Partidos Políticos Partidos de Elite



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Partidos Políticos

Partidos de Elite

Este tipo de partidos é comummente designado por partidos de elites, englobando uma série de concepções de vários teóricos. Max Weber (1864-1920) apresentou este tipo de partido como Partido de Notáveis, Maurice Duverger descreveu como Partidos de Quadros ou de Comité e Sigmund Neumann os Partidos de Representação Individual.
Podemos classificar estes três tipos como um todo, pois cada um apresenta uma vertente dos partidos de elites: os Partidos de Notáveis de Weber demonstram a composição social do partido, os Partidos de Quadros ou de Comité demonstram a composição da estrutura organizativa e os Partidos de Representação Individual, de Neumann, apresentam o tipo de representação.
Tendo em consideração a definição de partidos políticos, os Partidos de Elites são os primeiros partidos, a serem considerados como tal, a emergirem no inicio do século XIX na Europa Ocidental.

Numa época em que se presenciava à existência de um Parlamentarismo Liberal, foi necessário a criação de organismos para gerirem e participarem na vida política da época. A nível social verificava-se a afirmação do poder da classe burguesa na sociedade e a dominar a sua presença no poder político.

A existência de um Sufrágio Restrito implementado e uma fraca competição eleitoral na sociedade foi relevante para o modo como foram moldados este tipo de partidos.
São partidos que apenas têm preocupações políticas relegando as questões doutrinárias e ideológicas para segundo plano.


  • Partidos de Notáveis

Max Weber apresenta uma definição de partidos políticos1 que, até aos nossos dias, é aceite com importância para este tema.

Este, no tema dos partidos, apresenta variados tipos de características que os partidos poderiam ter. A destacar a sua definição de Partidos de Princípios e Partidos de Patrocinato.

O partido de princípios tem como base uma concepção ideológica e doutrinária da sociedade e da humanidade, sendo a sua acção é regida por princípios filosóficos e abstractos. Este tipo de partidos acaba por degenerar para os partidos de patrocinatos devido ao processo de burocratização, uma vez que existe um crescente número de cargos políticos que levam à disputa, logo, á vontade de posse de um desses.

O tipo seguinte destaca-se por ser um género de partido que não tem em conta compromissos morais fortes nem uma acção política definida. Este elabora o seu programa partidário observando o eleitorado e aproveitando o que parece ser mais apelativo aos eleitores. O partido de patrocinato objectiva apenas a divisão do poder para si e para os seus principais apoiantes, de modo a perpetuar o seu poder nos órgãos políticos.
A nível social do partido, Weber descreveu o partido dos notáveis como o partido que pretendia angariar para si membros que tivessem relevo na sociedade, os membros “notáveis”. Poderiam ser médicos, professores universitários, gentes abastadas ou clérigos que não considerassem a política como a sua principal função, meio de subsistência. Era um tipo de partido estritamente parlamentar e aristocrático, que tinha uma estrutura organizativa informal incipiente. Considerava-se que o estatuto do “notável” ou a sua capacidade económica eram os factores que pendiam na confiança do eleitor para com este.



  • Partidos de Quadros ou de Comité

Maurice Duverger analisa os partidos de elites, principalmente, pelo prisma da sua composição da estrutura organizativa. Este verifica que os partidos de elites são organizados em Comités ou Caucus. Define-se comités como um conjunto de comunidades de pequenas dimensões, espalhados por todo o país, ao actuar numa zona territorial ampla, com a principal função de aproximação do partido com a sociedade. Estes são independentes e descentralizados. São constituídos por membros recrutados entre as elites sociais tradicionais, constituindo assim um tipo de comunidade de acesso restrito. Os partidos de quadros não têm como objectivo o recrutamento massiva mas sim qualitativo.

Estes funcionam de um modo semi-sazonal, pois todos os seus esforços são direccionados para a época das campanhas eleitorais. Fora desta época as suas acções são quase inexistentes.

A nível local não existe nos comités nenhum laço de tipo organizativo horizontal ou vertical




  • Partidos de Representação Individual

Singmund Neumann e a sua tipologia de partidos veio demonstrar ser revolucionária, pois deu realce ao tipo de funções exercidas pelos partidos.

Os partidos de representação individual tem origem numa época de sufrágio restrito e onde a concorrência partidária era contida. Este tipo de partido consistia na selecção dos notáveis para concorrerem ao parlamento e depois de serem eleitos gozavam de um mandato imperativo, devendo apenas seguir a sua consciência e julgamentos pessoais. Cada deputado tinha total independência nas suas acções. Estes não necessitavam de ter em conta com a opinião pública porque essa “ficava à porta do parlamento” mas apenas “o que a sua consciência ditava”.

Este tipo de partido foi, posteriormente, associado ao tipo de partidos de patrocinato, de Max Weber, porque a “regalias” que este tipo de representação apresentavam era apetecíveis, logo levava a uma grande luta entre políticos para obtenção de lugares no parlamento.

Após a análise destas concepções podemos considerar que:



  • Os partidos de elites eram restritos, privilegiando a filiação de membros pertencentes á elite social.

  • A nível de estrutura organizacional eram considerados organizações embrionárias e fracas. Devia-se ao tamanho dos comités, que não necessitavam de uma estrutura rígida devido á sua pequena dimensão. Mas em contraponto a sua autonomia era grande e os organismos centrais do partido não tinham muita autoridade sobre eles, regra geral.

  • As suas funções limitavam-se á conquista do poder através da época de eleições. As suas funções com a sociedade são reduzidas ao mínimo.

  • A sua legitimidade era adquirida através do seu estatuto na sociedade. Os cidadãos confiavam nestes devido á posição que estes ocupavam ou ao valor dos seus recursos financeiros.




1 A definição foi apresentada na Introdução do trabalho.

A.C. Magalhães, A.S. Nunes, C.E. Alves




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