Patologia hepática



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ANO LECTIVO DE 2004/2005

ANATOMIA PATOLÓGICA GERAL — BIOPATOLOGIA
AULAS PRÁTICAS

PATOLOGIA HEPÁTICA


Os processos lesionais que afectam o parênquima hepático são de natureza muito diversa, compreendendo patologia degenerativa, patologia inflamatória/infecciosa e patologia neoplásica.

A doença hepática alcoólica contribui para uma proporção importante da patologia do fígado, exprimindo-se sob a forma de três quadros lesionais mais importantes: esteatose; hepatite aguda alcoólica e cirrose. As duas primeiras formas de doença hepática alcoólica podem desenvolver-se de forma independente ou sequencial. Na doença hepática alcoólica há lesões sub-celulares dos hepatócitos que, quando presentes, podem auxiliar no esclarecimento da etiopatogenia do processo lesional: megamitocôndrias, corpos hialinos de Mallory (agregados irregulares de filamentos intermediários de citoqueratina) e balonização/clarificação citoplasmática.

As infecções víricas são causa de doença hepática que se exprime sob a forma de hepatites agudas e hepatites crónicas. As primeiras são geralmente auto-limitadas e só excepcionalmente justificam a realização de biópsia hepática. Os vírus da hepatite B (VHB) e da hepatite C (VHC) são os principais agentes responsáveis pela hepatite crónica vírica (o risco de evolução para hepatite crónica é particularmente elevado na infecção por VHC: ≥ 75% dos casos evoluem para hepatite crónica). Na infecção por VHB podem identificar-se hepatócitos com inclusões citoplasmáticas de aspecto esmerilado ou em vidro-fosco (aspecto descrito na literatura anglo-saxónica como citoplasma em "ground-glass"). Este aspecto é devido à acumulação de antigénio de superfície do VHB (AgHBs). Na infecção por VHC não se identificam inclusões víricas. A hepatite crónica vírica pode evoluir para cirrose e carcinoma hepatocelular.

As neoplasias hepáticas compreendem neoplasias benignas e malignas. De entre as primeiras, as mais frequentes são os angiomas (neoplasias benignas de vasos sanguíneos). As neoplasias hepatocitárias benignas são os adenomas hepáticos que caracteristicamente se desenvolvem em mulheres em idade fértil, frequentemente submetidas a terapêutica hormonal (anovulatórios).

As neoplasias malignas mais frequentes são as metastáticas (metástases de carcinomas do tubo digestivo − nomeadamente do cólon − da mama e de outros orgãos). O carcinoma hepatocelular (hepatocarcinoma) é a neoplasia maligna primária mais frequente nos adultos (nos países ocidentais desenvolve-se geralmente em fígado cirrótico). Nas crianças, a neoplasia maligna mais frequente é o hepatoblastoma.

ASPECTOS MORFOLÓGICOS DE PATOLOGIA HEPÁTICA
. Doença hepática alcoólica

Doc 1 (Histologia) – Doença hepática alcoólica em homem de 45 anos com história de ingestão de álcool (aproximadamente 100g/dia). Note que os espaços porta estão expandidos por fibrose e infiltrado inflamatório discreto. Nos hepatócitos observa-se esteatose (predominantemente macrovesicular), megamitocôndrias e alguns corpos hialinos de Mallory.



. Doença hepática vírica

Doc 2 (Histologia) — Hepatite crónica por vírus da hepatite B (VHB) em homem de 30 anos. Note que os espaços porta estão expandidos por infiltrado inflamatório de tipo linfocitário. Em localização intralobular há alterações necro-inflamatórias discretas e identificam-se hepatócitos com citoplasma homogénio e eosinófilo, com retracção periférica (aspecto em “vidro fosco” ou “vidro esmerilado”, descrito na literatura anglo-saxónica como “ground-glass”).

Docs 3 e 4 (Macroscopias) — Fígados com cirrose. Note que há transformação nodular universal do parênquima.

Doc 5 (Histologia) — Cirrose hepática por vírus da hepatite C (VHC) em mulher de 50 anos com história de transfusão de sangue. O fígado tem arquitectura nodular. Os nódulos parenquimatosos são envolvidos por septos fibrosos onde se identifica infiltrado inflamatório de tipo linfocitário.



. Neoplasias primitivas e secundárias do fígado

Doc 6 (Histologia) —Hemangioma cavernoso em mulher de 45 anos. Note a presença de estruturas vasculares tortuosas e anastomosadas, com eritrócitos no lúmen.



Doc 7 (Histologia) — Carcinoma hepatocelular em homem de 55 anos. A neoplasia apresenta áreas de arquitectura trabecular/sólida e outras de estrutura acinar. Algumas células neoplásicas são pleomórficas e multinucleadas. Há necrose extensa e identificam-se sinais de invasão vascular.

Docs 8 e 9 (Macroscopias) — Metástases hepáticas. Note a presença de múltiplos nódulos tumorais dispersos no parênquima. Numa das peças os nódulos são pigmentados (metástases de melanoma).


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