Parábolas uma introdução a palavra "parábola" indica literalmente uma



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PARÁBOLAS – Uma introdução
A palavra “parábola” indica literalmente uma comparação; é um exemplo esclarecedor que ilustra uma verdade qualquer.

A parábola não é uma fábula, que é uma história fictícia e que ensina através de fantasia (animais que falam ou objetos animados).

A parábola, por sua vez, nem sempre usa uma história real, mas a veracidade é sempre possível, ainda que os fatos sejam imaginários. Ela nunca foge da realidade das coisas, mesmo que a ocorrência narrada nunca tenha acontecido.

A parábola também não é mito, pois o mito narra uma história como se fosse verdadeira, mas que não admite nem a possibilidade de ser real.

A parábola também não é idêntica ao provérbio, embora a palavra grega usada seja a mesma para ambos (cf. Lucas 4:23 e 5:36). Ela pode, no entanto, ser considerada um provérbio ampliado, ou o provérbio ser considerado uma parábola condensada ou resumida.

A parábola também não é uma alegoria. A alegoria interpreta a si mesma, tão somente substituindo os personagens reais por outros. Na alegoria os personagens fictícios são dotados das mesmas características das pessoas reais, sem ocultação alguma, nem para ilustrar um fato simbolicamente.

Já a parábola ilustra sim por meio de símbolos, como por ex. “o campo é o mundo” (da parábola do semeador.).

A parábola, então, pode ser entendida como uma história séria, colocada na esfera das possibilidades, isto é, a história contada na parábola poderia ter acontecido realmente, sendo ilustração das coisas comuns aos homens.

Jesus nos ensinou a universalidade do Evangelho, mas isso dentro da particularidade dos judeus. A saída desse meio dos judeus, na providência divina, coube a Paulo mais tarde. Isso trouxe dificuldades pedagógicas ao Senhor, na sua maneira de ensinar.

Jesus ensinou por meio de discursos comuns, na forma de sermões, e também por meio de conversas simples. Mas ele também ensinou por meio de parábolas, o que causou certa confusão. Mc. 4:10-12. A real compreensão das parábolas passa pelo entendimento do mistério do Reino de Deus.

Aliás, como vemos em Mateus 4:17, Jesus começou a pregar dizendo: “Arrependam-se, pois o Reino dos céus está próximo”.

A Bíblia nos ensina que o Reino de Deus é uma realidade espiritual já presente – Rom. 14:17. Justiça, paz e alegria são frutos do Espírito Santo, que Deus dá a seus eleitos, e isso, ensina o Apóstolo, é o Reino de Deus.

Mas ao mesmo tempo, o Reino é a herança a ser dada a Seu povo, quando Cristo voltar em glória – Mat. 25:34. Como pode ser isso, uma realidade espiritual presente e ainda assim uma herança a ser dada na segunda vinda de Cristo?

Outro aspecto que poderia confundir um pouco é que o Reino é referido como o local em que os seguidores de Jesus entraram. – Col. 1:13, que deixa claro que os redimidos já entraram no Reino de Cristo.

Veremos nos estudos das parábolas que elas deixam claro que, de alguma forma, o Reino está presente e ativo no mundo. Veremos a pequena semente que se torna uma árvore. Mas em outro local Jesus diz assim: “meu Reino não é deste mundo.”.

Essa complexidade de ensino na Bíblia levou a inúmeras interpretações sobre o Reino, na história da teologia. Mas há uma solução para o problema. Para isso, devemos responder a pergunta: “Qual é o significado da palavra Reino?”. A resposta moderna a essa pergunta nos faz perder a verdade bíblica.

No dicionário Houaiss da Língua Portuguesa, “reino” é definido como “pais, estado governado por um rei; monarquia.” Ou seja, a idéia é de um domínio aonde um rei exerce sua autoridade, como a Grã-Bretanha ou a Bélgica, que reconhecem um rei como soberano.

Um segundo significado que encontramos no dicionário é “o conjunto de súditos de uma monarquia.”, ou seja, o total da população sob autoridade do rei.

Esses significados modernos nos fazem perder de vista o significado do original grego, e até levou a erros, como o conceito católico romano de identificar o Reino de deus com a Igreja.

A palavra grega usada é basileia, cujo principal significado é graduação, autoridade, a soberania exercida por um rei. Pode secundariamente significar o território no qual essa autoridade é exercida, e pode também significar o povo desse território, mas esses significados são menores, subordinados. Acima de tudo, um reino é a autoridade de direção, a soberania de um rei.

Uma referência no N.T. torna esse significado claro. Lucas 19:11-12: “Estando eles a ouvi-lo, Jesus passou a contar-lhes uma parábola, porque estava perto de Jerusalém e o povo pensava que o Reino de Deus ia se manifestar de imediato. Ele disse: ‘um homem de nobre nascimento foi para uma terra distante para receber uma basileia e depois voltar’”.O nobre não foi receber um estado, uma área territorial sobre a qual ele governaria. Essa área era ali mesmo, a propriedade que ele estava deixando. O problema era que ele não era rei, e precisava de autoridade. Então ele foi buscar “basileia”, ou seja, autoridade, para depois voltar.

Exatamente isso foi o que ocorreu alguns anos antes dos dias do Senhor. Os romanos haviam conquistado a região no ano 63 BC, e pelo ano 40 BC toda palestina estava caótica. Herodes, depois chamado de o grande, foi a Roma e obteve “basileia”, e foi declarado rei. Ele literalmente foi a um país distante receber um reinado.

O Reino de Deus então é o Seu reinado, Sua direção, Sua autoridade. Com isso em mente, podemos percorrer o NT e achar passagem após passagem aonde esse significado é evidente, aonde o Reino não é um território nem um grupo de pessoas, mas a basileia, o reinado de Deus. Jesus disse que devemos receber o Reino de Deus como uma criança (Mc 10:15). O que é recebido? A Igreja? O céu? Não, mas sim o governo de Deus. Devemos nos submeter totalmente, sem reservas, confiantes, a direção de Deus, aqui e agora. Assim como devemos buscar primeiro o Reino de Deus e sua justiça (Mt 6:33), ou seja, o reinado de Deus em nossas vidas.

Seria ótimo se não houvesse mais controvérsias, mas há. Isso porque algumas passagens fazem referencia a um reino futuro, como Mc 9:47. Aqui o Reino é equivalente a vida eterna, que será experimentada após a segunda vinda de Cristo. Mas em outras o Reino é presente, como Lc 16:15, Mt21:31 e Lc 11:52.



Nosso problema então está baseado em três fatos: 1- Algumas passagens se referem ao Reino de Deus como o reinado de Deus. 2-Algumas passagens referem-se a ele como um local. 3- Ainda outras se referem a um local futuro, que será experimentado no retorno de Cristo. Ou seja, o Reino de Deus pode significar coisas diferentes em diferentes versículos, e é necessário ver o contexto para interpretá-los. Mas fundamentalmente o Reino de Deus é o reinado soberano de Deus, o que vale para todos. O Reino de Deus é um lugar na era que há de vir, que popularmente é chamado de céu, mas o Reino é aqui e agora também. Há um território de bênçãos espirituais no qual podemos entrar hoje, e participar das bênçãos do Reino de Deus. É por isso que oramos “venha o teu Reino”!


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