Paul Bodier e Henri Regnault Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra Gabriel Delanne (1857 1926)



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Capítulo II

A obra


Antes de analisar a obra de Gabriel Delanne, é útil declarar que ele foi, primeiro que tudo, um fiel discípulo de Allan Kardec, por quem conservou, em toda a vida, uma admiração sem limites.

Aliás, a carta que ele dirigiu, no fim do ano de 1906, a Léopold Dauvil, então redator-chefe da Revista Espírita, irá prová-lo à saciedade.

É necessário acrescentar aqui que as notáveis obras de Gabriel Delanne não foram, de certa forma, senão o desenvolvimento dos princípios científicos sobre os quais Allan Kardec se apoiou para ensinar o Espiritismo.

A comparação entre as obras do mestre e do discípulo deve ser hoje posta nitidamente em análise, porque é bom não sancionar, por um ridículo silêncio, o erro dos sábios orgulhosos, que muitas vezes relegam o Espiritismo a um segundo plano, substituindo-o por pretensas descobertas científicas, ornadas de nomes novos, quando se trata somente da repetição dos fenômenos observados e descritos por Allan Kardec, e depois dele por seus discípulos.

A carta mencionada, e que foi inserida em um número especial da Revista Espírita, datada de janeiro de 1907, é a seguinte:

“É com grande prazer, meu caro amigo, que aceito o convite que me faz para prestar homenagem ao grande pensador que fundou a Revista Espírita, há meio século, e cujos livros, claros e metódicos, permitiram conquistar para o Espiritismo milhões de adeptos no mundo inteiro.

Jamais teremos a necessária gratidão pelo poderoso espírito, cujos trabalhos esclareceram, consolaram e fortificaram tantos corações feridos pelas provações da vida.

Quanta alegria deve existir nele, vendo sua obra prosperar e se agigantar em tão vastas proporções!

Em 1858, só havia duas revistas espíritas na Europa; em nossos dias, há mais de cinqüenta,19 que levam ao longe a boa nova da imortalidade, e temos o legítimo orgulho de haver estabelecido o estudo dos fatos espíritas a esse mundo céptico, que se mostrara, na origem, tão desdenhosamente refratário para com essa jovem ciência.

Já passou o tempo em que a Ciência era a propriedade característica de alguns privilegiados; ela se democratizou e cada um pode fazer trabalho sábio, empregando judiciosamente seus métodos.

As pesquisas sobre o Espiritismo se multiplicam nesse ponto, e é preciso ser profundamente indiferente para não as conhecer, porque não são apenas individualidades isoladas que delas se ocupam, mas numerosos agrupamentos, alguns formando verdadeiras academias, que tiveram origem fora das corporações oficiais.

A fundação, na Inglaterra, da Sociedade de Pesquisas Psíquicas, e a do Instituto Geral Psicológico, na França, são provas vivas de nossa influência sobre as inteligências que refletem, pois os que não cerram, sistematicamente, os olhos diante da evidência já vislumbram a importância enorme das pesquisas, que abrem à Ciência e às aspirações religiosas da humanidade horizontes que valem ser estudados em profundidade.

Substituindo a fé cega numa vida futura, pela inquebrantável certeza, resultante de constatações científicas, tal é o inestimável serviço prestado por Allan Kardec à humanidade.

Fazer a luz da observação, e até mesmo a experimentação, penetrar num domínio reservado às obscuras e intermináveis discussões filosóficas, era fazer obra de mestre, quebrar os velhos padrões do pensamento, infundir sangue novo no antigo espiritualismo, renovar a Psicologia, indicando-lhe um novo e fecundo caminho, e preparar a mais rica colheita de conhecimentos novos que se tenha feito nesses dois mil anos.

Uma semelhante revolução intelectual não se realiza sem levantar tempestades. O Espiritismo tem sido combatido por inúmeros adversários, porque está em oposição a quase todas as opiniões reinantes, já que suas experiências demonstram a falsidade das teorias materialistas, a insuficiência dos sistemas espiritualistas, que não conhecem a verdadeira natureza da alma, e os erros dos ensinos religiosos relativos à origem e ao destino do princípio pensante.

Também os insultos, zombarias e maldições lhe foram pródigos. Todavia, levado pelo irresistível poder que se destaca da observação científica, o Espiritismo desdenha esses ultrajes e, respondendo com fatos aos falsos argumentos de seus contraditores, derruba os obstáculos acumulados em sua rota e conquista cada dia novos adeptos, até entre seus adversários.

Obrigaram inteligências, como as de Crookes, Wallace, Varley, Lodge, Zöllner, Lombroso, Myers, Hodgson,20 a reconhecerem a incontestável realidade das relações entre os vivos e os chamados mortos.

Estamos em boa companhia e nem as calúnias, nem os clamores odiosos dos detratores da verdade nova poderiam impedir-lhe o triunfo definitivo.

Pelos fenômenos da mesa, da escrita, da incorporação, das aparições,21 nós nos comunicamos com o Além de uma forma ininterrupta.

O túmulo perdeu seu horror, porque ele é para nós a porta aberta para um mundo novo, onde a vida é mais doce do que aqui.

Em resposta aos negadores da sobrevivência, a alma humana se revela, depois da morte, tão ativa quanto aqui na Terra e se mostra na placa fotográfica a esses doutores, que não a tinham jamais encontrado com seus bisturis.

Prodígio singular, ela reconstitui, temporariamente, um corpo físico semelhante ao que possuía na Terra, e essa ressurreição momentânea é o argumento mais convincente para destruir os erros grosseiros do materialismo.

Essa comunhão constante com a humanidade desencarnada nos afirma, inicialmente, nossa imortalidade pessoal; em seguida, nos permite conhecer com certeza a verdadeira natureza da alma, suspendendo uma ponta do véu que ocultava sua origem e seus destinos.

Que alívio e que reconforto para o pensamento humano por não ser mais esmagado sob o pavor de dogmas tão terríveis como o do pecado original e o das penas eternas!

Que consolo não mais conceber o Ser Supremo sob a forma de um implacável justiceiro que condenaria a suplícios sem fim as miseráveis e fracas criaturas que somos nós!

A realidade é, felizmente, mais nobre e mais grandiosa do que essas sombrias invenções da Teologia.

A sorte de nossa eternidade futura não se decide nos curtos instantes de uma vida terrena, “uma ruga apenas perceptível no imenso oceano das idades!”

A lei da evolução do princípio espiritual, completando-se pelas vidas sucessivas, nos permitiu compreender porque uma formidável desigualdade moral e intelectual separa os filhos de um mesmo Pai, e como existem, no mesmo globo, selvagens e povos civilizados, idiotas ao lado desses gênios, que são a glória de nossa raça.

É pelos inumeráveis e concordantes testemunhos dos que vivem no espaço que sabemos que não existe inferno, nem paraíso, mas que nós somos os únicos artífices de nossos futuros destinos.

É lentamente, mas num esforço ininterrupto, que desenvolvemos nosso ser espiritual, que ampliamos nossa inteligência, que penetram em nós os sentimentos do justo, do belo, do bem; que desaparecem os obscuros instintos do egoísmo, as paixões e os vícios, para dar lugar ao sentimento de fraternidade, que nos aproxima dessa causa primária, que é todo amor.

Allan Kardec não deduziu de suas conversações com os espíritos unicamente essa nobre doutrina filosófica; sua atenção foi ainda atraída pelas manifestações extracorpóreas da alma encarnada.

Todos os fenômenos psíquicos, batizados hoje com novos nomes,22 o mestre os conheceu, classificou e lhes determinou as causas.

A transmissão do pensamento, que, sob o nome de telepatia, tomou grande importância em nossos dias, foi estudada em O Livro dos Espíritos e em A Gênese.

A possibilidade de desdobramento do ser humano é indicada em O Livro dos Médiuns, com provas de apoio, e os casos interessantes de clarividência, se exercendo no passado, no presente ou no futuro, foram longamente descritos na Revista Espírita.

A Sociedade Inglesa de Pesquisas Psíquicas confirmou, por suas observações, a existência de vários desses fenômenos, e os magníficos trabalhos de Fredrich Myers são o sábio desenvolvimento das teorias que estão em germe nas obras de nosso mestre. Entretanto, a obra do ilustre psicólogo inglês é ainda incompleta.

Para ser outra coisa mais do que uma simples hipótese verbal, a consciência subliminal deve ter um substrato não material. Parece-nos, portanto, necessário ver no perispírito o órgão que serve para essas manifestações transcendentais.

É ainda a Allan Kardec que devemos as primeiras noções precisas sobre o perispírito, esse corpo inseparável da alma. Inúmeras observações, feitas sobre as aparições dos vivos e dos mortos, nos afirmam de forma absoluta a sua existência.

O conhecimento desse organismo suprapsicológico faz do Espiritismo uma doutrina original, porque, por isso, ela se distingue nitidamente do espiritualismo religioso ou filosófico.

O princípio inteligente não é mais então uma abstração ideal, uma vaga entidade corporal; é um ser concreto, que possui sentidos especiais, apropriados ao meio no qual é chamado a viver após sua partida da Terra, isto é, no espaço.

Algumas das faculdades superiores da alma, tais como a telepatia e a clarividência, têm, evidentemente, sua sede fora do cérebro, pois este é estranho às suas manifestações; provavelmente é no perispírito que elas encontram suas condições de existência, porque é necessária a emancipação da alma para que elas possam se exercer.

Quanto mais estudarmos esse organismo superior, melhor compreenderemos sua importância para explicar um certo número de problemas biológicos.

A experimentação espírita tem uma utilidade de primeira ordem para isso, porque se torna indispensável que possamos submeter a um exame científico a natureza e as propriedades desse corpo fluídico, para melhor determinar sua atuação durante a vida e após a morte.

As materializações dos espíritos são fenômenos que põem em evidência esse mecanismo perispiritual, que dá à alma o poder de se representar, perante nós, com os atributos anatômicos e fisiológicos da pessoa terrena.

Já que um ser do espaço é capaz de reconstituir momentaneamente a forma típica que possuía quando estava entre nós – emprestando ao médium uma parte de sua substância –, é permitido supor-se que a alma age da mesma forma no momento do nascimento, mas operando lentamente, segundo as leis da gestação, para que sua união com o corpo material seja durável.

O ensino dos espíritos está de acordo, sobre esse ponto, com a opinião de Claude Bernard, que viu nitidamente que a construção, a manutenção e a reparação de um organismo vivo não contradizem as leis físico-químicas.

“Vemos – disse ele –, na evolução do embrião, aparecer um simples esboço do ser, antes de qualquer organização.

Os contornos do corpo e os órgãos do ser estão de início simplesmente parados, começando pelos esboços orgânicos provisórios, que servirão de aparelhos funcionais temporários do feto.

Nenhum tecido está distinto nesse momento. Toda a massa é então apenas constituída por células plasmáticas e embrionárias.

Todavia, nesse esboço vital está traçado o desenho ideal de um organismo, ainda invisível para nós, que reservou para cada parte e cada elemento seu lugar, sua estrutura e suas propriedades.”

E mais adiante o eminente fisiologista explicita ainda seu pensamento nestes termos:

“O que é essencialmente do domínio da vida, e que não pertence nem à Física nem à Química, nem a nenhuma outra coisa, é a idéia diretriz dessa ação vital.

Em qualquer germe vivo há uma idéia diretriz que se desenvolve e se manifesta pela organização.

Durante toda a sua duração, o ser fica sob a influência dessa mesma força vital criadora e a morte chega quando ela não se pode realizar... É sempre a mesma idéia que conserva o ser, reconstituindo as partes vivas desorganizadas pelo exercício ou destruídas pelos acidentes ou doenças.”

Nós, que sabemos, por experiência, que a alma sobrevive à morte, que a vemos reedificar, temporariamente, um corpo, que é anatomicamente igual ao que possuía na Terra, estamos autorizados logicamente a supor que o perispírito contém a idéia diretriz que preside a edificação do corpo físico, porque o perispírito possui ainda o poder de reconstrução após a morte.

Não é tudo. Se a alma é a arquiteta de seu envoltório terrestre, é possível tirar desse fato uma confirmação da lei de reencarnação, assim:

Se é exato que o feto resume, nas primeiras semanas de sua vida intra-uterina, todas as etapas percorridas pelos seres vivos desde a célula inicial; se, além disso, ainda temos em nós órgãos atrofiados, vestígios dos que foram úteis a nossos ancestrais, é preciso concluir que o perispírito, que reproduz essas formas desaparecidas, que forma e modela a matéria, deve ter passado outrora pelos organismos inferiores onde elas existiam; porque, sem isso, não as poderia engendrar.

Penso que, seguindo essa direção, os espíritas poderão achar, no estudo do ser humano, novas provas dessa grande e magnífica verdade das vidas sucessivas, que já possui em seu ativo toda uma coleção de fatos relativos às lembranças das existências anteriores ou no anúncio de reencarnações que foram tais quais haviam sido preditas.

Não apenas isso. Os fatos espíritas receberam a consagração do tempo, resistiram a todos os métodos críticos a que foram submetidos, e houve, em nossos dias, uma tal revolução nas teorias científicas, que nós as vemos convergir para aquelas que Allan Kardec e os espíritos sempre ensinaram.

É com uma profunda alegria que constatamos quanto as descobertas das ciências físicas as aproximam desse mundo invisível com o qual elas começam a tomar contato.

As mais estranhas manifestações das sessões espíritas não são mais fatos isolados. Os eflúvios que saem do corpo do médium, que atravessam os obstáculos materiais, que influenciam as placas fotográficas, apresentam uma analogia evidente com os produtos da desmaterialização da matéria engendrada pelos corpos radioativos.

O corpo humano é um laboratório no qual se completam, sem cessar, reações químicas muito intensas que dão origem a produtos variados; emanações, raios catódicos, raios X, elétrons que são poeiras atômicas em diferentes estágios de desagregação. Esses resíduos são eletrizados e constituem precisamente uma das mais grosseiras formas dessa substância fluídica, ainda material, de certa forma, mas chegando à imponderabilidade.

É, bem provavelmente, uma forma vizinha da desagregação carnal, que serve nas sessões de materialização para produzir essas aparições temporárias de objetos (tecidos, jóias, etc.), que desaparecem com a rapidez do raio, logo que cessa de agir a força que os engendrou.

O ensino de Allan Kardec sobre as criações fluídicas do pensamento recebe uma força nova pelas experiências feitas com os eflúvios das substâncias radioativas.

Com efeito, sabemos que o pensamento se traduz sempre por uma imagem; que essa criação mental pode exteriorizar-se sob a forma de desenhos, que possuem a propriedade de se imprimir sobre o corpo, produzindo modificações fisiológicas (sugestões de vesicatórios, sinapismos, queimaduras, etc.) e que esse desenho pode mesmo impressionar a placa fotográfica (experiência do Comandante Darget).

Sempre tenho sustentado que, para esse fenômeno ser possível, era preciso que a imagem tivesse uma realidade objetiva, isto é, fosse materializada.

É interessante assimilar que Le Bon pôde produzir materializações temporárias com os eflúvios de matéria dissociada. Eis o que ele disse a respeito:23

“Se quisermos estudar os equilíbrios de que são suscetíveis os elementos de matéria dissociada, podemos substituir um corpo radioativo por uma ponta eletrizada em relação com um dos pólos de uma máquina elétrica.

Essas partículas são submetidas às leis das atrações e repulsões que regem todos os fenômenos elétricos.

Utilizando essas leis, poderemos obter, à vontade, os mais variados equilíbrios. Tais equilíbrios só poderão ser mantidos por instantes.

Se pudéssemos fixá-los para sempre, isto é, de maneira a que pudessem sobreviver à causa geradora, conseguiríamos criar, com partículas imateriais, alguma coisa que pareceria singularmente matéria.

Todavia, se não podemos realizar equilíbrios com coisas imateriais, podendo sobreviver à causa que os produziu,24 pelo menos podemos mantê-las um tempo suficiente para fotografá-las e assim criar uma espécie de materialização momentânea.

Utilizando unicamente as leis de que falamos atrás, conseguimos agrupar as partículas de matéria dissociada de maneira a dar a seu grupamento todas as formas possíveis: linhas retas ou curvas, prismas, células, etc., que fixamos, em seguida, pela fotografia.

As formas poligonais, representadas em algumas de nossas fotografias, não são, bem entendido, a reprodução de imagens plenas, porém formas possuidoras de três dimensões, das quais a fotografia só pode, evidentemente, dar uma projeção.

São, portanto, figuras no espaço que obtivemos mantendo momentaneamente, no equilíbrio que lhes impusemos, partículas de matéria dissociada.”

No dia em que os sábios se decidirem a estudar, cientificamente, os fenômenos psíquicos, eu lhes prometo algumas surpresas, mostrando-lhes que suas futuras descobertas tinham sido previstas por esses espíritas, de quem eles ignoram tão profundamente as doutrinas.

Um simples exemplo bastará para fazer ver que Gustave Le Bon – que está tão justamente orgulhoso de ter descoberto que a matéria retorna ao éter – não teve a primazia dessa idéia, porque ela se encontra claramente formulada por Allan Kardec, em seu livro A Gênese, numa época em que essa hipótese parecia uma monstruosa heresia científica.

Eis o que foi escrito, em 1867, pelo mestre:25

“Quem conhece, aliás, a constituição íntima da matéria tangível?

Ela só é compacta em relação aos nossos sentidos, e o que o provaria é a facilidade com que ela é atravessada pelos fluidos espirituais e pelos espíritos, aos quais não oferece nenhum obstáculo, tal como os corpos transparentes não oferecem à passagem da luz.

A matéria tangível, tendo por elemento primitivo o fluido cósmico eterizado, deve poder, desagregando-se, retornar ao estado de eterização, como o diamante, o mais duro dos corpos, pode volatilizar-se em gás impalpável.



A solidificação da matéria não é, em realidade, senão um estado transitório do fluido universal, que pode retornar a seu estado primitivo, quando as condições de coesão deixam de existir.” 26

A radioatividade é mesmo apresentada nestes termos:

“Quem sabe mesmo se, no estado de tangibilidade, a matéria não é suscetível de adquirir uma espécie de eterização, que lhe daria propriedades particulares? Certos fenômenos tenderiam a fazer supor que sim. No momento, só possuímos noções do mundo invisível, mas o futuro, sem dúvida, nos reserva o conhecimento de novas leis que permitirão compreender o que para nós ainda é um mistério.”

Sobre o mesmo assunto Oliver Lodge se exprime assim, na Sociedade de Física de Londres:

“Não devemos admitir que o átomo é permanente e eterno. A matéria, provavelmente, pode nascer e morrer.

A história de um átomo apresenta analogias com a do sistema solar. Na teoria elétrica da matéria, a combinação dos elétrons pode produzir o agregado elétrico chamado átomo e sua dissociação se acompanha de um fenômeno de radioatividade.”

Afinal, William Crookes, por sua vez, chega a uma conclusão análoga:

“Essa fatal dissociação dos átomos parece universal. Manifesta-se quando friccionamos um bastão de vidro, quando o sol brilha, quando um corpo queima, quando a chuva cai, quando as vagas do oceano se chocam.

Embora a data do fim do Universo não possa ser calculada, devemos constatar que o mundo retorna lentamente à confusão informe do caos primitivo. Nesse dia, o relógio da eternidade terá terminado seu ciclo.”

A concordância tardia que verificamos entre as mais recentes afirmações da Ciência e as vistas proféticas de Allan Kardec sobre a constituição da matéria nos assegura que tivemos razão em crer que os espíritos que produzem fenômenos tão estranhos, como a materialização e os transportes, estão mais adiantados do que nós no conhecimento das leis da Natureza.

É confiantes que vemos novas descobertas, porque estamos certos de que elas confirmarão, cada vez mais, as instruções de nossos Guias Espirituais.

Não poderia ser de outra forma, porque, já que os fatos espíritas são de uma incontestável realidade, a Ciência deve, uma dia ou outro, modificar suas teorias, ampliá-las ou trocá-las, para introduzir essas manifestações da atividade anímica, que ela havia ignorado.

O Espiritismo vai certo ao seu objetivo, que é a demonstração da imortalidade, sem bravata nem fraqueza; tanto pior para as opiniões que ele contraria; são as hipóteses antigas que devem desaparecer ante os fatos novos.

Trabalhemos, pois, com um ardor incansável, para expandir esta nobre doutrina, cuja ação salutar e fecunda é tão necessária aos nossos dias.

Proclamemos, por toda parte, que o túmulo não é o aniquilamento da alma, o abismo no qual nossa personalidade sucumbiria, desaparecendo para sempre.

Demonstremos que não é verdade que somos tristes joguetes de leis inexoráveis e fatais, que pesariam sobre nós com a esmagadora impassividade desses ídolos antigos, que esmagavam sob as rodas de seus carros as carnes ofegantes de seus sectários.

Afirmemos bem alto que a natureza não teve essa ironia cruel de nos despertar a consciência para nos fazer medir melhor o horror de nossa queda no nada.

Estamos experimentalmente seguros de que a vida humana não é um relâmpago entre duas noites profundas, porém uma simples etapa de nossa ascensão eterna para a luz e para o amor.

Temos a certeza de que as aspirações mais elevadas e mais santas de nossos corações não serão decepcionadas, porque encontraremos aqueles cuja partida cravou marca tão cruel em nossas almas.

Desta vez, a grande tradição espiritualista, tão velha quanto o pensamento humano, se apóia, de forma inquebrantável, na Ciência; nada poderá entravar seu progresso, e sua difusão no mundo será o sinal de uma evolução moral, científica e social, como a humanidade jamais conheceu, desde sua origem.



Gabriel Delanne.”

Transcrevemos por extenso o texto dessa admirável carta, porque ela destaca, de alguma sorte, a importância da obra empreendida por Gabriel Delanne, para ampliar a de Allan Kardec.

Todos os que lerem os livros do discípulo, após ter estudado os do mestre, compreenderão que um e outro são os artífices de uma mesma ciência, de uma ciência magnífica entre todas, porque ela renovará um dia a humanidade.

Se Allan Kardec fixou os traços essenciais do Espiritismo, seu discípulo compreendeu maravilhosamente que lhe devia assegurar a difusão cada vez mais ampla, com o auxílio de trabalhos rigorosamente científicos, de tal forma que a ligação entre o mundo visível e o mundo invisível se tornasse mais íntima e mais profunda.

Gabriel Delanne livrou o Espiritismo kardecista das fórmulas dogmáticas e rígidas. Ele o apoiou em realidades experimentais rigorosamente científicas.

Como Allan Kardec, seguiu uma regra essencial, apresentando as idéias em termos e condições que as tornam facilmente compreensíveis para todo o mundo.

Nenhuma aridez em suas obras, embora tão científicas, nenhuma frieza, mas, ao contrário, um interesse sempre crescente, que faz sua leitura extremamente atrativa.

O estilo de Gabriel Delanne é um instrumento de precisão científica a serviço do conhecimento humano.

Com um esforço infatigavelmente sustentado, o brilhante escritor pôs em ação toda a sua capacidade intelectual para extrair da experimentação e do raciocínio científico as provas positivas da realidade da sobrevivência.

Ele examinou cuidadosa e metodicamente cada uma das modalidades do fato espírita; por uma análise rigorosa de cada um deles, chegou a dar a solução racional, que ele trata de apresentar razoavelmente em face da ciência positiva.

Sempre buscando o termo exato, Gabriel Delanne evitou empregar a metáfora,27 pois esta tanto parece útil para dar a certas literaturas filosóficas toda a força que lhes é necessária, como é inútil e deslocada, quando se trata de demonstrar o valor e o começo de uma experiência científica qualquer.

Muito comumente, os filósofos idealistas não têm ousado ou sabido vencer a rigidez de certas fórmulas, ficaram bem distantes do bom senso sólido das massas, sempre espantadas pelo aspecto um pouco árido das ciências abstratas.

Gabriel Delanne teve o grande mérito de compreender que as fórmulas científicas nada perdem por serem impregnadas de ideal, para torná-las compreensíveis a todos. Adotou a linguagem simples e lógica, pela qual elas se tornam magnificamente claras e precisas.

Os livros de Gabriel Delanne são necessários a todos aqueles que abordam o estudo do Espiritismo e das ciências ocultas, porque as teorias que encerram são suscetíveis de dar a todas as pessoas sérias bases perfeitas para facultar seu raciocínio.

Os adversários do Espiritismo moderno têm negado obstinadamente a realidade de tantos fatos facilmente explicáveis por meio das teorias realmente científicas; têm afirmado tantas tolices, que é indispensável ter sob nossas mãos, para consultá-los, livros preciosos como os do nosso mestre.

Eles ficarão, como os de Allan Kardec e Léon Denis, verdadeiras obras básicas necessárias a todos os pesquisadores que, sem prevenção, resolvem estudar o Espiritismo, da mesma forma que uma outra ciência, com o desejo sincero de se instruir e de prestar serviço à humanidade, que deve depurar-se e progredir, para se aproximar cada vez mais de seu Criador.

Eis por que forneceremos uma relação sumária da obra admirável de Gabriel Delanne.

Aqui vão, com a data da primeira edição, os livros que ele escreveu:



  • O Espiritismo perante a ciência 1885

  • O Fenômeno Espírita 1896

  • A Evolução Anímica 1897

  • Pesquisa sobre a Mediunidade 1898

  • A Alma é Imortal 1899

  • As Aparições Materializadas dos
    Vivos e dos Mortos (1º volume) 1909

  • Idem (2º volume) 1911

  • Documentos para servir ao
    Estudo da Reencarnação. 1927

Além dessas obras, Gabriel Delanne tem, em colaboração com Bourniquel, um livro intitulado Ouçamos os Mortos.

Ele preparava, no momento de sua morte, já o dissemos, em colaboração com Andry Bourgeois, uma obra sobre ideoplastia.

Análise detalhada da obra de Gabriel Delanne será feita um dia por um de nós,28 mas como o quadro desta biografia não permite longos pormenores, limitar-nos-emos a dar um resumo do índice de cada volume.

O leitor avaliará, assim, da diversidade dos assuntos tratados, do conjunto e da vastidão das idéias filosóficas estudadas.

A primeira obra de Delanne, O Espiritismo perante a Ciência, apareceu em 1885. O autor colocou no frontispício desse volume a seguinte tocante dedicatória:

“Dedico este livro a meus pais, cuja ternura e solicitude tornaram bem doces os primeiros anos de minha vida.”

Admirável atenção de um filho respeitoso e amoroso, que mostra Gabriel Delanne com todo o seu coração repleto de piedade filial.

O livro apresenta um interesse considerável pela seqüência dos assuntos tratados. Está dividido em cinco partes.

O capítulo I da primeira, bem curto, é consagrado ao exame das diversas filosofias que se ocuparam com a alma e suas funções.

O capítulo II, muito importante, examina o cérebro. É particularmente interessante citar aqui a conclusão desse capítulo:

“De todas as teorias examinadas, nenhuma nos conduz à certeza de que a alma não seja uma entidade. Ao contrário, num exame atento, chega-se à convicção de que o espírito ou a alma realmente existe e que manifesta sua presença em todas as ações da vida.

Nem os profundos conhecimentos químicos de Moleschott, nem o talento dos sábios como Broussais, Buchner, Karl Vogt, Luys, etc., conseguirão negar a crença na alma, nem ao menos duvidar de sua realidade.

Há um século, temos ao nosso dispor um poderoso instrumento de investigação, que nos revela a maneira mais formal da existência da alma; queremos falar da ciência magnética.

Com fatos fornecidos pelo magnetismo, separou-se a alma do corpo; ela se destaca desse último e manifesta sua realidade com fenômenos surpreendentes, apresenta-se nitidamente separada de seu envoltório carnal e vivendo uma existência especial.”

Essa conclusão coloca, assim, a questão em seu verdadeiro domínio: o terreno científico. Mostra, bem claramente, que todas as hipóteses científicas vão ser examinadas pelo autor, a fim de destacar a que pareça apresentar a mais ampla verdade, ao mesmo tempo adequada aos conhecimentos humanos.

A segunda parte compreende o magnetismo e sua história, o sonambulismo natural, o sonambulismo magnético e o hipnotismo.

A terceira parte apresenta as provas da imortalidade da alma pela experiência, as teorias dos incrédulos e o testemunho dos fatos e as objeções.

A quarta parte, a mais importante, nos mostra uma definição precisa de perispírito, as provas de sua existência, sua utilidade, seu papel, o que vem a ser após a desencarnação e qual é sua composição.

A quinta parte trata de algumas espécies de mediunidade.

O Espiritismo perante a Ciência deveria ser lido e relido por todas as pessoas que desejam tratar de Espiritismo, mas após a leitura preliminar dos livros de Allan Kardec e Léon Denis.

Lamentavelmente, o Espiritismo é, muitas vezes, praticado sem estudo prévio e assistimos, então, a experimentações ridículas e grotescas, que parecem justificar as zombarias fáceis de alguns jornalistas desinformados ou alguns espíritos críticos, cuja ignorância e fatuidade superam tudo o que se possa imaginar.

Muitas pessoas aceitam facilmente as histórias ridículas lançadas, seja a favor do Espiritismo ou contra ele.

A leitura atenta de O Espiritismo perante a Ciência esclareceria e, sobretudo, conciliaria todos.

Teria a vantagem de dar segurança aos que começam a estudar a filosofia kardecista, mostrar-lhes-ia que o Espiritismo é uma ciência que desvenda todo um mundo de mistérios, que torna patentes as verdades eternas.

Toda a obra de Delanne nos apresenta uma série de observações que autorizam deduções rigorosamente científicas.

Essas deduções nos permitem entrever a verdade, nos aproximarmos dela cada vez mais, embora os caminhos que conduzem até ela sejam árduos e difíceis, mas podemos estar certos de ver seu clarão aumentar diante de nossos olhos maravilhados.

Com o sucesso obtido pela obra O Espiritismo perante a Ciência, Gabriel Delanne decidiu prosseguir sua propaganda pelo livro, em favor da Doutrina kardecista, e em 1897 publicava uma nova obra, O Fenômeno Espírita, que continha em suas páginas os testemunhos dos sábios de todos os países, testemunhos que fariam homenagem à verdade, afirmando de forma precisa a realidade dos fenômenos.

Delanne havia posto na abertura dessa notável obra a célebre afirmação de William Crookes:

“Eu não digo que isso é possível, digo que existe.”

Assim como a opinião de Victor Hugo:

“Evitar o fenômeno espírita, negar atenção a quem tem direito é negar a verdade.”

Aliás, Gabriel Delanne teve cuidado de pôr no fim desse livro uma lista numerosa das notabilidades que haviam afirmado a realidade dos fenômenos espíritas.

Nada melhor podemos fazer do que citar aqui um resumo do Prefácio, que poderia ser escrito ainda hoje, tanto parece ajustar-se à nossa época.

Qualquer comentário sobre as linhas que transcrevemos só poderia enfraquecer o brilho de tal exposição, cuja precisão nada deixa a desejar.

“O Espiritismo é uma ciência que tem por objeto a demonstração experimental da existência da alma e de sua imortalidade, por meio de comunicação com os impropriamente chamados mortos.”

Faz cerca de meio século 29 que as primeiras pesquisas sobre esse assunto foram realizadas; homens de ciência, do mais alto valor, consagraram longos anos de estudos para constatar os fatos, que estão na base dessa ciência, e foram unânimes em afirmar a autenticidade real desses fenômenos, que pareciam fruto da superstição e do fanatismo.

Não são conhecidas essas pesquisas na França, ou as conhecemos mal,30 de sorte que o Espiritismo aparece sempre aos olhos do grande público como a farsa das mesas girantes.

Entretanto, o tempo fez a sua obra e essa doutrina apresenta hoje ao examinador imparcial uma série de experiências rigorosas, metodicamente conduzidas, que provam de uma forma concludente que o “eu” humano sobrevive à desagregação corporal.

São esses resultados que desejamos expor, a fim de que implantem em todas as consciências a convicção da imortalidade, não mais buscada somente na fé ou no raciocínio, mas solidamente fixada na Ciência, procedendo segundo seu severo método positivo.

A geração atual está cansada das especulações metafísicas, recusa crer no que não é absolutamente demonstrado e, se o movimento espírita, que já conta com milhões de adeptos no mundo inteiro, não ocupou o primeiro lugar é porque seus seguidores têm se descuidado muito, até agora, de pôr aos olhos do público fatos bem constatados.

É tempo de reagir contra os bonzos 31 oficiais, que tentam abafar as novas verdades, afetando uma desdenhosa indiferença.

Do mesmo modo que temos respeito e admiração pela ciência, sem opinião preconcebida, por aquela que encara imparcialmente todos os fenômenos, estuda-os e os explica friamente, deles fornecendo boas razões, também sentimos indignação contra a falsa ciência, rebelde a todas as novidades, encerrada em suas convicções adquiridas e crendo orgulhosamente ter atingido os limites do saber humano.

São esses seres, dizemos como Wallace, que fizeram oposição a Galileu, a Harvey, a Jenner.

São esses ignorantes ridículos, que recusaram as maravilhosas provas da teoria das ondulações luminosas de Young; são os que achincalharam Stephenson, quando ele quis empregar locomotivas sobre linhas férreas de Liverpool e Manchester.

Eles tinham muitos sarcasmos contra a iluminação a gás, e condenaram Arago, no próprio seio da Academia, quando ele quis tratar da telegrafia elétrica.

Não são esses mesmos seres ignaros que afirmavam que o magnetismo não passava de charlatanismo e velhacaria e que qualificavam a descoberta do telefone como tapeação americana?

Não é pelo vão prazer de mostrar quanto o espírito humano, mesmo nas classes mais esclarecidas, está sujeito a erro, que citamos alguns exemplos mais chocantes da obstinação dos sábios e de seu horror pelas novidades. É para suscitar um movimento sério em favor dessas pesquisas, que têm uma abertura considerável, tanto no domínio material como no campo psíquico.

Se, realmente, a alma não morre e pode agir sobre a matéria, nós nos achamos em presença de forças desconhecidas que é interessante estudar; constatamos, por isso mesmo, novos modos de energia que nos podem conduzir a grandiosos resultados.

Como a personalidade se conserva após a morte, ficamos em face de um outro problema: o do pensamento produzido sem os órgãos materiais do cérebro.

Deixemos de lado os rotineiros, os obstinadamente encarcerados em seus sistemas, abramos bem os olhos para homens probos, sábios e imparciais quando nos falam de descobertas recentes e fechemos os ouvidos às gritarias de todos os impotentes do pensamento, que não podem sair do hábito das idéias preconcebidas.

É em nome do livre pensamento que convidamos os pesquisadores a se ocuparem com nossas investigações. É com insistência que lhes pedimos não recusarem, sem exame, esses fatos tão novos e tão mal conhecidos e ficaremos persuadidos de que a luz brilhará diante de seus olhos, como iluminou os homens de boa-fé que, há 50 anos, quiseram estudar esse problema do Além, tão temível e tão misterioso, antes dessas descobertas.



* * *

No livro A Evolução Anímica, publicado em 1897, Delanne apresentou um estudo geral da vida entre os seres organizados, uma análise bem pormenorizada do perispírito e como ele pôde adquirir as propriedades funcionais. Num outro capítulo, tratou da memória e das personalidades múltiplas.

Como as obras anteriores, esse livro apresenta um interesse considerável e sua leitura é necessária a toda pessoa que deseje conhecer o Espiritismo. A teoria da reencarnação é nele apresentada claramente:

“Com a certeza das vidas sucessivas e da responsabilidade dos atos, muitas questões se apresentarão sob outros aspectos.

As lutas sociais, que tomam, em nossa época, um terrível caráter de aspereza, poderão ser amenizadas pela convicção de que a duração de uma existência nada mais é do que um movimento transitório na eternidade da evolução.

Com menos orgulho para os do alto e menos inveja para os de baixo, uma solidariedade efetiva nascerá, ao contato com essas consoladoras doutrinas e por certo nos será permitido ver desaparecer as lutas fratricidas, estúpidos produtos da ignorância, dissipando-se diante dos ensinamentos de amor e de fraternidade, que são a brilhante coroa do Espiritismo.” 32

Tais palavras são hoje bem atuais; apresentam uma importância cada vez maior, porque são confirmadas pelos fatos e encontram sua consagração graças à continuidade do esforço perseverante dos homens de boa vontade.

* * *

A obra mestra de Gabriel Delanne é, sem contestação, As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos; esses dois volumes, por si sós, forneceriam matéria para numerosos volumes de comentários.

Digamos simplesmente que, no primeiro volume, Gabriel Delanne não deixa sem resposta nenhuma das objeções que são feitas à existência da alma dos vivos. Para prová-lo, fornece uma documentação extraordinária, baseada em múltiplas experiências científicas.

No segundo volume, mostra a analogia existente entre o que se passa durante a vida dos seres e o que acontece quando, não tendo mais o corpo físico, podem, todavia, manifestar sua sobrevivência através de comunicações post mortem.

Daqui a alguns séculos, quando os historiadores desejarem tornar conhecido o que havia na época da barbárie, quando existiam materialistas, os humanos dessa época ficarão muito espantados ao constatarem que os metapsiquistas nada tinham inventado.

Todas as suas supostas descobertas estão nos livros dos espíritas, que eles desdenham.

Provas constantes se encontram, ao percorrermos as páginas de As Aparições Materializadas dos Vivos e dos Mortos.

É verdade que Gabriel Delanne, sábio de linguagem clara, empregava os termos comuns, enquanto que os metapsiquistas julgavam necessário, para se fazerem interessantes aos olhos das massas ingênuas, inventar termos de pronúncia difícil.



Dezembro 1927 – Janeiro 1929
Paris – Butry

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