Palavras do papa joão paulo II no início da audiência geral recordando o XIX aniversário da morte do papa paulo VI



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PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II NO INÍCIO DA AUDIÊNCIA GERAL RECORDANDO O XIX ANIVERSÁRIO DA MORTE DO PAPA PAULO VI

6 de Agosto de 1997

O pensamento dirige-se, hoje, antes de tudo para o meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, no décimo nono aniversário da piedosa morte ocorrida em Castel Gandolfo, no dia 6 de Agosto de 1978, Festa da Transfiguração do Senhor.

Recordamo-lo com afecto e com a admiração de sempre, considerando como foi providencial a missão pastoral por ele exercida, nos anos da celebração do Concílio Vaticano II e da sua primeira aplicação. Viveu totalmente dedicado ao serviço da Igreja, que por ele foi amada com todo o seu vigor e pela qual trabalhou sem cessar, até ao fim da sua existência terrena.

Esta manhã, ao celebrar por ele a Santa Missa na capela do Palácio Apostólico de Castel Gandolfo, pedi ao Senhor que o exemplo de um tão fiel servidor de Cristo e da Igreja sirva de encorajamento e de estímulo para todos nós, chamados pela Providência divina a testemunhar o Evangelho no limiar do novo milénio.

Interceda por nós Maria, Mãe da Igreja, da qual continuamos a falar na catequese hodierna.

PALAVRAS DO PAPA JOÃO PAULO II NO INÍCIO DA CELEBRAÇÃO EUCARÍSTICA PARA RECORDAR O 19° ANIVERSÁRIO DA MORTE DO PAPA PAULO VI

Solenidade da Transfiguração, 6 de Agosto de 1997

Hoje é o aniversário da morte do meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI, falecido no dia da Festa da Transfiguração do Senhor, 6 de Agosto de 1978.

«Resplandece no seu rosto a gloria do Pai» (Refrão do Salmo responsorial). A hodierna Liturgia convida-nos a contemplar Cristo no evento da Sua gloriosa Transfiguração a fim de que, escutando a Sua palavra, possamos herdar a vida imortal. O inesquecível Pontífice viveu totalmente dedicado à causa do Evangelho. Amou Cristo com todas as forças e viveu pela Igreja, empenhada no fatigoso caminho conciliar. Ofereceu tudo a Deus, em particular nos últimos anos marcados pelos grandes sofrimentos, para que a Igreja fosse renovada pelo vigor do Espírito: «Poderia dizer que sempre a amei (a Igreja) – escrevia na perspectiva do não distante fim – ... que por ela, aliás, me parece ter vivido. Mas, gostaria que a Igreja o soubesse; e que eu tivesse a força de lho dizer, como uma confidência do coração, que somente no extremo momento de vida se tem coragem de fazer» (“Pensieri alla morte”).

Hoje, recolhemos esta confidência com grata veneração. Possa a lembrança deste Pontífice encorajar cada um de nós para um serviço sempre mais generoso à Igreja e ao Evangelho, que ela continua também hoje a anunciar no cumprimento fiel do mandato de Cristo.

MENSAGEM DO PAPA JOÃO PAULO II AO BISPO DE IGLESIAS POR OCASIÃO DO ACAMPAMENTO NACIONAL DOS ESCUTEIROS CATÓLICOS ITALIANOS

Ao Venerado Irmão D. ARRIGO MIGLIO Bispo de Iglesias Assistente Eclesiástico Geral da AGESCI

1. É já iminente o «Acampamento Nacional das Comunidades Chefes» dessa Associação, que terá o seu ápice no grande «campo» nos «Piani di Verteglia », na Província de Avelino, onde se encontrarão cerca de doze mil escuteiros-chefes italianos, para reflectir sobre o tema «Estradas e pensamentos para o amanhã».

Agradeço-Te de coração e aos Responsáveis da AGESCI terdes-me convidado para este importante encontro, que traz à minha mente o encontro jubiloso tido com os «rovers» e as «sentinelas », que participaram no Acampamento Nacional nos «Piani di Pezza», a 9 de Agosto de 1986. Recordando aqueles momentos de grande entusiasmo juvenil e de ardente testemunho evangélico e não podendo, infelizmente, desta vez ir pessoalmente, desejo enviar para a circunstância a Ti e a todos os participantes uma especial mensagem.

2. Caríssimos chefes educadores da AGESCI, saúdo-vos com as palavras a vós familiares e que em tantas ocasiões apresentámos uns aos outros, quando vos encontrei nas minhas visitas às paróquias de Roma ou às dioceses italianas: Boa caminhada!

Dou graças ao Senhor pelo percurso do escutismo por vós realizado e pelo empenho e a constância que hoje demonstrais como educadores: sois colaboradores preciosos para a Igreja e para a inteira sociedade italiana, na missão educadora das crianças, dos adolescentes e dos jovens a vós confiados.

O Acampamento Nacional que estais a viver viu-vos «peregrinos» através das regiões do País, quase numa cadeia ideal que as unia entre si num comum empenho de solidariedade para com as gerações mais jovens. Agora, vê-vos reunidos numa «cidade» feita de tendas, imagem eficaz da condição do povo dos crentes, em caminho rumo «à cidade assentada sobre sólidos fundamentos, cujo arquitecto e construtor é Deus» (Hb 11, 10). Ela representa para cada um de vós e para a vossa inteira Associação uma extraordinária ocasião de estímulo e de verificação, para definirdes sempre melhor os elementos qualificantes da vossa presença e do vosso empenho na Igreja e na sociedade, para orientardes o vosso caminho e o dos jovens a vós confiados, rumo a horizontes de esperança e de renovada confiança na beleza da vida e do serviço, para vos ajudardes reciprocamente a superar as dificuldades que encontrais como educadores, bebendo na rica e já longa tradição do escutismo católico por vós herdada.

3. Pusestes-vos a caminho depois de terdes escutado as múltiplas «chamadas» que vos chegam de várias partes: dos meninos e das suas famílias, dos jovens, da sociedade, das Igrejas particulares em que estais inseridos. São outros tan

tantos desafios que advertis no desempenho dum serviço educativo que exige, em primeiro lugar de vós, um caminho de crescimento espiritual e humano, para serdes testemunhas credíveis dos valores que propondes. Todos estamos bem convictos de que — como disse o meu venerado Predecessor, o Servo de Deus Paulo VI — o mundo hoje tem necessidade mais de testemunhas que de «mestres» (cf. Evangelii nuntiandi , 41): por isso, no vosso Caminho dirigistes o olhar antes de tudo para o único Mestre, Jesus Cristo, escutando quotidianamente a sua Palavra e procurando os reflexos do Seu vulto naqueles que vivem com fidelidade o Seu ensinamento e, portanto, merecem o título de mestres: homens e mulheres que o Senhor nos faz encontrar como testemunhas no nosso caminho. «Cercados por um tão grande número de testemunhas» tende «os olhos fixos» n’Ele, Jesus, o Mestre, para não vos cansardes perdendo o ânimo (cf. Hb 12, 1-3), mas aprendendo d’Ele a reconhecer os verdadeiros mestres e não os falsos, os mestres de vida e não os de morte.

Um educador, um chefe deve continuamente saber discernir, estar vigilante. «Estai preparados!» é o vosso lema. Como uma sentinela, sabei perscrutar o horizonte para discernir de maneira oportuna as fronteiras sempre novas, para as quais o Espírito do Senhor vos chama. Que projecto de homem e de mulher, de casal e de família um educador é chamado a propor? O que significa empenhar-se de maneira concreta por um mundo mais solidário e mais justo? Como viver inserido harmoniosamente numa sociedade complexa e diversificada, sem perder a capacidade evangélica de ser sal da terra e luz do mundo?

Cada vez com mais frequência se dirigem a vós, meninos e jovens provenientes de famílias e âmbitos distantes da vida cristã, ou pertencentes a outras crenças religiosas, atraídos pela beleza e sabedoria do método do escutismo, aberto ao amor pela natureza e pelos valores humanos, impregnado de religiosidade e de fé em Deus, eficaz no educar para a responsabilidade e a liberdade. Trata-se dum desafio importante, que vos pede que concilieis a clareza e a plenitude da proposta de vida evangélica, com a capacidade de diálogo respeitoso da diversidade das culturas e das histórias pessoais, que hoje se entrelaçam também na Itália.

4. Podeis enfrentar estes desafios com confiança e vencê-los, precisamente partindo da experiência da tradição do escutismo católico, o das duas associações que vos precederam, a ASCI e a AGI, e o que a vossa associação, a AGESCI, está a viver há mais de vinte anos. O encontro do escutismo com a fé católica não colocou em segundo plano, antes, valorizou e pôs ainda mais em evidência a beleza e a importância dos valores humanos, que lhe caracterizam o método educativo, rico de consonâncias e de convergências com os valores evangélicos e com os fundamentos duma antropologia respeitosa do projecto de Deus criador e da dignidade e dos direitos fundamentais da pessoa humana.

Caríssimos chefes educadores da AGESCI, deixai-vos guiar por Aquele que é o único verdadeiro Mestre, um Mestre amoroso e exigente. Não tenhais medo de propor todo o Seu ensinamento, árduo mas que jamais decepciona, assim como não tendes medo de pedir aos vossos jovens que enfrentem empresas empenhativas, as que permitem alcançar os cumes dos montes e ?escobrir as fontes da alegria e do sentido da vida.

O vosso fundador, Baden Powell, gostava de indicar os dois grandes livros que deveis sempre saber ler: o livro da natureza e o livro da Palavra de Deus, a Bíblia. Trata-se de uma indicação segura e fecunda. Amando a natureza, vivendo nela e respeitando-a, aprendei a unir a vossa voz às milhares de vozes do bosque que louvam o Senhor; imersos nela continuai a celebrar os vossos momentos de oração e as vossas liturgias, que permanecerão no coração dos jovens como experiências inesquecíveis. Cultivando a vossa tradição de amor e de estudo da Bíblia, encontrareis veredas e estradas sempre novas para uma catequese original e eficaz, inserida no caminho da catequese da Igreja italiana e caracterizada pela riqueza dos símbolos e das ocasiões próprias do escutismo, segundo as preciosas indicações do vosso «Projecto Unitário de Catequese» e da «Vereda de Fé», subsídios que nestes anos predispusestes oportunamente para o caminho formativo dos vossos jovens, pelos quais todos vós, chefes educadores, sois responsáveis.

5. Caríssimos chefes da AGESCI, desejaria de todo o coração estar presente no meio de vós, na maravilhosa moldura natural dos «Piani di Verteglia», mas as circunstâncias não mo consentiram. Desejo encontrar cada um de vós em Paris para o Dia Mundial da Juventude, onde os Escuteiros poderão compartilhar com muitos outros «as estradas e os pensamentos para o amanhã», um amanhã de esperança e de paz, no novo milénio que verá como protagonistas também vós e os jovens a vós confiados.

Acompanhe-vos sempre Maria, Nossa Senhora dos Escuteiros, Aquela que acreditou de modo pleno na Palavra do Senhor e se pôs prontamente em caminho, para oferecer o seu serviço.

Caro Irmão, a Ti bem como a todos os sacerdotes empenhados na AGESCI, e a todos vós, chefes educadores, e aos vossos jovens, envio com afecto uma especial Bênção Apostólica.

Vaticano, 2 de Agosto de 1997.

JOÃO PAULO II

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO INTERNACIONAL DE JOVENS CONSAGRADOS

30 de Setembro de 1997

Caríssimos jovens consagrados e consagradas

1. É-me deveras grato encontrar-me convosco, que viestes a Roma de todas as partes do mundo, por ocasião do Congresso Internacional dos Jovens Religiosos e Religiosas. Saúdo o Senhor Cardeal Eduardo Martínez Somalo, Prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, e agradeço-lhe as cordiais palavras que há pouco me quis dirigir em nome de todos vós. Saúdo o Rev.do Padre Camilo Maccise e a Rev.da Madre Giuseppina Fragasso, Presidentes respectivamente das Uniões dos Superiores-Gerais e das Superioras-Gerais. Eles promoveram o hodierno encontro, que vê congregados pela primeira vez jovens pertencentes a inumeráveis Famílias religiosas, em um momento significativo da história da Igreja e da vida consagrada. Dirijo a minha saudação aos Superiores-Gerais e às Superioras- Gerais dos vários Institutos aqui representados.

Saúdo especialmente vós, prezados consagrados e consagradas. Alguns de vós se fizeram intérpretes dos sentimentos de todos, manifestando-me as expectativas e as generosas aspirações que animam a vossa juventude consagrada a Deus e à Igreja. A vossa presença tão numerosa e festiva não pode deixar de evocar à memória a imagem, ainda viva na minha mente e querida ao meu coração, do XII Dia Mundial da Juventude , celebrado em Paris no passado mês de Agosto. Assim como aquela multidão entusiasta de jovens, através da consagração a Deus que «alegra a juventude », vós representais a manifestação rica e exaltante da perene vitalidade do espírito. Pode-se dizer que agora os jovens estão de moda: jovens em Paris, jovens no sábado passado, em Bolonha. Vamos ver agora, no Rio de Janeiro.

2. É com prazer que observo um motivo de continuidade entre o evento de Paris e o actual Congresso, felizmente posto em evidência pelas temáticas dos dois encontros. Com efeito, se o tema do Dia Mundial da Juventude era proposto pelas palavras do Evangelho de João: «Mestre, onde moras?». «Vinde ver!» (Jo 1, 38-39), o do vosso Congresso indica o acolhimento do convite dirigido por Jesus aos discípulos, culminado no anúncio pascal da descoberta decisiva do Ressuscitado: «Nós vimos o Senhor» (Jo 20, 25). Vós sois as testemunhas privilegiadas desta formidável verdade, perante o mundo inteiro: o Senhor ressuscitou e torna-Se companheiro de viagem do homem peregrino ao longo das veredas da vida, até que as sendas do tempo se cruzem com a via do Eterno, quando «O veremos como Ele é» (1 Jo 3, 3).

A vida consagrada reveste assim um carisma profético porque se estende entre a experiência do «ter visto o Senhor» e a esperança certa de O ver «como Ele é». Trata-se de um caminho que iniciastes e que vos levará progressivamente a adquirir os mesmos sentimentos de Jesus Cristo (cf. Fl 2, 5). Deixai que o Pai, mediante a acção do Espírito, plasme nos vossos corações e nas vossas mentes o mesmo sentir de seu Filho.

Vós sois chamados a vibrar com a Sua própria paixão pelo Reino, a oferecer como Ele as vossas energias, o tempo, a juventude e a existência pelo Pai e pelos irmãos. Desta forma havereis de aprender uma autêntica sabedoria de vida. Caros jovens, esta sabedoria é o sabor do mistério de Deus e o gosto da intimidade divina, mas é também a beleza do estar juntos em Seu nome, é a experiência de uma vida casta, pobre e obediente, despendida pela Sua glória, é o amor pelos pequeninos e pelos pobres, e a transfiguração da vida à luz das bem-aventuranças. Este é o segredo da alegria de inúmeros religiosos e religiosas, alegria desconhecida ao mundo e que vós tendes o dever de comunicar aos outros vossos irmãos e irmãs, mediante o testemunho luminoso da vossa consagração.

3. Queridos religiosos e religiosas, quanta riqueza espiritual possui a vossa história! Quão preciosa é a herança que tendes nas vossas mãos! Porém, recordai que tudo isto vos é concedido não só para a vossa perfeição, mas também para que o coloqueis à disposição da Igreja e da humanidade, a fim de que constitua motivo de sabedoria e de felicidade para todos.

Assim o fez Santa Teresa de Lisieux, com o seu «caminho da infância espiritual », que é uma autêntica teologia do amor. Jovem como vós, conseguiu transmitir a inumeráveis almas a beleza da confiança e o abandono em Deus, da simplicidade da infância evangélica, da intimidade com o Senhor, da qual brotam espontaneamente a comunhão fraterna e o serviço ao próximo. A simples e grande Teresa do Menino Jesus e da Sagrada Face será proclamada Doutora da Igreja precisamente por este motivo: porque com a «teologia do coração» soube indicar, com termos acessíveis a todos, um caminho seguro para buscar a Deus e para se deixar encontrar por Ele.

Esta é também a experiência de muitos irmãos e irmãs vossos, tanto do passado como do presente. Eles souberam encarnar, no silêncio e na vida oculta, a alma tipicamente apostólica da vida religiosa e, em particular, a extraordinária capacidade da pessoa consagrada de unir a intensidade da contemplação e do amor a Deus ao ardor da caridade para com os pobres, os necessitados e todas as pessoas que o mundo frequentemente marginaliza e rejeita.

4. O vosso Congresso não é apenas um encontro de pessoas jovens e para jovens religiosos, mas é uma proclamação e um testemunho proféticos para todos. Viestes de todos os recantos do mundo para reflectir acerca dos temas fulcrais da vida consagrada: vocação, espiritualidade, comunhão e missão. Além disso, desejais compartilhar as vossas experiências em um contexto de oração e de fraternidade jubilosa. Desta forma, a vida consagrada resplandece de vivacidade, como uma parte do espírito sempre juvenil da Igreja.

Em virtude do facto de serdes tão numerosos e jovens, ofereceis uma imagem vibrante e contemporânea da vida consagrada. Decerto, todos nós estamos cônscios dos desafios que se devem enfrentar nessa vida, especialmente em determinados países. Entre estes desafios estão incluídos a idade avançada dos religiosos e das religiosas, a reorganização dos apostolados, a presença decrescente e a diminuição numérica das vocações. Contudo, estou persuadido de que o Espírito Santo não deixará de estimular e encorajar em muitos jovens como vós a vocação à total consagração a Deus, tanto nas tradicionais formas da vida religiosa, como nas formas inovativas e originais.

5. Prezados amigos, agradeço-vos terdes vindo ver-me. Rejuvenesceis a Igreja com o entusiasmo e a alegria que demonstrais, antes ainda que através da vossa idade. Quereria que lêsseis no meu coração o afecto e a estima que nutro por todos e cada um de vós. O Papa ama-vos, tem confiança em vós, reza por vós e está convicto de que sereis capazes não somente de evocar e narrar a gloriosa história que vos precedeu, mas também de continuar a edificá-la no futuro que o Espírito Santo vos prepara (cf. Vita consecrata , 110).

Enquanto nos dispomos para entrar no ano do Espírito Santo, em preparação para o Grande Jubileu do Ano 2000, confiamos precisamente ao Espírito do Pai e do Filho a grandiosa dádiva da vida consagrada e todos aqueles que, em cada uma das partes do mundo, se colocam generosamente na sequela de Cristo casto, pobre e obediente. Invoquemos com esta intenção a intercessão dos Santos Fundadores e Fundadoras das vossas Ordens e Congregações; invoquemos sobretudo a ajuda de Maria, a Virgem consagrada por excelência.

6. Maria, jovem filha de Israel, Tu que respondeste imediatamente «sim» à proposta do Pai, torna estes jovens atentos e obedientes à vontade de Deus. Tu que viveste a virgindade como acolhimento total do amor divino, faze com que descubram a beleza e a liberdade de uma existência casta. Tu que nada possuíste a fim de seres rica somente de Deus e da sua Palavra, liberta o coração deles de todos os apegos mundanos, para que o Reino de Deus constitua o seu único tesouro, a sua única paixão.

Jovem Filha de Sião, que permaneceste sempre virgem no teu coração apaixonado por Deus, conserva neles e em todos nós a perene juventude do espírito e do amor. Virgem das dores, que permaneceste junto da Cruz do Filho, gera em cada um dos teus filhos, como o fizeste no Apóstolo João, o amor que é mais forte do que a morte. Virgem Mãe do Ressuscitado, faze de todos nós testemunhas da alegria de Cristo eternamente vivo.

De coração, abençoo todos vós.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS ESPANHÓIS DAS PROVÍNCIAS ECLESIÁSTICAS DE SANTIAGO, BURGOS, SARAGOÇA E PAMPLONA EM VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

30 de Setembro de 1997

Queridos Irmãos no Episcopado

1. Com alegria vos recebo hoje, Pastores da Igreja de Deus em Espanha, vindos das Sedes metropolitanas de Santiago, Burgos, Saragoça e Pamplona, e das dioceses sufragâneas. São Igrejas de antiga e rica tradição espiritual e missionária, santificadas pelo sangue de muitos mártires e enriquecidas com as sólidas virtudes de numerosas famílias cristãs, que deram abundantes vocações sacerdotais e religiosas. Vindes a Roma para realizar esta visita «ad Limina», venerável instituição que contribui para manter vivos os estreitos vínculos de comunhão que unem cada Bispo com o Sucessor de Pedro. A vossa presença aqui faz-me sentir também próximos os sacerdotes, religiosos, religiosas e fiéis das Igrejas particulares a que presidis, algumas das quais tive a ventura de visitar nas minhas Viagens pastorais ao vosso País.

Agradeço a D. Elías Yanes Álvarez, Arcebispo de Saragoça e Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, as amáveis palavras que, em nome de todos vós, me dirigiu para renovar as expressões de afecto e estima, fazendo-me ao mesmo tempo partícipe das vossas inquietudes e projectos pastorais. A tudo isto retribuo pedindo ao Senhor que, nas vossas dioceses e na Espanha inteira, progridam sempre a fé, a esperança, a caridade e o corajoso testemunho de todos os cristãos, em conformidade com a herança recebida desde os tempos dos Apóstolos.

2. Encorajados pelas promessas do Senhor e pela força que nos proporciona o seu Espírito, como Sucessores dos Apóstolos estais chamados a ser os primeiros a levar a cabo a missão que Ele confiou à sua Igreja, ainda que para isto se tenha de enfrentar e aceitar o peso da cruz que, numa sociedade como a contemporânea, se pode manifestar de múltiplas formas.

Tanto individual como colegialmente, por meio da Conferência Episcopal ou de outras instituições eclesiais, vós participais na análise das expectativas e sucessos da sociedade espanhola actual, procurando interpretá-los à luz do Evangelho e orientar a mesma sociedade a partir da fé. Deste modo, ante a transformação social e cultural que se está a verificar; ante o paradoxo de um mundo que sente a urgência da solidariedade, mas ao mesmo tempo sofre pressões e divisões de ordem política, económica, racial e ideológica (cf. Gaudium et spes, 4), no vosso ministério pastoral, procurais promover uma nova ordem social, fundada cada vez mais sobre os valores éticos e vivificada pela mensagem cristã.

Ao escutardes o que «o Espírito diz às Igrejas» (Ap 2, 7), sentis também o dever de fazer um sereno discernimento, aberto e compreensivo, das diversas circunstâncias e acontecimentos, iniciativas e projectos, sem tampouco descuidar dos graves problemas e das aspirações mais profundas da sociedade inteira.

O vosso ministério pastoral dirige-se aos homens do nosso tempo, tanto aos fiéis que participam activamente na vida da comunidade diocesana, como àqueles que se dizem não-praticantes ou indiferentes, assim como a quantos, mesmo que se chamem católicos, não são coerentes no seu comportamento moral. Por isso vos exorto a prosseguir incansavelmente e sem desânimo no múnus de ensinar e anunciar aos homens o Evangelho de Cristo (cf. Christus Dominus, 11). Ao propor os ensinamentos cristãos para iluminar a consciência dos fiéis, o Bispo deve fazê-lo com a linguagem e os meios adequados (cf. Ibid., 13), para que se compreenda o sentido das Escrituras, como fez o Senhor com os discípulos de Emaús, e assim o Magistério não fique estéril nem seja uma voz não atendida pela sociedade actual, que dá mostras tão visíveis de secularismo. Por esta razão, não se deve cair no desânimo nem deixar de elaborar e de pôr em prática os oportunos projectos pastorais. Ainda que as vossas responsabilidades sejam muito grandes, tende presente que o Espírito do Senhor vos dá as forças necessárias.

Postos como guias das Igrejas particulares, sois pais e pastores para cada um dos fiéis, procurando estar especialmente ao lado dos mais necessitados e marginalizados. A visita pastoral, prescrita na disciplina eclesiástica (cf. C.D.C., cânn. 396-398), ajudar-vos-á a estar presentes e próximos e a ser misericordiosos entre os vossos fiéis, para proclamardes constantemente e em todas as partes a verdade que torna livre (cf. Jo 8, 32), e fomentardes o incremento da vida cristã. Esta proximidade a todos deve manifestar-se duma forma visível e concreta, estando disponível àqueles que, com confiança e amor, vos buscam porque sentem necessidade de orientação, ajuda e consolo, seguindo nisto a indicação de São Paulo a Tito, de que o Bispo seja «hospitaleiro, amigo do bem, prudente, justo, piedoso, continente » (Tt 1, 8).

3. Os presbíteros e os diáconos são respectivamente colaboradores estreitos na vossa missão, para que a Palavra seja anunciada em cada lugar da própria diocese, a divina liturgia se celebre nos seus templos e capelas, a união entre todos os membros do Povo de Deus seja manifesta e a caridade, operante e vigilante. Eles participam na vossa importantíssima missão e, além disso, na celebração de todos os sacramentos, estão unidos hierarquicamente convosco de diversas maneiras. Assim vos tornam presentes, em certo sentido, em cada uma das comunidades dos fiéis (cf. Presbyterorum ordinis, 5).

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