Parque nacional de gorongosa : Reintrodução de búfalos reactiva actividade turística



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Parte dos búfalos chegados da África do Sul ao PNG

PARQUE NACIONAL DE GORONGOSA : Reintrodução de búfalos reactiva actividade turística


A PROCLAMADA área de conservação em 1932 e declarado Parque Nacional de Gorongosa (PNG) em 1960, só depois de 46 anos é que aquela estância turística acaba de conhecer a primeira reintrodução de 54 búfalos do Kruger Park, da vizinha África do Sul. O momento de translocação do primeiro lote dos 1800 búfalos, que ali se pretende que sejam reintroduzidos até 2015, vai ficar na história.

Maputo, Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2006:: Notícias



 

Roberto Zolho, administrador do Parque Nacional de Gorongosa, com ajuda de técnicos sul-africanos, foi instruindo os "homens da pena" que cobriam o acontecimento, sobretudo os da imagem, sobre o seu posicionamento para os devidos registos. O problema de fundo é que qualquer movimento estranho, voz ou sombra do Homem constituiria motivo para os búfalos se enfurecerem e os resultados seriam imprevisíveis. Já na entrada dos três camiões que transportavam os 54 búfalos em contentores na fronteira de Machipanda, o movimento ficou momentaneamente interrompido e vários mirones rapidamente se fizeram presentes. Carlos Pereira, veterinário do PNG, reconheceu que a operação de carregamento foi muito difícil, acontecendo o mesmo cenário no descarregamento que durou seis horas. Depois de todo este processo respirou-se de alívio. "São três machos e 51 fêmeas, que ficarão três dias no curral, 11 dias na área de 30 hectares e, finalmente, até se reproduzirem vão permanecer num santuário de seis mil hectares", explicou o veterinário do PNG. Momentos depois, Chuva Nhanguo, régulo da povoação de Chitendo, sede administrativa daquela estância turística, realizada silenciosamente nas imediações do pátio daquele curral, a segunda cerimónia tradicional consecutiva alusiva ao acto. Simultaneamente, a Maternidade do Posto de Saúde do PNG assistia ao seu primeiro parto, depois de cerca de dois anos desde a sua criação. O bebé foi baptizado com o nome de Chitengo, antigo guerrilheiro da luta de resistência nacional contra a ocupação colonial, que é citado como tendo se transformado, depois da sua morte, num leão. O facto, lembrem-se, foi possível também graças à Fundação Carr, dos Estados Unidos da América, que investiu 670 mil dólares na compra dos animais e na construção do santuário. Este organismo está já a negociar com o Ministério de Turismo um acordo de gestão do Parque Nacional de Gorongosa para um período de 30 anos, devendo investir 36 milhões de dólares norte-americanos. Greg Carr, presidente daquela fundação, acredita que trabalhando directamente com o Governo moçambicano é possível recuperar o Parque Nacional de Gorongosa em 15 anos. Prometeu que, a breve trecho, a sua organização vai importar da África do Sul um efectivo de mais de 500 búfalos para Moçambique, confessando ser pela primeira vez que a sua instituição se envolve, em África, num processo de repovoamento faunístico. O administrador Roberto Zolho entende que com este primeiro repovoamento daquela espécie animal estão criadas as condições necessárias para a atracção de turistas e a arrecadação de mais receitas para os cofres do Estado, apontando haver desafios para contrabalançar a caça furtiva nos próximos cinco anos. Conforme está previsto, vai decorrer ainda este ano, a translocação de 60 zebras, 80 bois-cavalo e 100 impalas, provavelmente do vizinho Zimbabwe.


HORÁCIO JOÃO

Não faltou a cerimónia tradicional de evocação aos antepassados

PARQUE NACIONAL DE GORONGOSA : As projecções para a translocação


AS projecções avançam para a translocação em 2007 de mais 200 búfalos, 400 zebras, igual número de bois-cavalo, 100 cudos e 500 impalas, esperando-se que até 2009 venham a reproduzir-se.

Maputo, Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2006:: Notícias



 

Esta reintrodução de herbívoros vai acontecer sucessivamente até 2015, devendo nessa altura existir 1800 búfalos, duas mil zebras, igual número de bois-cavalos e 1500 impalas. Pela primeira vez, o Parque Nacional de Gorongosa vai contar a partir de 2008 com os primeiros quatro rinocerontes pretos e 30 menzanzes. Neste momento, aquela estância turística conta com uma média de 300 elefantes, 60 búfalos e 30 leões com várias crias. O projecto de translocação de elefantes está em "stand by" porque, conforme explicou Zolho, aquele paquiderme é problemático. Contudo, há precisão de importação de entre 20 a 30 elefantes mansos, que podem ser observados à longa distância para atrair os turistas. Mesmo com este repovoamento faunístico, está assegurado que o conflito Homem/animal não vai constituir motivo de alarme, estando em curso programas de treinamento de fiscais. Habitado por cerca de 15 mil pessoas, em nove comunidades na zona tampão, o Parque Nacional de Gorongosa continua, no entanto, a ser alvo de caça furtiva. Não está previsto qualquer plano de reassentamento, havendo apenas projectos socioeconómicos para a criação de pólos de atracção na zona tampão como na Casa Branca, Mazamba, Nhambita, Mureze e Guinha. Por outro lado, está em vista o processo de zoneamento das comunidades dentro do parque, fruto da experiência adquirida do Parque das Quirimbas, em Cabo Delgado. Com efeito, decorre o levantamento nos distritos circunvizinhos de Gorongosa, Muanza e Cheringoma para a criação dos conselhos consultivos na canalização dos 20 porcento das receitas de turismo comunitário. No ano passado, as queimadas descontroladas destruíram uma área de 90 porcento do PGN. Por este motivo, este ano foram introduzidas queimadas frias para reduzir o impacto das queimadas quentes que possam vir a ocorrer a partir de Outubro próximo. Neste sentido, o Fundo Mundial para a Conservação da Natureza (WWF), um organismo das Nações Unidas está a desenvolver um programa de educação ambiental nas comunidades e cinco escolas primárias de Gorongosa. Desde 2004 estão sendo investidos anualmente 24 mil dólares. Briet Reichelt, coordenadora do projecto, referiu que o apoio da sua instituição é extensivo ao fornecimento gratuito de material didáctico e construção de salas de aulas, educação comunitária contra as queimadas descontroladas, entre outros. William Wright, ambientalista da Fundação Carr, explicou que, a ideia de educar a comunidade contra as queimadas descontroladas partiu do Chefe do Estado Armando Guebuza, aquando do seu último sobrevoo àquela estância, em que o cenário era completamente desolador. Por conseguinte, foram efectuadas demarches junto à Agência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Internacional (USAID) que se predispôs a financiar a educação ambiental comunitária com 200 mil dólares e prometido outros 350 mil para a construção de um Centro de Investigação Ambiental no Parque Nacional de Gorongosa, a partir deste ano. Enquanto isso, a Fundação Carr vai incrementar este projecto durante 30 anos. Com os mesmos fundos vão ser construídos estabelecimentos de ensino na zona de Vinho, casas melhoradas para as comunidades da zona tampão, centro informático, projecções de filmes, entre outros, para além do projecto-piloto de educação ambiental em Kanda, Vindo, Muerenze e Guinha, nos distritos de Gorongosa e Muanza.
HORÁCIO JOÃO

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O repovoamento poderá reactivar a actividade turística (F.Vicente)

PARQUE NACIONAL DE GORONGOSA : Um renascer excitante


Considerado modelo de Moçambique, o PNG tem vindo a experimentar um renascer excitante e a afirmar-se como uma verdadeira reserva selvagem, afamada pela sua enorme beleza e diversidade ecológica. Este parque, que cobre uma área de aproximadamente 3770 quilómetros quadrados, cruza a extremidade setentrional do Sistema Africano de Grande Rift, sendo delimitado a noroeste pelo maciço da Gorongosa, a sul pelo rio Púnguè e a leste pelo planalto de Cheringoma.

Maputo, Quinta-Feira, 10 de Agosto de 2006:: Notícias



 

Poul Dutton, ecologista e consultor da Fundação Carr, defende que aquele local turístico reúne características únicas, tais como as espectaculares escarpas de pedra e cal e o magnífico lago Urema com as suas vastas planícies aluviais. Tem ainda a vantagem de oferecer uma diversidade espantosa de "habitat" naturais desde as vastas zonas espantosas e planícies de savana às matas de miombo de espécies quer do reino animal quer do das aves. Referiu que as cheias e inundações sazonais do vale, que é constituído por um mosaico de diferentes tipos de solos, criam uma diversidade de ecossistemas distintos. Segundo aquele especialista, o PNG possui pradarias salpicadas por áreas de acácias, savana, floresta seca em zona de areias, lagunas enchidas sazonalmente pelas chuvas e moitas nos montículos erigidos pelas térmitas. Aproveitando o envolvimento das populações da região e trabalhando com conservacionistas dedicados, Gorongosa assegurou um futuro sustentável e retomará, certamente, o seu lugar entre as áreas da África verdadeiramente bravias. É assim que, já em Setembro próximo, o PNG vai ser palco de uma investigação científica para possível descoberta de uma vacina contra a peste suína africana, envolvendo especialistas da área, sendo nacionais, sul-africanos, franceses e espanhóis. De acordo com Pereira, o facoceiro abundante naquela estância vai ser utilizado para esta investigação, caracterizando a espécie de ser parasitado por uma carraça mole da peste suína. Os mesmos investigadores já tinham iniciado o estudo no ano passado, devendo apenas, desta vez, analisar as amostras colhidas. Trata-se de uma pesquisa paralela à vigilância epidemológica em curso no âmbito de todo um conjunto de actividades que visam a restauração do Parque Nacional de Gorongosa. A Fundação Carr, segundo Vasco Galante, director de Desenvolvimento Turístico do Projecto de Reabilitação do PNG, associou-se ao Governo moçambicano para proteger e restaurar o ecossistema daquela estância para desenvolver uma indústria ecoturistica em benefício das comunidades. O projecto, no seu plano principal, inclui gestão num modelo sustentável, zoneamento do grande ecossistema e ecologia, retratando uma perspectiva optimista. Trata-se de um desafio considerado exequível na protecção e restauração da biodiversidade e dos processos naturais do ecossistema, alívio da pobreza regional através do estabelecimento de negócios de ecoturismo e de outras influências benéficas do parque. A reabilitação do Parque Nacional de Gorongosa é vista como uma das grandes oportunidades de conservação do mundo actual. Assim, está em curso no terreno a monitorização biológica incluindo contagem dos grandes herbívoros, um levantamento de carnívoros, peixes e um mapa de vegetação. O projectado Centro de Investigação Biológica vai, permanentemente, promover a compreensão científica, formação profissional e criação de postos de emprego. Na visão do nosso interlocutor, o que se pretende é que o ecoturismo pressuponha viagens ao PNG que não causam danos no meio ambiente, beneficiando a população local mediante a criação de empregos e geração de recursos para serviços sociais como escolas ou unidades sanitárias. Vão se privilegiar actividades turísticas de pequena escala e em locais dispersos menos perigosos do ponto de vista ambiental e mais apelativas emocionalmente que os grandes empreendimentos. Espera-se também que as comunidades tenham maior poder de decisão no planeamento, posse e gestão operacional dos projectos.
HORÁCIO JOÃO
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