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PARNAMIRIM – RN

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retângulo de cantos arredondados 17


O Conhecimento sobre o Corpo



Frequentemente, pensamos o corpo somente em seu aspecto biológico, como se todo corpo fosse igual, com a mesma natureza, todo mundo igual a todo mundo... Pensar o nosso corpo exige uma amplitude muito maior de pensamento, uma nova forma de enxergar, precisamos entender que além dos aspectos estruturais, anatômicos e fisiológicos, nosso corpo detém de história e cultura. Quase nunca temos explicações sobre o corpo dentro da perspectiva de corpo social ou bio-cultural, normalmente procuramos entendê-lo de forma simples. Pois bem, durante nossas aulas de Educação Física tivemos a oportunidade de compreender que o corpo não é simples de entendimento... Pois para entendê-lo é necessário enxergá-lo de uma forma complexa... ou seja cada corpo tem sua complexidade, seu modo de agir, seu modo de gesticular, seu modo de falar, de comer, de andar, de jogar, de dançar, de expressar... pois cada um é aquilo que a sua história moldou, cada um é aquilo que o seu modo de vida permitiu ser... cada um carrega em si a sua cultura... Conforme vamos vivendo, vamos inscrevendo marcas em nossos corpos, vamos dando sentidos aos fatos e coisas: Desafios, permissões, restrições vão sendo impostos ao nosso corpo.
Cada gesto, cada símbolo vai instituindo significados diferentes em cada pessoa, em cada grupo e neste sentido vai nos diferenciando. Podemos dizer assim: “Sou um pedaço do meu mundo, sou um pedaço de gente e de tanta gente, sou um pouquinho do eu, um pouquinho de tantos outros eu’s ... sou complexo, difícil de se entender, sou diferente não sou igual a você...” De fato ninguém é igual a ninguém temos muitas diferenças... sabemos disso... Sabemos que os corpos são únicos, isto é, singulares, e isto nos levam a compreender que existem diferenças ente os vários indivíduos e, nesse sentido, os corpos podem expressar diferentes formas, de acordo com os vários modos de se relacionar com o mundo. E quantas formas de se relacionar existem? Infinitas...
Mas a grande questão é que não sabemos conviver bem com essas diferenças... Muitas e muitas vezes achamos que nosso modo de agir, de falar, de gesticular, de ver o mundo é o mais correto, o melhor, o mais importante... chamamos isso de etnocentrismo... achar que somos melhores, nosso bairro é melhor, nossa cultura é melhor, nossa nação é melhor são formas de etnocentrismo... Quando não respeitamos as diferenças, as individualidades, repudiamos, rimos, mangamos, ridicularizamos, excluímos aquilo que nos é estranho... aquilo que não faz parte da nossa cultura... Aquilo ou aquele pelo qual não nos identificamos... Isso significa que não entendemos o outro na sua condição bio-cultural... O que é estranho para nós, é descartado e acabamos nos distanciando, negamos a convivência e acabamos por discriminar... Mas nas nossas aulas discutimos por vários momentos que devemos acolher o estranho, o diferente e conviver com ele de maneira harmoniosa... Pois assim como ele nos parece estranho, nós nos parecemos estranho também aos seus olhos. Em nossa história e na sociedade em que vivemos existem muitos exemplos de atitudes etnocêntricas:

o preconceito, o racismo e todas as formas de discriminação estão presentes há muito tempo no mundo. Exemplos disso? Podemos citar vários: temos os negros e índios escravizados, considerados como uma raça menor; temos na história vários ditadores que achavam a sua raça melhor e assim se sentiam no direito de bater, escravizar, matar; temos os EUA que se acha o melhor país do mundo; temos os homofóbicos; Pessoas são chamadas de patricinhas, caretas, paraíbas, gays, nerd´s, vagabundos, etc.. Então em nossas aulas de Educação Física fomos convocados a enxergar o corpo como um elemento que possui infinitas diferenças e estas diferenças não devem ser consideradas como uma ameaça a ser destruída, mas como alternativa a ser preservada... fomos convocados a praticar a empatia, a nos colocar no lugar do outro... para compreender o outro melhor... fomos convocados a praticar a tolerância, relativizar para convivermos com o nosso corpo de maneira harmoniosa com os outros...corpos... entendemos que conviver bem com os outros também é um passo para melhorar nossa saúde...

Falando em saúde nós passamo a enxergar o quanto nossa sociedade se preocupa com os discursos da saúde...Mas o que entendemos é que nem sempre esse discursso tem intenção de promover a saúde... muitas vezes tem por trás desses discursos a intenção de lucrar, chamamos isso de Mercadorização da saúde, ou seja, essa lógica capitalista nos leva a crer que para ter saúde necessitamos consumir muitos produtos: Shakes, comprimidos, chás, suplementos, e até as práticas corporais passaram a ser produtos de consumo... Há um discurso também que associa a prática da atividade física à promoção da saúde. No entanto, ao contrário disso, pesquisas mostram que a busca por um estilo de vida ativo encontra-se, em grande medida, associada ao culto ao corpo, a busca da beleza. Estourou-se uma idéia através de imagens nas mídias que os corpos saudáveis são sinônimo de beleza e as pessoas passaram a buscar algum tipo de atividade física, para fins de entrarem nos padrões de beleza... se preocupando muito mais com a sua aparência que propriamente com sua saúde. A busca pela beleza do corpo é mercado, e muitos de nós temos nos submetidos a este mercado desleal, que de fato querem apenas vender e pouco se preocupa com a saúde. Diante disso pudemos refletir sobre algumas questões como por exemplo: Será que um corpo belo significa necessariamente um corpo saudável?

Como você pode fugir dessa lógica? Como cuidar do corpo sem que para isso seja necessário pagar? A saúde pode estar desligada da lógica capitalista?

A sociedade nos apresenta conceitos e formas de nos comportarmos, que se adequam aos seus interesses (comércio e beleza a serviço do lucro). Quando você define se as pessoas estão fisicamente bonitas ou não, aí está implícita a idéia de corpo ligado às noções de estética e lógica de mercado que comentamos anteriormente. E se você tivesse que olhar de outra forma para o seu corpo, para além da dimensão estética, como seria? Ainda considerando este novo (re)pensar corporal, é importante reconhecer os próprios limites e as próprias possibilidades de praticar uma atividade física sem qualquer padrão pré-estabelecido.

Em nossas aulas discutimos que quando o corpo se submete a esses padrões estabelecidos pela indústria cultural (Mercadorização do corpo e saúde) há uma desconexão consigo mesmo. O corpo perde seus segredos, ou seja, você deixa de atender seus desejos e anseios e passa a atender as necessidades que o mercado sustenta, ou melhor, você passa a precisar do artificialismo dos padrões de beleza e da saúde para encantar. Intensificam todas as iniciativas para a manipulação do corpo em nome de uma beleza e saúde que muitas vezes são inalcançáveis. A mercantilização da cultura e venda de sonhos, ideais, atitudes e valores para a sociedade inteira é comum através de diversas estratégias, a mídia publicitária (programas de TV, Novelas, comerciais, Revistas, Jornais, etc) é a principal delas. Mesmo quem não consome nenhum dos objetos alardeados pela publicidade como se fossem a chave da felicidade, consome a imagem deles. Consome o desejo de possuí-los. Consome a identificação com o “bem”, com o ideal de vida que eles supostamente representam. Por isso compreendemos que é difícil fugir desta lógica...


Passamos a entender que nossa indústria na sociedade padroniza os corpos, os gostos, os desejos, as necessidades para que possam vender seus produtos com mais facilidade e potencia. Enxergamos que com essa lógica nós passamos a valorizar somente o que está padronizado e tudo que foge dessa lógica nós excluímos e aí passamos a praticar as atitudes etnocêntricas: mangamos dos gordos, dos baixinhos, dos cabelos crespos, dos que tem bundinha, dos mais velhos, repudiamos a pele escura, o que não tem zelo com a aparência, com quem não anda na moda... Quão ridículos nós somos...

Nos envolvemos com essa lógica capitalista e deixamos de ser nós mesmos para atender as necessidades do mercado e acabamos nos transformando nos moldes desejados por eles... E ainda desvalorizamos aqueles que aderem aos seus ditames... Fazendo-nos a idéia que devemos agir igual, vestir-se igual, sermos aparentemente iguais... todos sendo iguais e padronizados para eles melhor manipular, vender, lucrar... Vejam a imagem abaixo...



Tendem a tornar a sociedade da igualdade! Igualdade? Será mesmo? O resultado é um sujeito nivelado, enquadrado, padronizado não somente como consumidor, mas transformado em objeto da indústria, onde suas necessidades são modeladas e estimuladas a qualquer custo. É difícil não resistir a seus apelos na medida em que as suas mensagens, como as da propaganda, tocam certas motivações. Padronização nos gostos, desejos, corpos e movimentos! Deve ser por isso que temos medo de enfrentar o diferente, excluímos, nos distanciamos, não queremos conviver com o diferente... Normalmente nosso corpo estranha o desconhecido e expressa medo, desconforto, inquietude diante o desconhecido... Lembram dos lençóis? Quanta inquietação causou trazer o lençol para vivencia corporal com ele... MICO? Fazer gestos e movimentos com o lençol de fato é fora do normal, é estranho, não é padrão.... Então fujo desse desconforto... Dessa coisa estranha... não me permito a viver o estranho...

Então nas aulas de Educação Física fomos convocados a viver o diferente, a despadronizar nossos gestos e conhecer um pouco mais de nós mesmos que a cada dia temos insistido em nos distanciar... Nosso corpo possui tantos segredos que nem nós mesmos conhecemos, pois estamos acostumados a atender a necessidades da sociedade de consumo...



Às padronizações estabelecidas por ela e não percebemos que somos um corpo que tem identidade e possui características ímpares que precisam ser despertadas, afloradas, valorizadas, vividas... Mas para isso preciso me oportunizar a acolher o desconhecido, o diferente, o estranho... Para que possa ter outros pontos de vista... Outras sensações... Outras formas de enxergar o mundo... Fomos convocados a praticar a empatia, a valorizar o outro com suas singularidades e formas de expressão e ampliar nossos limites que nos impede de ir além...
Ingrid Oliveira
“Eu não paro de colocar meu corpo diante do desconhecido: subitamente ele se apresenta e se faz conhecer...” Michel Serres (2003, p.43)

O que somos é presente de Deus; no que nos transformamos é o nosso presente a Ele"

Dom Bosco










ED FISICA

1°Trimestre | Professora: Alyne Rayane, Débora Paz e Jean Hunka.








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