Pergunta (P)- que avaliação faz desta sua visita a Moçambique?



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João Gomes Cravinho

Moçambique granjeia respeito da comunidade internacional – reconhece Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, João Gomes Cravinho, em entrevista ao “Notícias”


PORTUGAL considera que o trabalho que o Governo moçambicano está a realizar para o combate à pobreza e promoção do desenvolvimento social e económico do país granjeou o respeito e o apoio da comunidade internacional. Este é o sentimento expresso pelo Secretário de Estado dos Negócios Estrangeiros e Cooperação de Portugal, João Gomes Cravinho, que durante cerca de uma semana visitou o nosso país no quadro da cooperação bilateral.

Maputo, Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2007:: Notícias

 

Cravinho esteve em Maputo, Sofala, Cabo Delgado e Nampula, e disse ter ficado impressionado pela dinâmica do crescimento social e económico dos moçambicanos, prometendo que Portugal iria prosseguir com o apoio que está a prestar ao nosso país, principalmente no sector agrícola e de formação. Explicou que a cooperação entre os dois países está agora a passar uma fase de transformação, traduzida numa maior concentração sectorial e geográfica, sendo que a ideia é evitar a dispersão de sinergias e aproveitar as valias que os dois países oferecem. Considerou que o Governo moçambicano está avançar nas reformas visando desburocratizar as instituições, estimulando os investidores do seu país a estarem atentos aos passos em curso visando facilitar a sua intervenção no nosso país. Estes os pontos fortes de uma breve entrevista que nos foi concedida em Nampula, por João Gomes Cravinho.



PERGUNTA (P)- Que avaliação faz desta sua visita a Moçambique?

RESPOSTA (R)- A minha visita a Moçambique teve três etapas, para além de uma etapa inicial em Maputo.  Estive na Gorongosa, em Sofala, na província de Cabo Delgado, onde visitei diversos projectos,  e na Ilha de Moçambique, na província de Sofala. Fiquei extremamente satisfeito com a visita que realizei a projectos apoiados pela Cooperação Portuguesa. São três casos distintos, mas em todos os casos há características comuns, há uma dinâmica de desenvolvimento extremamente positiva.



P- A que se refere quando fala de dinâmica de desenvolvimento?

R- Quando eu falo de desenvolvimento falo do crescimento económico, assim como do apoio social que tem de acompanhar a par e passo o crescimento económico. Em todos os três casos, nós verificámos que isso está a acontecer. Na Gorongosa, província de Sofala, e com a Fundação Car, que tem desenvolvido um memorando com o Governo de Moçambique para a revitalização do Parque, há uma dinâmica extremamente interessante que voltará a colocar o Parque Nacional de Gorongosa nos circuitos dos grandes parques africanos.



P- Mas qual é a intervenção de Portugal no Parque da Gorongosa?

R- Portugal está a apoiar o trabalho da Fundação Car, nós assinámos um acordo com esta Fundação recentemente para a criação de um centro de educação ambiental e tivemos a ocasião de lançar já a primeira pedra e o custo é na ordem dos 500 mil euros, ou seja, 700 mil dólares norte-americanos para a portuguesa, e outro tanto para a Fundação Car. Daqui por um ano esse centro estará concluído.



P- Que valor esse centro vai acrescentar ao parque?

R- Esse centro vai permitir que a Gorongosa sirva também de um pôlo divulgador de informação sobre ambiente, servirá para a formação e criação de materiais pedagógicos sobre o ambiente, por um lado. Por outro lado, nós também nos disponibilizamos em apoiar o trabalho feito na Gorongosa com assistência técnica sempre que necessário e durante estes próximos meses identificar-se-á. Para além disso, esta visita permitiu identificar outras possibilidades  para o futuro. Portanto entre o Instituto Português de Apoio ao Desenvolvimento e a Fundação Car, e, naturalmente sempre em concertação com as autoridades moçambicanas, haverá um trabalho para o aprofundamento desta nossa parceria.



P- E em relação a Cabo Delgado, o que esperar dos projectos apoiados pela Cooperação Portuguesa?

R- Em relação a Cabo Delgado, Portugal apoia a Fundação Aga Khan, que já desde o ano de 2001 o nosso apoio contando com 2007 ascende a quase três milhões de dólares, durante este período. Acordámos também no apoio de cerca de 1,2 milhão de dólares norte-americanos para este triénio, 2007, 2008 e 2009.



P- Estes fundos destinam-se a apoiar que áreas concretamente?

R- É um apoio que serve para várias valências, para a Educação, para apoio na Saúde, para o apoio também na Agricultura, principalmente no que se refere ao aumento da produtividade e comercialização agrícola.



P- Em que distritos?

R- Nos distritos mais próximos da cidade como Pemba-Metuge. São quatro distritos em que a Fundação Aga Khan está actualmente a trabalhar. Há pedidos por parte das autoridades governamentais de Cabo Delgado para alargar este perímetro de actuação, nós somos sensíveis a esses pedidos do governo provincial e a Fundação Aga Khan também está aberta a essa possibilidade. Existe, no entanto, a ideia de que é necessário consolidar e não aumentar excessiva e rapidamente para não pôr em causa o trabalho que actualmente está a ser feito e eu julgo que ao longo dos próximos anos se verificar-á um alargamento do âmbito de actividade para outros distritos daquela província do norte de Moçambique.



P- E em Nampula, qual é a vossa intervenção e quais são os resultados da visita que realizou?

R- No Lumbo, distrito da Ilha de Moçambique, lançámos com o Ministro da Ciência e Tecnologia de Moçambique, Venâncio Massingue, e também com o Ministro do Plano e Desenvolvimento, Aiuba Cuereneia, o Programa Vila do Milénio.



P- Mas qual é a participação de Portugal nesta iniciativa?

R- Nós financiámos na íntegra este programa. São cerca de 350 mil dólares/ano e nós olhamos para este apoio como uma parte integrante da nossa disponibilidade em apoiar o desenvolvimento da Ilha de Moçambique. Acreditamos, e, obviamente que o Governo de Moçambique tem essa convicção também, que a Ilha de Moçambique para cumprir com todo o seu potencial turístico, esse potencial também deve ser visto em termos do significa como pólo de desenvolvimento para a região. Uma coisa não pode avançar sem o suporte da outra, daí o nosso apoio ao Lumbo.



P- Mas consta que Portugal também vai apoiar o desenvolvimento integrado da ilha...

R-  Na verdade estamos também a apoiar com 250 mil dólares norte-americanos, através do Banco Africano de Desenvolvimento (BAD), o estudo para o plano integrado do desenvolvimento da Ilha de Moçambique, e nós acreditamos que esse estudo permitirá a todos ter uma matriz comum para as suas intervenções. É que no passado todos nós, incluindo a Cooperação Portuguesa, trabalhámos de uma forma excessivamente dispersa e o resultado é que como as intervenções foram pontuais e na ausência de uma matriz comum, os programas acabaram por não ter os efeitos desejados. Com a criação deste plano de desenvolvimento integrado, estaremos todos a contribuir para objectivos comuns. Portugal está muito disponível em apoiar a Ilha de Moçambique, porque nós acreditamos que esta Ilha tem potencial para o desenvolvimento de toda a província de Nampula e do norte de Moçambique, e nós acreditamos que podemos apoiar as autoridades moçambicanas em dar a ilha um futuro tão valioso como foi o seu passado.




No Lumbo, Cravinho plantou árvores de fruta e de sombra (J.Cuambe)

REQUERE-SE CONCENTRAÇÃO NA COOPERAÇÃO BILATERAL


Maputo, Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2007:: Notícias

 

Para João Gomes Cravinho é preciso que se caminhe para uma situação em que a cooperação entre os dois países deixe de ser dispersa se se aproveitem as sinergias que ambos os países podem oferecer. Para tal, disse, os programas bilaterais de cooperação entre Portugal e Moçambique estão a passar uma fase de transformação visando atingir tal fim.



P- Mas no geral, como avalia a cooperação entre Portugal e Moçambique?

R- A cooperação entre os nossos dois países está a passar por uma fase de transformação, uma transformação extremamente positiva, porque é uma transformação suave e de acordo com  diálogo que estamos a manter com as autoridades moçambicanas, um diálogo constante.



P- O que chama de transformação?

R- É uma transformação que passa por uma maior concentração, concentração sectorial e concentração geográfica, mas uma vez para evitar os problemas de dispersão e, pelo contrário, para criar maiores sinergias. Portanto, Portugal assinou no início deste ano um memorando para este triénio, 2007, 2008 e 2009, e parte da lógica desse memorando está já a ser cumprido com estes três projectos, entre outros, naturalmente. Nós queremos ter parceiros de longa duração, a Fundação Car, a Fundação Aga Khan, e, por maioria de razão, o Governo de Moçambique são parceiros de longa duração para a cooperação portuguesa, e nós estamos aqui a pensar num horizonte muito alargado e, portanto, faz também sentido trabalhar com aqueles que também têm o mesmo espírito. Quisemos também fazer vincar a necessidade de articulação entre o desenvolvimento e crescimento económico e desenvolvimento social, e, nestes três casos verificamos que os projectos correspondem também a essa dupla preocupação. O desenvolvimento precisa dos dois, do crescimento económico e das preocupações sociais.



P- E no domínio económico não acha que a participação portuguesa ainda está muito aquém das expectativas?

R- Esta a andar muito bem. Nesta edição da Feira Internacional do Maputo (FACIM), Portugal conta com o maior pavilhão e isso é demonstrativo do grande interesse do empresariado português por Moçambique, Moçambique é um país dinâmico, é um país que está a crescer e o empresariado português responde a esses estímulos. O empresariado português nunca deixou de estar presente em Moçambique, mesmo nos momentos mais difíceis e naturalmente que agora, quando as perspectivas são mais risonhas, mais interesse há no trabalho com Moçambique. As coisas estão a funcionar muito bem e acreditamos também que a resolução do “dossier” Cahora Bassa , foi mais um estímulo para o incremento do relacionamento económico entre os dois países e julgamos que durante o próximo ano de 2008 vamos verificar um grande salto naquilo que é já um relacionamento já muito bom.




Melhores dias espreitam sobre os habitantes da Ilha de Moçambique (J.Cuambe)

DEVIDENDOS DA PAZ JÁ SÃO VISÍVEIS


Maputo, Quarta-Feira, 29 de Agosto de 2007:: Notícias

 

P- Não acha que o ambiente de paz e estabilidade que se vive em Moçambique esteja a propiciar o florescimento da cooperação bilateral?

R- Sem dúvida nenhuma que  há um  dividendo da paz que se está a sentir aqui em Moçambique. Eu estive na Ilha de Moçambique, aqui na província de Nampula,  pela última vez em Fevereiro deste ano, há cerca de seis meses. Nestes seis meses e por aquilo que eu vejo com os meus olhos já há mudanças. Verifica-se ao longo destes anos uma aceleração, e as estatísticas dizem-nos que Moçambique cresceu muito, mas verifica-se cada vez mais de forma mais visível não só nas grandes cidades como Nampula, mas também nas aldeias por onde passámos verificámos uma dinâmica que não existia há pouco tempo e, portanto, embora nos anos iniciais depois da paz o crescimento económico estivesse muito concentrado em alguns grandes projectos. Hoje, notamos um crescimento económico um pouco por todo o país e isso é extremamente favorável e interessante para os investidores.

P- Já que fala de investidores, o que os operadores do seu país esperam das autoridades nacionais moçambicanas?

R- Bom, os empresários portugueses em Moçambique identificam como seu principal obstáculo, a relativa escassez de mão-de-obra qualificada. Ora, a resposta a isso é formação, formação, formação. Moçambique está a investir muito no sector da Educação nos seus diferentes subsectores e a cooperação portuguesa já está a trabalhar na formação profissional em várias áreas de Moçambique. A formação tecnológica também é muito necessária e nós estamos disponíveis a apoiar as autoridades moçambicanas neste trabalho que não se realiza de um dia para o outro. Naturalmente que os empresários queriam que tudo mudasse de um dia para o outro e isso não é possível, mas Portugal está disponível em apoiar as autoridades moçambicanas, tal como temos vindo a fazer no reforço da formação.



P- Alguns investidores queixam-se do alegado peso da burocracia por parte das autoridades nacionais e reclamam também o que chamam de falta de incentivos ao investimento estrangeiro...

R- Todos os investidores internacionais gostam de rapidez de decisão em matéria de investimento e houve ao longo destes anos avanços bastante grandes na desburocratização, nós também temos essa questão em Portugal e, como no nosso país, em Moçambique também se está a trabalhar na desburocratização dos processos de decisão. Mas é um trabalho que está em curso, nada se pode mudar de um dia para o outro, está a acontecer e os empresários claro que gostariam que a mudança fosse um pouco mais rápida, mas para todos nós, em Moçambique e em Portugal, isso deve servir de estímulo para continuarmos o nosso trabalho.   



P- Quais as áreas em que Portugal gostaria de ver reforçada a cooperação com Moçambique?

R- Bom, nós apostamos muito na Ilha de Moçambique entre outras. O Governo de Moçambique desencadeou algumas reformas de maior importância neste último ano, nomeadamente a criação de um estatuto especial para a ilha e tive a oportunidade de estar no Gabinete de Conservação da Ilha de Moçambique e verificámos que ainda não está a 100 porcento por razões de constrangimentos orçamentais, mas nós acreditamos que estes passos dados pelas autoridades moçambicanas foram passos de maior importância e nós estamos muito desejosos em reforçar a nossa cooperação em muitas outras áreas.



  • JAIME CUAMBE

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