Palavras do papa joão paulo II no início da audiência geral recordando o XIX aniversário da morte do papa paulo VI



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DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS PARTICIPANTES DE UM SEMINÁRIO PROMOVIDO PELA CONGREGAÇÃO PARA A EVANGELIZAÇÃO DOS POVOS

Sexta-feira, 19 de Setembro de 1997

Senhor Cardeal Estimados Irmãos no Episcopado

1. No termo de uma sessão intensa, destinada à informação e à reflexão sobre os múltiplos aspectos do vosso múnus episcopal, estou feliz por vos receber. A minha gratidão dirige-se ao Senhor Cardeal Jozef Tomko e aos colaboradores da Congregação para a Evangelização dos Povos que organizaram estas semanas de reflexão. Saúdo cordialmente todos vós, na maioria Bispos da África, mas de igual modo da América Latina e da Oceânia. O meu pensamento dirige-se também aos vossos coirmãos do Vietnã que esperávamos, mas que infelizmente não puderam reunir-se connosco.

2. Sinto-me feliz por este encontro, pois manifesta o affectus collegialis que une os Pastores da Igreja universal à volta do Bispo de Roma. Durante as vossas jornadas de estudo, pudestes renovar a vossa consideração acerca dos diversificados aspectos do ministério que vos é próprio. É verdade que às vezes ele pode parecer-vos árduo de suportar na sua complexidade. Quereria encorajar-vos a enfrentá-lo, em nome do Espírito Santo que vos foi concedido aquando da vossa Ordenação episcopal. O Bispo que vos conferiu a plenitude do sacramento da Ordem rezou ao Senhor da seguinte forma: «Derramai sobre aquele que escolhestes a força que provém de Vós, Espírito soberano que Vós destes ao Vosso Filho bem-amado» (Ritual das Ordenações, n. 47).

A missão episcopal possui uma grande amplitude; sob o ponto de vista humano, é praticamente impossível. Todavia, se requer um investimento total da vossa pessoa, vós não sois deixados sem apoio. É no Espírito de Cristo que vos tornais servos do seu Corpo que é a Igreja, a Igreja particular confiada a cada um, e a Igreja universal, com o Sucessor de Pedro, «fundamento perpétuo e visível da unidade de fé e de comunhão » (Lumen gentium, 18).

3. Convido-vos a meditar com frequência a mensagem do Novo Testamento sobre o Espírito Santo, particularmente o que os Apóstolos João e Paulo dizem acerca d'Ele. Servir-vos-á sempre de conforto voltar a descobrir a riqueza das dádivas do Espírito. É de bom grado que vos dirijo as palavras de São Paulo: «Mantende entre vós laços de paz, para conservar a unidade do Espírito. Há um só corpo e um só Espírito » (Ef 4, 3-4). Com efeito, é graças ao Espírito que constituís o fundamento da unidade na comunidade diocesana, da unidade do presbitério e da unidade de todos os baptizados: «Há um só Senhor, uma só fé, um só baptismo» (Ibid. 4, 5). Discernindo a presença do Espírito na diversidade das pessoas e das situações, procurai sempre confirmar a unidade da diocese, começando por mostrar uma solicitude constante para com os sacerdotes, vossos imediatos colaboradores. Disponíveis à acção de Deus neles (cf. Fl 2, 13), todos se consagrem inteiramente à missão comum, cada um no seu papel de ministro, de pessoa consagrada ou de fiel leigo!

4. No diálogo de Jesus com os Apóstolos após a Ceia, é grande a insistência sobre a promessa do Espírito: «Quando vier o Espírito da Verdade, Ele vos encaminhará para toda a verdade» (Jo 16, 13). É n'Ele que se funda o seu ministério de anúncio da Boa Nova, de ensinamento da doutrina da salvação. Como sucessores dos Apóstolos, vós deveis promover, e às vezes defender, a autenticidade da mensagem cristã. Na realidade, a verdadeira referência, através de toda a Tradição da Igreja e do seu Magistério, é o Espírito que nos abre à compreensão da verdade revelada de modo integral no Filho encarnado. Ao pordes-vos pessoalmente à Sua escuta, tanto na oração como mediante o estudo, estareis ainda mais certos e convencidos de ser dóceis ao Espírito

5. «O amor de Deus — é o que nos diz São Paulo — foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo que nos foi dado» (Rm 5, 5). Habitados pelo Espírito, consagrai todo o vosso ministério à prática do mandamento novo que coroa o ensinamento do Senhor (cf. Jo 13, 34). Arrebatados pelo amor indissolúvel por Deus e pelos homens, animai incansavelmente o serviço da caridade, a partilha em favor dos mais desvantajados, o socorro aos marginalizados ou aos desesperados, o apoio aos lares que devem amadurecer o próprio amor reconhecendo nele o dom de Deus, uma pastoral repleta de afecto pelos jovens a educar, os progressos de reconciliação quando se manifestam oposições, bem como o diálogo com os irmãos e as irmãs de outras tradições religiosas. Assim a presença do Espírito, manancial de esperança, tornar-se-á evidente através da vossa acção.

6. Estimados Irmãos que viveis os primeiros anos do vosso episcopado, mediante estas breves reflexões, desejo antes de mais encorajar-vos a servir «sob o regime novo do Espírito» (Rm 7, 6) o povo de Deus que tendes o encargo de guiar e ensinar, e que conta convosco «como bons administradores da graça que Deus vos concedeu» (1 Pd 4, 10). Apoiai-vos incessantemente no Paráclito, consolador e defensor. Ele há-de vos sustentar, transmitindo todo o seu dinamismo à vossa missão de evangelizadores. Nas vossas Igrejas particulares, no meio das vossas greis, a tarefa é imensa. O Papa confia em vós para continuardes com o vigor do Espírito de verdade e de amor.

Invocando para vós e para todos os fiéis das vossas dioceses a intercessão da Virgem Maria e dos Santos Apóstolos, concedo-vos do íntimo do coração a Bênção Apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DO SUDÃO POR OCASIÃO DA VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

18 de Setembro de 1997

Caros Irmãos no Episcopado

1. Ao dar-vos as boas-vindas, Bispos do Sudão, por ocasião da vossa visita ad limina Apostolorum, recordo a minha visita ao vosso País há quatro anos. Com grande alegria e satisfação fui a Cartum, ainda que não fosse possível visitar outras áreas, pois para mim era importante dirigir a mensagem de reconciliação e de esperança, a mensagem que está no centro do Evangelho, ao inteiro povo sudanês, sem distinções de religião ou de origem étnica. Senti-me particularmente feliz pela oportunidade de oferecer encorajamento aos habitantes do vosso país, que são filhos e filhas da Igreja, e cuja mais profunda aspiração é viver em paz e trabalhar juntamente com os seus concidadãos, para edificar uma sociedade melhor para todos. Ao dar graças a Deus por me ter permitido aquela visita, estou grato também «pela graça que Ele vos concedeu em Jesus Cristo..., o Qual vos confirmará até ao fim» (1 Cor 1, 4.8).

2. Infelizmente, o Sudão ainda se encontra em estado de grande agitação. O tormento de uma guerra civil que causou indizível miséria, sofrimento e morte, sobretudo no Sul, continua a afligir a terra e a tirar a vida e as energias do vosso povo. As vossas comunidades são profundamente atingidas pela ruptura das boas relações que deveriam existir entre cristãos e muçulmanos. Apesar da pobreza do vosso povo e da sua consequente debilidade em relação aos padrões mundiais, o Senhor não vos abandonará. Através do Profeta Isaías, Ele continua a dizer-vos: «Eu nunca vos esquecerei » (Is 49, 15).

O Senhor ouve a voz das vítimas inocentes, dos fracos e dos indefesos que O invocam para receber auxílio, justiça e respeito pela dignidade de seres humanos, que Deus lhes conferiu, pelos seus direitos humanos fundamentais, pela liberdade de professarem e praticarem a sua religião, sem temor nem discriminação. A fé cristã ensina-nos que as nossas orações e os nossos sofrimentos se unem aos do próprio Cristo que, como Sumo Sacerdote do povo santo de Deus, entrou no Santuário para interceder por nós (cf. Hb 9, 11-12). Como fez certa vez sobre a terra, assim agora da casa do Pai Ele nos diz: «Vinde a Mim, todos os que estais cansados e oprimidos e aliviar-vos-ei» (Mt 11, 28). Enquanto as palavras do Seu convite ressoam nos nossos ouvidos, Ele acrescenta: «Aprendei de Mim, que sou manso e humilde de coração, e achareis alívio para as vossas almas» (Mt 11, 29).

Estas são as palavras de Cristo, o único que conhece o Pai e o único a ser conhecido pelo Pai como Filho Unigénito. Repito hoje estas palavras a vós, Bispos do Sudão, e por meio de vós a todos os fiéis confiados à vossa solicitude. Como escrevi no ano passado às Dioceses do Sudão Meridional: «Sabei que o Sucessor de Pedro está próximo de vós e pede a Deus por vós, para que tenhais a força de prosseguir o caminho “enraizados e edificados sobre Jesus Cristo” (cf. Cl 2, 7)» (Mensagem aos católicos do Sudão Meridional, 24 de Outubro de 1996, em: ed. port. de L'Osservatore Romano de 7 de Dezembro de 1997, pág. 4). Renovo estes sentimentos e encorajo- vos a permanecer firmes e a não desanimar. O Senhor está ao vosso lado! Jamais vos abandonará. A Igreja inteira ora por vós!

3. Apesar das graves dificuldades e sofrimentos que a comunidade cristã está a enfrentar, a Igreja no Sudão continua a crescer, com muitos sinais de vitalidade. Com o salmista exclamamos: «Isto se fez por obra do Senhor, e é um prodígio aos nossos olhos» (Sl 118, 23). É verdadeiramente como disse o Senhor: «Basta-te a Minha graça, porque é na fraqueza que a Minha força se revela totalmente» (2 Cor 12, 9). Por esta razão, com São Paulo, vós sois capazes de aceitar as fraquezas, os insultos, as dificuldades, as perseguições e as calamidades, pois quando nos sentimos fracos, então é que somos fortes (cf. 2 Cor 12, 10).

Na actual situação política e social podeis facilmente permanecer isolados uns dos outros. Por este motivo deveis aproveitar todas as ocasiões para dar expressão à responsabilidade colegial e à comunhão que vos unem no serviço da única «família de Deus» (Ef 2, 19). Exorto- vos a fazer todo o possível para promover entre vós um autêntico espírito de confiança recíproca e de cooperação, a fim de poderdes desenvolver — conforme permitirem as difíceis circunstâncias — um plano comum de iniciativas pastorais para enfrentar os graves desafios presentes. Essas iniciativas incluem a solicitude pastoral em áreas sem sacerdotes, a evangelização e a oferta de uma catequese e de uma formação cristã adequadas, a promoção da celebração do Sacramento do Matrimónio entre os fiéis e o revigoramento da vida familiar. Quanto mais conseguirdes identificar as necessidades comuns nas vossas Dioceses e coordenar programas conjuntos para satisfazer essas necessidades, tanto mais os vossos ministros, individualmente, como guias e Pastores de almas, se tornarão eficazes. É de igual modo urgente que a Conferência garanta a responsável administração dos recursos, quer internos quer provenientes de doadores ou de benfeitores do estrangeiro.

Não posso deixar de exprimir o meu apreço por tudo o que estais a fazer, para defender e fortalecer a fé dos vossos irmãos e irmãs católicos; em particular desejo encorajar os diversos esforços e programas em vista de satisfazer as necessidades dos muitos refugiados e das pessoas deslocadas. O «Sudanaid», fundo assistencial administrado pela vossa Conferência Episcopal, fornece ajuda e alívio aos que sofrem e já obteve ampla estima. Não obstante os severos limites encontrados, a Igreja, contudo, é capaz de prosseguir de modo corajoso a sua missão de serviço.

4. Os vossos colaboradores imediatos na edificação do Corpo de Cristo são os sacerdotes, tanto diocesanos como religiosos, sudaneses e missionários. Eles consagraram-se a este serviço e por Deus vos foram dados. Todos os sacerdotes receberam um chamado, submetido à prova e discernimento durante os anos de preparação que precedem a ordenação sacerdotal. Depois de terem orado com confiança na graça infalível de Deus, decidiram renunciar à possibilidade de ter uma casa, uma esposa, filhos, uma posição social e riquezas (cf. Mt 19, 29). E não o fizeram de má vontade, mas com alegria, para servirem o Reino e se dedicarem aos seus irmãos e irmãs em Cristo. Uno-me a vós ao pedir a Jesus, Sumo Sacerdote, que conceda aos vossos sacerdotes a graça e a perseverança — e a alegria íntima — que provêm da fidelidade às exigências da sua vocação.

Visto que a configuração sacramental a Cristo, Pastor e Cabeça da Igreja, não pode estar separada do seguimento quotidiano do Seu exemplo de amoroso dom de Si, todos os sacerdotes são chamados a cultivar um autêntico ascetismo. Para permanecerem fiéis ao dom do celibato em perfeita continência, é essencial — como afirma o Concílio Vaticano II — que orem com humildade, recorram constantemente a todas as ajudas de que dispõem para este fim e observem as prudentes normas de autodisciplina recomendadas pela longa experiência da Igreja (cf. Presbyterorum ordinis, 16). A respeito da solidão que às vezes pode acompanhar o ministério pastoral, os vossos sacerdotes deveriam ser encorajados, na medida em que consente a situação local, a viver em comum e a dirigir os seus esforços inteiramente ao sagrado ministério. Deveriam reunir-se, o mais frequentemente possível, para um intercâmbio fraterno de ideias, conselhos e experiências (cf. Pastores dabo vobis, 74).

Também os seminaristas continuam a ser uma das vossas principais prioridades. É fundamental que os futuros ministros do Evangelho sejam não só bem instruídos academicamente, mas também, a nível mais profundo, totalmente dedicados ao cuidado das almas, desejosos de guiar os próprios irmãos e irmãs ao longo das vias da salvação. Aqueles que se empenham na formação devem ser capazes de assistir os candidatos no seu crescimento para a nova «identidade », conferida no momento da Ordenação. Eles mesmos deveriam ser modelos exemplares de conduta sacerdotal. Devem ser claros acerca do comportamento que se espera dos candidatos ao sacerdócio, uma vez que seria uma injustiça permitir aos seminaristas encaminhar- se para a Ordenação se não tivessem, interior e conscientemente, assimilado as exigências objectivas do múnus que deverão exercer.

5. Na obra de edificação do Reino de Deus, as religiosas e os religiosos desempenham um papel vital nas vossas Igrejas locais. Os sacerdotes missionários, as religiosas e os religiosos que compartilham convosco o peso da obra pastoral das vossas Dioceses, são contemporaneamente servidores corajosos do Evangelho e, com a sua presença e generosa dedicação, são uma grande fonte de encorajamento para os fiéis. Neles se percebem efectivamente a universalidade da Igreja e a solidariedade que caracteriza a comunhão entre as Igrejas particulares.

No Sudão, onde simplesmente não há bastantes sacerdotes para anunciar o Evangelho e exercer o ministério pastoral, os catequistas desempenham um papel essencial para satisfazer as necessidades espirituais das vossas comunidades. Portanto, eles têm necessidade de uma profunda consciência da própria função e deveriam ser ajudados de todos os modos, a fim de assumirem a própria responsabilidade e as obrigações para com as suas famílias.

6. Não obstante as numerosas dificuldades que deve enfrentar, a Igreja no Sudão empenha-se de maneira activa no sector da educação. As escolas católicas gozam de uma boa reputação e oferecem um alto nível de ensino, razão por que muitos procuram matricular nelas os próprios filhos. A solicitude da Igreja pela formação moral e cívica dos jovens e dos adultos, ministrada durante cursos nocturnos organizados em muitas das vossas escolas paroquiais, constitui um contributo ainda mais importante para o futuro da comunidade cristã e da sociedade em geral. Esta actividade educativa pode contribuir de maneira determinante para superar as tensões étnicas, pois reúne pessoas de diferentes formações tribal e social.

Dado que a lei local torna obrigatória a educação nas escolas públicas, a Igreja do Sudão tem necessidade de assegurar que os estudantes católicos possam valer-se desta oportunidade e, portanto, deve designar professores católicos adequadamente formados para apresentar a fé aos estudantes católicos. Os vossos Sacerdotes e membros das Comunidades religiosas são particularmente idóneos para esta tarefa e deveriam receber o encorajamento e a preparação necessária para empreender este importante apostolado.

Durante a minha visita a Cartum, em 1993, expressei a esperança de que chegue uma nova era de diálogo construtivo e de boa vontade entre os cristãos e os muçulmanos. O diálogo inter-religioso não é uma tarefa fácil nem sequer nos melhores períodos. No vosso País ele é um acto corajoso de esperança para um Sudão melhor e para um futuro melhor para os seus povos. Como fiz notar na minha Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa , um conceito essencial do diálogo entre cristãos e muçulmanos deveria ser o princípio da liberdade religiosa, com tudo aquilo que ela implica, inclusive as manifestações exteriores e públicas de fé (cf. n. 66). Exorto-vos a continuar os vossos esforços para instaurar e desenvolver esse diálogo a todos os níveis.

7. Caros Irmãos no Episcopado, sem dúvida as circunstâncias em que vos encontrais a exercer o vosso ministério pastoral são extremamente difíceis. Os pensamentos que compartilho convosco hoje querem ser uma fonte de encorajamento, enquanto procurais «confirmar muitos na fé, fortalecer os que vacilam e chamar de novo aqueles que se desviaram no caminho» (Carta Pastoral dos Bispos sudaneses, He Should Be Supreme in Every Way, Outubro de 1995). Os cristãos do Sudão estão todos os dias nos meus pensamentos e nas minhas orações. A Igreja inteira sente uma profunda solidariedade com as vítimas da injustiça, do conflito e da carestia, com o flagelo dos refugiados e das pessoas deslocadas, com os sofrimentos dos doentes e dos feridos. Cada um de nós, Bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos, é chamado a ser um só com o mistério pascal da Morte e da Ressurreição de Nosso Senhor, a passar da morte à vida, a aceitar os sofrimentos que nos purificam e nos ajudam a viver aquilo que é deveras essencial: a mensagem evangélica de Jesus Cristo que nos assegura: «Eu venci o mundo» (Jo 16, 33).

Confio-vos, assim como a Igreja no Sudão, à intercessão da Beata Josefina Bakhita e do Beato Daniel Comboni, Padroeiros celestes, cuja vida e testemunho do Evangelho estão de modo tão íntimo ligados à vossa terra, e invoco sobre todos vós os dons divinos de esperança e de fé. Em penhor de paz e de força no Senhor, concedo de coração a minha Bênção Apostólica.

SAUDAÇÃO DO PAPA JOÃO PAULO II A UM GRUPO DE PARTICIPANTES NA PEREGRINAÇÃO DO SENEGAL

Sábado, 13 de Setembro de 1997

Caros peregrinos do Senegal

É com prazer que vos acolho, no termo da vossa peregrinação nacional. Saúdo cordialmente D. T.-A. Sarr, Bispo de Kaolack e Presidente da Conferência Episcopal, que guia a vossa caminhada.

O vosso itinerário conduziu-vos a três lugares importantes. A etapa central do vosso périplo foi a visita à Terra Santa, que permanece uma fonte e uma referência essencial, a terra do povo eleito, a terra onde Se encarnou o Filho de Deus, na qual Ele anunciou o Evangelho e cumpriu o acto fundamental da nossa Redenção. Espero que, ao retorno desta peregrinação seguindo os passos de Jesus, vos apresenteis de novo revigorados na fé no único Mediador entre Deus e os homens, e no Espírito do Pentecostes que, a partir do Cenáculo de Jerusalém, lançou o grande movimento da evangelização.

Em Fátima, honrastes a Mãe do Senhor, Ela que esteve presente nos momentos essenciais da missão messiânica de Cristo e nos acompanha ao longo da história da Igreja. Nela nos é proposto o mais belo modelo da fé e da oração. Oxalá a vossa meditação do rosário seja enriquecida pela vossa peregrinação!

A oração junto dos túmulos de Pedro e de Paulo dá todo o seu alcance da vossa vinda a Roma. O martírio dos Príncipes dos Apóstolos fez desta Cidade o centro da Igreja universal, centro da unidade da fé e da missão. Que a intercessão dos Santos Pedro e Paulo vos ajude a tomar toda a vossa parte na vida das vossas dioceses, em comunhão com a Igreja inteira!

Ao agradecer-vos a vossa visita, uno-me à vossa oração pela Igreja no Senegal, pelas vossas famílias e por todo o vosso povo. De todo o coração, dou-vos a Bênção Apostólica.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA ETIÓPIA E DA ERITREIA POR OCASIÃO DA VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

12 de Setembro de 1997

Senhor Cardeal Caros Irmãos Bispos

1. É para mim motivo de grande alegria dar as boas-vindas a vós, Bispos da Igreja da Etiópia e da Eritreia, por ocasião da vossa visita «ad limina Apostolorum »: «Graça e paz vos sejam dadas da parte de Deus, nosso Pai, e do Senhor Jesus Cristo» (Rm 1, 7). A antiga prática de «vir consultar Pedro» é uma reminiscência da visita que o apóstolo Paulo fez a Jerusalém, para passar ali algum tempo com Pedro (cf. Gl 1, 18), que o Senhor tinha constituído em «Rocha» sobre a qual construir a sua Igreja. No abraço fraterno de Pedro e Paulo, a primeira comunidade cristã leu o dever de tratar os pagãos convertidos por Paulo, como verdadeiros irmãos e irmãs na fé. Ao mesmo tempo, na narração de Paulo acerca da abundante efusão de graça sobre estes novos irmãos, a inteira comunidade encontrou razões cada vez mais claras para louvar a infinita misericórdia de Deus (cf. Act 15, 16 ss.). De modo análogo, este nosso encontro colectivo de hoje reafirma a comunhão das vossas Igrejas particulares com o Sucessor de Pedro e com a Igreja universal. Assim, reunidos em íntima comunhão de coração, podemos unir as nossas vozes ao cântico do salmista: «Do Egipto virão os grandes e a Etiópia estenderá as mãos para o Senhor. Reinos da terra, louvai o Senhor, cantai salmos a Javé» (Sl 68, 32-33).

2. Caros Irmãos no Episcopado, ambos os vossos Países nestes últimos tempos foram submetidos a amplas transformações políticas e culturais. Entre as mais significativas, quero recordar o desenvolvimento de formas democráticas de governo e o empenho de favorecer o crescimento económico e o progresso tecnológico nas vossas sociedades tradicionais. Compartilho convosco a preocupação pastoral pelo desenvolvimento pacífico dos vossos povos, não só em termos de progresso material, mas sobretudo em relação à genuína liberdade política, à harmonia étnica e ao respeito pelos direitos de todos os cidadãos, com particular atenção às situações das minorias e às necessidades dos pobres. A questão que está diante de vós neste momento, à luz da situação que tomais em consideração na vossa Carta Pastoral Thy Kingdom Come, publicada no início deste ano, pode ser assim formulada: como pode o Evangelho ser encarnado nas circunstâncias actuais? Como podem a Igreja e os cristãos individualmente enfrentar do melhor modo os problemas decisivos que encontram, se querem construir um futuro melhor para si mesmos?

Uma resposta a estas perguntas pode ser encontrada nos próprios objectivos que, como Pastores das Igrejas locais da Etiópia e da Eritreia, vos propusestes: transformar a humanidade a partir de dentro, renovar a inocência do coração do homem e, como foi recomendado pela Assembleia Especial do Sínodo dos Bispos para a África, construir a Igreja como família (cf. Thy Kingdom Come, Carta Pastoral dos Bispos católicos da Etiópia e da Eritreia, n. 6). Precisamente este último empenho oferece uma chave importante para a realização dos dois primeiros, pois como os Padres sinodais reconhecem, a Igreja como família de Deus é «uma expressão da natureza da Igreja particularmente apropriada para a África. Com efeito, a imagem acentua a atenção pelo outro, a solidariedade, as calorosas relações de acolhimento, de diálogo e de mútua confiança» (Ecclesia in Africa , 63). De facto, quando a evangelização consegue construir a Igreja como família, torna-se possível uma autêntica harmonia entre diferentes grupos étnicos, é evitado o etnocentrismo e a reconciliação é encorajada, uma solidariedade maior e a partilha dos recursos entre o povo e entre as Igrejas particulares tornam-se uma realidade.

3. A Exortação Apostólica pós-sinodal Ecclesia in Africa , que constitui uma espécie de plano pastoral geral para o vosso continente, ressalta a importância de envolver de maneira efectiva os leigos na vida da paróquia e da diocese, na pastoral e nas estruturas administrativas (cf. n. 90). Com efeito, os leigos «por força da sua condição baptismal e da sua vocação específica, na medida própria a cada um, participam no múnus sacerdotal, profético e real de Cristo » (Christifideles laici , 23). É necessário, portanto, assegurar aos leigos uma adequada formação, que os torne capazes de responder de maneira eficaz aos enormes desafios que devem enfrentar, como seguidores de Cristo e como cidadãos de países que lutam pelo desenvolvimento.

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