Perfil histórico da educaçÃo teológica batista no brasil zaqueu Moreira de Oliveira associaçÃo brasileira de instituiçÕes batistas de educaçÃo teológica (abibet)



Baixar 256.9 Kb.
Página3/4
Encontro29.07.2016
Tamanho256.9 Kb.
1   2   3   4

Faculdade Teológica Batista de São Paulo

Hoje é uma das mais importantes instituições de educação teológica do Brasil, tanto em número de alunos como na qualidade de sua docência. Foi organizado em 1946 como Escola Bíblica, por F. A. R. Morgan,91 sendo uma espécie de curso de extensão para treinamento de jovens,92 Em 1948, a Convenção de São Paulo decidiu transformar em Instituto Teológico. Apesar de já existirem planos para transformar o Instituto em Seminário desde 1950, só em 1957, depois de idas e vindas, a Instituição foi transformada em Faculdade Teológica do Colégio Batista Brasileiro, funcionando em propriedade do Colégio. A partir de 1959 passou a ter local próprio, que na realidade era uma residência adaptada às suas necessidade.93 Somente em 1970 foi transferida para seu novo edifício, cuja construção iniciou em 1966. Além de brasileiros e missionários da Junta de Richmond, a Faculdade Teológica de São Paulo tem recebido os serviços, também eficientes, de missionários batistas de outras convenções norte-americanas.94



Outras instituições

A maior parte das instituições filiadas à ABIBET estão enquadradas neste tópico, pelo que faremos menção apenas de algumas: (1) Instituto Bíblico Batista do Nordeste Brasileiro, organizado em 1942, por A. E. Hayes, ex-Diretor do STBNB, na cidade de Triunfo, Pernambuco. O objetivo era alcançar pessoas vocacionadas para servirem na área rural, pelo que o nível era inferior ao do STBNB, não havendo qualquer pretensão de fazer concorrência. Em 1959 a Instituição foi transferida para a cidade de Feira de Santana, Estado da Bahia, sob a direção do missionário Robert Elton Johnson, sendo mais tarde transformada em seminário, que hoje tem o nome de Seminário Teológico Batista do Nordeste. (2) Instituto Teológico Batista de Carolina, criado no interior do Estado do Maranhão, pela Junta de Missões Nacionais, com a finalidade de preparar obreiros para trabalhos permanentes ou de férias, incluindo homens e mulheres, que deveriam atuar nas áreas rurais do país.95 Mais tarde foi transferido para a cidade de Imperatriz, no mesmo Estado, considerando a sua maior importância naquela extensa área do Maranhão e do Tocantins, embora poucos anos depois tenha deixado de funcionar. (3) Seminário Teológico Batista do Paraná, iniciado como Instituto Bíblico Batista A. B. Deter, em 1940, em Curitiba, foi transformado em Seminário em 1974.96 (4) Faculdade Teológica Batista Mineira, iniciada em 1969, sob a direção do Colégio Batista Mineiro e da Convenção Batista Mineira, sendo atualmente mais uma importante instituição do Sudeste do Brasil.



CAPÍTULO 4

ALVOS ATUAIS DA EDUCAÇÃO TEOLÓGICA

Como nos referimos na Introdução, muitos problemas atuais da educação teológica batista são os mesmos de anos atrás, sendo alguns mencionados desde a fundação do Seminário do Norte, em 1902. Temos de convir que novas situações surgem atualmente, tais como o difícil momento econômico-financeiro do país, as novas exigências legais incluindo a abertura para reconhecimento de cursos de teologia, e a crise transicional da CBB. A forma de superar esta e outras dificuldades é que nos permite alcançar os vários alvos a seguir propostos.

Eliminação da Duplicação de Esforços

Esta dificuldade tem duas conotações: (1) O grande número de seminários em todo o país, mesmo em estados ou áreas onde não há o número suficiente de obreiros preparados para o magistério teológicas e muito menos bibliotecas especializadas, indispensáveis para a formação sólida do obreiro; (2) cursos oferecidos por duas ou mais instituições, na mesma cidade ou área, quando as duas poderiam unir os esforços, evitando a duplicação de gastos, equipamentos e mão-de-obra. Quanto ao primeiro item, Key faz a seguinte advertência:

“Alguns líderes não parecem perceber o fato de que para fundar uma instituição teológica é necessário haver um adequado corpo docente, currículo apropriado, sustento financeiro, biblioteca, e a necessidade suficiente de autorizar o seu funcionamento”.97

Às vezes há divisão de forças, preparo inferior e rivalidade, enfraquecendo o espírito de cooperação.98 Quando os seminários estaduais começaram a aparecer, houve forte reação, inclusive proveniente dos dirigentes de seminários da CBB. Em 1962, David Mein declarou enfaticamente que “não precisamos de um número maior de instituições, mas do desenvolvimento daquelas que já possuímos”.99

Hoje concordamos que a concorrência tem seu aspecto positivo, pelo que os seminários estaduais ou mesmo de zonas rurais ou urbanas são importantes e até necessários, quando oferecem condições para o preparo sólido do futuro obreiro, tanto na área acadêmica como espiritual e prática. No caso, porém, de sua criação ser motivada por capricho pessoal, propósitos interesseiros ou ações destrutivas, as suas atividades se enquadram no espírito de carnalidade, conforme Judas escreveu em sua Epístola: “Estes são os que causam divisões; são sensuais, e não têm o Espírito” (Jd 19).

Quanto ao segundo item, referimo-nos às instituições vizinhas que têm, pelo menos parcialmente, o mesmo Corpo Docente, oferecem os mesmos cursos e as mesmas disciplinas. Repetimos aqui, e em maior dose, os mesmos argumentos do item anterior sobre desperdício, e o que afirmamos ao citar o texto bíblico acima. É o caso do que acontecia em Recife e ainda ocorre em outras cidades do Brasil. Felizmente houve um acordo ente Seminário do Norte e SEC,100 por iniciativa dos dois atuais reitores, embora pequenas arestas ainda precisem ser aparadas.



Sustento Financeiro

De quem é a responsabilidade de manter a obra de educação teológica no Brasil? Este questionamento existe desde o período das classes teológicas. Por muitos anos as missões no Brasil, representando a Junta de Richmond, bancaram a maior parcela do sustento dos professores e alunos dos seminários. Foi muito bom, mas ficou a idéia de que ainda hoje os seminários estão nadando em dólares, pelo que não há qualquer responsabilidade das igrejas ou mesmo dos familiares para manterem os seus seminaristas. A verdade é que nada existe hoje de ajuda financeira da Junta de Richmond, pelo menos para fins operacionais.

Conhecemos casos de pessoas que estudavam em universidades particulares, mas, recebendo a chamada de Deus se transferiram para um seminário, devendo pagar apenas um terço do valor da mensalidade que antes assumiam; contudo, não sentiram a responsabilidade de cumprir o seu compromisso. Temos conhecimento também de pastores e mesmo igrejas que se comprometeram a sustentar os seus seminaristas, mas assinaram promissórias nunca honradas e cheques sem fundo. A relação destes maus pagadores está em alguns seminários, que se têm mantido reticentes para enviá-la às igrejas, aos campos e às ordens de pastores. Temos contato com estudantes de instituições teológicas que choram mediante as suas dificuldades financeiras, explicando o porquê de sua inadimplência, mas têm carro ou aparelhos de som e outros equipamentos de última geração. Na realidade há necessidade de se trabalhar o caráter não somente de alunos como de pastores e outros membros de nossas igrejas, assim com é mister que haja uma consciência crescente da real situação de nossos seminários, tarefa esta que tem a ver com o marketing das próprias instituições, mas que deveria também receber a cooperação dos órgãos da CBB, incluindo a Ordem dos Pastores Batistas do Brasil e suas várias seções.

É tempo das igrejas assumirem os seminaristas que elas próprias encaminham para as instituições teológicas. Não se deve esquecer que este envio deve ser precedido do devido acompanhamento do candidato e a orientação, que inclui o trabalho de moldar o seu caráter cristão, principalmente quando este não condiz com as diretrizes bíblicas sobre honestidade e procedimento (Rm 12.17; 2Co 8.21; Fl 2.15; 1Pe 2.12). Também é importante que os seminários planejem e executem programas, que visem a receber dotações para construções, reformas, ou mesmo para o sustento de seus professores. Obviamente a forma, os valores e o foco de cada um ficam de acordo com a conveniência de cada instituição. Por outro lado deve também haver iniciativas das igrejas, no sentido de prover seus seminaristas e os seminários de condições para continuar o seu trabalho, sem baixar o nível do período quando recebiam verbas do exterior. Key comenta: “As igrejas deveriam ser encorajadas a ajudar o sustento de seus jovens que estão estudando nas instituições. Programas de dotações também devem ser iniciados, mesmo havendo nas igrejas, por enquanto, possibilidades limitadas”.101



Professores Competentes

Quantos dos nossos seminários têm um Corpo Docente em nível compatível ao ensino das disciplinas ministradas? Quando falamos neste assunto não nos referimos apenas à formação ou aos títulos, que também têm a sua importância. Basta dizer que hoje um curso de nível superior exige que todos os professores tenham cursos de pós-graduação stricto sensu ou, pelo menos, lato sensu, embora estes últimos para um grupo limitado ou provisoriamente. Além disso deve ter formação na área da matéria que ministra. Alguns questionamentos estão em ordem: Onde os professores fizeram seus cursos teológicos ou afins? Vamos aceitar maus professores que tiveram também maus mestres, formando uma seqüência interminável de má-formação? Sabe-se que existe, principalmente na área teológica, cursos que são comprados, e com preço de banana. Mesmo o nosso órgão denominacional da CBB tem publicado em letras garrafais os nomes de pastores batistas que foram agraciados com alguns destes diplomas, não em tom de crítica, mas de elogio por haver mais um dos nossos com Curso de Doutorado.

Os professores também devem ter uma formação na área pedagógica, pelo menos em nível de pós-graduação lato sensu. Hoje há cursos de Especialização oferecidos por universidades, que ajudam o professor a se atualizar na área do ensino superior, tanto no que se refere a leis, como a estruturas e, principalmente à metodologia a ser utilizada em sala de aula. De forma geral, não há rejeição de professores de seminários quando estes não têm outro curso superior além do teológico.

Outra área que nos preocupa quanto aos professores é o que ele é e o que ministra. Se formamos pastores, missionários e obreiros, onde está a integração do docente na Igreja? A maior parte dos seminários e faculdades teológicas tem sua ligação direta com a denominação; onde está a fidelidade denominacional? As doutrinas bíblicas e os princípios batistas precisam ser cultivados e mesmo proclamados pelos professores, tanto através daquilo que são como do que falam. Críticas destrutivas em sala de aula, com o objetivo de fazer média com alunos, já perderam o seu lugar, pois muitos não aceitam esta distorção entre o que são e o que ensinam.

Em terceiro lugar, questionamos o procedimento do docente, inclusive o seu relacionamento na sociedade e no lar. Deslizes morais não são apenas os que atingem a vida sexual. Igualmente grave é o não honrar compromissos financeiros ou sociais. Conforme Jesus, a palavra do cristão deve ser “sim, sim” e “não, não” (Mt5.37). Também o professor, no seu relacionamento com o aluno, deve ter o senso de justiça, sem usar de dois pesos e duas medidas quando pesarem os interesses e medirem as preferências pessoais.

Já que falamos no professor, onde está a responsabilidade da Instituição no que se refere a uma formação adequada? É importante que os seminários tenham um plano de capacitação docente, tanto no conteúdo como na área pedagógica, orientando os que apresentam deficiências, para que completem os seus estudos ou façam sempre novos cursos de atualização. Hoje o conhecimento adquirido há dois anos já se torna obsoleto. Certamente há dificuldades financeiras do próprio professor, pelo que a concessão de bolsas, pelo menos parciais, é o melhor incentivo. Outra forma de ajudar o mestre a obter melhor preparo é através do semestre sabático, quando o professor, sem prejuízo de seus proventos, poderá utilizar um período entre quatro e seis meses para realizar ou completar estudos, ou fazer pesquisa. Também o Seminário deve levar ao seu próprio ambiente, pessoas de alto gabarito para conferências e cursos, incentivando os docentes a deles participarem.



Alunos Vocacionados

Os alunos dos seminários devem ser vocacionados para um ministério específico? Acreditamos na chamada de Deus? Se há vocação, onde está a responsabilidade das igrejas ao encaminhar os futuros seminaristas? Estes questionamentos devem existir nas igrejas e não apenas nos seminários. As instituições teológicas recebem estudantes devidamente recomendados. É verdade que há uma seleção, que inclui cartas de recomendação da Igreja, formulários preenchidos pelo pastor, declarações de líderes e outros apetrechos exigidos antes da matrícula do novo aluno. Em alguns seminários chega a haver uma peneira, quando após as entrevistas o candidato é levado ao Capelão, ao psicólogo e ao assistente social. Contudo, o comportamento do aluno na comunidade e na Igreja nem sempre é satisfatório, mesmo exigindo-se dele semestralmente uma declaração de alguma Igreja de que o estudante está ali integrado em algum ministério. A verdade é que o julgamento da vocação é subjetivo e, por melhor boa vontade que exista, pode haver enganos com referência ao passado e decepções quanto ao futuro. Um trabalho escrito sobre educação teológica na Convenção Batista do Norte dos Estados Unidos afirma:

“Pais, mães, ministros, professores, amigos – todos podem tornar-se instrumentos em mãos de Deus para trazer ao indivíduo em questão o impacto do julgamento moral e espiritual do grupo, com referência á sua adaptação e chamada para o ministério”.102

Sem dúvida, o maior trabalho deve ser feito na Igreja que recomenda o estudante, e nisto há uma grande responsabilidade do pastor. É triste para a instituição ter de rejeitar ou, após a matrícula, mandar de volta alunos, pois isso gera dúvidas, incompreensão e sentimentalismo da parte de seus colegas, às vezes tumultuando o ambiente, além do incômodo emocional dos que aplicam a disciplina. Não é incomum se receber cartas de pessoas das igrejas e telefonemas dos pais solicitando satisfação sobre os motivos de ter dispensado estudantes, com o complemento: “Somente pelo fato de terem chegado ébrios no Internato”; ou “apenas por terem sido flagrados em atos homossexuais”. Alguns chegam a ameaçar por discriminar minorias; outros lamentam o ocorrido, porque a última esperança de recuperar o filho ou o jovem da Igreja estava no Seminário. Quando isto certa ocasião aconteceu no Seminário do Norte, o Pastor foi procurado para explicar sobre a recomendação feita; ele justificou dizendo que a família do estudante era a mais influente na Igreja. Os seminários são vistos por alguns como abrigos de menores ou reformatórios de desajustados ou marginais.

Ainda referente ao estudante, não se deve olvidar o problema financeiro que ele enfrenta. Alguns deixam suas atividades normais e, às vezes, empregos rendosos, no ideal de que a fé pode superar tudo, mesmo a falta de alimento, vestuário e condições para a sobrevivência da família. Até aí tudo bem, pois a fé remove montanhas. Entretanto, lamentavelmente alguns pensam que a responsabilidade de seu sustento está na denominação ou no próprio Seminário, já que estão se sacrificando em benefício da Causa e se preparando para honrar a denominação com seus serviços e talentos.103

Por outro lado, os seminários podem tomar algumas providências para ajudar seus alunos a trabalhar, tais como contatar empresas e realizar convênios para admissão de estudantes, que são recomendados pela Direção. É verdade que há o grande perigo de alguns recomendados não satisfazerem aos patrões, deixando o nome do Seminário em situação duvidosa. Contudo, a sugestão não deve ser anulada. Também existe a possibilidade de se conseguir bolsas de estudos concedidas por pessoas, igrejas, sociedades ou empresas.



Propriedades e Equipamentos Adequados

Uma grande dificuldade para algumas instituições é a aquisição de propriedades e equipamentos adequados para o ensino de alto nível. É verdade que este item tem a ver com a questão financeira. Alguns seminários têm funcionado provisoriamente em dependências de igrejas ou propriedades cedidas por colégios. É difícil se adquirir prédios ou mesmo grande parte de equipamentos apenas com os rendimentos provenientes das taxas dos alunos. No passado houve grandes doações para colégios e seminários, não somente pela Junta de Richmond como por igrejas e mesmo amigos de missionários. A possibilidade de se fazer transações desta natureza tem diminuído sensivelmente, porque não se faz doação a uma instituição sem que se conheça bem os seus dirigentes ou se tenha um alto nível de confiança no seu administrador. Também não há interesse em se ajudar um órgão se os mantenedores ou os clientes, no caso as igrejas, nada fazem para atender às suas mais prementes necessidades. Conforme Key, tem havido uma idéia generalizada no Brasil de que as igrejas não precisam cooperar com educação teológica, porque os americanos já o fizeram ou o fazem.104

Outro problema hoje enfrentado por algumas instituições é que tudo quanto existe foi preparado para os tempos de antanho, tornando-se quase impossível fazer as adaptações para atender às necessidades dos dias presentes. Além disso, os prédios foram construídos há muitos anos, já estando bastante deteriorados. O tamanho das salas de aula, a ventilação e a iluminação inadequadas, os tetos às vezes parecendo peneiras, as instalações elétricas vazando energia e colocando em perigo a segurança dos usuários, os canos de água totalmente enferrujados são apenas alguns dos problemas enfrentados em instituições mais antigas. Por outro lado hoje há necessidade de equipamentos de última geração para não ficarmos estagnados no tempo e no espaço.

Reconhecimento de Cursos

Talvez este seja o grande alvo do momento. Há uma verdadeira euforia desde a aprovação da Resolução que permite o reconhecimento de cursos de teologia. A correria tem sido grande de todos os lados, tentando adaptar às exigências da Lei no que se refere a cursos superiores. Alguns se apressam e chegam à precipitação; outros são demasiadamente cautelosos, reagindo contra as mudanças necessárias para o cumprimento das determinações dos órgãos competentes. Contudo, a reação contra o reconhecimento tem sido inexpressiva, uma vez que os mais interessados são os pastores, alunos e ex-alunos de seminários, que vêem uma forma de se ombrear legal e socialmente com outros portadores de diplomas de cursos superiores. Mas aí vem a pergunta: Até que ponto secularizamos um curso de teologia com o seu reconhecimento pelos órgãos governamentais? A liberdade, que para muitos foi surpreendente, de respeitar as tendências confessionais, não anulam totalmente o fato de que alguns ajustes no currículo poderão ser feitos, incluindo matérias consideradas desnecessárias por alguns, ou subtraindo disciplinas hoje consideradas fundamentais, mas que podem ser avaliadas pela Comissão Verificadora como discriminatórias ou atentatórias aos parâmetros de uma educação de nível superior.

Confessamos o nosso entusiasmo pelo reconhecimento; mas estamos ainda um tanto absortos e estupefatos com tudo isso. Paira, inclusive, na mente de muitos, a questão do vocacionado. Até que ponto podemos manter nos seminários a exigência de uma vocação baseada na convicção de que Deus chama pessoas para um ministério específico? Até quando os seminários reconhecidos poderão rejeitar a matrícula dos que professam outro credo ou não estão vinculados a qualquer igreja evangélica? Será que estamos às portas de uma secularização necessária ao nosso bem-estar social, mas que, segundo alguns, nega princípios que nos têm sido caros através dos séculos? Daí a exclamação dos mais precavidos: “Eu quero, mas temo!”

CONCLUSÃO

A história da educação teológica batista no Brasil está aí. Levando em consideração o surgimento das classes teológicas, ela já ultrapassa um século. Mas é uma realidade; não se acabou. Há muito ainda por se realizar. Nós somos esta história. Por trás e na frente dela está muita luta, muita crise, muitas derrotas. Mas também está a vitória que só encontramos através de nosso Senhor Jesus Cristo (1Co 15.57). É a liderança batista brasileira que se formou, é a consciência da responsabilidade missionária, a persuasão de que podemos seguir em frente, andar com nossos pés, criar nossos modelos. É a convicção de que refletimos, pensamos e agimos, tendo em mira o nosso Senhor Jesus Cristo. É a certeza de tudo isso e muito mais.

Nunca nos livraremos de problemas, de crises e imperfeições. Somos frágeis, somos muitas vezes incompetentes, mas a pertinácia como trabalhamos nos tem levado a encontrar surpresas que rasgam as nuvens das dúvidas e revelam os mistérios que o Criador tem reservado somente aos que nele crêem. Deus é o Senhor da história. Ele tem perscrutado os nossos passos e continuará focalizando no futuro o nosso caminho. É olhando para cima que vislumbramos a eternidade. “Não sabes, não ouviste que o eterno Deus, o Senhor, o Criador dos confins da terra, não se cansa nem se fatiga? É inescrutável o seu entendimento” (Is 40.28). Educação teológica! Esta é uma história de muita perplexidade, muita reflexão, mas é também uma história de esperança, fé e amor. “Esta é a vitória que vence o mundo: a nossa fé” (1Jo 5.4).



REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

Livros

BRATCHER, L. M. Francisco Fulgencio Soren: Christ’s Interpreter to Many Lands. Nashville: Broadman Press, 1954.

CRABTREE, A. R. Baptists in Brazil. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1953.

____________. Historia dos Baptistas do Brasil: Até o anno de 1906. Vol. I. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Baptista, 1937.

FERREIRA, Ebenézer Soares. A História da Associação Brasileira de Instituições Batistas de Ensino Teológico (ABIBET). Rio de Janeiro, 1996.

GINSBURG, Salomão L. Missionary Adventure. Nashville, Tenn.: Baptist Sunday School Board, Southern Baptist Convention, s.d.

HARTSHORNE, Hugh e FROYD, Milton C. Theological Education in the Northern Baptist Convention. Philadelphia: The Board of Education of the Northern Baptist Convention, 1945.

MARTINS, Mário R. Gilberto Freyre, o Ex-Protestante: Uma Contribuição Biográfica. Recife: Aliança Bíblica Universitária do Brasil, 1973.

____________. História das Idéias Radicais no Brasil: Entre os Batistas. Recife: Acácia Publicações, 1974.

MEIN, David. Esboço Histórico do Seminário Teológico Batista do Norte do Brasil: 1902-1977. Recife: STBNB, 1977.

____________, coord. O Que Deus Tem Feito. Rio de Janeiro: JUERP, 1982.

MEIN, Mildred Cox. Casa Formosa, Recife: Gráfica Editora Santa Cruz Ltda., 1966.

MESQUITA, Antonio Neves de. Historia dos Baptistas do Brasil: De 1907 a 1935. Vol. II. Rio de Janeiro: Casa Publicadora Batista, 1940.

OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. Breve História dos Batistas em Pernambuco, Recife: Acácia Publicações, 1973.

____________. Perseguidos, Mas Não Desamparados, Rio de Janeiro: JUERP, 1999.

____________ e RAMOS ANDRÉ, João Virgílio. Panorama Batista em Pernambuco. Recife: Departamento de Educação Religiosa da Junta Evangelizadora Batista de Pernambuco, 1964.

PEREIRA, José dos Reis. História dos Batistas no Brasil: 1882-1982. Rio de Janeiro: JUERP, 1982.

Artigos e Ensaios

ANDRADE, Alberto Mazoni. Decisões da Convenção Batista Brasileira. O Jornal Batista, LXI, n.19, 08/05/1941, p.1 e 3.



ATUALIDADES. O Jornal Baptista. XIX, n.49, 04/12/1919, p.1.

AUGUSTO, Alberto. Seminário do Sul: A sua situação econômica. O Jornal Batista, XLIX, n.6, 10/02/1949, p.4.

BARBOSA, Carlos. Colégio Americano Batista. Correio Doutrinal. Recife, III, n.45, 29/01/1926, p.4.

BRAGA, Jonathas. O Seminário Batista Brasileiro. O Jornal Batista, LIII, n.5, 29/01/1953, p.7.

CÂMARA, Helcias R. Instituto Teológico Batista de Carolina. O Jornal Batista, XLIV, n.46, 16/11/1944, p.4.

CANNADA, W. H. Extracts from Letters of Our Missionaries. The Foreign Mission Journal, LIV, n.7, jan. 1904, p.230-33.

____________. Missão Baptista Pernambucana. O Jornal Baptista, V, n. 26, 30/11/1906, p.6-7.

____________. Theological Training Need. The Foreign Mission Journal, LIII, n.9, mar. 1903, p.281-82.

CRABTREE, A. R. Apresentação. Revista Teológica, I, n.1, jan. 1950, p.3-5.

____________. O Seminário e a Nova Época do Cristianismo. O Jornal Batista, XLVII, n.37, 11/09/1947, p.2 e 4.

____________. Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. O Jornal Batista, XL, n.1-2, 4/11 jan. 1940, p.46-48.

CUNHA, Djalma. Seminário Teológico Batista do Sul do Brasil. O Jornal Baptista, XXXVI, n.4, 29/10/1936, p.3-4.



DEATH of Brother J. E. Hamilton. The Foreign Mission Journal, LV, n.7, jan. 1905, p.228.

FEIJÓ, Olavo Guimarães. Nossas Despedidas ao Casal Morgan. O Jornal Batista, LI, n.19, 10/05/1951, p.5.

GINSBURG, Salomão L. Earnest Words. The Foreign Mission Journal, XLIX, n.9, mar. 1899, p.328-29.

____________. From Brazil. The Foreign Mission Journal, L, n.3, set. 1899, p.108-09.

____________. Good news from Pernambuco. The Foreign Mission Journal, XXXIII, n.9, mar. 1902, p.289.

____________. Letter from Bro. Ginsburg. The Foreign Mission Journal, XXXII, n.1, jul. 1900, p.15-16.

____________. Notícias Nortistas. O Jornal Baptista, IV, n.14, 30/05/1904, p.7-8.

____________. A Tribute. The Foreign Mission Journal, LV, n.7, jan. 1905, p.242-43

GOMES, David. A Junta de Missões Nacionais Informa. O Jornal Batista, LXIV, n.3, 18/01/1964, p.6 e 11.

HAYES, A. E. Algumas Notas Sobre Educação no Norte. O Jornal Baptista. XXXIV, n.43, 25/10/1934, p.7-8.



INSTITUTO Teológico Batista. Batista Paulistano, XLI, n.7, jul. 1948, p.1.

KERR, Emilio W. Acta da Installação do Seminário Baptista em Pernambuco. O Jornal Baptista, II, n.16, 25/04/1902, p.3.

KEY, Jerry S. Educação Teológica. In: David MEIN, coord. O Que Deus Tem Feito. Rio de Janeiro: JUERP, 1982, p.115-139.

KIRK, Maxie Crawford. União Feminina Missionária. In: David MEIN, coord. O Que Deus Tem Feito. Rio de Janeiro: JUERP, 1982, p.141-176.

MEIN, David. A Propósito de um Parecer. O Jornal Batista, LXII, n.18, 03/05/1962, p.8.

____________. Há Crise de Vocações? Voz do Seminário, XIX, n.2, ab. 1961, p.2-4.

MEIN, John. O Seminário e a Causa. Correio Doutrinal, Recife, XI, n.19, 28/09/1933, p.1.

MORAES, João Teixeira de. Convenção Batista Brasileira. O Jornal Baptista. XIII, n.3, 16/01/1913, p.6.

MORGAN, F. A. R. O Centro Batista Paulistano. Batista Paulistano, XLII, ed. Especial, jul. 1949, p.8-9.

NELSON, E. A. Dedication of Para Church – A Man Wanted Immediately. The Foreign Mission Journal, LV, n.11, mai. 1905, p.378-79.

OLIVEIRA, Zaqueu Moreira de. Editorial. Reflexão e Fé, I, n.1, ag. 1999, p.5.

____________. Editorial. Reflexão e Fé, II, n.2, ag. 2000, p.5.

____________. Seminário Teológico Batista do Norte. O Evangelizador, XXIII, n.7, mai. 1965, p.1-2 e 4.

PINTO, José de Miranda. Escola Bíblica e Teológica do Méier. O Jornal Batista, XL, n.16, 18/04/1940, p.10.



RESUMO Histórico do Seminário Desde Sua Independência do Colégio Batista do Rio, 1937-1941. O Jornal Batista, XLI, n.44, 30/10/1941, p.4.

REUNIÃO Missionária. O Jornal Baptista, II, n.37, 03/10/1902, p.3-4.

THE RIO College and Seminary. The Foreign Mission Journal, LIX, n.9, mar. 1909, p.268.

SEMINÁRIO Teológico Batista do Nordeste: Mensagem inaugural. O Jornal Batista, LIX, n.34, 20/08/1959, p.4.

SHEPARD, J. W. Baptist Education Society of Brazil. The Foreign Mission Journal, LIX, n.12, jun. 1909, p.363-64.

____________. Característicos Gerais do Seminário. O Jornal Baptista. VII, n.44, 12/12/1907, p.3.

____________. The College and Seminary at Rio. The Foreign Mission Journal, LIX, n.2, ag. 1908, p.51-52.

____________. Trabalho Teológico e Seminário. O Jornal Baptista. VIII, n.4, p.2-3.

SOUZA, Manoel Avelino de. O Dia do Seminário. O Jornal Baptista, XXXVII, n.42, 21/10/1937, p.5-6.

TAYLOR, W. C. Baptist Theological Education in South America. Quarterly Review, XVIII, n.3, jul./set. 1958, p.59-62.

­­­­____________. O Relator e o Leitor Conversam Sôbre o Seminário. Correio Doutrinal. Recife, I, n.7-8, 22/06-06/07/1923, p.2 e 10.

____________. O Seminário do Norte. Revista Teológica, Rio de Janeiro: STBSB, II, n.3, jan. 1951, p.31-49.

TAYLOR, Zacarias C. Gracious Blessing. The Foreign Mission Journal, XXVI, n.10, mai. 1895, p.304-06.

TEIXEIRA, Theodoro R. Uma Visita à Bahia. O Jornal Baptista, XXV, n.8, 30/04/1935, p.3-4.

WISE, Gene H. Passo Importante Dado Pelo Plano Cooperativo. O Jornal Batista, LIX, n.41, 08/10/1959, p.2.


1   2   3   4


©principo.org 2016
enviar mensagem

    Página principal