Palavras-chave: Paulo Freire; Tema Gerador; Alfabetização; Conscientização Justificativa



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Encontro29.07.2016
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A EDUCAÇÃO DE JOVENS E ADULTOS EM SANTO ANASTÁCIO: A CONSCIENTIZAÇÃO NA PERSPECTIVA FREIRIANA; SELEGUINI, Camila de Fátima Leiva – FAPREV – milaleiva@hotmail.com; SILVA, Neide Ferreira Dutra - FAPREV


RESUMO: Os círculos de cultura idealizados com a colaboração do educador Paulo Freire constituiu uma excelente oportunidade de potencializar a alfabetização de milhões de brasileiros na década de 1960. Apoiado por políticos populistas, mas visto com sérias reservas por representantes das elites, o método de alfabetização de Paulo Freire, iniciado em Angicos/RN teve uma curta duração no Brasil, mas sua implementação no Chile, entre as décadas de 60 e 70 demonstraram ser um projeto altamente exequível e que efetivamente poderia ter mudado o cenário da educação Brasileira.. Nossas considerações finais demonstraram que todo ser humano possui conhecimento e sabedoria, mesmo não sabendo ler e escrever e, portanto a Educação de Jovens e Adultos, precisa ser realizada através do diálogo sobre o mundo e com o mundo.
Palavras-chave: Paulo Freire; Tema Gerador; Alfabetização; Conscientização
Justificativa

Este estudo teve como premissa a pretensão da construção de propostas de ensino de jovens e adultos, através de estudos bibliográficos pertinentes à temática, bem como de relatos de educandos da cidade de Santo Anastácio e a realização de uma experiência em sala de aula.

Acreditamos que a pesquisa realizada foi socialmente e academicamente relevante, ao passo que poderá trazer à luz importantes reflexões junto à comunidade escolar acerca da temática Educação de Jovens e Adultos.

Esta pesquisa foi apresentada como Trabalho de Conclusão de Curso para obtenção do grau de licenciado em Pedagogia pela Faculdade de Presidente Venceslau.


Objetivos

Esta pesquisa teve como objetivo geral investigar a Educação de Jovens e Adultos na metodologia de Paulo Freire, e como objetivos específicos apresentou relatos de educandos da Educação de Jovens e Adultos da cidade de Santo Anastácio, além de apresentação de uma experiência realizada em uma sala de EJA (Educação de Jovens e Adultos).


Introdução ao pensamento de Paulo Freire

A obra “Conscientização: teoria e prática da libertação: uma introdução ao pensamento de Paulo Freire”, e a obra “Cartas a Cristina” nos traz uma importante bibliografia sobre a vida do teórico, principalmente porque se trata de um relato do próprio autor. Paulo Reglus Neves Freire nasceu em 19 de setembro de 1921 em Recife, na Estrada do Encanamento, bairro da Casa Amarela.

Paulo Freire (1980) criou um “método de alfabetização” para os jovens e adultos que não tiveram a oportunidade de freqüentar a escola quando crianças. O primeiro passo para alfabetizar estes jovens e adultos é trabalhar com as palavras que eles já conhecem, que fazem parte do seu mundo e da sua cultura, para isto é necessário fazer uma pesquisa do universo vocabular antes de começar a alfabetizar, esta pesquisa é feita com os educandos de forma simples, através de uma entrevista onde se descobre as palavras geradoras, a partir destas descobre-se outras palavras, enriquecendo o vocabulário do aluno.

Antes de começarem a aprender os educandos sentados em círculos, começam a pensar juntos sobre o mundo, conversando sobre como vivem, onde nasceram, onde moram, onde trabalham, como criam os filhos, etc. Freire chamou estes grupos de círculos de cultura. Neste círculo discutem-se as relações do homem com a natureza, onde através dela o homem cria cultura, ou seja, criando tudo o que é necessário para a sua sobrevivência.

Para acontecer estes diálogos Paulo Freire criou as fichas de cultura, que são cartazes com desenhos que mostram imagens do dia-a-dia, levando o grupo a pensar sobre o mundo, através destas fichas surge um bom bate papo e reflexão.

Através destes diálogos as palavras geradoras, tornam-se temas geradores, como por exemplo, a palavra “trabalho”, através dela pode-se discutir sobre o desemprego, horas de trabalho, força de trabalho, etc.

Ao término das discussões, os alunos aprendem a ler e a escrever as palavras geradoras, através da codificação e descodificação, em seguida a palavra é dividida em partes, onde a partir das silabas surge à ficha de descoberta e através desta ficha os alunos descobrem e formam novas palavras, em seguida é feita a leitura e fixação destas palavras. Com o passar dos tempos os alunos já conseguem formar frases e pequenos textos.

A Educação de Jovens e Adultos precisa ser uma educação para responsabilidade social e política.



Importância da conscientização no pensamento de Paulo Freire

Conscientização é a ação do homem sobre o mundo, ou seja, o homem precisa conhecer seus direitos e deveres, para optar, decidir e lutar, mesmo que a situação esteja ruim, o homem poderá intervir e melhorá-la.

É necessário respeitar a dignidade, a autonomia e a identidade do educando.

Conscientizar é fazer com que o homem apreenda a realidade para poder transformá-la.

Através da conscientização o ser humano luta para libertar-se.

Para Freire (1980) a educação deve ser baseada sobre uma reflexão do homem, sobre a análise do meio de vida concreto em que vive, segundo ele quanto mais o homem refletir sobre a realidade, mais consciente se torna e se compromete a intervir sobre a realidade para mudá-la, além de mudar a realidade o homem muda a si mesmo, a partir do momento que o homem reflete sobre sua realidade, respondendo aos desafios está criando cultura.

Para isto é necessário educadores criadores, que instigam a curiosidade dos educandos, assim os tornarão sujeitos da construção e reconstrução do saber ensinado. O professor deve respeitar o conhecimento dos educandos, aproveitando suas experiências, discutindo o conteúdo ensinado, e formando o cidadão ético.

A conscientização torna o homem capaz de ser anunciadores da humanização e denunciadores da desumanização.



    Pessoalmente acreditamos que a alfabetização é um passo importante para a conscientização dos homens, em busca de uma sociedade mais justa, mais fraterna, com uma escola inclusiva, uma escola para todos.


Conhecendo um pouco da história de alunos

Realizamos entrevistas semi estruturadas com três alunos do EJA na cidade de Santo Anastácio, e pudemos constatar que os alunos estão no processo de alfabetização, aprendendo a ler, a escrever e a fazer contas, percebemos que só um aluno estudou na infância, mas teve que abandonar os estudos para ajudar os pais, os outros dois alunos não puderam estudar, pois desde cedo tiveram que trabalhar para ajudar a família. Todos tiveram incentivo para voltar a estudar.

Através destas aulas estão levando conhecimentos para a vida, percebemos ainda que todos têm dificuldades em escrever, já em Matemática eles tem facilidade pois a utilizam no dia a dia.

A professora além de ensinar o conteúdo, conversa com os alunos, que já estão utilizando estas aprendizagens no dia a dia.

Aprendemos muito conhecendo um pouco da história destes alunos, eles tem muita força de vontade em aprender, mesmo com as dificuldades estão aprendendo e adquirindo conhecimentos.

Estas entrevistas mostraram a luta e o sonho de cada aluno de serem alfabetizados, nos levando a acreditar que todos somos capazes, e principalmente a não desistir nunca, afinal nunca é tarde para aprender.



A experiência em sala de aula

Apresentamos a experiência vivida em uma sala de EJA, no Sindicato Rural de Santo Anastácio, onde ministramos uma aula com o tema “marcas que nos identificam”, retiradas do caderno do educador 1 da coleção Viver e Aprender.

Começamos a aula apresentando o filme Vida Maria de Marcio Ramos gravado em 2006, uma produção da Secretária de Cultura do Governo do Estado do Ceará. Este filme retrata a história de Maria José, uma criança que teve o sonho de estudar interrompido, pois tinha que fazer os afazeres da casa, Maria José teve um monte de filhos, e também interrompeu o sonho de sua filha Maria de Lourdes estudar. Este vídeo retrata ainda a repetição de vida passada de geração em geração, onde a mãe dá à filha a mesma criação que teve não dando oportunidade aos filhos de estudarem e assim poderem ter um futuro melhor.

Após, apresentamos a ficha de cultura com imagem de um homem no campo. Em seguida, dialogamos com as alunas sobre o filme e sobre a imagem.

A discussão foi proveitosa, com a maioria dos alunos aconteceu à mesma história que no filme, os pais não deixaram que eles estudassem, uma das alunas relatou que mesmo ela não estudando deu a oportunidade para os filhos estudarem e assim poder ter um futuro melhor.

Dando continuidade a nossa aula, contamos uma história chamada “Roberto sem Carlos”, escrita por Roberto Soares, que conta a história de Roberto um rapaz que começou trabalhar numa oficina mecânica e precisava assinar o nome no livro ponto. Como não sabia escrever, teve uma ideia: pegaria o disco do Roberto Carlos e copiaria o nome Roberto até aprender, como ele sabia a letra R, logo achou a palavra Roberto, mas infelizmente não sabia onde acabava o nome Roberto e por isso aprendeu a escrever Roberto Carlos, passando a escrever no ponto Roberto Carlos, todos da oficina começaram a chamá-lo de Roberto Carlos. Roberto não sabia como explicar que seu nome era só Roberto, mudou de nome, mas conseguiu resolver o seu problema. Após esta história as mulheres relataram se viveram uma situação parecida e o que fizeram para conseguir superar esta situação.

Após conversamos sobre as marcas que identificam as pessoas, como o nome, o sobrenome, características, documentos, assinatura e impressão digital. Em seguida realizamos uma atividade prática mostrando que as impressões digitais é diferente em cada ser humano, cada aluno carimbou os dedos em uma folha e fizeram as comparações, pedimos ainda para assinarem seus nomes.

Em seguida, contamos um pouco sobre a história de vida Paulo Freire, e perguntamos a eles qual palavra geradora gostariam que fosse trabalhada. A palavra escolhida foi “Natureza”, escrevemos no quadro a palavra, após montamos a ficha de descoberta.



Podemos constatar através desta experiência, que os jovens e adultos, têm muito pra ensinar e aprender. Através do diálogo podem-se descobrir bons temas para discussão e através das palavras geradoras podem-se aprender outras palavras e até montar frases e pequenos textos. Foi uma experiência prazerosa.

Acreditamos que é necessário um debate coletivo sobre a realidade, onde aprendemos através da construção coletiva e da troca de saberes buscando a mudança de ideias e valores, problematizando os interesses sociais e atuando criticamente sobre o mundo.


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