Pavilhão Mourisco



Baixar 68.67 Kb.
Encontro24.07.2016
Tamanho68.67 Kb.


pavilhão Mourisco”: BIBLIOTECA E EDUCAÇÃO

EM cECÍLIA MEIRELES
Jussara Santos Pimenta

PUC-RIO
A vida faz-se de sonho,



mas de sonho clarividente.

A educação tem de ser o sonho e a clarividência

de cada um, conciliados definitivamente,

no ritmo de todos”.

(Cecília Meireles)

Esse texto tem como objetivo apresentar alguns aspectos do trabalho de Cecília Meireles relativo à divulgação da leitura e do livro infantil à frente da primeira biblioteca pública infantil brasileira, localizada no Pavilhão ou Espaço Mourisco, inaugurada em 1934, articulando-o à gestão de Anísio Teixeira na Diretoria Geral de Instrução Pública do Distrito Federal. Caracteriza-se, metodologicamente, como uma pesquisa histórica na perspectiva assinalada, utilizando como base material de análise o conjunto de textos que constam na obra de Cecília Meireles (especialmente os Comentários da Página de Educação do Diário de Notícias, bem como sua correspondência pessoal com Fernando de Azevedo)1; a obra e documentos de Anísio Teixeira que constam do seu arquivo pessoal no CPDOC (sobretudo o que se refere à Reforma de Instrução Pública no Distrito Federal em 1931-1935); a obra e os documentos encontrados no arquivo Fernando de Azevedo (IEB-USP); a obra de Armanda Álvaro Alberto (inclusive o livro de atas da Seção de Cooperação da Família da ABE - Associação Brasileira de Educação); bem como outros documentos que têm ligação estreita com o tema proposto para investigação: documentos referentes ao Pavilhão Mourisco que constam no Arquivo da Cidade; jornais da época, encontrados na seção de periódicos da Biblioteca Nacional e nos arquivos do jornal O Globo, depoimentos, cartas e entrevistas.


São objetivos e contribuições desse trabalho: entender o Espaço Mourisco como um celeiro de idéias e pesquisas pedagógicas que pode ajudar a esclarecer aspectos relevantes da nossa história educacional; ajudar a entrever outras facetas do movimento da Educação Nova; trazer uma contribuição ao estudo da obra pedagógica de Cecília Meireles; utilizar a abordagem histórica dos fatos da educação como um instrumento indispensável para a análise das situações do presente; subsidiar investigações posteriores que tomem como objeto a biblioteca escolar, relacionando-a às políticas sociais de atendimento à escola das classes populares.
A primeira constatação que se tem da importância de Cecília Meireles no cenário brasileiro decorre do fato de sua obra poética ser lida e admirada em todo o seu conjunto. À medida que fui me aproximando dessa obra especial, foi possível entrever muitas outras faces dessa escritora que soube estar presente no seu tempo, como nenhuma outra. A Notícia Biográfica, da Obra Poética, da Editora Aguilar me forneceu a pista para procurar desvendar esses outros caminhos: como educadora, Cecília Meireles escreveu livros, assinou o Manifesto dos Pioneiros, ao lado de Anísio Teixeira, Roquette Pinto, Armanda Álvaro Alberto, Fernando de Azevedo, Noemy da Silveira, Lourenço Filho, Edgar Sussekind de Mendonça, entre tantos outros, foi professora da Universidade do Distrito Federal, conferencista sobre assuntos de literatura e educação e integrou a Comissão Nacional de Folclore; como jornalista, colaborou em quase todos os jornais e revistas do Rio de Janeiro: teceu comentários no Diário de Notícias a favor da Educação Nova, publicou estudos sobre folclore infantil no jornal A Manhã e poemas nas revistas Árvore Nova, Terra de Sol e Festa (nas suas duas fases), escreveu para o jornal Observador Econômico e Financeiro e editou a revista Travel in Brazil, do Departamento de Imprensa e Propaganda (DIP); como amante da literatura e dos livros, realizou um inquérito sobre leituras infantis, que serviu de base para a fundação da primeira biblioteca pública infantil - a Biblioteca do Pavilhão Mourisco.
Conhecer a fascinante viagem dessa poetisa educadora (ou educadora poetisa?), é conhecer toda uma época. Reler sua obra, sobretudo as suas crônicas e seus Comentários é rever momentos importantes do nosso panorama educacional. É rever, através do seu olhar, fascinantemente feminino e coerente, o movimento da Escola Nova: os seus embates, as suas conquistas, o seu conteúdo pioneiro e realizador. Assim, o caminho que empreendemos foi tentar olhar a história através desses olhos. Conquanto a admiração, atentamos para o fato de que este não pretende ser uma exaltação retórica de um fato histórico ou de uma personalidade2. Fazer história é mais que isso. É questionar o passado, refletindo sobre as possíveis contradições dos fatos históricos. É tentar captar os acontecimentos através das lentes divergentes do nosso tempo, procurando nos aproximar da realidade e tendo a clareza dos limites do nosso olhar, ou seja, compreendendo que aquilo que chamamos passado deve estar de fato, presente, embora distante no tempo. E,
...além disso, a história, todos sabem como é feita. Dificilmente se pode descrever uma coisa que se presencia: fatores de tantas naturezas intervêm para que variem as interpretações! O testemunho histórico, ainda o dos autores escolhidos como insuspeitos, é sempre imperfeito, improvável. Admitindo que se obtivessem testemunhos insofismáveis, como apresentar suficientemente coisas de difícil compreensão, dada a transformação do ambiente, a ética dos tempos, o conceito de quem julga?"3
A experiência do Espaço Mourisco despertava a curiosidade. Era preciso conhecer mais a fundo essa experiência que gerou polêmica e controvérsias a fim de saber o que tal iniciativa representou no universo educacional da década de 30 e que impacto ocasionou nos modelos até então seguidos pelos educadores brasileiros. As dúvidas acerca dos problemas que envolvem a biblioteca escolar e as concepções de leitura presentes nas nossas escolas poderiam ser comparadas às daqueles educadores quando criaram o Espaço Mourisco? Essa experiência foi significativa quando procurou respostas para problemas surgidos na época e permitiu que os educadores brasileiros começassem a pensar outros caminhos para questões fundamentais como a leitura, a literatura infantil, os livros, a biblioteca?... Procurar rever essa experiência pode ajudar a suscitar novas discussões sobre o assunto e permitir que os educadores desse final de século encontrem respostas semelhantes e/ou soluções inusitadas para os seus problemas educacionais a partir daquelas perguntas que se julgava perdidas no tempo?
Muitas destas questões já faziam parte das indagações de alguns educadores brasileiros nos anos 30, entre eles, Cecília Meireles, cuja trajetória nos diversos campos (acadêmico, artístico, literário, jornalístico e político) é por demais conhecida. Para acompanhar esse percurso é importante conhecer um pouco do que foi a sua vida, o que os livros, a leitura e a literatura representaram na sua educação e quais foram os reflexos dessa paixão: a Página de Educação, a Página das Crianças, a Biblioteca do Pavilhão Mourisco, sua colaboração nos jornais A Manhã e A Nação, bem como obras sobre educação como Criança Meu Amor, Ruth e Alberto, Leituras Infantis, etc. Só assim, podemos entender o porque de tanta propriedade em falar de tais questões.
Em 1923, Cecília editou o seu primeiro livro para crianças: Criança Meu Amor. Esse livro foi adotado no ano seguinte pela Diretoria de Instrução Pública e aprovado pelo Conselho Superior de Ensino dos estados de Minas Gerais e Pernambuco. Trazendo ilustrações de Correia Dias, ilustrador português com quem Cecília Meireles havia se casado em 1920, esse livro trazia ainda uma visão bastante tradicional da educação. Nessa época, as idéias de educadores como John Dewey, William James, Decroly, Kilpatrick e Claparède começavam a ser trazidas por intelectuais brasileiros que estiveram no exterior. Entre eles, Anísio Teixeira, que estivera nos Estados Unidos, em 1927, e depois, como aluno do Teachers College, em 1928. Tivemos ainda a chegada de professores, sobretudo de alunos de Édouard Claparède, como León Walther e Helena Antipoff. Cecília Meireles também vai se contaminar dessas novas idéias. Em sua tese O Espírito Victorioso, com a qual concorre à cadeira de Literatura Vernácula da Escola Normal do Distrito Federal em 1929, refere-se à escola moderna com ênfase de uma entusiasta:
Todos os dias é tempo de se fazer o elogio da nova educação, ainda que sintamos passada a sua fase consagrativa, transformada no culto cada vez mais constante daqueles que realmente a tenham compreendido. Todos os dias brota espontaneamente do nosso entusiasmo esse elogio, pois à medida que caminhamos por estes novos campos é que sentimos como aqui se expande sinceramente a vida e cada elemento individual pode modelar com liberdade a sua forma de modo que, no milagre das realizações posteriores, esteja cada valor em seu lugar próprio e nenhum poder fique sem aproveitamento.4
Para a jovem professora o mais curioso é a generalização que essas idéias novas tomaram, sua propagação ou o aparecimento simultâneo sobre diversos pontos da terra, fazendo crer numa nivelação geral de desenvolvimento, entre povos das mais diversas origens e tradições.5
No início dos anos 30 vamos encontrá-la envolvida não somente com poesia e educação. Nesse momento se abre uma nova frente de interesse - o jornalismo. Cecília é chamada para dirigir uma página diária no jornal Diário de Notícias, fundado em 12 de junho pelos jornalistas Orlando Dantas, Nóbrega da Cunha e Alberto Figueiredo Pimentel. A Página de Educação foi uma verdadeira trincheira de onde Cecília dialogava com os educadores sobre as questões fundamentais da educação brasileira e de onde combatia pela educação, contra o obscurantismo dos opositores dessas novas idéias. Todas as questões eram dissecadas pela sua pena, talvez utópica, mas lúcida e corajosa.
Bibliotecas para crianças era um tema caro à Cecília Meireles, mas ela não chegou a escrever um Comentário inteiramente dedicado ao assunto. Entretanto, essa era uma de suas preocupações mais constantes. Pensar em organizar criteriosamente uma biblioteca infantil é ter de lutar, desde logo, com uma dificuldade que inutiliza esse bom propósito: a falta de livros para crianças, entre nós.6 A inauguração, organização e a insuficiência de bibliotecas no Distrito Federal foi tema de muitos dos artigos constantes da Página e reivindicação de muitos outros intelectuais da época.
A ABE, através de sua Seção de Cooperação da Família, inaugurada em 1925, iniciara a sua campanha em prol da criação de bibliotecas escolares e infantis, já nos primeiros meses de funcionamento. A Seção procurou realizar atividades que funcionassem como ativadoras do debate educacional: pregações, palestras através do rádio, concursos, conferências em colégios e associações, festas pedagógicas, seleção e censura de filmes, elaboração de listas de livros recomendáveis, organização de atividades infantis, criação dos Círculos de Pais nas escolas públicas e particulares. Além disso, a Seção foi responsável pelos inquéritos sobre leituras entre os escolares do Distrito Federal, pela emissão de listas de livros recomendáveis para a infância e adolescência, pela campanha de melhoria dos livros destinados às crianças, pelo programa de doação de livros às escolas, e pela reivindicação de uma biblioteca pública para crianças. Outras atividades relatadas por Armanda: cursos de puericultura, de educação sexual, de higiene mental do adolescente, de desenho espontâneo, palestras sobre a vida de educadores notáveis e uma campanha de apelo feita à Associação Brasileira de Imprensa no sentido de modificação no noticiário sensacional dos jornais a que foram convidados a participar diretores de jornais, publicistas, magistrados e educadores interessados no assunto.7 Foi responsável, ainda, por uma campanha pela melhoria da literatura infantil publicada no país através de um memorial dirigido aos editores, que sugeria às casas editoras alguns requisitos básicos para a confecção de livros para crianças.
Conquanto fossem iniciativas isoladas empreendidas por diletantes, foram suficientes para criar um movimento que se fortaleceu, tanto assim que alguns educadores como Lourenço Filho, Fernando de Azevedo e mais tarde Anísio Teixeira, ao empreenderem suas reformas de ensino procurassem acatar algumas dessas sugestões e investissem na criação e desenvolvimento de bibliotecas escolares e infantis.
Anísio Teixeira assumiu, em 1931, a Diretoria Geral de Instrução Pública do Distrito Federal. Entre tantas outras iniciativas da sua gestão cabe enfatizar a criação de bibliotecas - a mais importante obra que a geração de educadores reformadores acreditava poder realizar. Tanto assim, que em fevereiro de 1932 foi criada a Biblioteca Central de Educação (BCE), diretamente subordinada ao Diretor Geral do Departamento de Educação, dispondo de uma seção de Filmoteca para incentivar o intercâmbio bibliográfico e cinematográfico, ou quaisquer outros que a estes se relacionassem e coordenar as atividades referentes às bibliotecas escolares e ao cinema escolar. A BCE foi criada como órgão central de coordenação e orientação, ou seja, o seu objetivo principal era a distribuição de livros para os estudantes da rede pública e publicações do Departamento de Educação para as escolas, oferecer aos professores da rede pública melhores condições de aprimoramento profissional e cultural, além de funcionar como estimuladora das atividades das bibliotecas e cinematecas criadas nas unidades escolares. Essa biblioteca funcionou de forma precária e jamais teve sede própria e contava, sobretudo, com a colaboração dos professores. Apesar da precariedade do seu funcionamento prestou serviços relevantes à comunidade escolar, como cursos de línguas e de manejo de aparelhos cinematográficos. Possuía em seu acervo livros em diversos idiomas e mantinha assinatura de periódicos nacionais e estrangeiros. Atualmente, o acervo da BCE encontra-se na Biblioteca Popular da Glória, no Rio de Janeiro. Conquanto se tenha preservado a maior parte de sua coleção, esta não se encontra inteiramente catalogada. Apesar disso, foi possível localizar 89 obras, das quais 79 são referentes à criação, organização e administração de bibliotecas e 11 obras que tratam da literatura infanto-juvenil. Dessas, apenas 10,1% são escritas em língua portuguesa. As demais, 89,9%, foram publicadas em italiano, francês, espanhol e inglês, língua em que se encontra a maioria das publicações. Das obras em língua inglesa, a grande maioria foi publicada pela American Library Association, de Chicago (EUA). Algumas dessas obras parecem ter sido bastante utilizadas, conforme pode se deduzir do estado em que se encontram, ou seja, têm várias marcas de leitura e anotações feitas em suas páginas. As obras Biblioteca en la Escuela, de Manuel Barroso e Bibliotecas Escolares, de Lorenzo Luzuriaga, tratam da biblioteca como um instrumento de ação pedagógica na escola. Manuel Barroso (1934), trata da importância que as bibliotecas escolares têm na Educação Nova e traz sugestões que deveriam ser observadas pelos professores para incentivar o trabalho pedagógico na biblioteca escolar: criação de associações infantis; a inserção dos alunos na direção e administração da biblioteca; a criação de reuniões periódicas onde se desenvolvessem atividades lúdicas, cursos de leitura, conferências; a classificação dos livros por idade a fim de incentivar o aluno a conhecer encontrar o livro que deseja; criação de uma revista infantil impressa ou manuscrita, mantida pela biblioteca e organizada pelos alunos; a organização de atividades como o Dia do Livro e promoção de campanhas de doação de livros junto à comunidade. Luzuriaga (1927), trata a biblioteca como uma das instituições fundamentais da escola, que deve contribuir para despertar o interesse das crianças pelos livros, pelas leituras livres e espontâneas e servir de complemento e afirmação do trabalho docente. Outro autor que parece ter sido bastante lido pelos professores foi Menegale (1932). Este, atenta para o fato de que não havia mais razão de se vedar o acesso das crianças à biblioteca, cabia aos professores incentivar o seu uso, mediante estratégias para incrementar a leitura infantil.

Tabela 1. Biblioteca Central de Educação (Acervo/Idiomas)8



Português



Inglês


Espanhol


Francês


Italiano


Total de Registros

9
(10,1%)



46
(51,7%)


15
(16,9%)


14
(15,7%)


5
(5,6%)


89
(100%)



A biblioteca constituiu, portanto, uma das instâncias de maior importância dentro da reforma do Distrito Federal. Segundo Anísio, o professorado primário deveria ter...


... constante e contínuo aperfeiçoamento profissional, de cunho cultural cada vez mais largo, embora especializado (especialização de ponto de vista e não quantitativa) que não pode correr por conta de recursos individuais, nem pode pesar sobre estes. É a própria direção da educação pública que tem de oferecer ao seu magistério, de todos os graus e especialidade, e aos seus técnicos, pesquisadores e planejadores, os elementos de estudo e de informações abundantes, complexos, difíceis de reunir, inacessíveis aos esforços isolados, cuja necessidade só aquela espécie de ignorância que não permite sequer saber que ignora poderá deixar de sentir. A "fonte limpa" de todos os que procuram saber será essa BCE, coroamento de todo um sistema de bibliotecas de trabalho, a partir das bibliotecas de classe e das bibliotecas escolares, as pequeninas "centrais" de cada escola, coordenadas e orientadas por um centro técnico a que se liga diretamente a BCE - a Divisão de Bibliotecas do Departamento de Educação.9
Outra importante realização da gestão de Anísio Teixeira foi a ampliação da biblioteca do Instituto de Educação cujo propósito era auxiliar na formação de professores, funcionar como espaço estimulador do hábito da leitura, da aquisição de conhecimentos através da investigação e da pesquisa que eram seguidas de debates e análises acerca do material coletado. Além disso, para assegurar a freqüência, foi providenciado, já a partir do Ciclo Complementar, que nos horários escolares estivessem previstos tempos destinados à leitura na biblioteca. Além disso, também estava previsto o ensino de técnicas de leitura para auxiliar o aluno na assimilação do texto lido.
A biblioteca infantil, criada em abril e inaugurada somente em agosto de 1934, foi um dos projetos mais ambiciosos da reforma anisiana e um espaço onde Cecília Meireles pôde desenvolver sua criatividade e seu empenho em favor da literatura infantil. Situada na enseada de Botafogo, era conhecida pela população como Pavilhão Mourisco. Tornou-se um dos grandes empreendimentos culturais da reforma e destinava-se a ser a Biblioteca Infantil do Distrito Federal, mas se transformou num centro de cultura infantil, já que extrapolava os objetivos de uma simples biblioteca, pois conjugava outras atividades como o cinema, música, cartografia, jogos, etc. No discurso de inauguração, Anísio Teixeira teria ampliado esse conceito e afirmado que o Centro seria um verdadeiro órgão de pesquisa. A biblioteca era freqüentada por estudantes das escolas públicas que para lá se dirigiam após terminados as aulas. Lá desenvolviam atividades de biblioteca e também o seu senso estético e artístico. Inspirado na arquitetura do prédio o artista plástico Fernando Correia Dias, primeiro marido de Cecília Meireles, compôs um cenário das Mil e Uma Noites que proporcionava aos freqüentadores uma atmosfera de encantamento e fantasia. Uma das coisas melhores da Biblioteca é um certo tapete mágico, que me foi oferecido, e sobre o qual estou vendo desabrocharem essas histórias encantadas em que (...) quase não acreditamos mais...10 Podemos entrever alguns aspectos do Pavilhão no depoimento do poeta Geir de Campos:
Ao terminar o ano letivo de 1935, em minha passagem da primeira para a segunda série ginasial, motivos de ordem doméstica fizeram-me vir de Campos continuar os estudos no Rio. Minha família morava então numa casa de cômodos da Praia de Botafogo, entre São Clemente e Voluntários, e foi dali que um dia a curiosidade infanto-juvenil me levou ao Pavilhão Mourisco, defronte, para ver o que havia por baixo daquelas cúpulas escamadas e por trás daquelas janelas coloridas: era uma biblioteca infantil especializada, a primeira que se organizava entre nós, e que durou quatro anos, frutificando em uma porção de outras que se espalharam pela cidade e por todo o país.

O Pavilhão Mourisco passou a ser o meu divertimento predileto, pois, além do salão de leitura, a biblioteca tinha também um setor de manualidades (modelagem, pintura, desenho), um de brinquedos e jogos (foi onde encontrei o primeiro "mecanô"), e uma sessãozinha de cinema toda quinta-feira. O dia triste para mim era o Domingo, quando o Pavilhão não abria.

Também me lembro de que qualquer dificuldade pedagógica ou disciplinar era comunicada a Dona Cecília, uma professora morena e alta, de sorriso para quase tudo, que tudo resolvia e ordenava. E vez por outra Dona Cecília tirava-se de seus cuidados administrativos para conversar com os freqüentadores mirins do Pavilhão Mourisco, sobre os livros lidos ou a ler, os brinquedos brincados ou a brincar, os filmes vistos ou a ver, um pouco da vida vivida ou a viver.

No Pavilhão Mourisco vi uma porção de filmes educativos, li o que havia das aventuras de Tarzan, de Sherlock Holmes, dos personagens de Dumas e de Monteiro Lobato, de Júlio Verne, os contos de Grimm e Andersem e Perrault que me deixavam maravilhado. Só muitos anos depois vim a saber que Dona Cecília era Meireles - detalhe que para mim, naquele tempo, nenhuma importância teria: ela era a fundadora e diretora, mas o que me interessava mesmo era a biblioteca infantil com os seus livros e divertimentos, meus únicos divertimentos de garoto pobre naqueles poucos meses.



No ano seguinte matricularam-me na segunda série do Internato Pedro II, e a família se mudou para São Cristóvão, mais propriamente São Januário. O Pavilhão Mourisco ficava longe, longe os livros, os jogos, o cineminha; longe Dona Cecília e suas auxiliares. Depois demoliram o Pavilhão.11
Antes da inauguração da biblioteca infantil, no final do ano de 1931, Cecília Meireles iniciou um inquérito pedagógico junto à crianças de 24 escolas públicas do Distrito Federal. Este inquérito constituiu-se num levantamento preciso das preferências de leitura de crianças entre 11 e 14 anos. Era composto de doze perguntas e foi respondido por 933 meninas e 454 meninos do terceiro, quarto e quinto anos primários. Essa investigação permitiu a Cecília Meireles conhecer as prioridades literárias da futura clientela e foi um dos parâmetros que contribuiu para a seleção e constituição do acervo da biblioteca infantil.

A biblioteca foi constituída por nove seções: a primeira seção era a da biblioteca, propriamente dita, que possuía inicialmente 720 obras, constituída de 498 livros didáticos (de leitura, compêndios, manuais, etc.) e 190 fascículos, 222 obras literárias, em prosa e verso, de literatura infantil ou adequada à leitura das crianças, tanto de autores nacionais como traduzidas para o português. Destas, 310 foram doadas e as 391 restantes foram adquiridas mediante doações de terceiros e da BCE; a segunda seção era a de gravuras, com 2.781 unidades, compreendendo toda documentação gráfica, relativa ao Brasil: história, arte, ciência, trabalho, etc.; a terceira que era a de cartografia, compreendendo globos, mapas do Brasil e dos Estados, do mundo, da América e da cidade do Rio de Janeiro, plantas topográficas, bandeiras, etc.; a quarta, de recortes constituindo 23 álbuns sobre vários assuntos, similares a uma enciclopédia, também responsável pela edição da A Gazetinha, jornal mural, de informação diária; a quinta seção, de selos e moedas, compreendendo coleções, devidamente estudadas e catalogadas, de moedas e selos do Brasil; a sexta, de música e cinema, que possuía um aparelho Pathe Baby, rádio, radiola e discos; a sétima, que previa atividades artísticas como hora do conto, arte dramática, etc.; a oitava, que era a de propaganda e publicidade, responsável por publicações relativas às datas comemorativas e relatórios de atividades da biblioteca e a nona seção, de observações e pesquisas que tinha como objetivo realizar um levantamento diário da preferência de leitura das crianças, bem como captar essas impressões e registrá-las a fim de fornecer material de estudos para os professores e pesquisadores do Departamento de Educação. Nos primeiros três meses de existência já contava com cerca de 200 leitores, tendo no final de 1937, cerca de 1500 leitores inscritos. O funcionamento se restringia aos horários da manhã e da tarde e as crianças revezavam os seus horários escolares com a freqüência à biblioteca. Os empréstimos se resumiam a um livro apenas, já que o acervo não contava com duplicatas. As crianças ficavam livres para escolherem suas atividades: algumas se dedicavam à leitura, aos jogos silenciosos, enquanto outras se dedicavam à apreciação de programas infantis transmitidos pelo rádio ou a assistir filmes educativos. A seção de propaganda e publicidade foi responsável pela elaboração de várias publicações relativas às datas cívicas como o Dia do Trabalho e Libertação dos Escravos, bem como de outras em que se homenageava autores brasileiros como Machado de Assis, Castro Alves e Euclydes da Cunha. Também editava um relatório trimestral, que fazia parte desta seção, que saía regularmente, a partir da inauguração dos trabalhos da biblioteca, que infelizmente só foi possível encontrar um único exemplar, que trata das instruções para a instalação e funcionamento da biblioteca infantil, no arquivo pessoal de Anísio Teixeira no CPDOC. Quanto ao Boletim da Biblioteca não foi possível encontrar um exemplar sequer.
Como a verba era limitada e havia carência de livros que fizessem a vez de enciclopédias infantis, Cecília idealizou vários álbuns de recortes de revistas, jornais e folhetos de propaganda, obtidos através de doação. Esse material era recortado e selecionado por tema em grandes cadernos que depois eram entregues aos alunos para que realizassem as suas pesquisas escolares. Para as crianças que ainda não sabiam ler, os álbuns se limitavam a conter figuras.
Agora estou vivamente empenhada em coisas transcendentes. Uma delas é arranjar verba para os serviços da Biblioteca.

Tenho certas tentações de me declarar comunista oficialmente, para ver se arranjo uma subvenção de Moscou... Porque, de outro modo, tudo está obscuro demais, embora para uma fundação lendária, instalada num pavilhão de vidro, e dirigida por uma criatura tão improvável como eu...12


O acervo da biblioteca foi constituído através de doações da própria Cecília, de outros educadores e de editoras, além de contar com verba da própria biblioteca e do repasse de obras feito através da Biblioteca Central de Educação. A biblioteca infantil teve desde o princípio um acolhimento generoso por parte de imprensa e de particulares que ofereceram sua colaboração através de doações. A primeira oferta recebida foi do editor português Álvaro Pinto, que enviou 140 volumes, dos quais 37 eram de literatura infantil. Correia Dias, marido de Cecília, além da decoração da sala de música e do teatrinho, já referida anteriormente, executou as estantes e doou uma coleção de moedas. A Editora Nacional e a Livraria Francisco Alves colocaram à disposição da biblioteca vários volumes de suas edições infantis. A biblioteca também recebeu uma coleção de livros, postais e selos portugueses doados pela escritora Ana de Castro Osório13, bem como de intelectuais e políticos brasileiros que enviaram coleções de revistas e selos, assinaturas de jornais e revistas brasileiras e estrangeiras, esculturas e pinturas, selos, vasos e mapas. Outros se dispuseram a custear as publicações da Seção de Propaganda e Publicidade.
Em setembro de 1934, Cecília viajou para Portugal onde realizou uma série de conferências, cujos temas debatidos incluíam a reforma educacional de Fernando de Azevedo, a reforma de Anísio Teixeira e a fundação da Biblioteca Infantil, bastante concorridas e que foram publicadas por jornais portugueses e por um periódico da Universidade de Coimbra.
Apesar de todo esse empenho, a biblioteca teve os seus dias contados. Com a demissão de Anísio, em 1935, a biblioteca teve dificuldades em continuar existindo. Em 19 de outubro de 1937, em plena vigência do Estado Novo, o Centro foi invadido pelo interventor do Distrito Federal. O fechamento se prendeu ao fato de que a biblioteca teria no seu acervo um livro de conotações comunistas, cujas idéias eram perniciosas ao público infantil. Tratava-se d’As Aventuras de Tom Sawyer, de Mark Twain. Em ofício do dia 25/10/37, Cecília relata os últimos acontecimentos ao chefe do Departamento de Educação. Segundo ela, o livro em questão foi enviado pela própria BCE através do sistema de repasse de obras às bibliotecas do Distrito Federal. Quanto ao teor do livro, garantia que se tratava de um clássico da literatura infantil mundial, largamente utilizado nos Estados Unidos, nas escolas tanto protestantes quanto católicas; utilizado na França onde fazia parte do catálogo de livros recomendáveis para a infância e a adolescência; também na Inglaterra, onde eram severos e escrupulosos em matéria de obras oferecidas às crianças, a obra era recomendada e mesmo incentivada e constava do acervo e dos programas escolares. Mesmo a Itália fascista não eliminara o livro de suas listas, continuando a ser amplamente lido por crianças de todas as idades. Sua reclamação não obteve resposta e a biblioteca permaneceu fechada. O prédio do Mourisco se transformou rapidamente num ponto de coleta de impostos, ficou abandonado por vários anos para ser totalmente demolido em 1952, durante a construção do Túnel do Pasmado. Os livros foram para a biblioteca de uma escola da zona sul no bairro da Urca, a Escola Minas Gerais, onde foram amontoados e relegados ao tempo, às traças, ao esquecimento... D. Ruth Vilella, em seu depoimento, nos fala do destino dessa coleção:
Era tempo de Getúlio e Cecília Meireles foi taxada, com os intelectuais da época como comunista. Então, de uma penada, Getúlio fechou a biblioteca, interditou e transformou aquilo rapidamente num ponto de coleta de impostos, uma coisa parecida. A mim, me deu curiosidade de saber. Onde estão aqueles livros tão lindos que eu tinha visto? Aí me disseram, bom... foram para a biblioteca da zona sul no bairro da Urca e eu fui em busca dessa biblioteca e encontrei uma com o nome de Minas Gerais.

(...) pelo menos uns três a cinco anos depois do fechamento. Por que ela foi fechada assim abruptamente. Não foi alguma coisa que se planejasse fechar. Estava decidido que a biblioteca estava entregue a uma pessoa de linha comunista que então era de oposição ao Getúlio. E com isso, o trabalho que ela fez junto a Anísio Teixeira foi destruído. Essa biblioteca, essa coleção de livros, que eu procurei na Escola Minas Gerais... a diretora teve muito pouco interesse... Ela só me disse "realmente vieram uns livros prá cá..." Eu tenho a impressão de que ela não tinha biblioteca na escola, por que ela me disse: "eles estão ainda circulando nas salas".14


Quase todas as bibliotecas organizadas pela administração de Anísio Teixeira deixaram, posteriormente, de existir. A experiência do Mourisco, apesar de sua breve duração, representou a semente que mais tarde frutificou na criação das seções infantis das bibliotecas públicas e de bibliotecas infantis no Rio de Janeiro, São Paulo e outros municípios brasileiros. O pioneirismo desse empreendimento se resume ao fato dessa biblioteca possuir características antes nunca vistas no Brasil. Na época havia bibliotecas que jamais permitiam a entrada de crianças, outras que somente consentiam o acesso de menores acompanhados dos pais. A biblioteca do Mourisco foi além. Não somente estimulava a freqüência de crianças como mantinha os livros ao alcance das mesmas, novidade sequer tentada nas bibliotecas freqüentadas por adultos. Outras novidades foram: a inclusão de atividades artísticas e culturais; o empréstimo de livros escolhidos pelos próprios leitores; o fato de ser um espaço público, mantido por verba pública; estar vinculado às atividades escolares, pretendendo ser uma extensão da biblioteca escolar; além de servir de objeto de estudo para professores e pesquisadores da rede municipal e do Departamento de Educação. Certamente, estas foram iniciativas que ajudaram a compor o cenário educacional das próximas décadas. Conhecimento que teve a sua origem esquecida, mas que encontrou nas ações de educadores de várias gerações o seu prosseguimento.
Depois do fechamento da biblioteca infantil Cecília Meireles continuou o seu trabalho de divulgação do livro infantil e da leitura, tanto que em 1949, foi convidada para uma série de palestras em Belo Horizonte, que foram reunidas em livro a fim de integrar a Coleção Pedagógica da Secretaria de Educação do Estado de Minas Gerais, em 1951. Nesse trabalho a autora esclarece que não tem a pretensão de delimitar e resolver todos os problemas que envolvem a literatura infantil, mas apenas insistir sobre a sua importância e alguns de seus variados aspectos.15 Nas páginas iniciais dessa obra ela atenta para o fato de que uma das suas aspirações...
...talvez fosse a da organização mundial de uma Biblioteca Infantil, que aparelhasse a infância de todos os países para uma um unificação de cultura, nas bases do que se poderia muito marginalmente chamar "um humanismo infantil". Na esperança de que, se todas as crianças se entendessem, talvez os homens não se hostilizassem.

Isto, porém, não passa de uma aspiração, nestas páginas. Fora do outono certo, nem as aspirações amadurecem.16



Referências Bibliográficas:
AZEVEDO, Fernando de. A cultura brasileira. São Paulo: Melhoramentos/EDUSP, 1971. p.682.
BARROSO, Manuel. La Biblioteca en la Escuela. Centro de Atividades. Buenos Aires: Editorial Kapelusz, 1934.
CAMPOS, Geir de. Meu encontro com Cecília. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 15/11/64.
LUZURIAGA, Lorenzo. Bibliotecas Escolares. Madrid, Revista de Pedagogia, 1927.
MEIRELES, Cecília. Carta a Fernando de Azevedo. Rio de Janeiro, 02/05/31.
MEIRELES, Cecília. Literatura Infantil. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 28/06/1930.
MEIRELES, Cecília. O Espírito Victorioso. Tese apresentada ao concurso da cadeira de Literatura da Escola Normal do Distrito Federal. Rio de Janeiro, 1939. p. 7.
MEIRELES, C. Problemas da Literatura Infantil. São Paulo: Summus; Brasília: INL, 1984. p. 15)
MEIRELES, Cecília. Solenidades cívicas. Diário de Notícias. Rio de Janeiro: 29/06/30.
MENEGALE, J. Guimarães. O que é e o que deve ser a Biblioteca Pública. Belo Horizonte: Imprensa Oficial, 1932.
REMÉDIOS, Maria José Lago dos. Ana de Castro Osório e a construção da grande aliança entre os povos: dois manuais de autoria da escritora portuguesa adotados no Brasil. Anais do I Congresso Brasileiro de História da Educação. Rio de Janeiro, 6 a 9 de novembro de 2000. p. 162-164.
TEIXEIRA, Anísio. Relatório do Diretor Geral do Departamento de Educação do Distrito Federal: Anísio Teixeira. Dezembro de 1934. Rio de Janeiro: Officina Graphica do Departamento de Educação, 1935. p. 231-242.
VILELLA, Ruth. Entrevista. Rio de Janeiro, 11/11/2000.


1 A íntegra pode ser pesquisada no Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB-USP).

2 MEIRELES, C. Solenidades cívicas. Diário de Notícias. Rio de Janeiro: 29/06/30.

3 Ibidem.

4 MEIRELES, Cecília. O Espírito Victorioso. Tese apresentada ao concurso da cadeira de Literatura da Escola Normal do Distrito Federal. Rio de Janeiro, 1939. p. 7.

5 Idem. p. 8.

6 MEIRELES, C. Literatura Infantil. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 28/06/1930.

7 Idem. p. 117.

8 Informações colhidas junto ao Catálogo da Biblioteca Popular da Glória, pertencentes à Biblioteca Central de Educação do Distrito Federal.

9 Relatório do Diretor Geral do Departamento de Educação do Distrito Federal: Anísio Teixeira. Dezembro de 1934. Rio de Janeiro: Officina Graphica do Departamento de Educação, 1935. p. 231-242.

10 MEIRELES, C. Carta a Fernando de Azevedo. Rio de Janeiro, 02/05/31.

11 CAMPOS, G. Meu encontro com Cecília. Diário de Notícias, Rio de Janeiro, 15/11/64.

12 MEIRELES, C. Carta a Fernando de Azevedo. Rio de Janeiro, 02/05/31.

13 REMÉDIOS, Maria José Lago dos. Ana de Castro Osório e a construção da grande aliança entre os povos: dois manuais de autoria da escritora portuguesa adotados no Brasil. Anais do I Congresso Brasileiro de História da Educação. Rio de Janeiro, 6 a 9 de novembro de 2000. p. 162-164. Ana de Castro Osório fez parte dos círculos intelectuais femininos de Portugal, sendo responsável pela criação de associações, pela realização de conferências e pela publicação de diversos livros em diferentes estilos literários, destinados tanto a adultos quanto a crianças. Algumas de suas obras tiveram aproveitamento pedagógico, como Uma Lição de História, Lendo e Aprendendo, Os Nossos Amigos, As Boas Crianças e Minha Pátria. Ela esteve por diversas vezes no Brasil, participando de conferências, entre as quais o Congresso de Instrução Pública de Belo Horizonte. Dessa sua extensa obra, ofereceu, por intermédio do parlamentar português Nuno Simões, alguns exemplares (Dias de Festa, Livrinho Encantador, Viagens Aventurosas de Felício e Felizarda ao Brasil e As Mulheres Portuguesas) ao jornal brasileiro Diário de Notícias em 1930 - dentro do espírito de aliança que deveria ser estimulado entre os dois povos - que deveriam ser enviados para as bibliotecas escolares, associações de classe e de beneficência brasileiros. A distribuição dos livros ficou confiada a um colaborador do jornal, o Sr. Oscar Messias Cardoso, instrutor de escoteiros e redator da seção de escotismo. Ana de Castro teve dois de seus livros (Lendo e Aprendendo e Uma Lição de História) adotados pelos estados de Minas Gerais e São Paulo, respectivamente, como manuais didáticos.

14 Vilella, Ruth. Entrevista concedida à pesquisadora em 11/11/2000.

15 MEIRELES, C. Problemas da Literatura Infantil. São Paulo: Summus; Brasília: INL, 1984. p. 15)

16 Idem, ibidem.



©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal