Pequeno histórico do desenvolvimento energético



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  1. PEQUENO HISTÓRICO DO DESENVOLVIMENTO ENERGÉTICO

Em função do amplo tema a que esse reduzido texto se propõe a analisar, deve-se, antes de mais nada, avaliar num plano, sobretudo epistemológico, qual será o recorte temporal utilizado para tal assunto. Pois, se poderia começar, muito bem, pela descoberta do fogo como o primeiro fator de desenvolvimento tecnológico, e a partir de então descrever cronologicamente todas as etapas da evolução energética até os dias de hoje. Contudo, isso consumiria capítulos e mais capítulos de análise, e este não é o objetivo deste trabalho. Por isso é que tal texto utilizará o século XIX como ponto de partida, mais especificamente a partir da Segunda Revolução Industrial, mostrando o desenvolvimento das variadas formas de energia e sua relação com o capitalismo.

Comecemos então, a abordar os fatores que possibilitaram o desenvolvimento de tal revolução na Inglaterra, que podemos enumerar como os seguintes: destruição das relações feudais agrícolas, fim do campesinato e conseqüente migração para as cidades, acumulação de capital (no período mercantilista com a vantajosa relação de trocas entre as colônias) e gastos produtivos (eram baixas as necessidades dos investimentos iniciais requeridos para o desenvolvimento da ciência e tecnologia, bem como para a formação do capital inicial em ramos específicos).

Todos os fatores expostos acima abrangem tanto a “primeira” quanto a segunda Revolução Industrial. No entanto, o que torna a segunda nosso foco, é que nesta, além de se aprimorarem as bases deixadas pela primeira, novas e mais potentes fontes energéticas foram desenvolvidas. Devendo-se a este contexto, o início da utilização do petróleo e da energia elétrica, como forças motrizes de determinadas indústrias, bem como, o aparecimento de indústrias petro-químicas entre outras, grande utilizadoras de petróleo como insumo.

Além da emergência dos Estados Unidos como centro hegemônico mundial, em substituição da Inglaterra, o surgimento do trabalho em série - o “fordismo” e “taylorismo” – e a produção em grande escala de meios de transporte individuais (o automóvel), o que potencializou, em muito, a utilização de fontes de energia não renováveis tanto no processo produtivo como nos meios de transporte em geral.

As estruturas tanto físicas quanto sociais que permaneceram pouco alteradas até a Primeira Guerra Mundial, a partir de então inúmeras transformações na indústria e, conseqüentemente, nas relações de trabalho foram preseenciadas. Mudanças estas, tanto espaciais quanto sociais, aliadas à intensificação da utilização do petróleo e da eletricidade como fontes energéticas, sem contudo deixar de se utilizar fontes como o carvão mineral, que é importantíssimo até os dias de hoje.

É muito importante salientar que o gradual desenvolvimento do meio industrial e/ou energético, implica obrigatoriamente em mudanças nas relações de trabalho e, conseqüentemente na “adaptação” do capitalismo ao novo meio. Logo, pode-se tirar a conclusão de que energia e capitalismo são meios que interagem reciprocamente. E, o século XX é o principal exemplo de tal afirmativa.

A emergência do século XXI expõe determinadas indagações acerca do desenvolvimento energético. Desde a década de 90 do século XX, teóricos afirmam que o nível de evolução ficou tão complexo que surgiu então o termo Terceira Revolução Industrial, para designar o processo de introdução, quase generalizado, da informática nos meios produtivos. Uma pergunta que poderá ser feita é de, como chamar de “nova” Revolução Industrial um período em que as bases energéticas ainda são as do século passado? Tratar-se-ia de um paradoxo do desenvolvimento?

Talvez sejam as perguntas acima ainda um pouco prematuras, uma vez que as mudanças tecnológicas encontram-se tão velozes sendo possível que logo novas matrizes energéticas possam, e devam, substituir as atuais. Porém, isto permanece, por enquanto, no plano das suposições. Mas, o que não está contido em suposições, e sim em realidade, é a questão do meio ambiente, ou melhor da degradação deste.

É consenso que, o desenvolvimento energético trouxe “a reboque” um custo ambiental que de pequeno não tem nada. Após, séculos e mais séculos de emissão de gases tóxicos à atmosfera (causadores do efeito estufa, principalmente), degradação de grandes extensões de terras e poluição de importantes mananciais de água; vê-se atualmente, um ainda tímido movimento de grupos de indivíduos preocupados com a questão ambiental. Na realidade, isto tem relação com a própria sobrevivência do gênero humano, tendo em vista a ameaça de esgotamento de recursos naturais importantes que podem colocar a vida humana em questão.

Infelizmente, os países mais poluidores do mundo, como Estados Unidos, China, Japão, entre outros, são os menos preocupados com o meio ambiente. Entretanto, um número significativo de nações vem desenvolvendo metas para a redução gradual da emissão de poluentes, como o gás carbônico ou o cloro-flúor-carbono (CFC). Iniciativas como estas são afirmadas em acordos como o Protocolo de Kyoto, assinado em 1997.


  1. COMBUSTÍVEIS NÃO RENOVÁVEIS – BASE DA REVOLUÇÃO INDUSTRIAL

Inicialmente o homem utilizava como formas de energia o esforço muscular (humano e animal), a energia eólica (vento) e a energia hidráulica, obtida pelo aproveitamento da correnteza dos rios. Com a Revolução Industrial, na Segunda metade do século XVIII e no século XIX, surgem as modernas máquinas, inicialmente movidas a vapor e que hoje funcionam principalmente a energia elétrica. O carvão mineral foi importantíssimo neste momento porque a energia elétrica pode ser obtida também pelo carvão além de outras fontes como a água.

Os países pioneiros no processo de industrialização, como a Inglaterra, a Alemanha, os Estados Unidos e a França, bem servidos em reservas carboníferas utilizaram massissamente o carvão até que, com o desenvolvimento da indústria automobilística – que usa derivados do petróleo como combustíveis e também na fabricação dos pneus e plásticos diversos -, pouco a pouco substituíram-no pelo petróleo como grande fonte de energia mundial.

No final do século XIX, em 1880, "97% da energia consumida no mundo provinha do carvão, mas noventa anos depois, em 1970, somente 12% desse total provinha desse recurso natural; depois da chamada “crise do petróleo”, ocorrida em 1973, a elevação dos preços de óleo fizeram com que o carvão fosse novamente valorizado, pelo menos em parte, e ele voltou a subir um pouco, representando cerca de 25% da energia total consumida no globo nos anos 80 e 90”1. Como se vê, a importância do carvão declinou mas ele continua tendo um sensível peso nos dias atuais, principalmente para as indústrias siderúrgicas e para a obtenção de energia elétrica através de usinas termelétricas.


“Foram diversos os fatores que determinaram a dependência mundial da fonte energética não renovável com base no petróleo após o final do séc. XIX. O principal, talvez, tenha sido a diversidade de usos que o petróleo proporcionou com o sistemático avanço das ciências e das tecnologias aplicadas para a sua utilização desde o início da sua extração comercial (1859). Foi, no entanto, com o advento da indústria automobilística e da aviação, assim como das guerras, que o petróleo se tornou o principal produto estratégico do mundo moderno. As maiores 100 empresas do século XX estavam ligadas ao automóvel ou ao petróleo”. (Carvalho,2007)

A evolução histórica da indústria de petróleo no mundo pode ser dividida em 4 fases apresentadas abaixo:


1a Fase (1859-1911)

Nesta fase, o petróleo ainda não havia se consolidado como principal insumo mundial da atividade industrial e sua demanda era baseada na produção de querosene.


2 a Fase (1911-1928)

A Primeira Guerra Mundial veio demonstrar que o petróleo era imprescindível e estratégico para todas as nações que buscavam o progresso. Empresas européias intensificaram as pesquisas em todo o Oriente Médio. Elas comprovaram que 70% das reservas mundiais de petróleo estavam no Oriente Médio e provocaram uma reviravolta na exploração do produto. Com isso, países como Iraque, Irã e Arábia Saudita ganharam alto poder no jogo da produção petrolífera.

Nesta fase, o petróleo ganha força como insumo industrial, potencializado pela indústria automobilística. Acirra-se a competição internacional neste mercado, o que levou a criação do cartel das Sete Irmãs. Cerca de 90% da produção mundial passou para o controle deste cartel, constituído por sete companhias petroleiras internacionais das quais cinco eram norte-americanas. São elas: Standard Oil of New Jersey, agora conhecida por Exxon; Standard Oil of California, agora Chevron; Gulf, agora parte da Chevron; Mobil e Texaco; uma britânica, British Petroleum e uma anglo-holandesa (Royal Dutch-Shell). Após a Primeira Grande Guerra Mundial, as "sete" formaram joint ventures para a exploração de campos petrolíferos estrangeiros.
3 a Fase (1928-1973)

Criação de Organização dos Países Produtores de Petróleo (OPEP) composta por Arábia Saudita, Argélia, Catar, Emirados Árabes Unidos, Indonésia, Irã, Iraque, Kuwait, Líbia, Nigéria e a Venezuela. Foi criada em 1960 como uma forma dos países produtores de petróleo se fortalecerem frente às empresas compradoras do produto (principalmente as Sete Irmãs), que exigiam cada vez mais uma redução maior nos preços do petróleo. Seu objetivo era unificar a política petrolífera dos países membros, centralizando a administração da atividade, o que inclui um controle de preços e do volume da produção.

Neste período, o crescimento econômico de qualquer país já passou a ser necessariamente baseado em petróleo e em grande parte deste houve forte crescimento econômico no mundo elevando fortemente a demanda por petróleo, mas a expansão da oferta garantiu a estabilidade de preços.

4 a Fase (73-86)

Esta fase é marcada pelas duas crises do petróleo e a conseqüente redução do crescimento em todos os países em desenvolvimento, inclusive o Brasil.

A primeira foi em 1973, quando o mundo estava em acelerado crescimento industrial e as máquinas eram completamente dependentes do petróleo para funcionar. Diante deste quadro, os árabes, maiores produtores, entraram em conflito com Israel, país que contava com o apoio dos EUA (país que menos sofreu, porque tinha uma grande reserva de petróleo) e Europa. Como represália aos que apoiaram Israel, os árabes decidiram boicotar o Ocidente, cortando a extração de petróleo em 25%. O preço do barril saltou de U$ 2,00 para U$ 12,00.

Na segunda crise, em 1979, além dos donos dos poços de petróleo (os árabes), mais uma vez, reduzirem sua produção, conjunturas políticas externas fizeram com que o preço subisse violentamente, saltando para a casa dos U$ 40,00, provocando crises nos países importadores. Para sair dessa dependência, estes países passaram a desenvolver formas alternativas de combustíveis como o álcool e a energia nuclear. A exploração de jazidas de petróleo também se intensificou em muitos países. No Brasil, o projeto Proálcool e o aperfeiçoamento da Petrobrás foram maneiras encontradas para contornar o problema da alta do preço. O gráfico abaixo mostra a evolução do preço do barril.


Gráfico 1


Fase atual (a partir de 1986)

Este período é caracterizado por uma forte influência de expectativas e especulações, além de fatores geopolíticos na formação dos preços do produto, introduzindo forte instabilidade de preços.

Em 1991 ocorre a Guerra do Golfo, quando o Iraque invadiu e anexou o Kuwait, o que gerou um forte conflito. O motivo foi o baixo preço do petróleo no mercado mundial no início da década de 90, além do Iraque sustentar uma dívida externa de US$ 80 bilhões. Foi então que Saddam Hussein bombardeou os poços de petróleo kuwaitianos antes da retirada, acusando o país (Kuwait) de causar baixa no preço do petróleo, vendendo mais que a cota estabelecida pela OPEP. Desta forma, gerou uma grande especulação que fez com que os preços oscilassem, intensamente.

A partir do 11 de setembro inicia-se uma nova escalada dos preços, intensificada pela greve na Venezuela no fim de 2002, pela invasão do Iraque no início de 2003 e pelos conflitos civis na Nigéria. Estes fatores levaram a OPEP a abandonar o sistema de bandas em 2005, deixando a determinação dos preços sob as forças de oferta e demanda, o que aumentou a participação de um componente especulativo na formação dos preços do produto. O gráfico a seguir mostra a persistente tendência de alta verificada a partir de 2001.


Gráfico 2



O cenário atual de persistente alta não se refletiu em crise mundial como ocorreu nos períodos anteriores. A demanda mundial continua aquecida, grande parte devido ao forte crescimento chinês. Isto se explica pelo contexto de elevada liquidez internacional e superávit comercial registrado em praticamente todos os países, menos os EUA, gerando um significativo fluxo de divisas que financia a importação.



Tendências e transformações


Um dos principais problemas do mundo atual é o aquecimento global causado pela emissão de gases de efeito estufa em atividades geralmente ligadas ao consumo de derivados de petróleo. Este problema tem ganhado mais atenção da comunidade internacional nos últimos anos, apesar da postura dos EUA em não assinar o protocolo de Kyoto e da China, em forte expansão industrial sem dar muita atenção para a questão ambiental.

O fato relevante aqui é que tem ocorrido um movimento de substituição do petróleo por outros produtos em algumas áreas. Como combustível automotivo, cada vez mais alternativas menos poluidoras, como álcool e gás natural, são usadas no lugar da gasolina. Na geração de energia elétrica, observa-se crescentemente a participação de energias limpas como solar, eólica e hidráulica.

Porém, o petróleo continuará sendo, ainda por muitos anos, um recurso estratégico para as nações e esta indústria uma das maiores do mundo, movimentando bilhões e envolvendo condições geopolíticas explosivas no mundo.



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