio, mas o mundo físico sustinha de certo modo o mundo moral. Na álgida Belo Horizonte, não havia escoras. Se me via só, a cidade avultava dentro de mim, ensoberbava-se, negando o afeto que eu, mendigo orgulhoso, pedia sem estender a mão".(66)

Se Belo Horizonte não era o Rio de Janeiro almejado em muitos momentos, não se assemelhava à melancolicamente lembrada Santana de outrora. Mas podia ser vivida como metrópole, no sentido de produzir algum tipo de estranhamento para a vida dos habitantes. Uma cidade superficial, "a 'cidade racionalista' que liquida as referências individuais e coletivas. O individual, o qualitativo, o heterogêneo são excluídos do espaço urbano".(67)

Para os protagonistas da imprensa o que importaria, nesse caso, seria que os jornais lhes possibilitassem estabelecer contatos sociais que o mundo de pessoas aparentemente estranhas da cidade impedia. Em alguma medida, a imprensa poderia, pois, ser vista também como um instrumento para desenvolver alguma forma de senso comunitário dentre aquele agrupamento de jornalistas. Ela permitiria aos seus praticantes instituir ligações com o ambiente urbano de forma que o processo de diferenciação e "anonimato" fosse contrabalançado pela emergência de novas formas de reciprocidade social. A esse restrito núcleo intelectual a imprensa possibilitaria resguardar uma cidade onde os habitantes se auto-reconheçam e sejam reconhecidos pelos outros. Em suma, ajudaria a estabelecer espaços de convivência e sociabilidade em tese perdidos. Subtraídos não somente pelo crescimento espacial da cidade, mas pela emergência de novos ritmos de vida e formas de experiência social.

A relação imprensa/cidade poderia estar, pois, sendo definida também pela referência a uma percepção dos jornalistas de planos variados de convivência. Fazer imprensa na Belo Horizonte dos anos 20 e 30 seria, por um lado, a possibilidade de alcançar ares cosmopolitas e, por outro lado, a reconstituição de alguma sorte de senso comunitário. A renovação da imprensa coloca em perspectiva a possibilidade de progressiva liberação dos indivíduos de laços de dependência pessoal mas pode também servir de anteparo para a condição de estrangeiro no mundo urbano, de solitário num "mundo de estranhos". Diante de uma virtual impossibilidade de manutenção de antigos modos de solidariedade comunitária e territorial, o fazer imprensa poderia representar novos laços de associação.

Assim, o jornal é para os "homens de imprensa" uma maneira de possuir e exprimir a cidade. O dilema dos jornalistas, que se traduzirá nas suas representações em dilema do espaço da imprensa local, é se confrontar com uma espécie de fome que têm da cidade e um certo paradoxo do "olho maior que a barriga". A imprensa renovada que se presentifica por esta ocasião em Belo Horizonte percebe a cidade como sua parceira indeclinável na instalação da modernidade editorial. Mas, talvez até por verem essa modernização da imprensa pelas lentes da imprensa dita "nacional" - a de Rio e São Paulo - acreditam que a sua prática aspira a mais do que pode a sua cidade.

Talvez, percebendo o virtual processo de nacionalização da imprensa dos centros principais, os homens da imprensa de Minas estejam começando a se debater com o problema de buscar o espaço particular da imprensa da capital mineira. E, nesse processo, a representação que fazem os jornalistas da relação imprensa/cidade não se baseia numa percepção uniformizadora da sua experiência. A ambigüidade e a variação são modulações mais evidentes dessas mudanças, vistas de dentro, no periodismo da capital. E a cidade, aos invés de simples realidade espacial ou demográfica, mero contexto de ação ou responsável por um estado de espírito específico, torna-se uma das formas de se pensar a questão da renovação da imprensa. A partir do seu dilema particular os "homens de imprensa" de Belo Horizonte deixam um rastro, uma pegada: a experiência da cidade aparece como a lógica das novas práticas jornalísticas.





* Professor do departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais, doutorando em “Comunicação e Cultura Contemporânea” na Universidade Federal da Bahia


( (1) "Antes de mais nada um ato de heroísmo", Estado de Minas. Belo Horizonte, 08 de março de 1977. Caderno Comemorativo. P.1.

(2) O relato dessa história encontra-se disperso em diversos artigos e livros de memória de alguns de seus protagonistas. Uma boa descrição do ocorrido encontra-se na edição comemorativa dos 50 anos do Estado de Minas, op.cit.

(3) Lucilio Mariano, Vida de Jornal, O Diário. 06/02/36, p.3

(4) Pedro Aleixo, Página de evocação, Estado de Minas. 07/03/53, p3. 2ª Seção.

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(5) Alguns do principais diários do período foram o Correio Mineiro, fundado em 11 de novembro de 1926 encerrou suas atividades em 8 de agosto de 1936; o Diário da Manhã, de 16 de julho de 1927 a fevereiro de 1928; Estado de Minas, de 7 de março de 1928, e o Diário da Tarde, de 14 de fevereiro de 1931, que circulam ainda hoje; Diário Mineiro circulou de junho de 1929 até pouco depois do final do movimento revolucionário de 1930; Folha da Noite, de 1º de abril de 1929 a 6 de setembro de 1930; Jornal da Manhã, de 27 de outubro de 1931 a 27 de setembro de 1932; Correio do Povo, de 26 de janeiro de 1932 a 20 de novembro de 1933; O Debate, de março de 1934 a março de 1937; Folha de Minas, de 14 de outubro de 1934 até 1965; O Diário, de fevereiro de 1935 até janeiro de 1965.

(6) Segundo levantamento do Departamento Nacional de Estatísticas, publicado no Minas Gerais de 21/04/32), a imprensa noticiosa, considerada como aquela voltada para serviços informativos de caráter amplo e público leitor diversificado, em comparação a segmentos especializados como a imprensa científica, operária, religiosa e literária, é a que mais cresce em termos absolutos numa comparação entre os anos de 1912 e 1930. Desde a época da monarquia, de 1825 até 1929, foram fundados 2.953 periódicos, sendo que entre 1920 e 1929, ocorre a maior concentração (2.105) de publicações criadas.

(7) O conjunto dessas elaborações teve seu principal expoente na chamada Escola de Chicago. Os processos de industrialização e a urbanização acelerados, calçados em variáveis como tamanho físico, concentração demográfica, evolução tecnológica e tipo de organização social, seriam os móveis característicos responsáveis pelo fato do desenvolvimento da imprensa. A cidade é apontada como variável explicativa independente que gera efeitos profundos na vida social, com destaque para novos tipos de comportamento humano.

(8) Sobre as limitações da análise do fenômeno urbano pela Escola de Chicago ver as críticas de Ruben George Oliven, Urbanização e mudança social no Brasil. Petrópolis, Vozes, 1980.

(9) Diário da Manhã, Diário da manhã. 16/07/27, p.1

(10) "Foi em confronto com esse ambiente que se articulou a nova geração intelectual dos anos 20" conforme argumenta Fernando Correia dias, Literatura e(m) mudança: tentativa de periodização, Revista do Conselho Estadual de Cultura de Minas Gerais. II Seminário sobre a cultura mineira (período contemporâneo). Belo Horizonte, 1980. p.123-147.

(11) Carlos Drummond de Andrade, Vamos ver a cidade, Minas Gerais. 16/05/30, In: Revista do Arquivo Público Mineiro. Ano XXXV, Belo Horizonte, 1984, p.65-66.

(14) Diário da Manhã, 21/07/27, conforme referência de Márcio da Rocha Galdino, op cit.

(15) Carlos Drummond. Garotas modernas e noivas ingênuas. Minas Gerais, 08/07/31, p.15. In: Revista do Arquivo Público Mineiro, op. cit. p.138-39.

(16) Carlos Drummond de Andrade registra tal situação no poema A língua e o fato, Poesia e prosa. Rio de Janeiro, Nova Aguilar, 1988. p.738.

(17) Uma interessante introdução a uma abordagem sociológica do fenômeno do futebol no país, com a indicação de uma série de aspectos que alcançam a realidade belorizontina do esporte pode ser encontrada em Anatol Rosenfeld, O futebol no Brasil, Argumento. Ano 1, nº4, fev.74. Paz e Terra, Rio de Janeiro.

(18) João Alphonsus, Totônio Pacheco. Rio de Janeiro, Imago/MEC, 1976.p.170

(19) Plínio Barreto, Renhida luta no field do Barro Preto. Estado de Minas. 08/03/77, p.5.

(20) Delso Renault. Chão e alma de Minas. Rio de Janeiro, Francisco Alves, 1988. p.165

(21) Tudo indica que os "placards" foram criação do paulistano O Estado de São Paulo em 1919, quando a redação enviou um correspondente à capital federal para cobrir uma partida da selecionado brasileiro. O repórter enviava, através do telefone, informações que eram expostas na fachada do prédio a cada minuto ou de acordo com o desenrolar da partida: um ataque perigoso, escanteio, gol etc. A referência é de Nicolau Sevcenko, Orfeu extático na metrópole. São Paulo, Companhia das Letras, 1992. P.66.

(22) Carlos Drummond de Andrade. Enquanto os mineiros jogavam. Minas Gerais. 21/07/31. In: Revista, op.cit. p. 155.

(23) A cidade em pleno reinado da folia. Diário da Tarde. 14/02/31, p.1

(24) Segundo Renato Ortiz, uma série de processos culturais verificados nas quatro primeiras décadas do século deixam antever elementos que, rearticulados a partir dos anos 40, responderão pela emergência de uma cultura popular de massa no Brasil. A moderna tradição brasileira. São Paulo, Brasiliense, 1988.

(25) Antônio Cândido, A revolução de 1930 e a cultura, Novos Estudos Cebrap. São Paulo, v2,4,p.27-36, abril 84.

(26) Sobre os conflitos entre as chamadas "classes perigosas" e a ordem urbana imposta pelo poder público nas primeiras décadas da cidade ver o trabalho de Luciana Andrade, Ordem pública e desviantes sociais em Belo Horizonte (1897-1930). Belo Horizonte, Fafich/UFMG, 1987. Tese de Mestrado.

(27) Delso Renault, op.cit, p.34.

(28) Cyro dos Anjos. A menina do sobrado. Rio de Janeiro, José Olympio/MEC, 1979.p.331-32.

(29) João Alphonsus, Rola Moça. Rio de Janeiro, Imago/MEC, 1976. p.123-25.

(30) Idem, p.146-151.

( (31) Louis Wirth, op. cit.

(32) Carlos Drummond de Andrade, Um parente que faz cinqüenta anos, Estado de Minas. 09/07/77, p.1. Caderno comemorativo.

(33) Só se pode falar efetivamente do desenvolvimento de uma mentalidade gerencial e da racionalidade capitalista na esfera cultural a partir dos anos 60, quando começa a se conformar uma efetiva indústria cultural e um mercado de bens simbólicos. Até então, talvez a expressão mais adequada para os "empresários" da imprensa seja a de "capitães da indústria". Sobre isso ver a discussão de Renato Ortiz, op. cit.

(34) Carlos Drummond de Andrade, Um parente, op. cit.

(35) Carlos Drummond de Andrade, Um minuto apenas. Minas Gerais. 9 de junho de 1931. p.13. In: Revista, op.cit. p.99

(36) O Estado de Minas, Estado de Minas. 07/03/28. p.1

(37) Robert Park, The natural history of newspaper. In: Robert Park e Ernest Burgess, op. cit. p.91.

(38) Pra que serve o jornal?, Estado de Minas. 07/03/29. p.1

(39) Ciro dos Anjos, op. cit. p.327

(40) Estado de Minas, Estado de Minas. 07/03/30. p.1

(41) O Estado de Minas, Estado de Minas. 07/03/36. p.1

(42) O nosso aparecimento, O Debate. 16/03/34. p.2

(43) O pequeno vendedor de jornais, Diário de Minas. 6/8/30

(44) O repórter, Minas Gerais. 21/04/32.

(45) O jornal - Como o imaginamos, Estado de Minas. 07/03/36.

(46) Palavras simples e sinceras, Diário da Tarde. 14/02/31. p.1

(47) Dario de Almeida Magalhães, Órgão de Informação, Estado de Minas. 08/03/36. p.1

(48) Milton Campos, A imprensa de ontem e a de hoje. Estado de Minas. 08/03/36. p.1

(49) Maria Stella Bresciani, As sete portas da cidade, Espaço e Debates. nº 34. São Paulo, 1991. Sobre a formação de uma sensibilidade do indivíduo com a expansão das cidades ver, também da mesma autora, Metrópoles: as faces do monstro urbano (as cidades no século XIX), Revista Brasileira de História. SP, v.5, nº8/9, set.1984/abr.1985.

(50) Conforme Georg Simmel, A metrópole e a vida mental, in Otávio Velho, op. cit.

(51) Helena Bomeny, Mineiridade dos modernista. Tese de doutorado, Iuperj, 1991. p.39.

(52) À sombra das secretarias, Belo Horizonte aprendeu a esconder-se da vida ao ar livre, Diário da Tarde. 20/02/31, p.1

(53) Idem.

(54) Sobre a discussão acerca do papel dos esportes na redefinição da vida urbana e a percepção do citadino ver Nicolau Sevcenko, op. cit.

(55) Idem.

(56) Idem.

(57) Tempo de fato e mito, Estado de Minas. 08/03/77, p.4. Caderno comemorativo.

(58) "Esse continuum apresentaria duas polaridades básicas, remetidas, à maneira de tipos ideais, a concepções de mundo que se desenvolveram como verdadeiras tradições fundantes do processo de modernidade: formas culturais híbridas e combinadas movimentavam-se - por aproximação ou por oposição - entre, de um lado, o que poderíamos nomear como sendo um pólo eufórico-diurno-iluminista, lugar de adesão plena e incontida aos valores próprias da civilização técnica e industrial, numa configuração que lembra determinada sorte de deslumbramento reificado, responsável pela produção, em alguns casos, de certas utopias tecnológicas futuristas; e, de outro lado, na extremidade oposta, o que chamaríamos de pólo melancólico-noturno-romântico, lugar por excelência da rejeição, às vezes sob o signo da revolta, mas, de todo modo, agônica e desesperada, do mundo fabricado nas fornalhas da revolução industrial, figurando, assim, imagens emblemáticas de máquinas satânicas e criaturas monstruosas, em todas as suas possíveis variantes, herdadas, na origem, de tradição anticapitalista e anticivilização moderna própria do romantismo". Francisco Foot Hardman, Antigos Modernistas, in Adauto Novaes (org.), Tempo e história. São Paulo, Companhia das Letras. 1993. p.292.

(59) Sobre a presença da classe operária em Belo Horizonte nas três primeiras décadas da cidade ver Maria Auxiliadora Faria e Yonne de Souza Grossi, A classe operária em Belo Horizonte (1897-1920), V Seminário de estudos mineiros. Belo Horizonte, PROED, 1982.

(60) O novo gênero de vida diferencia a população urbana em níveis econômicos, "porém muito mais culturalmente, sendo que as camadas superiores adotam como sinal distintivo o requinte e um arremedo de cultura intelectual. Sobre isso ver Maria Isaura Pereira de Queiroz, Cultura, sociedade rural, sociedade urbana no Brasil. São Paulo, LTC/EDUSP, 1978.

(61) Helena Bomeny, Cidade, República, Mineiridade, Dados - Revista de Ciências Sociais. Rio de Janeiro, vol.30, nº 2, 1987, p187-206.

(62) Idem p.192

(63) Conforme hipótese desenvolvida por Richard Morse e citada por Helena Bomeny, Guardiães da razão. Rio de Janeiro, UFRJ/Tempo Brasileiro, 1994. p.65.

(64) Cyro dos Anjos, op. cit., p.199

(65) Idem, p.199

(66) Idem, p.275

(67) Olgária Matos, Os arcanos do inteiramente outro. São Paulo, Brasiliense, 1989. p.79


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