Para a juventude



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AULAS E DINÂMICAS

PARA A JUVENTUDE

(...) o projeto existencial do adolescente não pode prescindir da visão espiritual da vida; da realidade transpessoal dele mesmo; das aspirações do nobre, do bom e do belo, que serão as realizações permanentes no seu interior, direcionando-lhe os passos para a felicidade.
Livro Adolescência e vida

Divaldo P. Franco, pelo Espírito Joanna de Angelis, pág. 27.

Responsabilidade: Grupo Espírita Seara do Mestre

Organização/correção: Claudia Schmidt

Preserve os direitos autorais

Allan Kardec e a Codificação Espírita - Parte I

         Prece inicial:

         Objetivo: conhecer Allan Kardec e sua importância para a codificação da Doutrina Espírita.

         Primeiro momento - sugestão de dinâmica:

         Material: folhas A4, tesouras, cola, grãos diversos, jornais, palitos de picolé, lápis de cor, tinta e demais utensílios que possam auxiliar na criação artística.

         Utilizando-se do artigo "Linha do Tempo - Allan Kardec" fazer uma releitura do seu conteúdo expressando-a de forma diversa – se necessário, adaptar ao número de participantes, excluindo algumas datas, se o número de evangelizandos não for suficiente.

         O trabalho consiste em separar a Linha do Tempo em diferentes anos, oportunizando aos jovens que façam um resumo da notícia e construam um cartaz utilizando-se dos materiais mencionados acima. Os evangelizandos, ao resumirem e elaborarem cada cartaz, deverão mencionar o ano do acontecimento para que o leitor possa situar-se no tempo. É importante que o evangelizando assine a sua obra (seu cartaz).

         Segundo momento: após todos os cartazes concluídos, montar a Linha do Tempo, pedindo aos jovens que escolham um nome para a mesma.



         Observação: o tempo para este trabalho é de aproximadamente uma hora com uma média de 14 evangelizandos. Se não for possível concluir, terminar no próximo encontro.

LINHA DO TEMPO – ALLAN KARDEC


1804

Em 3 de outubro, nasce Hipollyte Léon Denizard Rivail, em Lion, o Codificador do Espiritismo. Seus pais: Jean-Baptiste Antoine Rivail (juiz) e Jeanne Louise Duhamel.

1815

Passa a estudar no Instituto de Educação – escola modelo da Europa – em Yverdon, Suíça, do famos pedagogo Johann Heinrich Pestalozzi (1746-1827), cujas teorias criaram as bases do ensino primário moderno. Pestalozzi recebeu influência de Jean-Jacques Rousseau (1712-1778), um dos maiores pensadores europeus do séc. XVIII, cuja obra, entre as quais Contrato Social e Emílio ou da Educação, inspiraram reformas políticas e educacionais, esta enaltecendo a ‘educação natural’ – acordo livre entre o mestre e o aluno.

1817

Auxilia os mestres na docência em Yverdon. Características de Rivail: testa ampla, simpático, inteligente, agudo observador, tranqüilo e moderado, enérgico e persistente.

1822

O Prof. Rivail deixa Yverdon, transfere-se para Paris. Até 1850 dedica-se à educação de crianças e jovens parisienses. Começa a freqüentar a Sociedade de Magnetismo de Paris, dedicando-se ao magnetismo animal ou mesmerismo, por 35 anos (método de Franz Anton Mesmer (1733-1815), médico austríaco, segundo o qual todo ser vivo é dotado de fluido magnético capaz de ser transmitido para outros seres, inclusive com resultados terapêuticos).

1824

Primeiro livro didático, em dois volumes: “Curso Prático e Teórico de Aritmética”, com duas edições no mesmo ano, pelo sucesso alcançado. Apresenta a aritmética de forma prática, útil e acessível, sem perda de conteúdo. O livro continua a ser editado até 1876, sete anos após seu desencarne.

1825

Por seus títulos que o autorizavam, funda a Escola de Primeiro Grau, com métodos de Pestalozzi. Início formal de uma carreira caracterizada pela busca de técnicas que valorizassem a iniciativa e a participação dos alunos através da motivação.

1826

É fundado o Instituto Rivail, permanecendo até 1834, adquirindo certo renome, situado em um dos melhores endereços de Paris, à Rua de Sèvres, nº 35. Contou com apoio financeiro de um de seus tios maternos e, mais tarde, de sua esposa.

1828

Rivail publica o “Plano proposto para a melhoria da educação pública”, dirigido ao Parlamento Francês, onde defende que a Pedagogia deve ter tratamento de ciência e condena os castigos corporais.

1831

Neste ano, ganha concurso promovido pela Academia de Ciências de Arrás e escreve “Memória sobre a Instrução Pública” à comissão que na ocasião foi instituída para reformar a educação. Autor de cerca de 21 obras, entre livros didáticos e opúsculos. Traduziu diversos livros para o alemão. Autor da peça teatral “Uma Paixão de Salão”.

1832

O Prof. Rivail casa-se com Amélie Gabrielle Boudet (1795-1883), nove anos mais velha, poetisa, professora primária, de letras e belas artes. Foi cooperadora talentosa em todas as atividades de Denizard Rivail, na direção de escola, nas aulas, na investigação das “mesas girantes” e na Codificação da Doutrina Espírita. Culta e inteligente, editou três obras: “Contos Primaveris”, “Noções de Desenho” e o “Essencial em Belas Artes”. Não tiveram filhos.

1835

O tio materno de Rivail, que o ajudara financeiramente na criação do Instituto Técnico Rivail, vem à falência e pede a devolução do dinheiro. Rivail, não dispondo do dinheiro, vende o Instituto. Com a parte que lhe coube na venda, Rivail faz aplicações financeiras sem sucesso, ficando sem um níquel. Rivail e Amélie não desanimam. Rivail passa a fazer contabilidade para três empresas durante o dia, e a noite, escreve livros sobre ensino, inclusive para escolas famosas. Inaugura curso gratuito de diversas matérias, em sua própria casa, com ênfase nas ciências exatas. Passaram pelo curso mais de 500 alunos sem recursos financeiros.

1851

Período, na França, de Luiz Napoleão Bonaparte, que se torna ditador sob o título de Napoleão III. A ditadura impõe grande policiamento e restrição de liberdade junto às atividades de ensino. Rivail cessa todas as atividades pedagógicas, dedicando-se a ser contador.

1852

Rivail apresenta perda de visão, com diagnóstico de que ficará cego. Uma sonâmbula, em sono magnético, afirma ser um mal passageiro. Em meses, recupera a saúde.

1854

Rivail é informado por Fortier, magnetizador seu conhecido, sobre os fenômenos das “meses girantes”. Rivail associa à causa física. Fortier lhe diz que as mesas “falam”. Cético, responde: “Só acreditarei quando o vir e quando me provarem que uma mesa tem cérebro para pensar, nervos para sentir e que possa tornar-se sonâmbula” (Obras Póstumas, p. 265).

1855

No início do ano, um amigo, Sr. Carlotti, lhe faz longo relato sobre as “mesas girantes”. Rivail mostra reservas, apesar de conhecê-lo há 25 anos. Em maio assiste, pela primeira vez, uma sessão das “mesas girantes”, em casa da Sra. Plainemaison. Apesar do ceticismo, surpreende-se com as respostas da “mesa”. “Eu entrevia naquelas aparentes futilidades (...) qualquer coisa de sério, como que a revelação de uma nova lei” (Obras Póstumas, p. 267). Um grupo de intelectuais lhe entrega 50 cadernos com comunicações diversas.

1856

Passa a freqüentar as reuniões espíritas. Suas anotações tomam as proporções de um livro, mas não estava claro para ele que deveria ser um dia publicado (Obras Póstumas, p. 276). Os Espíritos auxiliam Rivail a fazer uma revisão completa do texto já elaborado. Era o Livro dos Espíritos. A 30 de abril, pela mediunidade da Srta. Japhet, Rivail tem a primeira notícia de sua missão (Obras Póstumas, p. 277/287).

1857

A 18 de abril é publicado o “Livro dos Espíritos”. Adota o pseudônimo de Allan Kardec, nome que usou em uma outra encarnação. As despesas correm inteiramente por conta de Rivail. A primeira edição contém 501 questões, distribuídas em três partes. O “Livro dos Espíritos” trata da imortalidade da alma, da natureza dos Espíritos e de suas relações com os homens, das leis morais, da vida presente, da vida futura e do porvir da humanidade.

1858

Em 1º de janeiro sai o primeiro número da Revista Espírita. Kardec mantém a publicação da revista sozinho, durante 11 anos, tanto financeiramente quanto na redação, com a ajuda de sua esposa. Fundada a Sociedade Parisiense de Estudos Espíritas. Adota o sistema de submeter mensagens a exame crítico. Atendendo a inúmeras correspondências, prepara o livro “O Que é o Espiritismo?”, lançado no ano seguinte.

1860

Em março, sai a segunda edição do “Livro dos Espíritos”. A obra é ampliada, como hoje se apresenta (1019 perguntas), dividida em quatro partes, que são aprofundadas nas obras a seguir editadas. Kardec adota o método intuitivo-racional na codificação do Espiritismo, considerando o valor da análise experimental, através da observação, e o uso do raciocínio na descoberta da verdade. Sustenta a necessidade de proceder do simples para o complexo, do particular para o geral.

1861

Em janeiro é publicado o “Livro dos Médiuns” (“Contém ensino especial dos Espíritos sobre a teoria de todos os gêneros de manifestações, os meios de comunicação com o mundo invisível, o desenvolvimento da mediunidade, as dificuldades e os tropeços que se podem encontrar na prática do Espiritismo”). É o aprofundamento da segunda parte do “Livro dos Espíritos”. “Mais vale rejeitar 10 verdades do que admitir uma única mentira, uma única teoria falsa” (Livro dos Médiuns, item 230, Espírito Erasto).

1864

Lançado o “Evangelho Segundo o Espiritismo” (“Explicação das máximas morais do Cristo em concordância com o Espiritismo e suas aplicações às diversas circunstâncias da vida”). É o aprofundamento da terceira parte do “Livro dos Espíritos”. O título da obra era “Imitação do Evangelho”, o que foi desaconselhado pelo editor e outras pessoas. O combate aos espíritas se intensifica através de cursos específicos ministrados por religiosos. Kardec desaconselha o confronto, em nome da liberdade de opinião. Maiores dificuldades começam a surgir (Obras Póstumas, p. 307).

1865

Em 1º de agosto, é publicado o “Céu e o Inferno” (“Exame comparado das doutrinas sobre a passagem da vida corporal à vida espiritual, sobre as penalidades e recompensas futuras, sobre os anjos e demônios, sobre as penas, etc., seguido de numerosos exemplos acerca da situação real da alma durante e depois da morte”). É o aprofundamento da quarta parte do “Livro dos Espíritos”. Lança coleção de Preces Espíritas. Começa a pesar o excesso de trabalho, crises de saúde.

1868

Em janeiro, é editado o livro “A Gênese”. Consta na primeira página: “A Doutrina Espírita é resultado do ensino coletivo e concordante dos Espíritos. A Ciência é chamada a constituir a Gênese de acordo com as leis da Natureza. Deus prova a sua grandeza e seu poder pela mutabilidade das suas leis e não pela ab-rogação delas. Para Deus, o passado e o futuro são o presente”. É o aprofundamento da primeira parte do “Livro dos Espíritos”.

1869

Em 31 de março, Kardec, sozinho em casa, preparava a mudança que se daria no dia seguinte. Arrumava papéis e livros. Batem à porta. Era um caixeiro de livraria para compra de um exemplar da Revista Espírita. Kardec entrega a revista e se curva, vítima de aneurisma. Desencarna, de pé, trabalhando. Estava preparada uma nova mudança para a Sociedade. A viúva do Prof. Rivail, Sra. Amélie Gabrielle Boudet, doa, todos os anos, certa quantia para o movimento espírita, além de se manter presente e dedicada. Quando desencarna (1883), por testamento, seus bens são destinados à “Sociedade, para a continuação das Obras Espíritas de Allan Kardec”.

1890

Editado o livro “Obras Póstumas”. Ensaios e estudos publicados sobre o Espiritismo e não constantes nas obras anteriores de Allan Kardec. Este livro é uma verdadeira relíquia, incluindo os diálogos com os Espíritos para orientação e apoio à missão que Kardec foi encarregado. Destaques sobre seu livre-arbítrio e o planejamento espiritual para a continuidade da obra. Os seguidores foram muitos, como Gabriel Dellane, Camille Flamarion, William Crookes, Leon Denis. Suas obras enriquecem a divulgação do Espiritismo – o Consolador Prometido por Jesus (Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I).


Allan Kardec e a Codificação Espírita - Parte II

         Conclusão: retomando o encontro anterior, realizar um diálogo aberto onde cada jovem comenta seu trabalho (parte da Linha do Tempo), expondo os fatos mais importantes do período, deixando margem sempre para comentários e perguntas que poderão ser feitas tanto pelos colegas, quanto pelos evangelizadores. Assim, com uma conversa amena e cheia de curiosidades os jovens aperceber-se-ão do universo de Kardec e da Codificação Espírita.

         Prece de encerramento

         Bibliografia:

         Diálogo Espírita ano 2002 nº 33 (Linha do Tempo - Allan Kardec / Sônia Alcalde e Heloína Lopes)

         Apostila da Fergs - 1º ciclo e juventude I

         Obras Póstumas, Allan Kardec.




A atualidade do Decálogo

Prece Inicial

Objetivo: mostrar aos jovens a necessidade da existência de leis para o melhor convívio em sociedade e a atualidade do Decálogo Mosaico.



Primeiro momento - sugestão de dinâmica: de forma proposital, o evangelizador começará a explicar a dinâmica de forma desorganizada, isto é, começando por não dividir os evangelizandos em grupos, sendo que a proposta de trabalho desenvolver-se-á em grupos.

O trabalho consiste em criar Dez Leis (ou regras), para uma melhor convivência em diferentes âmbitos.

Sugestões: (podem ser ampliadas e/ou modificadas de acordo com a necessidade do grupo)

- leis para o país;

- leis para cidadãos;

- leis para colégios;

- leis para grupos de jovens.

Posteriormente, solicitar aos evangelizados que eles próprios organizem os trabalhos, podendo se dividir em grupos, ficando cada grupo com um âmbito. O tempo para criarem as leis é de 20 minutos.



Segundo momento: após criarem as leis (regras), voltam todos para o grande grupo, onde serão discutidas as leis que foram elaboradas. Através de questionamentos feitos pelo evangelizador, os jovens devem perceber que muitas das leis criadas por eles têm semelhanças entre si.

O evangelizador deve, também, fazer um paralelo das regras criadas com os mandamentos recebidos por Moisés.

Exemplo de regra criada pelo grupo: respeitar o colega quando está falando. No décimo mandamento do Decálogo encontramos: Não cobiceis..., nem qualquer coisa das coisas que lhe pertençam, ou seja, a opinião alheia.

Terceiro momento: o evangelizador pode, de forma sucinta, contar um pouco da vida de Moisés, introduzindo questionamentos como:

Que atitudes devermos ter para que as leis criadas por nós e as leis mosaicas cumpram os seus objetivos?

Que sentimentos devemos aprimorar para que, por exemplo, na regra não jogar lixo no corredor da escola, tenhamos cada vez mais uma consciência do nosso dever como freqüentadores temporários daquele local? Resposta: trabalhar o egoísmo.

Conclusão: as leis mosaicas são atuais, porém, devido ao nosso orgulho e egoísmo, ainda temos dificuldades de compreendê-las e trazê-las para o nosso cotidiano.

Prece de encerramento

Bibliografia: Apostila da FEB - 1997 - 1º Ciclo da Juventude; O Evangelho Segundo o Espiritismo, capítulo I.


Allan Kardec e a Codificação II

         Prece inicial

         Primeiro momento: entregar a cada evangelizando um envelope que contém fragmentos de várias frases. Cada jovem deve tentar montar sua frase, trocando com os outros colegas os fragmentos que não faziam parte de sua frase.

         Sugestões de frases:

           8 - O livro da codificação A Gênese esclarece como foi criado o mundo, como apareceram as criaturas, e como é o universo.

           7 - No livro da codificação O Céu e o Inferno, Allan Kardec apresenta a verdadeira face do desejado “céu” e do temido “inferno”.

           6 - O Evangelho segundo o Espiritismo é a parte religiosa da Doutrina Espírita, pois ensina a moral cristã.

           5 - O Livro dos Médiuns busca orientar a conduta prática daqueles que servem de intermediários entre o mundo espiritual e o material.

           4 - O Livro dos Espíritos é uma obra de caráter filosófico que procura explicar de forma racional os porquês da vida.

           3 - Allan Kardec reuniu os ensinamentos da Espiritualidade Superior, analisando-os e codificando-os em cinco obras, que chamamos “Pentateuco Kardequiano”.

           2 - A missão de Allan Kardec, segundo o Espírito “Verdade”, era de dar vida a uma nova doutrina filosófica, científica e religiosa.

           1 - O verdadeiro nome do Codificador do Espiritismo é Hippolyte Léon Denizard Rivail.

         Obs.: Escrevemos as frases com letras diferentes (ou variadas cores) para não dificultar. Cada envelope tinha, na frente, um número correspondente à frase que deveria ser montada.

         Segundo momento: depois de montadas as frases, discutir cada uma em ordem, explicando um pouco da história de Allan Kardec, como começou seus estudos, e, ao falar das obras da codificação, apresentar os livros, esclarecendo do que trata cada um deles.

         Prece de encerramento


Animais, nossos irmãos

Nesta aula você encontra subsídios para o tema ANIMAIS, esses seres espirituais em evolução. Assim como nós, eles são criados por Deus, são nossos companheiros de jornada, merecem ser respeitados e amados por todos.

         O material aqui disponível é a contribuição de vários evangelizadores, que visam, através de suas aulas, esclarecer e sensibilizar as crianças e jovens a respeito desse tema tão importante e necessário à evolução de nosso planeta, de um mundo de Provas e Expiação para um mundo de Regeneração. Você poderá usar ou adaptar as sugestões aqui expostas para todos os ciclos, inclusive para a juventude.

         Prece inicial

         Primeiro momento: iniciar a aula fazendo com que as crianças se sensibilizem com imagens de animais. Pode ser em fotos, recortes de revistas, ou um PowerPoint.

         Segundo momento: contar uma das muitas histórias que envolva o tema animais, abaixo algumas sugestões.

        

A morte do cão Lorde

         José e Chico Xavier possuíam um lindo cão. Chamava-se Lorde.

         Era diferente de outros cães. Possuía até dons mediúnicos.

         Conhecia, nas pessoas que visitavam seus donos, quais os bem intencionados, quais os curiosos e aproveitadores.

         Dava logo sinal, latindo insistentemente ou mudamente balançando a cauda, à chegada de alguém, dizendo nesse sinal se a visita vinha para o bem ou para o mal... Chico conta-nos casos lindos sobre seu saudoso cão. Depois, tristemente, acrescenta:

         — Senti-lhe, sobremodo, a morte. Fêz-me grande falta. Era meu inseparável companheiro de oração. Toda manhã e à noite, em determinada hora, dirigia-me para o quarto para orar. Lorde chegava logo em seguida.

         Punha as mãos sobre a cama, abaixava a cabeça e ficava assim em atitude de recolhimento, orando comigo.

         Quando eu acabava, ele também acabava e ia deitar-se a um canto do quarto.

         Em minhas preces mais sentidas, Lorde levantava a cabeça e enviava-me seus olhares meigos, compreensivos, às vezes cheios de lágrimas, como a dizer que me conhecia o íntimo, ligando-se a meu coração.

         Desencarnou. Enterrei-o no quintal lá de casa.

         Lembramos ao Chico o Sultão, inteligente cão do Padre Germano. Igual ao Lorde.

         Falamos-lhe de um cão que possuimos e se chamava Sultão, em homenagem ao padre Germano.

         Contou-nos casos do Lorde; contamos-lhe outros do Sultão.

         E, em pouco, estávamos emocionados.

         Ah! sim, os animais também têm alma e valem pelos melhores amigos!

Lindos Casos de Chico Xavier – Ramiro Gama



Amor de Mãe!!

         Ela era apenas uma gata de pêlos curtos, sem eira nem beira e sem nome, com cinco filhotinhos, tentando sobreviver nas ruas pobres de um bairro de Nova York.

         Estabeleceu morada numa garagem abandonada e depredada, bastante sujeita a incêndios. Vasculhava a vizinhança procurando restos de comida para poder alimentar-se e cuidar dos filhotes. Tudo isso iria mudar às 6h06 da manhã de 29 de março de 1996, quando um incêndio rapidamente engolfou a garagem.

         A casa dos felinos ficou em chamas. A divisão 175 do corpo de bombeiros foi acionada, e logo o incêndio foi debelado. O bombeiro David Giannelli notou que as queimaduras eram progressivamente mais graves, de um gatinho para outro, alguns tendo esperado mais tempo para ser resgatados, visto que a mãe os carregou um por um para fora do local do incêndio.

         O Daily News de Nova York, na sua edição de 7 de abril de 1996, relatou o seguinte a respeito do paradeiro da gata e do seu desvelo:

         "Quando Giannelli encontrou a gata, ela estava prostrada de dor num terreno baldio ali perto, e aquilo lhe cortou o coração. As pálpebras da gata estavam fechadas de tanto que incharam por causa da fumaça. As almofadas das patas apresentavam queimaduras gravíssimas. A cara, as orelhas e as pernas estavam horrivelmente chamuscadas. Giannelli providenciou uma caixa de papelão onde cuidadosamente colocou a gata e os filhotes. Ela nem conseguia abrir os olhos, disse Giannelli. Mas tocou os gatinhos um por um com a pata, contando-os."

         Quando chegaram à Liga de Animais North Shore, ela estava morre-não-morre.

         O relato continuou:

         "Deram-lhe medicamentos para combater o choque. Colocaram um tubo intravenoso cheio de antibiótico na heróica felina, e, delicadamente, passaram pomadas antibióticas nas queimaduras. Daí, ela foi colocada numa gaiola com câmara de oxigênio para ajudar a respiração, e todo o pessoal da liga de animais ficou em suspense... Em 48 horas, a heroína já conseguia sentar-se. Seus olhos inchados se abriram e, segundo os veterinários, não tinham sofrido nenhuma lesão".

         Para uma gata que tem medo inato do fogo, entrar no local enfumaçado e em chamas para resgatar os filhotinhos que miavam desesperadamente... Entrar uma vez para levar os filhotinhos indefesos já seria incrível, mas fazer isso cinco vezes, cada vez com dores mais intensas devido a queimaduras adicionais na cara e nos pés, é inimaginável! A corajosa criatura foi chamada de Scarlett porque as queimaduras revelavam uma pele cor de escarlate, ou vermelha.

         Quando essa comovente história do grande amor de uma mãe por sua prole foi veiculada ao mundo pela Liga de Animais North Shore, o telefone não parava de tocar. Mais de 6.000 pessoas, de lugares tão distantes como o Japão, a Holanda e a África do Sul, telefonaram para perguntar sobre o estado de Scarlett. Umas 1.500 se ofereceram para adotar Scarlett e seus filhotes. Um dos gatinhos mais tarde morreu.

         Scarlett comoveu o coração de muita gente no mundo todo. Isso nos faz pensar se o coração de milhões de mães hoje, que eliminam o filho antes de nascer, ou por abusos, logo depois que nasce, não sente nenhum remorso diante do exemplo do amor de Scarlett pelos seus filhotes.

         As fotos abaixo mostra o estado em que o local ficou depois do incendio e a gata Scarlett (ainda queimada) com seus filhotes.

     




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