Para citar este texto : silva, Ileizi L. Fiorelli



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SILVA, Ileizi L. Fiorelli. O Processo de Mundialização no Desenvolvimento do Capitalismo: Reflexões a partir de K. Marx (1818-1883) e F. Engels (1820-1895). Londrina-PR: Laboratório de Ensino de Sociologia; Depto Ciências Sociais da UEL, 2001, mimeo. 12 p.

O PROCESSO DE MUNDIALIZAÇÃO NO DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO: REFLEXÕES A PARTIR DE K. MARX (1818-1883) E F. ENGELS (1820-1895)

Profª. Ileizi Fiorelli Silva

Departamento de Ciências Sociais da UEL


Laboratório de Ensino de Sociologia


Introdução

Como explicar o fenômeno da mundialização da economia no modo de produção capitalista?

Dentre as várias abordagens de análise1, acredita-se que retornar à teoria marxiana possibilita a utilização de elementos e categorias esclarecedores do que se tem denominado como um fenômeno novo, ou seja, a “globalização”.

Em primeiro lugar deve-se justificar o termo “mundialização” em substituição ao termo “globalização”, mais difundido na mídia e nas discussões acadêmicas. Ambos os conceitos referem-se ao processo de internacionalização da economia capitalista. Porém o termo “globalização” possui um caráter parcial porque está carregado de ideologia empresarial dos oligopólios americanos e europeus.

Os jornais escritos e televisivos, alguns livros didáticos, as justificativas governamentais para as reformas do Estado (mudanças nas leis trabalhistas, na educação, na previdência social, na saúde, entre outras), as justificativas dos empresários para as demissões em massa e alguns estudos das Ciências Sociais (Sociologia, Economia, Ciência Política, Antropologia, Geografia, História) tendem a demonstrar a “globalização” enquanto um processo inevitável, a que todos os países e indivíduos têm que se conformar e se adaptar.

Só para ilustrar, veja essa citação extraída de um livro paradidático do Ensino Fundamental (5.ª a 8.ª série)2


A Globalização está aí: é um processo que não tem volta. Reagir contra isso seria querer contrariar a ordem natural das coisas. Mas será que ela traz algo de bom para a humanidade? Tudo no mundo, tem seu lado bom e seu lado desfavorável. “ (Strazzacappa; Mantanari, 1998: 42, grifos meus)
A apresentação da “globalização” como um processo inevitável e derivado de leis naturais, tem sido comum na maioria das abordagens mais difundidas e reflete um esforço ideológico de dominação e justificação da hegemonia dos países ricos, sobretudo dos EUA. Chesnais (1996:23) afirma que esse sentido para o referido adjetivo surgiu no começo dos anos 80, nas grandes escolas americanas de administração de empresas, as célebres universidades de Harvard, Columbia, Stanford, etc., sendo popularizado nas obras e artigos dos mais hábeis consultores de estratégia e marketing, formados nessas escolas.

Inspirando-se em Chesnais (1996) (1997), um economista francês, esse artigo pretende discutir a “globalização” a partir das categorias de análise de Marx, instrumentalizando estudos sobre a mundialização e a teoria de Marx em aulas no Ensino Médio. Assim, os professores poderão ensinar aspectos da teoria de Marx já aplicando-a em análises de fenômenos contemporâneos bastante disseminados pela mídia e vivenciados na sociedade. Para esse primeiro exercício elegi o fenômeno da “globalização”. Mas, poderíamos fazê-lo também a partir de outros temas e fenômenos. Por exemplo poderíamos estudar o fenômeno das desigualdades sociais, da violência, do desemprego, entre outros a partir dos conceitos de Marx.

O pressuposto que se pretende desenvolver é o de que é possível e necessário ensinar teorias sociais clássicas aos jovens e adolescentes desde que articuladas aos problemas sociais modernos. Dessa forma, as análises poderão superar o senso comum, já incorporado ao referencial do aluno sobre os mais variados problemas sociais, desenvolvendo habilidades de compreensão a partir de uma base científica.

O texto divide-se em duas partes. Na primeira parte retomam-se as análises e os conceitos desenvolvidos por Marx sobre o Capitalismo e sua característica de internacionalização da economia presente desde a acumulação primitiva na fase do Mercantilismo. Na segunda parte pontua as principais características do processo atual de mundialização3.

1. Os Principais Pressupostos Teóricos de K. Marx.
Para K. Marx, as sociedades podem ser compreendidas a partir da forma como os homens organizam-se para produzir a sobrevivência material, ou seja, o modo como produzem seus meios de vida.

Nas palavras de Marx e Engels (1987:39):

(...) o primeiro pressuposto de toda a existência humana e, portanto de toda a história é que os homens devem estar em condições de viver para poder “fazer história”. Mas, para viver, é preciso antes de tudo comer, beber, ter habitação, vestir-se e algumas coisas mais. O primeiro ato histórico é, portanto, a produção dos meios que permitam a satisfação destas necessidades, a produção da própria vida material , e de fato este é um ato histórico, uma condição fundamental de toda a história, que ainda hoje como há milhares de anos, deve ser cumprido todos os dias e todas as horas, simplesmente para manter os homens vivos.”
É relacionando-se com a natureza e uns com os outros, que os homens buscam suprir as necessidades de sobrevivência, recriando a si próprios e reproduzindo sua espécie num processo continuamente transformado pelas sucessivas gerações ao longo da história humana.

No processo de produção da existência os homens criam os meios de trabalho, organizam a sociedade, estabelecem relações sociais, modificam a fauna e a flora, ou seja, transformam a natureza segundo uma cultura elaborada a partir das necessidades da existência material. Essas necessidades são históricas, pois diferentemente dos outros animais, os homens reelaboram suas necessidades todas as vezes que encontram os meios para satisfazê-las, bem como quando não encontram esses meios. Isso significa que o ato de produzir gera novas necessidades, que não são simples exigências naturais ou físicas, mas históricas, produtos da vida social

A fome é um exemplo interessante, ressalta Marx, pois, saciar a fome comendo carne crua com as mãos é diferente de saciá-la comendo carne assada com garfos e facas. “A produção determina não só o objeto de consumo, mas também o modo de consumo, e não só de forma objetiva, mas também subjetiva. Logo, a produção cria o consumidor.” (Marx, 1973:220)

O trabalho é uma categoria fundamental para a compreensão da sociedade e da história, pois é a principal atividade humana, aquela que constitui sua história social. É, dessa forma, a base do materialismo histórico, o método de análise elaborado por Marx para o estudo das formações sociais em todas as suas dimensões, econômica, política, intelectual, cultural.

Sintetizando esse pressuposto pode-se afirmar que para Marx o estudo das sociedades deve partir da relação que o homem estabelece com a natureza e da relação que estabelece com os outros homens. Essas relações se dão tendo como eixo a reprodução da espécie humana, mas as formas como os homens criam seus meios de reprodução e de sobrevivência não são determinadas apenas pela necessidade física e material, tais formas constituem-se também em maneiras de transformação da natureza e de produção da cultura, e portanto, da história social.

A compreensão da forma de produção humana passa pela apreensão das forças produtivas, que revelam o grau de controle do homem sobre a natureza. Assim, a tecnologia, os instrumentos de trabalho, as formas de fabricação de objetos de consumo, a divisão técnica do trabalho, os processos de produção, a qualidade dos instrumentos, entre outros, compõem o conjunto das forças produtivas.

As forças produtivas são evidentemente o produto das relações sociais de produção, que os homens criam e recriam ao longo da história. Dessa forma, “os homens não são livres árbitros de suas forças produtivas” (Marx), pois elas são forças adquiridas, produtos de uma atividade anterior, de uma geração antecessora.

As relações sociais de produção expressam como os homens se organizam socialmente para produzir. Tais relações são compostas pelas formas estabelecidas de distribuição dos meios de produção e do produto, ou as leis que regulam tal apropriação e pelo tipo de divisão social do trabalho. Assim, em sociedades onde existem classes sociais (a sociedade escravista e a sociedade capitalista, por exemplo) o acesso aos meios de produção e aos produtos é diferenciado de acordo com o grupo social a que se pertence (Quintaneiro et al., 1996: 72). A divisão do trabalho e as formas de cooperação na organização do processo do trabalho visam aumentar a produtividade e expressam modos de segmentação da sociedade, ou seja, desigualdades sociais mais amplas, como, por exemplo, a divisão entre trabalho manual e intelectual. Assim, “a divisão social do trabalho mantém correspondência com a estrutura de classes da sociedade.” (Quintaneiro et al, 1996: 73)

Marx elaborou também o conceito de infra-estrutura e superestrutura para explicar as formações sociais. A infra-estrutura é composta pelas forças produtivas e pelas relações sociais de produção, que se constituem na base sobre a qual as demais instituições são criadas. As ideologias políticas, concepções religiosas, códigos morais e estéticos, sistemas jurídicos, sistemas de ensino, de comunicação, o conhecimento filosófico e cientifico, entre outros formam a superestrutura.

O resultado geral a que cheguei e que, uma vez obtido, serviu de fio condutor aos meus estudos, pode resumir-se assim: na produção social da sua vida, os homens contraem determinadas relações necessárias e independentes da sua vontade, relações de produção que correspondem a uma determinada fase de desenvolvimento das suas forças produtivas materiais. O conjunto dessas relações de produção forma a estrutura econômica da sociedade, a base real sobre a qual se levanta a superestrutura jurídica e política e a qual correspondem determinadas formas de consciência social. O modo de produção da vida material condiciona o processo da vida social, política e espiritual em geral. Não é a consciência do homem que determina o seu ser, mas, pelo contrário, o seu ser social é que determina sua consciência.” (Marx, 1983:17)


Os modos de produção desenvolvidos ao longo da história podem ser apreendidos estudando-se, então, a infra-estrutura e a superestrutura. Assim, o modo de produção é a totalidade da vida econômica, social e política. Marx identificou e tipificou alguns modos de produção nas diferentes etapas da história humana: o comunismo primitivo, o antigo, o feudal, o asiático (nas sociedades orientais), os pré-colombianos (na América do Sul) o capitalista e o comunista. Não via esses “modelos” de forma evolucionista, sucedendo-se linearmente ao longo da história, mas compreendia que o modo de produção capitalista tendia a predominar a partir do século XIX, subordinando e alterando outras formações econômicas existentes no mundo.

A estrutura social das diferentes sociedades não é naturalmente desigual, ou seja, as desigualdades criadas não possuem um caráter natural e imutável. O liberalismo difunde muito a idéia de que os homens são, pela sua própria natureza, competitivos e que os mais capazes vencem os menos capazes, na luta pela sobrevivência, assim, como os animais, numa espécie de darwinismo social.

Marx se contrapõe a isso, uma vez que demonstra que os valores e as instituições sociais são frutos das maneiras como os homens se relacionam com a natureza e se organizam para produzir os bens materiais. Essa forma de organizar a produção é histórica e varia muito de sociedade para sociedade. Assim, as desigualdades sociais não são frutos de uma lei natural e imutável. As classes sociais emergem em sociedades que conseguem produzir um excedente de produção, ou seja, produzem além do que necessitam para sobreviver. Quando esse excedente e os meios de produção (produzidos socialmente) passam a ser apropriados por grupos sociais não-produtores (pessoas, empresas ou o Estado), Marx analisa como uma situação detonadora das classes sociais, da exploração, da opressão e da alienação.

Dessa forma, a explicação para a estrutura de uma sociedade não ocorre identificando as classes através do nível de renda, pois teríamos uma infinidade de classes, como fazem as classificações simplistas de pesquisas variadas, que tentam identificar as classes, através dos bens de consumo existentes nos domicílios, dos salários percebidos, do estilo de vida, entre outros, que são divididos hierarquicamente (classe alta, média e baixa; classe A, B, C, D, E; ricos, remediados e pobres; ricos, emergentes, empobrecidos, excluídos). Para Marx a identificação da classe social é possível verificando os proprietários dos meios de produção (terras, instrumentos, fábricas, capital) e os não-proprietários. Sendo que os proprietários exploram e oprimem os não-proprietários.

As classes sociais fundamentais que corresponderam, segundo Marx:, aos modos de produção, tais como: no modo de produção escravista foram os pares dicotômicos senhores e escravos ou patrícios e plebeus; no feudal, eram os senhores feudais e servos; no capitalista trabalhares livres e capitalistas (burgueses). São essas relações de produção fundamentais, que compõem a infra-estrutura, que indicam as classes sociais de uma determinada sociedade. E é a luta entre essas classes sociais fundamentais que move a história da humanidade.

Até hoje, a história de todas as sociedades que existiram até nossos dias tem sido a história das lutas de classes. Homem livre e escravo, patrício e plebeu, barão e servo, mestre de corporação e companheiro, numa palavra, opressores e oprimidos em constante oposição, têm vivido numa guerra ininterrupta, ora franca, ora, disfarçada; uma guerra que terminou sempre, ou por uma transformação revolucionária da sociedade inteira, ou pela destruição das duas classes em luta.” (Marx e Engels, 1981: 22, grifos meus).


Marx e Engels ressaltam que os donos dos meios de produção são também os donos dos mecanismos políticos e culturais da sociedade. Controlam os bens materiais e espirituais. Assim, a dominação de uma classe sobre a outra ocorre na produção, na distribuição e no controle dos bens materiais e espirituais. As lutas entre as classes sociais ocorrem então em todos os níveis: econômico, político e cultural.

Evidentemente que o desenvolvimento do capitalismo, ao longo do século XX e início do século XXI, tornou a estrutura social bastante complexa e diferenciada em cada país, exigindo um aprimoramento do conceito de classe social, baseado somente na localização dos indivíduos nas relações sociais de produção, ou seja, se proprietários e não-proprietários dos meios de produção. Há uma infinidade de arranjos sociais e econômicos que precisam ser explicados através de outras categorias de análise e a partir de suas relações mais estreitas com as classes sociais fundamentais, trabalhadores e capitalistas, para que compreendamos a estrutura social atual.



1.1. Como K. Marx explica a sociedade capitalista

Marx analisou a sociedade capitalista por considerá-la a forma de organização mais desenvolvida e mais variada de todas já existentes. Obviamente o primeiro critério de estudo é considerar o caráter histórico e transitório do capitalismo. Assim, todas as teorias, principalmente a liberal e em certa medida a positivista, que tendem a naturalizar a sociedade capitalista como a última formação histórica possível para os homens, são questionadas pelo princípio do materialismo histórico de Marx. A Sociedade Capitalista é histórica e transitória. Isso significa que será transformada em outra formação social.

A transitoriedade, ou seja, a mudança da sociedade capitalista está condicionada pela fase de desenvolvimento das suas forças sociais produtivas em relação ao estágio de desenvolvimento das suas relações sociais de produção. As classes sociais fundamentais desse regime econômico estão em luta constante, mas até o momento a burguesia ( os capitalistas) têm conseguido revolucionar os meios de produção e garantir o controle e a propriedade sobre os mesmos. Entretanto os não-proprietários têm imprimido modificações nas formações sociais de cada país a partir desses antagonismos expressos nas lutas sociais.

As principais características do capitalismo são a transformação dos produtos e produtores em mercadoria e a produção da mais-valia (Marx, 1980:76).


A mercadoria é forma elementar da riqueza capitalista. Ela tem a propriedade de satisfazer as necessidades humanas, sejam do estômago ou da fantasia, seja como meio de subsistência ou de produção. Assim, podem ser mercadorias: o sanduíche, as condições de saúde, o show de rock... Por ser útil, diz-se que tem um valor de uso que se realiza no consumo. Coisas úteis podem não ser mercadorias, desde que não sejam produtos do trabalho e não se destinem à troca. A divisão do trabalho é condição para a produção de mercadorias, além de ser uma exigência do processo de aumento das necessidades, gerado pelo desenvolvimento das forças produtivas sociais. “ (Quintaneiro et al., 1996: 85-86)
Por que a mercadoria é um conceito tão importante para Marx? Porque a mercadoria no capitalismo personifica as relações de produção que a cria. Ou seja, como seu valor é medido pelo tempo de trabalho socialmente necessário para sua produção e é a divisão social do trabalho que expressa a organização dessa produção, tendo como um dos seus produtores outra mercadoria (a força de trabalho – o trabalhador) que é comprada pelo dono dos meios de produção, o cálculo do seu valor de troca está condicionado por essa relação de produção. Vale dizer que o valor de uso e o valor de troca são definidos socialmente, ou seja, as necessidades materiais e espirituais, a ciência, o nível de cooperação no processo de trabalho, entre outros são definidos nas relações sociais de produção e no grau de desenvolvimento das forças produtivas, como infra-estrutura social que determina em última instância a superestrutura social.

No capitalismo a força de trabalho é mercadoria negociada por um certo valor, que é definido pelo “valor dos meios de subsistência requeridos para produzir, desenvolver, manter e perpetuar a força de trabalho”, ou seja, tudo o que é necessário para que o trabalhador se reproduza de acordo com um nível de vida historicamente entre épocas e regiões e de acordo com suas habilidades”( Quintaneiro et al., 1996: 87)

Marx diz que o trabalhador deve se reproduzir a si mesmo e a sua família garantindo a perpetuação da categoria “trabalhador”. O capital que compra essa mercadoria não pode ser explicado simplesmente como a soma dos meios de produção, pois, esses é que foram transformados em capital, quando foram apropriados por uma parte dos membros da sociedade. O capital é fruto dessa relação social de apropriação dos meios de produção pela burguesia, que expropriou e concentrou a propriedade.

A ilusão de que o valor da mercadoria força de trabalho é medido de forma equivalente no processo de troca cujo único parâmetro é o mercado garante a estabilidade da sociedade capitalista. A ideologia da igualdade jurídica, em que os homens aparecem como iguais diante das leis, do Estado e do mercado cimenta a visão dos indivíduos na sociedade capitalista e contribui para que o trabalhador submeta-se a essa troca no mercado. Tal ideologia esconde um aspecto fundamental do processo de produção das mercadorias na sociedade capitalista: o valor excedente produzido pelo trabalhador e não repassado a ele, a mais-valia.

O grau de exploração da força de trabalho pelo capital é a taxa de mais-valia. O cálculo é feito medindo-se o tempo de trabalho necessário para reprodução do trabalhador (salário) e o tempo de trabalho excedente, quando o trabalhador cria mais mercadorias, mais valores, que são apropriados pelo capital. Numa jornada de trabalho de 8 horas diárias, o trabalhador produz durante algumas horas valores que correspondem ao pagamento da sua própria mercadoria, a força de trabalho, essa produção é a fração que fica para ele em forma de salário. A maior parte das horas em que trabalha e produz valores e mercadoria, que excedem ao seu salário, não são pagas, ou seja ele não recebe o correspondente a esse valor (veja não é “só” o que costumamos chamar de hora extra - horas que o trabalhador permanece no trabalho para além da jornada contratada - mas, é jornada de trabalho “normal”). Esse trabalho não pago passa a integrar o próprio capital, transformando-se em uma riqueza que se encontrará em oposição à classe dos trabalhadores

O trabalhador não enxerga essa realidade porque está alienado. Estar alienado significa que nas origens da formação das relações sociais de produção capitalista a burguesia foi se apropriando dos meios de produção, que de certa forma pertenciam aos trabalhadores artesãos e camponeses. Quando se inicia o processo de organização das manufaturas na Inglaterra no século XIX, os capitalistas vão alienando os produtores rurais e urbanos dos seus instrumentos de trabalho, expropriando as terras dos camponeses, as ferramentas dos artesãos, etc. Esses trabalhadores expropriados dos seus meios de produção vão tornando-se disponíveis como força de trabalho no mercado. Primeira forma de alienação, então: a alienação dos meios de produção.

Com o desenvolvimento da divisão social do trabalho, cooperação, manufatura e maquinofatura os trabalhadores vão especializando-se em pequenas parcelas da produção das mercadorias. A especialização no processo de produção leva os trabalhadores a perderem o conhecimento geral desse processo e controle do tempo necessário para a realização das tarefas. Perdem o direito à concepção geral da produção e passam a ser apenas executores de pequenas tarefas no tempo e no ritmo imprimido pelo capital. Expropria-se também o saber e o tempo dos trabalhadores. Segunda forma de alienação, então: a alienação do processo de produção, do tempo e do saber.

Como os trabalhadores também não podem se apropriar do que produzem temos a alienação do produto, ou seja, o trabalhador não usufrui do seu trabalho, da sua realização, e não consegue se enxergar na mercadoria que faz. Fica impedido de realizar-se como produtor negando sua essência de criador. O trabalho vira castigo e não realização humana. Essa é a terceira forma e a mais profunda da alienação: a alienação do produto do ponto de vista objetivo (não poder ter) e subjetivo (não poder se reconhecer no produto).4. Sim porque as nossas marcas pessoais aparecem em nosso trabalho e isso nos dá prazer, nos identifica no conjunto da sociedade. Não poder admirar o que produzimos causa um sofrimento psíquico, escondido, reprimido, mas que aprofunda o desencontro com a sociedade, com o trabalho. Aprofunda a alienação.

A contradição entre capital e trabalho está sempre sendo recolocada e administrada de formas diferentes ao longo da história desse modo de produção. A luta pela extração da mais-valia, do aumento do lucro e da reprodução ampliada do capital leva a criação e transformação de vários mecanismos políticos e sociais, assim, a alienação poderá ser aprofundada aumentado-se a jornada de trabalho, intensificando-se o trabalho através de novas tecnologia que otimizam o tempo de produção e impedindo o trabalhador de ter um tempo livre maior. A falta de tempo livre impede o trabalhador de participar de esferas de poder político, de poder cultural e da produção cientifica. Educação e Estado de maneira plena são instâncias que não serão acessíveis ao trabalhador, apenas nas doses definidas pela burguesia. A alienação política e social completam-se impedindo o trabalhador de usufruir dos bens espirituais oriundos do excedente que ele produz.

Marx e Engels no Manifesto do Partido Comunista publicado em 1848, demonstram que a burguesia como classe social dominante, revolucionou e tem que revolucionar constantemente os meios de produção e as relações sociais de produção. Essa classe social tem feito isso desde os tempos do mercantilismo, quando item início a acumulação primitiva de capital, calcada num primeiro momento no comércio europeu e asiático e em seguida na colonização e comercialização da América.

A forma de organizar a produção capitalista tem desde o início um caráter internacionalizante, para poder se sobrepor as formas antigas de produção.

Pela exploração do mercado mundial a burguesia imprime um caráter cosmopolita à produção e ao consumo em todas os países. Para desespero dos reacionários, ela retirou à indústria sua base nacional. As velhas indústrias nacionais foram destruídas e continuam a sê-lo diariamente. São suplantadas por novas indústrias, cuja a introdução se torna uma questão vital para todas as nações civilizadas, indústrias que não empregam mais matérias–primas autóctones, mas sim matérias-primas vindas das regiões mais distantes, e cujos produtos se consomem não somente no próprio país mas em todas as partes do globo.” (Marx e Engels, 1848: 24).

Em lugar das antigas necessidades satisfeitas pelos produtos nacionais, nascem novas necessidades, que reclamam para sua satisfação os produtos das regiões mais longínquas e dos climas mais diversos.

Em lugar do antigo isolamento de regiões e nações que se bastavam a si próprias, desenvolvem-se um intercâmbio universal, uma universal interdependência das nações. E isso se refere tanto a produção material como a produção intelectual. As criações intelectuais de uma nação tornam-se propriedade comum de todas. A estreiteza e o exclusivismo nacionais tornam-se cada vez mais impossíveis; das inúmeras literaturas nacionais, locais, nasce uma literatura universal.

Devido ao rápido aperfeiçoamento dos instrumentos de produção e ao constante progresso dos meios de comunicação, a burguesia arrasta para a torrente da civilização mesmo as nações mais bárbaras.

Os baixos preços de seus produtos são a artilharia pesada que destrói todas as muralhas da China e obriga a capitularem os bárbaros mais tenazmente hostis aos estrangeiros.

Sob pena de morte ela obriga todas as nações a dotarem o modo burguês de produção, constrange-as a abraçar o que ela chama de civilização. Isto é a se tornarem burguesas. Em uma palavra, cria o mundo a sua imagem e semelhança. (Marx e Engels, 1848: 24-25)5
Esse processo de mundialização do capital, diz Marx e Engels é inédito na história mundial pelo grau de articulação entre todas as esferas da vida social e pela rapidez com que se desenvolve em todas as partes do globo. Mas, vejam, Marx e Engels mostram que isso só pode ser explicado pelas relações de produção. Não são o processo de distribuição e circulação das riquezas que explicam a internacionalização da economia. Também não são apenas as tecnologias avançadas (como na época eram a ferrovia, a impressa, os navios, etc.). Essas esferas estão condicionadas pelas relações sociais de produção, cujas as características já indicamos acima.

Dessa forma passamos a pensar, a partir dos pressupostos de Marx e Engels, a tão comentada “globalização” nos tempos atuais.



2. Como compreender o processo de mundialização do capital a partir de k. Marx

Comecemos por discutir algumas idéias muito difundias sobre a “globalização”.

Existe uma explicação bastante disseminada em cursos para empregados de empresas estatais e privadas, na mídia escrita e televisiva, que associa o processo de internacionalização do capital basicamente ao desenvolvimento tecnológico. Dessa forma, a “globalização é fruto exclusivamente das imposições colocadas pela tecnologia avançada, tais como: microelétronica, informática e tudo isso aplicado aos meios de transporte e de comunicação cada vez mais rápidos e sofisticados.

Já vamos adiantar o defeito dessa explicação. O desenvolvimento tecnológico ocorre condicionado pela necessidade de expansão do capital em nível mundial, conforme Marx e Engels já indicaram em 1848. Não é a tecnologia sofisticada que nos obriga ao processo de “globalização”, mas sim o contrário, a “globalização” (sempre lembrando: sob a égide da acumulação capitalista) obrigou a ciência a criar, produzir as novas tecnologias. O defeito é cair no determinismo tecnológico, ou seja, é a técnica que determina o processo, somos subordinados aos ditames da tecnologia. Mas, quem cria a tecnologia? Ou ela é uma entidade sobre humana que paira sobre a sociedade e os indivíduos?

Na seqüência de uma apologia à tecnologia moderna vem a argumentação de que o consumo mundial determina a “globalização”, pois, os indivíduos e as sociedades exigem produtos de qualidade e de procedência diversas, muitas vezes não existentes no país de origem. Assim, o consumidor força a “globalização” da distribuição e circulação dos produtos no mundo inteiro.

Esse fator implica também na distribuição e circulação da mercadoria força de trabalho, pois, para atender ao consumidor exigente as empresas deslocam suas bases produtivas pelo mundo inteiro buscando matéria-prima e condições de produção favoráveis a demanda maior do consumidor: qualidade e preço baixo. Isso está inserido na competição global entre as empresas, que necessitam de maior produtividade, para conquistarem o consumidor estrangeiro e exigente. Daí a ladainha sobre a qualificação dos trabalhadores, a educação dos pobres do terceiro mundo, a urgência de modificação do processo de produção local, etc.

Qual o defeito dessa explicação? Estar centrada na questão da circulação e distribuição dos produtos. Por que? Porque coloca o consumidor como o responsável por toda essa movimentação mundial das empresas e por toda a modificação na organização da produção. Segundo essa explicação é a comercialização dos produtos que promove a “globalização”. Mas, o consumidor global é fruto de qual processo? Que processo o fez desejar produtos internacionais e não os nacionais? É o processo de circulação que criou demandas? A divisão internacional do trabalho, que deslocou empresas e partes da produção de determinadas mercadorias para diferentes partes do globo buscava atender aos ditames da comercialização em primeiro lugar, ou as necessidades do ganho de capital (lembrando que esse depende da extração da mais-valia, ou seja, da exploração da força de trabalho)?

Ao dissociar a “globalização” das necessidades da acumulação de capital, as explicações encobrem os verdadeiros interesses das nações ricas (especialmente EUA) e das empresas transacionais nesse processo. Encobrem, portanto, uma fase de recomposição das relações sociais de produção capitalistas. O conceito de “globalização mais difundido reforça a explicação da sociedade capitalista baseada nas relações de distribuição e no pressuposto de que o capitalismo é fruto de uma lei natural imutável. Não demonstra o caráter essencial das relações sociais de produção do capitalismo, porque a continuidade do sistema depende da alienação e da ilusão dos trabalhadores sobre a igualdade diante do mercado e do Estado.

Chesnais (1996) resgata a visão de Marx nas análises sobre a “globalização”, propondo que a olhemos a partir da história do capitalismo, que suscitou diferentes conjuntos de relações internacionais e internas, modelando sempre a vida social em todas as dimensões, mas tendo como pressuposto encontrar formas de garantir a acumulação do capital. Essas formas de acumulação exprimem diferentes contradições que quando amadurecidas e explicitadas geram novas saídas para a continuidade da acumulação do capital. Então a compreensão da “globalização” está na compreensão dos diferentes modos de acumulação capitalista desde sua origem. Ou seja, é retomando os arranjos elaborados no nível da produção que poderemos entender a “globalização” e não se concentrando exclusivamente no nível da circulação.

Chesnais (1996) propõe então o termo mundialização do capital para criar uma alternativa em relação ao termo americano e inglês “globalização”. Qual a diferença? A diferença é conceptual e metodológica, pois, mundialização está associado aos pressupostos de Marx, portanto, a compreensão da internacionalização da economia parte da compreensão da produção e da acumulação do capital em primeiro lugar. Ou, retomando Marx literalmente, da infra-estrutura. Chesnais (1996) ressalta ainda que esse termo denota a necessidade da criação de instituições políticas mundiais capazes de dominar esse movimento do capital. Diferente do termo “globalização” que tem sido associado a desregulamentação, flexibilização e abertura total aos ditames das empresas transnacionais.

Os estudos sobre a reestruturação na produção indicam que as principais modificações ocorreram nas formas pelas quais o capitalista busca obter o maior aproveitamento possível da força de trabalho, ou seja, do potencial criativo e do tempo do trabalhador, no sentido de aumentar a produtividade. Nesse processo, historicamente, os capitalistas procuram maneiras de organizar a produção que permitam disciplinar a força de trabalho, sendo o taylorismo um modelo cientifico e eficiente na fase concorrencial da cumulação capitalista, mas que já no início do século XX apresenta limites quanto ao aproveitamento máximo da sabedoria do trabalhador. Ford, empresário americano , percebeu que precisaria aperfeiçoar o modelo de Taylor de modo que ocorresse a associação entre a adesão ativa do trabalhador aos propósitos da empresa e a alta intensidade de trabalho nos ritmos das grandes máquinas.

O aperfeiçoamento dos princípios de Taylor gerou o modelo fordista de regulação da acumulação capitalista. Um modelo que foi capaz, sobretudo no pós-guerra, de engendrar um modo de vida para além das fábricas, articulando a produção em massa, a ação do Estado enquanto financiador da produção de força de trabalho e de infra-estrutura material e a ação dos sindicatos dos trabalhadores. Dessa forma, fortaleceu o tripé que deu sustentação a acumulação capitalista nos moldes fordistas: Estado - Empresa – Sindicato.

O contexto do pós-guerra nos EUA e na Europa foi marcado pelo desenvolvimento do corporativismo, consagrando o equilíbrio formal entre os interesses do capital e do trabalho através da prática do planejamento racionalizado da maioria dos aspectos que envolvem a produção da força de trabalho e a produção dos bens materiais. Assim, expandiram-se os sistemas públicos de saúde e educação, bem como as políticas públicas de habitação, transporte, lazer, entre outras. O tempo de trabalho e o tempo de produção da força de trabalho são totalmente controlados pelos gestores sejam das empresas, do Estado, e porque não dizer, dos sindicatos.

Esse período é significativo porque demonstra o totalitarismo inerente ao capitalismo, não apenas como um regime de governo. Na verdade, as versões nazi-fascistas apenas radicalizaram de forma explícita essa tendência, mas não só elas demonstraram o caráter autoritário e totalitário do modo de produção capitalista, as democracias de tipo social-democratas e as experiências de socialismo do tipo capitalismo de Estado também lograram evidenciar esse caráter intrínseco (e não extrínseco) ao capitalismo.

As lutas em diversos movimentos sociais dos anos 50, 60 e 70 em diferentes países revelaram justamente esse caráter totalitário da sociedade moderna, e desejavam construir alternativas a esse modelo social. Então as bandeiras de luta mais recorrentes eram: liberdade, autonomia, autogestão, divisão de lucros, valores mais humanos menos consumistas, descentralização, participação direta na política, entre outras, que muitas vezes foram tentadas na prática.

Essa contradição desenvolve-se ainda mais com o avanço da ciência e da tecnologia que criam instrumentos de produção cada vez mais automatizados e que materializam e incorporam cada vez mais os saberes e as capacidades de produção dos trabalhadores. Assim, a organização da produção consegue dar um salto importante para o objetivo maior do capitalista que é o aproveitamento máximo dos saberes dos trabalhadores, podendo, inclusive diminuir o número deles no interior das empresas daí toda discussão sobre o fim do trabalho, a sociedade da informática, a sociedade do lazer, etc, como novas ilusões no campo da real alienação empreendida na produção.

Dessa forma, os capitalistas podem organizar a produção recuperando e dando outros significados para os anseios dos trabalhadores colocados em suas lutas nos anos 60 e 70 do século XX, ou seja, podem criar tecnologias organizacionais, onde o trabalhador sente-se autônomo, autogerindo seu tempo e tendo seu saber valorizado pela empresa. É claro que a criação das equipes dentro das empresas, que se auto gerenciam e planejam suas atividades se dá no interesse do capital, e acaba por sofisticar o sistema de controle, pois, o próprio trabalhador se auto policia, tornando-se “feitor” de si mesmo.

Esse processo de recuperação dos conflitos associado à diminuição da remuneração pelo capital em meados da década de 70 do século XX, esboça a crise do padrão fordista de acumulação, onde o tripé Estado, Empresa e Sindicato já não garantem mais a expansão de lucros, e as empresas intensificam suas ações no sentido de se fortalecerem independentemente do Estado , criando uma base própria de corporativismo, que extrapole os limites dos Estados Nacionais e fortaleça a articulação a nível transnacional. Chesnais (1997) considera este processo enquanto transição do padrão de acumulação fordista para “regime de acumulação financeirizada mundial”, ou padrão de acumulação flexível.


É na produção que se cria riqueza, a partir da combinação social de formas de trabalho humano, de diferentes qualificações. Mas, é a esfera financeira que comanda, cada vez mais, a repartição e a destinação social dessa riqueza” (Chesnais, 1996:15)
Sob influência da esfera financeira e da preferência pela liquidez, o horizonte temporal de valorização do capital industrial tende a reduzir-se cada vez mais e a alinhar-se, mundialmente, ao que diversos autores norte-americanos caracterizam como “short-termism”. Para a classe operária e as massas trabalhadores, o que o capital tende a restaurar é o regime do “tacão de ferro, como chamava Jck London.
A ascensão do capital financeiro foi seguida pelo ressurgimento de formas agressivas e brutais de procurar aumentar a produtividade do capital em nível microeconômico, a começar pela produtividade do trabalho. Tal aumento baseia-se no recurso combinado às modalidades clássicas de apropriação da mais-valia, tanto absoluta como relativa, utilizadas sem nenhuma preocupação com as conseqüências sobre o nível de emprego, ou seja, aumento brutal do desemprego, ou com os mecanismos viciosos da conjuntura ditada pelas altas taxas de juros.
Todas as virtudes atribuídas ao toyotismo estão dirigidas a obter a máxima intensidade do trabalho e o máximo rendimento de uma mão-de-obra totalmente flexível, à qual se volta a contestar cada vez mais, o direito de organização sindical. ”(Chesnais, 1996:16-17)
A era da acumulação flexível é marcada então, pelo aumento da exclusão social de um grande contigente humano, que fica à margem da dinâmica capitalista e dos padrões mínimos de condições de vida . É impressionante a capacidade do sistema em conviver simultaneamente com formas de vida e de trabalho super modernas e formas de exploração super arcaicas como por exemplo a escravidão, o trabalho de crianças, entre outros.

A naturalidade com que os gestores modernos do Estado e das empresas, em qualquer país, encaram a exclusão da maioria das pessoas faz com que a discussão sobre políticas públicas na área social seja vista como atraso e coorporativismo ou como assistencialismo, redimensionando a noção de direitos e cidadania cunhada nos países de tradição social-democrata, onde existiu e fato o Estado do bem-estar social. A noção de direitos e de cidadania passa agora para a ótica do mercado , despolitizando esses conceitos e reduzindo todo o processo de acesso à condições de vida digna à competição, onde cada indivíduo é responsabilizado pelo fato de conseguir ou não acesso aos bens necessários à sua sobrevivência. É nesse discurso que a “globalização” também é invocada para justificar a possível não integração do indivíduo no mercado de trabalho e nas outras esferas da vida social. Justamente, por isso, que é interessante retomar alguns pressupostos básicos de Marx para analisar a atual fase de dominação capitalista em nível mundial.



BIBLIOGRAFIA

CHESNAIS, François. A Mundialização do Capital. Tradução de Silvana Finzi Foá. São Paulo: Xamã, 1996

CHESNAIS, François. Mundialização do Capital, regime de acumulação predominantemente financeira e programa de ruptura com o neocolonialismo. In: Revista da Sociedade Brasileira de Economia Política. Rio de Janeiro, vol 1, n.º 1, p. 7-34, 1997

MARX, K. Contribuição à crítica da economia política. (Prefácio). São Paulo: Martins Fontes, 1983

MARX, K. Contribuição para a crítica da economia política. Lisboa: Estampa, 1973

MARX, K. Karl Marx: Sociologia. IANNI, Octávio (organizador / Coleção Grandes Cientistas Sociais, n.º 10). 2.ª ed. São Paulo: Ática, 1980.

MARX, K; ENGELS, F. A Ideologia Alemã. São Paulo: Moraes, 1987

MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Global, 1981

QUINTANEIRO, Tania et all. Um Toque de Clássicos: Durkheim, Marx, Weber. Belo Horizonte: Editora UFMG, 1996.

STRAZZACAPPA, Cristina; MONTANARI, Valdir. Globalização: o que é isso afinal? São Paulo: Moderna, 1998



1 Podemos citar como abordagens mais difundidas a liberal, a neoliberal e a social-democrata como teorias políticas, teorias econômicas e ideologias de partidos e governos organizados em vários países.

2 STRAZZACAPPA, Cristina; MONTANARI, Valdir. Globalização: o que é isso afinal? São Paulo: Moderna, 1998

3 Os conceitos de Marx e a discussão sobre o processo de mundialização não são discutidos exaustivamente, bem como não são indicadas todas as polêmicas e debates teóricos de forma mais fundamentada, pois, o objetivo do texto é simplesmente apresentar uma possibilidade de aula para o Ensino Médio. É um texto dirigido aos professores do Ensino Médio, que poderão utilizá-lo direta ou indiretamente com os alunos desse nível de ensino. Ressalta-se ainda que é um texto provisório podendo ser alterado de acordo com as críticas e sugestões dos professores das escolas básicas, dos colegas do Laboratório de Ensino de Sociologia da UEL e outros interlocutores interessados no Ensino de Sociologia para jovens e adolescentes.

4 A Música do José Geraldo intitulada Cidadão expressa bem essa forma de alienação e sofrimento do trabalhador no capitalismo. Só para lembrar “Tá vendo aquele edifício moço. Eu também trabalhei lá....” Em síntese um operário da construção civil ao admirar várias construções em que trabalhou é chamado a atenção e inquirido se estava só olhando ou queria roubar, em outras ele é impedido de entrar, ou seus filhos, etc. É uma música interessante para ser trabalhada em sala de aula com os alunos.

5 MARX, K; ENGELS, F. Manifesto do Partido Comunista. São Paulo: Global, 1981




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