Paul Bodier e Henri Regnault Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra Gabriel Delanne (1857 1926)



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Capítulo IV

O Espiritismo e os escritores, filósofos, etc.


O grande poeta Victor Hugo era francamente espírita. Escreveu ele:

“Evitar o fenômeno espírita, negar-lhe a atenção a que tem direito, é negar a verdade.”

O Padre Lacordaire, célebre pregador, escrevia, na época de Allan Kardec, à senhora Swetchine:

“Vistes as mesas girarem e as ouvistes falar? Desdenhei de vê-las girar, como uma coisa muito simples, mas as tenho ouvido e também feito falar. Elas me disseram coisas muito notáveis sobre o passado e sobre o presente.”

Citemos ainda estas duas opiniões de escritores franceses.

Auguste Vacquerie:

“Creio nos espíritos batedores da América, atestados por 15.000 assinaturas.”

Eugène Bonnemère:

“Eu ri, como muita gente, do Espiritismo, mas o que eu tomava como o riso de Voltaire era o riso do idiota muito mais comum do que o primeiro.”

O grande filósofo alemão Schopenhauer escreve em suas Mémoires sur les Sciences Occultes:

“Sim, os fatos de telepatia, sim, os da adivinhação existem; o ausente aparece, portanto, ao ausente; o moribundo, a milhares de quilômetros, se mostra a seu amigo...”

E eis que esse discípulo de Kant dá um passo a mais e ousa declarar possível:

“Em nome do método correto e da especulação séria, essa coisa formidável: as aparições de espíritos, uma certa comunicação dos vivos com os mortos...”

Aqui estão a opinião de dois grandes filósofos franceses contemporâneos:


Boutroux


Membro da Academia Francesa, Boutroux escrevia:

“Um estudo amplo, completo do psiquismo não oferece apenas um interesse de curiosidade, mesmo científico, porém ainda interessa muito diretamente à vida e ao destino dos indivíduos e da humanidade.”


Bergson


Professor do Colégio de França, cujas doutrinas sobre a evolução causaram uma agitação enorme no mundo inteiro, dizia Bergson, numa conferência sobre A Alma e o Corpo, em 28 de abril de 1912:

“Se, como temos tentado demonstrar, a vida mental ultrapassa a vida cerebral; se o cérebro se limita a traduzir em movimentos uma pequena parte do que se passa na consciência, então a sobrevivência se torna tão verossímil que a obrigação da prova caberá a quem nega, bem mais do que a quem afirma, pois a única razão para crer na extinção da consciência após a morte é que se vê o corpo desorganizar-se, e essa razão não tem mais valor se a independência da quase totalidade da consciência a respeito do corpo é, ela também, um fato que se constata.”

Agora, a opinião do bem conhecido escritor Victor Margueritte:

“Creio que tudo que viveu na Terra não pode desaparecer. O espírito não pode ser aniquilado...

Em existências sucessivas, o espírito se desenvolve, progride... Porque, em nosso mundo, nada existe, além da educação... Espírito, educação, é preciso sempre retornar...”

E, afinal, a opinião de Ford, homem de negócios, na América, o criador da grande indústria automobilística:

“Pois bem, não há outra vida, só existe esta, que continua, continua sem cessar e que se realiza cada vez mais. A vida não pode morrer. Longfellow tinha razão: “Não há morte. Isto não é poesia, é Ciência. A vida que pudesse morrer não seria vida.”

A vida é perfeita e contínua. As faculdades intelectuais do indivíduo remontam a centenas de séculos. O que chamamos de conhecimentos inatos não é, em suma, mais do que a herança de existências anteriores.”


A lucidez e a prestidigitação 33


Quiseram fazer dos prestidigitadores os árbitros da realidade dos fenômenos psíquicos.

É útil apresentar aqui a opinião do mais célebre dentre eles, Robert Houdin, numa carta ao Masquês E. de Mirville:

“Voltei dessa sessão espírita tão maravilhado quanto foi possível e persuadido de que é impossível o que o acaso ou a habilidade possam jamais produzir efeitos tão surpreendentes. Minha arte de prestidigitador é incapaz de reproduzi-los.

O Espiritismo


O Espiritismo prova, pela observação direta e pela experiência:

1º) a existência, no ser humano, de um duplo fluídico, envoltório imperecível da alma e arquivo do corpo físico;

2º) que a alma, entidade imaterial individualizada, e seu envoltório fluídico (perispírito), invisível nas condições ordinárias, se destaca, pela morte do corpo físico, e sobrevive no mundo espiritual;

3º) que, sendo preenchidas certas condições, os espíritos (almas desencarnadas) podem, com auxílio de seu perispírito, manifestar-se de diversas maneiras aos vivos e lhes transmitir mensagens pessoais.

O Espiritismo nos ensina:

a) que a alma humana é progressiva e que evolui para a perfeição, de vida em vida, de grau em grau, através das provas e vicissitudes sem número, que a despojam de suas imperfeições e a purificam;

b) que não há julgamento sem apelação diante da justiça divina, que toda falta é reparável e deve ser reparada;

c) que o progresso moral e social interessa, de igual modo, a todos os homens;

d) que a prática do bem e da fraternidade é a lei inevitável da ascensão individual e coletiva.
Estudai o Espiritismo!

Apêndice

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Origem da


União Espírita Francesa


Em 4 de setembro de 1882, houve em Paris, na sede da Sociedade da Rua dos Petits-Champs, uma reunião de espíritas, na qual foram discutidas questões, apresentadas por nossos confrades da Bélgica, para a criação de uma Federação Francesa.

Um pouco mais tarde, Leymarie, estando na Bélgica, escreveu de Liège, em 22 de setembro, a um espírita parisiense, uma carta da qual extraímos a seguinte passagem:

“Havia aqui uma profunda cisão entre os espíritas belgas. Pude apaziguar os conflitos e, nesta noite, espero que haja uma geral reconciliação e, se minha presença conseguir esse resultado, bendirei todos os meus esforços.

Por que o que acontece aqui não aconteceria em Paris? Deveis me ajudar, meu amigo; vossos pais, sendo devotados à nossa Doutrina, devem esquecer os incidentes que conseguiram perturbar a harmonia.

Não poderíamos nós, dando-nos as mãos, nos unir e nos amar, ser o exemplo da conciliação e do esquecimento do passado, criando seriamente a base da sociedade espírita futura?”

Diante de um tal apelo à conciliação, o dever de todo espírita sincero era corresponder.

Uma Comissão se formou, tendo por objetivo agrupar os dissidentes e, ao mesmo tempo, estudar um projeto de Estatuto para a futura Federação Francesa.

Terminados os trabalhos, a Comissão expôs os resultados, diante de uma Assembléia de 150 pessoas, na Rua Saint-Denis.

Elaborado o Estatuto, foi aprovado por unanimidade, e logo vários assistentes queriam fundar a Federação sob o título de União Espírita Francesa.

Observou-se, então, que não se poderia fazê-lo, porque não se estava numa Assembléia Geral, capaz de representar todos os espíritas franceses.

Foi então resolvido dirigirmo-nos à sede da Sociedade, na Rua dos Petits-Champs, onde uma outra reunião seria realizada no domingo, 19 de novembro.

Foi-se para lá. O presidente fez a leitura de uma série de questões relativas à constituição de uma Federação Francesa e Belga. Em seguida, leu-se um projeto da União Espírita Francesa, incluindo a criação de um jornal bem barato, para órgão da Associação.

Na discussão, prevaleceu o princípio de uma Federação ou União Espírita Francesa, sem prejuízo das ligações que mais tarde se pudessem formar com outros países.

Sendo muitas as questões referentes à organização dessa Federação, foi decidido, por proposta de Leymarie, que se nomeasse uma Comissão Mista, cuja finalidade era preparar um trabalho para ser submetido à apreciação de uma Assembléia Geral, a única que seria qualificada para tomar resoluções definitivas.

Pôde-se ver, então, um comovente espetáculo: os espíritas dissidentes se apertarem as mãos e se tratarem como irmãos, reinando a alegria e a concórdia em todos os corações.

Leymarie, no decurso da reunião, ofereceu, graciosamente, a sede da Sociedade para realizarem as sessões da Comissão, o que foi aceito, marcando-se uma reunião para domingo e outra para quarta-feira.

Uma sessão bem curta foi feita naquela mesma noite e a Comissão, inspirando-se nos debates da Assembléia, adotou o título de Federação (ou União) Espírita Francesa.

A segunda sessão realizou-se na quarta-feira seguinte, 22 de setembro.

A Comissão ia continuar seus trabalhos, quando um de seus membros, o senhor Vautier, declarou que, sendo o administrador da Sociedade Anônima para continuação das obras de Allan Kardec, não podia permitir que, no local daquela Sociedade se fundasse um novo jornal, porque, afirmava ele, isso era nocivo aos interesses da Revista Espírita.

Tentou-se demonstrar-lhe que não seria assim e que a difusão de nossas idéias não poderia prejudicar a livraria espírita e que, além disso, se aceitara a Sociedade Espírita como sede da Comissão proposta de Leymarie.

Nenhuma dessas explicações demoveu o aparteante de suas idéias, e um dos membros propôs que a reunião fosse feita em sua casa, o que foi aceito.

A Comissão, para ficar no exercício de seu mandato, continuou seus trabalhos, apesar da abstenção de algumas pessoas, que se retiraram, pretendendo um projeto para uma Federação Franco-Belga.

Veremos um rápido relato da reunião havida em Paris, a 24 de dezembro último, no salão da Redoute, à Rua J. J. Rousseau, 35, na presença de mais de 400 pessoas.

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