ParticipaçÃo de pais e comunidade na gestão escolar joão Barbosa Jardim



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Encontro07.08.2016
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PARTICIPAÇÃO DE PAIS E COMUNIDADE NA GESTÃO ESCOLAR

João Barbosa Jardim


Edmilson Vieira da Silva

RESUMO

Este artigo tem por objetivo analisar os novos desafios da gestão escolar frente aos processos administrativos da escola. Por isso, o projeto de intervenção: A Participação dos Pais e Comunidade no Acompanhamento Escolar dos Alunos. Teve como proposta buscar sensibilizar os pais e comunidade nas atividades que a escola desenvolve tanto no que se refere aos eventos, quanto às atividades de aprendizagem específicas de conteúdos de alfabetização e de cada série necessários ao seu desenvolvimento intelectual.

Para tanto, oportunizamos reuniões na escola, atividades com ações de confraternização e recreativas para atrair os pais e a comunidade até a escola. Com isso, é preciso que estando o gestor na função seja capaz de somar forças com a equipe para atrair a participação efetiva dos pais e comunidade na vida escolar dos alunos.

E diante das novas demandas que a escola enfrenta, em um contexto de sociedade que se democratiza e se transforma cotidianamente é fundamental este entrelaçamento de ações coletivas para o sucesso do processo de ensino e aprendizagem. A gestão participativa predispõe a equipe a dividir responsabilidades e compartilhar ações com a finalidade de contribuir para o sucesso do ensino, a partir de uma sistemática de trabalho conjunta entre equipe, família, comunidade no gerenciamento das atividades pedagógicas da escola.

Palavras-chave: democracia, participação, coletivo, gestão.

A prática de gestão participativa é uma experiência que propõe a construção de uma nova forma de administração organizada com o intuito do desenvolvimento da educação de qualidade em que os pais assumam a responsabilidade de matricularem e acompanharem os estudos dos filhos.

A escola pesquisada fica situada em zona rural tem baixo número de alunos funciona com turmas multisseriadas.

O Programa Escola Ativa é uma estratégia adotada com o objetivo de ofertar uma metodologia adequada e de baixo custo, especialmente em escolas multisseriadas situadas em zonas rurais, para redução do índice de evasão e distorção idade/série de alunos de 1º ao 5º ano. A metodologia combina uma série de elementos de caráter pedagógico e administrativo como cantinhos de aprendizagem, governo estudantil, escola e comunidade tendo por finalidade incorporar à sala de aula, família e comunidade princípios norteadores que influenciam a aprendizagem significativa.

A clientela desta comunidade está voltada para os interesses da agricultura e da pecuária e isso implica na emigração de alunos da zona urbana para a rural e vice versa.

Apesar de a maioria dos alunos dependerem de transporte público não há um alto índice de infrequência, mas por outro lado, o índice de transferência e matriculas durante o ano é bem elevado. Como se explica que estando a escola inserida num contexto rural, aja um alto índice de transferência e cancelamento de matrícula dos alunos para a cidade, se os educandos estão na 1ª fase do Ensino Fundamental e o ensino e os projetos desenvolvidos estão voltados a atender a proposta pedagógica da escola ativa no meio rural?

De que forma os pais repassam e demonstram interesse pelo desenvolvimento da aprendizagem de seus filhos e pelo processo de ensino que lhes é ofertado? Com isso, como sensibilizá-los para assumirem sua responsabilidade no tocante ao acompanhamento, incentivo e orientação na aprendizagem escolar de seus filhos?

Como a escola esta ligada ao aprimoramento dos processos de organização de gestão democrática, é fundamental buscar a participação dos pais e da comunidade nos interesses socioeducacionais para o alcance de uma formação escolar adequada e de qualidade.

Os conceitos de gestão democrática e autonomia da escola são tratados com o objetivo de abrir o leque do entendimento sobre essas práticas, ao mesmo tempo em que reforça a análise das práticas administrativas para a sociedade de hoje que precisa aprender a priorizar a democracia e o direito de atuar participativamente dos processos de decisão.

A abordagem do trabalho de gestão com a participação dos diferentes segmentos da escola e da família demonstra as mudanças que se processam na sociedade atual e que a escola tem de acompanhar. É com base nestes novos paradigmas da sociedade democrática, que se fundamenta melhor a compreensão sobre a realidade e os processos que a constroem.

É característica principal deste artigo analisar o papel dos pais no acompanhamento da aprendizagem de seus filhos e no gerenciamento responsável da comunidade local no processo de ensino aprendizagem dos alunos visando uma educação de qualidade para que todos tomem consciência de compartilhar essa responsabilidade no que diz respeito ao estudo e a qualidade do mesmo.

Em nossa observação durante a pesquisa evidenciamos que um dos maiores problemas hoje, na escola publica, é a falta de acompanhamento dos familiares em relação à aprendizagem dos filhos. Isso implica diretamente no que se refere à indisciplina dos alunos em sala de aula. Assim como, na dificuldade dos pais de acompanharem os filhos com as obrigações desses educandos, no tocante às atividades escolares de sala e de casa. Embora saibamos que os alunos têm consciência de seus direitos e deveres como estudantes, eles não se preocupam com o cumprimento de suas responsabilidades estudantis. As atitudes de grande maioria é considerar um favor que estão prestando em ir à escola.

Foi detectado também durante a pesquisa que as escolas, especialmente as dos pequenos centros, ainda estão precariamente instrumentalizadas de recursos didáticos e pedagógicos, áudios visuais e lúdicos que sirvam de suporte para aulas com metodologias diferenciadas que modifique a rotina diária de ensino.

É compreensível que os pais têm pouco tempo com a vida estressante diária de trabalho o que faz com que muitos fiquem sem condições de participar mais efetivamente da vida escolar dos filhos. Mesmo assim, reitera-se a importância da família participar dos processos escolares seja no acompanhamento pedagógico dos filhos, e mais efetivamente nas tomadas de decisões para aplicação dos recursos destinados às ações desenvolvidas pela unidade escolar.

Segundo a constituição federal no seu art. 205:

A educação é direito de todos e dever do Estado e da família, será promovido e incentivo com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania é sua qualificação para o trabalho. (Constituição Federal de 1988/Art. 205).

Contudo a escola assumiu ares de segunda casa e a maioria das famílias transferiu a responsabilidade para os professores em educar suas crianças. È evidente que a escola é responsável por dar continuidade na formação moral, conceitual e atitudinal dos alunos. Mas a base sólida pertence à família que acompanhou as primeiras situações de manifestação de querer e poder da criança.

Fazendo um paralelo sobre a questão dos recursos e a qualidade do ensino, é sabido que as escolas recebem de acordo o quantitativo de alunos que possuem matriculados, o que na maioria das vezes é insuficiente para atender as necessidades. O que consequentemente dificulta a melhoria condições estruturais (cercas ou muros, bibliotecas, pequenos laboratórios, salas suficientes, outros) para a demanda. Como também com relação ao material áudio visual, tecnológico e equipamentos didático-pedagógicos, considerando que muitas escolas têm apenas um mimeógrafo.

Quanto ao recurso humano, muitos professores despreparados, diria até, desamparados tendo que prestar assistência a crianças especiais sem nenhuma qualificação. Somente o fato de se ter uma sala lotada já prejudica o andamento da turma, pois o professor não trata somente com a questão da aprendizagem, ou um detalhe ou outro de falta de atenção. O professor tem que lidar com vários problemas de conduta em sala de aula. Agora, está em sala de aula que demanda atendimento especial sem estar devidamente qualificado e sem nenhum auxiliar em sala é bem mais complicado, sendo que a Lei determina no art. 59, inciso III, que os sistemas de ensino assegurarão aos educandos de ensino especial, professores com especialização adequada em nível médio ou superior, para atendimento especializado, bem como professores de ensino regular capacitados para a integração desses educandos nas classes comuns.

A família deve priorizar a formação com respeito aos valores inerentes a toda convivência social e entre pares. Por isso a escolha deste tema, visto que na família, na sociedade ou escola devemos estar atentos para buscarmos ser capazes de compreender a complexa dialética da convivência social. Para que isso ocorra é necessário que a escola tenha como objetivos:

• Integrar a escola à comunidade para desenvolver uma boa qualidade de ensino.

• Envolver os pais nas atividades e eventos da escola, bem como, propor a participação deles nas ações do projeto político pedagógico.

• Orientar os pais quanto aos direitos e deveres dos responsáveis.

• Proporcionar à comunidade local espaços de discussões para que venha ajudar a ampliar a participação deles nas ações escolares.

• Discutir com os pais e a comunidade caminhos que possam nos levar a solucionar problemas enfrentados na UE.

• Orientar todos de que é dever da família acompanhar a educação escolar do filho.

• Informar a todos de como estão sendo avaliados os seus filhos e como será de grande importância que eles estejam acompanhando essa avaliação.

• Fazer reuniões sempre que houver necessidade buscando a participação efetiva de todos.

• Fazer com que os pais se sintam parte integrante da escola com o compromisso de zelar por ela.

• Conscientizar a todos que devem frequentar a escola sempre, não só nas atividades festivas.

Como pertencente ao contexto da sociedade atual a educação é o alvo principal das discussões e como eixo de formação humana é fundamental que isso ocorra, já que todos os profissionais têm de preparar-se para ingressarem no mercado de trabalho e para isto devem estar devidamente capacitados e ou habilitados seja na escola básica ou técnica, assim como nas universidades e faculdades, instituições, espaços estes que precisam capacitar pessoas possibilitando-lhes prepararem-se para abrir novos horizontes buscando melhores oportunidades profissionais, econômicas e sociais na vida.

Longe de esta pesquisa colocar toda a responsabilidade sobre os responsáveis dos alunos, mas se todos em conjunto, assumirem sua responsabilidade com certeza tudo pode ser conduzido de forma mais tranquila com maiores chances de sucesso.

Embora a sociedade tenha passado por profundas alterações nas últimas décadas, o que produziu grandes modificações na maneira de agir, pensar e ser das pessoas. E apesar de muitas pessoas serem conscientes de seus direitos, e estarem envolvidas pelos valores da democracia e participarem de instituições sociais, pouco defendem seu direito de opinar e intervir na gestão. Por ser a escola uma extensão da sociedade, o que acontece aqui repercuti diretamente lá.

Como a tecnologia permeia todos os campos, as informações ocorrem de forma acelerada e ágil, e as unidades escolares em seus profissionais, especialmente professores, precisam acompanhar as inovações e ter condições mínimas de ofertar a seus alunos uma educação voltada para um ensino que conte com escolas devidamente equipadas e informatizadas que otimize o tempo e a qualidade do trabalho.

Sob esta perspectiva O diretor na gestão da escola, precisa ter uma equipe comprometida sendo importante, a participação dos conselhos escolares para auxiliar de forma democrática a organização do grupo de sistematização dos recursos, selecionando as prioridades para investimento da verba recebida pela escola. O projeto político pedagógico estabelece a missão da escola, ações e projetos, que valores e conteúdos os pais em conjunto com professores consideram relevantes para a formação dos alunos. Este é o papel do conselho escolar intermediar situações que necessitam mediação entre as partes e que seja prático para analisar os pontos fundamentais para a dinâmica da gestão e da qualidade do ensino e aprendizagem escolar.

Outro cuidado necessário é quanto à prestação de contas à comunidade. Que como toda medida de bom senso deve ser feita de forma transparente, e seu planejamento feito em condições democráticas baseadas em ampla conversação com os membros da comunidade e pais para que não ajam dúvidas na participação da coletividade na tomada de decisões sobre a aplicação e controle do dinheiro gasto, e muita clareza com relação à quais ações podem ser atendidas para a melhoria da instituição escolar.


Contribuições e Proposições do Colegiado no Espaço Escolar
O conselho da escola dialoga com a comunidade de pais de maneira que fique claro o tipo de formação e avaliação serão desenvolvidas pela equipe pedagógica e como a Secretaria de Educação dará suporte às escolas no acompanhamento de alunos com algum distúrbio ou déficit de aprendizagem.

É importante também os pais terem conhecimento de como será conduzida a prática pedagógica e que métodos serão adotados posteriormente para que se dêem condições ao professor de efetivar a melhoria do processo de ensino e aprendizagem. Como muitos outros pontos aqui ainda poderiam ser levantados, o principal a ser considerado quanto ao conselho, é sua função, que é fundamentalmente político-pedagógica para argumentar o que é melhor para todos os envolvidos. O colegiado é nada mais que ponto de elo fortalecendo o trabalho do gestor, ligando os seguimentos em torno de um objetivo maior que é a qualidade da escola pública.

Os processos participativos são fundamentalmente complexos. Demandam revisão sobre ações e propostas da hierarquia do sistema (Delegacia e Secretaria de Educação, Escola), dos indivíduos envolvidos (postura de alunos, pais, professores, direção e especialistas), é da função a relação entre os órgãos formalmente instituídos na escola. A institucionalização de espaços de decisão e participação nas políticas públicas e no interior da escola é, por certo, uma vida de formação e aprendizagem individual e institucional. (Mônica Abranches; 2003, p. 41)

Trabalhar em equipe demanda paciência e capacidade de pensar no coletivo, no que é melhor para todos.

Quem são os membros que irão compor o conselho, que funções irão desempenhar as responsabilidades e como funcionará; cabe aos sistemas de ensino e à escola escolher. Para tanto, é importante que se observe o grau de escolaridade, a capacidade de argumentação e a coerência dos membros que o irão compor.

Ele é sem nenhuma dúvida uma ferramenta de grande utilidade para a educação. Pois, prioriza a democracia e a transparência fortalecendo o processo democrático de gestão participativa, colaborando e auxiliando para o alcance da efetiva democracia na gestão. Diferentemente do que muitos acreditam democracia não são pontos comuns de pensamento, mas oportunidades de respeito às diversas concepções, e mesmo assim, conseguirem meios de agirem em torno de um mesmo fim.

O conselho escolar não é tudo, mas é um mecanismo que se bem utilizado serve para investigação dos problemas existentes na escola e em sala de aula. Possibilitando através do levantamento das situações-problemas, colocadas pela equipe escolar, a busca de soluções possíveis para as questões administrativas e pedagógicas. O conselho não é quem aponta as respostas, mas ele deve ser capaz de estimular o grupo escolar a encontrar caminhos para os problemas existentes. Nesse sentido, é importante serem considerados os fatores culturais, sociais, econômicos e políticos relativos ao contexto a que a escola pertence, visto que eles incidem diretamente na educação e cultura de cada povo.

O conselho deve estar atento para orientar a equipe administrativa escolar quanto à qualidade do acompanhamento pedagógico dado aos professores no momento do planejamento para que o que seja ensinado seja coerente e tenha continuidade para desenvolver a aprendizagem objetivada. Mas, para isso, o conselho deve ser atuante, participativo e frequente à escola.

O grupo pode atuar em parceria com todos os seguimentos que compõem a escola - conselho de classe, grêmio estudantil, associação de pais e mestres. Eles precisam agir somando forças, investigando pontos que emperram a qualidade do ensino e dificultam a gestão participativa podem juntos levantar propostas e estudar juntos caminhos que contribuam para a aprendizagem satisfatória.

Ele é um colegiado trabalhando a favor da educação, discutindo propostas, estabelecendo objetivos e delimitando o tipo de educação a ser desenvolvida e que tipo de pessoa quer preparar para viver em sociedade. A existência de um conselho escolar atuante é a garantia de uma democracia participativa e uma educação relevante com professor e aluno, aluno x aluno em interação dialética, discutindo dados e acontecimentos num processo em que o conhecimento passa a ser fruto da construção coletiva.

Especificamente nas experiências participativas, como os órgãos colegiados, não podemos deixar de detectar as implicações ideológicas e qual o nível do juízo de participação dos seus componentes.

[...] mesmo cientes do revestimento ideológico que os processos de democratização possam apresentar, estamos buscando demonstrar que ainda propiciam um aprendizado político para os membros da comunidade, que pode servir para enfrentar essa situação. (Mônica Abranches, 2003, p. 42)

Sendo o conselho um colegiado, trabalha a favor do sucesso do ensino educacional e melhoria da escola, ele oportuniza discussões e propostas de atividades de ensino educacional que estabeleçam os objetivos e delimitem o tipo de educação almejada pelos pais e que atenda às reais necessidades da sociedade atual. Mais do que dar respostas, o colegiado favorece a conscientização política dos processos democráticos que são complexos, mas produzem o amadurecimento da equipe para as formas de trabalho com responsabilidades partilhadas.
A Gestão Participativa na Qualidade da Educação
Diante do complexo contexto da educação atual, é compreensível entender que não basta o professor planejar uma boa aula e transmitir todos os conteúdos necessários possíveis. É preciso entender a clientela, relacionar os conteúdos didáticos aos fatores históricos e sociais, criando momentos de discussão e reflexão para que a aprendizagem seja significativa ao aluno. O professor é simplesmente um mediador neste processo de contextualização do conhecimento e dos acontecimentos do cotidiano. Ele é tão importante que amarra os ligamentos entre os diversos conhecimentos e faz a ponte entre os diferentes conceitos para que a aprendizagem se construa.

As discussões no âmbito das políticas educacionais no Brasil, quanto à qualidade na educação, têm-se confundido com o aspecto quantitativo. E quantidade não denota qualidade é preciso considerar que a educação tem uma preocupação urgente com índices e esquece que em curto prazo ela não acontece. Nem pensar, que camuflando resultados aprovativos conseguirão a necessária qualidade que é a melhoria no desempenho do educando. É o que se confirma nos resultados do ENEM, provinha Brasil, Vestibulares e SAEB. O alto índice de aprovação nas escolas não significa que os alunos estão sendo aprovados por possuírem as habilidades e competências mínimas necessárias para ingressarem nas séries seguintes, nem nas etapas posteriores de estudo.

As reuniões na escola com o conselho devem enfocar questões como as citadas no parágrafo anterior, e considerar que os alunos têm formas e tempos diferentes de apropriação da aprendizagem e de acompanhamento intra e extra-escolares, já que as salas têm um quantitativo de alunos que impossibilitam o acompanhamento individualizado do professor e muitos pais não auxiliam seus filhos nas tarefas de casa. Portanto, um aluno repetir o ano significa mais prejuízos financeiros aos governos que ao seu amadurecimento psicoemocional e intelectual de apreensão de saberes.

É um assunto delicado que todos têm vontade de falar, mas têm medo de serem interpretados de forma equivocada e preferem calar-se. Complicado também é responsabilizar somente os professores e as instituições escolares, há outras partes co-responsáveis como pais, os próprios alunos e o poder público. Os governantes têm maior responsabilidade no tocante ao repasse dos recursos do FUNDEB, formação de professores, e contratação de pessoas, em muitos casos, sem capacidade para atuarem como educadores. É preciso considerar que a sociedade mudou e as atitudes das pessoas com relação à escola também, especialmente das que mais precisam dela para lutar contra as desigualdades e a falta de oportunidades das pessoas menos favorecidas social, econômica, emocional e educacionalmente – os pobres e miseráveis.

A comunidade escolar e o colegiado devem ser criteriosos em sua avaliação considerando o entorno a que a unidade escolar pertence, as condições da escola tanto quanto à parte estrutural, como material. Também com relação aos mecanismos utilizados na gestão democrática e à atuação dos professores no processo educativo, se suas ações didático-pedagógicas são favoráveis a uma aprendizagem significativa e ao bom desempenho escolar do alunado. E que disse que ser professor é fácil? É bem mais complexo que há muitos anos atrás em que o educador repassava os conteúdos e os alunos tinham a consciência que precisavam prestar atenção ás aulas e estudar além da sala para aprender os conhecimentos necessários á sua formação.

Há políticas públicas que visam à melhoria do ensino brasileiro e sendo a escola um espaço de acolhimento e sistematização do ensino, é o local apropriado para criar condições facilitadoras de aprendizagem aos estudantes. E a educação sempre foi e será o caminho mais seguro na preparação do alunado para as oportunidades de uma vida com condições mais dignas.

Segundo Rodrigues (1986:81) a escola como espaço de transformação Social possibilita a todos a compreensão da realidade social, política e econômica do momento vivido pelos educandos; o desenvolvimento de suas habilidades intelectuais e físicas para intervenção nessa realidade, e a posse da cultura letrada dos instrumentos mínimos para o acesso às formas modernas de trabalho.

A escola é um lugar de diferentes idéias e concepções, por isso, local fundamental político para o desenvolvimento da democracia participativa, deve ser meio para uma escalada de ascensão econômico-social e não espaço de reprodução e perpetuação das desigualdades sociais. Ela precisa criar condições para que seus alunos acreditem em sua capacidade de superarem desafios preparando-os para as oportunidades futuras que venham surgir, para o alcance de uma profissão bem remunerada com boas condições de trabalho, ascensão profissional e social.

Outro aspecto importante, sob a ótica geral, para a qualidade do ensino reporta-se ao quantitativo de alunos por sala de aula, grande dificultador do trabalho pedagógico.

É preciso considerar também que a população brasileira está em constante crescimento, pessoas emigram de cidades e estados com frequencia e as escolas não acompanham estas mudanças no seu aspecto estrutural e funcional. Assim como o número de nascimento de crianças tem aumentado significativamente e conseguentemente também a população estudantil.

Compete à gestão escolar estabelecer o direcionamento e a mobilização capazes de sustentar e dinamizar a cultura das escolas, de modo que sejam orientadas para resultados, isto é, um modo de ser e de fazer caracterizado por ações conjuntas, associadas e articuladas. Sem esse enfoque, os esforços e gastos são despendidos sem muito resultado, o que, no entanto, tem acontecido na educação brasileira, uma vez que se tem adotado, até recentemente, a prática de buscar soluções tópicas, localizadas e restritas, quando, de fato, os problemas da educação e da gestão escolar são globais e estão inter-relacionados. Estes não se resolvem ora investindo em capacitação, ora em melhoria de condições físicas e materiais, ora em metodologias, ora em produção de materiais, etc. É preciso agir conjuntamente em todas as frentes, pois todas estão inter-relacionadas.

Em uma escola com gestão democrática, uma equipe participava e engajada, um projeto político pedagógico voltado aos interesses da aprendizagem, com abrangência social e que conte com pais e comunidade parceiros da escola, professor investigador de sua prática e instigador da capacidade do aluno de captar a aprendizagem, são aspectos que favorecem o processo de ensino e aprendizagem ampliando as possibilidades de uma educação emancipadora para toda a sociedade.

Considerando os estudos realizados, a educação emancipadora vem ao encontro de auxiliar as necessidades da escola, pois, focaliza o processo de ensino aprendizagem como sustentáculo das atividades escolares, tem o aluno como um dos elementos básicos, pois a prática educativa inclui a aprendizagem, mas não se limita a ela. Ela considera atributos de uma escola de qualidade como o:

Ser pluralista - correntes de pensamentos divergentes e respeito à diversidade, ao diferente; ser humanista – por identificar o homem como foco do processo educativo; ter consciência de seu papel político com instrumento para emancipação, combate às desigualdades sociais e desalienação dos trabalhadores. (Guttierrez; Rodrigues, 1986, p. 82)

Portanto, a escola de qualidade é pluralista, pois é espaço de valorização das diversas correntes de pensamento, culturas e ideologias posicionamentos cabíveis na dialética do pensamento. Portanto, a educação de qualidade é voltada para o ser social consciente de seu papel dentro da sociedade a que pertence de forma que seja capaz de intervir nos acontecimentos através de sua ação participativa. Na construção de uma sociedade consciente de seus direitos e deveres, com oportunidades e condições dignas de trabalho, saúde pública e educação de qualidade, com acesso ao lazer, segurança e moradia adequados, conforme estabelece a Constituição de 1988.

Os investimentos na educação vêm aumentando, mas a má distribuição e aplicação dos recursos impedem que as melhorias cheguem às escolas que realmente precisam o que é reflexo também do que ocorre com a renda per capta social.

Há muito a ser feito pela educação, visto que as desigualdades de ensino entre as escolas de acordo as regiões são grandes, mesmo quando a Constituição e a Lei de Diretrizes e Bases da Educação estabelecem a universalização do ensino. A escola deve conduzir e selecionar os assuntos a serem discutidos e apreendidos para que o objetivo de desenvolver conhecimentos e atitudes possam de formar pessoas crítico - participativas, que saibam votar, se organizar lutando em prol de mudanças e melhorias sociais para a sociedade com mais oportunidades de emprego, crescimento profissional, intelectual e menos desigualdades entre a população.

A existência de uma equipe escolar e pais atuantes é a garantia de uma democracia participativa e uma educação relevante numa dialética contínua entre professor e aluno. Na interação entre alunos em um processo que o conhecimento passa a ser fruto da construção coletiva.


O Paradigma da Escola sob a Perspectiva da Gestão Participativa
Seguindo o contexto atual da educação brasileira como foco das discussões, a gestão na educação tem recebido muita atenção. As críticas e sugestões de metodologias em gerenciamento de equipes têm sido constantemente utilizadas para apontar falhas e buscar soluções que contribuam para um trabalho conjunto nas escolas públicas.

Sendo a gestão escolar um conceito novo, procura superar o enfoque limitado de administração, para atender à dinâmica da perspectiva de uma gestão que mais do que liderar ações e funções, seja capaz de descentralizar o poder para construção da gestão participativa, rompendo com o autoritarismo, mas não com a autoridade de delegar e dividir responsabilidades utilizando o trabalho partilhado como condição básica e fundamental para a melhoria da qualidade do ensino e a transformação da própria identidade da educação nas escolas brasileiras.

Durante o desenvolvimento das ações realizou-se eventos de integração entre pais, alunos e escola. Realizaram-se ainda, reuniões entre equipe escolar, membros da comunidade local e representantes dos pais para levantamento do grau de satisfação dos pais e comunidade com as ações desenvolvidas pela escola.

As reuniões serviram também para mostrar aos pais o que melhorou com a participação mais efetiva no acompanhamento da aprendizagem de seus filhos. As discussões serviram como base de reflexão sobre o papel de cada um e a importância deste comprometimento.

Ficou claro a todos como é fundamental a Família acompanhar seus filhos no decorrer do processo pedagógico de ensino e aprendizagem como meio de contribuir para o fortalecimento do ensino e a valorização do próprio aluno que se sente amado e incentivado. Os estudos realizados evidenciam que o desenvolvimento de processos democráticos de gestão administrativo-pedagógica requer compartilhamento das responsabilidades nas decisões, que associadas a condições dignas de trabalho e infra-estrutura modificam a realidade que envolve a complexa dialética de gestão da escola no complexo exercício da democracia no espaço escolar.

O presente artigo é um apanhado dos estudos, pesquisa e discussões realizados na prática de gestão participativa iniciada nas escolas.

Os conteúdos estudados reforçam o que a prática já evidencia no espaço pedagógico sobre a complexidade das relações nos momentos em que comunidade e pais têm de assumir responsabilidade junto com a equipe escolar. Compreendeu-se que o Conselho da Escola é um suporte necessário a auxiliar o trabalho do gestor e que composição do colegiado deve ter pessoas que pertençam a cada um dos segmentos da instituição, pais e pessoas da comunidade local. O trabalho coletivo traz consigo alguns contratempos que o diretor tem enfrentar frente ao gerenciamento das atividades escolares, pois as pessoas agem e pensam de forma diferente um dos outros. Mas devem aprender a trabalhar juntos em prol da qualidade do processo de ensino e aprendizagem. E o conselho da escola é um suporte tanto nas atividades administrativas quanto pedagógicas fiscalizando e apoiando a consolidação da gestão democrática participativa para garantia do trabalho coletivo para a educação de todos.

Consideraram-se também as dificuldades dos pais em administrar um tempo entre trabalho e família em virtude da jornada de trabalho, mas ficou claro a todos como é fundamental organizar um horário para auxiliar seus filhos nas atividades da escola.

Concluí-se durante a realização do projeto de intervenção que antes de educarem-se as crianças, é preciso essencialmente reeducar os pais para que venham valorizar o estudo e todos os processos de ensino colaboradores da formação dos alunos.

O artigo ultrapassou o numero de páginas permitido de apenas 15 reveja com urgência retire muita coisa que escreveu e não se refere diretamente ao tema!!



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Ministério da Educaçação/Secretaria de Educação Básica. Conselho Escolar e o respeito e a valorização do saber e da cultura do estudante e da comunidade. Brasília – DF. Novembro de 2004.


PARO, V. H. Gestão democrática da escola pública. São Paulo: Ática, 1997.
SENNETT, R. Respeito: a formação do caráter em um mundo desigual. Rio de Janeiro: Record, 2004.
Constituição Brasileira, edição atualizada, 1999.
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB-9.394/96).
Plano de Desenvolvimento da Educação. Razões, Princípios e Programas Ministério da Educação (MEC). Governo Federal.
Progestão. Caderno de atividades, Módulo II, VI, VII. Brasília, 2001.
Abranches, Mônica. Colegiado Escolar: espaço de participação escolar – São Paulo, Cortez. 2003(Questões da Nossa Época; 102).
Conselhos Escolares: Implicações na Gestão da Escola Básica/Flávia Obino Corrêa Werle. Rio de Janeiro: DP&A, 2003.
Gestão Democrática da Educação: Atuais Tendências dos Novos Desafios/ Naura Syria Carapeto Ferreira. Editora Cortez, São Paulo, 2003.


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