Perfil histórico da educaçÃo teológica batista no brasil zaqueu Moreira de Oliveira associaçÃo brasileira de instituiçÕes batistas de educaçÃo teológica (abibet)



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PERFIL HISTÓRICO DA

EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BATISTA NO BRASIL

Zaqueu Moreira de Oliveira

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE INSTITUIÇÕES BATISTAS DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA (ABIBET)

PERFIL HISTÓRICO DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA BATISTA NO BRASIL


Trabalho apresentado no XIV Congresso da Associação Brasileira de Instituições Batistas de Educação Teológica (ABIBET), no dia 11 de outubro de 2000, na cidade de Fortaleza, Estado do Ceará

Zaqueu Moreira de Oliveira


Fortaleza

Outubro de 2000

SUMÁRIO



Introdução ................................................................................. 7

Capítulo 1 – Início da Educação Teológica no Brasil ........... 9

Classes Teológicas, 9

Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, 11

Seminário Teológico Batista do Sul do Sul, 19


Capítulo 2 – Dificuldades e Vitórias do STBNB e STBSB . 23

Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil, 23

Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil, 31

Capítulo 3 – Outras Instituições de Educação Teológica ... 35

Instituições Alternativas, 36

Seminário Batista Brasileiro, 36


Seminário Teológico Betel, 37

Seminário de Educação Cristã (SEC), 37


Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER), 39

Outras instituições, 39


Instituições Regionais ou Estaduais, 40


Seminário Teológico Batista Equatorial, 40

Faculdade Teológica Batista de São Paulo, 41

Outras instituições, 42

Capítulo 4 – Alvos Atuais da Educação Teológica .............. 45

Eliminação da Duplicação de Esforços, 45

Sustento Financeiro, 47

Professores Competentes, 49

Alunos Vocacionados, 51

Propriedades e Equipamentos Adequados, 53
Reconhecimento de Cursos, 54

Conclusão ................................................................................ 57


Referências Bibliográficas ..................................................... 59

INTRODUÇÃO


É praticamente impossível contar toda a história da educação teológica batista no Brasil no espaço proposto para este texto, pelo que apresentamos apenas um perfil que poderá nos ajudar a ter conhecimento de sua origem e desenvolvimento até o momento presente. Uma tese de doutorado escrita pelo missionário Jerry Key, em 1965, abordou detalhadamente este assunto até o ano de 1963.1 Já se foram 35 anos desde aquela iniciativa acadêmica. O que pretendemos agora é delinear alguns rápidos traços históricos até os dias presentes, seguidos de uma análise prospectiva sobre o assunto. Ao mencionar as dificuldades da educação teológica neste país, Key relacionou uma série de problemas que, em sua quase totalidade, ainda hoje existem e, de certa forma, com maior gravidade, acrescidos de outros característicos do momento em que vivemos no limiar do século XXI.

Neste trabalho nos limitamos exclusivamente aos batistas da Convenção Batista Brasileira ou àqueles que dela saíram provisoriamente, não incluindo, portanto, por absoluta falta de espaço, as instituições ligadas direta ou indiretamente a outros grupos de batistas, tais como batistas regulares, bíblicos e da Convenção Batista Nacional.

Não somente por conhecer mais profundamente, como também por estar iniciando uma pesquisa de maiores proporções sobre o assunto, o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil é tratado com mais detalhes sem, com isso, deixar de reconhecer importância igual das outras instituições aqui abordadas.

No final, como resultado da análise histórica, apresentamos alguns alvos da educação teológica no Brasil, partindo das dificuldades do passado e da situação do presente. Olhamos com muito otimismo para o futuro, principalmente sabendo que Deus, como Senhor da história, estará perfilando os nossos passos, rumo à vitória. Esperamos que a contribuição deste estudo seja positiva para tantos quantos atuam nesta desafiante área educacional, que requer visão e consciência de um ministério em nome de Deus. Com a experiência de 40 anos de trabalho em seminários ligados à Convenção Batista Brasileira, o nosso sentimento é de gratidão ao Senhor pelos caminhos já palmilhados por heróis do passado e do presente, que se têm dedicado ao afã de preparar vocacionados para a Causa de Deus . “Graças a Deus que nos dá a vitória por nosso Senhor Jesus Cristo” (1Co 15.57).




CAPÍTULO 1

INÍCIO DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA
NO BRASIL

Aqui trataremos dos primórdios da educação teológica no Brasil, a partir das classes teológicas no final do século XIX e início do XX, incluindo a visão dos primeiros missionários, que perceberam a importância de um ministério nativo, como eles mesmos chamaram, o qual iria servir como investimento para melhor uso das finanças e multiplicação do pessoal em um trabalho tão amplo, além de tornar mais eficiente a comunicação do evangelho pelo uso da língua, pela vivência e pelo conhecimento da cultura brasileira. Nesta seção apontamos também os anos iniciais dos dois primeiros seminários batistas no Brasil.
Classes Teológicas

Educação teológica no Brasil iniciou nas residências dos missionários, quando estes, com a visão de preparar obreiros nacionais para a pregação do evangelho aos brasileiros, criaram classes em suas próprias casas, para que os jovens mais “promissores” tivessem orientação sobre a Bíblia, doutrinas, pregação, evangelismo e outras áreas práticas. Não se sabe exatamente quando surgiram a primeira classe teológica, mas há o registro de que pelo menos uma delas já existia em 1895, pois Zacarias C. Taylor, na Bahia, escreveu no dia 25 de março daquele ano, uma carta para o jornal da Junta de Missões Estrangeiras da Convenção do Sul dos Estados Unidos, em que dizia: “Nós temos quatro jovens se preparando para o ministério”.2 Além deste grande líder que atuava no Nordeste, classes foram também dirigidas por W. B. Bagby, T. C. Joyce, J. J. Taylor, A. B. Deter, D. L. Hamilton, W. E. Entzminger, e Salomão Ginsburg, além do brasileiro Francisco F. Soren.3

Ginsburg menciona a classe de J. J. Taylor, em São Paulo, que funcionou no final do século XIX, tendo recebido um fundo especial para esta finalidade.4 Esta classe foi transferida no início de 1902 para Campinas, passando a ser dirigida por A. B. Deter. Muito importante também foi a classe dirigida por Francisco Fulgencio Soren, a partir de 1901, no Rio de Janeiro, logo após retornar de seus estudos nos Estados Unidos. Ela contribuiu para o treinamento de muitos pastores antes da fundação do Seminário do Sul.5 De forma especial, referência deve ser feita a Entzminger, pois sua classe de quatro estudantes, criada em 1899, em Pernambuco, foi continuada por Salomão Ginsburg, resultando na fundação da primeira instituição batista de educação teológica no Brasil. “Entzminger devotava três horas por dia para ensinar e dirigir estes candidatos ministeriais em um programa de estudo”.6 A Junta de Richmond ajudou financeiramente esta classe que, conforme W. C. Taylor, foi a primeira a receber dotação para educação teológica no Brasil.7



Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil8

Salomão Ginsburg, o notável pioneiro russo-judeu, que se tornou missionário da Junta de Richmond, desde cedo se preocupou com a necessidade de obreiros brasileiros para a continuidade do trabalho batista no Brasil. Quando trabalhava no Estado do Rio de Janeiro, em 1899, a sua visão quanto ao preparo de obreiros brasileiros é exposta:

“Nós queremos também meios para educar jovens que estão prontos e desejosos de trabalhar para Jesus. Nós devemos olhar para o futuro. Nós, missionários, não podemos sempre viver aqui e pregar. Precisamos de pastores nativos para os novos campos que se abrem. Se desejamos um trabalho permanente, devemos tê-los [pastores nativos] e logo. A Junta não pode para sempre enviar e manter missionários, e missionários não devem ser pastores [locais]”.9

Ainda em 1899, após uma reunião dos missionários do Sul do Brasil, ele escreveu de Campos, Estado do Rio:

“Entre as muitas coisas discutidas, a mais importante foi acerca de um seminário para os obreiros nativos, para os jovens de nossas igrejas que estão ansiosos para trabalhar, mas falta-lhes a necessária educação para colocá-los à frente. (...) As discussões sobre o assunto revelaram que todos estão ansiosos para tornar o seminário uma realidade. As igrejas têm prometido ajudar e o tempo chegou para a Junta nos dar um início. (...) Nós temos o material – moços [futuros seminaristas] e bons professores – precisamos apenas dos meios para mantê-los”.10

Em 1900, já em Pernambuco, ele escreve sobre a urgência da criação de um seminário:

“Nós não devemos subestimar o seminário, pois precisamos dele e precisamos urgentemente. Cada dia percebemos mais e mais a necessidade de jovens bem preparados para assumir os novos campos que o Senhor está abrindo”.11

No ano seguinte ele demonstra a sua visão do futuro da obra batista, que deveria ser continuada por brasileiros e não missionários norte-americanos:

“Irmãos, se o Brasil deve ser convertido, será somente através de brasileiros. Portanto, permita-nos preparar homens, assim que em um futuro próximo eles possam ser capazes de tomar os nossos lugares. Eu incito isto de todo o meu coração e alma. (...) Nós não somos imortais, e a Junta não poderá para sempre enviar missionários estrangeiros”.12

Novo apelo foi feito por ele em 1902, imediatamente antes da organização do Seminário:

“Uma boa notícia é o fato de que eu tenho agora mais de seis rapazes que estão ansiosos para dar as suas vidas à causa de Jesus, mas faltam os meios para educá-los, ou melhor, dar-lhes um pequeno preparo para este importante trabalho. Eu espero ser capaz de treiná-los para isso com o auxílio da Junta. Quem ajudará a Junta a fazê-lo?”13

Finalmente, o sonho de Ginsburg se concretiza através do que foi chamado de “aula theologica”, que consistiu em uma solenidade por ele mesmo presidida. Assim, O Jornal Baptista publica a ata de instalação do primeiro seminário batista da América Latina, escrita pelo jovem aluno brasileiro Emilio W. Kerr, que assim inicia:

“No dia 1 de abril de 1902, na residência do Rev. Salomão Luiz Ginsburg, no Caminho Novo, 106 [hoje Avenida Conde da Boa Vista, 592], com a presença do mesmo Missionário; do Rev. Jefte E. Hamilton; do Rev. João Borges da Rocha, pastor da Igreja de Cristo de Nazareth; dos diáconos Arthur Lindozo, Antonio Aristonico, e José Coelho da Silveira; os moços E. W. Kerr, Alfredo de Lima, Benevenuto Chaves, João dos Santos, Alcino Coelho, e Nicodemos de Carvalho, e muitos membros da Igreja Baptista de Recife, a sessão solene de instalação do Seminário Batista de Pernambuco foi iniciada”.14

Aos 6 alunos acima relacionados foram acrescentados 3, completando 9 seminaristas no primeiro ano. Desde que Ginsburg se ausentava muito da cidade do Recife, em virtude das suas contínuas viagens missionárias, Jefte E. Hamilton, missionário em Alagoas, foi convidado para dirigir o Seminário neste período inicial, embora ele mesmo precisasse dividir seu tempo com o trabalho no vizinho Estado, pelo que o primeiro ano de atividades da nova instituição foi muito difícil, havendo evasão de alunos, tanto que somente dois deste primeiro grupo de estudantes se tornaram pastores.15

Jefte Hamilton se mudou ainda no final de 1902 para o Pará,16 onde morreu de febre amarela em 04 de dezembro de 1904.17 Ainda em 1902 chegou o novo missionário a Pernambuco, William H. Cannada, pelo que O Jornal Baptista noticiou em outubro as seguintes recomendações dos missionários sobre educação teológica: (1) Que o seminário teológico para o Norte permaneça em Pernambuco sob a direção de Cannada que chegaria ainda naquele mês (chegou em novembro); (2) que outro seminário fosse estabelecido no Sul do Brasil em local ainda a ser escolhido.18

Com a saída de Hamilton e o trabalho evangelístico itinerante de Ginsburg, que se estenderia até Alagoas, a vinda de Cannada seria a solução para o Seminário. Infelizmente Ginsburg viajou de férias no meio do ano de 1903, pelo que Cannada precisou assumir suas atividades evangelísticas. Assim os estudantes daquele ano, que eram em número de 10 no início e 7 no final, foram aproveitados para assumir as igrejas ou pontos de pregação, voltando para os estudos intensivos em apenas uma semana por mês. Esta forma de estudos de uma semana permaneceu até o ano de 1905, quando 4 estudantes foram declarados prontos para assumir pastorados.19 No final de 1903, o missionário escrevera que estava preparando dois jovens “promissores” para ajudá-lo no ensino no ano seguinte.20 A preocupação sobre a manutenção do Seminário é exposta por Cannada em nota publicada na revista da Junta de Richmond: “Eu estou feliz porque a Junta decidiu nos dar a apropriação para o Seminário. (...) A maior necessidade de nosso trabalho brasileiro é de um ministério nativo bem equipado”.21 Uma novidade sobre sustento é que as igrejas da região, através da União Baptista Leão do Norte, decidiram recolher uma oferta destinada ao Seminário no último domingo do mês, sempre que houvesse cinco domingos.22 Esta prática, que hoje não mais existe, foi continuada por muitos anos no Nordeste e depois imitada no Sudeste. Um novo líder que iria se destacar na área educacional brasileira, J. W. Shepard, chegou em julho de 1906 para fortalecer o Seminário.

Interessante verificar que em 1906 Cannada argumenta sobre a necessidade das igrejas manterem pelo menos parcialmente os estudantes que mandassem para o Seminário.23 É bom lembrar que os anos de 1903 a 1906 foram muito marcados pela perseguição religiosa movida pela Liga Contra o Protestantismo, criada em setembro de 1902 pelo Frei Celestino de Pedavoli para combater o que ele chamou de “corifeus da iniqüidade”,24 mas o Seminário prosseguiu em suas atividades.

Em 1907 Cannada foi de férias para os Estados Unidos e, quando retornou, seguiu para o Rio de Janeiro com a finalidade de trabalhar na nova instituição teológica a ser criada naquela cidade. Na ocasião já estava amadurecida a idéia de que deveria haver apenas um seminário no Brasil, o qual seria localizado no Sudeste. W. C. Taylor afirmou mais tarde que a Junta de Richmond tinha determinado ajudar apenas um seminário no Brasil.25 Assim Ginsburg tentou assumir a direção do Seminário em Recife, mas por falta de tempo convidou o missionário congregacional, F. A. Gallimore, para dirigi-lo até que alguém fosse nomeado para essa função.26

Este período inicial da vida do Seminário do Norte foi muito produtivo, apesar das dificuldades, conforme alinhadas por Key: “Falta de um local permanente como sede, sustento precário, pouco equipamento, número pequeno de estudantes que também tinham outras responsabilidades no campo”.27

Os anos de 1908 a 1918 foram de muita instabilidade para o Seminário do Norte, que perdeu os dois missionários que para Pernambuco haviam se dirigido a fim de servirem à Instituição já existente: Cannada e Shepard. A idéia de centralização da educação teológica no Rio de Janeiro prevaleceu na recém-criada Convenção Batista Brasileira, que optou por uma nova instituição a ser instalada na capital federal. W. C. Taylor escreveu mais tarde que o Seminário do Norte passou a ter uma existência quase clandestina.28 Não fora a disposição e visão de H. H. Muirhead, que exatamente em 1907 havia iniciado seu trabalho missionário no Recife, por certo a instituição teria sucumbido. É verdade que o Colégio Americano, criado em 1905, e o Seminário, já existente desde 1902, passaram em 1908 a formar uma só unidade com o mesmo diretor, H. H. Muirhead.29

Em 1909, D. L. Hamilton, irmão do primeiro diretor do Seminário (falecido no Pará), após ter trabalhado na Bahia e em Alagoas, foi para Recife, a fim de assumir a direção do Seminário, levando os alunos de sua classe teológica. Os dois missionários fizeram de tudo para que a Instituição não fechasse, inclusive usando o seu próprio dinheiro, pois a Junta de Richmond havia decidido que ajudaria apenas o novo Seminário do Rio.30 Em 1912, Hamilton esteve em férias nos Estados Unidos, voltando Muirhead a dirigir as duas instituições, mas em 1914, quando foi sua vez de gozar férias, Hamilton reassumiu.

É interessante observar que, apesar do Seminário do Sul ser o único vinculado à CBB, a assembléia convencional recomendou, em dezembro de 1912, que as igrejas do Norte e do Sul levantassem uma oferta a fim de ajudar os seminaristas das duas instituições.31 O período de férias de Muirhead, em 1914, foi de muito e proveitoso contato e apelo aos norte-americanos, em favor da educação no Brasil, inclusive no Nordeste. Em 1915, Muirhead voltou a dirigir o Colégio e o Seminário e, no ano seguinte, como resultado de seus argumentos em Richmond, dois novos missionários vieram para integrar o Corpo Docente do Seminário do Norte, L. L. Johnson e W. C. Taylor. Também em 1915, recebeu verba suficiente para adquirir “a chácara do Barão da Soledade, na Rua Visconde de Goiana, hoje Rua Dom Bosco, para onde foram transferidos o Seminário e o Colégio”,32 permitindo que aquelas instituições pudessem cumprir a sua missão social e religiosa galhardamente. David Mein, citando O Jornal Batista, afirma sobre a nova propriedade:

“O Seminário ficava num velho quarto que deveria ter pertencido ao cozinheiro do antigo proprietário, tendo o galinheiro por baixo. As ‘piadas’ dos seminaristas confundiam-se com os piados das galinhas. Depois os seminaristas passaram a residir na velha estrebaria”.33

Só em 1917 é que foi construído um prédio no campus do Colégio Americano, com ajuda da Comissão Predial Batista, onde o Seminário passou a funcionar.

Taylor dirigiu o Seminário a partir de 1916, tornando-se sua figura central até o ano de 1924. Na primeira parte dos anos 20 houve muita turbulência em todo o Nordeste do Brasil, com o movimento chamado radical. Assim foi que, em 1918, o Seminário do Norte foi aceito como o segundo seminário vinculado à CBB,34 graças aos convincentes argumentos, firme atuação e profícua liderança de H. H. Muirhead. Desde 1908, o Seminário vinha funcionando como um departamento do Colégio Americano, mas em 1918 se separou e passou a ter uma junta própria nomeada pela assembléia da CBB.35 Este foi também o ano em que o Seminário entregou à denominação a sua primeira turma de formandos, constituída de três eminentes líderes denominacionais, a saber, Manuel Tertuliano Cerqueira, Antonio Neves de Mesquita e José Munguba Sobrinho,36 que receberam o grau de Mestre em Teologia.

Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil

No ano de 1907 foi organizada a Convenção Batista Brasileira, quando já havia 26 pastores batistas brasileiros,37 sendo 17 a mais do que em 1900.38 Na ocasião existiam 83 igrejas com 5.000 membros no país,39 enquanto em 1900 havia apenas 25, com menos de 2.000 membros.40 A idéia era unir as forças batistas do Brasil. Tendo em vista que o ideal de fundar um seminário no Sul (Sudeste) era bastante forte, e que a capital do país era a cidade do Rio de Janeiro, já estava amadurecida a posição de que só havia lugar na denominação para um seminário, que deveria se localizar nessa cidade. Assim, com tal disposição, 43 mensageiros representando 39 igrejas do Brasil se reuniram em Salvador, Bahia, nos dias 22 a 27 de junho de 1907, para se organizarem em convenção. Foi criada uma Junta de Educação e Seminário, enquanto se decidia que um futuro colégio e seminário central fosse estabelecido no Rio de Janeiro.41

O entusiasmo para a fundação do novo seminário foi crescente, tendo como um dos maiores batalhadores, J. W. Shepard, que não retornou para Recife, indo para o Rio, embora tenha afirmado que o objetivo não era enfraquecer as outras instituições já existentes.42 Era óbvio que as parcas verbas provenientes de Richmond e de algumas igrejas do Brasil seriam centralizadas para a nova e grande “academia-seminário” a ser criada. O Colégio e o Seminário do Rio nasceram fundidos em uma só instituição, mas o Colégio funcionaria como meio para que jovens vocacionados se dirigissem para o Seminário, pelo que Shepard escreveu que o Seminário deveria ser o ponto culminante do novo sistema educacional.43

O Colégio do Rio foi inaugurado em cerimônia simples no dia 02 de abril de 1908, permitindo-se ao Seminário do Sul formalizar sua abertura separadamente antes, no dia 15 de março do mesmo ano, quando são mencionadas as matérias a serem ministradas: “Introdução Bíblica, Estudo e Exegése [sic] do Novo Testamento, Teologia Sistemática e Pastoral, Eclesiologia e as línguas originais”.44 Mais tarde, o programa de estudos é apresentado com Introdução Bíblica, Velho Testamento, Novo Testamento, Teologia Sistemática, Grego e Homilética. O Diretor, J. W. Shepard, escreveu para a Junta de Richmond sobre o Colégio e o Seminário do Rio:

“Nós queremos apressar esta obra porque ela economiza dinheiro, almas, tempo, e é a esperança do futuro. Como desenvolveremos uma auto-propagação do cristianismo, forte bastante para competir com o florescente catolicismo do Brasil, sem ministros educados (...)?”45

Desde o início percebe-se a preocupação de Shepard, quanto à manutenção de educação teológica, pelo que criou a Sociedade Educacional Batista do Brasil, com a finalidade de levantar fundos para o preparo de promissores jovens vocacionados.46 Escrevendo à Junta de Richmond, em 01 de abril de 1909, coincidentemente no dia em que o Seminário do Norte completava 7 anos de existência, J. W. Shepard afirma que Salomão Ginsburg já tinha a garantia de verbas para a Comissão de Educação do Norte, e diz sobre o Sul: “A Sociedade tem apresentado seus planos e está trabalhando energicamente. Ela centra os seus esforços no Colégio e Seminário Central [Rio]”.47 Logo mais ele chegou a afirmar que a Junta de Richmond tinha falhado em cumprir o propósito de aumentar a doação de verbas para o novo Seminário, devendo ser reforçada a campanha de adquirir mais sócios para a Sociedade e mais igrejas que contribuíssem regularmente para o Seminário. A campanha por mais fundos foi reforçada na segunda assembléia da Convenção Batista Brasileira, que também apelou por maior ajuda da Junta de Richmond. Em 1909 foi designado um dia especial no ano, com a finalidade de se dar ênfase à educação teológica.48 Ainda hoje há o chamado Dia de Educação Ministerial, embora não mais exista a prática de se levantar ofertas para os seminários, senão quando algum deles passa por momento de crise.

Apesar das dificuldades, novos professores foram sendo adicionados ao Corpo Docente, enquanto o número de seminaristas crescia chegando a 33 em 1916, quando o primeiro aluno recebeu o grau de Bacharel em Teologia.49 À semelhança do que ocorrera em 1918 no Seminário do Norte, em 1919 três estudantes receberam o grau de Mestre em Teologia no Seminário do Sul.50

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