Palavras do papa joão paulo II no início da audiência geral recordando o XIX aniversário da morte do papa paulo VI



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Percorrendo incansável as estradas do mundo inteiro, a Madre Teresa marcou a história do nosso século: com coragem defendeu a vida; serviu cada ser humano promovendo sempre a sua dignidade e o seu respeito; fez sentir aos «derrotados da vida» a ternura de Deus, Pai amoroso de todas as Suas criaturas. Testemunhou o evangelho da caridade, que se nutre do dom gratuito de si até à morte. Assim a recordamos, invocando para ela o prémio que todo o fiel servidor do Reino de Deus espera. Possa o seu luminoso exemplo de caridade servir de conforto e de estímulo para a sua família espiritual, para a Igreja e a humanidade inteira.

Caríssimos Irmãos e Irmãs, agradeçovos mais uma vez este encontro festivo e faço votos por que a vossa actividade associativa possa beneficiar da celebração cinquentenária. Ao implorar a protecção materna da Virgem Maria, de coração concedo uma especial Bênção Apostólica a vós aqui presentes e a todos os Voluntários do Sofrimento, assim como aos Silenciosos Operários da Cruz e aos membros da Liga Sacerdotal Mariana.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR ALBERTO LEONCINI BARTOLI NOVO EMBAIXADOR DA ITÁLIA JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

4 de Setembro de 1997

Senhor Embaixador

Ao receber as Cartas que o acreditam como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário da República Italiana junto da Santa Sé, é-me grato dirigir um deferente e cordial pensamento ao Presidente da República, Sua Excelência o Senhor Oscar Luigi Scalfaro, e à inteira Nação. Já são muitos os Estados representados junto desta Sé Apostólica, mas especialíssima é a relação com o País que, desde há dois mil anos, está tão próximo da sede originária do Sucessor de Pedro. Na verdade, o Papa jamais é estranho ao «bel paese che Appennin parte, il mar circonda e l’Alpe»; não foi nem o é devido ao múnus de Bispo de Roma, que especifica e encarna aqui o seu papel de Pastor da Igreja universal.

Também — e sobretudo — nas horas mais difíceis, nas situações obscuras e complicadas, jamais diminuíram o amor do Sumo Pontífice por este caríssimo povo e o empenho pela sua salvaguarda e o seu bem-estar. Desde a época das invasões e das migrações de povos até aos bombardeamentos e às devastações da última guerra mundial, os Sucessores de Pedro — no variar das condições temporais — prodigalizaram em favor do povo que natureza e história colocaram à volta da sua Cátedra. Também nos nossos dias, com uma extraordinária «grande oração pela Itália», eu quis chamar a atenção de todos para os problemas que as vicissitudes destes anos 90 suscitaram neste amadíssimo País, com a finalidade de suscitar renovadas energias e fidelidade criativa, à luz duma antiga e ainda hoje frutuosa tradição de empenho e de sacrifício pelo bem comum, no acolhimento da verdade cristã.

Em particular, o século que está para terminar constituiu um caminho de encontro entre a Itália e a Santa Sé. As incompreensões e dificuldades do século precedente foram imediatamente superadas. A Constituição de 11 de Fevereiro de 1929 realizou o sonho dos espíritos melhores, que queriam «restituir a Itália a Deus e Deus à Itália», demonstrando além disso que nada de irreparável jamais ocorrera entre o País e os Sucessores de Pedro. Parece já claro a todos que as reservas da Santa Sé a algumas páginas da unificação não eram ditadas por ambições de posse nem sequer de poder terreno, mas pela necessária defesa da independência absoluta da soberania territorial circunstante.

Depois, quando ainda estavam abertas as chagas do totalitarismo e da guerra, a sabedoria de muitos quis que fosse inserido, na Constituição da nascente e livre República, o princípio da independência e da soberania de ambos os ordenamentos, enquanto já ninguém colocava em discussão o exíguo e quase simbólico espaço, necessário à Sé Apostólica para o exercício da sua missão no mundo inteiro.

E mais, com o Acordo de Revisão de 1984, o mesmo espírito presidia à actualização consensual dos Pactos Lateranenses, manifestando claramente, como já se expressara o Concílio Ecuménico Vaticano II, que entre Igreja e Estado não há oposição, mas concurso e colaboração para salvaguardar a pessoa humana, nas suas manifestações individuais e sociais.

As relações entre Santa Sé e República Italiana, podemos dizê-lo com base numa já consolidada experiência histórica, coroam de facto um tecido de relações, um inconversível modo de se posicionar, rico de frutos e de potencialidades. A Igreja, da sua parte, tem um tesouro de verdades que incansavelmente propõe ao homem, no articulado desenvolver- se das suas estruturas sociais. É antes de tudo na família que a doutrina e a moral cristã reconhecem o âmbito primeiro e natural de acolhimento da vida, desde a sua concepção. A família, nascida do amor de um homem e de uma mulher, que as tradições e a lei consagram como célula base da sociedade, espera que seja plenamente actuado o conteúdo da lei fundamental da República, lá onde «reconhece os direitos da família como sociedade natural fundada sobre o matrimónio» (art. 29). A família, portanto, tem uma função basilar na organização social, e deve ser incentivada e protegida, também no terreno económico e fiscal. Ela não pode estar abandonada à corrosão do relativismo, porque a vida e o futuro mesmo do País estão contidos no seu seio.

A respeito disso, muitas vozes já se levantaram com desalento, ao ver a Itália relegada a níveis muito baixos de natalidade. Nisto pode-se ver um sentimento de fechamento, um acto de desconfiança quanto ao destino da sociedade nacional e, talvez também, um cedimento egoísta. Todos esperam que a vida seja ajudada a crescer e a florescer com todas as providências que se puderem dar.

A escola, em perspectiva semelhante, assume um papel essencial na construção da Itália de amanhã. Antigas barreiras, também de ordem psicológica, estão a ceder, mas o mesmo princípio, que chama todos os cidadãos a dar o seu contributo ao bem comum, através de uma participação mais ampla e eficaz, exige plena e madura liberdade da escola e na escola. A cultura exige diálogo e confronto, os cidadãos e as famílias esperam do Estado aquela ajuda razoável que permite tornar efectivo e indiscutível o direito a escolher o horizonte cultural, sem discriminações nem ónus, mesmo só economicamente insustentáveis.

Mas tudo seria vão se faltasse o trabalho. Já o Concílio Ecuménico Vaticano II avançara o conceito de participação na criação ínsita no trabalho quotidiano, e isto foi por mim reafirmado nalgumas Encíclicas. Agora a juventude teme sobretudo a falta de emprego estável e motivante. Às Autoridades públicas, às forças económicas, aos sindicatos, a todos os indivíduos compete a severa tarefa de predispor as condições para as actividades de trabalho não fictícias, e tais que dissuadam os jovens das tentações do ócio, do lucro fácil ou até mesmo de actividades criminosas.

Nestas emergências a Comunidade católica tem o seu contributo a dar, e muito está a ser feito pelo voluntariado ao «projecto cultural», que a Conferência Episcopal Italiana está a pôr em prática. Tudo isto reafirma uma verdade que não pode ser desmentida: os crentes e a Igreja não são estrangeiros neste País. Eles fazem parte dele a pleno título. Da sua longuíssima, e talvez única tradição, do ensinamento do Magistério, da Revelação mesma tiram argumentos para curar tanto os males como as necessidades do País, e a busca contínua para oferecer novos contributos. Não é deveras um caso o facto de a identidade verdadeira e profunda do País se revelar de modo inequivocável no Cristianismo.

Com a queda de tantas fronteiras e o nascimento de uma nova Europa, tornase cada vez mais presente o dever de enriquecer o continente com o carisma específico que caracteriza a Itália. Às glórias do passado, às criativas iniciativas do presente, ajunta-se a fisionomia fundante da sua identidade católica, que tantas provas deu e continua a dar na arte, nas actividades sociais e também em tantos itinerários de fé e de cultura. A alma da Itália é alma católica, e grandes são neste sentido as expectativas, por tudo o que ela pode exprimir entre as Nações irmãs, finalmente pacificadas. Expectativas destinadas ulteriormente a encaminhar-se na perspectiva exaltante, repleta de esperança, da celebração do Grande Jubileu do Ano 2000, à qual Vossa Excelência fez oportuna referência. Esse evento é destinado a representar um momento de crescimento humano, civil e espiritual também para a dilecta Nação italiana. Oxalá a colaboração em acto entre a Santa Sé e a Itália contribua para favorecer o seu pleno bom êxito.

É com estes sentimentos repletos de esperança que apresento a Vossa Excelência, Senhor Embaixador, os votos mais ardentes para o feliz cumprimento da sua alta missão, e de coração concedo- lhe a Bênção Apostólica, que desejo estender às pessoas que o acompanham, aos seus familiares e à querida Nação italiana.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AOS BISPOS DA SUÍÇA POR OCASIÃO DA VISITA «AD LIMINA APOSTOLORUM»

4 de Setembro de 1997

Caros Irmãos no Episcopado

1. É com grande alegria que vos acolho por ocasião da vossa visita ad Limina à sede do Sucessor de Pedro. Antes de tudo, agradeço ao vosso Presidente, D. Henri Salina, que me ilustrou alguns aspectos da vida eclesial nas vossas Dioceses e também algumas questões que vós, como seus Pastores, deveis enfrentar. Oro ao Senhor para que vos acompanhe e para que os nossos diálogos e os vossos encontros com os meus colaboradores da Cúria Romana, e entre vós, ofereçam a oportunidade de aprofundar e revigorar o affectus collegialis, e possam estes encontros, além disso, ajudar-vos a prosseguir o vosso serviço apostólico em colaboração confiante no seio da vossa Conferência Episcopal.

A tarefa do Bispo é hoje particularmente difícil. O Bispo deve exercer o seu múnus e a sua autoridade como um serviço à unidade e à comunidade; ao fazê-lo deve preocupar-se de preservar a fé na sua integridade, tal como nos foi transmitida pelos apóstolos, e também a doutrina da Igreja, que foi definida ao longo da história. Isto comporta aspectos fundamentais que não podem ser postos em discussão, nem pela opinião pública nem pelas posições assumidas por determinados grupos particulares. É preciso ajudar os fiéis a aderirem à continuidade secular da Igreja e, contemporaneamente, ter em conta os aspectos positivos do mundo moderno, sem porém fazer-se influenciar pelas modas dos tempos. A comunidade local deve preocupar- se da catolicidade, ou seja, deve viver a sua fé no seio da Igreja e em comunhão com ela. A Igreja local é parte integrante da Igreja universal; deve portanto ser uma só com o Corpo.

Compete-vos guiar o povo de Deus com inexaurível e paciente ensinamento (cf. 2 Tm 4, 2), sabendo ouvir os fiéis e, em particular, os sacerdotes que, como observa o Concílio Vaticano II, deveis tratar «com especial caridade [...] como aqueles que compartilham das suas funções e solicitude, e tão zelosamente satisfazem esses deveres com o trabalho de cada dia» (Christus Dominus, 16). Os sacerdotes devem muitas vezes enfrentar uma grande quantidade de trabalho; na realidade, o seu serviço é mais um onus que uma honor. Já São João Crisóstomo escrevia: «Ele deve acolher-nos a todos na Igreja como numa casa comum; devemos estar unidos no afecto recíproco, como se formássemos todos um só corpo» (Sermão sobre a Segunda Carta aos Coríntios, 18, 3). Os vossos relatórios quinquenais demonstram a vossa solicitude por estardes próximos dos sacerdotes, que para vós são «filhos e amigos» (Christus Dominus, 16; cf. Jo 15, 15). Preocupai-vos, também no futuro, das suas exigências espirituais. Os sacerdotes diocesanos ocupam um lugar especial nos vossos corações, pois em virtude de estarem incardinados na Igreja local «a fim de pastorearem uma parte do rebanho [...], constituem, por isso, um só presbitério e uma só família, de que o Bispo é o pai» (ibidem, 28).

Deveis também preocupar-vos de promover a colaboração harmoniosa nas múltiplas obras da Igreja. Esta colaboração entre todos os membros da Igreja, se for bem organizada, pode ajudá-la a fortalecer o seu particular dinamismo. As comunidades suíças devem, porém, ter em conta também as realidades vividas pelas outras comunidades. Devem estar dispostas a aceitar, no espírito da fé, as normas estabelecidas pelo Sucessor de Pedro, Pastor da Igreja universal. A vida das comunidades locais deve inserir- se nas estruturas próprias à Igreja, que são articuladas de modo diverso das instituições civis.

2. Os leigos, alguns dos quais são muito activos na vida pastoral, desempenham a sua missão juntamente com os pastores da Igreja, os Bispos, sacerdotes e diáconos que, enquanto ministros consagrados, têm a tarefa de ensinar, de santificar e de governar o povo de Deus no nome de Cristo Cabeça (cf. CDC, cânn. 1008-1009). No âmbito da única missão da Igreja, as respectivas tarefas são distintas entre si e, ao mesmo tempo, integram-se. É importante, em particular, colaborar para uma pastoral juvenil activa, promovendo o desenvolvimento dos movimentos e das associações que podem ajudar muito a Igreja a adquirir um novo dinamismo. Sinto-me, portanto, feliz pelo facto que homens e mulheres se esforcem por exercer tarefas importantes na catequese e no acompanhamento dos grupos juvenis. Eles têm a responsabilidade, em relação aos jovens, de ensinar os valores cristãos e a fé católica. Devem colaborar com os pais, que desses são as primeiras testemunhas ao lado dos próprios filhos. Exorto aqueles que exercem um papel de responsabilidade no âmbito da consulta matrimonial e da assistência aos cônjuges e às famílias, a serem fiéis aos ensinamentos da Igreja.

Seria bom reflectir sobre o que o Concílio Vaticano II explicou com ênfase no capítulo IV da Constituição Lumen gentium (cf. nn. 30-38), sobre as tarefas particulares dos leigos na Igreja. A união deles com Cristo no Corpo da Igreja comporta a obrigação de orientar as próprias actividades para a proclamação do Evangelho e o crescimento do povo de Deus. Isto acontece, em particular, quando desempenham a função que lhes corresponde de impregnar os acontecimentos do mundo temporal com o espírito cristão (cf. ibidem, 31; Apostolicam actuositatem, 7). Uma das tarefas que, a respeito disso, compete aos pastores é oferecer aos leigos uma preparação séria, em vista das suas actividades.

3. Convido os fiéis a acolherem o ensinamento da Igreja na fé. O ser cristão pressupõe uma constante conversão interior. A obediência à Igreja é indispensável para aceitar a Revelação, da qual a Igreja é depositária, para obter a comunhão na verdade que nos torna livres (cf. Jo 8, 32) e no Espírito Santo, que derrama o amor de Deus nos nossos corações (cf. Rm 5, 5). Esta obediência à Igreja comporta também a aceitação da ordem estabelecida com base nas normas vigentes para os diferentes níveis da sua actividade. Sobretudo no âmbito litúrgico essa fidelidade resulta mais necessária que nunca; a respeito disso, convém recordar o que afirma o Concílio Vaticano II: «Regular a sagrada Liturgia compete unicamente à autoridade da Igreja, a qual reside na Sé Apostólica e, segundo as normas de direito, no Bispo [...]. Por isso, ninguém mais, mesmo que seja sacerdote, ouse, por sua iniciativa, acrescentar, suprimir ou mudar seja seja o que for em matéria litúrgica» (Constituição sobre a Sagrada Liturgia Sacrosanctum concilium, 22).

Considerando tudo isto, é-me grato constatar que cada dia aumentam os fiéis que se empenham por conhecer melhor a doutrina católica. Desejo ressaltar a missão particular dos teólogos, que têm a tarefa de esclarecer os seus irmãos e irmãs na profundidade dos mistérios divinos. Isto ocorre porque o seu ensinamento está baseado sobre a revelação e é sustentado por uma intensa vida espiritual e pela oração. O ensinamento teológico está ao serviço da verdade e da comunidade. Não pode permanecer uma simples reflexão privada. Por isso, o âmbito natural da investigação teológica é a própria Igreja. A ciência sagrada não pode estar separada da Palavra de Deus, que é viva e ilumina. Ela é acolhida e transmitida pela Igreja, cujo ensinamento é exercido em nome de Jesus Cristo (cf. Concílio Vaticano II, Dei Verbum, 10; Congregação para a Doutrina da Fé, Instrução sobre a vocação eclesial do teólogo, 24/5/1990).

4. Como pondes claramente em evidência nos vossos relatórios quinquenais, preocupa-vos o problema das vocações. Ele refere-se, no seu conjunto, às comunidades cristãs, no seio das quais podem desabrochar as vocações, sustentadas pela oração de todos e favorecidas pela globalidade da pastoral juvenil. Compete em particular aos pais e aos educadores ser os instrumentos do chamado do Senhor. Nos últimos anos, nalgumas das vossas Dioceses, poucos jovens aceitaram empenhar-se na via do sacerdócio ou da vida consagrada. Justamente, portanto, esforçais-vos por imprimir um novo impulso à pastoral das vocações nas comunidades cristãs e nas famílias, pondo em evidência a grandeza e a beleza do dom de si no celibato, livremente escolhido por amor do Senhor, sem contudo que resulte diminuído o valor da vida laical e do matrimónio. Como recordei na Exortação Apostólica pós-sinodal Pastores dabo vobis , fazendo meus os pedidos dos Padres sinodais, é necessário «instruir e educar os fiéis leigos acerca das motivações evangélicas, espirituais e pastorais próprias do celibato sacerdotal de modo que ajudem os presbíteros com a amizade, a compreensão e a colaboração» (n. 50). Isto é tanto mais importante porque, numa sociedade onde a vida cristã e o celibato parecem muitas vezes ser considerados como obstáculos à realização da pessoa, algumas famílias podem preocupar-se por ver os próprios filhos ou filhas deixar tudo para seguir Cristo.

A questão diz respeito à globalidade da educação; em geral, é para desejar que os pais, à luz da fé da Igreja, acompanhem com confiança e coragem os jovens para que estes assumam plenamente o seu papel na comunidade cristã, participem de maneira activa na vida paroquial e se empenhem nas associações e nos movimentos. Assim, um autêntico amadurecimento pessoal, social e espiritual conduzirá os jovens, chamados pelo Senhor, a realizarem livremente a sua vocação; é só sob esta condição que serão felizes na sua vida. Para que, depois, aceitem responder de modo positivo ao chamado de Cristo, é essencial que as comunidades cristãs reconheçam o papel e a missão específica dos sacerdotes e da vida consagrada. Com efeito, como podem os jovens perceber a grandeza dessas vocações, se permanecem equívocos acerca do papel específico daqueles que receberam o mandato da parte da Igreja?

5. Os Bispos devem hoje estar particularmente atentos à formação dos seminaristas. Continuai a dar grande importância à qualidade da formação espiritual e dos programas de formação intelectual. Todos os aspectos da formação devem equilibrar-se, a fim de contribuírem para a maturidade dos vossos futuros colaboradores. Neste contexto, convém ter em consideração as exigências do mundo actual, para preparar um exercício do ministério bem adaptado à nossa época; mas é preciso cuidar de centrar a formação no essencial do conteúdo da fé, a fim de permitir aos jovens sacerdotes responder de maneira pertinente às questões incessantemente renovadas, que são debatidas pela opinião pública. As regras sábias, dadas pela Ratio institutionis sacerdotalis, servos-ão particularmente úteis.

6. Quereria aqui pedir que transmitísseis aos sacerdotes das vossas Dioceses a saudação confiante do Sucessor de Pedro. Ao viverem o seu sacerdócio de maneira exemplar, eles são as primeiras testemunhas da vocação ao ministério. Ao verem a vida deles, os jovens podem sentir o desejo de os imitar no seu empenho sacerdotal. Que o presbitério seja uma coroa espiritual à volta do Bispo! Conheço a responsabilidade cada vez mais difícil dos sacerdotes do vosso País, em particular daqueles que exercem o ministério paroquial. Exprimi-lhes os encorajamentos calorosos do Papa, que os convida a não desanimar e a continuar a ser pastores zelosos para o povo que lhes foi confiado. A sua missão deve arraigar-se numa vida espiritual e sacramental intensa, que unifica a sua personalidade e os torna disponíveis a receber as graças necessárias para o seu serviço evangélico. Com efeito, é o Senhor que, pelo seu Espírito, ajuda e acompanha aqueles que por Ele foram chamados a segui-l’O no sacerdócio. Os sacerdotes devem empenhar-se em ser testemunhas jubilosas de Cristo, através da sua vida recta, em harmonia com o compromisso assumido no dia da sua ordenação.

Na Suíça, a vida religiosa conheceu uma notável tradição na sua história. Confio-vos o cuidado de dizer aos religiosos e às religiosas que, ainda hoje, a Igreja conta de modo particular com eles para prosseguir os seus empenhos nos sectores essenciais da vida pastoral: a educação, a saúde, a assistência às pessoas idosas e aos pobres, e de maneira muito especial o atendimento a numerosos fiéis nas suas casas de acolhimento e de retiros espirituais, ou ainda no quadro das peregrinações que eles animam. Aprecio a sua coragem e a sua discreta disponibilidade. Num tempo em que diminui o número das vocações, importa que o conjunto da Igreja reconheça melhor o valor e o sentido da vida consagrada.

7. As dioceses da Suíça têm uma tradição missionária solidamente enraizada. Agradeço-lhes a sua atenção e a sua ajuda generosa às jovens Igrejas, tanto para a missão que lhes é própria como para a sua contribuição ao desenvolvimento. Exprimis de maneira apreciável a vossa atenção à vida da Igreja universal; isto manifesta também o vosso sentido profundo da justiça e da solidariedade com os mais desprovidos. Nalguns aspectos concretos, os católicos suíços estão assim em comunhão com toda a Igreja, cuja solicitude compete em primeiro lugar aos Bispos, como foi ressaltado claramente pelo Concílio Vaticano II: «Os Bispos, como legítimos sucessores dos Apóstolos e membros do colégio episcopal, considerem-se unidos sempre mais entre si e mostrem-se solícitos por todas as Igrejas» (Christus Dominus, 6).

8. Quereria também evocar brevemente a importância do movimento ecuménico no vosso país. Juntamente com os vossos diocesanos, prossegui a oração comum e o diálogo com o conjunto dos nossos irmãos cristãos, tendo em conta, de modo inequivocável, questões doutrinais e pastorais ainda não resolvidas, assim como as diferentes sensibilidades. O caminho a percorrer pode ser ainda longo. É aplicando com fidelidade os princípios e as normas elaboradas pelo Directório para o ecumenismo, que se há-de progredir realmente no caminho da plena unidade (Pontifício Conselho para a Promoção da Unidade dos Cristãos, 25/3/1993).

9. Apresentastes oportunamente ao povo cristão a figura de São Pedro Canísio, que morreu há 400 anos em Friburgo. O seu ensinamento, o seu sentido pedagógico e o seu empenho apostólico ao serviço do Evangelho são outros tantos aspectos da sua vida, que podem inspirar hoje o comportamento dos Pastores e das comunidades cristãs. É também um modelo de diálogo ecuménico, respeitoso das pessoas, repleto duma caridade cordial e desejoso de testemunhar a sua fé em Cristo e o seu amor à Igreja, unida à volta dos Bispos e do Sucessor de Pedro. As recentes beatificações têm de igual modo um efeito positivo na vida espiritual e apostólica do povo cristão: os Santos duma nação estão próximos dos seus compatriotas. São testemunhas privilegiadas, modelos de vida cristã.

Ao confiar-vos à intercessão dos Santos da vossa terra, aos quais os fiéis continuam profundamente ligados, concedo- vos de todo o coração a minha Bênção, assim como aos sacerdotes, aos religiosos, às religiosas e aos leigos das vossas Dioceses.

DISCURSO DO PAPA JOÃO PAULO II AO SENHOR J. FERNAND TANGUAY NOVO EMBAIXADOR DO CANADÁ JUNTO DA SANTA SÉ POR OCASIÃO DA APRESENTAÇÃO DAS CARTAS CREDENCIAIS

31 de Outubro de 1997

Senhor Embaixador

1. Ao receber as Cartas que acreditam Vossa Excelência junto da Sé Apostólica, como Embaixador Extraordinário e Plenipotenciário do Canadá, é-me grato apresentar-lhe as boas-vindas à Cidade eterna. Agradeço vivamente as palavras que acaba de me dirigir, e que manifestam interesse e compreensão para com a vida e a acção da Igreja católica.

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