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A implantação do primeiro veículo radiofônico no Maranhão, batizado como rádio Difusora, mais tarde rádio Timbira, foi fundada durante o governo Getúlio Vargas e surgiu a partir de solicitações do interventor Paulo Martins de Sousa Ramos. Com o apoio das autoridades federais, foi concedido para a rádio oficial o prefixo PRJ – 9, que ocupou a onda média (amplitude modulada), sendo sintonizada através de 1940 quilohertz. Para a montagem da rádio, a Philips, empresa especializada no ramo, enviou a São Luis o técnico mato-grossense Édson Braune de Araújo, cuja importância foi vital para a sobrevivência do rádio maranhense. Inaugurada solenemente no dia 14 de agosto de 1941, a PRJ-9 entrou no ar as 21h00 com o pronunciamento do interventor Paulo Ramos, que foi ouvido em mais de 60 municípios do Estado.

Por meio da rádio pioneira, o Maranhão passou a compor a maior cadeia de comunicação da época no Brasil, os Diários Associados, comandado por Assis Chateaubriand. A partir daí, a PRJ-9 passou a ser chamada de Rádio Timbira, devido os povos indígenas que habitavam o país. A rádio Timbira passou por momentos memoráveis, com um elenco impecável, uma estrutura com vários departamentos para atender as necessidades dos ouvintes e com grandes locutores, vivendo períodos de altos e baixos em sua trajetória. O momento mais crítico da rádio foi no Governo de Roseana Sarney (1995-2002), que extinguiu a rádio Timbira, sendo publicado no Diário Oficial do Estado do Maranhão. Por ser uma concessão do Governo Federal, a rádio continua levando a sua voz para todo o Estado.


Palavras-chave: Rádio Timbira. Documentário. Memória.

Timbira: A Primeira Era do rádio no Maranhão


A história da Rádio Timbira partiu de um conjunto de relatos apresentados por personagens que fizeram parte desse contexto histórico. Dr. Paulo Ramos, ao assumir o Governo do Estado, sabia e sentia que o Estado necessitava crescer. Uma de suas primeiras e importantes contribuições foi à instalação de uma estação de rádio, a fim de que se começasse uma ação democrática na comunicação do nosso Estado.

Getúlio Vargas, atendendo ao pedido do interventor, por sua vez, tratou de constituir uma comissão de engenheiros para adotar as providências necessárias. A partir daí foi aberta a concorrência pública e a vencedora foi a Philips do Brasil SA, empresa holandesa que operava no país.

Para a instalação desse importante empreendimento, o Dr. Vitoriano Borges, representante da Philips, no Brasil, trouxe seu mais competente técnico, o mato-grossense Édson Braune de Araújo. Recém-formado na Universidade Marconi e na Sinecom brasileira, Braune trouxe consigo uma bagagem de experiência, que se mostrou vital para a sobrevivência do Rádio maranhense. Ainda nos seus 25 anos ele assumiu a responsabilidade da montagem do transmissor da PRJ-9.

Da década de 40 até os dias atuais muitos profissionais contribuíram param a edificação do nosso Rádio. Mas nenhum deu tanto de si como Edson Braune, que fez o alicerce e despertou a paixão de muitos jovens pela profissão. Além de montar diversas emissoras, foi por muitos anos responsável técnico por todas elas.

A emissora do Governo estava com o seu primeiro estúdio instalado no último andar do Departamento Estadual de Imprensa e Propaganda – DEIP, hoje Serviço de Imprensa e Obras Gráficas do Estado – SIOGE, localizado na Rua Antônio Rayol, Nº 500, onde existia o Diário Oficial e a PRJ-9. Já os seus transmissores ficaram instalados na Avenida Municipal, onde atualmente funciona o Juizado de Menores, próximo ao Cemitério do Gavião.

De 1939 a 1940, a PRJ-9 funcionou em caráter experimental, pois era preciso avaliar-lhe sua qualidade técnica e o alcance de sua recepção.

Definitivamente, em 14 de agosto de 1941, a PRJ-9 é inaugurada solenemente, contando com a presença de autoridades do Maranhão e convidados especiais do Rio de Janeiro.

Algumas famílias maranhenses já possuíam seus aparelhos de rádio e aguardavam com expectativa o momento de ligar o botão sintonizando os 1940 quilohertz. Às 21 horas, entrava no ar a PRJ-9, com as palavras do interventor Paulo Ramos que dava vida à Rádio oficial do Estado e enchia de orgulho todos os maranhenses. Mais de 60 municípios puderam ouvir a emissora em um só tempo e no mesmo instante. Deste modo, toda solenidade de inauguração da PRJ-9, desde as palavras de Paulo Ramos, foram narrados pelo locutor Marcus Vinícius de Almeida – paraense, poeta e intelectual da Academia Maranhense de Letras, juntamente com o diretor artístico da emissora, Durval Paraíso. Ribamar Pinheiro tornou-se o primeiro Diretor Geral da PRJ-9, por ser considerado um homem público e ilustre, além de ter domínio com as letras.

Nesse período, a PRJ-9 funcionava em dois tempos: das 12h00 às 18h00 e das 18h00 ás 22h00, em uma só onda (média). Esta durante o dia não tinha uma boa transmissão, somente à noite a propagação do som era melhor.

Um fato interessante era o patriotismo dos profissionais da rádio, ao iniciar todos os dias a programação com o Hino Nacional brasileiro.

O interventor Paulo Ramos tinha tanto apreço pela emissora que instalou um rádio em seu carro, para que pudesse ouvir toda programação da PRJ-9. Inclusive se o interventor ouvisse algo errado, imediatamente tomava providências, pois ele achava que não ficaria bem a Rádio Oficial do Estado, que tinha uma programação elitizada, cometer erros de português e repetição das palavras.

Apesar da programação da PRJ-9 ser excelente, era preciso conquistar a outra classe, considerada de menor poder aquisitivo. Partindo disso, o governador e Durval Paraíso sentiram a necessidade de adaptar uma programação popular. Para que isso acontecesse com êxito, o interventor solicitou que o Diretor Geral – Ribamar Pinheiro fosse a Recife conhecer a programação da Rádio Clube Sociedade – uma das melhores emissoras do povo brasileiro –, trazendo novidades para o rádio maranhense. A partir daí, a PRJ-9 tornava-se popular e de fácil aquisição. Toda a sua programação foi reestruturada, contando com programas populares, apresentação de calouros e programas de auditórios. Dos programas de auditório formou-se o primeiro grupo musical chamado “Vera Cruz”, comandado por Ruy Pisk e Maninho.

A PRJ-9 tinha os melhores profissionais. Cumpre salientar-se que a Rádio PRJ-9, por ser do Governo do Estado, seus funcionários recebiam pagamentos diretamente do tesouro do Estado. A forma de contratação dos profissionais era através de concursos públicos para locutores, produtores de texto, sonoplastas e outros.

Referindo-se a sua parte comercial, as propagandas veiculadas, isto se devia à ação de alguns profissionais, que conseguiam patrocínios em lojas de parentes ou conhecidos, pois nesse tempo não existia publicidade radiofônica. Os mesmos baseavam-se em uma tabela de anúncios da PRJ-9, que foi publicada no jornal O Debate.

Segundo Jesus Ramos Martins, um fato político mudaria o rumo da História da Rádio Oficial do Estado. Por ter uma ligação muito forte com o governo, Assis Chateaubriand, que já era senador da Paraíba, começou arrendar jornais e rádios por todo o Brasil. Sendo ele proprietário dos Diários Associados e tendo filiais em quase todo Nordeste, chegou até São Luís, onde comprou o Globo e o Imparcial, nomeando como diretor destes jornais o Dr. Pires de Sabóia.

Ao abrir os Diários Associados no Maranhão, Assis Chateaubriand já demonstrava suas pretensões políticas, pois queria fazer sua campanha para senador do Estado. Mas, para isso, precisaria de mais um veículo de comunicação – o rádio. Foi quando enviou a São Luís, José Calmon, diretor da Rádio Baré de Manaus, que pertencia aos Diários Associados para negociar o contrato de comodato1 com a rádio oficial do Estado.

Depois de muitas reuniões, o contrato de comodato solidificou-se em 14 de agosto de 1944, estabelecendo-se que a Rádio Baré de Manaus teria o direito de utilizar todos os equipamentos da PRJ-9 e até os serviços dos contratados pelo Estado. Esse contrato dava a concessão por cinco anos. Ao final poderia ser renovado se houvesse interesse de ambas as partes. Por pertencer ao Estado, a PRJ-9 não podia ser vendida, por isso existiu o contrato de comodato. Também, ficava determinado que a Rádio Baré pagaria mensalmente o equivalente a 5% ao ano sobre o capital imobilizado para o Estado, os pagamentos dos funcionários efetivos da PRJ-9, além de arcar com todas as despesas durante a vigência do contrato. Os discos, móveis e utensílios da PRJ-9 eram de total responsabilidade da Rádio Baré.

No contrato ficou estabelecido que os Diários Associados seriam obrigados a retransmitir a “Hora do Brasil”, assim como divulgar os atos oficiais do Estado do Maranhão, obedecendo com rigor ao tempo, contanto que não excedesse à meia-hora, entre 18:30 e 19:00 horas. Outrossim, no contrato de comodato havia uma cláusula: a PRJ-9 poderia rescindi-lo a qualquer hora, caso a direção da Rádio Baré não zelasse eficientemente pelos interesses do Governo.

A PRJ-9 mudou-se para a Rua Afonso Pena nº 46, mas para isso o Governo enviou uma comissão para examinar o estado de conservação do estúdio. Depois de autorizada a mudança dos equipamentos, isto foi feito com devida cautela. Afinal, era de responsabilidade da rádio qualquer estrago ou extravio que ocorresse.

Daí em diante, a PRJ-9 – Rádio Difusora do Maranhão passou a ser denominada pelos Diários Associados como Rádio Timbira. A justificativa para essa mudança é que todas as emissoras, pertencentes à cadeia de associados, rádios, jornais e TV como: Tupi, Tamoio, Baré, Timbira, Tabajara etc., recebiam o nome de grupos indígenas, que historicamente houvessem habitado as regiões onde se localizavam as emissoras.

Não se podia negar que a programação da Timbira foi amplamente reestruturada. Com essa alteração, os Diários Associados tinham o maior poderio econômico, proporcionando maior projeção da rádio. Todavia, as razões da PRJ-9 ser arrendada para os Diários Associados nunca tiveram justa explicação. O certo é que São Luís foi surpreendida com essa notícia e insatisfeita com a posse dos Diários Associados. Contudo, como os cidadãos ludovicenses não podiam manifestar-se, pois viviam no regime ditatorial do governo de Getúlio Vargas, que mantinha um representante de sua confiança, imposto pela força, em cada Estado brasileiro.

O contrato de comodato foi rescindido quando o presidente do Tribunal de Justiça, Eliazar Soares Campos, assumiu interinamente o Governo. A partir daí a Rádio Timbira voltou a ser patrimônio do Estado, integrando-se novamente a divisão de radiodifusão do DEIP. E logo após, a Rádio Timbira inicia uma nova fase, sendo transferida para o prédio na Rua Osvaldo cruz. Passando assim a ser administrada pelo ex-deputado Federal José Ramalho Burnet da Silva como diretor artístico e José Nunes, na direção comercial. Em seguida, o professor Mata Roma tomou posse como Diretor Geral e Nhozinho Santos, como Diretor Artístico.

Durante o governo de Sebastião Archer (1947-1951), a Timbira teve um avanço tecnológico, com um novo transmissor de potência de 2,5 quilowats, marca Philips e de fabricação nacional. Esse transmissor funcionava em dois turnos: o primeiro alimentando a onda tropical (62 m) e no segundo a onda curta (19 m), chamada banda internacional.

Na década de 50, a Rádio Timbira dispunha de um cast (isto é, um elenco) impecável. Em sua programação tinha os melhores locutores. Entre eles destacaram-se Ferreira Gullart, Carlos Celso, Américo de Souza, José Reinaldo, Edgard Fontenelle, César Roberto, dentre outros. No elenco de cantores, destacaram-se Ernani Cavalcanti, Sérgio Miranda, José Ribeiro, Newton Oliveira, Moacir Neves (que era uma liderança nos programas de auditório, primeiro na Timbira e depois na Rádio Difusora).

Em 1951, o governador do Estado, Eugênio Barros, nomeou Marcos Vinícius de Almeida como diretor da PRJ-9. Esse profissional foi um dos locutores mais importantes dessa rádio, destacando-se como um dos melhores narradores de novelas da radiofonia local. Com um timbre de voz agradável atraía um crescido número de fãs e admiradores. Enfim, todos esses atributos lhe renderam, em 1955, o valioso título – o diploma de “Príncipe do Rádio”.

A Rádio Timbira vivia seu momento de ouro. A partir de 1954, a Rádio Timbira tornava-se símbolo do progresso da Radiofonia maranhense. O ouvinte podia sintonizar ininterruptamente durante os horários, das 6h00 as 23h00 horas, através das emissoras PRJ-9 e ZYY-9. A mesma integrava a cadeia das emissoras brasileiras unidas, tendo a certeza de que, assim o fazendo, estaria por dentro das últimas notícias do esporte mundial e principalmente local, notadamente esses fatos eram de reais interesses coletivos, além das esmeradas programações de auditório com valores de broadcasting nacional, internacional e local, artistas do rádio (cantores) e teatro maranhense. Que, em face das inúmeras dificuldades apresentadas na época, existia no meio radiofônico grande contentamento. Essa atribuição dava-se a Ernani Cavalcanti. Este com o apoio do Governador Eugênio de Barros e do deputado Raimundo Emerson Barcelar souberam conquistar um lugar no seio dos lutadores da classe radialista maranhense e fizeram tudo para que a homogeneidade do Rádio maranhense se concretizasse.

Contribuíram também para o brilhante êxito os funcionários que eram “lotados” – não eram contratados diretamente do Governo – no escritório central onde criteriosamente orientavam os trabalhos dos seis departamentos que compunham a emissora líder do Estado. Funcionários estes, considerados os “cérebros” da emissora, pela prestação de seus trabalhos eficientes, foram Edson Pereira, Ribeiro, Firmino Alves Castro Neves, Antonio Carlos Vila Nova de Carvalho e Maria Rebouças de Oliveira.

A Rádio Timbira levava a todo Estado do Maranhão informações, entretenimento e lazer, sendo um elo importante na vida do interiorano, assim como a do homem da capital. Embora, a pioneira de radiodifusão no Maranhão não tivesse todo o aparato tecnológico como nos dias atuais, o empenho e a paixão dos profissionais daquela época vieram a dar grande contribuição como formadores de opinião. Apesar de enfrentarem os desafios apresentados pelas tendências demográficas, isso não serviu de impedimento para que a comunicação chegasse aos ouvintes de sua região.

O departamento artístico da Rádio Timbira procurava oferecer uma programação diferente ao público. A partir das 20h30, o estúdio da emissora ficava completamente lotado em dias de semana, sem se falar das programações gerando participações de artistas de outras emissoras.

A Rádio Timbira também contou com o departamento de radio-teatro, que se impôs na programação da emissora, cuja chefia era entregue a Otelo Cavalcanti. Este dirigia com êxito o elenco do rádio teatro “Amaral Gurgel”, cujos componentes eram Oton Santos, Marcus Vinícius, Maria Antonieta, Noemi Silva, July Mijuez, Mirian Silva. Existia também o contra-regra, José Ribamar Elvas, que também colaborou na sonoplastia. Grandes foram as peças teatrais representadas por esse grupo que monopolizava a atenção dos ouvintes da Y-9 e J-9 tais como “Terezinha do menino Jesus”, “Os Transviados”, “Renúncia”, “Trapézios Volantes”, “Vinte Anos” e muitas outras peças.

O artista Rodolfo Maia, considerado pela crítica como um dos maiores artistas do Rádio Teatro “Amaral Gurgel” e pertencente ao casting da Rádio Nacional – Rio de Janeiro – presenciou peças teatrais maranhenses e fez considerados elogios.

Existia um departamento muito importante na Rádio Timbira, na área cultural. Sua função era levar aos receptores maranhenses programas do Ministério da Agricultura “Cooperativismo”, da Educação e Saúde, os quais tinham a finalidade de divulgação de assuntos de real interesse nos setores citados. Mas isso só acontecia porque a ZYY-9 e PRJ-9 eram patrocinadas pelo Governo do Estado.

Com relação à discoteca da Timbira, esta era servida das mais recentes gravações de sucessos nacionais e internacionais. Tinha, ainda, um agrupamento especial de músicas clássicas, reunindo os mais famosos compositores do mundo, incluindo na época, a atual geração e a passada.

Elza Soares era a chefe da discoteca que tinha como auxiliar imediato a senhora Dionete Farias. Junto à discoteca funcionava a seção de “Postais Sonoros”, “Telefone e Peça sua Melodia” que fazia com que os ouvintes recordassem os bons tempos através de sua melodia preferida.

A Radio Timbira viveu sua primeira fase conturbada. Raimundo Bacelar, por divergências com o governo e pretensões políticas, fundou a Rádio Difusora em 1955, levando toda a equipe da Rádio Timbira. Com isso, ocasionou perda de audiência dessa emissora, de que tinha sido diretor.

No governo de Matos Carvalho (1957-1961), a Timbira continuava na Rua Osvaldo Cruz, sobre a Casa dos Tecidos. Tinha como diretor José Marques Teixeira.

Nesse governo, a Rádio Timbira passou por uma situação delicada, quando teve suas atividades paralisadas. É preciso dizer que houve muitas contradições a respeito do período dessa paralisação.

Dados do jornal “O Estado do Maranhão”, datados de 17 de agosto de 1976, evidenciam que a paralisação da Rádio Timbira teve a duração de cinco anos. Fato que entristeceu os ouvintes apaixonados pela Rádio oficial do Estado. Por isso, a emissora recebia muitas cartas saudosas.

Como sua própria história nos conta, a Rádio Timbira sempre foi mutante. Mudou-se para o prédio do Bem, no terceiro andar, logo depois para o oitavo andar. Foi então no governo de Newton Belo (1961-1966), que a Timbira ressurgiu. Esse governador definiu que a emissora oficial do Estado deveria retornar a suas atividades, o quanto antes. Para isso, foi organizada uma comissão, a fim de que se fizesse a reestruturação da emissora. O grupo composto por essa comissão – Djard Martins, Carlos Alberto Diniz (Engenheiro do Estado) e o jornalista Abraão Sikeff Filho – passou uma vistoria na emissora, descobrindo que os equipamentos estavam totalmente danificados, restando apenas os prefixos.

O governador Newton Belo, já sabendo da vasta experiência de Djard Martins no rádio, convidou-o para assumir a direção da Timbira. Sabendo que a emissora não tinha condições técnicas para o seu funcionamento, Djard impôs que só assumiria se o governador reestruturasse toda a Timbira.

E assim foi feito. O Governo pediu um crédito de Cr$ 35.000,00 (trinta e cinco mil cruzeiros) para reequipar a rádio. Pouco mais de cem dias, a emissora oficial volta ao ar. A Rádio Timbira voltava plenamente consagrada, disputando a audiência graças ao alto padrão daquela equipe.

Ainda na década de 60, a Rádio Timbira teve um programa que levou toda a história e cultura do Maranhão para fora do país. Apresentado aos domingos, as 21h00, “Correspondente Internacional”, comandado por João Ferreira e Tupinambá Moscoso. Esse programa tinha duração de uma hora e era transmitido através de ondas curtas – 19 m, Por ser um poliglota, João Ferreira apresentou durante 25 anos esse programa. Nele, traduzia inúmeras cartas vindas de vários países como Suécia, Estados Unidos, França, Alemanha e até de países escandinavos. Prova disso eram as inúmeras cartas recebidas, inclusive com relatos de escuta, citando a programação ouvida no dia e até o nome dos locutores.

No ano de 1966, José Sarney é eleito governador do Maranhão. Contratou João Alberto, homem de sua confiança, para exercer o cargo de diretor da Rádio Timbira. Segundo o diretor, apesar da rádio pertencer ao Governo do Maranhão não se eximia de ter uma programação democrática, afirma: “A rádio foi muito importante para o Estado tanto na área da comunicação como na vida das pessoas particularmente. A Timbira divulgava as benfeitorias do governo para a cidade sem interferência do governador”.

Em 1983 a Rádio Timbira recebeu um importante certificado o qual informa que o seu sinal chegou a New Orleans, Louisiana, Estados Unidos em 1982, na freqüência de 15215 khz, onda curta.

No ano de 1991, com Edison Lobão no governo, a Rádio Timbira deu um passo importante. A pedido dos seus diretores Fernando Júnior, Magno Figueredo e Ivison Lima, foi instalado um novo transmissor de 50 KW na área do Distrito Industrial, onde já se encontravam seus outros transmissores. Teve o seu transmissor de onda tropical recuperado no ano de 1994. Com isso, a Timbira continuaria levando mais longe a voz do Maranhão.

Mas, infelizmente, não aconteceu. A Rádio Timbira começou a viver sua pior fase. Durante o governo de Roseana Sarney (1995-2002), que para a tristeza e decepção da comunicação do nosso Estado, tentou extingui-la levando uma proposta para a Assembléia Legislativa a fim de que os deputados votassem a favor. Segundo o atual diretor da Rádio Timbira, os parlamentares não tiveram o cuidado de ler as cláusulas que regem o Ministério das Comunicações e precipitadamente assinaram o pedido. Posteriormente, o projeto assinado pelo Legislativo não foi aprovado, pelo fato de a Rádio Timbira ser uma concessão liberada pelo Governo Federal.

Contudo, no dia 09 de novembro de 1995 foi publicado no Diário Oficial do Estado do Maranhão, a Lei n. 6.454 de 27 de outubro de 1995, que dispõe sobre a extinção da Rádio Timbira do Maranhão e dá outras providências. A partir daí, ela indenizou todos os funcionários da emissora, deixando-a inerte.

Cumpre ressaltar que no artigo 4° da Lei supracitada ficou decidido que a Rádio Timbira passaria a ser temporariamente subordinada à Secretaria de Comunicação do Estado – SECOM. Esta, por sua vez, ficou responsável pelos bens patrimoniais, móveis, equipamentos e instalações, projetos, documentos, direitos, obrigações, competências, atribuições e responsabilidades da Rádio Timbira, inclusive a operação do canal de radiocomunicação, o qual o Estado é concessionário. Apesar disso, a Rádio Timbira não dispõe de nenhuma verba para o seu funcionamento. Mesmo assim, ela divulga os eventos governamentais os informativos do Estado e arrenda alguns horários para cobrir despesas com equipamentos. Ainda nesse Governo a Rádio Timbira operava normalmente com quatro transmissores: o de 1 Kw e o de 10 Kw. Já o de ondas tropicais e o de 50 Kw esperavam por conserto. E o de 10 Kw ficou instalado no Bairro do Maracanã devido sua potência. Por fim, lamentavelmente, a Rádio Timbira encontra-se instalada em um prédio pertencente ao Governo na CEASA, conhecida atualmente como COHORTFRUIT, no bairro do Cohafuma. Suas instalações ocupam duas salas daquele prédio e os seus transmissores continuam no Distrito Industrial, causando uma deficiência de som devido a sua distância de 23Km e 300 m.

Analisando-se todo o contexto dessa História, nota-se que não houve interesse por parte do Governo do Estado para com a Rádio Timbira, o que é lastimável. Por ser um bem histórico, essa emissora merece ser revitalizada já que ela foi escola para muitos profissionais que lá começaram. Afinal foi de seus estúdios, dos seus microfones e da sua cabine que surgiram valores que ainda em nossos dias brilham a missão de “fazer rádio”, tanto faz em nossa capital como em outras cidades do Brasil. Só que a realidade atual é outra. A Rádio Timbira perdeu uma preciosidade de transmissão, a sua onda curta – 19 m, que somente as grandes rádios têm como a BBC de Londres, a Voz da América, a Rádio Nacional, a Rádio Nacional de Lisboa, dentre outras.

O Governador José Reinaldo Tavares, em 2002, começa traçar planos para a Rádio Timbira. Nomeou como diretor Raimundo Nonato Jairzinho da Silva. Este, com o propósito de se candidatar a vereador, indicou ao governador o radialista Raimundo Filho, que já trabalhava na Rádio Timbira, para administrá-la. Ele assumiu a diretoria da rádio em 28 de abril de 2004.

A Rádio Timbira perdeu uma preciosidade de transmissão, a sua onda curta – 19 m, que somente as grandes rádios têm como a BBC de Londres, a Voz da América, a Rádio Nacional, a Rádio Nacional de Lisboa, dentre outras.

A importância da Rádio Timbira é tamanha. Muitos órgãos do Estado desejam administrá-la, como é o caso do legislador, Domingos Dutra. Este que propôs ao governador José Reinaldo Tavares examinar a possibilidade de transferir a outorga da Rádio Timbira do Maranhão para a Assembléia Legislativa. A decisão do deputado leva em conta o fato de que a emissora oficial do Estado vem perdendo capacidade operacional e que, sob a responsabilidade do poder legislativo, teria condições de recuperar o espaço e se impor novamente como veículo de difusão coletiva. Em entrevista concedida no dia 27 de março de 2004 ao Jornal Litoral do Brasil, Dutra acrescentou: “A Rádio opera em estado precário, pois a maioria dos profissionais trabalha sem remuneração. Os transmissores de 1 kw e 50 kw estão desativados e o de 10 kw funciona com apenas 3 kw”.

O executivo também tem seu posicionamento sobre o futuro da emissora. Em matéria publicada no dia 3 e 4 de outubro do mesmo ano no Jornal Atos e Fatos, foi divulgado que o Governador José Reinaldo Tavares tem intenção de modernizar a Rádio Timbira com equipamentos para boas condições de funcionamento. Outra publicação sobre o mesmo assunto, foi veiculado no dia 3 de outubro de 2004, no Jornal Pequeno, que até o final do ano a Rádio Timbira estará revitalizada, para tanto, o Governo do Estado pretende informatizá-la a fim de que a emissora volte a se destacar dentre as melhores do Maranhão.

Na atual conjuntura política, o momento é propício, pois o Governo Estadual não dispõe de um veículo de comunicação para difundir com intensidade a sua administração. Outrossim, sabe-se que as emissoras existentes no maranhão são de grupos políticos e já tem sua linha editorial formada conforme seus interesses partidários ou de interesses pessoais. Daí a necessidade do governo voltar à atenção para a Rádio Timbira.

Segundo Raimundo Filho, para a Rádio Timbira voltar a existir de fato e de direito como empresa é preciso registrá-la novamente junto aos órgãos municipais e estaduais para que a emissora possa funcionar juridicamente e continuar sua caminhada. Para isso acontecer faz-se necessário o poder legislativo e executivo quererem. O Secretário de Assessoria de Imprensa e Divulgação do Governo do Estado, Udes Cruz, reforça essa idéia:

Nós juntamente com o Governo, estamos lutando para criação de outro Projeto de Lei, para que seja aprovado na Assembléia Legislativa e que, restabeleça a situação para a Rádio Timbira voltar a funcionar como entidade jurídica, por isso, que temos dificuldades. A Rádio tem locutores, que se pagam através de anúncios divulgados em seus programas. Voltando a funcionar juridicamente fica mais fácil fazer exercícios para viabilizar recursos.

Enquanto isso, a Rádio Timbira segue com sua programação eclética como Jornalismo, Esporte, Religião, Política, Cultura e Músicas diversificadas (sertaneja, romântica, forró). De segunda a sábado, a programação vai ao ar de 5h00 da manhã à meia noite e aos Domingos de 5h00 as 22h00.

A Rádio Timbira do Maranhão sempre ficará na memória da história do rádio, afinal em cada emissora de agora, existe em São Luís um velho integrante da Rádio Timbira, Operadores, Locutores, Redatores, e até diretores que ainda exercem a função de radialista e tiveram o mesmo berço: a emissora oficial do Estado.



***Estas notas de referências que estão no fim do arquivo são referentes ao texto de Marcelle de Almeida Carvalho, que devido a formatação que ela deu enviou-se automaticamente para o fim desse arquivo.

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