Paul Bodier e Henri Regnault Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra Gabriel Delanne (1857 1926)



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Capítulo I

A vida e a ação


Três homens, na França, mereceram, por seu devotamento à Ciência Espírita, serem chamados “Apóstolos do Espiritismo”. São eles: Allan Kardec, Léon Denis e Gabriel Delanne.

Apenas este último nasceu numa família que conhecia e praticava, desde vários anos, o Espiritismo.

Allan Kardec tinha 51 anos quando começou a se ocupar com as mesas girantes e Léon Denis viveu 16 anos sem ter ouvido falar de Espiritismo.

François-Marie-Gabriel Delanne nasceu em Paris, Rua do Caire, 21, em 23 de março de 1857.

Seu pai, Alexandre Delanne e sua mãe, Marie-Alexandrine Didelot, tinham uma modesta loja de artigos de higiene.

Alexandre Delanne viajava para seus negócios e sua esposa dirigia a loja.

Durante suas viagens, o pai de Gabriel Delanne ouviu um dia, em Caen, falar de Espiritismo pela primeira vez.3

Era domingo, no Café do “Grand Balcon”.

Perto dele, dois desconhecidos mantinham uma conversa, no meio da qual um deles afirmava a existência dos espíritos e sua comunicação possível com os vivos.

Alexandre Delanne não pôde evitar de zombar dele, mas, longe de se zangar, aquele a quem criticava lhe explicou rapidamente o que era o Espiritismo e lhe disse que um pensador, Allan Kardec, havia fundado, em Paris, uma sociedade espírita e aconselhou a leitura de certas obras escritas por esse homem.

De volta a Paris, alguns dias após, Alexandre Delanne contou essa conversa a sua esposa. Esta, já mais espiritualista, aconselhou-o a adquirir os livros recomendados.

Foi então que ele fez a leitura de O Livro dos Espíritos e de O Livro dos Médiuns. Esses volumes interessaram profundamente Alexandre Delanne, que desejou conhecer o autor.

Acolhido fraternalmente por Allan Kardec, que morava então na Passagem Santa-Ana, foi convidado a assistir a uma das reuniões da sociedade recém-fundada.

O convite foi aceito com alegria. Numa noite de quarta-feira, Alexandre Delanne e sua esposa assistiram a uma sessão bem interessante e, na mesma ocasião, quiseram saber se algum deles possuía mediunidade.

“A exemplo do Mestre – escreveu mais tarde Alexandre Delanne –, dirigimos uma curta, mas fervorosa oração ao Ser Supremo e, sentados, minha mulher e eu, com o lápis numa folha de papel em branco, aguardamos, ansiosos e plenos de emoção, que o espírito quisesse manifestar-se.

De repente – ó maravilha! –, a mão de minha querida esposa se agitou. Movida por uma força invisível, traçou rapidamente linhas em ziguezague, depois palavras apenas esboçadas, através das quais, todavia, três bem legíveis brilhavam diante de nossos olhos estupefatos:

“Crede, orai, aguardai.”

Alexandre Delanne residia, então, na Rua Saint-Denis, na Casa dos Banhos São Salvador.

“Foi lá – escreveu ele (fins de 1889) – que fundamos nosso Grupo. Naquele lugar, durante dez anos, abrimos nossas portas e nossos corações a todos os homens de boa vontade.

Durante todo o tempo desse longo e laborioso período de proselitismo, não quisemos aceitar a colaboração de ninguém, apesar de nossa humilde e modesta posição social, a fim de conservar nossa inteira independência para dirigir nossos trabalhos e ter assim a maior liberdade para receber e instruir os neófitos.

Foi bom, porque jamais qualquer confusão, qualquer desordem perturbou nossas sessões.” 4

A mãe de Gabriel Delanne tornou-se rapidamente uma excelente médium escrevente mecânica.

Não podemos deixar de assinalar uma passagem do Voyage au Pays des Souvenirs (Viagem do País das Recordações), publicado por Alexandre Delanne, na revista O Espiritismo.

“Quantas mães – escreveu ele –,5 quantos filhos, quantos pais encontraram a esperança, reconhecendo seres que eles supunham para sempre perdidos! Quantas almas corroídas pela dúvida encontraram, enfim, seu caminho de Damasco.

Diante de semelhantes resultados, são esquecidas facilmente as lutas, as penas, as amarguras, as fadigas, os combates de toda sorte, suportados em face dos notáveis sucessos.

Quão belas recompensas morais pelo pouco de bem que se pôde fazer!...”

Citemos alguns fatos.

Numa noite de reuniões, nosso amigo Ledoyen, antigo livreiro do Palais Royal, membro da Sociedade Espírita de Paris, nos mandou dois estrangeiros que recebemos por sua solicitação.

Esses senhores assistiram à reunião como simples curiosos.

Naquela noite, a Sra. Potet, médium escrevente, obteve, mecanicamente, uma comunicação que não conseguiu ler.

Os hieróglifos passaram de mãos em mãos, mas dentre todos nós ninguém pôde decifrá-los, quando um dos dois visitantes pediu para ver a comunicação.

Qual não foi o seu espanto e o nosso, quando o desconhecido nos disse que aquela comunicação estava redigida em idioma piemontês, que ele ficou no dever de nos traduzir.

Convém destacar que esse fato típico impressionou seriamente os dois estrangeiros, porque nos pediram eles com insistência, no fim da reunião, lhes conceder uma sessão particular, isto é, recebê-los reservadamente, o que lhes foi concedido.

Em 30 de agosto de 1862, compareceram ao encontro e nos entregaram seus cartões de visita, sem qualquer qualificação.

“Para nos convencer melhor – disseram eles –, desejamos dirigir a um espírito que conhecemos uma evocação mental.”

Concordamos com o pedido; apenas combinamos que, para maior segurança, ele fosse feito numa folha de papel de modo claro e não vago.

Eles se submeteram a essa exigência e escreveram sua evocação em língua estrangeira.

Colocou-se o papel, dobrado em quatro, ao pé da lâmpada.

A Sra. Delanne apanhou sua caneta e o espírito escreveu mecanicamente as seguintes frases:

“Vocês me perguntam porque me opus, durante minha vida, à publicação do livro de Charles Albert, apesar de seu talento.

É que ele combatia os abusos do clero do qual eu fazia parte.

Eu o lamento e sofro por isso. Orem por mim.

Vosso cardeal, hoje um simples espírito.

Reservem o título de Eminência a um mais eminente do que eu”.



Assinado: Lambrousquini.”

Logo que terminou a comunicação e antes de ser dada a conhecer, pedimos a esses senhores para nos lerem o pedido escrito, que se achava sob a lâmpada.

Ei-lo, textualmente:

“Pedimos ao espírito de sua Eminência, o Cardeal Lambrousquini, que nos diga por que se opôs à publicação do livro que Charles Albert devia publicar.”

Nossos visitantes ficaram estupefatos com essa irrecusável prova de identidade.

Alexandre Delanne aproveitava todas as suas viagens para fazer uma propaganda intensa em favor do Espiritismo.

Era, portanto, normal que a família Delanne formasse adeptos fervorosos e pode-se citar entre eles o Sr. e a Sra. Pierre Potet, que foram assim iniciados muito rapidamente, graças à mediunidade da Sra. Delanne.

Tal era o meio no qual nasceu Gabriel Delanne. Seus pais o educaram, por conseqüência, segundo o ensino moral do Espiritismo.

Desde sua infância, foi familiarizado com vocabulário espírita e assistiu, desde cedo, a numerosas e bem interessantes sessões.

O pai de Gabriel Delanne foi o primeiro a falar do Espiritismo em Béziers, mais tarde tornado um centro espírita importante.

A Sra. Ducel, presidente do Lar Espírita de Béziers e nossa colega na Comissão da União Espírita Francesa, nos narrou sobre isso uma recordação interessante.

“Alexandre Delanne, no decorrer de suas viagens, ficava no Hôtel des Postes, quando ia a Béziers.

Sentia-se contente em narrar que seu garoto, de sete anos, foi um dia interrogado sobre a profissão de seus pais.

Com uma encantadora ingenuidade, Gabriel respondera:

“Papai? Ele é espírita e mamãe também. Ela é uma boa médium. Espero, um dia, assim como minha mãe, poder honrar a minha fé.”

A Sra Ducel tornou-se espírita pela leitura do livro de Gabriel Delanne: O Espiritismo perante a Ciência.

Conheceu o autor somente em 1913, no Congresso de Gênova, e em seguida uma grande amizade nasceu entre eles.

Por vezes, no curso de suas conversas, a Sra. Ducel evocava, diante de Gabriel Delanne, a recordação de seu pai.

Ela lhe perguntou um dia se ele se lembrava de sua resposta infantil, que ela se alegrava em considerar como uma premonição.

“Perfeitamente”, respondeu Delanne.

Ele lhe falou, então, longamente, da mediunidade de sua mãe, mediunidade que lhe havia permitido jamais ter a menor dúvida sobre a verdade espírita, e afirmou que, bem pequeno, já convencido dessa realidade, esforçava-se em explicar o Espiritismo a seus coleguinhas, e – coisa maravilhosa! – conseguia convencê-los!”

Gabriel Delanne começou, pois, desde pouca idade, sua tarefa de apóstolo da mais nobre das causas.

Allan Kardec via freqüentemente a família Delanne, à qual dedicava uma viva amizade.

Em suas visitas, demonstrava muito prazer em levar brinquedos para o pequeno Gabriel, que ele costumava deixar pular familiarmente em seus joelhos.

Seria um simples sentimento de afeição? Não existiria no fundador do Espiritismo o pressentimento de que esse garoto saberia seguir seu exemplo e se tornaria, ele também, um dos apóstolos do Espiritismo?

Durante toda a sua vida terrena, Gabriel Delanne conservou sempre a preciosa recordação do mestre, que ele exaltou em todas as suas obras, em suas conferências e discursos.

Poderíamos fazer, sobre esse assunto, inúmeras citações, mas nos contentaremos em recordar o que ele dizia, em 23 de janeiro de 1887, em Lyon, cidade natal do mestre.

“Acreditamos, verdadeiramente, em Allan Kardec e continuaremos fiéis a seus princípios. Solidamente apoiados na Ciência, marcharemos corajosamente na rota que seu gênio nos traçou; com os olhos fixados nas consolações que nossa doutrina traz consigo, marcharemos para os grandiosos e ilimitados horizontes que ela nos descobre, marcharemos, afinal, sustentados pela força que dão o bom direito, a verdade e a Ciência, e tentaremos assim estabelecer a verdade das obras do mestre.”

Gabriel Delanne era muito modesto. Tornava-se difícil abordar com ele as questões que lhe diziam respeito diretamente, recusando-se, por muitas vezes, a nos dar pormenores de sua juventude e de sua vida.

Tivemos, pois, muita dificuldade para conseguir as informações úteis, mas finalmente pudemos reconstituir sua vida.

Inicialmente, esteve no Colégio de Cluny (Saône-et-Loire), em seguida, com seu irmão Ernesto, no Colégio de Gray (Haute-Saône), cidade onde morava uma de suas tias, cunhada de Alexandre Delanne.

Após brilhantes estudos científicos, Gabriel Delanne foi para a Escola Central das Artes e Manufaturas, onde entrou em 3 de novembro de 1876, mas desistiu, deixando a escola em 26 de janeiro de 1877.

Segundo informações que conseguimos obter, essa desistência foi motivada pela situação material de seus pais, que suportavam pesados sacrifícios para poderem dar a seu filho uma instrução sólida.

É interessante citar, desde agora, uma comunicação espontânea de Gabriel Delanne, recebida no momento em que decidiu consagrar-se inteiramente à propaganda espírita.

“Não temas nada – diziam-lhe –, tem confiança.

Do ponto de vista material, jamais serás rico, porém nada te faltará.” 6

E isso se verificou por toda a existência do apóstolo do Espiritismo científico.

Gabriel Delanne entrou, como engenheiro, na Companhia de Ar Comprimido e Eletricidade Popp, onde permaneceu até 1892.

Trabalhando na Popp, Gabriel Delanne já era espírita militante. Tendo assistido em sua casa a numerosas sessões espíritas, alegrava-se em narrar uma delas, à qual assistira com a idade de 17 anos, portanto em 1874, na casa de seus pais, situada na Passagem Choiseul, 39 e 41.

Damos aqui a palavra a nosso amigo Charles Rousseau, que relata essa reunião na Science de l’Âme (A Ciência da Alma) de 16 de dezembro de 1924:

“O apartamento de Alexandre Delanne, ao qual se subia por uma escada existente na loja, tinha um salão bem amplo, onde se realizou a manifestação, em presença de uma vintena de pessoas, entre as quais umas bem cépticas.

O gabinete do médium tinha sido instalado no vão da janela; uma grande mesa, com seus dois acréscimos, ocupava toda a peça. Os assistentes estavam reunidos em volta dessa mesa, as cadeiras ficavam juntas à parede, tornando impossível qualquer circulação.

A extremidade da mesa tocava as cortinas do gabinete improvisado.

Fez-se a cadeia. O pai de Gabriel Delanne pôs seu pé sobre um dos pés do médium, enquanto que um outro assistente fazia o mesmo com o outro pé. É desnecessário acrescentar que todas as precauções foram tomadas para o mais rigoroso controle.

Uma caixa de música e um alto-falante se achavam sobre a mesa. Fez-se a obscuridade completa.7

Ao fim de alguns minutos, a caixa de música deixou a mesa e passeou no ar, sobre os assistentes; depois, foi a vez do alto-falante, no qual uma voz sonora lançou algumas frases em inglês.”

Foi em 31 de março de 1880 que, pela primeira vez, Gabriel Delanne tomou parte ativa, no Cemitério Père Lachaise, na cerimônia anual comemorativa da desencarnação de Allan Kardec.

Já se notava o ardente desejo do militante espírita em fazer com que fosse compreendido o lado científico do Espiritismo.

“Allan Kardec – dizia ele – não veio trazer uma religião, não impôs nenhum culto. Sua moral é a de Jesus, destituída de qualquer falsa interpretação, mas o que ele doou à humanidade foi uma doutrina capaz de responder a todas as objeções da incredulidade e a todos os grandes problemas da razão.

Com efeito, até aqui, só temos analisado o lado moral de sua doutrina, porém seu estudo mais aprofundado nos mostra que, seguindo seus ensinamentos, pode-se chegar às mais belas descobertas científicas.

Se há um campo de estudos ainda inexplorado é o que compreende as relações entre o mundo invisível e o nosso.

Quantos problemas a resolver, antes de poder dar uma teoria científica dessas relações, mas um dia virá em que elas serão conhecidas como fenômenos estudados cientificamente e não serão mais segredo para nós.”

Terminado o seu discurso, Gabriel Delanne exclamava:

“Por seu exemplo, envidaremos todos os nossos esforços para expandir suas idéias e semear por toda parte a boa nova.”

O valente defensor do Espiritismo manteve essa solene promessa e, até seus últimos dias, trabalhou para tornar conhecida nossa ciência “urbi et orbi”.8

Em 14 de setembro de 1882, os dirigentes de Grupos Espíritas parisienses realizaram uma importante sessão, com o objetivo de estudar o programa de uma reunião organizada na Bélgica pelos espíritas locais, que haviam convidado os confrades franceses a comparecer.

Tratava-se de tentar agrupar os espíritas numa única e ampla associação.

Gabriel Delanne foi nomeado secretário dessa importante reunião presidida por P. G. Leymarie.

Isso prova a influência que ele já soubera adquirir nos meios espíritas franceses e belgas.

O resultado dessas importantes reuniões foi a criação de uma Federação Espírita Francesa e Belga.

Em 1883, essa Federação tornou-se Federação Francesa-Belgo-Latina.

Em março de 1883, quando foi publicado o primeiro número de uma nova revista bimestral, intitulada Le Spiritisme, Gabriel Delanne, que estava entre os colaboradores dessa publicação, passou logo a ser seu redator geral.

Com seu pai, Alexandre Delanne, foi ele um dos fundadores da União Espírita Francesa (primeira com o nome),9 criada em Paris, na Salle de la Redoute, a 24 de dezembro de 1882, sob a presidência do Dr. Josset.

Toda primeira sexta-feira do mês havia uma reunião em Cochet, 167, Galeria de Valois. Nenhuma função era remunerada.

Em Le Spiritisme, anunciando uma Assembléia Geral da União Espírita Francesa, Gabriel Delanne, então secretário da Comissão, fazia o seguinte apelo:

“Pedimos, com insistência, a nossos irmãos que nos venham prestar sua colaboração gratuitamente.

Queremos perseverar no caminho do mais absoluto desprendimento e mostrar a todos que a fé espírita não é palavra vã e que se pôde pôr em prática, no décimo nono século, as máximas do Cristo, que expulsava os vendedores do Templo e dava de graça todos os seus ensinamentos.”

Os membros da Comissão da União Espírita Francesa se reuniam na casa de Alexandre Delanne, nas segundas, quartas e sextas-feiras do mês.

Essa sociedade tinha por fim principal reunir num só bloco todas as forças espíritas esparsas no país.

Os verdadeiros animadores da União Espírita Francesa e da revista Le Spiritisme eram Alexandre e Gabriel Delanne.

Graças a uma propaganda incansável e habilidosa, dissiparam bastantes prevenções e incompreensões que ainda existiam no interior do país contra o Espiritismo.

A Sra. Alexandre Delanne era também colaboradora de seu marido e de seu filho e a verdadeira tesoureira da Federação. Todas as assinaturas da revista ficavam sob seus cuidados.

A sede do jornal Le Spiritisme foi, inicialmente, na Passagem Choiseul, 39 e 41; depois, sucessivamente, Passagem Choiseul, 62 e Rua Delayrac, 38, onde a família Delanne havia fundado um Grupo Espírita.

Em 23 de janeiro de 1883, no Cemitério Père-Lachaise, Gabriel Delanne pronunciou um discurso, nos funerais da Sra. Allan Kardec, desencarnada em 21 de janeiro de 1883, com a idade de 88 anos, quatorze anos após a desencarnação do mestre.

Até o momento de sua morte, a Sra. Allan Kardec foi dotada de uma rara lucidez de espírito, de um juízo sadio e de experiência nas coisas da vida.

Lia sem óculos e sua escrita era correta, firme e todos encontravam nela um consolo, um bom conselho, que ela sempre dava com um sorriso gentil e agradável.10

Em seu discurso, Gabriel Delanne descreveu com precisão qual foi o papel daquela que conviveu com o mestre Allan Kardec.

“A Sra. Allan Kardec foi, verdadeiramente, a mulher forte, segundo o Evangelho. Tornando-se a esposa do grande vulgarizador do Espiritismo, adotou suas idéias. Empregou todas as suas energias no estudo dos novos princípios; venceu os preconceitos de seu século e de sua educação e se elevou, por sua vontade, até à altura do espírito de nosso mestre.

Ela provou, em seguida, pelo profundo apego que manteve por nossa maneira de ver, que o Espiritismo havia penetrado vivamente em seu coração.

Sim, essas grandes e sublimes verdades que nossa filosofia professa lhe deram a coragem de ajudar ardentemente o propagador da nova fé e sustentá-lo nas lutas muitas vezes penosas do apostolado.

A companheira de um homem superior sente quantos deveres particulares lhe cabem; não somente ela, como toda esposa devotada, tem a tarefa de o cercar de amor e de atenções, porém, além disso, tem também a santa missão de fortalecer sua alma nas horas dolorosas das provas. Deve acalmar os cruéis ferimentos que o ódio e o sarcasmo fazem ao coração dos campeões do progresso. Ela deve encontrar essas boas palavras que são, para a alma, bálsamos soberanos. Deve, enfim, por sua energia, dar forças ao atleta fatigado.

Pois, bem, a Sra. Alan Kardec foi essa mulher; não faliu na alta missão que lhe foi confiada.

Durante as viagens de seu marido, pela França, ela o cercou com sua solicitude e sua perspicácia, confundindo, muitas vezes, pela segurança de seu julgamento, os que desejavam explorar a bondade tão conhecida do mestre.

Allan Kardec se inspirou em sua inteligência tão justa para a elaboração de suas obras; não publicou nenhuma, sem tê-la consultado, e muitas vezes aproveitou as sugestões que a retidão de julgamento de sua companheira fornecia.

É, pois, uma dupla perda que temos neste momento: a de uma mulher de coração, devotada às nossas idéias e a de uma colaboradora do homem de gênio que nós recordamos.”

Em 31 de março de 1883, Gabriel Delanne, na cerimônia comemorativa em homenagem ao mestre, falou as seguintes notáveis palavras:

“Não temamos divulgar nossa fé. Mais do que qualquer outra filosofia, o Espiritismo fortalece e penetra as almas com seus doces eflúvios.

Temos a convicção, façamo-la penetrar entre nossos irmãos; unamos nossos esforços para semear fartamente nossas idéias nas massas e marchemos para a conquista da sociedade moderna, apoiados, de um lado, na Ciência e, de outro, na razão.”

Gabriel Delanne já deixava prever as duas tendências de sua ação: mostrar que o Espiritismo não é oposto à Ciência e que é necessário propagá-lo em todos os meios, sem ter a pretensão acanhada de querer guardar a verdade para uma elite de homens cientistas e intelectuais.11

No fim desse mesmo ano de 1883, Gabriel Delanne e J. Guérin tiveram uma interessante controvérsia pública sobre a encarnação de Jesus Cristo.

Esse interessante debate (aliás, fraternal) foi relatado na Revista Espírita de janeiro de 1884.

Para Gabriel Delanne, o Cristo é um ser excepcional, não pelo corpo, mas pela inteligência e pelo grau de evolução. A vida espiritual do Messias, porém, não constitui uma coisa suficiente para admitir uma natureza especial do Cristo.

“Segundo penso – escrevia Delanne –, o Cristo é um espírito eminentemente superior; é o modelo pelo qual devemos nos assemelhar; porém, entre Deus e ele a distância é ainda maior do que de nós para ele.”

Num dia de 1883, Gabriel Delanne recebeu uma carta de uma senhora, pedindo-lhe para ir a Versailles, onde ela morava, a fim de lhe dar conhecimento de uma coisa importante referente ao Espiritismo.

A carta, escrita em um papel inferior, estava redigida em termos bastante obscuros, num estilo descuidado, cheio, aliás, de erros de francês e de numerosas falhas de ortografia.

Lendo essa carta, Delanne teve a impressão de receber uma coisa bem ridícula. Teve mesmo um gesto de pouco caso e disse: “Mais uma infeliz que se diz conhecer o Espiritismo. Ah, meu Deus!”

Todavia, após refletir, decidiu ir ao encontro que lhe era assinalado. E, quanto mais refletia, mais sentia nele aumentar uma espécie de curiosidade, que o atraía quase irresistivelmente para sua correspondente, de quem, até então, jamais ouvira falar.

Dirigiu-se, pois, a Versailles, à residência indicada, que se achava num quarteirão distante, na extremidade de um subúrbio, nos fundos de um velho pátio sujo e numa casa antiga.

“Foi isso! – pensou Delanne –, estou perdido e não acontecerá nada de bom em minha visita. Enfim, vamos até o fim!”

Subiu, então, uma velha escada carcomida, que terminava num pequeno patamar de placas desconjuntadas, diante de uma porta rachada, cuja pintura era de uma cor indecisa. Um velho cordão de campainha, cuja borla tinha sido arrancada, pendia lamentavelmente.

Gabriel Delanne, após analisar, num rápido olhar, esse bizarro conjunto, deu de ombros, mas decidiu, mesmo assim, tocar a campainha.

Esperou um bom momento e ia retirar-se; porém, logo depois tocou novamente uma segunda e uma terceira vez.

Então, atrás da porta, ouviu um passo pesado, depois a porta se entreabriu; uma figura de velha mulher se mostrou com sacrifício e uma voz rouquenha perguntou:

– Que deseja?

– É aqui que mora a Sra. d’E...? – indagou Delanne, mostrando a carta que havia recebido.

Diante disso, a mulher abriu a porta toda.

– Entre, entre!

E tomando Gabriel Delanne pela mão, fê-lo transpor bruscamente a porta e o introduziu num amplo cômodo, cujo mobiliário, bem sumário, era representado por uma mesa desconjuntada e duas velhas cadeiras semiquebradas.

Num canto do cômodo, uma enorme mala com bandas de couro ruço atraiu a atenção do visitante; na chaminé, um mármore quebrado, um candeeiro com uma vela meio gasta. Na parede, um desses relógios chamados “olho-de-boi”.

Enquanto Delanne examinava curiosamente esse cômodo, a velha senhora tinha apanhado uma cadeira e lhe pedia para se sentar, ao mesmo tempo em que se sentava noutro lugar.

Delanne, cada vez mais espantado, com um rápido exame observava sua interlocutora.

Calçada com grosso borzeguim, com um vestido de lã cinza, sem elegância, enormes óculos no nariz, os cabelos mal reunidos em um pesado coque que balançava e deixava escapar mechas grisalhas, tinha o aspecto que a imaginação popular empresta, com freqüência, às feiticeiras das lendas infernais.

Com um terrível acento inglês, a mulher, sem se importar com o exame de que era objeto, falava repetidamente a Gabriel Delanne, cada vez mais espantado, que ela desejava fundar um pequeno jornal para divulgar o Espiritismo.

– Mas, senhora – responde Delanne –, é preciso dinheiro, porque isso custa caro.

Então, levantando-se, a mulher se dirigiu, com um passo pesado, para a mala que Gabriel havia visto ao entrar.

Ela a abriu, pegou um pacote de velhos papéis e do meio retirou uma enorme pasta de couro. De uma de suas divisões a senhora tirou cinco notas de mil francos que colocou tranqüilamente diante de Delanne.12

– Aqui está – disse ela –, para as primeiras despesas. Eu me arranjarei depois para lhe fornecer o que for necessário. Aceita redigir o jornal?

Gabriel Delanne, espantado, não se decidia a responder.

– Vamos, diga! – tornou ela, vivamente.

– Sim – articulou enfim Delanne –, e lhe agradeço, senhora, pelo interesse que parece ter pela difusão do Espiritismo.

– Não agradeça. Logo que o primeiro número esteja pronto, mande imprimi-lo e volte a me ver. Continuaremos juntos na propaganda em prol do Espiritismo.

Depois, levantando-se, sempre bruscamente, deu a entender que a entrevista terminara.

E foi assim que, graças à generosa inglesa, que não era outra senão a Sra. d’Espérance, ainda desconhecida na França naquela época, a revista Le Spiritisme veio a lume.

Gabriel Delanne gostava de contar a seus íntimos essa história.

Ele conservou, por toda a vida, a maior admiração por aquela que foi, um pouco mais tarde, uma admirável médium e que se tornou uma das pioneiras do Espiritismo kardecista.

Nós lhe rendemos aqui uma calorosa homenagem.

No mês de março de 1883, saiu o primeiro número do jornal Le Spiritisme.

Em 1884, Gabriel Delanne compareceu como delegado da União Espírita Francesa ao Congresso Espírita Belga, que se realizou em Bruxelas.

No início de abril de 1885, Delanne fez aparecer seu notável livro O Espiritismo perante a Ciência, que analisaremos mais adiante, assim como as demais obras do brilhante escritor.

É interessante notar que foi por essa época que Léon Denis publicou sua primeira brochura O Porquê da Vida, que data de setembro de 1885.

O início da atividade escrita dos dois grandes pioneiros do Espiritismo é, pois, mais ou menos paralelo.

No decorrer desse mesmo ano, Gabriel Delanne fez conferências em Paris, no interior e em Bruxelas; em dezembro de 1885, foi eleito vice-presidente da União Espírita Francesa.

No período de 1886 a 1890, fez numerosas conferências de propaganda.

Em 1890, seu irmão Ernesto se casou. Ernesto era também espírita, disso não fazia segredo e era amigo íntimo de Léon Denis.

A cunhada de Gabriel não era espírita, mas isso não o impediu de ter por ela uma afeição fraternal, que perdurou por toda a sua existência.

A Sra. Ernesto Delanne ajudava sua sogra em seu comércio. Seu marido viajava para o pai de dois em dois meses. Alexandre Delanne viajava constantemente e somente descansava no Natal, durante 12 dias, na época das férias gerais.

Gabriel Delanne não possuía uma boa saúde; já no momento do casamento de seu irmão, ele tinha uma predisposição à ataxia, o que se notava em seu andar. Não sentia necessidade de bengala para se movimentar, porém tinha um ligeiro defeito.

Sua visão jamais foi perfeita desde a infância; tivera um abcesso no olho esquerdo, o que o impedia de ver com esse olho, sendo essa a causa de sua dispensa do serviço militar.

Em 1892, Ernesto Delanne caiu gravemente enfermo e precisou deixar Paris com sua mulher; isso aborreceu muito a Gabriel Delanne, que nutria por seu irmão uma profunda afeição.

Enviando-lhe seu primeiro livro O Espiritismo perante a Ciência, pôs a seguinte dedicatória:

“A meu bem-amado irmão, homenagem do amor fraternal.”

Essa afeição existiu igualmente para com sua cunhada Noémie, com a qual manteve até à morte relações muito amistosas.

Em 1892, Gabriel Delanne deixou a Companhia Popp e tornou-se representante de uma outra casa comercial, pela qual viajou muito.

Seguindo o exemplo de seu pai, Gabriel aproveitou essas viagens para fazer uma propaganda intensa em favor do Espiritismo.

Ele encontrava-se na Algéria, em 1893, quando seu irmão Ernesto morreu, no dia 9 de julho, em Gray; foi para ele um grande sofrimento não poder assistir aos funerais.

Alexandre Delanne estava igualmente longe e não pôde voltar para dar assistência a sua nora, Noémie.

Ele viajava, naquele momento, para uma casa de acessórios em farmácia, porque em 1892 a família Delanne tinha sido atingida por uma catástrofe financeira, que obrigou-a a liquidar a loja da Passagem Choiseul.

Alexandre Delanne e sua esposa moravam então na Rua Saint-Honoré, perto da Igreja Saint-Roch, e somente ela assistiu ao enterro de seu filho Ernesto, que foi sepultado em Gray.

Se a esposa de Ernesto não era espírita, por ocasião da morte de seu marido, converteu-se, mas nunca teve o favor de receber uma comunicação dele.

Muitas vezes, especialmente com Gabriel Delanne, ela realizou sessões, porém jamais seu marido veio se manifestar.

Após os funerais de Ernesto Delanne, sua viúva foi se reunir com seu pai, que era comandante em Châlons.

A Sra. Alexandre Delanne, que havia recomeçado uma pequena loja comercial, morreu em 1894; após ser enterrada no cemitério de Bagneux, foi, em seguida, transladada, pelos cuidados de Gabriel, para o Père Lachaise, sendo seus restos colocados no jazigo da família, bem próximo do dólmen de Allan Kardec.

Em julho de 1896, apareceu o primeiro número da Revista Científica e Moral do Espiritismo, fundada por Gabriel Delanne.

De comum acordo, Gabriel e Jean Meyer, que estavam unidos por laços de forte amizade, combinaram que, por morte de seu fundador, essa revista, de tão grande interesse, deixaria de aparecer, para se fundir com a Revista Espírita.

O primeiro número tinha 64 páginas.

Após a exposição do programa da revista, havia um artigo de Gabriel Delanne sobre os raios X, a dupla vista dos sonâmbulos e dos médiuns. Firmin Nègre tratava dos destinos da alma humana e Bernard Viret apresentava uma crônica sobre Arte. Laville e Henri Sausse tinham escrito um artigo sobre o Espiritismo experimental; havia também um artigo de Gabriel Bourdain sobre o triunfo do Espiritismo, e Alexandre Delanne continuava a publicação de Viagem ao País das Recordações, que ele havia começado em Le Spiritisme.

Em outubro de 1896, Gabriel Delanne e o Dr. Moutin, o bem conhecido magnetizador, fizeram uma conferência na Salle Pètrelle, em Paris, sob o patrocínio da Federação Espírita. O Dr. Moutin comparou os processos do magnetismo e do hipnotismo, e Gabriel Delanne explicou as criações fluídicas segundo o Espiritismo.

A Evolução Anímica, terceiro livro publicado por Gabriel Delanne, apareceu em março de 1897; a introdução dessa obra tinha sido terminada em Gray, a 10 de agosto de 1895.

A 28 de março de 1896, Gabriel Delanne, para comemorar o aniversário da morte de Allan Kardec, fez, em Lyon, uma conferência sobre a força psíquica.

Foi no momento da fundação de sua revista que Gabriel Delanne se consagrou inteiramente ao Espiritismo, abandonando completamente os negócios aos quais se entregara até então. Nessa época, morava em Paris, Rua Manuel, 5.

Hector Duville, fundador da escola prática de magnetismo e de massagem, teve a excelente idéia de fundar uma Universidade dos Altos Estudos, que era composta de três Faculdades, inteiramente independentes:



  • Faculdade das Ciências Magnéticas;

  • Faculdade das Ciências Herméticas;

  • Faculdade das Ciências Espíritas.

A Faculdade das Ciências Espíritas foi dirigida por Gabriel Delanne; os cursos eram ministrados às terças-feiras, às 9 horas da noite, na sede da Federação Espírita, na Rua Château-d’Eau, 55.

Em junho de 1898 houve em Londres um importante Congresso Internacional, ao qual Gabriel Delanne compareceu como delegado da Seção Francesa da Federação Espírita Universal, da Federação Espírita Lionesa e da União Kardecista Italiana.

Apresentou um longo trabalho sobre as vidas sucessivas; esse estudo era bem completo e o autor remetia muitas vezes os congressistas às fontes onde ele havia baseado sua documentação.

Gabriel Delanne era igualmente um dos autores 13 do apelo aos espiritualistas científicos, apresentado ao Congresso de Londres, em nome do Sindicato da Imprensa Espiritualista de França.

Em novembro de 1898, o cinqüentenário do Espiritismo era festejado pelos espíritas parisienses; duas conferências públicas e gratuitas tinham sido organizadas; elas foram feitas por Léon Denis e Gabriel Delanne; este expôs as manifestações diversas pelas quais o Espiritismo se constituiu. Dizia ele:

“É uma ciência sublime, que dá a solução do temível problema da morte e que leva em suas entranhas a regeneração da humanidade pela certeza absoluta de seus métodos.”

Foi em 1898 que Gabriel Delanne reencontrou sua cunhada Noémie. Esta, como já dissemos, deixou Gray em 1893, por ocasião da morte de seu marido, para ir a Châlons encontrar seu pai.

Noémie retornou a Paris em 1895 e reviu seu cunhado em 1898; este já estava doente.

Depois dessa época, eles continuaram suas relações afetuosamente fraternais, que não cessaram após o novo casamento da Sra. Noémie.

Em janeiro de 1899, a Federação Espírita Universal se transformou em Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, com o Dr. Moutin como presidente e Gabriel Delanne como vice-presidente.

Em seguida, Gabriel Delanne foi chamado para a presidência da dita Sociedade e é então que ela toma uma grande importância e se torna a verdadeira guardiã do Espiritismo kardecista.

Como presidente da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, Gabriel Delanne foi um verdadeiro apóstolo. Recebeu com a mesma amenidade, com a mesma paciência, um número considerável de pessoas.

Todas, quaisquer que fossem suas opiniões, foram acolhidas com benevolência por Gabriel Delanne, que repetiu, para cada uma delas, incansavelmente, durante toda a sua existência, as mais claras e mais precisas explicações e aconselhou os mais práticos meios para o estudo racional do Espiritismo kardecista.

Servido por uma memória maravilhosa, Delanne era uma verdadeira enciclopédia viva e pode-se afirmar que o Espiritismo lhe deve, na hora atual, sua força e sua clareza científicas.

A Sociedade dirigida por Gabriel Delanne foi uma das que puderam crescer e prosperar sem interrupção; formou bons espíritas e experimentadores de primeira ordem.

Tudo que se fez de nobre, de generoso, saiu dela, e graças à atividade e à ciência de seu presidente, Gabriel Delanne, ela se consolidou.

Permaneceu ainda, não é elogio dizê-lo, a Sociedade dos humildes, porque os membros de sua diretoria acolheram, sem distinção de posição social, todos os que a procuravam em busca de uma ajuda moral e de um conforto.

A Sociedade tomou parte em todos os Congressos Internacionais e examinou atentamente os mais célebres médiuns, entre outros a famosa médium napolitana Eusapia Palladino.

Gabriel Delanne amava sua querida Sociedade com fervor.

Muitas vezes seus íntimos puderam ouvi-lo afirmar que a Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos era a sociedade guia por excelência, porque tinha sempre difundido ardentemente o ensino do Espiritismo nos meios sociais.

Tudo que se fez pela difusão da filosofia espírita foi, com efeito, obra de Gabriel Delanne e de seus colaboradores.

Bem poucas sociedades espíritas fizeram, depois de Allan Kardec, um esforço tão grande, tão alentador, para o desenvolvimento da idéia espírita.

Convém reconhecer que Gabriel Delanne foi ajudado por colaboradores de primeira categoria. A exemplo de seu chefe, nenhum deles buscou jamais as vãs glórias de uma popularidade fácil e efêmera, nem a atenção dos poderosos.

Todos, sem exceção, só tiveram um objetivo: divulgar o Espiritismo e apresentá-lo sob sua verdadeira realidade, isto é, como a verdadeira doutrina de evolução útil à humanidade terrestre, mergulhada nas trevas do materialismo enganoso e perpetuamente enganada pelos dogmas impotentes das religiões agonizantes.

Quando a Federação Nacional dos Espíritas de França foi definitivamente fundada, em 1919, graças ao generoso concurso de um adepto de grande coração, Jean Meyer, a Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, no próprio interesse do Espiritismo, concordou em ser uma filial da nova Federação que tomava o título: União Espírita Francesa, tendo Delanne como presidente, que assim lhe dava duas vezes a vida.

Embora com um pouco de melancolia, Gabriel Delanne compreendeu a utilidade dessa transformação, dessa mudança de função e de quadros, porque sabia que as Sociedades, como os indivíduos, só podem ocupar um primeiro plano por algum tempo; que é necessário um repouso relativo e uma subordinação a uma nova ordem estabelecida entre dois esforços.

O que tão generosamente Gabriel Delanne quis, realizou-se plenamente! A Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos tem o mérito de ter sido um verdadeiro agente de ligação entre todos os espíritas franceses; eis por que, todos os anos, ela teve a honra de organizar a cerimônia comemorativa diante do túmulo de Allan Kardec, no Cemitério Père Lachaise.

Em 26 de fevereiro de 1889, Gabriel Delanne fez uma conferência, com projeções, sobre os habitantes do mundo invisível, e a partir de 1º de abril do mesmo ano, fez, cada noite de terça-feira, na sede da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, na Rua do Château-d’Eau, 55, uma série de conferências públicas e gratuitas sobre os fenômenos do Espiritismo.

Gabriel Delanne fez parte da Comissão de Organização, fundada em 7 de abril de 1889, para preparar os trabalhos do Congresso Espírita e Espiritualista de 1900.

A quarta obra de Gabriel Delanne tem por fim a demonstração experimental da imortalidade: ela é intitulada A Alma é Imortal e apareceu em junho de 1899.

Em dezembro de 1899, Gabriel Delanne fez, em Bruxelas, uma conferência sobre as provas da existência da alma.

Em setembro de 1900, realizou-se, na Sala dos Agricultores, em Paris, o Congresso Espírita e Espiritualista Internacional. Gabriel Delanne, na sessão de abertura, pronunciou um importante discurso, no qual constatou que o Espiritismo havia feito sua entrada no Congresso de Psicologia de 1900, o que provava que os espíritas têm “combatido o materialismo até em seu reduto”.

Nomeado Secretário-Geral da Seção Espírita, Gabriel Delanne foi delegado ao Congresso pela Sociedade Fraternal de Lyon, pela Sociedade dos Estudos Magnéticos e Espíritas de Alexandria, na Itália, pelo círculo Espírita de San Remo, pelo Círculo Espírita de Algesiras e pela Sociedade Allan Kardec, de Porto Alegre (Brasil).

Gabriel Delanne conseguiu assistir às primeiras sessões do Congresso, mas a doença o manteve fora dos trabalhos e ele mesmo não pôde defender o Relatório sobre a reencarnação, que havia apresentado.

As unânimes manifestações de pesar expressas pelos congressistas figuram no relatório oficial e mostram que lugar preponderante Gabriel Delanne ocupava entre os espíritas franceses.

Depois de 1900, Gabriel Delanne havia deixado seu apartamento da Rua Manuel, para ir morar no Boulevard Exelmans, 40.

Foi lá que, a 2 de março de 1901, se extinguiu Alexandre Delanne, com a idade de 71 anos.

Esse homem, durante 40 anos, havia trabalhado pela divulgação do Espiritismo, pregando, ele mesmo, o exemplo e acolhendo com serenidade os reveses da fortuna, a morte de seu filho Ernesto e de sua esposa, cuja mediunidade lhe havia prestado tantos serviços.

Os funerais de Alexandre Delanne, inicialmente enterrado no Cemitério de Bagneux, como sua esposa, reuniram seus numerosos amigos; foram pronunciados discursos pelo General Fix, Laurent de Faget, Duval, Camille Chaigneau e Sra. Colin.

Suportando com coragem e resignação essa cruel prova, Gabriel Delanne, ele mesmo doente, não tinha podido usar da palavra. Na revista, assim se expressou:

“Batido pela fadiga e pela dor da separação, não pude dirigir a meu pai as palavras do afetuoso reconhecimento que meu coração sentia transbordar.

Quisera afirmar todos os meus agradecimentos para com ele.

Teria desejado tornar conhecida sua terna solicitude e seu amor pela família. Teria dito com qual devotamento admirável ele sempre me sustentou e que profundo interesse tomava pelo desenvolvimento do Espiritismo.

Diante de todos, eu lhe teria agradecido por me haver, desde a infância, ensinado essa magnífica Doutrina à qual devo hoje não estar abatido de tristeza. Teria lembrado seu infatigável ardor pela propaganda e feito ver que seu espírito, bem evoluído, compreendia os esplêndidos destinos reservados à nossa Doutrina, emancipadora de todas as ortodoxias e de todos os fanatismos.

As palavras que não pronunciei em seu túmulo venho publicar aqui, hoje, porque a primeira emoção passada me deixa mais livre o pensamento.

Tenho a certeza completa de que ele se juntou a todos os que amava, que o precederam no além.

Operário incansável, deixou nosso mundo visível, mas não para descansar das lutas terrestres.

Revigorado pelo amor dos seus, sinto e prevejo que ele prosseguirá seu apostolado.

Retorna à grande pátria do invisível, engrandecido e fortificado pelas provações tão corajosamente suportadas neste mundo.

Ele sempre me deu o exemplo do dever nobremente cumprido; sempre me sustentou moral e materialmente, para permitir que eu me consagrasse inteiramente ao Espiritismo.

Trabalhando ainda numa idade em que outros descansam, vinha em minha ajuda com um devotamento inesgotável.

Quero expressar-lhe, publicamente, meu reconhecimento e fazer saber a todos a grandeza de seu coração de pai, que não recuou diante de nenhum sacrifício para sustentar minha obra, que era também a sua.

Sei, seguramente, que, em virtude das leis da justiça eterna, ele usufrui hoje uma felicidade sem mescla e que continuará velando por mim e trabalhando pela difusão desta Doutrina que lhe era tão querida.”

Gabriel Delanne não se confinou na dor e continuou sua tarefa de propagandista espírita, não somente prosseguindo na publicação da revista, mas ainda organizando palestras e respondendo ao apelo dos que lhe solicitavam para ir às suas cidades fazer conferências.

A partir de abril de 1901, ele fez, todas as noites de terças-feiras, às 8:30, uma conferência sobre o Espiritismo, na sede da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, na rua Saint-Martin, 57.

Nos dias 5 e 12 de abril de 1901, sob os auspícios da Associação Politécnica, tratava, na Chapelle, do Espiritismo, do ponto de vista científico e moral, bem como das provas experimentais da existência da alma, após a morte.

Os cursos com as conferências das terças-feiras foram interrompidos de 15 de maio a 3 de junho de 1901, tendo Gabriel Delanne sido convidado para proferir uma série de conferências em Marselha, Avignon, Pont-Saint-Esprit e Lyon.

No curso dessas conferências ele teve ocasião de falar, mais uma vez, das experiências feitas com sua mãe; indicou que, sob a inspiração dos espíritos, ela escrevia duas linhas em russo e uma página e meia em dialeto italiano, língua e idioma que ela ignorava totalmente.

Ela havia reproduzido a escrita exata dos espíritos comunicantes.

Em 1901, Delanne continuou a série de suas conferências semanais gratuitas, na sede da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos.

Além disso, fez conferências em Paris, no interior e no estrangeiro.

Em 1904, Delanne travou conhecimento com o médium músico Aubert, com o qual manteve as mais cordiais e fraternais relações, até à morte deste último.

Nos primeiros meses do ano de 1905, querendo pôr em prática a solidariedade espírita, Delanne adotou uma garotinha de 7 meses, a menina Suzanne Rabotin, que viveu sempre perto dele.

Em junho de 1905, houve em Liège um Congresso Espírita; Gabriel Delanne lá compareceu. Os organizadores do Congresso aproveitaram a presença do célebre espírita francês para lhe solicitar uma conferência. Ele concordou em fazê-la e escolheu como tema: “A Exteriorização do Pensamento”.

A 12 de fevereiro do mesmo ano, já havia feito, no Ateneu Saint-Germain, de Paris, uma importante conferência sobre a obra de Allan Kardec, apreciada do ponto de vista experimental, científico e filosófico.

Essa conferência foi seguida da apresentação do médium músico Aubert.

Em 1905, fez várias conferências, mas aquele ano foi sobretudo marcado por uma ida a Alger, na casa do General e Sra. Noël, onde ele assistiu, em companhia do Professor Charles Richet, às experiências que têm dado lugar a tantas controvérsias.

Encontra-se a narração dessas experiências na Revista Científica e Moral do Espiritismo, dos anos de 1905 e 1906.

Delanne pronunciou, além disso, numerosas conferências sobre esse tema, porque era, antes de tudo, um experimentador sagaz, prudente e prevenido.

Sobre a Villa Carmen, somente podem julgar os que leram integralmente os trabalhos de Gabriel Delanne e Charles Richet sobre as experiências com Miller, nas quais Gabriel Delanne tomou parte, em 1906.

“Para mim – escreveu ele –,14 está absolutamente certo que Miller era um verdadeiro médium de materialização.

Ignoro, evidentemente, se ele pôde trapacear nas sessões às quais não pude assistir, mas é preciso ter receio de formular julgamentos precipitados e de declarar que, porque um médium foi apanhado em flagrante delito de impostura, jamais possuísse faculdade mediúnica.”

Gabriel Delanne, desde sua adolescência, se apercebeu da credulidade excessiva de certos adeptos do Espiritismo e compreendeu que ela era um dos terríveis escolhos que impediam a rápida difusão da Doutrina.

Em 1906, já obrigado a andar com a ajuda de duas bengalas, foi, em agosto e setembro, a Cussey, nas redondezas de Lyon, onde ficava aos cuidados do seu amigo Bouvier.

Desde 1908, ele pôde passar cinco meses de cada ano em Nice, onde uns amigos lhe ofereciam uma casa muito bem situada; das janelas de seu quarto podia admirar o mar. Foi lá que ele trabalhou em sua importante obra As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos, que apareceu em fevereiro de 1911.

Cada ano, fosse na França ou fosse no estrangeiro, Delanne fazia conferências sempre muito concorridas.

Foi ele quem aconselhou Jean Meyer a escolher o Dr. Gustave Geley como diretor do Instituto Metapsíquico Internacional, quando de sua fundação, em 1919.

O Dr. Geley era igualmente um espírita e devemos, para celebrar sua memória, lembrá-lo aqui.

Em agosto de 1914, Delanne cessou a publicação de sua revista, que devia reaparecer em 1917.

O estado de saúde do nosso amigo tornou-se delicado; ele já não enxergava bem, arrastava-se com sacrifício, e cada movimento, sendo para ele causa de sofrimento, era um exemplo vivo de resignação; permanecia jovial e mui acolhedor.

Em 1918, fez, com sua família, uma viagem a Allauch, nas redondezas de Marselha. Foi sua última saída de Paris, pois não podia mais andar e foi preciso recorrer a uma cadeira de rodas para levá-lo do carro ao trem.

Apesar de seus sofrimentos, já mais intensos desde 1920, e também de sua quase cegueira, Gabriel Delanne, cuja memória era prodigiosa, continuava a trabalhar.

Fora da publicação de sua revista, ele preparava novas obras, presidia as sessões mediúnicas, que são relatadas no livro Ecoutons les Morts (Escutemos os Mortos), escrito em colaboração com Bourniquel.

Em 1919 ocorreu a fundação da nova União Espírita Francesa,15 da qual Delanne foi seu primeiro presidente, tendo a seu lado o fundador Jean Meyer como vice-presidente.

Gabriel Delanne fez ainda numerosas conferências na sede da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, com sua ciência e sua mestria habituais.

Em 1922, prefaciou uma curiosa obra de Paul Bodier, A Granja do Silêncio, que teve um enorme sucesso.16

Cada ano, na Assembléia Geral da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, lia-se um discurso seu, sobre o aniversário da desencarnação do mestre Allan Kardec.

Em 1924, publicou sua obra sobre a reencarnação, que havia ditado a um de seus amigos: Durand.

Todos os dias vinham amigos para lhe ler os jornais; entre eles podemos destacar Barrau e Giraud, ambos membros da Diretoria da Sociedade de Estudos dos Fenômenos Psíquicos.

Delanne soube suportar com uma resignação ativa 17 a morte de uma mulher querida, sua prima Mathilde Peley, morta em 12 de outubro de 1925. Durante mais de 20 anos, ela foi sua companheira extremosa e dele cuidou com devotamento.

Suportou essa separação física com a mesma energia que teve na morte de seu pai e de sua mãe, embora suas forças estivessem enfraquecidas pela idade e pela doença. Até a sua morte, que devia sobrevir cinco meses mais tarde, em 15 de fevereiro de 1926, Gabriel Delanne teve a mesma força moral.

Foi durante os últimos meses de sua vida que preparou, em colaboração com Andry Bourgeois, uma obra sobre ideoplastia.

Como nos confirmou sua filha adotiva, Suzanne Delanne, Gabriel Delanne, sem ser um místico no sentido absoluto da palavra, acreditava em Deus.

Todos os dias, antes de dormir, orava, jamais pedindo para não sofrer mais; apenas suplicava coragem necessária para suportar, sem se lamentar, suas constantes dores.

Cada noite, enumerava uma longa lista de seus parentes e amigos desaparecidos, pedindo para eles a ajuda de seus protetores invisíveis.

Em 12 de fevereiro de 1926, seu estado se agravou subitamente e ele se lamentava de sufocação.

Em 14 de fevereiro, estavam com ele os amigos Andry Bourgeois e Vauclaire.

Andry Bourgeois narra assim a última tarde vivida na Terra pelo nobre lutador espírita:

“Achei – escrevia ele a Henri Regnault – nosso caro amigo muito debilitado, mas tendo conservado toda a clareza de sua viva inteligência.

Mal tínhamos começado a conversar sobre a sua saúde e sobre sua revista, que tinha sido sua razão de viver, quando um homem desconhecido, ainda jovem (apenas 35 anos), pediu para ser recebido por Delanne.

Ele já estava esperando de 15:20 às 15:30, quando nosso mestre, com sua grande bondade, pediu-lhe que entrasse.

Esse homem era um contramestre das Usinas Renault (Billancourt), com idéias mais do que socialistas, pregando a anarquia, o bolchevismo integral. Mas, disse ele, tinha uma parenta, uma prima, que escrevia de forma estranha sobre coisas que ignorava e vinha pedir a Gabriel Delanne a verdade sobre esse fato, saber se ela não estaria louca.

Delanne, embora sofrendo o martírio de todas as suas dores, teve a coragem, durante cerca de 2 horas e meia, de discutir com esse homem, com esse desconhecido bastante inteligente, e explicar-lhe o que era a mediunidade de sua prima e o fenômeno espírita da escrita direta.

Acabou por convencer o homem de que nem tudo nesse mundo era matéria e que todos nós temos uma alma imortal para evoluir.

O visitante partiu muito abalado, pelas 18 horas, dizendo que ia estudar a questão e dela falar depois a seus colegas.

Eis a última boa ação de Delanne.

Evidentemente, tomei parte na discussão e apoiei meu amigo com minhas fracas luzes, do ponto de vista da matéria, da energia e do espírito. “Mens agitat molem”.18

Delanne estava muito fatigado, após essa longa conversa, onde havia posto toda a sua alma, sua ciência e sua sagacidade.

Pusemo-nos à mesa, para jantar, pelas 19 horas, Delanne, sua filha adotiva, Vauclaire e eu.

Delanne, muito cansado e sofrendo cada vez mais, não comeu nada, mas nos pediu que comêssemos, com sua gentileza costumeira. Eu estava penalizado e o examinava com receio, vendo-o cada vez mais pálido. Pelas 19:45 ele quis, arrastando-se, ir ao lado de sua sala de jantar.

Após dez minutos, ouvimos um grito e uma queda.

Chegamos para levantá-lo e suas duas pernas acabavam de ficar, de repente, paralisadas. Não podia nem mesmo mais se manter de pé; toda a sua vitalidade tinha abandonado seus membros inferiores, que se arrastavam como dois farrapos pendentes.

Pusemo-lo em sua poltrona e, enquanto os outros haviam saído para trazer algo para reanimá-lo, Delanne apalpou a cabeça, a fronte e, olhando-me, disse-me:

– Creio que é o fim, é uma advertência.

– Não – respondi-lhe –, é um pequeno ataque, do qual irá recuperar-se.

– Sim – disse-me ele –, no Além. Lembre-se, meu caro amigo, que Delanne não tem medo da morte.

Nós o colocamos em seu leito. Saí à meia-noite, por insistência de sua filha e de Vauclaire, que deviam velar juntos nosso caro mestre.

Às 2 horas (15 de fevereiro de 1926), Vauclaire saiu, deixando a jovem filha a sós, com seu pai adotivo. Às 4 horas, Delanne piorando, ela foi buscar um médico, que lhe fez uma aplicação de cafeína para reanimá-lo, dizendo-lhe que aquilo iria passar.

– Eu espero – respondeu Delanne, para não entristecer ninguém.

Às 7 horas, porém, ele expirava, em Autenil, na Villa Montmorency, onde Jean Meyer, diretor da Revista Espírita, desejava que fossem passados os últimos anos terrenos do valente pioneiro do Espiritismo kardecista.”

Tais fatos, narrados por uma testemunha, foram os derradeiros momentos daquele que soube pôr em prática os ensinamentos que dava aos outros, com tanto ardor e fé.

Na véspera da colocação do corpo de Delanne no esquife, Forget, membro da Sociedade Francesa de Estudos dos Fenômenos Psíquicos, tentou tirar seis fotografias do mestre em seu leito mortuário. Estava acompanhado de Bourniquet e Maillard. Entretanto, nenhuma foto foi conseguida, não houve absolutamente qualquer sucesso.

Os funerais se realizaram em 18 de fevereiro de 1926, no Cemitério Père Lachaise. Seu corpo físico foi incinerado, sem que Suzanne tivesse recebido a respeito, disse-nos ela, um pedido da parte de seu pai.

Após a incineração, as cinzas foram colocadas numa urna, que foi depositada no jazigo que a família Delanne possuía naquele mesmo Cemitério.

Por uma feliz coincidência, o túmulo da família Delanne acha-se perto do de Allan Kardec e, todos os anos, na cerimônia comemorativa que reúne os espíritas em torno do dólmen do mestre Kardec, podem eles, ao mesmo tempo, render uma piedosa homenagem ao maior de seus discípulos e a seus pais, que tudo fizeram para difundir a filosofia kardecista.

O túmulo da família Delanne é simples e modesto. Formulamos votos de que ele seja sempre embelezado, florido como o do grande iniciador, a fim de que todos os espíritas possam reunir, num só pensamento de gratidão, o mestre e o discípulo que foi verdadeiramente o apóstolo científico do Espiritismo e o glorioso continuador dos fiéis amigos de Allan Kardec: Alexandre Delanne e sua digna esposa.

Todavia, a melhor homenagem que lhes podem prestar seus discípulos e seus admiradores é, como disse Henri Regnault nos funerais de Gabriel Delanne, tentar seguir seu exemplo e fazer o máximo possível de propaganda pública e também privada do Espiritismo, que é e será a verdadeira filosofia do futuro.




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