Perfil histórico da educaçÃo teológica batista no brasil zaqueu Moreira de Oliveira associaçÃo brasileira de instituiçÕes batistas de educaçÃo teológica (abibet)



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CAPÍTULO 2

DIFICULDADES E VITÓRIAS

DO STBNB E STBSB

Neste item não entraremos em minúcias sobre os dois primeiros seminários da CBB, porém abordaremos alguns itens que reputamos importantes em sua história, ficando para trabalho posterior uma abordagem mais minuciosa.

Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil

Diferentemente do Seminário do Rio, o do Recife funcionou desde 1908 por conta e risco da Missão Batista do Norte do Brasil, sendo aceito em 1918, juntamente com o Colégio Americano Batista, como uma das agências denominacionais.51 É pena que logo depois desta vitória, o movimento nacionalista chamado “radical” foi iniciado, resultando em séria divisão no campo e no trabalho batista do Nordeste, em 1923, quando Seminário e Colégio voltaram a funcionar como uma única instituição.52

As desavenças entre pastores brasileiros e missionários norte-americanos certamente já existiam antes, mas começaram a aflorar no momento em que o assunto “sustento próprio” passou a ser abordado pelos missionários, ainda em 1918. Logo a seguir o Seminário do Norte se tornou o centro principal das discórdias, principalmente quando, em 1919, Alfredo Freyre, que se dizia convicto dos princípios e doutrinas defendidos pelos batistas, mas não era batizado, tornou-se professor do Seminário de algumas disciplinas não teológicas. A admissão, pelos missionários, de um professor “incrédulo”, foi motivo de escândalo para os insatisfeitos brasileiros.53 O assunto tomou várias conotações entre 1920 e 1921, inclusive com a adesão do missionário D. L. Hamilton ao lado dos brasileiros, o que resultou no seu afastamento das atividades administrativas do Colégio e do Seminário, ainda em 1920. Essa matéria começou a ser tratada nas assembléias da CBB a partir de 1920, mas chegou ao seu ápice em 1923, quando o Seminário praticamente fechou, com a saída de quase todos os alunos, com exceção de dois,54 sendo criado pelos “radicais”, o Seminário Batista Brasileiro, que começou a funcionar nos fundos da Primeira Igreja do Recife. Mais tarde se transferiu para um prédio alugado, com o nome de Colégio Batista Brasileiro. W. C. Taylor chegou a afirmar que o Seminário do Norte havia morrido,55 mas essa afirmação não se confirmou, pois em 1924 teve uma matrícula de 15 alunos.56 Um acordo que chegou a apaziguar a muitos foi feito na assembléia da CBB, em janeiro de 1925, quando Colégio e Seminário voltaram a se unir. O convênio, contudo, não foi suficiente para conservar unidos os dois grupos, que mantiveram por alguns anos dois seminários, duas convenções e dois jornais.57

Os anos de 1925 a 1936 foram de transição, ficando as instituições sob a direção de H. H. Muirhead, de 1925 a 1929, de John Mein, de 1930 a 1935, e de Robert Elton Johnson entre 1935 e 1936. De 1925 a 1935 funcionou a Escola da Bíblia, como um departamento do Seminário, o qual oferecia um curso prático para pastores que não tinham condições de fazer um curso mais longo e mais profundo. Além do Curso da Bíblia, o Seminário oferecia o Bacharel em Teologia e, mais tarde, na década de 1930, o de Mestre em Teologia, cujos alunos eram especialmente convidados pelo Corpo Docente. Em 1934, já se cogitava iniciar um curso de Doutor em Teologia.58 Foi neste período que dois dos mais proeminentes professores começaram a compor o Corpo Docente do Seminário, Munguba Sobrinho, em 1929 e Lívio Lindoso, em 1935. A relação entre o Seminário e as igrejas foi muito bem expressa por John Mein, em 1933, quando ele disse que se não existisse o seminário, não haveria obreiros preparados para as igrejas, e se não existissem igrejas, não poderia haver seminário.59

No ano de 1936, quando se comemorou o cinqüentenário dos batistas pernambucanos, houve a aproximação dos dois grupos litigantes, e as Novas Bases de Cooperação entre brasileiros e missionários norte-americanos foram estabelecidas na CBB,60 eliminando-se a percentagem antes estabelecida para brasileiros e americanos nas juntas da CBB.61 Outro item muito importante foi, mais uma vez, a separação entre seminários e colégios da Convenção, devendo cada um ter a sua própria diretoria e a sua própria junta. Assim é que o missionário A. E. Hayes foi eleito novo Diretor do Seminário, assumindo entre 1936 e 1937.

Finalmente, as resoluções de 1936 levaram a Associação Batista Brasileira a ser dissolvida em 1938, que atendeu convite para que as igrejas volitassem ao seio da CBB. Infelizmente o ranço da discórdia não havia desaparecido, pois no ano seguinte já se esboçava uma nova divisão com o ressurgimento do radicalismo, mais uma vez tendo o Seminário como ponto central das discórdias. Na realidade o pomo da questão estava no ciúme levantado pelos defensores “da justiça”, envolvendo dois dos mais eminentes líderes da denominação e do Nordeste, Orlando Falcão e Munguba Sobrinho. O primeiro tinha sido presidente da CBB em 1922 e, com a viagem de férias do missionário A. E. Hayes, ficou como Diretor Interino do Seminário em 1937, sendo o primeiro brasileiro a assumir esta função. O segundo tinha sido Presidente da CBB em 1926, 1932 e 1936, e seria mais tarde em 1947, além de ter sido Orador Oficial em 1926 e 1935. Quando Hayes retornou dos Estados Unidos, em 1938, renunciou ao seu cargo de Diretor, pelo que a Junta Administrativa elegeu como Diretor, agora efetivo, Munguba Sobrinho, que dirigiu a Casa em 1938 e 1939. Este foi o caldo entornado para fazer fluir novamente o azedume radical no campo pernambucano, quando a pergunta era feita: “Por que não Orlando Falcão que desempenhou um trabalho eficiente como Interino?” O assunto de administração de verbas também voltou a ser tratado. Uma atitude de Falcão que podia parecer de somenos importância, também estava por trás da controvérsia: Quando na direção do Seminário, ele havia anuído ao movimento que permitia aos seminaristas fazerem simultaneamente cursos seculares, posição essa que contrariava profundamente os missionários.62 O fato é que a nova Junta Administrativa, com influência radical, resolveu demitir Munguba e eleger Orlando Falcão, logo após a assembléia convencional, ainda em janeiro 1940, reformando o Estatuto que reduziu o período de atuação dos diretores do Seminário para um ano, com possibilidade de recondução. Escreve Zaqueu Moreira de Oliveira sobre o assunto:

“Conforme alguns, a eleição de Orlando Falcão para a direção do Seminário era apenas a reparação de um ato de injustiça, quando dois anos antes, a Junta, ao invés de elegê-lo, já que se houve tão bem na direção interina da instituição, escolheu o pastor Munguba Sobrinho para o cargo efetivo”.63

Assim, nova luta destruidora se desencadeou quando, dentre outros problemas referimo-nos a vários fatos que denotam o triste espírito das partes litigantes: (1) A publicação, no Diário Oficial do Estado, do novo Estatuto do Seminário, em março de 1940, não incluía a limitação do tempo de mandato do diretor; (2) as chaves dos prédios do Seminário foram entregues ao Presidente da CBB; (3) a Biblioteca ficou sob a guarda exclusiva da Missão; (4) os fundos para construção, em nome do Seminário, foram depositados na Comissão Predial; (5) os professores Munguba Sobrinho e Lívio Lindoso foram demitidos e os missionários licenciados; (6) a verba para fins operacionais do Seminário foi cortada pela Missão; (7) o missionário Hayes, ao retirar livros da Biblioteca para encadernar (segundo ele mesmo explica), foi acusado de esbulho, pelo que foi lançado um processo judicial contra ele e a Missão, resultando no mandato de reintegração de posse em favor dos que demandavam.

Grande parte dos seminaristas, agora sem os recursos para sua manutenção, abandonou os estudos, indo outros para o Seminário Presbiteriano. Mais uma vez o Seminário do Norte se vê às portas da morte e mais uma vez houve divisão do campo pernambucano, que passou a ter duas convenções e dois jornais, sendo aberto mais tarde, em 1949, o novo Seminário Batista Brasileiro.64

Em 1941 houve a demissão do Diretor, quando o Seminário esteve sob intervenção pela CBB, tendo como Interventor o missionário S. L. Watson, que arrumou a Casa.65 Lívio Lindoso foi por ele nomeado presidente do Corpo Docente e eventual substituto, tendo de fato dirigido a Instituição naquele ano. Em 1942 foi eleito John Mein como novo Diretor, ficando até 1952, período em que o Seminário do Norte voltou a gozar do conceito que tinha anteriormente.

Os anos de 1953 a 1984 foram dos mais prósperos para o do Seminário do Norte, sob a competente administração de David Mein, quando além de importantes acréscimos na propriedade e de construções de 9 edifícios, houve reformas no currículo e elevação do nível do Curso de Bacharel em Teologia, com professores do mais alto gabarito. No período foram publicados 10 números da revista teológica, intitulada Expositor Teológico, nos anos de 1957 a 1963, que teve a direção dos professores Merval Rosa e Silas Falcão.66 Também surgiram novos cursos, a começar com o Bíblico por Correspondência, em 1957. Em 1960, a criação dos cursos de Bacharel em Música Sacra e Bacharel em Educação Religiosa marcou época, com o ingresso de pessoas do sexo feminino no Corpo Discente do Seminário. Em 1970, voltou a funcionar o Mestrado em Teologia, que esteve parado por 30 anos. Mais tarde, em 1976, Maria Betânia Melo de Araújo, hoje psicóloga e professora do Seminário, colou o grau de Mestre em Teologia, tornando-se a primeira pessoa do sexo feminino a receber este título no Brasil.

Também no período, o Curso de Bacharel em Teologia foi o primeiro no Brasil a ser credenciado pela Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ASTE), em 1968, acontecendo o mesmo com o Curso de Mestrado em Teologia, em 1974. Também o Seminário foi reconhecido como de utilidade pública pelo Estado de Pernambuco, em 1967, e pelo Município do Recife, em 1968.67

Depois da profícua administração David Mein, que durou 32 anos, o Seminário teve cinco reitores, sendo três brasileiros e dois americanos. Foram eles: Hélio Schwartz Lima, em 1985, David Miller, de 1985 a 1987, John Ramsey, de 1988 a 1990, José Almeida Guimarães, de 1991 a março de 1994 e Zaqueu Moreira de Oliveira, a partir de 31 de março de 1994 até o presente. Neste período, Jilton Moraes colou grau de Doutor em Teologia, em 1993, sendo o primeiro no Brasil a receber este título de uma instituição batista. Mais tarde, outra professora da Casa, Joyce Elizabeth Every-Clayton, também recebeu este grau, e dois ex-professores receberam o título de Doutor em Divindades, a saber, José Almeida Guimarães e Charles Dickson.

Na atual administração, o Seminário tem dado ênfase à qualidade e dentre outras realizações, voltou a atuar na área editorial com a STBNB Edições, tendo até o momento publicado 5 livros e 2 números de sua revista teológica, que após 36 anos adormecida, voltou a funcionar com o nome Reflexão e Fé. Também o Seminário oferece cursos menores, tais como Básico de Música Sacra, Básico de Teologia, Curso de Ministério Alternativo e Curso de Capelania, além de cursos de férias. Hoje o Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil é uma das mais conceituadas instituições de educação teológica da América Latina, com um Corpo Discente constituído de mais de 1.100 alunos no total, um Corpo Docente dos mais competentes e uma ampla biblioteca, com cerca de 55.000 livros, além de revistas, partituras, fitas e vídeos.



Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil

J. W. Shepard continuou na direção do Seminário do Sul e do Colégio até 1930 e no seu período foi comprada a propriedade do Barão de Itacuruçá, que ainda hoje abriga as duas instituições. H. H. Muirhead, que havia servido no Colégio e Seminário do Norte, passou a ser o novo Reitor do Colégio e Seminário do Sul, exercendo esta função por 4 anos, e sendo sucedido por S. L Watson, entre 1934 e 1936. Com as Novas Bases de Cooperação, em 1936, as instituições passaram a ter administração separada, sendo eleito novo Reitor, um brasileiro, Djalma Cunha, entre 1937 e 1945.68 Uma pequena crise entre a administração e o Corpo Docente resultou na saída do Reitor, que foi substituído por A. R. Crabtree.

Algumas dificuldades enfrentadas por Djalma Cunha na sua direção estiveram ligadas à insuficiência das propriedades colocadas à disposição do Seminário e às parcas finanças, pelo que um forte apelo foi feito às igrejas para ajudarem a sua manutenção.69 Isto resultou em ofertas levantadas no Dia de Educação Teológica, em novembro, e nos quintos domingos. Esta última prática já tinha sido utilizada pelo Seminário do Norte, desde 1904. Em 1941, foi decidido pela CBB dar 20% de seu orçamento para os dois seminários, devendo o do Sul receber o dobro do que receberia o do Norte.70 Uma reportagem afirma que, desde a separação do Colégio, a Junta de Richmond vinha contribuindo com pouco mais de 44% da receita do Seminário, as igrejas com pouco menos de 31%, e indivíduos e dotações com 24%.71

Um assunto amplamente debatido em O Jornal Batista, na Junta do Seminário e mesmo em assembléias convencionais, entre 1941 e 1945, foi a possibilidade de mudança de local para o interior. Finalmente foi decidido permanecer no Rio de Janeiro, em janeiro de 1946.72

De 1946 a 1954, A. R. Crabtree foi Diretor do Seminário do Sul, quando ingressaram no Corpo Docente, novos professores e vários prédios foram construídos. Houve também novo estímulo às igrejas no sentido de darem maiores ofertas para educação teológica, uma vez que mais de dois terços da receita do Seminário provinham da Junta de Richmond. O problema da baixa remuneração dos professores foi discutido na ocasião.73 A Revista Teológica do Seminário teve o seu primeiro número publicado em janeiro de 1950.74

Entre 1955 e 1967 A. Ben Oliver serviu como Reitor, sendo um período bastante próspero, quando o Corpo Docente e o Discente cresceram em número e qualidade, e novas construções foram adicionadas às existentes. Também o Curso de Bacharel em Música Sacra foi iniciado em 1962. Em 1959, com a adoção do Plano Cooperativo da CBB, os três seminários da Convenção foram agraciados, ficando o maior percentual para o Seminário do Sul.75 Após Oliver, o Seminário do Sul teve os seguintes reitores: João Filson Soren, 1968 a 1971; David Malta do Nascimento, 1972 a 1984; Ebenézer Soares Ferreira, 1985 a 1998. A partir de 1999, Roberto Alves de Sousa é o novo Reitor do Seminário do Sul.76 Esta tem sido a maior e uma das mais importantes instituições de educação teológica da América Latina, sendo responsável pela formação de uma parcela significativa dos pastores e missionários do Brasil e dos campos missionários da Junta de Missões Mundiais da CBB.



CAPÍTULO 3

OUTRAS INSTITUIÇÕES DE EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

Certamente não se pretende aqui relacionar todas as instituições criadas por entidades, grupos ou indivíduos no Brasil, tanto no passado como no presente, com o objetivo de preparar pastores ou outros ministros para o serviço nas igrejas ou nos campos missionários. É verdade que muitas delas surgiram em momentos de controvérsias, outras com o objetivo de complementar um tipo de educação não oferecido pelos seminários já existentes, outras ainda para evitar a evasão de obreiros e futuros obreiros para outros campos e, finalmente, outras por capricho pessoal de seus fundadores ou mantenedores. Tendo em vista o grande número de instituições teológicas batistas no Brasil, em 1970 foi criada, com 9 instituições representadas, a Associação Brasileira de Instituições Batistas de Educação Teológica (ABIBET), como resultado da Primeira Conferência de Educação Teológica que se realizou em Salvador, Bahia, em maio de 1967. A finalidade explícita era “congregar todas as instituições de ensino teológico, dentro do âmbito batista do Brasil”.77 Em 1996 havia o conhecimento de 36 instituições teológicas batistas no Brasil. Hoje há mais de 40, contando as nacionais, as estaduais, as associacionais, as ligadas a grupos, igrejas ou indivíduos.



Instituições Alternativas

Referimo-nos aqui às instituições que foram criadas em momentos de controvérsia, ou como uma alternativa especial para a educação ministerial, principalmente para a formação de pastores, e aquelas que vieram suprir uma falta existente nos seminários que já existiam, como a educação feminina, por exemplo.



Seminário Batista Brasileiro

Criado em Recife, em 1923, como resultado do movimento radical em sua maior crise, quando quase todos os alunos do Seminário do Norte dele se afastaram. Funcionou inicialmente nos fundos da Primeira Igreja, contudo, mais tarde foi alugado um prédio que se tornou a sede do chamado Colégio Batista Brasileiro.78 Por algum tempo teve ajuda parcial da Associação Batista Geral da América,79 mas logo deixou de funcionar por falta de verbas e porque a sua existência perdeu o significado com as Novas Bases de Cooperação. Após o novo movimento divisionista entre 1939 e 1940, apesar da nova debandada de seminaristas, os “radicais” só reorganizaram o novo Seminário Batista Brasileiro em 1949.80 Em 1953 há uma notícia em O Jornal Batista, informando que o Seminário Batista Brasileiro teve 60 alunos matriculados no ano de 1952.81 Esta Instituição funcionou por vários anos no Colégio Pan-Americano, em Afogados, adquirido pelos “radicais”, até a década de 1970, deixando de existir após a fusão da Convenção Pernambucana (dos radicais) com a Convenção Evangelizadora (dos missionários), ocorrida em 1973, resultando na atual Convenção Batista de Pernambuco.



Seminário Teológico Betel

Localizado na cidade do Rio de Janeiro e organizado em 1940, pelo Pastor José de Miranda Pinto, foi inicialmente chamado Escola Bíblica e Teológica do Méier. O objetivo era que os alunos dele egressos tivessem o devido preparo para trabalhar “nas áreas rurais e nas cidades”.82 De início funcionou em dependências da Igreja Batista do Méier, depois esteve em edifícios alugados, até que, em 1963, passou a ter local próprio.83 Apesar de ser orientado conforme princípios batistas, o Seminário Betel é independente, ou seja, não tem qualquer controle denominacional. Dois dos mais eminentes pastores e líderes denominacionais foram alunos desta Instituição: Irland Pereira de Azevedo e Eber Vasconcelos.



Seminário de Educação Cristã (SEC)

Tendo em vista que a co-educação não era bem vista no Brasil, tanto o Seminário do Norte como o do Sul não admitiam a matrícula de pessoas do sexo feminino. Esta situação gerou a necessidade de se criar uma instituição para a formação de moças. O ápice da questão ocorreu quando uma jovem professora de Manaus, Josefa Silva, viajou mais de 3.000 quilômetros para Recife, com o objetivo de receber, talvez no Seminário do Norte, treinamento especial para melhor servir ao Senhor. Juntando-se a outras jovens que tinham o mesmo desejo de estudar, atendeu-se a este anseio ao se fundar um setor feminino no Colégio.84 Assim foi organizado o Departamento de Treinamento de Moças, em 1917. W. C. Taylor relata: “Outro movimento de longo alcance, em conexão com o trabalho educacional, foi o estabelecimento de uma escola de treinamento de moças. (...) Esta nova instituição matriculou doze moças no primeiro ano”.85 Teve como primeira Diretora, Graça Taylor, esposa de W. C. Taylor. Passou a ser chamada de Escola de Trabalhadoras Cristãs, em 1918, Seminário de Educadoras Cristãs, em 1958 e, finalmente, Seminário de Educação Cristã (SEC), mais recentemente, quando decidiu abrir suas portas também para alunos do sexo masculino.

Até 1941, a antiga Escola de Trabalhadoras Cristãs (ETC) era vinculada ao Colégio Americano Batista, passando então a ser dirigida pela União Geral de Senhoras, hoje União Feminina Missionária Batista do Brasil (UFMBB).86 Logo a instituição se tornou um grande celeiro de esposas de pastores, mas atuou de modo muito positivo na formação de missionários, que têm servido no Brasil e no mundo através das juntas missionárias da CBB. Por muitos anos o SEC tem formado eficientemente obreiras nas áreas de Educação Religiosa, Serviço Social Cristão e Música Sacra, tendo hoje cursos de Mestrado, além de Especialização em Missiologia, Ministério Social Cristão e Docência para Ensino Superior. Ultimamente, mediante acordo com o Seminário do Norte, o SEC deixou de oferecer cursos na área de Música Sacra, assim como o Seminário deixou de oferecer cursos na área de Educação Religiosa.

Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER)

À semelhança do SEC, o IBER está vinculado à UFMBB. A sua origem está no Departamento Feminino do Colégio Shepard (Colégio Batista Brasileiro), no Rio, fundado em 1916, com seu Curso de Obreiras, cujo funcionamento estava ligado diretamente ao Colégio, até 1941. Neste ano surgiu, por solicitação da União Feminina, o Instituto de Treinamento Cristão para Moças (ITC), mudando o nome em 1965 para Instituto Batista de Educação Religiosa (IBER). A Instituição só teve prédio próprio a partir de 1949. Desde 1979, tanto o IBER como o SEC são filiados à Associação Brasileira de Instituições Batistas de Educação Teológica (ABIBET).87 O IBER oferece principalmente o Curso de Bacharel em Educação Religiosa e o Curso de Pós-Graduação lato sensu na mesma área..



Outras instituições

Dentre outras instituições que se alinham neste tópico, mencionamos: (1) Seminário Teológico Batista da Bahia, fundado em 1958 por um grupo dissidente, tendo como diretor, Alfredo Mignac. (2) Seminário Teológico Batista do Nordeste, fundado por um grupo de missionários da Missão Batista Conservadora, na Cidade de Floriano, Piauí, em 1959.88 De início era um Instituto Bíblico, sendo transformado em Seminário no ano de 1960.89 Em 1976 foi transferido para Brasília, sendo hoje a conhecida Faculdade Teológica Batista de Brasília. É bom mencionar que os Batistas Conservadores sempre têm cooperado com a CBB, inclusive a Convenção Batista Piauí-Maranhão, onde foi iniciada esta Instituição, é uma das convenções ligadas à CBB.



Instituições Regionais ou Estaduais

Sob este rótulo alinhamos todas as outras instituições de educação ministerial criadas para suprir necessidades em regiões, em estados e em áreas rurais ou urbanas, tanto aquelas que estão ligadas a convenções, como outras a associações e até a igrejas ou pastores em particular. Certamente mencionaremos apenas algumas das dezenas que se espalham de norte a sul deste país, sabendo-se que, em quase todas as unidades da federação existe pelo menos uma, quando não duas ou mais instituições batistas de educação ministerial, na maior parte oferecendo cursos em nível de Bacharel.



Seminário Teológico Batista Equatorial

Este é considerado o “Benjamim” dos três seminários hoje pertencentes à CBB. Foi organizado como Instituto Bíblico, em Belém, Pará, no ano de 1955, considerando que os jovens mais promissores se deslocavam para Recife ou Rio de Janeiro a fim de estudar, e nunca mais retornavam para trabalhar como pastores ou missionários na Região. De início ele funcionou em um edifício da Primeira Igreja de Belém, até que, em 1958, obteve uma propriedade na rodovia que liga Belém a outras cidades (BR 316), já no limite com Ananindeua. Em 1965 o Instituto foi aceito como a terceira instituição de educação teológica da CBB, transformando-se em Seminário.90 Desde então o nível dos seus cursos tem se tornado dos mais elevados, inclusive em dado momento já chegou a ter 6 doutores em seu Corpo Docente regular.

O primeiro diretor da Instituição foi Paul Sanderson, seguido por Thomas Halsall. Ambos serviram ainda no período de Instituto. A partir de então, foram diretores efetivos: Jussiê Gonçalves de Souza, J. Loyd Moon, Orman Gwynn, John Landers, Jonas Celestino Ribeiro e, atualmente, Ceni Rangel de Almeida. Também, dentre outros, dirigiram interinamente a Instituição, Daniel Luper, Zaqueu Moreira de Oliveira, Shirleyton Nascimento e Gilvan Barbosa. Hoje oferece cursos em nível de Bacharel nas áreas de Teologia, Educação Religiosa e Música Sacra, além do Mestrado em Teologia.

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