PE. pedro esmeraldo de melo



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CAPÍTULO 5
PE. PEDRO ESMERALDO DE MELO
VICE-PROVINCIAL 1951 - 1956

Cearense do Crato, Pe. Melo nasceu, em 1913 e, ainda criança, perdeu sua mãe que só tinha 24 anos. O seu pai se casou de novo e o casal teve filhos, uma dos quais, seria Carmelita Descalça. Melo sempre teve dificuldades com a vista, mas era estudioso e ingressou no Seminário do Crato. Em 1933, com 20 anos, decidiu entrar na Companhia de Jesus, em Baturité. Depois do noviciado e dos estudos do juniorado, foi destinado, junto com outro jovem Jesuíta, José Nogueira Machado, em 1937, para os cursos de ciências e filosofia em Braga, Portugal. Nos anos 1941-1942, fez o seu magistério no Colégio Nóbrega. Depois, continuou os estudos teológicos no Colégio Cristo Rei, em São Leopoldo, Rio Grande do Sul, de 1943 a 1946. Foi ordenado por seu tio, Dom Joaquim Ferreira de Melo, Bispo de Pelotas, em 1945. Concluiu a Terceira Provação, a fase final da formação na Companhia, em Pareci Novo, Rio Grande do Sul , em 1947. No ano seguinte, Aparício o destinou para o Recife onde ensinou apologética no Colégio Nóbrega e psicologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, Manuel da Nóbrega. Em janeiro de 1950 assumiu a cargo de Reitor do Colégio Nóbrega, ainda sem os últimos votos.(1)


PRIMEIROS PASSOS


Escolhido por Janssens em 1951 para ser sucessor de Aparício, Melo seria o primeiro brasileiro como Vice-Provincial desde a chegada ao Nordeste dos Jesuítas portugueses depois da supressão da Companhia em 1773. Melo não participou da Consulta no governo de Aparício e teve menos de dois anos como superior, porém, possuía qualidades para entrar na lista dos possíveis candidatos para o cargo. Janssens o escolheu, confirmando as opiniões de seus colegas. O fato de que, entre 1937 e 1951, somente 10 Jesuítas (8 portugueses e 2 brasileiros) foram consultores durante um período de 15 anos, assim distribuídos: 2 consultores participaram por 15 anos, 1 um por 10 anos, 1 por 7, 1 por 4, 1 por 3, 1 por 2 e 3 por 1. Dos dois brasileiros, Antônio Borges participou da Consulta por 8 anos e Manoel Negreiros por 2. Esse resumo mostra a tendência de que ou as autoridades da VPS considevam os jovens padres brasileiros inaptos para assessorar os Vice-Provinciais ou houve uma cultura para restringir a participação da Consulta somente entre o número restrito de Jesuítas por razões não explicitadas. É difícil dizer se esta estratégia servia bem ou não; porém, podemos afirmar que decisões da Consulta sobre a Escola Apostólica no governo de Aparício foram constantemente proteladas.

Melo assumiu o governo da VPS em 22 de agosto de 1951, um dia depois de seu trigésimo oitavo aniversário, o mais jovem Vice-Provincial na história curta da VPS. Nas primeiras cartas a Roma, Melo indicou que queria mudar os consultores.(2) Em 1951, os consultores eram Camilo Torrend, Constantino Cardoso, Antônio Borges e Oscar Peixoto. Considerou que esses não entenderam as dificuldades da Vice-Província e indicou três: Carlos Coppex, Manuel Lira, Paulo Vieilledent, e, sem oferecer explicações, Oscar Peixoto novamente. A inclusão de Coppex, Mestre de Noviços, também, era estranha. Na carta a Janssens, Melo desejava mudar o Mestre de noviços que era Coppex. Não somente continuou como Mestre mas, também, se tornou consultor.

Cientes dos problemas da VPS, Melo explanou, tanto a Pe. Janssens como a todos os membros da VPS, as prioridades de seu governo.(3) Sublinhou estes: formação intelectual e religiosa; vocações; e uma terceira preocupação, recursos financeiros para sustentar os jovens Jesuítas em formação. Em relação aos dois primeiros, pediu a compreensão de seus colegas para o fato de que a VPS iria destinar os Jesuítas mais capacitados para as casas de formação e não para os Colégios. Justificou essa opção mesmo implicando um sacrifício para os Colégios a curto prazo, garantindo-lhes que essa opção iria render resultados mais do que compensatórios a longo prazo.

Como seu antecessor, Melo estava atormentado com o número, segundo ele, insuficiente de vocações para as exigências da VPS agora com uma Universidade em formação. Nessas considerações, não esqueceu das necessidades da Arquidiocese de Olinda-Recife o papel que os Jesuítas poderiam desemprenhar nela. Melo não citou números, mas achamos que seria útil colocar um quadro do número de noviços do primeiro e do segundo anos de noviciado, tanto para o sacerdócio como para irmãos nos anos 1937 a 1951.

Número de noviços em Baturité.

Ano Sacerdócio Irmão

1937 9 3

1938 9 6

1939 18 6

1940 21 4

1941 18 11

1942 15 12

1943 12 8

1944 17 7

1945 15 7

1946 18 8

1947 15 7

1948 14 9

1949 8 6

1950 9 7


1951 9 6

1952 9 8
Desse quadro podemos ver logo que os anos de 1939 a 1948 sempre tiveram mais do que 12 noviços para sacerdócio enquanto as vocações para irmãos tinham 11 ou mais somente nos anos 1941 e 1942. A partir de 1949 começou a queda do número de noviços que indicava a diminuição de vocações. Aparício começou o seu governo em agosto de 1948 e sempre sonhou ter um número de noviços como nos anos de 1939 a 1948 exatamente quando era o Mestre de Noviços. Sugerimos que quando Melo esternou sua angustia sobre a falta de vocações, estava sonhando, também, com aqueles onze anos gloriosos. No capítulo anterior, citamos o documento sobre o “Fomento de Vocações para a Escola e Noviciado” produzido em março de 1949, o primeiro ano depois daqueles onze anos auspiciosos. Esse documento explicou como entre as possíveis razões dessa queda a grande concorrência de outros grupos religiosos.

O plano de Melo para fomentar vocações foi pautado tanto nos meios espirituais como humanos. Usou expressão como: “Ora, bem sabemos que o fim que nos deve impelir ao trabalho de conquista de vocações, é simultaneamente natural e sobrenatural, onde a par da ação divina, absolutamente necessária, entra também a cooperação humana.”(4) As casas da VPS deviam indicar um padre para celebrar uma missa semanalmente e um irmão, ou um jovem Jesuíta em formação, para rezar o terço semanalmente nas intenções das vocações e a sua perseverança. Melo, também, sugeriu orações em comum, como a novena para a celebração da festa de São Francisco Xavier. No plano humano, estava querendo imitar o que a Província Neopolitana estava fazendo no seu apostolado pelas vocações, com muito sucesso.(5)

O último problema foi financeiro, a sustentação dos jovens Jesuítas em formação. Apesar de ser bastante difícil, Melo o amenizou, dizendo:

De caso pensado omiti outro problema realmente torturante para quem conhece de perto o estado em que se encontra a Arca Seminarii: o das finanças. De caso pensado omiti-lo, não só porque se fala demasiado nele, mas sobretudo porque se resolvermos com sacrifícios os dois primeiros, o outro encontrará também, na comum cooperação, sua solução satisfatória,

sobretudo se procurarmos ser aquilo que devemos ser: religiosos, se buscarmos com sinceridade antes de tudo o Reino de Deus. (6)


Melo fez a lista desses problemas, não porque não existiam outros, mas porque sem a solução destes, a Vice-Província não podia funcionar.

Aparício, ao sair do cargo de Vice-Provincial, ficou como superior da residência do Recife e Vice-Reitor do Colégio Nóbrega e escreveu uma carta a Janssens em 1951. A carta apresentou muitas críticas, começando pelo fato de que o “internato” do Colégio estava fechado e consequentemente a falta dos recursos normalmente gerados por ele significava que o déficit do Colégio em relação a “Arca Seminarii” crescera. Com a venda da “Vila Nóbrega” pelo preço em redor de Cr.$2.400.000,00 dos quais Cr.$1.200.000,00 já tinham sido gastos, sendo CR.$1.000.000,00 para a compra da Vila Carpina.

Aparício começou a duvidar as qualidades de Melo como administrador.(7)

Melo, também, escreve para Janssens no fim do ano de 1951. Inicialmente estava querendo transferir a Cúria para Fortaleza, sendo esta cidade o centro geográfico da VPS. O tesoureiro da VPS, Baecher, era também tesoureiro do Colégio Vieira e não podia sair de Salvador. Outra opção para Melo foi simplesmente transferir a Cúria para uma outra residência em Salvador, Santo Antônio da Barra, pelo menos seria mais tranqüilo lá. Outro problema que Melo relegou para terceiro lugar na sua carta anterior foi o da “Arca Seminarii”, mas agora diz enfaticamente que a VPS tinha que fortalecê-la.(8)

Seria informativo introduzir uma correspondência de Janssens a Melo antes de assumir formalmente o governo da VPS. Janssens faz referência à proposta de abrir um colégio em Fortaleza, mas, sabendo que a VPS não dispunha de recursos humanos, sendo impossível concretizar o projeto, apresentou a idéia já lançada a Aparício de que a Província Vêneto-Milanesa (PVM) podia ajudar. Essa Província normalmente enviava Jesuítas para a Albânia ou Índia mas, naquele momento não podia. Seria possível que, durante três anos, a PVM pudesse enviar padres e jovens Jesuítas em formação. Janssens estava querendo saber o número de Jesuítas que Melo queria, sugerindo que logo, numa consulta com Aparício, definisse a fim de programar o envio de pessoas para 1952 ou 1953.(9) Sem informar a Melo, Janssens enviou uma carta, no mesmo dia que lhe escreve, 6 de agosto de 1951, ao provincial da PVM, Pe. Pedro Costa. O Geral estava considerando outros planos para a VPS. Fez a sondagem a Costa sobre a possibilidade que a PVM pudesse ajudar a Companhia de Jesus no Brasil não somente com alguns padres para um colégio em Fortaleza, mas com uma nova Vice-Província criada pela divisão da VPS. Janssens se baseou na orientação de Pio XII. Como o Papa estava a favor da criação da Vice-Província de Bolivia-Paraguai, dependente na província espanhola de Tarracona, assim iria ser favorável à divisão da VPS, criando a Vice-Província da Bahia (VPB). Mais revelador foram as razões do interesse de Pio XII para América Latina, razões que Janssens fez suas também. A Santa Sé precisava suprir a falta de padres para fortalecer a vida cristã na América Latina contra o protestantismo, o comunismo, o liberalismo e a maçonaria. E Janssens queria que Costa pudesse ajudar já para o ano 1952.(10) Essa carta explicitou melhor do que qualquer outra as razões para a divisão da VPS. Janssens formulava sua decisão no contexto da orientação do Pio XII, ampliando o pedido da VPS para abrir um colégio em Fortaleza.

Na carta à VPS no início de seu governo, Melo não faz menção a estas propostas de Janssens sobre a ajuda para um futuro colégio em Fortaleza e, à primeira vista, parece que o Geral estava mais interessado no assunto do que Melo, porque, em outubro, o Vice- Provincial recebe outra carta. Nesta, Janssens explicou com uma certa alegria que apesar de não ter certeza, o Provincial da PVM, Pedro Costa, daí a um ano, poderia enviar dois ou três padres e três estudantes Jesuítas e, dois anos depois, dez Jesuítas, sendo alguns padres e outros estudantes.(11) A resposta de Melo a Janssens revelou como a inércia dos consultores da Consulta de Aparício continuava. Os Jesuítas de Fortaleza não estavam muito dispostos para receber um colégio visto que Pe. Antônio Monteiro da Cruz seria a pessoa indicado para este trabalho. Consideravam Monteiro muito exigente e tinham reservas trabalhando com ele. Essa opinião é estanha visto que Monteiro era o superior da residência de Fortaleza. Parece que os consultores, aceitando a opinião dos Jesuítas de Fortaleza, tinham, mais uma vez, razões para ficar indecisos sobre um colégio em Fortaleza. E o entusiasmo de Janssens para ajudar a VPS modificou o pensamento da Consulta.(12) Como de costume, Melo tinha de informar a Janssens que os consultores deram sugestões para a transferência do noviciado e de juniorado, indicando Natal, Rio Grande do Norte e Campina Grande, Paraíba.(13) Melo estava trabalhando em desvantagem: uma Consulta indecisa e um Geral que ainda não lhe informara suas intenções completas para a VPS.





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