Passado em Los Angeles num futuro próximo



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Passado em Los Angeles num futuro próximo, Ela (Her) segue Theodore (Joaquin Phoenix), um homem complexo e sentimental que ganha a vida escrevendo cartas pessoais e comoventes para outras pessoas. Inconsolável após o fim de um longo relacionamento, ele se interessa por um novo e avançado sistema operacional que promete ser uma entidade intuitiva e única como nenhuma outra. Logo após instalado, ele tem o prazer de conhecer “Samantha”, uma voz feminina vibrante (Scarlett Johansson), perspicaz, sensível e surpreendentemente engraçada. À medida que as suas necessidades e os seus desejos crescem, juntamente com os dele, a amizade se aprofunda e acaba se transformando num amor um pelo outro.

A partir da perspectiva singular do cineasta indicado ao Oscar®, Spike Jonze, chega Ela (Her), uma história de amor original que explora a evolução — e os riscos — da intimidade no mundo moderno.


Escrito e dirigido por Jonze, o drama romântico é estrelado pelo indicado ao Oscar®, Joaquin Phoenix (O Mestre [The Master]), Johnny & June [Walk the Line] e Gladiador [Gladiator]), a indicada ao Oscar®, Amy Adams (O Mestre [The Master], Doubt), a indicada ao Oscar®, Rooney Mara (Millennium – O Homem Que Não Amava As Mulheres [The Girl With the Dragon Tattoo]), Olivia Wilde e Scarlett Johansson.

Ela (Her) foi produzido por Megan Ellison, Spike Jonze e Vincent Landay. Daniel Lupi, Natalie Farrey e Chelsea Barnard foram os produtores executivos.

O filme reuniu Jonze com o desenhista de produção K.K. Barrett, o montador Eric Zumbrunnen e o figurinista Casey Storm, que já haviam trabalhado juntos em Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are), Adaptação (Adaptation) e Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich). Juntam-se a eles, o diretor de fotografia Hoyte Van Hoytema (Tinker Tailor Soldier Spy) e o montador Jeff Buchanan (Tell Them Anything You Want: A Portrait of Maurice Sendak, da HBO, codirigido por Jonze). A trilha foi composta pela banda Arcade Fire, com música adicional de Owen Pallett.


SOBRE O FILME
THEODORE:

Estou com uma garota. É bom estar com alguém

que curte o mundo. Eu esqueci que isso existia.
O roteirista e diretor Spike Jonze contribui com seu estilo e seu ponto de vista singulares para esta história sobre um relacionamento moderno, Ela (Her), um filme que traz uma visão heterodoxa acerca da natureza do amor.

“Um dos aspectos mais desafiadores de um relacionamento é a verdadeira intimidade e ser realmente sincero, e permitir que a pessoa você ama faça o mesmo”, afirma ele. “Estamos mudando e crescendo o tempo todo, então, a questão é: como você lhes dá a liberdade de ser quem são, momento a momento, dia a dia, ano após ano? Quem eles vão se tornar e você ainda continuará os amando?”

E mais: eles continuarão amando você?

Essas são algumas das questões e ideias que surgem quando Theodore traz para casa um sistema operacional computadorizado de última geração controlado por voz… e conhece Samantha.

“Ele é anunciado como um sistema intuitivo que ouve, compreende e conhece você”, afirma Jonze.

Uma inteligência artificial altamente sofisticada, Samantha se mostra imediatamente calorosa e compreensiva. Ela logo revela um viés independente, um senso de humor apurado e uma habilidade para chegar à verdade das coisas, bem como uma extensão emocional cada vez mais rica. Assim que inicia a sua existência, ela progride rapidamente, assim como o relacionamento deles, afirma Jonze, “progride de uma assistente a uma amiga de confiança e confidente, e daí para muito, muito mais”.

Jonze coescreveu a adaptação cinematográfica de Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are), de Maurice Sendak, com Dave Eggers, e, em 2010, escreveu o curta-metragem de 30 minutos, I’m Here, que estreou no Festival de Cinema de Sundance, mas Ela (Her) é o primeiro longa-metragem do qual ele é o único roteirista.

Não é surpresa que ele tenha escolhido explorar a natureza humana do amor através da ligação entre um homem e a consciência desencarnada do seu sistema operacional (SO). Seu trabalho sempre foi sinônimo de inovação, desde a época como diretor de videoclipes revolucionários e documentarista a triunfos criativos como Quero Ser John Malkovich (Being John Malkovich), Adaptação (Adaptation) e Onde Vivem os Monstros (Where the Wild Things Are).

Para Joaquin Phoenix, que estrela como Theodore, a história é “impressionante”. Embora, à época, ele estivesse envolvido naquele que se tornaria um desempenho indicado ao Oscar® em O Mestre (The Master), ele relembra: “Sempre que podíamos, o Spike e eu conversávamos sobre o roteiro e os personagens, e foi ótimo ver tudo se desenvolvendo”.

“Eu confio nos instintos dele. Se ele sentir qualquer hesitação diante de alguma coisa, eu sei que é preciso analisar isso mais a fundo”, afirma Jonze, que procurou o ator uma semana após terminar o roteiro. “Depois de cinco minutos conversando com ele, eu pensei: ‘Eu amo esse cara. É esse quem eu quero ser no filme’. Joaquin traz tanto sentimento e sinceridade ao papel. Embora Theodore guarde tanta tristeza, ele também está aberto à alegria e a brincadeiras, num contraste muito legal. Joaquin traz tudo isso ao seu desempenho — e mais”.

Programada para aprender e evoluir por conta própria, Samantha se encanta com cada nova experiência e sempre quer mais. Ao mesmo tempo, ela começa a trazer à tona o que há de melhor no Theodore. “Embora tenha acesso a todas as informações do mundo, ela cria cada pensamento e resposta para o momento”, conta Scarlett Johansson, que estrela como Samantha. “Ela não tem visões predeterminadas. Então, mesmo diante de toda a sua profundidade, há também uma inocência e uma abertura”.

À medida que a consciência de Samantha se desenvolve, a do Theodore também. Ele a leva em passeios pela cidade, pelas montanhas, à praia e a inclui em sua rotina diária e, graças aos pontos de vista dela, ele passa a enxergar esses lugares familiares de um modo que nunca tinha visto antes. Ele começa a ver a si mesmo de modo diferente também, o que o diretor cita como um dos marcos do início de qualquer romance: “Você mostra à outra pessoa modos diferentes de se olhar as coisas, que é o que se espera quando você se apaixona e está amando — ter a companhia de alguém cujo ponto de vista o emociona e inspira, e que faz você olhar a si mesmo de um jeito diferente”, afirma ele.

Sofisticado, mas extremamente pessoal, Ela (Her) passa do drama e desilusão a momentos de reflexão e altos romances à relação naturalmente cômica entre os dois protagonistas.

Phoenix e Johansson, junto com Jonze, encararam o desafio de imbuir Samantha, que nunca é vista na tela, com a plenitude e a presença que ela merece. “Há tantas facetas em Samantha”, comenta Jonze. “Ela precisa ser sincera, mas engraçada, inteligente e controlada, e também sexy e intrigante, enquanto se desenvolve de modo convincente enquanto um ser emocional, e tudo isso se deu através da interpretação da Scarlett”.

Johansson relembra: “Foi um processo muito fluido. Algumas vezes, o Joaquin e eu gravávamos juntos; em outras, eu trabalhava com o Spike, mas sempre houve um grau de espontaneidade na descoberta das nuances da personagem e do relacionamento”.

“Todos da produção estavam decididos a tornar tudo íntimo e realista”, acrescenta Phoenix, que comentou que até a atmosfera durante as filmagens não foi o foco usual de atividades que podem comprometer o foco de um ator. “Nada foi típico neste filme, do roteiro ao trabalho com a Scarlett e ao clima no set, e tudo isso fez da filmagem uma experiência fantástica”.

A ideia de Ela (Her) já vinha se delineando na mente de Jonze há anos. “A centelha inicial”, relembra ele, “foi um artigo que vi online há cerca de 10 anos sobre um sistema de mensagens instantâneas com uma inteligência artificial. Eu o acessei e disse, ‘Olá’, e ele respondeu, ‘Olá’. ‘Como vai você?’ ‘Bem. E você?’ Nós mantivemos uma breve conversa e eu senti uma agitação inicial do tipo, ‘Uau, eu estou conversando com essa coisa, essa coisa está me ouvindo’, e aí a ilusão rapidamente se dissipou e eu percebi que ele estava repetindo coisas que tinha ouvido antes e que não tinha inteligência, era apenas um programa engenhoso. Mas aquela excitação inicial foi emocionante. Ao final, me ocorreu a ideia de um homem que está tendo um relacionamento com uma entidade desse tipo, mas que fosse uma entidade com uma consciência plenamente formada, e o que poderia acontecer, e eu usei isso como um modo de imaginar essa história de amor”.

Uma vez escrito o roteiro, sua execução rapidamente adquiriu vida própria. Além de escrever e dirigir o filme, Jonze também o produziu com seu parceiro de longa data, o produtor Vincent Landay e com a produtora indicada ao Oscar®, Megan Ellison. Segundo Jonze, “Megan é muito impressionante. Ela tem opiniões claras e um gosto claro e está construindo uma companhia de cunho pessoal e íntimo. Ela está fazendo algo muito especial”.

Da mesma maneira, Ellison comenta: “Trabalhar com Spike tem sido uma experiência fenomenal e apreciada. Ele é um cineasta extraordinariamente generoso e compreensivo cujas contribuições à cultura são muito vastas, variadas e brilhantes. A sua capacidade de ser divertido, emocional e intelectualmente profundo tanto no trabalho quanto como pessoa nunca deixa de me impressionar”.

O trabalho em Ela (Her) reuniu os talentos de vários colaboradores frequentes de Jonze, incluindo o desenhista de produção K.K. Barrett, o montador Eric Zumbrunnen e o figurinista Casey Storm. Esta também é a primeira vez que o diretor trabalhou com o diretor de fotografia Hoyte van Hoytema, acerca de quem ele afirma: “O que me agradou em especial acerca do Hoyte foi a sensibilidade da sua abordagem. Eu queria que o filme tivesse um clima íntimo, romântico e táctil, e ele realmente lhe deu uma sensibilidade sofisticada e poética.

“Trabalhamos com muitas ideias sobre a tecnologia e o mundo no qual nós vivemos, o isolamento, bem como as ligações que isso acaba criando e o modo como estamos mudando enquanto sociedade”, afirma Jonze. “Mas à medida que eu escrevia a história, eu sempre acabava utilizando esses temas apenas como pano de fundo. O conceito sofisticado sempre ficava em segundo plano diante do relacionamento entre Theodore e Samantha. Todas as cenas são baseadas na realidade do casal. Nós queríamos analisá-lo como um relacionamento entre dois indivíduos e, através dele, criar uma história que analisasse o amor e os relacionamentos da forma mais complexa e a partir do maior número de ângulos possíveis”.

“Eu queria tocar em algumas dessas necessidades e medos, os julgamentos e as expectativas que trazemos a uma relação; as coisas que nós não queremos admitir ou coisas que nós fingimos que não precisamos, mas sempre precisamos; as maneiras pelas quais nos conectamos uns com os outros, ou como tentamos nos conectar e falhamos”, continua ele. “Nós queremos ser conhecidos, mas, ao mesmo tempo, tememos ser conhecidos”.

“Samantha foi criada para evoluir”, afirma ele. “E uma vez que ela que se põe em movimento, uma vez que todos nós nos pomos em movimento, não há limite para até onde isso pode nos levar e para quem iremos nos tornar. Se você se apaixona por alguém, esse é o risco que você corre”.

ELENCO E PERSONAGENS
THEODORE:

algo de muito bom

em se compartilhar a vida com alguém.
SAMANTHA:

Como se compartilha a vida com alguém?

O desafio foi apresentar uma história de amor em que os espectadores só podem ver uma das duas pessoas envolvidas. “Havia uma única maneira de fazer isso funcionar, e ela dependia inteiramente do Joaquin e da Scarlett. São os desempenhos deles que fazem essa ligação e tornam o amor entre Theodore e Samantha algo que os espectadores podem realmente sentir”, afirma Jonze.

“Deixar a câmera parada no rosto do Joaquin e vê-lo escutando a Samantha e ver seu amor por ela na sua expressão facial — para mim, esse foi um dos aspectos mais emocionantes do filme”, continua o diretor. “Ele está mostrando não só o que o seu personagem sente, mas também ajuda a torná-la real através do modo como interage com ela”.

“Nós nunca tratamos esse relacionamento como nada além de um relacionamento real”, acrescenta Phoenix.

Igualmente vital é o modo através do qual Johansson expressa a crescente consciência de Samantha unicamente através da sua caracterização vocal que começa de modo simples e se desenvolve até incluir sentimentos ricos e implícitos de alegria, esperança, compaixão, confiança, ciúmes, dúvida, frustração, medo.

Para Johansson, “foi uma sensação tremendamente libertadora poder criar uma personalidade sem os limites nem as expectativas de qualquer aspecto físico. Foi libertador”.

Paralelamente ao relacionamento romântico com Samantha, o filme também examina as repercussões do fim do casamento de Theodore com Catherine, uma neurocientista bem- sucedida, interpretada por Rooney Mara. “De início, o Spike me achou jovem demais para interpretar Catherine, mas eu batalhei muito pelo papel”, relembra Mara. “É uma história tão forte. Ela levanta muitas questões interessantes, não apenas sobre os relacionamentos, mas sobre quem somos e como nós interagimos uns com os outros. Eu a adorei e quis muito fazer parte dela”.

Ainda torturado pelas lembranças da ex-mulher, Theodore está tentando aceitar o que houve e por quê.

“Há alguns flashbacks de alguns dos momentos mais importantes entre Catherine e Theodore, então, você tem uma noção da sua história, da sua vida como um casal e de como as coisas mudaram”, afirma Mara.

Enquanto isso, outra mulher na vida do Theodore, sua melhor amiga, Amy, interpretada por Amy Adams, parece seguir um caminho paralelo, enquanto enfrenta o fim do seu próprio casamento por circunstâncias diferentes. “A personagem da Amy chegou a um ponto no seu casamento em que ela tentava se adequar aos padrões de outra pessoa e não estava sendo autêntica, e isso vinha lhe causando um grande estresse”, explica Adams. “Acho que quando você age assim, isso atrofia seu crescimento emocional e intelectual. Uma das coisas que a Amy e o Theodore têm em comum é que ambos estavam tentando fazer algo que não estava dando certo.

“É maravilhoso explorar a verdadeira amizade entre homens e mulheres desse jeito, sem qualquer outra conotação ou insinuação”, afirma ela. “Amy quer estimular Theodore a superar o momento no qual ele se encontra, mas, ao mesmo tempo, ela faz isso de uma maneira muito delicada, pois reconhece a sua vulnerabilidade”.

“Spike se interessa pelas pessoas e se interessa pelo ponto de vista feminino e por aquilo que move as mulheres, emocionalmente, e por isso, temos personagens como Amy, Catherine e Samantha”, acrescenta Adams. “Ele dedicou muito tempo e energia nos ajudando a entender essas pessoas e suas ligações com o Theodore. Eu creio que todos vão enxergar alguma coisa nesses personagens que refletirão quem são e o modo como eles lidam com seus relacionamentos”.

Completando o elenco de protagonistas, Olivia Wilde estrela como uma promissora, mas temperamental candidata em um encontro às escuras com Theodore numa cena impressionantemente vívida. Na superfície, essa mulher é a candidata ideal: bonita, inteligente, bem-sucedida e aparentemente perfeita, mas, no fundo, a história é outra. “Ela tem tudo, mas entretanto, é alguém traumatizada”, afirma Wilde. “Ela se deixa levar pelos seus medos: medo diante do tempo que corre no seu relógio biológico, medos pelos próprios fracassos e quanto para onde ela se dirige. Ela tem um vazio semelhante ao do Theodore e está desesperada para preenchê-lo. Com tanta bagagem, ela forma um contraponto interessante com Samantha, que não tem bagagem alguma”.

Propositalmente, Wilde não se encontrou com Phoenix antes de filmar a cena. “O Spike quis nos manter separados até aquele momento a fim de preservar a energia nervosa de um encontro às escuras, então, eu me senti mergulhando numa piscina — o que foi bem emocionante, e isso é divertido para qualquer ator”, afirma ela.

O elenco coadjuvante do filme também inclui Chris Pratt no papel de Paul, o tranquilo colega de trabalho de Theodore que convida Theodore e Samantha para se juntarem a ele e à sua namorada de carne e osso num encontro com os dois casais, mas que não se deixa abalar nem um pouco quando é informado de que Samantha é um SO; e ainda Matt Letscher no papel do marido dogmático de Amy, Charles.

CRIANDO A LOS ANGELES DOS NOSSOS SONHOS
THEODORE:

Ei, você quer viver

uma aventura neste domingo?

A história se desenrola numa Los Angeles elegantemente recriada e evoluída de modo otimista — um cenário familiar o suficiente para que se pareça real, mas diferente o bastante para parecer ligeiramente inatingível.

“Nós nunca especificamos, de fato, em que época estamos”, afirma Jonze. “Desde o início, decidimos que não nos interessava prever o futuro nem apresentar uma visão de como o futuro deveria ser. O que era importante era criar um futuro que parecesse adequado a essa história”.

O que ele imaginou foi “um tipo de ambiente utópico em que o tempo é bom, a comida é maravilhosa, tudo é bonito, confortável e feito com materiais de qualidade, os tecidos são macios e ricos, e é simplesmente um lugar bom e convidativo para se viver. A tecnologia se sofisticou e nos proporciona ainda mais serviços que tornam as nossas vidas mais fáceis e melhores”.

“Um lugar onde tudo é limpo e colorido”, acrescenta ele, “me pareceu um cenário interessante para a solidão e a desconexão, que é o tipo de mundo que nós criamos para o filme e onde encontramos o Theodore quando a história começa”.

O produtor Vincent Landay começou cedo a pré-produção. “Enquanto o Spike escrevia, já tínhamos uma equipe de pesquisadores pelo mundo recolhendo referências visuais da arquitetura moderna”, afirma ele. “Quando ele concluiu a primeira versão preliminar do roteiro, nós já tínhamos reunido centenas de imagens para que ele analisasse com K.K. Barrett, o nosso desenhista de produção. Isso deu a eles uma ferramenta visual consolidada na realidade à qual eles podiam recorrer enquanto definiam a sua visão do futuro”.

Ajudando a compor o visual e o clima, Barrett empregou uma série de ajustes sutis naquilo que ele chama de “um futuro que está bem próximo em vez de um tempo distante no futuro que deslumbraria o público com todas as mudanças. Muitas vezes, só é preciso alguns conceitos ligeiramente alterados para lançar uma outra luz sobre a nossa sociedade. Nós estamos em Los Angeles, então, eu pensei: ‘Vamos retirar os carros. Como seria se não houvesse o trânsito visível? E se o metrô chegasse até a praia? Você embarcaria em Hollywood e desceria na areia. Você poderia fazer uma viagem de fim de semana a um chalé na neve num trem-bala de alta velocidade”.

Los Angeles sem carros? Isso exigiu muita liberdade poética e imagens de uma cidade em diversos estágios de desenvolvimento — e os cineastas descobriram um bom trecho disso no distrito relativamente novo de Pudong, próximo a Xangai, onde as passarelas elevadas mantêm a linha de visada dos pedestres bem acima do zumbido distante dos veículos que não são vistos.

“Grande parte de Pudong foi construída nos últimos 12 anos”, afirma Jonze, que examinou outras possíveis locações, incluindo Dubai, Hong Kong, Pequim, cidades na Alemanha, e Cingapura antes de encontrar aquilo que procurava. “Ela tem arranha-céus, as ruas são retas e largas, os prédios são espaçados e tudo é novo em folha. Era uma combinação mágica de elementos que funcionavam, com muitas construções recente. E Los Angeles é uma cidade que tem tudo a ver com o ‘novo’. Parecia que se a cidade se desenvolvesse nessa direção, é assim que ela se pareceria”.

Combinar os arranha-céus chineses com os do sul da Califórnia envolveu a magia da arte digital. Entretanto, como afirma Jonze, “não há muitos efeitos visuais no filme. Nós acrescentamos prédios e apagamos placas de um panorama urbano para o outro, e há um videogame holográfico que o Theodore joga na sala da sua casa, mas, em geral, não é um filme cheio de efeitos, sobretudo para algo que se passa no futuro”.

Do mesmo modo, os cineastas procuraram locações reais sempre que possível. Segundo Landay: “Nós estabelecemos como prioridade criar um ambiente no qual atores fiquem à vontade e isso inclui a atmosfera do set e o próprio set em si. Contar com um apartamento ou com um escritório real ajuda a dar mais realismo à cena e também se adequa melhor à estética de Spike do que um cenário de estúdio com o uso do chromakey. Para tirar o maior proveito disso, nós procuramos locações de interiores que tivessem bastante luz natural. Isso criou um desafio extra de se programar as filmagens em função do sol e da lua e para K.K., que teria de transformar esses espaços e estruturas já existentes”.

Os Los Angelinos identificarão muitos pontos de referência autênticos, entre os quais o histórico Píer de Santa Mônica, onde Theodore e Samantha curtem uma noite divertida, e o estiloso Pacific Design Center, que serve de entrada para o prédio residencial de Theodore.

Por toda parte, a arte e o conforto abundam. Parques no alto de arranha-céus convidam as pessoas a se deterem por mais um tempo e a apreciarem a vista. Fiel ao tom geral do filme, Barrett afirma que até a propaganda não é intrusiva: “São sobretudo imagens grandes em câmera lenta com um mínimo de texto, algo discreto que atrai o espectador pelo mistério da imagem e sem que ele seja bombardeado com propagandas”.

Num nível mais pessoal, ele decorou o escritório e a casa de Theodore visando o conforto e a eficiência, com alguns itens simples e de boa fabricação — sobretudo nos aparelhos que Theodore usa para se comunicar com Samantha. “Este não é um futuro de severidade, mas sim de detalhes personalizados”, explica ele. “Eu adoro o modo como as canetas tinteiro e as carteiras porta-cigarros foram desenhadas nos anos 1940, as pequenas agendas telefônicas de couro, a sensação de um isqueiro Zippo na sua mão, coisas que são arcaicas no uso, mas eternas no design. Então, pegamos o detalhe desses belos objetos e os aplicamos a algo que você usa muitas vezes ao longo do dia: o seu telefone. Até no desenho dos equipamentos tecnológicos, eu evitei novos materiais, enquadrando os monitores dos computadores como se eles fossem fotografias de arte. Esses dispositivos devem servir como um elo para o contato humano. Eles precisavam ser simples, para que a atenção do espectador se prenda à voz”.

Finalmente, afirma ele, “eu sempre tenho um termo específico para cada filme que se liga às imagens. Desta vez, o termo foi ‘vermelho’. Nós espalhamos toques de vermelho por todo lado”.

Do mesmo modo, o vermelho também se reflete nas escolhas dos figurinos pelo nosso figurinista, Casey Storm. “Nós achávamos que o futuro deveria ter muita cor e que deveríamos explorar isso. O escritório do Theodore é uma loucura de cores, vidros coloridos e coisas assim”, afirma ele.

Assim como Barrett, Storm procurou um esquema de design que sugerisse um futuro sem ser futurista. Ele e Jonze revisaram os mais diversos estilos, a partir de fotos e peças que Storm reuniu de brechós. Reconhecendo a natureza cíclica da moda, afirma ele, “nós decidimos que fazia sentido voltarmos no tempo, incorporando uma gama de elementos e estilos de décadas diferentes, juntando-os para criar algo novo”.

Vestir os homens com calças de cós alto foi uma homenagem consciente à evolução da moda feminina nos últimos cem anos, aplicada ao vestuário masculino. “Se analisarmos os estilos femininos dos anos 1920, 30 e 40, vendo como eles migraram para uma cintura mais alta, eu gostei da ideia de casar uma cintura mais alta com calças de boca fina e afunilada”, continua Storm. “Nós experimentamos isso com o Spike e ficou bom. Depois, tentamos com o Joaquin e funcionou muito bem”.

Para o Theodore, Storm escolheu um visual natural e confortável dentro de uma paleta limitada de cores, explicando: “Ele não ia querer que as suas roupas o fizessem se destacar. Além disso, é uma pessoa de hábitos, então, tende a se vestir sempre com os mesmos tipos de coisas. Joaquin participou da definição dos figurinos desde o início de todo o processo e foi muito participativo. Algumas vezes, ele teve ideias para o seu personagem que não tinham me ocorrido, e sugeria uma camisa ou uma calça nas quais eu não tinha pensado”.

A exemplo do desenho de produção, tudo teve a ver com os detalhes e as diferenças. “Por exemplo”, cita Storm, “no mundo empresarial, os homens sempre usaram ternos desde que podemos nos lembrar, então nós não podíamos nos afastar drasticamente disso. Em vez disso, nós mantivemos os ternos, mas eliminamos as gravatas ou as lapelas, ou ajustamos as suas proporções — nada revolucionário nem que chamasse atenção demais para si, mas apenas o suficiente para dar a impressão de ser ligeiramente diferente”.



A TRILHA
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