Pequenos trabalhadores do Brasil



Baixar 6.66 Kb.
Encontro01.08.2016
Tamanho6.66 Kb.

Pequenos trabalhadores do Brasil


Rizzini, I. (1999). Pequenos trabalhadores do Brasil. Em: Del Priore, M.(Org.), História das crianças no Brasil (pp. 376-406). São Paulo: Contexto.
O artigo pretende trazer à superfície questões em torno do trabalho infantil tais como: “É o trabalho a solução para o problema do menor?”, “O trabalho infantil deve ser extinto?”, “Como chegar às respostas, ou melhor, a quem devemos indagar essas perguntas?”.

Os pequenos trabalhadores sempre foram explorados, seja nas fábricas do início do século XX, ou mesmo nas instituições teoricamente destinadas a acolhê-los, uma vez que a transformação de asilos de caridade em escolas profissionalizantes e patronatos agrícolas não visava a melhoria da vida dos internos e sua capacitação profissional mas sua adequação ao novo mundo industrial ao qual interessava uma mão-de-obra dócil e disciplinada.

O trabalho infantil nunca se limitou ao meio industrial ou ao campo. Pode-se mencionar uma infinidade de outras funções, inclusive informais, exercidas por crianças, como por exemplo, as meninas que deixam de estudar para cuidar dos afazeres domésticos e dos irmãos menores ou as chamadas “filhas de criação”, muitas vezes submetidas a uma servidão enrustida e abusos sexuais; sem falar nas pequenas mãos mendicantes nos grandes centros, vagando horas a fio e sendo geralmente exploradas por terceiros.

A autora faz também um balanço das tentativas de remediar a questão, alertando que medidas emergenciais, embora tragam benefícios, não devem ser institucionalizadas como soluções definitivas, do contrário nunca chegarão à raiz do problema, que ultrapassando o próprio trabalho infantil, se vincula à miséria dos pais e à ideologia do trabalho-escola, virtuoso e inibidor dos vícios das ruas.

As perguntas iniciais devem ser respondidas e discutidas por muitas vozes[1], pois geralmente as decisões de uma cúpula não correspondem aos anseios e necessidades daqueles atingidos por elas.

Uma medida interessante foi a tomada no interior da Bahia com o propósito de remediar o problema do trabalho infantil na exploração do sisal, denominada “bode-escola”. As famílias pobres recebem um bode e quatro cabras, podendo usufruir dos mesmos desde que mantenham seus filhos na escola. Com o aumento do rebanho inicial, duas cabras são então repassadas para outra família e o ciclo recomeça. Participam desse projeto, o Movimento de Organização Comunitária, a Unicef , a OIT[2] e o Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Retirolândia.

Um episódio ocorrido em Bangladesh ilustra bem as freqüentes distâncias entre a intenção inicial e os resultados obtidos quando não ocorre o necessário diálogo e intercâmbio entre todos os sujeitos envolvidos no problema. Pressionadas pelo boicote internacional às mercadorias produzidas por crianças, muitas delas foram então afastadas de seus trabalhos original. O que, aparentemente poderia parecer uma solução, na verdade só tornou sua realidade ainda mais miserável, forçando-as a trabalhar sob condições de maior exploração e perigo.
--------------------------------------------------------------------------------

[1] Governantes, educadores, pais, filhos e empregadores.


[2] Organização Internacional do Trabalho, do qual faz parte o Programa Internacional de Eliminação do Trabalho Infantil desde 1992.


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal