Paul Bodier e Henri Regnault Gabriel Delanne sua vida, seu apostolado e sua obra Gabriel Delanne (1857 1926)



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Discurso sobre Deus

(por Gabriel Delanne)


Senhoras e Senhores,

Lançamos hoje os alicerces de uma grande e fecunda obra para o futuro: os membros da família espírita, dispersos, após a morte de nosso mestre Allan Kardec, vão se reunir novamente.

A Doutrina vai tomar um grande impulso, graças a nossos esforços comuns.

Estudaremos, sob a direção dos espíritos, as grandes questões que tratam da imortalidade da alma; porém, para nos apoiarmos em base sólida, em nossas pesquisas na busca da verdade, convém que nos entendamos sobre o ponto de partida de nossos trabalhos.

A questão da existência de Deus é a mais grave que se possa apresentar; eis por que acho necessário estudá-la convosco, sob o ponto de vista espírita.

Todas as religiões antigas fizeram uma falsa idéia da Divindade; consideravam-na como uma emanação idealizada da personalidade humana e não como um ser concreto e distinto de nós; elas lhe reconhecem um poder superior ao da humanidade, mas, ao mesmo tempo, lhe atribuíam a maior parte das paixões.

Essa concepção era a resultante do estado geral dos espíritos.

O princípio espiritual do homem, devendo sofrer evoluções sucessivas, antes de alcançar a perfeição, não podia, nas primeiras idades, oferecer uma idéia justa do Ser Supremo, que chamamos Deus.

Quanto mais o espírito se desenvolve, mais suas faculdades intelectuais progridem; a evolução, seguindo seu curso incessante, favorece a eclosão das novas idéias; a Ciência, ampliando a compreensão humana, recua as margens impostas pela ignorância e pelo preconceito; as faculdades se engrandecem e se elevam; a noção da Divindade é relacionada com o progresso do espírito, e um Deus que reina em nosso pequeno mundo não basta mais à alma que descobriu a infinidade do Universo.

A ajuda que a Ciência deu ao gênio humano fê-lo penetrar nas profundezas do vazio. O espírito se lança nos espaços, graças à visão telescópica, e descobre milhares de mundos girando no éter e lançando suas esplêndidas harmonias nos celestes campos da imensidão.

É diante desses horizontes, recentemente abertos à investigação humana, que o espírito maravilhado concebe o Criador de todas as coisas, tão acima de nós que só um esforço da razão pode fazer com que o entendam.

A ordem, a grandeza e a majestade reinam por toda parte; tudo demonstra a bondade, a justiça daquele de quem todos os esplendores são apenas pálido reflexo.

Não, o Deus moderno não é mais esse poder implacável e vingativo, que condena eternamente o homem pela falta de um momento.

Não, a sombria divindade da Bíblia não reina mais sobre nós, como uma perpétua ameaça.

Não é mais o Jeová rancoroso que ordenava a degola dos que não acreditavam nele e que fazia curvar milhares de homens sob o vento da cólera, como um roseiral sob o vento furioso.

O Deus moderno nos apareceu como a expressão da mais perfeita das ciências e das virtudes.

Sua inteligência suprema se manifesta no admirável entrosamento das forças que dirigem o Universo; sua bondade, pela lei da reencarnação, nos permite resgatar nossas faltas pelas expiações sucessivas, e nos elevar, gradativamente, até sua infinita majestade.

Nossas relações com os espíritos nos sustentam nos duros combates da vida e nos dão uma energia constante, para atingir o fim a que estamos destinados.

Em face desses ensinos de amor e de caridade, desmoronam as velhas lendas que faziam mergulhar nossos espíritos num dogmatismo absurdo e tirânico.

Já não é mais necessário elevar nossos olhares para a abóbada celeste, a fim de nos convencermos de Deus.

Neste ínfimo globo que habitamos, a Terra mostra, sem cessar, aos nossos olhos o emocionante quadro de suas transformações. As estações seguem seu curso, os corpos se combinam, a vida circula sobre o planeta, juntando e desagregando as moléculas, segundo leis inelutáveis.

Quais são essas leis? É o que, desde 4.000 anos, o homem busca estabelecer.

Mal percebe algumas poucas diretrizes e já se crê elevado ao píncaro dos conhecimentos humanos.

A atração planetária é um fato que ele constata, sem explicá-lo; a eletricidade é um fluido que ele só conhece por seus efeitos; a luz, o calor, quantos mistérios para o homem que procura aprofundar sua constituição íntima.

Todavia, as leis que produzem esses fenômenos têm entre si analogias que denotam uma identidade de origem. Todas elas se cumprem maravilhosamente, tão logo se apresentem as circunstâncias em que se possam exercer. É preciso, pois, que exista uma força incessante que as faça agir.

Dir-se-á que tal molécula tem afinidade por uma outra; que isso é a causa das combinações; porém, que é essa afinidade?

Quem dotou a matéria dessas atrações e repulsões? Dizer que ela as possui de toda a eternidade é recuar o problema e não resolvê-lo, porque chegamos, pelo estudo da Mecânica Celeste, à necessidade de uma causa primária inicial.

Além disso, na Natureza, tudo é harmonia; os corpos se unem, em proporções definidas, isto é, há para cada corpo uma determinada quantidade de matéria que se combina, quaisquer que sejam as condições nas quais façamos a experiência.

Tudo vibra, na Natureza, em acordes harmônicos, em condições determinadas por uma inteligência, contudo as leis das quais resulta essa harmonia lhe são superiores, pois a causa é sempre maior do que o efeito.

Se essas observações são verdadeiras no mundo material, vamos ver que elas o são igualmente no mundo espiritual, cuja existência nos é demonstrada, de uma forma irrefutável, pois faz parte de nossa crença.

Sabemos, pelos espíritos, que eles próprios obedecem a regras que lhes são impostas. Ora, continuando a aplicar minha teoria, direi: supondo mesmo que a matéria sempre haja existido e que obedeça a leis eternas, que possuía desde a origem, pedirei aos materialistas que me digam de onde vem o princípio espiritual, que é independente da matéria, que se manifesta de mil formas diferentes em nossas reuniões, conforme constatamos cada dia.

Esse princípio também tem leis às quais se é forçado a obedecer, e que são evidentemente superiores ao espírito, pois o dominam.

Daí concluímos por uma força eficiente que chamamos Deus, governando a matéria e o espírito!

Disso resulta, pelo visto, que o Deus que compreendemos é a infinita grandeza, o infinito poder, a infinita bondade, a infinita justiça!

É a iniciadora, por excelência; é a força incalculável, a harmonia universal!

É Deus que paira acima da Criação, que a envolve com seus fluidos, que a penetra por sua razão. E por ele que os Universos se formam, que as massas celestes apresentam seus esplendores deslumbrantes, nas imensidões do Infinito.

É por Ele que os planetas gravitam nos espaços, em torno dos focos luminosos, formando brilhantes auréolas de sóis.

É Deus a vida eterna, imensa, indefinível, é o começo e o fim, o Alfa e o Ômega.

É Ele que, no abismo dos tempos, quis que o Universo existisse e a poeira cósmica entrou em movimento.

É por sua vontade que as admiráveis leis da matéria desenvolvem no infinito as combinações maravilhosas que produzem tudo o que existe.

É sua razão sem limites que ordenou tudo fosse feito em vista de um efeito inteligente.

É sua justiça que traçou em caracteres indeléveis as leis de fraternidade e solidariedade que se fazem sentir entre os homens e os mundos.

É sua bondade inefável que deu ao homem, incessantemente, o meio de conseguir a felicidade através das encarnações sucessivas.

Oh! Deus poderoso, que minha razão ao menos compreenda, Criador de todas as coisas!

Não te posso definir, mas te adoro em tuas obras. Anulo minha personalidade pensante diante de ti; sei que, por menor que me tenhas feito, tu me vês e me sustentas e que, por tua ajuda, chegarei à perfeição.

Eis por que bendigo teu nome, ó Pai e Criador de todas as coisas!



(Vivos aplausos)
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