Percurso de Acolhimento e Iniciação Manual de Animadores



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Graça a pedir:

Clarificação da sua vocação laical em CVX. Saber optar sobre o caminho a seguir, CVX ou não...



Didáctica:

  • Fazer um tempo alargado de avaliação (1 dia...) em chave de leitura de exame inaciano a partir das reuniões do ano. Esquematizar (gráfico, símbolos, imagens...) o percurso anual mostrando as suas linhas de crescimento.

  • Ter tempos de oração comunitária e pessoal que permitam fazer uma síntese rezada.

Meios e conteúdos:

  • Pontos para reflexão usados durante o ano.

  • Usar um texto que sintetize as características distintivas da CVX enquanto vocação laical. (ver A1)

Chave de leitura para saber se a graça foi alcançada:

Desejo fundamentado de passar à etapa seguinte para uma verdadeira iniciação ao estilo de vida CVX ou de abandonar o caminho iniciado por este não corresponder aos seus desejos. A CVX é um entre muitos outros caminhos na Igreja.



(ver mais detalhe em “Plano de formação CVX-P: Sinais de fim da etapa de acolhimento)

anexos 2.5.:

(A1) ESPIRITUALIDADE: “CVX como lugar de experiência real de Deus”

Segundo Santo Inácio, em carta a Manuel Miona, os EE são "tudo quanto de melhor nesta vida posso pensar, sentir e entender, tanto para o homem poder aproveitar para si mesmo como para poder frutificar, ajudar e fazer aproveitar a muitos outros". (NC-49) A experiência de Deus dá-se, sobretudo, durante os Exercícios Espirituais mas também na vida quotidiana. É uma experiência progressiva e trinitária:



    • Descobrir um Deus amigo, criador, redentor.

    • Interiorizar as “ferramentas” para ler a experiência.

    • Escutar o chamamento de Jesus que nos convida a estar com Ele e compartilhar da Sua missão.

    • Pôr-se ao serviço do Reino com disponibilidade total.

    • Aprender a reconhecer os apelos do Espírito em cada acontecimento da vida.

    • Buscar e achar Deus em todas as coisas, tornando-nos Contemplativos na acção

(A2) COMUNIDADE: “CVX como lugar de discernimento e de mediação apostólica”

A CVX é uma comunidade de vida, e os seus membros estão comprometidos em:



  • seguir a mesma vocação específica na Igreja (PG 4) e adoptar um estilo de vida consequente com essa vocação

  • partilhar os seus problemas, aspirações, projectos e vários aspectos das suas vidas, e ajudarem-se uns aos outros desta maneira para viverem a sua fé cristã em plenitude;

  • ajudar-se mutuamente nas suas necessidades materiais e espirituais, com espírito de solidariedade;

  • assumir uma missão comum, não obstante diferentes condições sociais, idades, (NC)

(A3) O itinerário formativo CVX não se faz em clima de “estufa”, mas na intempérie, para despertar no coração os desejos mais profundos e verdadeiros.

  • Dar expressão a esses desejos por meio de opções e compromissos na vida quotidiana.

  • Sair do meu “querer e interesse” mais egocêntrico movido pela pergunta: Que vou fazer por Cristo?

  • Fazer eleição de estado de vida – discernimento vocacional

  • Fazer eleição de estilo de vida – discernimento apostólico. Como quero viver a afectividade, o uso do dinheiro e do tempo, as opções políticas e cívicas, o mundo do trabalho.

(A4) MISSÃO:”CVX como lugar onde o grupo chega a ser comunidade apostólica”

Um grupo CVX é chamado a passar, progressivamente, de um grupo de “amigos”, a um grupo de “amigos no Senhor” e, finalmente, a uma Comunidade apostólica: que se deixa questionar pelos problemas e desafios da realidade social, e que se torna “sinal de salvação”, capaz de contar aos outros a conversão ao evangelho que salva.



  • Esta missão pode ser individual (dentro do contexto da própria família, profissão, sociedade e Igreja);

  • Uma missão grupal (tarefas que desempenham todos ou alguns membros do grupo. Pode ser a razão pela qual o grupo se forma);

  • Uma missão comum: o modo como todos e cada um dos membros da comunidade anunciam a Boa Nova num contexto histórico concreto. Não significa que todos façam o mesmo. As tarefas podem ser diversas, mas a missão é comum pela sua orientação.


BLOCO três – INICIAÇÃO
3.1. inspiração na vida de inácio de loyola

Objectivo:

Conhecer os traços fundamentais do caminho espiritual de Inácio.



Graça a pedir:

Conhecimento das graças dadas por Deus a Inácio e desejo de as alcançar pelo seguimento da sua espiritualidade.



Didáctica:

  • Propor um conhecimento maior da vida de S. Inácio de Loyola

  • Ver como Deus usou as suas qualidades naturais e as baptizou conduzindo-o a uma profunda espiritualidade

  • Marcar alguns traços fundamentais do caminho espiritual de Inácio

  • Acentuar os traços da «mística do serviço» e do ser «contemplativo na acção»

Meios e conteúdos:

  • Propor que se leia alguma biografia de S. Inácio (p. ex., Ignacio Tellechea Idígoras, Inácio de Loyola: A aventura de um cristão, Braga, AO, 2007).

  • Usar trechos selectos da Autobiografia, sublinhando os grandes traços da sua personalidade e do seu percurso. Por exemplo:

Inácio: um homem de grandes desejos... (Aut. 1, 6, 7)

...com a coragem de enfrentar toda a exigência e disciplina, sem medo... (Aut. 4, 14)

...que, uma vez convertido, fez de Jesus o absoluto da sua vida... (Aut. 14)

...viveu como peregrino, sempre disponível para o maior serviço... (Aut. 35, 42, 50)

...até conseguir uma extraordinária integração da sua vida em Deus (Aut. 99)

  • Dar a conhecer a sua «mística do serviço», a união a Deus que se consumava no maior serviço dos homens: ler o relato da visão de La Storta:

Conservamos uma relação do P. Laínez sobre esta visão de La Storta que ele fez numa prática tida em Roma em 1559 e foi mais tarde publicada: «Disse-me que lhe parecia que Deus Pai lhe imprimia no coração estas palavras: “Eu vos serei propício em Roma”; e não sabendo Nosso Padre o que queriam significar estas palavras, dizia: “Eu não sei o que será de nós: talvez sejamos crucificados em Roma”. Depois, uma outra vez disse que lhe parecia ver Cristo com a cruz às costas e o Pai Eterno junto d’Ele que lhe dizia: “Quero que tomes este por teu servidor”. E assim Jesus o tomava e dizia: “Quero que tu nos sirvas”. E com isto, tomando grande devoção ao nome de Jesus, quis que a Congregação fosse chamada Companhia de Jesus». (Autobiografia, 96, n. 30)

Chave de leitura para saber se a graça foi alcançada:

Sentir-se identificado com traços da personalidade espiritual de Inácio e desejo de conhecer melhor a sua vida



anexos 3.1.:
(A1) A personalidade e o percurso de Inácio (excertos da Autobiografia)

  • Um homem de grandes desejos...

1. Até aos vinte e seis anos de idade, foi homem dado às vaidades do mundo e deleitava-se sobretudo no exercício das armas, com um grande e vão desejo de honra.

6. (...) E de muitas coisas vãs que se ofereciam, uma se apossara tanto do seu coração, que ficava logo embebido a pensar nela duas, três ou quatro horas sem se dar conta, imaginando o que havia de fazer em serviço de uma senhora (...) E ficava tão envaidecido com isso, que não via como era impossível alcançá-lo, porque a senhora não era de vulgar nobreza: nem condessa nem duquesa, mas o seu estado era mais alto que qualquer destes.

7. (...) E assim discorria por muitas coisas que achava boas, propondo-se sempre a si mesmo coisas difíceis e importantes, e ao fazê-lo parecia-lhe encontrar em si facilidade de as levar a cabo.


  • ...com a coragem de enfrentar toda a exigência e disciplina, sem medo...

4. E quando os ossos já estavam soldados uns aos outros, ficou-lhe um osso encavalitado sobre outro por baixo do joelho, por isso a perna ficava mais curta e o osso tão levantado que ficava feio. E não querendo ele resignar-se a isso, porque determinava seguir o mundo, e pensava que aquilo o deformaria, informou-se junto dos cirurgiões se aquilo se podia cortar. Eles disseram que se podia cortar, mas que as dores seriam maiores que todas as que já tinha suportado, por aquele osso já estar curado e ser necessário espaço para o cortar. E apesar disso decidiu martirizar-se por sua própria vontade, ainda que o seu irmão mais velho se admirava e dizia que ele não se atreveria a sofrer aquela dor; mas o ferido sofreu com a costumada paciência.

14. (...) E assim determinava fazer grandes penitências, não considerando já tanto satisfazer pelos seus pecados, mas para agradar a Deus. E assim quando se lembrava de fazer alguma penitência que os santos tinham feito, propunha-se fazer a mesma e mais ainda.


  • ...que, uma vez convertido, fez de Jesus o absoluto da sua vida...

14 (...) para que se entenda como Nosso Senhor dirigia esta alma que ainda estava cega, ainda que com grandes desejos de O servir em tudo o que visse ser seu serviço.

  • ...viveu como peregrino, sempre disponível para o maior serviço...

35. E assim, no princípio do ano 23 partiu para Barcelona para aí embarcar. E ainda que se ofereciam algumas companhias, quis ir sozinho, porque toda sua ideia era ter só a Deus por refúgio.

42 (...) Tinha uma grande certeza na sua alma de que Deus lhe havia de dar modo de ir a Jerusalém e esta certeza o confirmava tanto, que nenhumas razões e medos que lhe punham o faziam duvidar.

50 (...) Depois que o dito peregrino entendeu que era vontade de Deus que não estivesse em Jerusalém, sempre veio pensando consigo que faria, e ao fim inclinava-se mais a estudar algum tempo, para poder ajudar as almas e determinava-se a ir a Barcelona, e assim partiu de Veneza para Génova.


  • ...até conseguir uma extraordinária integração da sua vida em Deus

99. (...) E que tinha cometido muitas ofensas contra Deus Nosso Senhor depois de O ter começado a servir, mas nunca tivera consentimento de pecado mortal. Mais ainda, sempre crescera em devoção, isto é, em facilidade de encontrar a Deus, e agora mais que nunca na sua vida. E sempre e a qualquer hora que queria encontrar a Deus, O encontrava.

(A2) Outro texto que pode servir para conhecer melhor Inácio

Homem de vontade



A palavra e a acção. E como motor desta, a vontade. É o rasgo mais típico de Inácio. O que mais importa ao vasco, não é ser, mas estar, saber estar; porém, não entende o estar como indolente abandono, mas como resposta ao meio envolvente e à vida, como agir, como vontade de acção. Ser é querer, decidir, agir. Em Inácio, os mecanismos de decisão são complexos; mesmo nas acções aparentemente improvisadas, precedeu-as uma decisão em resposta a uma reflexão madura. Pensa a fundo, rápida ou lentamente, antes de se decidir. Dá aos outros a impressão de que se move sempre pela razão. Por isso, uma vez decidido – promessa ou decisão – cumpre com inteira fidelidade. O seu afinco e constância, nas coisas grandes e nas mínimas, ficaram lendários. (...)

Não é irrealista nem estouvado; mas, decidido a alguma coisa, vê o futuro como se fosse presente (...). Tem fé para a acção, para o compromisso, não para o sonho. É, simultaneamente, paciente e activo (...) É ingenuamente providencialista e conscienciosamente racional. A sua atitude de fundo resume-a numa frase, formulada de diversas maneiras, mas cuja substância é inequívoca: «Confiar em Deus como se tudo dependesse d’Ele. Trabalhar e lançar mão dos meios humanos como se tudo dependesse de nós». Perante a acção, a sua vontade é, desde sempre, magnânima; o difícil, o impossível, não o faz arredar. O antigo princípio do valer mais, incrustado no seu sangue e na sua estirpe, muda de horizonte graças a uma progressiva purificação: primeiro, foram a honra e a fama, depois as grandes façanhas do convertido; por fim, a maior glória de Deus. Não sabe o que é ter medo, mas não é aloucado ou imprudente. A firmeza, depois da reflexão madura, é o segredo dos seus êxitos, primeiro sobre si mesmo, depois sobre os outros (...).

Aqueles que lidam com ele de perto, admiram a sua serenidade irradiante, a sua disposição invariável. Apesar de ser um colérico, parece imperturbável. Não é insensível: é «senhor das paixões interiores» (...)

Este homem sereno, infatigavelmente activo, irradia, contagia, suscita atitudes activas nos seus seguidores. (...) Mas não façamos de Inácio a estátua do voluntarismo e da actividade. Inácio é um santo, um místico, um grande orante, um homem conduzido por forças que lhe são superiores, sempre atento às inspirações do Espírito que percebe na sua alma e na dos outros. (...) Inácio é um ouvinte da Palavra, de uma palavra interior, rubricada pela alegria e pela paz, mais do que da Palavra material da Bíblia. A sua máxima aspiração é «sentir internamente»...

(Ignacio Tellechea Idígoras, Inácio de Loyola: A aventura de um cristão, Braga, AO, 2007, pp. 102-106)


3.2. a espiritualidade inaciana

Objectivo:

Identificar os traços mais característicos da espiritualidade inaciana.



Graça a pedir:

Crescimento na identificação pessoal com a espiritualidade inaciana.



Didáctica:

  • Dar elementos para se perceber o que é uma espiritualidade

  • Ajudar cada um a encontrar uma definição do que é mais característico da espiritualidade inaciana

  • Levar cada um a identificar os traços desta espiritualidade que mais o atraem

Meios e conteúdos:

  • Esclarecimento do que é uma espiritualidade:

Uma espiritualidade é uma proposta organizada de ajudar a crescer no seguimento de Cristo, através de um conjunto de chaves de leitura, relações, símbolos e práticas. Entre a riqueza inesgotável da pessoa e da mensagem de Cristo, sublinha ou dá prioridade a alguns aspectos e mostra um caminho para cada um chegar também a experimentar o Espírito de Deus na sua vida e se identificar mais com Jesus. Algumas das características distintivas de uma espiritualidade são:

i. uma imagem de Deus e da sua relação com a criação

  1. uma forma de olhar o mundo e de actuar nele

  2. uma maneira de rezar

  3. uma escolha de estilo de vida

  4. um modo de construir a identidade pessoal como vocação

  5. um modelo de Igreja



    • Uso de descrições sintéticas do que é a espiritualidade inaciana. Por exemplo:

A espiritualidade inaciana é uma espiritualidade para gente ocupada. Gente boa como esta tende a sofrer de duas tentações opostas nesta matéria de tentar integrar oração e vida: ou sentirem-se tão atraídos pela oração que querem passar longas horas em contemplação, com o risco de prejudicar o seu apostolado e empenhamento com o resto das suas vidas; ou tornarem-se trabalhadores compulsivos, de tal modo que nenhum tempo é deixado para a oração e a busca do Reino de Deus degenera numa irreflectida absorção em actividade.
A solução de Inácio, aplicável a cristãos em qualquer modo de vida fora dos mosteiros contemplativos,
consiste em caminhar para uma integração discernida e equilibrada de oração e vida, de tal modo que uma conduz à outra e vice versa, e há uma alimentação e enriquecimento mútuos entre as duas.”
(David Londsdale, Eyes to See, Ears to hear)

A espiritualidade inaciana é um projecto de ordenação e integração que propõe: a unificação da pessoa em todas as suas dimensões; uma vivência profundamente espiritual que não foge de encarnar na vida como ela é; uma vivência da fé que compromete na transformação do mundo; uma prática de oração que leva à acção e um espírito de serviço que encontra aí a união com Deus.

Chave de leitura para saber se a graça foi alcançada:

Sentimento partilhado de profunda identificação pessoal com a espiritualidade inaciana.



anexos 3.2.:

(A1) O Deus da espiritualidade inaciana
«Uma das mais habituais queixas das nossas vidas é que estamos muito ocupados. (...) Um paradoxo é que as tradições espirituais – tanto cristãs como não cristãs – não costumam imaginar Deus tão ocupado como nós. (...)

Há uma tradição espiritual que oferece um certo correctivo à nossa imagem de um Deus a descansar eternamente. Essa tradição vem de Inácio de Loyola, que tinha uma certa predilecção para descrever Deus, Trindade e Encarnado, a trabalhar. Ele imaginava Deus activo e Jesus atarefado com os assuntos deste Deus a quem chamava Abba, Pai. (...)

Onde, então, é que começamos a procurar Deus? Na actividade, no trabalho. Mas o que distingue a perspectiva de Inácio não é chamarmos por Deus para Ele estar presente connosco nos nossos trabalhos, mas antes cairmos na conta de que somos privilegiados por nos juntarmos a Deus nas Suas actividades, nos trabalhos de Deus. Mais correctamente ainda, devemos estar sempre a trabalhar com Deus e com o mundo de Deus. A nossa união com Deus, com Cristo, é encontrada primariamente, portanto, na actividade em conjunção com Deus, com Cristo. (...)

O dom de Inácio para nós, nos nossos dias é ainda o de nos apontar o caminho para a nossa vida peregrina de movimento e actividade. Na nossa oração e contemplação, encontramos um Deus ocupado e é então que começamos a encontrar com mais facilidade este mesmo Deus em toda a nossa actividade. Porque o trabalho que fazemos com as nossas mãos e as nossas cabeças deve trazer-nos sempre mais plenamente para dentro da divina história que contemplamos. (...)

Encontrar um Deus ocupado fornece um incentivo para o nosso trabalho, porque descobrimos que o próprio labor que nos caracteriza como humanos é um lugar especial onde Deus está. Tanto que precisa de ser feito e Deus chama-nos para a tarefa de construir com Ele um mundo ao mesmo tempo mais humano e mais divino. Ao mesmo tempo, encontrar um Deus ocupado dá-nos um meio de nos libertarmos da ansiedade inútil e da impaciência de querermos terminar qualquer trabalho de acordo com o nosso calendário. Embora Deus nos tenha criado para O ajudarmos nas Suas ocupações, continuamos a ser apenas colaboradores. Cada vez que rezamos como Jesus nos ensinou, expressamos a nossa fé na vinda divinamente assegurada desse Reino. “Venha a nós o vosso Reino”, rezamos. Por essa esperança trabalhamos; nessa divina certeza nos descontraímos.»

David Fleming, Finding a busy God

(A2) Outra descrição da espiritualidade inaciana
A Espiritualidade Inaciana é para gente de grandes desejos (que detesta a mediocridade), capaz de exigência e disciplina (porque resiste ao comodismo), disponível para viver a vida como peregrinação (pois teme a monotonia e a rotina), sem medo do compromisso (já que recusa a superficialidade), que busca a liberdade (na luta contra a dependência e o medo) e deseja vivamente uma vida integrada em deus (superada a dispersão e a desordem)
3.3. um olhar inaciano

Objectivo:

Trabalhar o que significa o “olhar” inaciano – um olhar “activo” sobre a realidade circundante, que se deixa tocar por dentro e se compromete (PG1).



Graça a pedir:

Ver o mundo com os olhos amorosos e misericordiosos de Deus // Olhar para ser capaz de ver bem.



Didáctica:

  • Suscitar atitude / capacidade de contemplação – tudo começa na qualidade / profundidade / transversalidade do meu olhar…




  • Deixar-me tocar por dentro: “O que sinto diante do que vejo?” / “Como me deixo implicar / afectar pelo que vejo?”




  • O modelo é o proposto na contemplação da Encarnação dos EE: Um Deus que contempla, cheio de compaixão, as Suas criaturas. Um Deus que, a partir daquilo que vê, ao contemplar a humanidade dividida e pecadora escolhe e decide-Se pelo dom total de Si mesmo, numa entrega salvadora e libertadora.

  • O modelo é o olhar de Jesus, olhar que cura e reconcilia, permitindo ao homem reconstruir todas as suas relações destruídas pelo pecado.

Meios e conteúdos:

  • Propor a contemplação da Encarnação (EE 101-109) ou texto do PG1

  • Mc. 6, 34-44 – O olhar misericordioso de Jesus sobre a multidão dos que O seguem.

  • Lc 10, 25-37 – O olhar do Samaritano

Chave de leitura para saber se a graça foi alcançada:

Ser capaz de ver para além das aparências.

Sentir compaixão e o desejo de ser “próximo” daqueles a quem contemplo.

3.4. guiados pelo espírito, abertos e livres

Objectivo:

Trabalhar a disponibilidade para seguir o Mais (PG2).



Graça a pedir:

Deixar que o meu olhar seja conduzido pelo Espírito e movido pelo Amor.



Didáctica:

  • Ligação ao TPC anterior: É a docilidade ao Espírito que permite que o meu olhar veja para lá do imediato / seja transversal e profundo.

  • Compreender que é o Espírito quem continua, hoje, a actualizar o dom que Deus nos faz de Si mesmo e a entrega que fazemos de nós mesmos em todas as circunstâncias da nossa vida.

  • Trabalhar a liberdade do olhar (preconceito versus indiferença inaciana) ou seja, a disponibilidade para realizar a vontade de Deus.

  • Crescer na disponibilidade como fruto de abertura ao Espírito.

  • Abrir-me à “Lei interior do Amor” – que nos move, desde dentro, a fazer o bem, por amor.

Meios e conteúdos:

  • Lc 4: Tentações de Jesus no Deserto (Jesus conduzido pelo Espírito, que vê mais longe e resiste à facilidade).

  • Mc 2, 27: O Sábado é para o homem e não o homem para o Sábado.

  • Gal 5, 13-15 - Fostes chamados à Liberdade.

Chave de leitura para saber se a graça foi alcançada:

Sentir-me mais disponível e livre para responder aos desafios que Deus me faz.


3.5. o desejo de seguir jesus

Objectivo:

Conhecer Jesus; perceber em que é que Ele me fascina; explicitar porque desejo segui-Lo; medir o grau de identificação com Jesus (PG4).



Graça a pedir:

Crescer no conhecimento e identificação com a pessoa de Jesus.



Didáctica:

  • Ligação ao TPC anterior: Jesus como melhor exemplo para quem quer seguir o Mais (exemplo de total liberdade).

  • Enfatizar a importância de “tirar Jesus do pedestal” – Jesus é alguém com Quem eu me relaciono como amigo.

  • Perceber como sou “tocado” por Cristo e deixar-me guiar por esses “toques” na reordenação da minha vida. Não se trata pois de aplicar mandamentos universais mas perceber o que me diz a mim!
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